Olá, moçada! Tudo bem? Bom dia!
Baita honra reencontrá-los aqui hoje, dia 21 de fevereiro. Avança forte o mês de fevereiro, que passou rápido; janeiro passou rápido, fevereiro, enfim, o ano voando como a gente já imaginava, né? No fim das contas, o tempo tá passando depressa, motivo pelo qual é importante refletir.
É importante levarmos em consideração o modo como vamos viver cada um desses dias. Como vai dizer o cênico, não é que o tempo seja exatamente escasso; o tempo é mal aproveitado quando nós não filosofamos a respeito do modo como vamos passar esse tempo, esse tempo que nos é atribuído. Aqui hoje, com uma meditação de Epicteto intitulada "Não deseje, não queira", vamos diretamente à meditação.
Lembra-te de que não é somente o desejo por riqueza e status que nos degrada e subjuga, mas também o desejo por paz, tempo livre, viagens e aprendizado. Olha, a princípio, você pode ficar surpreso com uma afirmação como essa. Puxa vida!
Quer dizer que mesmo o desejo por coisas que não são evidentemente negativas, como tempo livre, viagens e aprendizado, isso pode ser ruim? Isso pode me degradar e subjulgar? Pode!
Não importa qual seja o objeto externo; o valor que atribuímos a ele nos subjuga. Onde colocamos o nosso coração, ali se encontra nosso impedimento. Cuidado com as coisas que são, para você, motivo de desejo, motivo de vontade, motivo de aspiração.
Mesmo coisas boas, se desejadas para além de uma boa medida, podem subjulgar você, podem atrapalhar o curso da sua existência. Existe uma palavra no mundo grego antigo que nos apropriamos dela: "pharmakon", que inclusive vai dar o nome de farmácia, né? O que é fármaco?
Fármaco, em grego, é uma substância que às vezes aparece como remédio e às vezes aparece como veneno. E o que vai diferenciar o fármaco remédio do fármaco veneno? A dose, a dosimetria.
Então, vai lá, fazer exercício físico é uma coisa importante, mas existe uma doença para quem faz isso, inclusive, né? Tem um nome próprio para a doença de quem excede nesse desejo de fazer exercício físico; salvo engano, chama-se vigorexia. Sabe aquela pessoa que quer ficar 3, 4 horas na academia todos os dias, que ultrapassa a boa medida?
Então, você tem que tomar cuidado com o modo como você deseja também as boas coisas, para que elas não passem de um fármaco remédio para um fármaco veneno. Cuidado com isso! Vamos ao comentário dos nossos autores.
Com certeza, Epicteto não está dizendo que paz, tempo livre, viagens e aprendizados são ruins. Felizmente, não é isso que ele está dizendo, mas o desejo incessante, ardente, para além da boa medida, senão mal em si mesmo, está carregado de possíveis complicações. Sempre com essa ideia de que os excessos são defeitos que devem ser evitados.
O que desejamos nos torna vulneráveis. O que desejamos nos torna vulneráveis; aquilo de que julgamos precisar nos torna vulneráveis. É o nosso calcanhar de Aquiles.
Seja uma oportunidade de viajar pelo mundo, de ser o presidente ou de ter 5 minutos de paz e sossego. Quando ansiamos por algo, quando nos agarramos a um fiapo de esperança, nós nos preparamos para desilusão, porque o destino pode sempre intervir. E então, provavelmente, perderemos, em resposta, nosso autocontrole.
Cuidado com o que você deseja, cuidado com o que move a sua ação. Não se entregue em excesso, nem mesmo às boas coisas. Filosofia é uma coisa extraordinária!
Falar de filosofia é uma coisa extraordinária, mas não se você torna isso algo que ocupa toda a sua existência a todo momento, sem que você, inclusive, aplique cotidianamente as coisas que aprendeu. Então, você não consegue mais contar uma piada, você não consegue mais sentar num boteco sem falar só de filosofia o tempo inteiro. Quer dizer, mesmo sendo filosofia uma coisa extraordinária, você tem uns momentos para fazer alguma coisa.
Isso não pode se tornar, para você, um objeto de fixação, porque você acaba perdendo o seu controle em relação a isso. Como Diógenes, o famoso cínico, aqui atrás disse: "é privilégio dos deuses não querer nada e de homens divinos querer pouco". Quanto menos nós desejamos, quanto menos tomados pelo desejo nós somos, maior é o nosso autocontrole, maior é o nosso domínio.
Portanto, queira menos, empenhe-se mais naquilo que realmente vale a pena, mas não torne isso uma presença tóxica na sua vida. Não querer nada nos torna virtualmente invencíveis. Qual que é o sujeito que vamos dizer que ninguém consegue destruir, que ninguém consegue vencer?
O sujeito que não quer nada. Ele abriu mão de qualquer forma de querer. Não estou dizendo que essa seja a saída, não querer nada.
O próprio Diógenes, o mais radical dos cínicos, está dizendo que é bom que nós queiramos menos, porque nada se encontra fora do nosso controle. Quando nós queremos menos, isso não se aplica apenas a não desejar as coisas fáceis de criticar, como riqueza ou fama, mas também às coisas não fáceis de criticar, como saúde, paz, sabedoria e inteligência. Quando se trata de seus objetivos e daquilo pelo que você luta, pergunte a si mesmo: sou eu que os controlo ou são eles que me controlam?
Eu adoro isso, porque aqui está a explicação. Eu quero viajar no segundo semestre deste ano, mas eu não sou tomado por esse desejo; o desejo não é mais forte do que o meu domínio sobre ele. Eu quero ser uma pessoa mais sábia a cada dia que passa, mas esse não é um desejo que me controla; eu o controlo.
Eu determino até onde vai e até onde não vai. Então, tanto quanto possível, controle aquilo que está dentro do seu universo de ação, porque a vida dá lá os seus golpes, a vida dá lá os seus tiros, e nós temos que estar preparados para isso. O que significa dizer que, quanto menos eu desejo, mais controle eu tenho sobre mim.
Mesmo por via de consequência, menos sujeito, eu estou às atribulações cotidianas. Cuidado com os excessos do querer, mesmo do querer boas coisas. Beijão!
Não deixa de comentar, de clicar, e a gente se encontra aqui amanhã para mais uma reflexão histórica. Beijão!