Então, bom dia a todos. Eu inicio aqui nosso terceiro momento do seminário, né, Cante do Estado Direito. Foi uma ideia que surgiu, né, na pós-graduação, conversando com o professor Pablo, que é o atual coordenador. Eh, como a gente tá fazendo a coletânia escrita, disse, não, faz um evento também para agregar eh os debates e assim foi feito. Acho que foi um evento promissor, teve muitos Momentos interessantes, né, vários debates e hoje a gente tá com ex-aluno nosso, né, o professor Rafael Velone, Rafael mestre pela eh UFPB, né, advogado militante, professor também, eh, e assim, posso
dizer que fui coorientador dele, é um pouco suspeito falar disso, mas foi um dos melhores dicentes nós vimos aqui no programa, o Rafael teve uma defesa brilhante, né? Já publicou a dissertação? >> Não, não, ainda não. Ela está disponível noositório da UFPB. >> Perfeito. >> É, então o Rafael vai iniciar hoje aqui com a gente uma pesquisa que, na verdade, a gente vem fazendo, né, Rafael? E ele resolveu intitular eh Kant, né, domesticou o Leviatã, né? E aí ele vai explanar vários aspectos. Eu vou tentar também debater um pouco com ele. Mas é isso. Então,
mais uma vez obrigado a todos e todos estão presentes, né? Vamos iniciar aqui a fala do Dr. Rafael Velônio. Palavra, meu caro. >> Agradeço a oportunidade, professor Nilton, e agradeço muito a presença de todos. Fico feliz de poder expor aqui as ideias de uma pesquisa que estamos desenvolvendo. A pesquisa ela surgiu no decorrer do mestrado quando em uma conversa com o professor Nildo eu indaguei de como Conciliar a teoria cantiana do direito, direito e estado cantiano, com algumas recentes conquistas que teríamos na dogmática cível, como por exemplo a responsabilidade civil objetiva, a os sistemas mais
protetivos no direito do consumidor, no direito do trabalho. E esse regramento que não seria um regramento privado na forma clássica, que seria uma relação equiparada entre os particulares, mas uma relação que muitos intitulam como uma relação Diagonal, em que reconhece-se uma das partes da relação jurídica que necessita de um tratamento diferenciado para garantir a igualdade substancial. E exemplo disso é a responsabilidade objetiva. E para isso é necessário explicar o que seria a responsabilidade objetiva. Responsabilidade objetiva seria aquela que não demanda demonstração de dolo culpa para imposição. Isso não para punir necessariamente, mas para reparar. Eh,
E a partir dessa construção se indagou que se seria possível ou não aplicar a concepção cantiana de responsabilidade diante dessas recentes conquistas do da dogmática cível. E isso na teoria cantiana é se agrava em certa medida, porque a teoria cantiana ela se propõe a ter um nexo sistêmico, a ser uma teoria que ela, nas palavras do próprio Kant, na doutrina do direito, não deve ser vista como um anexo, mas sim como uma construção, que parte da Base ao topo. O direito deve ser pensado de forma arquitetônica, sendo a expressão geralmente utilizada para justificar esse nexo
sistêmico na teoria cantiana do direito e em toda a filosofia cantiana. E isso, em certa medida, na maioria dos intérpretes reconhecem que advém do wolf, no Christian Wolf, na teoria cantiana. E para tentar fundamentar isso durante a o mestrado, nós recorremos ao casting Em algumas proposições dele sobre o estado cantiano e também a outros intérpretes, como por exemplo o Durão, em que se reconheceu que o estado cantiano nessas propostas não seria um estado fraco, de jeito nenhum, muito pelo contrário. É, haveria um estado que se reconhece e que se pode criar por meio do debate
democrático limitações à liberdade exterior. Tanto é que o próprio Cant na doutrina do direito, ele reconhece que A coerão ela não se trata nessa, a sanção em si não se trata de uma limitação da liberdade, mas ela advém como própria consequência da liberdade. Diga-se, quando se impõe uma consequência jurídica para uma pessoa, porque ela transgrediu a norma, não se está violando a liberdade dela, está se reconhecendo a sua própria liberdade, porque é uma escolha dela em violar a regra. O Cant chega a falar abertamente Na doutrina do direito que a sanção é um meio prático
para se garantir a liberdade, porque se impõe a consequência só depois da transgressão, diferente de outros meios de controle social em que há uma atuação já na própria conduta e não apenas na consequência. A partir disso, o a teoria cantiana, ela não se propõe, como muitas vezes alguns intérpretes de forma talvez eh equivocada, compreendem uma teoria a Todo custo a limitar o Estado ou então a se reconhecer uma inutilidade do Estado. Não se propõe a isso. E isso é muito bem demonstrado por Ruf na obra dele, porque ele traz duas proposições na pra construção dele
de da retomada do discurso eh da justiça no direito, que é de um lado a posição do positivismo e do outro do anarquismo. o anarquismo enquanto negação do próprio direito e do Estado e o positivismo como uma restrição do Direito na análise quanto a questão moral. E o grande problema que se tem em propostas dessa natureza dos dois lados seriam pelo fato de que não seria possível a priori identificar a justiça do direito e do Estado. De um lado, ela não seria discutida no positivismo, porque ela é excluída do debate e a questão da justiça,
ela é negada, ela é respondida, mas de forma negativa no Anarquismo. Então, o Ruf, enquanto intérprete do Kant, ele destaca que por um longo período o direito, a filosofia do direito e do Estado, ela foi pensada para se para se buscar legitimar o Estado por um certo período. Isso é visto, por exemplo, até mesmo no Hobs, no Lock, eh, e em grande e no próprio Cant. E por um período depois isso se perdeu, o que Gerou um um uma proposta do direito, em certa medida, eh, amoral, na própria expressão dele, quando se parte de uma
proposição super positiva, ou seja, em que se reconhece que tudo advém da positivação do direito, isso bastaria por si só, não se tem uma visão crítica do próprio direito e do Estado. E é a partir disso que o Ruff ele propõe uma leitura para retornar essa proposta, uma Proposta que em certa medida ele mesmo já reconhece que o próprio Hous ele já tentou fazer isso antes e em se repensar a a justiça do próprio direito e da própria e do próprio Estado. E é por isso que nós trouxemos, como um título um tanto eh pode-se
dizer chamativo e a própria indagação era cante domestico o Leviatã. Diga-se o Leviatã enquanto aquela figura bíblica em que Foi trazida por Robs de um monstro marinho e que seria a representação do estado. Na figura do Robs, esse monstro marinho, ele se demonstraria como um homem gigante, em que de um lado ele segura um cajado, representando o poder sacro e do outro uma espada. Então, demonstrando que o estado ele poderia ali, ele teria o controle e em certa medida ele teria condições de impor aos aos homens que compõem esse estado, Porque o estado, cada indivíduo,
ele se perderia dentro do próprio estado. Eh, a leitura do Hobbs é é uma leitura às vezes um pouco complicada, mas já temos, por exemplo, intérpretes que eles conseguem fazer uma leitura do Hobbs em que ele reconhece limites para o próprio soberano. Eh, eu vi isso um pouco no casting quando ele procura conciliar o Robs e o Kant, apesar de que não é uma leitura eh unânime. Por isso que quando o Casting ele traz a resposta de que a teoria cantiana ela não domestica o Leviatan, foi algo que o tanto eu quanto o Nilton ficamos
indagando sobre isso. E o Newton trouxe a ideia do Ruf e ele acredita que talvez essa não seja uma assertiva eh ideal para a concepção cantiana de eh para a teoria cantiana de direito e de estado. Porque Kant ele em certa medida ele domestica o Leviat por meio da Cidadania. Inclusive o Ruf, ele traz uma alegoria bem legal em que ele substitui o Leviatã, a figura do Leviatã, pela figura de Justitia. Então nós teríamos agora uma forma curiosa de eh ter um estado em que é possível julgar de forma crítica se o direito e se
o Estado é legítimo por meio do conceito de justiça política. Justiça política, pelo próprio Rulf, ele comenta em alguns momentos que justiça política, direito natural, eh Direito que advém da razão, são todas formas de tentar identificar a legitimidade do direito, tentar identificar se direito e estado eles podem ser criticados ou se eles devem ser simplesmente aceitados da forma que são em de forma realmente muito objetiva. E a justiça política é isso já é trazido pelo Rols e é desenvolvido no RUF a partir da obra Doutrina do direito em Kant. E o Kant ele traz isso,
essa diferença entre direito e estado e justiça, ainda na introdução à doutrina do direito, quando ele fala no seguinte, e eu vou pedir só a possibilidade de poder citar na íntegra, pois vai facilitar um pouco a compreensão. Eh, onde nós temos na doutrina do direito, o direito é inseparável da faculdade de Obrigar. No parágrafo D, ele diz o seguinte: "O Kant diz que o direito é inseparável, segundo o princípio da contradição da faculdade de obrigar, ao que se opõe ao seu livre exercício." Seguindo ainda no parágrafo e, o Kant chega à seguinte conclusão de que
o direito e a faculdade de obrigação, portanto, a mesma coisa. Então essa foi a definição que o Kant trouxe na doutrina do direito para direito, mas Não para todo o direito. E esse é o ponto. Quando o Kant ele traz em suas observações na doutrina do direito, o conceito de direito em sentido estrito e direito em sentido lato. E vamos lá. Bem, o conceito de direito em sentido estrito de Cant, eh, ele é vinculado a faculdade de obrigar. Então, o direito determina a cada um que é seu por meio como uma precisão matemática, o que
não pode se esperar da moral, que tem de prestar certa latitude Para exceções. Eh, existe um espaço, entretanto, eh, nos domínios da moral, há dois casos que reclamam uma decisão jurídica, nos quais, todavia, ninguém pode julgar e que pertencem, de certo modo, à intermundia de Epicúo. Esses dois casos devem ser desde já separados do direito propriamente dito, do direito puro ou do direito em sentido estrito, certo? De que vamos tratar? A fim de que seus princípios móveis não exerçam influência Alguma sobre os princípios certos do direito. E quais são esses dois? é o direito, é
a equidade e o e o direito de necessidade. Kante, ele traz que eh nesses nessas duas situações, apesar de hum apesar de não ser possível ninguém julgar essas duas situações, Elas não tornariam a uma conduta injusta, justa. E a partir disso você já percebe que o conceito de justiça em Cant ele não se limita ao conceito de direito em sentido estrito, enquanto a faculdade de obrigar a lei externa. Então, a meu ver, o Ruff vai muito bem quando ele destaca que a teoria cantiana ela não se limita a um conceito de justi a um conceito
de eh a um conceito, ela Faz uma leitura moral do direito e do Estado a partir da noção de justiça, porque a noção de justiça não se confunde encante com a noção de direito, porque ela está presente até é no direito em sentido amplo e não apenas no direito em sentido estrito, que seria aquele direito externo que demanda uma norma exterior e pode obrigar o sujeito. O Ruf, ele segue a exposição dele a partir então Com o objetivo de clarear conceitualmente essa ideia de justiça política. E ele destaca que nós temos algumas situações em que
o direito em que o direito é em que era necessário reabilitar, portanto, essa ética do direito e do Estado. A ideia, portanto, seria que por um largo período, quando se renunciou eh Que a ordem jurídica positiva eh entrasse em discussões envolvendo a justiça, chegou-se à situação de afastar um debate crítico sobre o próprio direito, então, e sobre o Estado, e não permitiria identificar, então, Então, o que seria justo e injusto? toda ordem, pelo simples fato de ser uma ordem jurídica, seria uma ordem, portanto, justa e com auxílio E bem, e eu acredito que eu cheguei
no final do da exposição em certa medida, porque esse esse é o centro da discussão, eh demonstrar a necessidade de se repensar o conceito de direito a partir da noção de justiça política como uma forma de se questionar o direito posto. Até esse momento eu fiquei num debate puramente teórico. Então é necessário agora trazer isso pra aplicação no direito. Por exemplo, nós temos na Própria responsabilidade civil a noção de responsabilidade civil objetiva. Seria possível então a partir de dessas recentes conquistas na dogmática cívil, criticar uma responsabilidade civil objetiva pela teoria cantiana seria seria possível a
priori se pensar em criticar, mas não quer dizer que necessariamente estará errada só pelo fato de ser uma construção teórica que venha a limitar a liberdade. E esse é o ponto, porque a partir dessa Noção de justiça política, nós podemos identificar se certas construções elas vão ser eh legítimas ou não. Por exemplo, no Código Civil, nós temos uma outra proposição que fala sobre bons costumes, envolvendo direitos da personalidade e que restringe a autonomia privada a certas disposições do próprio corpo. quando eles não forem conforme os bons costumes. E na civilística muito se questiona até onde
essa inter essa Restrição seria justa. Hoje em dia mesmo, boa parte dos autores envolvendo e pesquisadores desenvolvendo direito civil recusa a aplicação disso de forma literal, como se essa previsão ela fosse uma restrição indevida por parte do direito. pela leitura do RF de que devemos fazer uma leitura do direito e do Estado, seria possível questionar isso, mas a medida disso, e que é esse é o grande ponto, é que nós saímos de uma negação Do direito e do Estado no anarquismo e de uma aceitação eh e de uma exclusão da questão da justiça em que
o direito e estado não são criticados para então uma visão moderada. E seria nessa a proposta do Ruf de tentar superar essas duas antinomias. Agora eu vou passar a fala pro professor Newton para saber se tem alguma indagação a priori ou se algum complemento. Haveria algum complemento. >> Perfeito, Rafael. Eh, o tema é é um tema Difícil, né? Porque você vem fazendo essa leitura desde o mestrado entre direito privado e a estrutura do estado cantiana, que é amplíssima, né? E tem diversas interpretações, como a gente sabe, realmente o Kant deixou um legado assim muito amplo
na filosofia política, mas que a gente tem duas grandes balizas para interpretar essa tradição cantiana na política, que é a baliza liberal e a baliza republicana. E como a gente vai ver um pouco mais adiante, isso vai se Refletir também em Aberman, quando ele reconstrói procedimentalmente o modelo cantiano. Então assim, o grande fundamento do direito privado em K é de um filósofo eh alemão, um jusnalista do século XVI, né, que é o Christian Wolf, como você colocou lá no início, né? Tem outro nome também que é o Arkanval, né? que é um grande civilista alemão.
Ele também se baseia no Arcanval, na análise dos institutos, né, e no Wolf, na configuração do direito privado como Contrato, né? Dele que o Kant tira tese do seguinte, que é uma tese contrária do Lock, né? Pessoal aqui tá estudando lock também. E vimos o quê? Que o Lock já deixa o direito de propriedade como um direito natural antes do Estado, né? pelo trabalho que eu movimento as relações econômicas e adquiro, né, propriedade, transformo a matéria, enfim, se faço vincular bens e serviços, eu já tenho uma atividade econômica que já tem um direito de propriedade
antes Do estado, né? Mas o Wolf, ele vai negar isso, ele vai dizer: "Não, eu só posso ter direito de acordo com a tradição jul naturalista protestante, né, principalmente estabelecida nas ranças comerciais, né, germânicas, holandesas, que era exatamente o estatuto, né? Ou seja, ou o direito de propriedade é estatutário, ele é reconhecido, né, por um conjunto de ligas comerciais como um direito válido. Ou ele não é direito, né, ele é Apenas uma pretensão, né? por mais que a gente possa dizer que já exista eh uma tendência moral a um direito de propriedade no estado natural,
mas ele não é direito no sentido que vai se caracterizando o direito moderno como sendo um direito legal, positivo, né? Então o Câ vai se basear nessa noção do Wolf e vai se basear no Ar Canvalo para mostrar que os institutos civis eles também são institutos função, né? Eles tem a função exatamente de garantir o Contrato na perspectiva de você facilitar o acordo de vontade. Aí entra o aspecto carta horário, entre o aspecto da definição do que é posse e propriedade, né? A posse é uma estrutura mais voluntarista, vinculada à questão da eh afecto para
com a coisa, a perspectiva de você querer relacionar-se com contratos e outros tipos de bens e serviços. Já a propriedade é um instituto constante, definido por lei, um instituto que dá uma segurança Jurídica maior pro indivíduo, né? eventos romanos, essa ideia de propriedade. Então, há uma combinação do direito alemão com que é protestante do século eh 17, 18, com esse direito romano. Essa definição aí de propriedade é que o Kant vai sintetizar na sua obra e é a expressão material da garantia política. Na medida em que eu sou um indivíduo proprietário, eu tenho mais direitos
civis. Por quê? Porque eu tenho um passo inclusive para me tornar Principalmente cidadão, que é aquele que pode se pronunciar. Ou seja, indivíduos que não têm posses, eles sequer poderiam votar, né? Aí a gente pode achar assim: "Poxa, mas o Cant é muito burguês, é elitista". Mas isso pra época é uma evolução. Se eu penso que somente os nobres, né? Aqueles que tinham famílias tradicionais, que tinham um reconhecimento público, é que poderiam participar da política. Agora não, aqueles que têm propriedade também Podem, aqueles que têm exatamente o condão de ter alguma formação educacional capaz de
favorecer a sua comunicação pública. Aí entra o problema também da razão pública que a gente debateu aqui no seminário em vários momentos, né? Então, o voto sensitário vai ser uma garantia também desses direitos políticos correlacionados ao direito liberal de propriedade como uma defesa do cidadão. Essa tese é clássica no liberalismo e o Kant adota como tese Sistemática na sua perspectiva. O que o Wolfigan Caresting faz que outro autor, eh, a ideia dele, que é um liberal é que o Kant, em algum momento ele deixa o estado mais livre para que ele possa, por exemplo, tributar,
para que ele possa eh tomar de gestão. Ele não tá tão preocupado exatamente com esse controle do estado, né? O Când tá mais preocupado com a ideia do mercado, né? Então é como se ele separasse na prática os dois mundos, o mundo privado e o mundo Público. Essa visão de separação que levaria essa afirmação de que o Kant não teria domesticado o Leviatan, né? Ele deixaria apenas o Leviatã no aspecto público, como diz desde do Hobbs, o aspecto privado seria garantido pela não interferência, que é o velho princípio liberal, né? Você não deve intervir na
autonomia privada, na vida privada dos indivíduos. E aí o Când deixaria o estado correndo livre para que em algum momento ele pudesse tomar decisões Políticas fundamentais, mas em prol da comunidade. Seria uma visão, portanto, republicana liberal, né? E não uma visão vinculada a um estatismo mais, digamos assim, presente, né? no Când seria uma visão republicana mais moralista como a do Rousseau ou até mesmo intervencionista, como a gente vai ver depois em alguns momentos aí da história, né? O Heigel mesmo defende uma visão mais intervencionista do estado. Já o Când Não. Então nesse aspecto, o K
não estaria preocupado em domesticar o Leviatã, né? O Leviat é um problema que não é propriamente um problema do cidadão liberal, do cidadão jurídico, não é um problema burguês, digamos assim, é um problema de ordem eh da esfera internacional, que aí vai entrar o direito da paz perpétua, o cosmopolitismo, que vai regular o Estado são outros estados, não é? O direito público, ele não tem como entrar na Esfera do direito cosmopolítico, assim como o direito privado também não interfere no público e vice-versa. Então não tem como domesticar o Leviatã. Será que é assim mesmo, né?
Aí vai entrar no século XX um grande autor que eu particularmente gosto muito. Eu acho que ele hoje é o maior cantiano VMO diante do falecimento do Abermas. Antes era o Ab, sem dúvida, mas hoje é o Fry Hfer, né? H FF que é o grande nome da escola de Tumingham, a famosa Universidade alemã que gerou tantos gênios, né? universidade de seminário, gerou Hegel, gerou Shellen, né? Por lá passaram grandes gênos do idealismo alemão. E o Fre Herf, ele é professor titular eh de filosofia política dessa universidade e ele é um dos grandes adeptos da
tese republicana cosmopolita, né? Ou seja, para ele o projeto cantiano é prioritariamente cosmopolita. Ele domestica sim o estado. Por quê? Porque o estado ele é uma função do bem Comum geral. Ele é uma função inclusive em prol da humanidade. Então não há como pensar um estado a partir de bases privatísticas. É preciso pensar o estado de bases cosmopolitas para aí você garantir um direito de propriedade. Seria o oposto. Então nessa visão é que entra a nossa relação, né, Rafael, com essa pesquisa em torno dos fundamentos ou mais privatistas ou mais publicistas, né? Essa tese do
HF é bem interessante porque ela coloca o estado cantiano num Aspecto completamente universal que é novamente, como a gente sabe, um dos grandes condões do pensamento cantiano. Ela é diferente, por exemplo, da tese do Abermas, né? Porque pro Abas, por exemplo, o que vale pro Cant principalmente é uma justiça pública que garanta a democracia deliberativa, como a gente vai falar pouco com o normal. A a ideia de justiça deliberativa é uma justiça construída pelo foro da razão pública. Hã, a perspectiva do Cant, Portanto, em reconstruir a esfera pública é o que é mais importante para
essa visão deliberativa. Já pro REF é a estrutura global das garantias cosmopolitas do estado cantiano. seria algo muito mais próximo hoje do que, por exemplo, o que o Davi Monteiro tá pesquisando, que é meu orient aqui também para dizer a presença do Davi, que é a ideia, né, de reconstruir a legitimidade das cortes de direitos humanos, né, no caso aqui nosso aqui da OEA também, né, que é o que o Davi tá pesquisando. Você vê que os direitos humanos eles vão evoluindo ao longo do século XX, mas ainda é uma barreira muito grande, principalmente por
parte do realismo, né, que vai sempre dizer o seguinte: "Olha, o que vale são relações de poder. Quem que vai controlar os Estados Unidos, né? Quem que vai regular agora a crise do petróleo que tá sendo gerada pela destruição de navios, pela impactação do comércio Global em virtude do fechamento parcial do estreito de Ormus pelo Irã como ato de retaliação? a agressão sofrida, quem é que vai garantir o equilíbrio do preço do petróleo? Quem vai controlar isso? Seria o estado? Tem como não ser. Só que também não é só o estado. Aí que tá o
ponto, né? As relações são mais complexas hoje. E aí entra também a papel da ONU, da UMC, da própria OPEP, né? A estrutura de Pensamento hoje é mais institucional, não é? O Refer, quando ele fala de estado, ele tá levando em conta isso também, né? Só que ele se baseia no dado soberano político crucial, que é o estado de direito, como a gente conhece, e a universalização desse estado de direito como projeto com cantiano global, né, do universalismo político. E outra, a concordância do REF com a tese da ética pública do rádio bruxo, né? Não
pode haver direito sem ter ética, né? Eu Não posso concordar com que o direito seja um instrumento nas mãos de qualquer grupo político para fazer o que se queira, né? Esse é um dos problemas. Portanto, novamente, eu digo, não é que o positivismo ele permitiu o nazismo, mas ele não barrou, né? Quer dizer, as leis em si não vão fazer nada contra um regime autoritário. A gente passou aqui por regimes autoritários no Brasil recentemente, é uma manipulação das leis. Quem tem que reagir isso é uma Moralidade política. Tem quem que reagir a isso? É uma
cidadania participativa, é a consciência de uma interpretação moral da ética pública. E é que tá o problema. Isso começa em cada um e ao mesmo tempo é um projeto coletivo. Hã, novamente, eu acho que a dialética do á nos dá uma resposta interessante porque ela cobra dos dois lados, não é? Ela cobra tanto eticidade da participação do cidadão e da comunicação pública, mas cobra também moralidade como controle objetivo da Conduta pública, né? Então é impossível você pensar direito sem valor e é impossível pensar direito sem ético. O o concorda com o rádio bruxo, não é?
Ele vai dizer: "Olha, o objetivo final do cân é a reforma da natureza humana, por mais ambicioso que possa parecer esse projeto, mas sem isso, a gente vai continuar batendo na mesma técnica o tempo todo, né? aceitando ditadores, aceitando regimes autoritários, aceitando a ascensão do fascismo em suas Diversas formas, como se o direito fosse apenas um instrumento formal, né? Como se a descrição do direito como sistema de normas bastasse. Não basta, né? mesmo em casos técnicos como esse do Rafael, em que ele leva o direito cantiano pro aspecto civilista, que foi o que ele fez
na dissertação dele, analisando o instituto da responsabilidade civil, um trabalho muito bem feito. A gente produziu até artigos depois sobre isso, né, Rafael, publicados aí na revista Direito Estado de Sociedade, eh PUC do Rio, né, que uma das maiores revistas do direito do Brasil. Tô muito orgulho de ter escrito aquele artigo contigo, um artigo bem interessante, em que o Rafael vai desdobrando a tese do de disertação de mestrado dele, mostrando exatamente isso, né? As configurações da responsabilidade cantiana na interface direito moral, né? E na perspectiva de uma objetificação Maior da responsabilidade, né? uma objetivação no
sentido de que a responsabilidade passa a ser uma obrigação pública. Hã, então é impossível fazer uma leitura completamente positivista do direito. Isso é um debate superado, inclusive não que discutir, né? Quem bate na tecla defendendo um direito puro a valorativo, a moral, é porque tá no século XIX. Me desculpe a expressão, mas não tem como sair, né? Tá preso lá no século XIX, né? No aspecto de um direito patriarcal de tal. apenas por um estado normativo puro, né? O estado ele pode ser tudo menos puro, não é? Ele pode ser tudo menos ingênuo e eh
neutro, como a gente já sabe. A própria ciência não é neutro. Esse ideal no século XIX também, né? E nem o Kelsen diz isso, né? O Kelsin fala de um direito objetivo baseado na lógica das normas, que é uma coisa extremamente importante. A gente não pode se desfazer da segurança jurídica. O o R Bru e os Cantianos nem de longe pensam isso. Agora, a gente não pode esquecer também que além da segurança existe outros valores, como eu mostro lá no teoria dos valores que norteiam o direito, não é? O direito não serve só para garantir
a segurança, né? Eu acho que até o pessoal que tá no P2 aqui sabe disso, né? que já viram introdução, já viram ciência política e já viram que tem todo um jogo de poder por trás do direito e que a gente não pode fazer tabula rasa disso. Querida, eu devolvo a palavra se você quiser complementar. Perfeito, professor. Eh, e é e é necessário porque o Ruf ele traz essa necessidade de pensar o direito não como mero procedimento do direito de Estado, eh, não como um procedimentalismo vazio, e que a teoria cantiana, em certa medida, não
traz isso. Ele traz sim metas, traz valores a a serem perqueridos. Agora, ele traz valores pensados a partir de uma Metafísica que comportam então uma interpretação do direito posto, mas que permitem serem interpretados e utilizados de forma mais ampla. Não vai se reduzir a a construções eh específicas. ele vai propor um direito natural que permite repensar o direito positivo, hum, com conteúdo, não desprovido de conteúdo, mas que ao mesmo tempo conforme o Cantad vem da própria lógica. Então, seria algo que não seria determinado por questões externas. Esse direito natural seria algo que ele é criado
a partir da própria razão, o que permite então o aspecto, em certa medida universal dessa proposta cantiana, de poder ser utilizada como um ponto de partida para se repensar o direito positivo. diga-se. E e isso a gente desenvolveu um pouco no Mestrado, nessa noção de que o direito natural em Cant e que muito se assemelha essa noção de justiça política no RUF, eh, viria então como uma proposta de se repensar o direito positivo. E é por isso que o RUF diz que a partir da justiça política pode-se verificar a arbitrariedade do direito ou arbitrariedade do
Estado de não se aceitar. Não se tá dizendo a todo custo que as propostas positivistas elas eh negariam eh outros efeitos no Direito, como, por exemplo, negaria-se efeito, por exemplo, na economia no direito ou negaria-se efeito da moral no direito. Não se diz isso. Eh, eh, eu, pelo menos entendo que a melhor interpretação, por exemplo, do Kelsin é de que há uma restrição no objeto. Quem já pesquisou eh e talvez entenda isso como quando se faz uma pesquisa, se restringe o objeto da análise para evitar de se de se horizontalizar a pesquisa, seria em certa
medida isso. Kelem analisa direito a a partir de uma restrição em seu objeto. Não quer dizer que questões morais, questões econômicas não tenham influência no direito. E aí vem o outro ponto que talvez essa seja a grande justificativa. E o Ruf, ele também traz isso bem quando ele destaca o porquê de talvez isso ter se perdido um pouco no debate eh científico depois, por exemplo, de dos filósofos Clássicos e na modernidade, eh quando ele destaca o seguinte, que se passou a se preocupar não com o direito em se pesquisar o direito, mas a se pesquisar
outras estruturas fora do direito sobre uma visão de que o direito não poderia conformar a realidade. E por causa disso, boa parte da da ciência não se preocupou do direito enquanto objeto por um largo período. Isso fez em certa medida uma dissociação entre filosofia E direito. Porque em Kant, em Lock, em Hobbes, eh em Marx, em certa medida, eh grandes filósofos eram também autores importantes do direito. Depois disso se afastou o direito como um objeto de estudo de dessas propostas teóricas. E o grande problema que se tem disso é que o direito ele perde então
uma visão crítica, uma visão crítica de quem trabalha com teoria com com moral, com a questão moral, com a Questão ética. E isso, por exemplo, em pesquisa empírica, pode ser vista aqui no Brasil. tem uma obra da que envolve pesquisa empírica em direito da da Universidade de São Paulo, do em que o IPEA ele trouxe eh um pouco sobre isso, se questionou por se demorou tanto aqui no Brasil para se realizarem pesquisas empíricas no direito e a professora Maria eh a professora Cedec, ela traz o seguinte, que em certa medida não se preocupava com o
direito. Porque o pensamento científico da época era que era melhor estudar a economia, era melhor estudar a política, era melhor estudar outras searas que não o direito, porque o direito ele não poderia conformar a realidade, ele seria conformado pela realidade. Então, se afastou do direito, se afastou a pesquisa do direito e isso gerou um grande problema, porque nós temos por um largo período um direito que ele não é produzido de forma Científica aqui no Brasil. Isso veio a mudar mais recentemente, não querendo enaltecer a pesquisa empírica, muito pelo contrário, até porque eh propostas como dados
falam por si só, é precantiano. Eh, mesmo que as coisas e e as informações tivessem um nome escrito na testa, elas iriam precisar ser interpretadas. Por isso que eu acredito que, por exemplo, Arian Suassuna, ele está muito certo quando ele em em uma em uma exposição um tanto eh humorística, Ele fala que existe a mentira, a mentira deslavada e é estatística. A o objetivo dele é demonstrar que eh dados não falam por si só. É necessário se interpretar esses dados. Não que a pesquisa empírica vá falar por si só e seja uma forma de descrédito
da pesquisa teórica. Não, muito pelo contrário, mas que por um bom período houve uma cisão entre pesquisa e direito, uma cisão em certa medida entre direito e filosofia. Isso gerou efeitos no direito. Isso Começa a ser retornado com House. Quando o House ele retorna ao Kant e o próprio Ruf ele diz abertamente que a teoria cantiana é a base do projeto da da modernidade, é a base de de uma concepção de direito e estado. será o ponto de partida para uma análise crítica do próprio direito e do próprio Estado. Porque o Kant, ele, apesar de
separar os conceitos de direito e moral, ele não os exclui por completo. Tanto é que na metafísica dos costumes, eles Separa a metafísica em doutrina do direito e doutrina da moral, mas ele abertamente diz que direito e moral eles têm uma origem comum e em certa medida eles podem ter algumas correlações. Eh, por isso que, por exemplo, na hora de se pensar a concepção cantina de responsabilidade, essa foi nossa construção, seria possível, por exemplo, trazer as noções de mérito, demérito e condutas neutras que o Kant traz na concepção dele de responsabilidade, na Imputação judiciária também
pro direito e não apenas paraa seara da moral. Mas isso não é feito com com uma imposição, mas isso é feito por uma construção democrática. É por meio do debate público construído em âmbito público, que se pode trazer, por exemplo, consequências positivas e negativas para as condutas realizadas no mundo dos fatos e levando isso pro direito privado também. Foi essa a nossa a a nossa construção, inclusive na Revista da PUC do Rio, era demonstrar isso, era demonstrar a possibilidade de, por meio do debate democrático, trazer imposições não só de consequências negativas pela prática de condutas
demeritórias, mas também positivas pela prática de condutas a partir do mérito na concepção cantiana de responsabilidade na imputação judiciária, nessa interação entre direito e moral. E eu acredito que esses eram as Considerações para serem feitas até pela restrição do objeto e porque a pesquisa está se desenvolvendo ainda. Vai ser algo que vai demandar mais leitura para seguir a produção. E inclusive eu gostaria bastante de colher as críticas de todo mundo que aqui se encontra, positivas ou negativas, porque vão fazer diferença na forma de seguir a pesquisa. E eu acredito que essa é a melhor forma,
principalmente para quem tá na graduação Ou talvez o início de mestrado, eh é bem importante eh perceber que eventos como esse são ótimas alternativas para expor e por meio do debate conseguir continuar a pesquisa, não como a pesquisa como um ponto acabado, como como se fosse bater um martelo e a pesquisa acabou ali, mas a pesquisa como uma construção por meio meio do diálogo. Isso, por exemplo, na no nosso artigo que produzimos pra revista eh da PUC do Rio, eu e o professor Newton, eh na época em que Publicada era uma revista de qualis. Eu
nem sei se retornou a ser no momento. Eh, mas o o artigo ele foi produzido todo na disciplina teoria crítica da cidadania do Newton, a partir dos debates em que foram travados lá no início da disciplina. Eu conversei com o Newton, a gente eh por meio troca de meios que permitiu desenvolver a pesquisa e essa é a importância de eventos como esse, porque permitem expor a pesquisa a Crítica para se poder chegar a muitas vezes a conclusões que nem mesmo pesquisador tinha ideia. Então eu ficaria muito grato. O professor Nilton já fez algumas considerações e
que inclusive vou ter que introduzir no trabalho agora na pesquisa quando se seguir e que vão colaborar bastante aprofundar para aprofundar a temática. >> Beleza, Rafael. Eu continuar a um, viu? >> É continuar a um, né? >> Continua a um. é o nível máximo da qualificação, viu? Eu gosto muito dessa revista da públic, tenho três artigos nela. Tem um antigo dois, né? Tem que enviar outros para lá que lá é o anual. Se você publica uma vez por ano, é só uma vez, você não tá só no próximo ano. Já tô com mais de compri
minha quarentena de novo nela. >> Mas, mas é uma revista que compensa muito. Inclusive a revisão muito boa. >> Para mim é é sinceramente a revisão deles é é perfeita. Eu acho melhor do Brasil em termos de teoria e filosofia do direito. >> É, e eles levam a sério, não é simplesmente uma revisão no ponto de fiz a leitura, está bom, eles indicam bibliografia mais para cantor. Então, >> por exemplo, a minha pesquisa mudou depois da revisão feita pela revista. Eu tive que aprofundar a leitura a partir de algumas propostas deles. >> Mas é isso
que o Rafael falou, pessoal, que eu queria frisar. pesquisa não é você atingir o que você pensa no início. As pessoas propõem um projeto de pesquisa e acham que vão provar todas as suas hipóteses para mostrar que são muito inteligentes e perfeitas. Não é assim. Pesquisa é aprendizado, é um caminho. A pesquisa é um desafio que você tem de ter um tema, uma hipótese. E dessa hipótese analisar os problemas e atingir certos objetivos. Mas você pode Inclusive mudar o objeto, você pode ver novos objetos, vão surgir eh escolhas, né, obstáculos, as suas hipóteses, né, tem
que saber se suas hipóteses vão se sustentar até o final, tá entendendo? Se não se sustentar, você corrige os rumos. Não há problema nenhum em corrigir os rumos de uma pesquisa. O K diz isso, né? Só quem não muda de opinião é quem não é sábio. Todo sábio muda de opinião, né? Não se vê que tá indo para um caminho errado, você tem que mudar, né? Quer Dizer, a a ideia da pesquisa que em grego significa metodoso, né, que exatamente é uma metodologia, um caminho percorrido, né? Então não há problema em você admitir, poxa, não
era isso que eu tava pensando, vou ter que mudar de ideia, vou ter que refazer, mas isso aqui é a pesquisa, não é você encontrar todos os resultados que você já julga ter em vista, né? E se achar não, porque eu acertei todos os as hipóteses que eu tava pensando, não é assim que funciona, Né? E isso é muito entranhado no direito, né? Uma cultura às vezes muito de personalismo, eh, e aquela ideia de ah, mas eu já sei disso. Então, se você já sabe, então você tem que aprofundar o seu conhecimento. Você tem backgrounds.
Agora, pesquisa não é simplesmente uma questão de conhecimento abstrato sobre um objeto. É exatamente estabelecer uma meta hipotética sobre um problema, né? Você não faz pesquisa se se não ter se Não tiver problema, né? Se você não tiver problemas a resolver, você não é pesquisador, né? Você é apenas um erudito que tem um conhecimento, né? Você vê que, por exemplo, esse debate aqui sobre a construção do estado em Cante, a ideia de uma relação jurídico-política, né? Com aquilo que o Robs chamou de Leviatan, não é? Não é à toa que o Kant chama no segundo
ensaio de teoria e prática, que é uma obra de 1793, Esse ensaio de contra Hobs, né? Ele concorda com Robs até então, né? Não pode haver revolta, o Estado tem que ser estatutário, só há propriedade dentro do Estado, há limitações de intervenção, né? Há uma perspectiva liberal já em Robs, né? O soberano não pode intervir arbitrariamente na esfera privada. Agora, se houver um excesso de poder na discricionariedade do Estado, o cidadão, né, que é ao mesmo Tempo pagador de impostos, tem o direito e o dever de questionar, né? Ele dá esse exemplo a partir de
um aumento de tributação, por exemplo, para guerras, né? Se o Estado aumenta impostos para cobrir custos de guerra, que é o caso que o Kant cita nessa obra, o cidadão tem um direito e o dever de arrazoar publicamente contra o Estado, né? Então, baseado nisso que ele se bate contra Robs nesse aspecto, né? Que o Robs havia proibido qualquer tipo de insurreição ou Manifestação contra o soberano, né? Porque para ele você cedeu unilateralmente todos os direitos, né? E o Kant recupera exatamente aí o único direito inato que é a liberdade e na sua expressão mais
cabal que é a liberdade de pensamento e a liberdade de expressão, né? Tanto é que no terceiro ensaio, logo em seguida, né, eh ele vai defender exatamente que o fim de uma república é resguardar os direitos de expressão dos cidadãos, né? Por que que Adianta eu ser membro de um estado se se eu não puder me expressar, né? Que que adianta me dizer, cidadão, se eu não posso, por exemplo, defender posições públicas, né? A república só existe. E aí entra essa questão da autonomia privada com autonomia pública, se ela puder compor esses dois sentidos, né?
O sentido do indivíduo, dos seus direitos, né? e o sentido do bem comum nas exigências daquilo que for necessário paraa comunidade, né, que é a Própria ideia de uma ética republicana e a perspectiva do republicanismo. Não é para você ter indivíduos eh amedrontados, né, dependentes do Estado. Ele quer exatamente o Când é independência, né? São as três características da cidadania cantiana. liberdade formal, né, garantida por lei, né, a liberdade no sentido pré político, que é a liberdade inata, que alimenta essa liberdade, que é a própria liberdade Moral, que já é independente do Estado, não é?
A independência começa antes, porque se não fosse antes, eu não seria independente, né? Então, eh, se eu sou criado pelo Estado, né? Se todo o direito é direito público, como pensa o Kelsen, como é que eu vou resistir? Né? Então, a minha liberdade não foi criada pelo Estado. Ela é regulamentada, ela é tutelada até certo ponto, mas ela não pode ser completamente dada pelo Estado. Tem que haver uma instância moral Novamente, da qual eu me referencio para ser livre. A minha referência de liberdade não pode ser o Estado, né? O Estado é exatamente aquele que
vai limitar a minha liberdade em prol da liberdade de todos. Segundo a lei universal, né? O estado restringe a minha liberdade, inclusive de propriedade, porque ele quer garantir o bem comum, né? Mas isso só pode ser feito de acordo com a lei, jamais pode ser arbitrário, Né? Se ele fugir ao bem comum como fim da república, ele estará sujeito a críticas públicas e a própria ideia de contestação pública no limite, né? daqui é que surge exatamente a ideia de contestação pública e outro princípio que é o próprio princípio de justiça. Como Rafael falou, justiça não
é igual a lei em cân. O que é justiça em cân? É liberdade e igualdade, né? São princípios de reforma do direito, né? Ou seja, eu somente sei se Um estado é justo, se nele estão presentes liberdade e igualdade. Mas são princípios racionais que transcendem o próprio direito positivo novamente, né? Assim como os princípios de um piano também servirão para interpretar o direito, como ele coloca no início da doutrina do direito, na introdução. Então, há uma uma ideia eh hermenêutica já em Candid ética, né, no sentido da formação Dos juristas, da formação daqueles que tratam
do direito, é importante na interpretação, né? Eh, a perspectiva, portanto, de uma reconstrução das bases estatais a todo momento. Não há uma uma ideia fixa, não é? Você fala, por exemplo, Davi pergunta da justiça social. Exatamente isso. Quem pode falar de justiça social são cidadãos, né? O estado ele não pode a priori garantir justiça social se não for dentro da autonomia pública, né? Os limites que Tem que dar sãoos cidadãos, ao parlamento, né? Pode haver restrições a direito de propriedade, né? Pode haver uma ampliação do direito de responsabilidade, do dever de responsabilidade também. Agora, há
toda uma perspectiva de reflexão pública que pense essas condições e que isso não seja feito de um modo unilateral, de um modo a você pensar somente em um dos lados. A democracia para Can, segundo Kin, Vence a força do melhor argumento, né? Só nas ditaduras que vence a força da autoridade pura sem razões, né? Na democracia você tem que ter razões públicas. né, que irão delimitar a conduta dos agentes e irão fazer com que a justiça possa aflorar, né? A justiça como pretensão normativa de correção do direito, né? Novamente se aproxima do rádio bruxo. Aí
o rádio bruxo fala de valores e como fins do direito, nãoé? Um dos fins direitos, principalmente é a Justiça e direitos humanos, principalmente no pós-guerra, que ele vai reconhecer que tem que haver um núcleo normativo capaz de controlar o Leviatã novamente, domesticar, né? E como eu disse antes, o outro FR Refer concorda com o Rádio Bruxo, né? Assim como o Robert Alex também, só que o Alexis faz uma transformação eh argumentativa na tese do Rádio Bru, né? falar de pretensão de correção, separando direito Imoral e mostrando que a moral pode servir para corrigir o direito,
usando argumentos racionais, argumentos públicos e argumentos éticos, né? Porque sem eticidade no diálogo, você não tem diálogo racional, né? É preciso que o agente tenha veracidade e confiabilidade. Quando você lê os teorias da argumentação jurídica do próprio Alex, hã, eu não posso chamar para debater pessoas que eu sei que tem uma tendência Des honestidade, que ou que não tem conhecimento da causa ou que não vai ter nenhum tipo de contribuição para aquele patamar, né? Como eu sempre digo, por fazer uma banca de mestrado, a gente chamar só marxista para analisar uma banca cantiana ou vice-versa
não dá, né? Aí é agir com uma pressuposição em que você não tem um diálogo talvez tão frutífero, né? Porque se você já sabe que o teu interlocutor tem uma Posição contrária à tua, né? Então qual é a construção prévia daí, né? Aí vai também refletir na teoria do discurso de irmãs, né? Tem que haver a possibilidade das pré-compreensões hermenêuticas. Primeira delas é a eticidade, depois a fala, né? Parece isso que a gente tem falando, por exemplo, o mesmo idioma aqui, né? Eu não posso falar com uma pessoa que tem uma língua diferente da minha
a priori. É preciso tradução, é preciso uma relação De clareza, né? e pertinência no discurso, é pertinência que as pessoas se façam entendidas, né? E a terceira também, claro, seria uma possibilidade do auditório, como diz o Shin Perman, né? A gente sempre tá falando para algum tipo de plateia, né? Sejam os tribunais, o Tribunal da Razão, que é a própria metafísica na sua crítica, né? Da razão pura, como o Cant faz, né? Ele coloca a metafísica no banco dos réus, a metafísica j naturalista, né? Porque Quando o Kant fala de un naturalismo, ele tá falando
de jus racionalismo. Ele é contra o termo juznalismo em si, que remete lá pro São Tomás. Esse termo volta no século XX, né? Ele ele volta com força até como uma resistência ao positivismo, né? A esse positivismo do século XIX aí naturalista, né? Determinista. Volta as teses naturalistas, né? Volta com Maxeller, volta com os neutomistas, né? Depois volta depois da Segunda Guerra Mundial, Né, o Michel Villet, eh, o próprio John Halls, né, eh, em uma teoria da justiça em 71, Rad Bru também, dentre outros, né? Eh, tem um grande naturalista católico hoje que o pessoal
festejam muito, eh, o John Fin, né, trabalha o neotomismo, né? Então, tem muitos naturalismos hoje que são revigorados, né? E aí o pessoal vai entender isso como uma tradição de um direito racional que está além das leis, né? Então, como eu digo, e o Debate não acabou, tá longe de terminar entre positivistas e e juros naturalistas, né, seja de que matrizes forem, né, inclusive há uma reviguação da ética das virtudes do Aristótel a partir da década de 70, a própria Hann Arents. Depois o Maceny, que é também defensor dessa ética das virtudes, né? tem toda
uma pesquisa sobre isso. E não tem como você reduzir o debate do direito num debate Tecnicista legal, né? Novamente eu digo, isso é um erro, né? E interpretar Kelsin assim é um erro grave, não é? A gente tem que interpretar o Kelsin mais próximo da tradição cantiana, né? Agora, claro, como alguém que optou por um isolamento metodológico entre direito e outros sistemas eh sociais e culturais, né? É um absurdo pensar isso, não. Mas talvez seja um método de trabalho que a gente tenha que reformular de acordo com a perspectiva De garantir sim a autonomia do
direito. E o Kant, melhor do que ninguém defendeu isso, né? O Cant se baseia num jurista alemão chamado Tomásios, que já defende a diferença entre direito e moral. Pelo contrário, né? Quem achar que Câtis confunde direito e moral tá errado. Mas como eu me disse o professor eh Mário Caime lá em Buenos Aires, quando eu fui meu doutorado sanduíche, uma coisa é o direito de ser diferente da moral, outra coisa é o direito de ser contra a moral, Né? Uma coisa é o direito de ser diferente da moral, outra coisa é o direito de ser
contra a moral. O direito não é contra a moral, né? Tem gente que acha que o direito tem que ser avalorativo. Amoral, não é? O direito não pode ser amoral e muito menos imoral, não é? Tanto é que se você disser assim: "Ah, o direito tem que ser imoral, então ele pode passar um cheque branco para qualquer tipo de regime político, Né? Então qualquer violação de direitos humanos é facultadamente feita com base em qualquer ordenamento, né? Basta que eu reconheça isso como válido, é o velho problema da legalidade e legitimidade, né? Eu posso aceitar regimes
autocráticos até que possa ter um limite de você não ter genocídio, né? Porque as próprias eh pessoas vão notar isso, né? Não é possível que não notem que que há um genocídio. O pessoal fala da China que é fechada, mas População vive bem, tem uma estrutura de, né, reformas sociais importantes, né? Não sei se outros regimes são tão vitoriosos economicamente como chinês, né? Um exemplo da Coreia do Norte. é um regime mais fechado. Muita gente falava o livro do Irã, mas agora mostrando que o Irã não era tão fechado assim, nem a tão radical assim.
O DH do Iran não é ruim. Você tem algumas vitórias aí na evolução. Agora, claro, tem um velho problema da liberdade, que a gente tem Liberdade no ocidente como autonomia, como independência, né? Eh, tem a questão feminina que é muito delicada, mas é uma questão também transcultural, né, que vai implicar aí várias transformações do direito, mas que nem de longe o direito puro responde a isso, um direito puramente normativo, tá muito mais próximo do culturalismo jurídico e do, né, ideal de uma fenomenologia de manifestações várias do fenômeno jurídico, né, você tem vários aspectos Aí que
são eh embricados aí entre direito e política e direitos humanos que não foram ainda eh pensados, não é, e que são importantíssimo paraa gente reconstruir essa legitimidade do direito. Eh, certamente vai ter muita coisa ainda debatida aí depois dessa reviravolta. Aí tudo tem um lado positivo, né? Porque essas violações do Trump levarão a pensarmos novos limites do direito internacional e consequentemente das relações Econômicas. né? Porque você não vai ter mais essa ideia de eh soberania plena, pelo que se cada vez mais apresenta, as relações são mais de bloco, né? Você vê que o Brasil tá
cada vez mais próximo da China no sentido de um bloco político, né? A Argentina já tá mais próxima dos Estados Unidos, por exemplo, mas quem que tá ganhando mais com cada parceiro desse, né? Tem que analisar isso, né? de um modo racional, né? Vamos perguntar que é que a Argentina tá guiando com os Estados Unidos, que é que o Brasil tá guiando com a China. Vale a pena essas alianças estratégicas? Vale a pena fazer parte do bricks ou vale a pena se aliar com os Estados Unidos? Troco de quê, né? O Paraguai aí agora permitiu
que os americanos colocassem uma base lá. Será que isso é bom realmente, né? Será que isso é útil? Eh, será que não fere a soberania nacional? Eh, são essas perguntas aí que a gente Vão nortear as questões que a gente tá estudando a partir de agora, né? Olha, o Narbal não ingressou ainda. Eu vou abrir a a live para as perguntas, né, Rafael? Se o pessoal já quiser adiantar agora, a gente já faz logo a primeira parte de perguntas e depois deixa a outra na sequência. Então eu vou facultar aqui aos participantes, né? Caso alguém
queira fazer alguma intervenção, por favor. Agora é o momento em relação à fala do professor Rafael. >> Fala aí, Carlos. >> Opa, professor. Pronto. Para tentar contribuir aí. Parabéns aí pelo pela palestra aí, professor Rafael Valone e e professor Nilton. Eh, eu eu fui ler mais sobre a temática, achei interessante o título, né? E de canto domestica realmente o o Leviatã. E aí, lendo um pouco mais aqui e e olhando Hoje pro ambiente internacional, né, eu anotei um um um dos comentários aqui que eu observei, por exemplo, na verdade canta e rompe com a tradição
da guerra justa, né, herdada por Robs e realiza um radical, uma radical desqualificação da guerra, né, a paz não é apenas uma conveniência, mas um dever jurídico de saída do estado de natureza internacional, ou seja, o soberano robesiano, né, que podia decidir a guerra Discricionáriamente é substituído pelo Estado Republicano, onde a decisão bélica depende da vontade dos cidadãos, aqueles que efetivamente sofrem suas consequências. Aí olhando hoje para o que acontece, por exemplo, com os Estados Unidos, como foi tomada essa ação, né, sem nenhuma e qualquer consulta à vontade de todos lá, né, acho que é
uma temática que envolve aí toda essa questão discutida e eu achei interessante Eh comentar e trazer a ponto paraa discussão mesmo do professor Rafael em cima do caso concreto hoje vivido pela sociedade internacional e provocada também pelos os americanos por Trump, por exemplo, em sua turma, né? Eh, certo. Bem, envolvendo questão de direito internacional, apesar de terem boas relações entre direito privado e direito internacional, por exemplo, até mesmo na manutenção de uma ordem Jurídica interna, ainda que tenhamos uma boa estabilidade no direito privado, por exemplo, muito se fala que diversos institutos do direito civil tiveram
uma longa manutenção no tempo. Basta perceber que o Código Civil alemão perpetuou por um tempo gigantesco e o próprio Código Civil eh francês durou muito mais do que todas as constituições da França. Eh, essa relação entre Justiça política no âmbito internacional, eu acredito que pode um pouco objeto do meu estudo necessariamente, até porque o objetivo aqui seria analisar no âmbito privado, apesar das conclusões poderem ser levados para o pro meio internacional, mas eu acredito que eu eu preciso realmente reconhecer algo que é desagradável no direito, porque é cobrado do até dos mais Recentes, mais novos
intérpretes, que tem uma resposta para tudo. Eu acho que todo mundo aqui já passou por essa sensação, pelo fato do direito eh e e ter a jurisdição não poder dizer não e se impõe a todos os intérpretes do direito em certa medida. algo que cientista no mundo nenhum sério arriscaria dizer que poderia responder tudo, mas que no direito isso é cobrado até dos meus seus mais novos intérpretes. E eu sinceramente eu não Tenho um estudo pormenorizado para poder responder temáticas envolvendo direito internacional. Talvez o professor Newton possa falar melhor do que eu nesse ponto. O
que eu posso trazer de contribuição é de que essa relação de blocos, pelo menos, eh ela não é algo recente. Por exemplo, na metodologia civil constitucional, o Pieter Lindieri, ele já questiona a União Europeia e ele questiona o quanto A União Europeia em seu surgimento, ela tinha razões puramente econômicas que vinham a subjugar o as construções do debate democrático, muitas vezes colocando direitos sociais legitimamente construídos dentro da Itália por meio do processo de constitucionalização do direito, eh, em segundo plano e muitas vezes recusando eles. Então, esse é o grande ponto da questão, até onde as
discussões de direito internacional não estão caminhando para uma última praia Na expressão do do Tepedino. E quando digo eh quando o Gustavo Tepedino ele fala sobre metodologia civil constitucional e destaca que no direito privado não há mais aquele espaço de liberdade absoluta, não existe mais uma última praia. Agora, nós precisamos ver os institutos do direito privado a partir dos valores construídos no ambiente público. Por exemplo, não há de se ver por a propriedade hoje em dia sem sua função socioambiental em âmbito Nacional. Mas quando se leva ao âmbito do direito internacional, por vezes se tem
uma busca por essa última praia, por essa liberdade absoluta de fazer o que se bem entende. E esse é o grande risco que se tem. E e ainda mais do que isso, quando nós temos o âmbito do direito internacional sem regulação, coloca em voga a própria manutenção das ordens jurídicas, até porque, se vocês passar, pararem bem para pensar, não existe direito sem custo E e o custo dos direitos, entenda-se os deveres, inclusive os deveres fundamentais, como por exemplo, o dever de pagar tributo, ele por um longo período foi questionado, principalmente no pós Segunda Guerra mundial,
porque foi um instituto que fundamentou, por exemplo, abusos por alguns regimes e que gerou um uma busca por direitos desenfreados e direitos desconcatenados de deveres, o que fez uma situação desagradável de se Positivar direitos sem conseguir concretizá-los. Por exemplo, o Bobby, ele traz isso na área dos direitos quando ele fala em massa dos sem direitos. Ou seja, nós temos direitos que eles são positivados, eles têm uma previsão constitucional, mas quando eles vão lograr êxito de serem concretizados na prática e de duas um ou os tribunais negam, ou dois eles são excluídos. Na prática vem uma
reforma Constitucional e os retira. Nós vimos isso aqui no Brasil, por exemplo, com a limitação da taxa de juros e que em um primeiro momento os tribunais disseram: "Não, isso não se aplica para bancos". a limitação da taxa de juros é só para as relações entre particulares. Depois isso foi retirado do texto constitucional. Então nós temos toda uma construção no debate democrático que se procura positivar um direito. Quando esse direito vai contra interesses Econômicos, ele é afastado seja pelos tribunais, seja depois por uma reforma constitucional. O que leva à conclusão que e a meu ver,
por exemplo, o Rick Beck está muito certo nisso quando ele fala na modernidade tardia, na sociedade de risco, que nós vivemos um contexto muito desagradável no direito, quando se reconhece a função simbólica do direito e se e a utiliza da forma mais nefasta possível, que é uma forma de simplesmente se gerar a expectativa e a Sensação de segurança, mas não em nenhum momento com intenção de concretizar. por exemplo, se reconhece o direito à reforma agrária e o acesso à Terra, mas em nenhum momento se tem intenção de realmente realizar essa reforma agrária. Em nenhum momento
se tem intenção de garantir o acesso à Terra simplesmente com objetivo de dar uma resposta social, de se desarticular movimentos políticos. Essa é uma construção, a meu ver, do direito que se positiva com intuito de Se dar uma resposta momentânea numa promessa futura. E quando essa promessa vai ser concretizada, ela é extinta. E o efeito disso, o BEC, ele traz na sua proposta, modernidade tardia, são os efeitos de individualização e de padronização. Padronização na perspectiva de que se retira algumas estruturas que davam sustentáculo ao indivíduo. Por exemplo, a família hoje não se tem o mesmo
sustentáculo da família que se tinha talvez há 20, 30, 40, 50 anos atrás. Não uma família para exclusão de um conceito restrito de família, mas da família enquanto instituto para dar garantia ao sujeito de se apoiar. Dá, pode-se perceber o quanto hoje nós não temos uma consciência da história de nossa família, da história de nossos avós, bisavós. Isso são raras as pessoas que têm, porque a família ela perde espaço para outras construções, para construções de certa medida Padronizantes. E em outro lado, nós temos um processo de individualização, que é aquele processo em que se afasta
o indivíduo enquanto membro de uma determinada classe, enquanto membro de um determinado grupo ou família para se tornar um indivíduo sozinho. E isso no direito é visto de forma explícita. O BEC ele fala que os movimentos sociais e os movimentos políticos eles deixam de existir a partir da positivação do Direito, pelo menos enquanto movimentos políticos. Por exemplo, quando o movimento trabalhista ele tem direitos eh positivados e eles são positivados de forma simplesmente simbólica, nós temos uma desarticulação do próprio movimento trabalhista enquanto movimento político, porque se dá uma sensação de segurança de que você pode recorrer
aos tribunais para reconhecer aquilo. Só que o que ocorre, por exemplo, eu advoguei Por um bom tempo na esfera trabalhista e depois da reforma trabalhista que eu vi pelo menos foi uma desarticulação da justiça do trabalho sob a alegação de que haviam abusos e haviam abusos, sem dúvida, por um lado, mas por outro lado se mantém justiça do trabalho em certa medida hoje, depois da reforma trabalhista, que não vem atendendo as práticas de violação de direitos trabalhistas, como, por exemplo, simulação. De atos. Eh, eu peguei um caso que, infelizmente, eh, foi a gente não conseguiu
lograr êxito, em que basicamente o empregador ele simulou uma liberação do auxílio reclusão e do FG e e do auxílio desemprego do empregado. O empregado não pode alegar desconhecimento, apesar de ser uma pessoa que não tem sequer formação eh de nível fundamental. e ele regularizou 5 anos para trás a Partir disso e levando isso na justiça do trabalho, fazendo um acordo com advogado, assinando e tudo. E aí vocês percebem o quanto o direito quando ele se positiva, ele individualiza. Um problema que muitas vezes era sentido por toda uma classe, por todo um grupo, acaba sendo
sentido por um indivíduo sozinho naquele exato momento, depois de um largo período, acreditando na expectativa do direito. E isso é em si algo que colocou em risco a própria manutenção de diversos movimentos políticos e o própria noção de custo dos direitos, de um custo político do próprio direito. digo, eh, dá a sensação de que o direito, uma vez positivado, ele é um direito garantido e que não é necessário, por exemplo, uma constante busca pelo próprio direito, uma constante um custo político, um custo econômico, simplesmente com a positivação do direito, estaria-se então Garantido esse direito. Pode
se desarticular, então se desarticulam movimentos políticos, se desarticula, então, o movimento trabalhista, o movimento consumirista. aqui no Brasil sofreu uma desarticulação significativa com eh algumas recentes conquistas e que colocam hoje em voga, muitas vezes você vê abertamente nos tribunais argumentos que eles não são jurídicos, eh eles são eles carecem de fundamentação, mas que são aplicados, como, por exemplo, é um Mero de sabor você passar papel de ma pagador na frente de toda uma coletividade. Eh, isso daí não há uma violação à sua honra objetiva, há um mero de sabor, algo do cotidiano. Então, constantemente os
direitos que antes eram positivados e foram formalmente construídos, eles vêm a ser substituídos por um direito que é materialmente construído e muitas vezes ele é fundado em lobby e em um lobismo muito perigoso E que quando eh nós temos uma liberdade interpretativa para garantir direitos é uma coisa, mas para negar direitos a situação realmente fica muito complicada, especialmente porque tem sido utilizada para negar a participação de partes que elas não têm sequer gerência no processo produtivo. Por exemplo, um consumidor, eh, eu, o professor Nilton, qualquer um de vocês, somos consumidores de bancos, não temos Gerência
alguma como vai ser o processo de dos bancos de sua atividade econômica. Nós, um papel que nós temos é de uma restrição de nossa liberdade por meio dos contratos por adesão, ao que se chama de objetivação, por meio do contato social e não do contrato, é firmado um acordo de vontade que as consequências já são previstas no direito, mas que na prática recentemente tem sofrido efeitos de um meramente econômico, ou seja, para se garantir o Lucro e ampliar o lucro, se afastam direitos que foram construídos por meio do debate democrático. E depois que se positivou
isso e se desarticulou movimentos políticos, caminhar pro âmbito internacional e sempre com a justificativa de que se você não abrir o mercado, você quebra economicamente porque vai ter outra ordem jurídica concorrendo com sua ordem. Nós temos uma professora da da Universidade Federal da Paraíba, professora Maria Luía, eh, Maia Feitosa, que ela trabalha a concorrência entre ordens jurídicas no âmbito contratual. Ela tem um trabalho bem legal sobre isso, em que ela justifica o porquê, por exemplo, os contratos e e em certa medida toda a teoria dos contratos. É difícil de se garantir direitos nessas relações particulares,
porque uma ordem jurídica concorre com a outra. Então, a depender da situação, se Nós temos um direito que é muito protetivo ao consumidor, a alguma parte uma relação contratual, ele vai ser um direito que ele vai perder espaço, porque há evasão de capital. Enquanto não se caminhar para uma positivação mínima em âmbito internacional, nós teremos constantes, teremos uma constante concorrência entre ordens jurídicas. Eh, eu e o professor Newton, nós tivemos um um artigo que nós publicamos que fala sobre a legalidade Constitucional, um capítulo de livro, na verdade, em que nós questionamos eh o por a
Constituição eh ela tem sido por vezes eh alegada como inoportuna. E durante o governo eh recente, isso daí foi levantado constantemente. Já teve gente até clamando por por intervenção militar, né? né? Nós chegamos a esse patamar e a constituição ela foi vipendiada em diversos momentos e isso não advém apenas de uma conjuntura interna, mas Também de uma de falta de arrim, porque é muito difícil e o Peringir ele traz isso, garantir um direito civil constitucional, ainda que no âmbito privado e um âmbito que nós temos institutos que tiveram uma manutenção por largo período no tempo
em que tem um um uma densidade de produção e uma certa convenção a lidar com a concorrência entre ordens jurídicas. Por isso que muitas vezes eu vejo alguns trabalhos que eles tensionam caminhar o âmbito Internacional como uma procura de uma última praia, de uma liberdade absoluta, seja eh a recusar, por exemplo, a noção de ordem pública na arbitragem internacional, a querer aplicar no Brasil decisões na arbitragem internacional ou decisões estrangeiras, ainda que violem a ordem pública, ainda que violem o valores que são construídos debate democrático. Eh, essa situação Que recentemente passamos com com o Trump
demonstra bem isso, o quanto talvez um direito sem força eh seja meringodo. nas próprias palavras do Kant. Direito não deveria ser meringudo, ele deveria ter a possibilidade de de obrigar a Mas no âmbito internacional isso talvez esteja um pouco distante, pelo menos a meu ver, quando se pensa na correlação entre direito privado interno e direito internacional na concorrência De ordens jurídicas. Eh, eu pelo menos não vejo hoje tanto espaço quanto talvez já deveria ter de maturidade, de convenção sobre isso. Por exemplo, o Thomas Piqueti, ele já trata um pouco disso na proposta dele, da necessidade
de se questionar o quanto determinadas posturas de certos estados, eles não são posturas justas, na verdade são ilícitos. Por exemplo, quando se instituiu o imposto Sobre grandes fortunas na França e países vizinhos da União Europeia baixaram suas taxas simplesmente para atrair todo o capital que tava dentro da França lá para dentro. Então, eh eh ele traz isso como, eh, não como uma um exercício da soberania, mas como uma concorrência entre ordens jurídicas que coloca em voga a própria manutenção enquanto se procura um desenvolvimento desenfreado e e talvez não se tenha uma resposta ainda para isso,
até porque, Por outro lado, nós temos a situação de que eh muitas vezes algumas estados nações se desenvolverem e agora querem chutar a escada, né, do desenvolvimento para ninguém conseguir se desenvolver também. E talvez por isso que eles sofram com essa situação da concorrência de ordens jurídicas. Isso não é apenas no na relação entre França e seus direitos. Aqui no Brasil mesmo nós sentimos isso na impossibilidade de conseguir concretizar alguns direitos no Âmbito privado em decorrência dessa concorrência entre ordens jurídicas e que não ainda não temos caminhado muito bem a uma solução para isso. Pelo
menos eu desconheço. Eu espero que eu tenha conseguido trazer algumas considerações. É claro que o objeto foge bastante a análise e a a minha formação enquanto civilista. E o Kant ele para mim serve como teoria de base. O professor Nilton muito Contribuiu na minha formação e eu agradeço demais, mas eu jamais arriscaria eh devagar de forma exacerbada na teoria cantiana, até pelo para evitar de me tornar, por exemplo, um filósofo de segunda categoria. Mas C é um desafio mesmo. Eh, Rafael, todo dia a gente aprende um pouquinho, né? Ó, o Marbal aqui, ó. Estudou Cando,
ó. Depois virou retórico, mas ainda hora Est voltando para Cant. Tá vendo? Ninguém larga Canto. Olha, eu só queria lembrar duas coisas a partir da sua excelente fala, né? E você se soltou aí no final, gostei muito, né? Porque o tema é complexo, envolve hoje relações internacionais que estão praticamente em tudo, né? Assim, quando o Bob falou criticando a era dos direitos, isso é uma reviravolta completamente cantiana, né? Porque ele tá reclamando os deveres, né? O o presidente eh John Kennedy, Assassinado, né, nos Estados Unidos, ele diz isso, olha, não pergunte só o que o
seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer pro seu país, né? Claro que no Brasil a gente é tão sofrido, né? A sociedade é tão esfoliada de tudo que claro que a gente precisa de um estado social, né? A gente precisa de um estado de prestador de serviço. Mas a gente também não pode esquecer que, como você muito bem falou, todo direito tem um custo, todo direito tem um dever Correspondente. Isso é muito cantiano, né? Porque direito e dever em cânticamente faz de uma, né, mesma moeda, né? Se você tem autonomia
pública para construir direitos, você também tem a cidadania, né, vinculada à legalidade para exatamente fazer com que os indivíduos possam dar sua parcela de contribuição paraa sociedade, senão a coisa não é construída, né? essa perspectiva aí de você pensar o direito como uma relação dialética com Seus âmbitos, que eu acho que é uma coisa que o Abemas para deixar mais claro depois, né, a relação novamente que eu falei entre público e privado, entre liberalismo e republicanismo, né? Essas duas tensões aí são inesgotáveis. Você nunca vai deixar isso como algo a mercer e de uma deliberação
unilateral, né? Ela tem que ser coletiva, né? Tem gente que faz, por exemplo, tese de doutorado. Ah, o estado social encante. É possível? Embora eu tenho uma visão mais nesse aspecto conservadora quanto ao aspecto cantiano, eu penso que ele protege primeiro os direitos fundamentais do indivíduo, né? e também a perspectiva de que o Estado tenha deveres para com esse indivíduo. Não que a igualdade material não seja possível em cântico, mas antes de pensar na igualdade material, preciso pensar, como eu disse antes, na liberdade de pensamento, de expressão, né? É preciso pensar eh na formação Desse
indivíduo para que ele não os deixe manipular por populismos, né? que é o que vai acontecer principalmente no século XX, a era das ideologias, né? É, é isso aí que é o que virou o perigo, né? E hoje também por causa das redes sociais, né? As pessoas são formadas pela narrativa e não por uma preocupação com a verdade histórica, né? com a verdade científica, eh, eh, é tudo muito mais uma interpretação de mundo ou a meta Interpretação de mundo, que é justificar crenças e ideologias pessoais, né, e também valores, né, os valores estão sempre aí
também no campo de batalha, né, porque eles são os estamente oposicionistas, né, como diz o Mar, cada valor positivo tem um valor negativo que vai se confrontar a ele. debate é amplo, né, querido Rafael, vou agradecer sua presença mais uma vez, realmente alogar a sua pesquisa, né, nossa e vamos continuar aí nesse, né, Itinerário, né, e conhecer aí cada vez mais os limites entre público e privado e entre autonomia e bem comum em Cantes, né? Bem, então eu vou passar aqui agora a segunda parte do da manhã, que é uma parte triste por um lado,
né? Porque nós perdemos agora repentinamente, né? Ninguém esperava. A morte é sempre algo eh embora esteja no horizonte, como diz o Heidegger, mas ela nunca é algo que é tomada como alegre a priori, principalmente no ocidente, né? a gente Realmente em luta. E eu jamais pensei que fôssemos perder rá, mas agora esse fim de semana eu sempre acompanhava, publiquei até na bal um dossiê sobre ele muito recente, feito por uns filósofos espanhóis que entrevistaram ele, né, lá em Standberg, onde ele morava, perto de Monique, né, fica 20 km anos de Monique. E ele tava bem,
né? Todo mundo sabia que ele escrevia com frequência ainda artigos principalmente, né? Mas não escrevia livros, né? O Rab Sempre foi um um intelectual muito ativo, mas aí ninguém nunca foi, né, cogitar, como diz o o Axel Ronalds, naquela tradução, né, que passa até pro grupo, foi feita pelo professor Marco Ver lá da USP. Eh, será que ele não deveria viver eternamente, né? Porque que ele partiu agora? Realmente foi um bate para quem acompanhou o trabalho do Rapas e foi influenciado por ele, né? Durante o mestrado eu estudei muito rápida, mas foi Rapas que me
despertou o Interesse para Cant, né? Quando eu procurei meu orientador para trabalhar CAN, professor Romanatini, eu já vinha no influxo rabemaziasiano, né? E assim, RS e Rabas foi que me levaram a estudar cânt o efeito inverso, né? Geralmente os cantianos que vão paraa RBNA depois ou mas no caso foi o oposto. E assim ainda hoje eu devo muito a uma interpretação eh sociológica de RBMAS e reconhecer a Importância histórica dele, né? Claro que ninguém é perfeito, mas aí como eu tava vendo hoje pela manhã, muita gente dizendo um bocado de meias verdades, né? Rabemans foi
antipalestino. Eh, Rabem defendeu a guerra do Iraque. São posições muito circunstanciais, né? E tem que ser interpretas com muito cuidado. A posição do RNAS, claro que também é muito consonante com uma posição alemã. Ninguém pode negar isso, né? Quando ele condena, por exemplo, a Invasão à Ucrânia, a gente tem uma invasão, de certa forma a um mundo eh ocidental, inclusive Europa ocidental. Isso para eles lá na Europa é uma coisa muito sensível, né? E ele não deixa de comungar dessas preocupações, né? Quando você tem uma quebra da ordem mundial também, eles se insurgiam contra, né?
Exatamente. Também onde eles não argumentam. Enfim, é o que a gente vai debater aqui também. E o professor Narbal é um dos maiores entendedores Aqui no Nordeste que está no Brasil de Rabs. Ele já trabalha RBMAS há muitíssimo tempo na filosofia e aqui no direito também. Eh, mas é e tem um pensamento também que é próximo do Ros, pensamento retórico, pragmático, neopragmatismo, né? Um pensamento eh vinculado à corrente da filosofia da linguagem. Então assim, nada e ninguém melhor do que ele aqui na Paraíba para debater Ragnas, né? Certamente vocês vão ter Aqui um excelente disposição,
né, de alguém que realmente gosta do tema e entende o autor e de pronto, né, aceitou esse esse convite. Professor Marbal, fique à vontade, meu caro. Muito obrigado aí. >> Obrigado, professor Nilton. Prazer táar aqui, gente. Bom dia. Eu tô vendo aí um pessoal novinho, né? A Gabriele, Yasmin, o André, não tô vendo, mas o Paulo. Ouvi um finalzinho do do da fala do Rafael. Obrigado, Rafael. Rafael, eu vou me Apresentar aqui como aquilo que você falou, né? Eu sou um filósofo de segunda categoria, não sou esse negócio que o Newton falou, não, viu? Eu
vou fazer uma apresentação bem eh tranquila, um bate-papo com vocês. Eu acho que, Newton, a maior homenagem que a gente pode fazer ao Rman é contestá-lo. Não sei se faz muito sentido. A maior homenagem que Platão recebeu foi a contestação de Aristóteles. A maior homenagem que Plotino e Platão Receberam, né, foi a contestação de Agostinho e assim por diante, né? A a a gente, o Hegel, por exemplo, revendo Kant e e e Sheller e tantos outros autores, né? O próprio Niet revendo Schopenhauer. Ou seja, a grandeza de um pensador é a capacidade que ele tem
de nos fazer pensar, viu, Gabriele? Vê se isso faz sentido. E isso o RER tem demais, né? Eh, ele ele é um, a gente diria, é um cantorâneo, né, Newton? poderia Caracterizar o R como um CAN contemporâneo, um pensador extraordinário que foi capaz, como os teóricos da da escola de Frankfurt, a fazer diagnósticos do tempo presente. Inclusive ele mesmo fez diagnóstico do tempo presente várias vezes ao longo da sua trajetória, né? inclusive revendo sua própria posição. Não que ele tenha eh rompido, não é, com a sua tese, suas Teses originárias, ele continuou fiel a elas,
né? Mas ele foi adaptando, não é, a aquilo que vinha surgindo, sobretudo no campo da tecnologia da informação, os meios de comunicação, né? Então, quando ele escreve em 62, mudança estrutural da esfera pública, ele diz: "A cultura era uma cultura livresca, né? As pessoas obtinham informação através da leitura, através dos jornais, através da televisão, que era uma novidade e assim por diante, né? Já na década de na Viragem do século, né? Já em 2010, 2011, 2012, o Rab já vai reconhecendo que tava vendo um movimento, né, de de intensificação da comunicação por outro outro outros
mecanismos que não eram aqueles que ele conhecia no passado. O Han fala isso muito bem, né? a a nossa capacidade de tolerar de de prestar atenção num discurso, ela é variável com o tempo, né, com com a história. E e os ouvintes eh de Habermans do passado hoje eles não Têm mais tanta paciência, eles não têm mais tanta disposição para ouvir um discurso de rabermans como se ouviu. por exemplo, os jovens hoje eles estão mais eh preocupados em informações rápidas, como diz o Burhan. É isso que a gente vai falar um pouco hoje. A gente
vai tentar fazer uma, eu vou tentar fazer uma apresentação do RERM Paulo, tô vendo Paulo aqui, eh, talvez fazendo uma uma homenagem a RER, pensando a partir de RERmans, tá? sobretudo A partir de autores como Robert Tenis, que é um autor que eu gosto muito, que fala de democracia e do próprio B Chan, também um autor importante, né? Inclusive o o Newton foi a proposta de publicação daquele artigo, né? Eh, só que a gente vai tentar apresentar aqui, tá bom? Eu não sei se eu preciso explicar para essa garotada nova a onde é que se
localiza Nilton, o Raberm, onde é que R, eu não sei, eu vou partir do pressuposto que vocês não conhecem isso, Tá gente? Peço desculpa para aqueles que já conhecem, já ouviram isso várias vezes, mas é uma preocupação retórica, né? Ou seja, uma atenção que a gente precisa ter com a nossa audiência eventualmente que tá começando, que nunca ouviu falar, ouve falar do RER, mas não não sabe qual é a importância, o que que ele propõe, né? Onde é que ele se localiza, né? No mapa da da história da filosofia, onde é que ele tá localizado.
A história da filosofia, Gente, tradicionalmente é dividida em quatro períodos: idade antiga, idade média, idade moderna e idade contemporânea. Cada época, claro que isso é uma invenção, tá gente? É uma é uma uma símbolo, né? um um meio que a gente inventa para deixar mais clara a compreensão da história do das ideias, da história das das reflexões, etc. Então você tem em cada época da filosofia uma uma protofilosofia. Deixa eu Escrever aí no chat para você. Uma protofilosofia. Proto eh filosofia. Tá assim mesmo, gente. Protofilosofia. Só quer separa, né? protofilosofia, né? Ou isso em grego,
né? Em latim é prima filosofia. Prima filosofia, filosofia primeira, ou seja, uma filosofia de base eh comum a todas as outras filosofias. Qual é a preocupação filosófica fundamental de desses períodos históricos da filosofia? Então você tem lá na idade antiga uma protofilosofia, uma prima filosofia preocupada com a questão da metafísica, né? Teóricos como Platão, o próprio Aristóteles, né, que supostamente teria escrito um livro dedicado à metafísica, metatísic além da fíos, né? Eh, eh, então você teria esse, esse essa coletânia de sobre metafísica, autores, como eu já falei, Plotino e e outros autores, né, que estão
ali já na fase do da transição paraa Idade Média, eles Estão preocupados com a metafísica. Quando a gente entra na Idade Média, essa questão muda de de foco, porque a teologia eh é vista como detentora da verdade, né? Você vocês sabem que é a queda da da de Roma, né? 476 e a única instituição que se mantém coesa, né, unida, né, é a a Igreja Católica. Então, a Igreja Católica, ela tem uma um papel hegemônico durante a Idade Média. Isso vai imprimir a Idade Média uma uma um teocentrismo, essa leitura teocêntrica, né, da reflexão, como
vocês todos sabem, vai pensar a teologia como, ou melhor, pensar a filosofia como serva da teologia, né? A a filosofia, como se fal filosofia enchileteologia, né? Como se diz, né? De colocar aí no chat. Filosofia assim e anche. Teologia. Pronto, gastei meu latim. Filosofia anchila, teologia. Ou seja, a filosofia é serva da teologia. Nesse sentido, a gente poderia falar de uma filosofia primeira muito próxima da própria teologia, porque a filosofia é aquela vista pelos medievais como aquela que busca a verdade e a teologia é essa que já tem a verdade. Porque pensando com a mentalidade
teocêntrica, Jesus seria a plenitude da revelação do Pai, né? Então ele seria, como a gente já ouviu várias Vezes, né? a própria verdade. Então, a filosofia busca a verdade, a teologia tem essa verdade, significa dizer que a teologia tem uma prerrogativa sobre a filosofia. Durante todo o medieva, em grande parte da modernidade, essa essa essa compreensão vai se manter, né? Quando a gente entra na modernidade, a discussão muda por vários eh fatores, né, notadamente pela criação das escolas na na alta idade média e do processo chamado eh escolar, formação das Escolas. E o a consequência
disso que foi a secularização do conhecimento do saber de uma forma geral e as pessoas passam a ter acesso ao conhecimento, né? E com isso você aumenta a capacidade crítica. E a os teóricos da modernidade ou do renascimento ali que tá naquela fase de transição entre o medievo e a e a modernidade, eles vão revisitar questões eh do passado sem precisar recorrer a discursos teocêntricos, religiosos, né? Então você tem, por Exemplo, Robs Lock, Rousseaultimidade política através da noção de contrato. Isso é uma novidade, contrato social, uma novidade extraordinária. Então, e também no campo do conhecimento
sobretudo, né, você vai as teses de Galileu, de e de Copérrico, né, sobre o eh o heliocentrismo, detrimento do geocentrismo eh defendido pela pela Igreja Católica, também é um fator importante. O o Descart, por exemplo, vai se perguntar por que que a gente Passou tanto tempo na ignorância, né, desde Ptolomeu e e Aristóteles, a gente tá defendendo que a Terra é o centro do universo. Então, a pergunta que os modernos vão se fazer é: como é possível saber que nós sabemos alguma coisa? Como eu posso saber que eu sei, né? Como é que eu posso
conhecer o meu próprio conhecimento? Então, essa questão, ela passa a ser uma questão central, fazendo da filosofia primeira desse período, a epistemologia. a epistemologia, ou seja, A questão em torno do conhecimento, passa a ser prima filosofia para os modernos, tá? Questão do conhecimento ou a teoria do conhecimento também, como ou a gnosiologia para alguns e assim por diante. Essa é a prima filosofia, a filosofia de base, a filosofia mais importante do do modernos, né? Cante, inclusive, né, Nilton, ele escreve um livro, talvez um dos mais importantes na história da filosofia, que é a crítica da
razão pura, onde ele propõe uma Concepção extraordinariamente interessante que conjugava, né, as pretensões empiristas com as pretensões racionalistas a partir da internalização dessas estruturas a priori em nós, né, de formatação do mundo. Ou seja, o mundo é, em última instância uma antropomorfização. nós antropomorfizamos o mundo a partir dessas nossas categorias eh a priori que estão em nós. Mas isso é uma outra discussão. O fato é que durante esse Período você tem uma valorização da filosofia pensada como epistemologia, né? E aí a gente entra ou sai da modernidade, entra na contemporaneidade, quando na Arbal, não sei,
gente, cada teórico diz uma coisa, tá? Eh, mas a gente em algum momento, talvez a gente esteja até numa fase de transição que só os historiadores daqui a 1000 anos vão conseguir eh precisar, né? Mas eh eh os teóricos contemporâneos eles passam por um processo eh de Valorização da linguagem. Essa que é onde eu queria chegar, Nilton. A gente tá pensando na contemporaneidade a partir da valorização da linguagem. A Bárbara Cassan, ela ela coloca isso de uma forma muito interessante. Coloca a eh colocar aqui, ó, é a anteposição do logos a fizes. Para quem tá
certo anteposição do logos, a física. Ou seja, para quem lembra desses termos Eh eh gregos, né, logo seria um discurso racional, né, o discurso e físicos seria o mundo. Os os físos vem de fiem, gente. Fiem que é brotar, germinar, né? É o que surge. Os latinos quando viram essa palavra fizes, aí eles traduziram por natos, porque é o que nasce. Olha que interessante, né? Então, a Fige grega é traduzida pelo pelo falante de latim por natureza. A gente traduz assim, né? Uma tradução ruim. Então, por exemplo, quando você traduz Heráclito, a natureza Ama se
esconder, fiz escriptestifilei, né, em grego. É horrível, porque não é isso que o Erac tá dizendo, né, Nildo? Orac tá dizendo que aquilo que surge ama se esconder, né? A tradução nossa latina, a natureza ama se esconder, não é não é a mesma coisa que o tava dizendo lá atrás, não tem a mesma a mesma duplicidade de sentido poética, né, profunda. Aquilo que se mostra ama se esconder. Isso o Heid vai trabalhar Muito bem no no texto dele, né, aquele no verão, deu um curso no verão que é chamado uma coletânia chamada Heráclito, um livro
maravilhoso do R, ele trabalha essa questão muito bem. Então, eh eh então essa essa essa anteposição do logos a fises que vai caracterizar o pensamento contemporâneo. O que que significa isso, Narbal? Significa que a na contemporaneidade, botar aí, ó, na contemporaneidade, a linguagem Precede o mundo, tá? Ou seja, toda a postulação de prerrogativa do mundo sobre a linguagem é vista como manifestação de uma ingenuidade, de alguma ingenuidade narbal. Você tá ofendendo os modernos, tá ofendendo os medievais, os antigos. Gente, a cada época histórica tem lá as suas ingenuidades, como diria Bichurhan. Cada época histórica tem
as suas Ingenuidades. Eu vou dizer até de forma mais radical, viu Newton? É ingênuo não pressupor em nós ingenuidades. Vê se isso faz sentido. Por que que eu digo isso, Milton? Porque é impossível, diz Aristóteles, pensar sem pressupostos. A gente sempre pensa a partir de pressuposto, sempre a gente precisa sempre de uma base a partir da qual nós pensamos. E essas bases, elas não são necessariamente firmes ou não serão Necessariamente firmes para os pensadores que virão depois de nós, né? O Fab tem uma uma naquele naquele contrométodo, né? Ele diz uma coisa, tem muita gente
que gosta do FAP, tem gente que detesta, né, Nilton, mas ele diz uma coisa que eu acho muito interessante, que diz assim: "Nenhum, isso a partir de uma de um levantamento histórico de dados da da da história das ciências, né? Ele diz: "Nenhum princípio resiste à pesquisa histórica". Olha que tese interessante, Paul, vê se faz sentido. Nenhum princípio resiste à pesquisa histórica. Parafraseando Fab, eu poderia dizer: "Nenhum pressuposto resiste à pesquisa histórica". Então a Gabriele tá ali pensando a partir dos pressupostos dela, porque ela pressupostos não, Narbal, os meus pressupostos são verdadeiros. Você afirma a
verdade, a justiça, a beleza, a o caráter moral dos seus pressupostos a partir dos seus próprios Pressupostos. Pensar criticamente é ter a disposição para revisitar-se permanentemente. Vê se isso faz sentido. Quem já andou num metrô num país eh eh anglofônico, né, vai lembrar daquela frase, eu gosto muito de falar isso pros alunos, né, a frase do do do um metrô por aí, né, em Inglaterra, Estados Unidos, eh, mind the gap, não viram isso? Mind the gap. A porta abre. Aqui no no Brasil também tem, né? Cuidado com o vão entre o trem e a plataforma.
É Mind the gap, né? Eh eh o pensamento crítico, ele precisa dizer para si mesmo permanentemente: "Mind the assumptions." Cuidado com o que você assume como verdadeiro, como justo como bom ou como belo. Cuidado com os teus pressupostos. Por quê? Porque os teus pressupostos eles estão provados para uma audiência, mas são ainda gratuitos para outra. Esse faz sentido. Eu tô dizendo isso aqui, a Gabriele Talina, não concordo contigo. E eu acho isso ótimo, maravilhoso, porque Eu e a Gabriele não temos os mesmos pressupostos. Às vezes isso faz sentido. Então, quando a Gabriele manifesta uma resistência,
uma contestação, ela, porque a gente tenta ter um pensamento crítico, ela me força a me rever a mim mesmo, a revisitar os meus próprios pressupostos. Uma atitude autoritária, que é essa atitude contra a qual RERM surge, é uma atitude que não revisita os próprios pressupostos, não pensa o mind Assumptions, né? não pensa, não tem essa preocupação com as próprias eh eh premissas da da onde pensa. Vê se isso faz sentido. Eu tenho essa disposição permanente de revisitar-me a mim mesmo. Mas mas esa aí na olha, se eu tenho uma disposição permanente para revisitarme a mim
mesmo, como eu posso afirmar a verdade do mundo ou a verdade de mim mesmo? Porque e isso, isso curiosamente eu aprendi com Foucault, Newton, palavras e as coisas, né? É reconhecer que o chão que a gente pisa é móvel, Paulo, olha que interessante. Reconhecer que o chão que a gente pisa é móvel. Isso Fou falando nas palavras e as coisas, né? É exatamente isso. Ou seja, se eu reconheço que o chão que eu piso é móvel, significa dizer que eu não consigo pensar sem pressupostos diz Aristóteles. E esses pressupostos, eles não são necessariamente No âmbito
da necessidade lógica, né, eh, aceitos pela Gabriele. A Gabriele pode e tem o direito de contestar esses pressupostos, ou seja, ela pode pensar a democracia a partir de outros pressupostos diferentes dos pressupostos do Remanas. Sim ou não? E isso é maravilhoso, né? A Chantal, eu gosto muito dessa frase da Chantown, eh a diferença não deve ser tolerada, ela deve ser celebrada. Então, a Gabriele faz um percurso a partir de Outros pressupostos, a partir de outros eh eh percursos bibliográficos, diferentes dos percursos do Newton, né? e trata do mesmo objeto por um outro viés, eventualmente mais
interessante ou menos interessante, não importa, mas é diferente. E essa diferença, ela não deve ser tolerada, mas celebrada. Isso que diz a Chantal. Esse é o universo, não é? Eh, eh, criado por uma atitude crítica, por uma disposição permanente de reconhecer que o chão que A gente pisa é móvel. Eu acho que o RER nesse sentido, Newton, ele ele foi muito feliz porque permanentemente, né, ele tava disposto a revisitar-se a si mesmo. O a tese dele que ele não eh revisitou, que ele não tava disposto a revisitar, né, eh a legitimação ou a legitimidade da
modernidade, entender a modernidade como eh um processo inacabado, né? E notadamente isso tá nesse livro aqui, gente. Cadê o Livro? Discurso filosófico da modernidade, que para mim é um dos livros mais eh bem escritos, mais extraordinários. Eu vou pegar aqui para vocês verem que eu eventualmente o aluno não conhece, né, Dilton? Eu sei, eu sei que conhece, todo mundo conhece aí, pessoal que estuda não sabe, né? Mas é esse livrinho aqui, gente. Esse livro é extraordino, né? Ah, tenho teoria do agir comunicativo. Posso ser moral agir comunicativo, eh, não sei o quê. Tem o Democracia
eh faticidade validade. Tem sim. Mas esse livro aqui é 92, né? Né, Nilton? Acho que é 92, não é? A primeira edição. Esse livro é extraordinário. Esse livro aqui é uma aula de eh eh de filosofia. É 92. Então, a a o Rubert, nesse sentido, ele tá ele ele ele tá dialogando com todo mundo, igual o Gad, o Gadman e o R, mas eles são expressões de de um pensadores alemães, eh, aqueles aqueles pensadores que se você pega a nota de rodapé, você Escreve tese de doutorado. Eles vão comentando os autores, né? eles vão e
e vão comentando eh eh aquele eh eh aquela leitura eh secundária que a gente comentador secundário, ele vai mostrando, né, a leitura profunda que eles fazem daquelas teses, daqueles autores, daquelas filosofia, que é uma coisa impressionante. E o Rab faz isso com muita competência. É de fato um autor extraordinário. Mas a tese que me parece eh vencida, viu, Nilton? Aí eu Entro com uma briga com o Nton, né? Porque o N tem uma um espírito cantiano. Eu também tenho Nton. Eu também tenho. Eu gosto muito de Niet de de de Kant, né? Olha olha o
ato falho, né? De Niet, de NIT também. Mas a a é a tese da universalidade, pretensão de universalidade. E o próprio Rab reconhece isso no pensamento pós metafísico, que é outro texto maravilhoso, né? Tinha separado aqui para mostrar para Vocês. O pensamento pósmf os os cabermasianos não gostam muito, né? Bermazena, não gosto muito pensamento pós metafísico. Eu acho extraordinário a a é a tese da deixa eu colocar aí no chat, ó, da perda do caráter vinculante no discurso metafísica. Metafísica. Eu vou só ficar com a primeira parte da frase, é a perda do caráter vinculante
do discurso de qualquer discurso. Por Que, Gabriele? Porque o meu discurso vinculava, né, o André, a Yasmin, a Tâmara, agora apareceu para mim aqui, o Nilton, Ricardo, Paulo, o Rafael e todos os demais, né? Vinculava. Por quê? Porque o meu pressuposto era verdadeiro. Vê se isso faz sentido. O meu pressuposto é justo. O meu pressuposto é bom. O meu pressuposto, pressuposto que fundamenta o meu discurso, né, é belo. Então o meu discurso ele tinha essa força vinculante. Ele era metafísico nesse sentido original da palavra expressão em grego, né? Metaticar, ou seja, para além da fises.
O que que é a fises normal? fizes é aquilo que vem a ser. Então, o meu discurso, ele tava fundado num pressuposto que era eh permanente, ele não vinha a ser, as coisas mudavam, contingente, mas em meio à contingência eu consegui encontrar aquilo que não Mudava. E a partir disso que não muda, desse princípio que desconhece a história, ou seja, desse princípio com pretensão a um quadro descontextualizado histórico, socialmente, culturalmente, etc, etc. Eu poderia construir um discurso que vincula a Gabriele, eventualmente a Gabriele poderia até me contestar, né? Mas nós aqui, enquanto comunidade de justificação,
enquanto comunidade que compartilha, né, A ou que tá vinculado, olha aí, ó, né, a a esse caráter, né, do discurso verdadeiro do discurso, a Gabriela era considerada como eh eh equivocada ou eventualmente não é claro que não, mas como uma pessoa que não tem a competência que nós temos, essa oposição, o Pér trabalho olhou muito bem a Perma e a Lucitca, né, a obra titeca no no livro Tratado da Argumentação, que é uma obra primorosa, inclusive o Rabermas a a cita, né, na teoria do agir Comunicativo, né, que é a noção de elitização do auditório
e eh desqualificação do discordante. Eu acho esse esse essa oposição tá lá no no parágrafo s do tratado da argumentação para quem quiser dar uma olhadinha. Então a gente aqui discute a partir de pressupostos inamovíveis, ou seja, com uma força vinculante do discurso. Aí a Gabriele ousa contestar a gente, me contestar, contestar o Rafael, contestar O Nilton, Gabriele. E aí, isso, pronto, Newton colocou aí. E aí, o que que a gente faz? A gente eh eh desprestigia, né? a gente desqualifica o discurso recalcitrante, o discurso discordante, a Gabriele, e a gente elitiza ainda mais o
nosso ambiente aqui de discussão. Eu, Tâmara, André, Nilton, Ricardo, Paulo, Rafael, né? A gente desqualifica aquele que discorda. É uma elitização do auditório oposta à Desqualificação do discordante. Vê se isso faz sentido, né? O que o que o o Rerman está apontando, pensamento pós-metafísico, é que o discurso metafísico ele perde o poder vinculante. Não existe mais esse poder vinculante. Ih, rapaz, e agora significa dizer que a bem da verdade, né, o discurso contestador da Gabriele, ele é sempre legítimo e toda forma de desqualificação, de discordância, é Sempre autoritária. Vê se isso faz sentido. Uma democracia
que a gente conhece desde os antigos, ela é tanto mais democrática. Como assim, nal? A democracia se democrática. Claro, gente, a gente tem que pensar democracia em termos graus. Nem toda a democracia tem um alto teor democrático. Qual é o alto, qual é a democracia que tem um alto teor democrático? é uma democracia que viabilizaria a Participação de todos, ou seja, aquela democracia na qual não haveria elitização de auditórios, qualificação discordante. Vê se isso faz sentido. Para quem já estudou o Smith, vai lembrar, né, do hostis eh humani genere, né, genere, desculpa, tem um um
s no final, é o genitivo, né? É o gênero humano hostil. que é uma expressão latina antiga, né? É como você caracterizava, por exemplo, os Piratas, porque o pirata ele atacava o navio no meio do mar, né? Não importava se era o navio romano, se era o navio grego, tanto faz. ele era um o inimigo da humanidade. O o o outro, ou meu melhor, o meu adversário político é visto por Smith, né, como um gênero humano hostil, ou seja, um inimigo. Significa dizer que ele tem que ser simplesmente eliminado. Ele inimigo, você não dialoga com
o inimigo, gente. Você não negocia com o inimigo. Inimigo precisa ser eliminado. A Gabriele ousou contestar a gente, o que que a gente faz com ela? A gente desqualifica Gabriele, a gente tira ela, né, do debate, né? Ela não tem competência, ela não tem isso. Sim. É, é, é, é. Na verdade, acho que é o parágrafo, é o parágrafo sete, se não me falha a memória, quando ele fala de auditório universal, é um dos parágrafos mais conhecidos do tratado da argumentação. Rebotou sessão seis, eu não sei quem foi. Ah, foi Emanuel. Ah, obrigado, Emanuel. Obrigado.
E provavelmente eu que tô errado. Eu tô falando aqui de memória, mas o Emanuel que tem tem razão, entendeu, Gabriele? Então, a a a perda do do do da força vinculante do discurso diz respeito a uma concepção de racionalidade comunicativa, né, que tem uma uma um eco no campo da política, mais precisamente no campo da teoria da democracia, que é a radicaliza. Por que A radicaliza? Porque faz a democracia depender da deliberação através de uma comunicação não distorcida. O que que é a comunicação distorcida, Herberman? A comunicação distorcida é aquela comunicação que se dá, né,
por via ideológica, por imposição, por medo, se é por interesse qualquer, né? Ou seja, uma é uma comunicação que não visa como o Hbermas coloca, deixa eu colocar aqui, ó, para Vocês, comunicação. Comunicação eh que visa o entendimento, tá gente? Oposta a fala que visa, né, um efeito estratégico, um efeito mundo, né? Então essa comunicação que visa o entendimento quando trazida pro campo da política e mais precisamente pro campo da teoria da democracia, radicaliza a democracia porque a democracia agora ela passa a depender Da deliberação racional. Sim ou não? Vê se isso faz sentido. Faz
sentido, gente. Vocês entenderam? Seria bom se vocês perguntassem, né? porque eu gosto muito de de ouvir vocês e eventualmente me adaptar a ao que vocês eh como vocês estão lendo o que eu tô falando. E o essa essa teoria do Rabbermund de radicalização da democracia, no que ele chama de democracia deliberativa, ou seja, a legitimidade política. Arbal, o Que que é legitimidade polí legitimidade política, gente, é aquela pergunta fundamental. Por que a gente tem que obedecer a lei? Por que que eu preciso obedecer o direito? Por que que eu tenho que obedecer o policial que
manda eu parar o carro, por exemplo, né? Por que que o Casscique tem poder sobre o índio ou o rei tem poder sobre o súdito? Não é uma pergunta fundamental. O que fundamenta a lei ou o que fundamenta a força da lei para usar uma expressão do Derridar, né, que é inclusive é a questão que ele que ele eh visita e que eu tô falando aqui para vocês. O problema da legitimidade política é o problema da legitimidade do poder político. E essa essa esse essa esse problema não tem uma solução eh é muito fácil. a
gente eh fazendo uma uma leitura histórica, vocês vão vocês vão encontrar várias concepções. Por exemplo, aquele debate entre Hobbes e Nilton, me ajuda. Eh, como é que é o nome dele? Filmer. Lembrei. Puxa vida, Robs e Filmer. Você lembra disso, Nil? Tess debate Robs e Filmer sobre o Emanuel F. Eh, não é entre o Robins e o Ar bispo Brun. É, pode ser também. A minha memória pode estar me enganando. Filmer é lock com filmer. Ah, então você tem razão. >> Robins é comer beast brunho. >> Ah, então tá certo, você tem razão. >> Mas
você sabe, só foi só foi só uma Troca de só para de >> Não, eu não sei não. Eu não sei não. Eu eu tô aqui com, como disse o Rafael, eu sou pensador de segunda categoria, Rafael, e eu agradeço por essa essa expressão. Eu me reconheço que a gente só tá aqui batendo um papo, né, agradável, legal, que eu espero que seja proveitoso para todos. Mas a a nesse debate entre Branhall e Robs, né, eu achava que era com filme, filme Lock, pronto, filme Lock, sobre a Legitimidade do poder. Eh, eh, então ele um
defendia que o poder é vontade de Deus. Olha como esse recurso faz sentido contexto teocêntrico, né, em que esse tipo de de forma simbólica para usar a expressão do CCI, né, fazia sentido, né? Inclusive eu vou voltar ao Cir já já, que é um que eu te amo também, né, Nilton, né, a seu modo, mas é um teórico também muito interessante. Então, aquela forma simbólica faz sentido. Quando você Vai pr pra modernidade, de renascimento modernidade com com Robs, você vai ver que essa discussão ela não eh eh angaria mais aquele aquele aquela força vinculante do
discurso que eu falei um pouquinho antes. Aí o Robs vai defender o próprio o mesmo absolutismo, né, que eram defendido, que era defendido antes, mas agora recorrendo à figura do contrato social, né, da figura da guerra de todos contra todos e aquela coisa toda. Todos vocês conhecem, não vou eh Explicar aqui. Mas essa oposição, gente, é uma oposição que orbita a questão da legitimidade do poder político. Nesse isso faz sentido. vários livros, gente, né? Acho, eu até diria que todos os livros sobre política envolvem a questão da legitimidade do poder político, né? Tratado sobre política
de Aristóteles fala sobre isso, né? Como é que você tem que eh eh gerar poder político legítimo. E essa a questão que o Hm tá enfrentando aqui na Democracia. E essa legitimidade política do poder político para Habermut passa agora a estar escorada, Gabriel. justamente no fato da perda do caráter vinculante da metafísica. Ou seja, se a gente não tem mais ponto de ancoragem, o que que pode legitimar? Significa dizer que eu não posso dizer assim para Gabriel, Gabriele, o Newton é rei e, portanto, você deve obediência a ele. Primeiro, o Newton não se fundamenta a
Si mesmo, poder do Newton, né? Nem o Narbal que fala isso a respeito do Newton, não tem essa capacidade de chancelar. Você lembra aquela estrutura, quem já leu a Bíblia sabe, né, que você tem o rei e você tem o profeta, não é isso? O profeta é que unge, né, o rei. Olha que interessante também uma forma simbólica própria da época que funcionava, né, e que emprestava essa legitimidade política, essa essa forma simbólica que a gente não tem mais a Partir de um contexto pós-metafísico, a partir de um contexto de perda do caráter vinculante do
discurso, né? Então o raberman radica, ou seja, joga a âncora, né? Radica no sentido de lança raiz, né? Na possibilidade de legitimação política, de legitimação do poder político, de legitimação do fazer político a partir da possibilidade, ou mais precisamente da institucionalização do que ele chamou de situação ideal de Fala. Vê se isso faz sentido. Que que é a situação ideal de fala? Eu não sei se vocês já falaram aqui, vocês devem ter falado a situação ideal de fala, né? A situação ideal de fala, é claro que é um ideal, tá gente? Não é uma coisa
e eh concreta, não, não existe, né, para para rá, mas é um ideal. E o ideal, enquanto ideal, ele aponta direções nes, né, igual a bússola. Não sei se vocês sabiam disso, mas a bússola Aponta pro norte verdadeiro. Vocês sabiam disso, né? Eu não sei se a turma conhece, pessoal novo não deve saber disso. A a bússola aponta pro norte verdadeiro, o norte magnético da Terra, né? E o norte magnético da Terra não é o norte. Aí que que você faz? Você a partir do norte magnético, que é mais ou menos inclinado, a inclinação há
um há 30 anos atrás era algo em torno de 10 ou sei lá, 15º. Hoje parece que aumentou um pouco mais. Mas o navegador ele sabe que Apesar da bússola tá apontando assim pro lado do norte magnético, ele tem que fazer uma compensação para descobrir onde é o norte real, entendeu? Ele faz essa compensação, norte magnético, norte real. É mais ou menos isso. O ideal funciona assim, ele aponta uma direção, né? significa dizer que a gente vai nessa direção, não necessariamente, mas a gente tem elementos para preservar da melhor forma possível aquela eh situação ideal
de fala. O que que é a situação Ideal de fala? É uma situação onde vou colocar assim, ó. É é uma vou definir assim, ó. É uma não, desculpa, ficou sem assento. É uma situação, eh, um contexto, né? comunicacional, onde se preserva preserva a simetria entre os falantes. Uma situação comunicacional onde se preserva a simetria entre os falantes. O não, Narbal, mas o Newton é professor, a Lara é aluna. Aí há uma relação, né, De professor aluna, né, e o professor tem autoridade, ele pode dar nota, aí a Lara fica constrangida, não vai contestar o
Nilton. Isso não é uma situação ideal de fala. E eu sei que o Nilton não faz assim. Eu sei que o Newton, quando ele se relaciona com a Lara, né, ele abre a possibilidade permanente, porque ele é um autor crítico, um pensador crítico, da Lara falar o que a Lara quiser. Nesse sentido, né, o Newton adota, né, os Princípios de uma democracia deliberativa no seu relacionamento com a Lara, uma situação ideal de fala. todas as instituições, gente, que que eh preservam, né, a reivindicação de grupos sociais, por exemplo, né, Defensoria Pública, Ministério Público, etc., cumprem
o papel de uma situação ideal de fala institucionalizada numa democracia deliberativa. Vê se isso faz sentido. A democracia deliberativa, ela tanto mais democrática quanto mais é Capaz através de instituições, preservar, né, a a simetria própria e necessária de uma esfera pública. O que que é a esfera pública narbal? A espera pública, gente, é o espaço de discutibilidade, né? É o espaço de discutibilidade, é o parlamento, por exemplo, né? Eh, eh, são as associações, são espaços onde as pessoas podem falar suas perspectivas, apresentar suas razões, mas todo falante na esfera pública é também um ouvinte. Isso
é importante, que eu sempre falo isso pros alunos quando a gente dá aula de retórica. A boa retórica é aquela que persuade na mesma medida em que tem disposição para ser ela mesma persuadida. Então eu tô tentando apresentar aqui para vocês uma tese com a disposição permanente de revisitar-me a mim mesmo a a partir da pergunta eh eh do Paulo. O Paulo traz uma pergunta para Torá, né? Para Torá, Nildon. Aquela pergunta que me quebra. E eu falo: "Poxa, Paulo, eu não tinha pensado nisso". Olha que interessante. Então, essa relação é uma relação horizontalizada. A
situação ideal de fala pode ser pensada assim como uma horizontalização da relação comunicacional entre falante e ouvinte, né? E quando isso se institucionaliza, a gente tem propriamente uma democracia eh eh deliberativa. A o Emanuel colocou assim: "Em que medida a situação ideal de fala como uma bússola pode ser comparada ao imperativo categórico como norte ou moralidade o sentido crítico antino?" Pergunta fácil, né, Milton? Fácim. Eu acho que você intu corretamente. De fato, o Rberman tem muito da proposta cantiana, né? E quando a gente contesta o Kant, contesta o Raberman, a gente o faz motivos cantianos
rabermasianos, né? Teve um aluno que me Falou isso, né? O o Gerardo no doutorado, e ele tem razão. A gente faz isso muito por defesa da dignidade da pessoa humana, né? da dignidade eh eh do falante, do ouvinte, assim por diante. Mas eu acho que sim, eu acho que você tem razão. Eh eh eh Manuel, eh eh aproveitando a pergunta do Manuel, Nilton, quanto tempo a gente tem? Só para me adaptar aqui a o tempo, >> meu amigo, você tem todo o tempo do mundo. >> Não, eu não quero ser chato não, >> eu tô
aqui gravando, tô só aprendendo, tá entendendo? Os meninos vão depois pegar essa fita que como diz popular e vão vão ler e reler. Fique à vontade. Você que é o >> o nosso preceptor aqui. >> O o Peraman diz isso, né? Na demonstração você não precisa se preocupar com o tempo. Demonstração é o cálculo matemático, lógico, né? Que o resultado é coerivo. Então a resposta do Problema lá da geometria é pi. Você não pode contestar, Gabriel, você tem que aceitar, né? Porque a resposta é pi, não é nem pi nem pi - 1, é pi.
Então se você colocou piou, pi - 1, você errou. Ou seja, a resposta ela é coeriva, ela pode ser imposta. Isso é a demonstração, né? Mas no âmbito da política a gente argumenta. E a argumentação, diz o Péran, né, e a Titeca, precisa estar preocupada com o tempo. Por que que a gente tem que ter no campo Da argumentação preocupação com o tempo? Por uma questão psicológica. as pessoas têm uma disposição variada variável, né, de atenção. A atenção nossa, do Ricardo, do Rafael, da Lara, né, é intermitente. Olha que interessante. Então, a argumentação ela tem
que tá preocupada com essa intermitência da atenção, entendeu, Nilton? O Nild tá olhando ass minha cara fazendo assim, mas tá pensando na conta que ele tem que pagar, Na no compromisso que ele tem daqui a pouco. Normal tá falando demais. O Paulo tá ali preocupado com que ele vai fazer final de semana, né, Paulo? e assim por diant, ou seja, a atenção ela é variável, tá? Então, quem argumenta tem que ter uma atenção eh eh eh com o tempo que a gente tem, tá? Por isso que eu eu fiz essa essa pergunta pro Newton, mas
eu vou só aproveitar um pouco mais da do tempo que a gente tem para continuar esse debate, mais Precisamente a partir da pergunta do Emanuel. Emanuel, agradeço essa pergunta. Começar uma crítica. Pode começar uma crítica, Nilton. Já eu eu fiz a eu fiz a a homenagem. >> Você que manda, você que >> E eu vou querer te ouvir, viu, Nildo? Eu vou querer te ouvir. >> Não, sim. >> Eu acho que tem muito a ver com a pergunta do Emanuel. Obrigado, Emanuel. Porque o o uma característica da Modernidade, dos modernos, é a preservação de um
elemento essencial do teocentrismo, Gabriele, que é o sujeito. O sujeito moderno é uma pseudolaicização da alma religiosa dos medievais. Vê se isso faz sentido. Uma coisa que caracteriza a modernidade é o sujeitocentrismo. Todo teórico da modernidade parte de uma reificação do sujeito. Quando ele não, desculpa, gente, reificação vem da palavra eh latina res rei. Para quem já Estudou aí latim vai lembrar, né? R rei. Da quinta declinação. Se eu lembro, R rei. Reificar é você coisificar. É exatamente isso que diz a a palavra em latim, coisa, né? Rez, rei. Rez é coisa, rei é da
coisa, né? Então o reificação é quando você coisifica alguma coisa, tá bom? Então existe uma uma reificação do sujeito. É como se o sujeito fosse algo dado, como é dada essa garrafa aqui, entendeu? O mundo é, na verdade, reificado porque foi antes reificado o Próprio sujeito. Isso a gente aprendeu com Cant, né, na dialética transcendental. N, lembra? Não há sujeito sem objeto, nem um objeto sem sujeito. Se você afirma a objetividade do mundo, você afirma concomitantemente a subjetividade do sujeito que fala sobre a objetividade do mundo. Inclusive, essa crítica que o Raberm faz a ao
positivismo lá no conhecimento interesse, que para mim é um texto Também maravilhoso, 1968. Esse eu lembro que foi quando o ano que eu nasci, 1968. é conhecimento e interesse. Texto extraordinário do do do do Rabermans. Inclusive, nesse texto, ele usa essa metáfora que eu gosto muito, que é o aplainamento da subjetividade. Como é que o positivismo ele reifica o mundo a partir plena, gente, não sei se vocês lembram aquele instrumento que tira lascas da madeira e torna a madeira cada vez mais fininha. É Mais ou menos isso que o o Rabon está dizendo. O positivismo,
ele aplana a subjetividade a ponto de sequer considerá-la como pressuposto, mas na verdade ele só pode partir da só pode afirmar, postular a positividade do mundo. Na o que que é positividade do mundo? Tem a negatividade do mundo também. Não tem nada a ver, gente. Por favor, pósito vem de pôere, do latim, que é por, né? Pósitum é posto. Então, positividade do Mundo é a dadidade do mundo, é o mundo diante de você, tá? Então, quando o positivismo pensa o mundo, ele pensa o mundo positivo, ou seja, o mundo que tá dado, tá bom? Nesse
sentido, tá bom? Então, quando quando a gente quando o positivista fala da positividade do mundo, esse, ou seja, desse mundo dado, diz o, ele esquece que ele parte da positividade de uma subjetividade aplainada a tal ponto que ela foi simplesmente esquecida. Mas essa Subjetividade que está por detrás do positivismo e de sua positividade, positivação do mundo ou reificação do mundo, não foi considerado como positivo. Olha aí, por isso que o positivismo ele, na verdade ele é ingênuo, né? Que a gente falou no início, um pouquinho antes, né? Cada época histórica tem lá suas ingenuidades, né?
Como diz o Han. E a gente radicalizou. Eh, é ingênuo, Newton. Não eh achar que se parte também de ingenuidades. Nós temos lá as nossas ingenuidades, Paulo, né? O Paulo tá ali pensando, mas poxa, eu não, eu não tenho ingenuidade nenhuma, eu tenho só aí daqui a 100 anos, Paulo, alguém vai ler o teu texto, vai falar: "Paulo, ó, olha da onde é que partiu Paulo". Entendeu? Porque nenhum princípio resiste a pesquisa histórica. Então, seres históricos devem ter pensamentos Históricos, né? Que que diz isso? É o epicármio. Epicármio diz: "Seres históricos devem ter pensamentos históricos".
É mais ou menos esse a a a tese, né? A gente a gente é histórico, a gente é história, a gente tá na história. Então, os nossos pensamentos são também históricos. Então, qual é a crítica que a gente faz aos modernos em geral? uma preservação da subjetividade, Um aplanamento da subjetividade também na reflexão de vários autores. Não importa muito se essa subjetividade é substancial como era em Decart. Vocês lembram de Decart, Gabriel? Penso logo existo. Você nunca perguntou, Gabriele? Penso quem, cara pálida? O Descart responderia o eu. Eu penso logo: "Eu existo, CG ergos", né?
Ego cogito, ergosum, eu penso logo eu existo. Mas quem é esse ego Decart? O o Decart responderia: "É o eu." Ou Seja, o Descart parte da pressuposição de que o eu é como é essa garrafa, como é essa mesa, como é esse computador que eu tenho diante de mim. Ele da reificação do mundo. Esse eu para Decart é substantivo. Ele mesmo diz, é res. L de novo. R. Que que é res? Nerbal. Coisa res. Eh, eh, cogitans. Cogitans para decar. Que que é res? Cogitans. Narbal. Coisa pensante. Olha que interessante, ô Nilton. Coisa pensante. O
eu é coisa pensante. Mas o que é mais interessante perceber nessa fala do Decart é que o eu para ele é coisa, é algo, é substância. Por isso que eu falei, é uma concepção de subjetividade substantiva. A própria palavra substantiva, substância, foi ela mesma substantivada. Não sei se vocês percebem isso, né? subestarela, que tá embaixo de. Então eu afirmo aqui, olha a garrafa aqui, mas por det garrafa tem alguma coisa que Perdura, né? É o hipocai dos gregos, alguma coisa embaixo de. Aí eu pego esse essa essa essa metáfora substância. Imagina um falante nativo do
latim ouvindo pela primeira vez substância, substância, substância com escreve com T, né? Substância sub. Ele fala: "O que tá embaixo dele? O que que ele quer dizer com isso? Está embaixo de. Fica procurando que é o está embaixo de. E aí a palavra aos poucos com o uso, ela foi deixando, perdendo, não é, a sua força Imprópria própria da da da metáfora, que a metáfora tem essa esse caráter eh eh eh impróprio de Zunite, né? Quando você usa uma metáfora, o falante daquela língua, ele ouve com uma certa um certo cuidado, uma certa tensão maior,
né? É o é a é a porriquer diz que é a força tensional tensional da metáforação. Metáfora, tá? Força tensional da met. A metáfora produz uma tensão. Aí pela Primeira vez eu falo antes de de latim ouço a palavra substância, eu percebo que tem uma tensão ali, tem um caráter impróprio. Não é exatamente isso? literalmente que é o falante que tá conversando comigo quer dizer com essa palavra. Aí eu vou para um outro lugar e a partir desse outro lugar da tensão própria da metáfora, eu substantivo a substância. É mais ou menos isso que foi
feito com o ego, a própria noção de subjectum. Olha aí, olha aí, Paulo, que interessante. Subjectum, né? É outro exemplo, jactare do latim da palavra ejaculação, né? Jacare é lançar ala jacta subjecta o que tá lançado embaixo de. Então por baixo da Gabriele existe um uma coisa que está lançada também, um teor similar à substância. Só que no caso da Gabriele é uma é um subjectum ou um sujeito, como vai eh eh aparecer na língua portuguesa, sujeito ou Subjetividade. Alguma coisa está lançada por detrás do Paulo, do Rafael e assim por diante. Essa coisa lançada
é uma coisa para os modernos, tá? Para Decart em Kant. O Kant reconhece isso, né, Newton? Vai enfrentar esse problema e vai propor a noção de subjetividade transcendental. é o sujeito transcendental. NBA, o que que isso tem a ver com hubers? A gente tá chegando lá, gente. Só tô apresentando aqui um um capítulo Importante da história do pensamento. A modernidade, o sujeito transcendental para para Kant, Newton, eu sofri muito para entender esse trem. Eu sofri muito. Uma vez a gente tava no congresso, eu era cantiano, como Newton falou, né? Eu tava no num congresso da
200 anos da metafísica dos costumes, foi lá no Rio de Janeiro. Inclusive eu recebi o professor Paul e Paul Hamp na da Universidade de Munique na minha casa em Copacabana. Morava em Copacabana no Rio, Né? Um debate interessantíssimo, Nilton, você iria adorar. E aí eu virei pro professor Guido Almeida, né? Falei: "Prof Guido, pelo amor de Deus, me explica o que que é um sujeito transcendental." E ele explicou daquele jeito maravilhoso, só que eu continuei não entendendo o que que é o tal do sujeito transcendental, viu? Eu não sei se você eh eh consegue explicar
isso pros alunos. Provavelmente você consegue Explicar melhor do que eu, mas eu sei que eu sofri muito para entender o que que é o sujeito transcendental. E é muito fácil, Paulo, quando a gente lê o Lacan, eu fui entender o que que é o sujeito transcendental quando eu fui ler Lacan, por incrível que pareça, o Lacan diz assim: "Olha que coisa mais fácil". Como é que ele explica de forma fácil, Gabriele? Presta atenção. Uma cadê? Uma sequência numérica, ela precisa começar no zero. Sim ou não? Porque se ela começa no um, imagina uma sequência numérica,
começa no um, o então passa a ser zero e o dois depois desse um passa a ser um. O três passa a ser dois, o quatro passa a ser três e assim sucessivamente. Porque começou no um. Vê se isso faz sentido. É como a gente conta, por exemplo, os séculos, né? Século é 200 e pouco, não é? século eh eh não é 300 e pouco, 300 já é século não é verdade porque o ano zero já é século um vê se isso faz sentido. Faz Sentido para vocês? Então qualquer sequência numérica, ela precisa começar no
zero para que o um seja um, para que o dois seja dois, para que o trê seja três, para que 1000 seja 1000. Caso contrário, você sempre precisaria voltar a uma casa, exatamente como a gente faz. A gente tá no ano de século XX. dá um salto para frente, né? Século XX. Muito bem, porque lá atrás a gente começou pelo um. É mais ou menos esse o o raciocínio, essa analogia. Então, uma sequência que começa no zero significa dizer que ela depende dessa nadidade postulada, desse vazio do zero, que é algo bastante abstrato, para começar
a contar, sim ou não? É exatamente isso que é o sujeito transcendental cantiano. É um vazio, é um nada. é uma pura forma. Não tem nada ali. Não tem nada que pode se afirmar. Não existe um penso logo existo. Não existe nada de não existe um estatuto ontológico Ou ônico desse eu tracante, tá? O sujeito é, ou melhor, é uma consciência transcendental, tá? Ela é pura forma, vamos dizer assim, não tem nenhum nenhum preenchimento, né, Milton? não tem nenhum conteúdo. E a partir daí o o Kant deu um salto extraordinário, mas ele continuou pensando a
partir de uma subjetividade, ainda que seja uma subjetividade transcendental. Vê se isso faz sentido. Ou seja, o que eu tô dizendo é o Seguinte. Vê se isso faz sentido, gente. Ó, não basta criticar a subjetividade para não pressupô-la. Esse faz sentido, Gabriele. Ainda que o Kant tenha criticado a subjetividade substancial de Decar, que ele o fez muito bem, é um salto extraordinário, ainda assim ele parte de uma subjetividade, ainda que seja uma subjetividade transcendental. Essa subjetividade transcendental, por exemplo, tem liberdade, né, que é o fundamento da moralidade. A liberdade para Cant é uma causa numênica.
Olha aí, ó. não é fenômeno, não é mais fenômeno, não é, não tá na sequência natural, uma causa numênica, ou seja, que causa a si mesmo, ela se determina a si mesmo, né? E ele precisa do conceito de subjetividade transcendental para sustentar todo o seu edifício. E da liberdade você implica a dignidade Da pessoa humana, diga-se de passagem, viu, gente? Ela vem daí. Eu não vou explicar isso agora. O Newton pode explicar muito melhor do que eu, mas em cante há a pressuposição de uma subjetividade, ainda que ela seja eh transcendental. Subjetividade, gente, é pseudolaicização
da alma religiosa. Por que que eu digo isso, gente? Porque lá atrás você tem um discurso medievo religioso que partia dessa pressuposição de que a gente tem Essa dualidade em nós. Todos vocês conhecem isso. Essa dualidade vai reaparecer em vários momentos. O corpo alma, esse debate corpo alma, etc. E tá em rimão tá nos modernos de uma forma geral. O o é um forte crítico da reificação da subjetividade. Ele critica isso com todas as forças, né? Ele fala disso várias vezes, né? No próprio discurso filosófico da modernidade que eu apresentei aqui para vocês, ele aponta
Essa essa problemática, né? Mas e eu tô terminando, Nton, prometo. Mas quando a gente pensa, Newton, uma situação ideal de fala e pensa o Newton proferindo o seu discurso não coagido para Gabriele, que também profere os seus discursos, ouve, profere seus discursos também de forma não coagida. Ou seja, há entre Nildo e Gabriele um quadro de simetria? Paulo, você, em certa medida preserva a subjetividade enquanto um falante e um ouvinte. Vê se isso faz sentido. Vocês entenderam ou não? Mais interessante seria pensar com o Foucault a pressuposição da assimetria do que pressupor a simetria. Vê
se isso faz sentido. supor que a ausência da assimetria entre Newton e Gabriele é sempre só aparente. Porque se eu parto desse pressuposto, o que que eu tentaria fazer? Eu prestaria mais atenção em todos os elementos de distorção da linguagem, de coersão, que não estão dados, que a gente não percebe. A Gabriele, por exemplo, por ser ainda muito jovem, tá ainda estudando, ela pode se sentir constrangida quando o Nilton fala. Eu falo isso pro pro próprio Rabberm, né? O o Raberm, por exemplo, se tivesse aqui, Né, e falasse alguma coisa, eu provavelmente concordaria com ele,
me contestasse, né? Eu provavelmente concordaria com ele, Nilton, por causa da força moral do autor. Eu li os livros do Eu sou encantado pel Aí o Rab vem aqui na bão. Não é assim, pá. Eu ia falar: "Poxa, não, o senhor tem razão. Entre mim e o Rab existe uma uma assimetria dada. É isso que eu tô falando aqui. Não há igualdade entre falante e ouvinte pressup, não pode, não Se pode pressupor igualdade entre falante e ouvinte. na verdade ser resultado de uma idealização. Não, mas é só uma ide uma situação ideal de fala, é
só um norte verdadeiro. É verdade. Mas as idealizações elas também são culturais, elas também expressam as nossas preferências. Quando a gente idealiza alguma, imagina um índio na Amazônia idealizando alguma coisa, ele vai idealizar ser um caçador como pai ou não sei o quê. A índiazinha vai Idealizar ser uma uma pajé como avó, conhecer as coisas. Ou seja, cada um de nós idealiza a partir do seu lugar, a partir também, Gabriele, dos nossos pressupostos. Sobre isso, gente, eu acho extraordinária a crítica que o Buran faz à esfera pública rabermazinho. Não sei se vocês conhecem. Eu até
separei aqui, Milton, não sei se vale a pena ler. Acho que vale, não Vale. Eu acho que não tem tempo. Você ou você prefere ler depois com os alunos. Mas eu acho extraordinário, é uma atualização, e eu acho que essa é uma atualização que o próprio Rmas concordaria, porque o Rabber pensou a esfera pública, a democracia deliberativa antes daquilo que a gente eh conhece como digitalização da vida. a digitalização da vida que nós hoje vivemos, né, ou se vocês preferirem, a Algoritmização, ela coloca esse quadro de situação ideal de fala, né, eh, numa situação muito
precária, muito ingênua, muito ingênua, porque a Gabriele, ela não fala a partir de si, mas ela fala a partir da sua bolha. Essa que é a questão, né? Por detrás do processo de algoritmização. Normal, o que que é algoritmização? algoritmização É a adaptação do sistema ao usuário do sistema, mas é uma adaptação tão precisa por causa do profiling. Então Paulo tá lá digitando alguma coisa, acessa alguma coisa, mostra interesse em alguma coisa, aquilo ali municia o sistema com informação a respeito do Paulo e o próprio sistema se adapta ao Paulo permanentemente. O Ingrahan chama isso
de retórica algorítmica. E a retórica é muito persuasiva a ponto do Paulo ficar cada vez mais entretido com o próprio Sistema. É o infoentretenimento. Não sei se vocês já ouviram falar no no scrolling addict, né? As pessoas são viciadas em scrolling. Scrolling é você pegar a tela do do celular, seu tablet e ficar assim, né? passando as coisas, passando os vídeos, vídeo no no Instagram, no no TikTok, no YouTube, passando vídeo vídeo, você fica só municiando o sistema cada vez mais com mais informação a respeito dos seus próprios interesses e o sistema cada vez Mais
se adapta a você e você vai sendo eh eh absorvido por uma bolha. Nós hoje vivemos bolhas e essas bolhas são narcísicas, Newton. E essas bolhas narcísicas, elas funcionam como uma espécie de câncer para toda possibilidade de esfera pública. Vê se isso faz sentido. Obrigado, Ricardo. Eu bato palma para você também, Ricardo. Obrigado. Mas vocês entenderam qual é qual é qual é a questão? Ou seja, e aí eu eu eu lembro Do do Gaden, acho que o Gadman foi muito feliz quando ele diz assim: "Olha, olha que interessante, Nilton, não somos nós que falamos, é
a linguagem que fala em nós." Essa é uma superação da filosofia da consciência, da filosofia da subjetividade, não é? Porque eu reconheço que quando eu decido, e o próprio o próprio eh Ran fala disso, existem elementos que me precedem, discursivos, elementos Discursivos que me precedem, que decidem por mim. Vê se isso faz sentido. Ou seja, a liberdade não é um pressuposto, a liberdade é um problema. Da mesma forma que é um problema, a noção de simetria. Eu não tenho garantia de simetria. O o Foucault diz que a ausência de violência é aparente. Eu digo, ausência
de assimetria é aparente. A gente pode estar o tempo todo lidando com manipulação e comunicação Distorcida. Por isso que eu propus discutir, Milton, esse debate a a partir da do papel da retórica. É uma pena, eu sinto uma pena enorme, Ricardo, eh eh Ricardo tá aparecendo para mim aqui agora, eh a forma como Rab tratou a retórica, né? Ele abandonou a retórica muito rápido, né? Mas é a retórica que nos habilita a não só elaborar discursos persuasivos, mas também contestá-los. O Aristóteles ensina que se é legítimo Se defender com a força dos braços, né, ou
das armas, mais legítimo ainda é defender-se com a força das palavras. Ou seja, a retórica é uma arte marcial, vamos dizer assim. Então, a Gabriele, quando ela tá sendo eh manipulada, ela tá num processo de comunicação assimétrica com o Nton, com o Ricardo ou com o Paulo, né? Ela, por conhecer retórica, ela é capaz mais facilmente de se defender, de apontar essas simetrias, né, essas ideologias, essas escolhas no Discurso. O que caracteriza eh a distorção de uma comunicação, o caráter ideológico de um discurso é que ele implicita escolhas. Vê se isso faz sentido falando. Então
eu apresento um discurso aqui que sequer objetivo, simétrico e eh eh natural. Falo eh eh mas as coisas são assim. Vocês viram aí esse esse caso horroroso, né, da do do coronel da PM que matou a esposa, foi presa. Aí descobriram no WhatsApp dele, Newton, eh ele falando o eu sou um macho Alfa. Macho alfa é assim que trata a esposa. A esposa tem que ser submissa. Esse tipo de discurso é um discurso que se naturaliza, ele vai sendo naturalizado por uma bolha. Essa bolha, né, que é como eu falei um pouquinho antes, o Han
fala na verdade, que vai eh servindo como um câncer na esfera pública, percebe, Paulo? E e não há mais, gente, como a gente salvar isso, a não ser reconhecer. Como é que você cura um câncer Desconsiderando câncer? Não, você vai no médico, o médico vai fal: "Você tá com câncer, que que eu vou, o que que eu tenho que fazer, doutor? Eu tenho que fazer isso, tenho que fazer aquilo, tenho que tomar um remédio tal, tenho que fazer lá e eh eh eh como é que se fala? Eh, esqueci o nome, né? O que a
pessoa com câncer faz, né? Que fica, toma química, né? Ah, o Emanuel corriguoterapia, >> radioterapia, quimioterapia. E o o Emanuel colocou aí no chat que é o é o parágrafo s mesmo. É famoso esse parágrafo 7. É, é isso mesmo. É, olha, ainda é mais forte do que eu, né? Não só desqualificar quem discorda, né? Mas considerá-lo estúpido e anormal. Eu nunca consideraria a Gabriele eh estúpida, nem anormal, viu, Gabriele? Pelo amor de Deus. Eu só coloquei ali o recalço e trante. O o a questão central é que você desqualifica aquele que Discorda e elitiza
aqueles que concordam contigo. Isso acontece muito na política hoje em dia, uma política polarizada, né? O adversário político, né? Ele é um inimigo mesmo. Ele é um hostis humane generes, né? Que eu falei um pouquinho antes, inspirado no no Smith, né? É basicamente isso. Então esse quadro quando a gente reconhece que você que a gente tá doente, a gente toma as medidas, né, Nilton, para tentar se curar. Vou abandonar o hábit, vou Abandonar a noção de esfera pública. Não, a gente tá pensando a partir de rá, mas a partir de um de um processo que
nos é comum hoje e que não era comum na época de R. R pensou a partir do advento da televisão, a gente tá pensando a partir da algoritmização, né? Que é isso, é adaptação permanente do sistema. Gente, sobre isso eu não vou ler porque eu vou tomar muito tempo de vocês, mas eu sugiro você compartilhar a tela aqui muito rapidamente, tá, Newton? Só para mostrar pra turma isso aqui, ó. Ó, >> fica à vontade. >> O livro é >> PDF. É. Ah, mas assim, é é um livro. É um livro mesmo. >> Ah, tá pronto.
Ótimo. Assim dá certo. >> O livro é >> livro é o livro é a invocracia, tá? É o convite que eu falo para que vocês leiam a infocracia do Guurhanan, tá bom? Em seu ensaio, a inteligência coletiva, o Teórico das mídias, Pierre Levi, imagina uma democracia digital mais direta do que a democracia direta. Aquela deve tornar fluida a democracia representativa, endurecida, com mais comunicação, com feedback constante. Imagina essa situação. Dá a impressão que é bom, mas na verdade não é bom. Gente, assemelha-se ao conceito de feedback, feedback líquido, um software que fora introduzido no âmbito
da perda do significado do partido pirata nesse Intering para formação de opinião e tomada de decisão. A democracia em tempo real, imagina a gente poder criar isso, né? na democracia em tempo real é o que a turma chama de eh fórum digital ou agora virtual, alguma coisa assim. A democracia em tempo real cria um tempo de decisão e avaliação continuada, em certa medida tá por aí, né? Na qual um coletivo responsável sabe que no futuro será confrontado com as Consequências de suas decisões atuais. No lugar da representação que cria distância, surge a presença da participação
imediata. O grande problema, gente, entendam isso. O grande problema da democracia atual é a mediação. Democracia deliberativa é uma democracia mediada pelo debate racional. No contexto de digitalização, de algoritmização, há uma espécie de desprezo pela mediação. Toda forma de mediação não é mais tolerada. Se vocês, se vocês lembrar, se vocês lembram do Ortegé lá no Rebelião das Massas, que que ele, que que ele diz lá? A massa não tolera a mediação. Olha que interessante, ela não tolera o intervalo entre o seu desejo e a sua satisfação. E exatamente isso que faz a mediação. Imagina aqui
eu, não é, querendo alguma coisa e tendo que debater com o Newton para conseguir o que eu quero. Se eu Posso impor ao Nil, se eu posso atropelar o Nil, se eu posso desconsiderá-lo, se eu posso considerá-lo, como a o Emanuel lembrou aqui, né, um estúpo. Claro que não é, né, Newton um gênio. Mas imagina se eu pudesse fazer isso. Para mim é muito mais tranquilo, né? Então, a gente vive um contexto de, primeiro pandemia do self, de narcisificação, porque essa bolha que envolve o Paulo é a bolha que espelha o Paulo. A bolha que
o Paulo tá Imerso não é a bolha que o Narbal tá imerso, né? já que o o o algoritmo ele se adapta ao Paulo diferentemente de como ele se adapta ao Narbal, porque eu me interesso por viagens pro Ceará e o Paulo se interessa por viagem pro Rio Grande do Sul. E aí o o o o o esse esse esse marketing ele se torna individual a ponto de surgir um microtargeting. Ou seja, o Paulo ele recebe na sua, nos seus acessos a às mídias digitais em Geral informações que confirmam, que ratificam as suas teses, a
sua concepção de mundo, a visão que ele tem dele mesmo. Porque o processo infocrático, essa infocracia, viu, gente, como a democracia eh digital eh se degenera emocracia, ou seja, poder da informação, né, ela ela ela ela ela ela se configura nessas na formação de bolhas, nesse narcisismo e nessa imediatez. Tudo está disponível a partir de um clique. Basta um clique que você consegue, que você vai almoçar. Basta um clique, você consegue alguém para namorar. Basta um clique, você vai comprar uma viagem. Basta um clique, você faz tudo. Tudo tá à distância de um clique, como
diz o o o Buran. E e nessas bolhas, né, que não toleram mais mediações, né? há uma um apego crescente, né, às mesm Mesmidades. Eu lembro que o o Emanuel escreveu um artigo comigo sobre isso, né? O Freud ele caracteriza o narcisismo como um autoerotismo. Existe uma um elemento no cérebro, não sei se vocês sabiam disso, que produz dopamina a partir do momento que você acessa esses dispositivos digitais. Sabiam disso? Então, a gente, na verdade, todos nós estamos viciados. É uma espécie de vício coletivo. É uma epidemia do self, é uma epidemia do Narcisismo, é
uma epidemia da da da um vício, né, em telas, né? Inclusive, crianças muito pequenas já são ensinadas a usarem o celular. O pai, a mãe dão lá o celular pra criança, pra criança ficar lá, para não ficar enchendo o saco. Imagina que que aquilo ali não causa na criança na idade adulta. a gente ainda não não tem as consequências disso. Deixa eu só ler mais um pouquinho. A cabo, gente. A democracia em tempo real, sonhada nos no nos inícios da Digitalização, lembrando que digitalização é correlata a uma algoritmização. E a algoritmização é correlata, por sua
vez, de uma adaptação permanente do sistema ao que eu prefiro, as minhas preferências, tá? impondo uma leitura de mundo de mim mesmo que parte da prerrogativa daquilo que eu prefiro em relação ao que prefere o outro. Por isso que há uma expulsão do outro, uma uma Desqualificação do outro e assim por diante. Como democracia do futuro se mostra como uma ilusão completa. Por tem razão, é isso que a gente tá falando aqui. Em chames digitais não forma um coletivo responsável que age politicamente. Os followers, os seguidores, na condição de novos súditos das mídias sociais, deixam
se adestrar em gado de consumo por smart influencers, influenciadores inteligentes. ficam despolitizados. Por Que que eles estão despolitizados, Gabriele? Porque eles são incapazes de pensar, gente, a coexistência pacífica, né, com o outro sujeito. Todos nós passamos a ser a pensar do mesmo jeito. E se você pensa de outro jeito, você tá no outra bolha. Você é hostis humano géneris, né? Você é um um ser eh eh hostil ao gênero humano. Você é uma espécie de pirata, você é uma espécie de genocida, você é uma espécie de de Criminoso da humanidade, né? Porque você ousou pensar
diferente. Eu não dialogo com meu inimigo, eu não dialogo com pirata, né, com genocida. A comunicação dirigida pelos algoritmos nas mídias sociais não é nem livre nem democrática. Leva a uma nova interdição. O smartphone é uma coisa completamente diferente do parlamento móbil. É um aparato de submissão. Acelera a fragmentação e o desmoronamento da esfera pública. Isso que eu queria mostrar para vocês. Ao Enquanto vitrine móbil, né? eh difundir o privado incessantemente. Você, na verdade, eh não só parte da prerrogativa do privado sobre o público, como privado, ele se inscreve como público. Então, se eu tenho
uma religião X, essa religião é expressão da verdade. Naal, de que você tá falando? Eu tô falando de uma forma nova de fascismo social, como Boaventura pensou, né? Só que é um fascismo neopentecostal, porque eu tenho uma religião X. Veja, não tenho nada Contra, gente. Quem tem crença, acho maravilhoso. Parabéns para você. Nada contra. Mas o problema é você ter uma crença e querer com isso, por causa da algoritmização, impô-la ao mundo. Significa dizer impor institucionalmente ao mundo. Ou seja, a gente tá caminhando, por incrível que pareça, que parece um negócio meio exagerado, para uma
espécie de de teocracia similar lá do Irã. Só que é fundamentalista, fundamentalista Cristão, cristã, né? Eh, eh eh cria mais propriamente zumbis de consumo e comunicação como cidadãos eh emancipados. Por isso que eu falei antes, Newton, eh, da gente tentar superar a subjetividade. Essa subjetividade pensante, eh, seja transcendental, seja substancial, tanto faz que supostamente argumenta parte de si na democracia deliberativa, ela não Existe mais. O teu adversário político, ele não ouve as tuas razões para sustentar X ou Y. Não existe argumentação. E aí tem um quadro eh que me lembra muito do Bailey. Eh eh
Nilton, Newton vai lembrar disso. Quando o Bailey diz: "Se eu tenho a verdade, as minhas violências são boas. Como eu tô mergulhado na minha bolha, né, e cada vez mais ouvindo, né, discursos que concordam comigo, porque o algoritmo tá Sempre eh eh se adaptando, né, então tá cada vez mais me mostrando exclusivamente aquilo que me é próprio nesse processo narcissificante, né, nessa pandemia do self. O que que acontece? Há um processo, uma das técnicas retóricas mais poderosas desde Aristóteles, desde os antigos, que é a repetição. O Ran diz: "Só a repetição chega aos corações, diz
o Han." Mas o Adolf Aldol Hooksley lá no Admirável Mundo Novo, ele Dizia, eh, verdade é o que se repete 77 vezes. Você lembra disso, Mil? Verdade. É o que se repete 77 vezes. Pois bem, os algoritmos eles conseguem repetir bilhões de vezes determinadas coisas. Bilhões de vezes. Significa dizer que nós não temos mais mais acesso, gente, a um mundo, como o Newton falou um pouco antes, né? É como ele é ou como ele deveria ser, mas como o mundo é espelhado pela minha bolha. E se o mundo é assim para mim, essa é a
Verdade. A violência que eu exerço contra aqueles que pertencem a bolhas diferentes contra o outro, né, em sua outridade, é uma violência boa. Eu vou lá e mato quem vota em outro candidato. Eu vou lá e mato a mulher porque é a mulher. Eu vou lá e mato o travesti, eu vou lá e Ou seja, é um quadro de fascismo social. O fasismo social, não sei se vocês lembram disso, do conceito do lado do Boaventura, muito interessante, é a preservação do estado De natureza no estado político, tá? É pós um quadro de política, ou seja,
de contrato social para quase todo mundo, mas para algumas pessoas você preserva aquele estado de natureza de guerra todos contra todos. Então existem vários tipos de fascismo social e esse fascismo social ele passa agora a se tornar regra, né? uma violência generalizada, uma violência fascista mesmo. Por que que a violência se instaura entre nós no campo da política e diminui a mediação, A deliberação, a argumentação, né? Porque eu supostamente detenho a verdade. Eu vou eu vou parar aqui porque vou só eh convidar vocês para lerem o texto do Han e vou caminhar para para minha
pro meu eh eh fechamento. Eh eh só agradecendo ao Nilton, viu, Nilton? Prazer táar aqui. Adorei bater papo com vocês. Eu espero que tenha contribuído de alguma forma para reflexão. E a gente pensa tudo isso a partir do Rberman, não é contra o Rbermas, é com o RERMAS e a Partir de Rabberman. Obrigado, gente. Foi um prazer. >> Maravilha, professor Nabal, Magna conferência, né? Eu eu acho que a gente tem que fazer mais momentos desses. Eu tava conversando com o professor Pablo, o nosso coordenador do do programa, né, do direito. A gente tem que interagir,
né, os grupos de pesquisa, os professores. Quer dizer, eh, Narbal é um patrimônio vivo aqui da UFPB, um dos professores mais prestigiados Aqui na filosofia do Nordeste, também do Brasil, professor da sociedade retórica, né, brasileira. Então a gente tem que valorizar a prata da casa primeiramente, né, e buscar esses diálogos, né, que são extremamente complementares. Vai discutir muito com Marbal, já brigou demais, viu? Não pense que a gente é aqui amiguinho não, que a briga já foi grande aqui dos grupos, ó. Tá com o Ricardo tá entrando agora, tá vendo só aspecto bom. Ah, pass
não sabe lá atrás Não, meu amigo. A discussão aqui é grande. >> Tem o olho roxo até hoje. Eu também. Nabal é um é um retórico democrático, inclusivo, né? Como você muito bem disse aí, o pensamento pós-mfísico, que é um pensamento complexo, ele tem várias nuances, né? A gente, por exemplo, ah, cantianamente você critica a metafísica Tomista, a metafísica aristotélica, né? Mas o abermas, por exemplo, ele nos fez ver que tem que dar um passo além, né? A ideia do próprio mundo da vida, né? Como ele tá estruturado, ele já tem objetos metafísicos, né? Quando
eu defino essa realidade, como você muito bem colocou, Narbal, né? É o realismo ingênuo, como se diz na filosofia analítica, né? E o Kant também ele buscou influenciar o pensamento, eh, crítica, metafísica a Partir dessa ideia de que, como você muito bem colocou, são as nossas categorias mentais e a transcendentalidade do sujeito, que é exatamente essa capacidade que o sujeito tem de revelar, né, a partir de si os objetos, né? E aí entra um ponto de discordância, né? Eu não acredito ainda que a gente possa superar essa transcendentalidade, né? E aí vai um ponto bem
cantiano, porque sempre eu vou pôr algo de mim no Discurso, né? Seja eu como especialista, seja eu como leigo, né? E aí entra, e aí eu concordo mais com a ideia da assimetria. Eh, aí é Foucault, a realidade são jogos de poder. No fundo, o que a gente tá eh eh colocando aqui também são posições de poder. Ninguém aqui é ingênuo, né? E aí, por exemplo, um dos autores mais importantes que a gente tem para denunciar isso, além do Hobbs é aquilo que tá no grupo do Paulo, que a gente faz parte, que é o
CMIT, né? Você pode acusar o Cmit de muitas coisas, mas ele foi muito realista quando ele percebeu certos nichos de poder que estavam em jogo. E o Kelsen, por esse comprometimento com o positivismo, não quis ver, né? Ah, eu vou construir um direito puro baseado nas normas, na lógica. Não tem como, né? Direito e democracia do RPM em 92, né? é uma transferência dessa dialética da linguagem pro campo jurídico Definitivamente. Hã, a validade ela é social, Gotun, né? Não é só validade transcendental. Ela pode começar no meu ideal de liberdade, mas ela vai ter que
se confirmar no campo social e político. É inevitável. A legitimidade está sendo contestada, né, em intenção o tempo inteiro com essa realidade social, né? Porque por mais perfeito que seja o meu projeto do do direito, eu não posso negar o conflito, Né? Isso tá presente em Cant e tá presente também em Calmí. Eu já observei esse ponto em comum, né? Fiz até um artigo uma época aí nesse segundo volume da nossa trajetória aí sobre cantismo, né? já vai pro terceiro volume agora que é o desse seminário que é o cant estado de direito, o volume
coletivo, né? A ideia nar é a gente poder exatamente eh tem ou não o quadro racional prévio, né? Ou seja, partamos do pragmatismo ou do cantismo, né? Mas é que a gente Tem que valorizar a filosofia da linguagem. Gostei muito como você critica o Decarts, né? Olha só, Hcogitans, né? Ou seja, o próprio pensamento é dado como uma coisa, né, como se não houvesse constituição linguística na própria colocação dessa pergunta, né? Ora, será que o Decast não sabia que ele estava tirando essa própria estrutura de indagação do mundo circundante, né? Ou ele pensava que essa
pergunta caiu do Céu como uma vestal, como uma ideia platônica que não foi nunca contaminada? Não existe isso. Nem Platão disse isso, né? Porque até Platão vai dizer o quê? As ideias estão em nossa mente, elas participam do mundo numênico, mas elas estão turbadas pelos nossos sentidos, né? Ou seja, a tradição filosófica vai se debater com essa questão aí, né? Eu participei do mundo ideal, mas eu tô aqui nesse emaranhado de eh sensações, né, e de linguagem. Daí a dialética que A gente vai ter que libertar essas sombras e voltar pro mundo ideal. Beleza? Mas
ainda que não haja esse mundo ideal platônico, mas ele reconhece o conflito, ele reconhece a dialética. E aí, para mim a grandeza do Platão está na dialética, né? E aí a gente se aproxima de novo da retórica, sem dúvida. Claro que aí eu vou mediar com a questão se o discurso é racional ou não, mas o próprio termo razão também no ocidente, o logos é complexo, não é? Você falou exatamente daia, né? substância, a substância do sujeito. O gadame mostra, por exemplo, que quando a gente fala de substância, a gente tá falando da antiga eh
reapropriação que os gregos fizeram do cinto original de I significa propriedade mesmo de alguma coisa, não é? A gente transfere isso do material histórico para o metafísico, né? Então, de repente, ser proprietário não é mais só ter uma terrinha, enterrar os mortos, como nas antigas tradições Mediterrâneas. Agora é ser um sujeito metafísico, né? Agora eu sou um portador e o cristianismo vai entronizar isso porque agora eu sou uma, né, portador de uma dignidade universal e atemporal. Eu sou filho de Deus. Então essa ideia, né, do cristianismo de trazer Deus perto do homem também fez com
que o homem se divinizasse, né, fosse transferido para essa instância metafísica de uma eternidade que agora vai exatamente ter um lugar no mundo que Passa a ser eh, digamos assim, de certa forma inquestionável ou que se julga melhor do que o outro. Tem esse aspecto também no cristianismo. Eu vou poder julgar as culturas como se eu tivesse de um ponto de vista, né, eh, objetivo ou inalcançável, inatacável, né? A verdade vos libertará, né? Mas essa verdade, de quem é essa verdade, né? Qual foi o o sujeito que assegura, né? Assegurou essa verdade como algo inatacável?
É a revelação, né? Quer dizer, aquela naquele nosso curso sobre metafísica vai entrar muito isso, né? Quer dizer, quando a modernidade lá sisa esse sujeito, é que eu peço, né, desculpas para não entrar mais nesse aspecto teológico, porque toda vez que eu entro na teologia eu volto para essa autocertificação. Ah, mas eu sou filho de Deus, você não é, né? E aí com a sociedade de massas do Gacé, outro ponto crucial, sua construção foi hoje você realmente se superou, sinceramente, né? A ideia do Gacet da não mediação. Por que que o Gacet tá dizendo? Olha,
eu não quero mais os técnicos, eu não quero mais os experts, eu não quero mais os professores, a opinião é minha, o mundo é meu, eu tô no meu mundo da vida, né? E aí paradoxalmente, como ele mostra, cada homem é você e a sua circunstância. Então, para que dá que eu vou ficar aqui fazendo mediação, né, com esses caras que são estranhos da minha problemática existencial. Aí que tá o ponte, não é? A Perspectiva de uma relação crítica com a metafísica, ela vai se dar agora com a academia. Volta lá para São Tomé também,
viu Paulo? Contra acadêmicos, né? Porque de certa forma a revelação ela transforma você num portador de verdades, né? Isso é muito perigoso. Agora vejo que eu não quero também aqui e aí eu dou um pho aqui, ó, John Halls. Nós temos que respeitar as pessoas, né? Nós temos que respeitar as pessoas como centros autônomos e a capacidade de Crença. Se a investigação do Paulo tem pressupostos religiosos, eu não vou minimizar isso. Eu não vou desqualificar esse discurso, não é? Eu tenho que aprender a conviver com esses discursos plurais, não é? Porque a pós metafísica, pelo
menos na visão do Hall, se o termo é muito amplo, como eu já disse antes, ela significa exatamente a e a tolerância, né, de um pluralismo razoável, que embora parta desse quadro racional Cantiano, mas estrutura dentro de um racionamento público que requer a capacidade de entender o outro. Hã, eu só posso tentar começar a convençar e convencer você de algo se eu não entender primeiro o seu argumento. A gente nem entende o outro ainda, né? A a capacidade que a gente tem hoje de ouvir é mínima, né? E eu não tô falando aqui só com
os alunos de ouvir gente professor, não. Tô falando de escutar a tradição, né? Ir pro interior e Conversar com as pessoas assim, saber as histórias locais, como o Heideger fazia, como o Maquiavel fazia, né? conhecer o indivíduo na sua circunstancialidade, escutar as pessoas, né? Hoje em dia, cada vez mais os jovens estão entrando por esse caminho, né, da autertificação, né? É a minha fé, os meus amigos, o meu grupo, né? Aí vem toda essa estrutura aí de pensamento, eh, que é totalmente atomizada, né? Cada um cria sua própria metafísica, né? Teve até uma Pesquisadora agora
que ela fez uma um um estudo dizendo o seguinte: "Olha, o realismo acabou, né? Porque na verdade é o seguinte, cada um criou sua metafísica e tá vivendo dela, né? Cada um vive na sua bolha, no seu mundo, né? Então como é que você pode falar de realidade, né? Que realidade é essa realmente? Só que a gente sabe que tem, né, uma fises, né, baseada numa, eh, estrutura de pensamento que é metafísica, mas que a gente entende Subjetivamente que ela tem uma certa validade cósmica, embora o A tenha mostrado também que isso varia de acordo
com eh certas eh inconstantes de tempo e espaço e a física quântica ainda mais, né? Não existe, na verdade, nada como partícula. Tudo é onda, né? É muito mais interessante a gente pensar na realidade como onda e como eh algo que está em constante transformação. Quando a gente olha aqui para esse espaço que a gente Tá tentando pelos nossos sentidos fixar alguma coisa no ponto, não é? Mas a gente já mudou, né? Eu já aprendi tanto aqui com o debate do Narbal, sou outra pessoa, digamos, percebe? É aquilo que o Herc diz: "Não posso banhar
duas vezes realmente no mesmo rio, não é? Tudo está fluindo, hã, tudo está em constante transformação. O devir é constante. A gente é que não percebe isso. E a metafísica tem essa função de nos fixar nesses pontos de consciência, né? Eu Invoco também o Espinosa, né? O Espinosa de toda a consciência é sempre má, né? Porque ela sempre fixa a gente num ponto, né? A gente não conhece as relações causais externas, né? tá sendo afetado por elas, mas não reconhece isso, né? Então eu não admito no meu orgulho aparente que eu não estou sendo afetado,
mas eu estou, né? E o pior é não admitir, né? Conhecimento é exatamente conhecer as causas que estão agindo sobre mim, né? Isso é razão pro Espinosa. Isso é muito interessante. >> Ô Nton, >> hã, pode falar. >> Deixa eu porque eu achei interessante o que você falou. Claro. >> Eh, você falou da física quântica, dessa verdade cósmica. Eu não sei, Nilton, eh, até que ponto e aí fica meio estranho para pra turma, porque afasta muita gente do senso comum, mas a a o Heidegger postulou o que a gente conhece como a morte do sujeito.
>> Isso. >> Sujeito morreu. Desculpa dar essa notícia para vocês, Rafael, mas o sujeito, a subjetividade morreu, né? E a a questão é que com a morte do sujeito há por consequência direta a morte do objeto. A gente aprendeu isso com Cant de novo. Não há sujeito sem objeto, nem objeto sem sujeito. Ética transcendental. >> Então se o sujeito morreu, como quis o Heidegger, o objeto morreu. Que que significa o objeto ter morrido? Significa dizer que na expressão do HK, o mundo the world well lost. O mundo tá bem perdido, a gente não tem mais
mundo. >> Exato. >> Ou seja, a contemporaneidade, mais precisamente, que a gente chama de pós-modernidade, ela pensa e a partir dessa discrença em metanarrativas. O mundo ou verdade cósmica seria uma narrativa para além das narrativas, né? E os autores pós-modernos, por exemplo, como Bodrear, num livro maravilhoso, simulacro simulação, ele vai apontar que a gente só tem simulacro. Isso é importante, Newton, pensar por quê? Ou seja, não tem mundo, gente. Não tem mundo. Isso é importante por quê? O o Nelson Goodman, lendo o Richard Hort, ele vai falar de um de um do Making power, ou
seja, o poder de fazer mundos. Sempre falo isso pros alunos. E eu lembro também do texto, >> esse texto é o chaman e a civilização. >> Eh, fato ficção, >> capacidade que você tem quanto chamã, fazer várias >> fazer e várias ordens simbólicas. Exatamente. É muito bom isso. >> Então eu crio um mundo, por exemplo, onde o branco é superior ao negro. Eu crio um mundo, por exemplo, onde o homem É superior à mulher. Eu crio o mundo, vivendo hoje o europeu superior. Tomada da cursos clan aí nos Estados Unidos, >> né? Pessoal ovacionando racistas.
notórios, enfáticos. É, exatamente. A gente voltou para uma era em que eu prefiro que eu eu prefiro morrer a deixar a minha narrativa morrer, né? Que a minha narrativa através do meu grupo sobreviva, né? Essa crença coletiva, ela tem que continuar, seja como for. >> Exatamente. Então, >> o voluntarismo absurdo, né? É nesse sentido, Nilton, que eu falo que que eh eu falo isso sempre, o Emanuel vai vai lembrar, Emanuel já me ouviu falando isso. O pragmatismo é destinal, porque num contexto de perda do mundo, ou seja, o mundo desapareceu, nos cabe agora criar mundos
mais inclusivos. Vê se isso faz sentido. Mundos onde não haja eh essa diferença entre branco e preto ou Não haja essa a diferença existe, eu sou branco, ele é preto, mas que não haja essa valorização, >> a inclusão do outro de >> a inclusão do Exatamente. A inclusão do outro do R. Exatamente essa ideia. O mundo em que o outro não seja expulso. A gente pode criar esse mundo, Paulo. Vê se isso faz sentido, porque o mundo é fruto de uma criação. A gente pode criar um mundo mais inclusivo, a gente pode criar um mundo
mais tolerante, né? Nesse Nesse último artigo que a gente escreveu aí, eh a simpatia é espontânea. Pessoas são simpáticas, pessoas não são simpa simpático, a Lara também é muito simpática, mas a simpatia é espontânea. A empatia, ou seja, a consideração que o outro também tem um self, né? Como diz o Freud, a empatia é resultado de uma educação. Então, a gente pode pensar um mundo onde as pessoas são educadas a serem mais empáticas uns com os outros, N? É isso que o H fala. Hor fala de uma cultura literária, né, que cria esse mundo onde
as pessoas estão mais falando de de razoabilidade, né? >> Razoabilidade, com certeza. >> Você tem uma razão que que quem é razoável olha pro outro, olha pras necessidades do outro. Quem só é racional só olha para si, não é? é o meu interesse, o meu cálculo, o meu projeto, né? Então, a perspectiva dessa transição que o RS fala e o Roch também é Fantástico todos os dois. Eh, eu concordo na B. Eu acho que o pragmatismo é uma saída interessante, embora eu digo, eu concordo com o Heideger também, o sujeito morreu, mas o ideal de
liberdade do Cantí em você buscar sair dessas amarras do mundo externo. Porque na verdade é o seguinte, se você tem um ideal de liberdade que é compatível com a ideia de humanidade na tradição cantiana, eu persigo os meus fins, mas sem destruir o Outro, embora possa haver conflito, que é o que ele chama de sociabilidade insociável, né? Ou seja, no projeto de estado eh cantiano e da forma como Rmas leva paraa democracia deliberativa a dialética entre a autonomia privada e a pública, entre o liberalismo e o republicanismo, dá pra gente tentar construir alguma coisa, percebe?
Dá pra gente preservar esse espaço público que é inevitável o conflito. Ninguém vai conseguir fazer e tem que ter, porque Nós temos valores diferentes, pré-compreensões diferentes, como diz o Rnas, né? Então não tem como não ter conflito. Humanamente é bom o conflito, mas tem que um conflito também limitado, né? Porque um conflito ilimitado, ele vai levar a essa volta aí para esses paradigmas de violência, de intolerância, que é o que a gente começa a ver hoje, né? Se v um presidente desse irresponsável como Donald Trump lança um ataque a uma população que ele julga Precisar
de libertação, tem aí o regime continua, né? Quer dizer, ele achava que ia derrubar o Irã da noite pro dia, né? Você pode ser crítico da teocracia, mas entenda, é o regime deles, é a cultura deles. Não é o Ocidente que tem que chegar lá e destruir tudo e achar isso aqui é o certo. O próprio Fouca, né? Eu penso agora esses dias, mas rapaz, o Foucault sempre nos pregando peça, né? A gente passou a vida criticando o Foucaultou O regime do Irã e agora nós estamos defendendo o Irã contra os estados. O F tao
certo. Ou seja, o Fulcão viu lá longe que, na verdade, a a forma de imposição do discurso ocidental é muito mais perniciosa do que você querer exatamente que as pessoas vivam da forma como elas têm a cultura. Não tô justificando aqui, inclusive como cantiano, qualquer tipo de limitação, liberdade, principalmente Das mulheres, né? Eu concordo muito com o Heiner Billanfeld, que é filosofia dos direitos humanos. Ele é um cantiano alemão que ele diz o seguinte: "Olha, não posso chegar impor a liberdade, nem impor a bondade, as pessoas são éticas ou são morais porque elas têm que
ter autonomia para o ser, né? Agora eu não posso admitir, né? É que o Ocidente chegue paraa mulher islâmica não seja livre". É um processo de autorreflexão. E você vê que antes disso aí, tudo que o Trump tá fazendo, tava vendo aí sim. Ele foi foi ajudar o regime do Zatolá porque ele fortaleceu a coesão interna nacionalista. Os protestos sumiram porque eles, claro, entre os Estados Unidos imperialistas e a nossa civilização, a gente prefere, né, pensar por conta própria, né? Mas você vê que tinha protestos contra a repressão feminina. Irança sempre foi uma sociedade que
teve universidades, grandes pensadores, grandes filósofos Para quem não sabe, né? É uma sociedade antiguíssima, né? A gente tá debatendo aqui a a pluralidade sem pensar nessas coisas concretas, né? Não vai ser o ocidente que vai chegar. É muito mais fácil irã ensinar muita mais coisa pra gente, como os araturas veio de lá do Niet, né? Os ooastrismos. Quer dizer, a gente tá enfrentando, entre aspas, uma sociedade que é mais antiga do que a nossa. Muito mais. Quer dizer, é é muita ingenuidade para, mas é uma ingenuidade Do mal, né? Arrogância mesmo, né? considerar aqui a
Cant fala das ideias hiperbólicas, né? Você se basear na ideia de Deus, alma e mundo são ideias perigosas. Porque, por exemplo, o Trump acha que pode dominar o mundo. Como se ele não conhece o mundo, hã, porque antes de dominar, tem que conhecer. Ele conhece o mundo para ele saber o que é essa dominação sobre o mundo, né? Você conhece a ideia de Deus para querer impor seu Deus aos outros? Que ideia Realmente é que você tem de Deus, né? E você tem conhecimento metafísico e religioso para ter certeza de que há uma outra vida,
há uma alma, né? Essa criação por excelência da metafísica ocidental, né? E que já atrapalhou muita gente, porque também é outra ideia, né? Que foi muito tiranizada ao longo dos séculos, foi usada para dominação política. A Inquisição tá aí para provar isso, né? Os debates teológicos, desqualificando pessoas porque não Tinham alma. Bartolomeo de las Casas, como o professor Tos mostra, né, na tese dele, né, o outro lá querendo dizer que não tinham alma, então podiam ser escravizados. E o Delascados vai mostrar, não, não é assim, não é diferente. Essas ideias metafísicas que o Kant desconstruiu,
né, são exatamente os pontos de estrangulamento da civilização, né? São ideias que são utilizadas contra o ser humano. Hã, a perspectiva importante de Você pensar em Rabas é essa ideia do neoilluminismo, né? O Ratman ficou conhecido como o defensor do Iluminismo. E claro, é bom falar dos críticos, né, como Peter Lerdik, que escreveu regras para o parque humano, né, num discurso a irmã 1999 na Alemanha, né, o chegou lá pros humanistas, disse o seguinte: "Olha, não tem como eh humanizar o ser humano. O ser humano é muito mais fácil você fazer, como Platão falou no
político, no sofista, criar como gado, Né? E a gente tá sendo criado como gado hoje e acabou não tem humanidade, né? Aí o Rapos ficou p da vida. Olha, 2004, futuro da natureza humana, eu não posso instrumentalizar pessoas, tenho que pensar como canto, por exemplo, ah, meu filho, eu quero que seja completamente saudável, então eu vou eliminar certos genes dele. Mas você tem esse direito de eliminar certos genes do seu filho, né, por uma suposta, né, perfeição. Isso é genia, né? a gente Tá chegando nisso, né? Eu posso eliminar uma civilização porque essa civilização tem
um DNA violento, né? Olha só, se a gente começar a fazer isso, né? Então a gente tá admitindo que eu vou institucionalizar aquilo que o nazismo colocou, que é a possibilidade de pureza, né? Toda vez que você escuta esse nome puro, tem que desconfiar. Por isso que a gente faz uma crítica razão pura, né? Razão pura, pensando sem uma construção dialógica, sem o pragmatismo E sem a interubjetividade é tirania, né? Por que que a minha razão pura é melhor do que a sua, né? Eu acordei hoje, eu sou melhor do que o Narbal, eu penso
melhor do que ele por acaso. Eu não tenho nada a aprender com ele, é o contrário. Eu acordei hoje, eu tenho que humildemente reconhecer que eu tô o tempo todo aprendendo, não é? E se eu parar de aprender, eu vou ficar encrostado nas minhas próprias ideias, né? Então eu acho que o Ab, mas como ele Diz que a a o Iluminismo não terminou porque ele nem se realizou, ele está dizendo isso, né? Os ideais de autonomia humana nem se realizaram e a gente já caiu de novo em vários esforços e vários aprisionamentos, né? Porque a
gente tá o tempo todo lutando contra traumas, né? que são de origem repressiva lá como M Freud, né? A gente tá o tempo todo com esse desejo completo que é preenchido das piores formas, como mostra o Lacan, Né? Desejo mimético, o podrear também, né? A a cópia, né? O ser humano virou cópia do outro, né? Desses grupos aí de personalização, né? E principalmente a ausência de diálogo, né? Eu não conheço outro, eu não sei o que que narb tá pensando. Narbal não sabe o que que eu tô pensando, na verdade. E a gente fica nos
nossos mundos e aí fica tudo bem, né? Não, porque eu tô convicto das minhas ideias, você tá das suas e tal. Não está, não está. O diálogo, ele não Cessa, né? A promoção da esfera pública é exatamente você continuar, né, nessa perspectiva da dialética do discurso. A, exatamente a a o discurso filosófico da modernidade talvez seja um dos maiores livros do R, mas na bom concordo inteiramente contigo, né? E você vê lá que ele faz críticas ferozes, né, ao Batalha pelo racionalismo, né, ao Niet pela ausência de uma visão racional da existência, Desqualificação da razão.
Ao Heidegger, né, pela aproxima da filosofia com o nazismo, que é uma coisa muito polêmica aqui no Brasil, os redegiranos já ficam logo revoltados quando se fala nisso, né? E o Fou ele chama o Fouc de positivista feliz, né? Vocês estão recordando faz descrever as instituições, né? Descreve o sujeito, mostra lá o emareamento do sujeito no mundo, mas não consegue ter um projeto de emancipação, Né? Então ele é ele é mordais, mas ao mesmo tempo ele é brilhante, não é? Porque ele consegue resumir desde Hegel, né? E para ele Hegel é o primeiro filósofo em
que a história acontece como consciência, né? Não foem cantes para ele. Os cant ficaram zangados. Ele consegue zangar todo mundo com aquele livro. Ainda bem, né? Só mostra que ele foi um grande filósofo. Hã, porque ele mostra exatamente que toda filosofia tem as suas facetas, as suas nuances e Também as suas deficiências. Claro, né? Mas é isso, meu amigo. Eu realmente eu tô aqui feliz com esse debate nosso e eu sabia que ia ser um grande momento de de reflexão coletiva. Eu passo a palavra para você novamente. >> Não, Nilton, só agradecer agradecer a todos
a a os comentários aí que foram feitos. Obrigado, gente. Foi um prazer para mim, tá? Obrigado, Nil, pela oportunidade. >> Perfeito. Então, se alguém quiser fazer Mais uma intervenção, fique à vontade, né? A gente não tem tempo definido, não tem tempo para começar. Para terminar não tem não. Eu fico muito feliz aqui com todas as indagações que foram feitas, né? Acho que o pessoal eh entendeu boa parte do que a gente tá propondo aqui, pelo menos como projeto. Claro que a filosofia sempre é muito complexa, tem muitas questões, né? Aí a gente tem que debater
mesmo. E essa relação nossa, né, Narbal, Com o direito, né, a gente que transita aí nas duas áreas, eu e você. >> Professores, eu queria só só eu deixei uma pergunta aqui no chat, >> eu não sei se foi contemplado, talvez meu limite, né, professor? Isso significa que a massa, entre aspas, pede um autocrata, entre aspas, um egocrata sem qualquer mediação por meio das instâncias deliberativas? o não sei se faz sentido a pergunta. Faz, faz sim, João Manuel. Eu eu pensei Nela aqui pro Narbal já tinha dado uma resposta, mas como como a gente já
tentou colocar aqui, né, assim, eh eu eu interpretaria a partir de Rmas, né, quer dizer, essa inflação do eu na pós-modernidade, porque já que muitas das estruturas metafísicas davam sentido pra história, né, perderam a sua capacidade de referenciação, né, o que sobra é o sujeito se dobrar em cima de si mesmo. mesmo e das ideologias que ainda podem ser, né, críveis, né? Então, de repente, quando eu vejo aquele líder que reflete essas ideologias, como é esse neofascismo hoje da comunicação que a gente vive e a guerra das narrativas, eu vou me identificar com ele, porque
é muito mais fácil ver a vitória dos meus projetos nefandos, né, quando eu tenho um só que representa isso, né? O Ronbal citou o Huxley, né? Exatamente, né? A verdade tem que ser repetida, né? O não, quem foi que ficou famoso por dizer isso? Foi o Gbers, né? Ministro da propaganda do terceiro Ris. Uma verdade dita mil, uma mentira dita mil vezes, né? Vale mais do que uma verdade. Infelizmente essa é a nossa época, né? o ainda hoje temos reflexos do do nazismo e vários reflexos, né, da nossa sociedade, professor, porque isso isso me fez
lembrar do do Robs >> e me fez lembrar do Cmith, que vocês participam de um mesmo grupo, né, estudam, vem estudando C Schmidh, pelo que eu pude perceber, né, e em algum Momento no governo anterior eh eh me parece que o chefe do executivo queria avocar para si a eh ser guardião da própria Constituição, definir a própria interpretação da Constituição em última instância, sabe? Então eu lembrei disso, né? E e Darbal quando trouxe o o Bing Churran aí me fez eh eh pensar sobre essas questões, mas aí eu deixo para vocês aí. Não sei se
há mais tempo para isso. >> Sempre há. É aquela história das quatro Linhas, né, que você tá falando? Não, eu tô jogando nas quatro. É, é isso, é isso. Chegou um momento que as instituições, o antissistema, né, eh eh a perspectiva antissistica tava tão, né, eh eh exacerbada que me parecia que ele ele avocava para ele aito, >> né, o direito poder de interpretar, né, o que tava dentro das quatro linhas e o que seria as quatro linhas, né, >> como se isso não competisse a uma instância mais objetiva e sim a ele, né, Quer
dizer, é a sobreposição da democracia constitucional. né? Eh, como diput democracia também é uma ideia perigosa, né? Porque ela pode levar a reição da tirania, né? Porque a massa nessa confusão entra em contradição e aí vai apelar paraa volta de um tirano, que era tudo que o Platão não queria. É por isso que o Platão não quer demostras, né? Não quer demoscratos, ele quer uma politeia, né? que é um governo colocado a partir de uma constituição justa, né, E governado por aqueles que seriam os mais sábios, né, que ele acreditava que haveria graus, né, de
sapiência entre as pessoas. Mas é claro que também eu acho essa ideia polêmica, não vou dizer aqui, né, que não seja, né, o Ocidente se bateu com essa ideia a vida toda, mas você vê que Kant, né, já transforma a ideia de república sem o rei filósofo, né, o Kant não queria um rei filósofo, mas ele queria uma esfera pública qualificada que pudesse aprender a Debater, né, que é exatamente a ideia da autonomia do sujeito, a ideia de se libertar das autoridades políticas e religiosas, não é? a o saperialder, né, que é o ousar saber,
a ideia de você pensar aí, né, nessa capacidade de reconstruir, né, o público, né, porque o público sumiu da Idade Média, como diz a Hanars, né, ele em volta na modernidade, né, na Idade Média, segundo a Renar, você não tinha política, você não tinha pól, né, era da casa, do privado pra Igreja, né, e acabou. E o o objetivo central da vida era salvar a alma. Hã, quer dizer, é por isso que o Cant não tem escatologia. O Cant não tem um escatton. Paulo, hã, a ideia do escattam é a finalidade que nós fazemos da
história, né? Ela, de certa forma, é subjetiva mesmo. A história não tem um grande fim maior, nãuto dos fins que nós fazemos cotidianamente a cada ciclo histórico, a cada grau de decisão que a gente toma. Hã, então a Normatividade, por exemplo, o direito internacional depende de nós, né, enquanto sociedade mundial, né, estabelecermos esse pacto e fazermos com que esse pacto vitóri, né? Não vai ser Deus, não vai ser o fim da história que vai fazer isso, não, né? É preciso continuar a combater os tiranos, sim, não é? O Donald Trump é um tirano da nossa
época, né? nem vai acabar e talvez venha virão outros paraa frente, mas aí que tá a força do direito, né? É a gente Poder fazer com que a sociedade civil mundial eh esteja além desses egoidades, né, dessas subjetividades tirânicas, né, que vão se reproduzindo em todos os tecidos sociais, né, vai desdobrando, não é? Porque o tiranozinho aqui da Polícia Militar, quando ele vê o grande tirano sendo arbitrário, é claro que isso influi, né? Eu tô agora, falo com Nabal, será que essa ideia faz sentido, né? Será que não há uma retroalimentação aí, né? Ou me
corrende onde estiver Errado, né? Espelho. Pode falar, querido. >> O Emanuel é um é um grande conhecedor da obra do Boaventura de Souza Santos. E uma das teses centrais do Boaventura, Manuel, vai lembrar, é a tensão que a gente tem que ter com as verticalidades diluídas nas horizontalidades, né, Mon? >> Perfeito. Perfeito. >> O problema não é, o problema não é a cegueira, o problema é a pretensão do cego querer guiar as outras pessoas. Ou Seja, o problema não é a irracionalidade de alguns. O problema é o irracional se autointitular ou se autocertificar ou se
considerar si mesmo como racional. Um >> racional, >> né? Ele nunca lêu uma única página de infectologia e no entanto ele tá, como você falou, Nilton, tá contestando lá o doutor em infectologia defendendo uma tese absurda, porque a tia do Zap, não é, tem mais autoridade do que o cara lá que passou a vida inteira estudando Infectologia. Ou seja, essas essas verticalidades elas vão, exatamente isso que você falou, sem mediação por meio das instâncias deliberativas. Essas instâncias deliberativas, apesar de não existirem, elas são eh eh consideradas como existentes por aqueles que estão embuídos de comunicações
distorcidas para usar a a expressão do do Raben. Quem tá na ideologia, Emanuel, não sabe que tá na ideologia. Isso que eu digo para meus alunos, a melhor forma de Lidar com a ideologia é considerar que nós todos estamos na ideologia. A melhor forma de de lidar com as nossas ingenuidades desconhecidas é partir do pressuposto que nós somos ingênuos em vários aspectos, né? e que eventualmente no futuro, nossas reflexões mais altamente sofisticadas serão consideradas ou eh obsoletas ou simplesmente descartadas pelas gerações futuras. Porque nós somos históricos e devemos pensar de forma histórica, né? Ou seja,
o nosso pensamento é agora, mas já já não mais será assim como nós mesmos deixamos de ser. Então, essa eu eu considero muito essa tua pergunta, Manuel, que é muito boa e eu te agradeço por ela. Eh, a partir de uma de uma de uma de um tipo de retórica que a gente chama de retórica da adjetivação, né? Não sei se você já me ouviu falar sobre isso. A retórica da adjetivação, ela funciona quando você adjetiva alguma Coisa como científico, por exemplo, como crítico. Ou, por exemplo, eu digo, Emanuel, isso que você tá dizendo é
retórico. Eu qualifico aquilo como retórico, querendo desdizer ou desdenhar da sua tese, não é? E com isso, eh, eh, concomitantemente, eu qualifico o que eu tô dizendo como não retórico. Eu qualifico o que eu digo como científico, como crítico, como eh eh superior ao que você tá dizendo, mas tudo é um exercício manipulador de qualificação, de Adjetivação do discurso, entende? E isso é muito usado pelas bolhas. Então, a a nas bolhas, né, essas bolhas narcísicas, elas eh se auto ou se retroalimentam, Newton, muito a partir dessa qualificação, dessa adjetivação de eh melhores, de mais científicas,
de mais racionais, de instâncias deliberativas, etc. quando na verdade essa aparente horizontalidade esconde ou escamoteia as suas verticalidades, as suas violências. Então a melhor coisa pra gente fazer é a gente puxar o freio de mão, Paulo, e considerar que nós também somos violentos, nós também estamos na ideologia, nós também partimos de vários pressupostos que são eventualmente ingênuos, não é? E aí a gente chama, liga uma uma luzinha vermelha aqui de alerta, pé pé pé pé pé. Você tá partindo um pressuposto que você devia deveria revisitar. Isso é que caracteriza o pensamento crítico. O que eu
tô dizendo, Tâmara, em poucas palavras, para não cansar muito vocês, é que o pensamento crítico é fundamentalmente e profundamente modesto. Esse faz sentido, Nilton na >> é acho e e e raziano, o pensamento crítico, ele é profundamente moderno. >> Ah, é demais, com certeza. Um arrogante, ele tá certo da verdade e na medida em que a verdade que ele detém a verdade, ele vai considerar que as Suas violências são boas, como diz o P. >> Nossa, eu me lembro, eu me lembro da empolgação dos bolsonarinhos que no começo do governo do Bolsonaro, né? Ah, mas
escolheu os melhores ministros. Nossa, aí depois a gente viu, né, que os melhores ministros, mas assim, é empolgação. Eu não tiro o direito das pessoas de acreditarem em nada. Eu sou, busco ser, né, quem sou eu? Mas assim, eu busco ser o mais justo e democrático possível para participar de quase todos Os discursos, né? Claro, a gente não pode admitir todos os discursos, né? Porque tem alguns consensos que a gente não vai aceitar, é óbvio. Mas assim, mas assim, se tivesse tido algum resultado prático, tivesse melhorado em Mas nada, você não consegue entender nada de
positivo, pelo contrário, só regresso, só reacionalismo, aumentou a violência contra a mulher. Tá aí agora tá passando por esse problema das refinarias que foram vendidas, nossa situação estaria Melhor ainda, né? Ainda bem que a gente tem Petrobras, imagina se tivesse ainda refinaria a a distribuição, né? Enfim, é coisa que se a gente pensar em termos práticos, né? Eu tô apelando aqui para um argumento pragmático, né? Seguindo aqui a linha do Narbal, tô nem sendo tão canteando não para pensar na estrutura objetiva da razão, mas assim pelo cântico também terminando na pragmática, né? Em 1798, ele
escreve antropologia sobre um ponto de vista pragmático. O Kant é o pai do pragmatismo. Quem diz isso não sou eu, Richard Hort, né? Então assim, a ideia do pragmatismo é o tirateima, né? É porque as pessoas não conseguem ver a coisa antes pela razão. Aí vai ter que sentir na prática, vou ter que tirar a prova do consequencialismo, né? O ser humano é assim, ele quer fazer, né? E é o direito de fazer. Sou compromento que podia pensar um pouquinho melhor antes de fazer, né? para evitar exatamente Cometer tantos erros, né? Então, quando a gente
vê o discurso autoritário e você vê agora de novo, tá aí forte e quem tá por trás disso aí, né? Novamente os mesmos grupos que sempre se beneficiaram vão estar lá sempre, né, avocando para si essa pretensão de legitimidade que, como diz o R, ela tem que ser subjetivamente justificada, né? Dizer eu não posso querer que agora, ah, porque eu sou evangélico, então só presta evangélico no Brasil. Eu só posso votar Em evangélico. Esse discurso é perigoso, não é? Porque se eu digo, por exemplo, que o evangelho está acima da universidade e eu obrigo os
meus filhos a não estudarem universidades, porque já basta a formação religiosa, eu acho que isso é um problema, né? Eu acho que isso é uma sociedade que ela tá regredindo a um ponto, né, de não admitir inclusive o discurso científico, o discurso crítico e outros tipos de discurso, não é? Então o jogador, ah, Meu filho não vai fazer universidade pública, né? Sendo que todo o sistema é baseado na universidade pública, desde a implementação do curso, fiscalização, currículo, quer dizer, é uma ingenuidade tamanha pensar assim, né? Ainda tem gente que acredita num discurso desse, né? Quer
dizer, a formação, né, de cidadania era para ter exatamente esse agregamento crítico, né, e e de cognição que as pessoas não conseguem ver, né, o grau de violência que é um Discurso desse, né? Então é complexo você pensar numa sociedade sem essa ideia da emancipação, como diz o Ramas e como diz o Ces, né? Eu quero até convidar logo pra banca do Ricardo Arbal, tá vendo? Olha como a gente não conversa direito. Eu nem sabia que você tava estudando de um churran, né? Eu tenho certez que o Ricardo gostou muito aqui porque ele ficou e
vai utilizar na sua disertação tudo que a gente debateu aqui e você vai estar na banca dele, tá? Ah, tá previamente convidado. >> É, é um prazer, >> professor. O professor Narbal fez referência ao professor Boaventura de Souza Santos e ele faz um diagnóstico da modernidade e com relação a essa ideia de fascismo social. E ele disse que há uma sociedade civil íntima. Ele diz sociedade civil íntima, uma sociedade civil estranha e uma sociedade civil incivil, não é? que é essa que está, apesar do contrato, né, Que é a metáfora da política usada na modernidade,
ela não tem acesso ao Estado e e a direitos, né? Então, a ele diz que a democracia na Europa está suspensa. Então, nós temos um funcionamento dos três poderes, né? Nós temos um funcionamento seria aparente ou maquiado dos três poderes, mas o que vir seria um estado, como ele diz, deixa sa. Estamos num estado de eixa salm, a democracia está suspensa na Europa, né? Então assim, eu tô até Imitando Boaventura, porque assim, eu gosto muito do modo como ele se posiciona, né? E me parece que é isso, né? Há uma certa um certo maqueamento institucional
e e um não funcionamento dessas coisas, né? dessa institucionalidade. E aí é era isso. Se alguém quiser comentar ou não, não é ótimo, Manuel. Foi mais ou menos isso que eu quis dizer. É um funcionamento, aproveitando a sua contribuição, é um funcionamento Meramente adjetivo. A gente, por exemplo, República Democrática do COM, não sei o quê. você só qualifica aquilo como democrático, mas na prática o que há é violência e exceção. Perfeito. A exceção se torna regra, mas na aparência você tem governos eh eh democráticos, né, supostamente democráticos. >> Perfeito. Mas meus caros, é isso. Eu
vou agradecer a todos aqui a presença, tá? E dizer que foi mais uma vez um grande momento. Agradecer o Rafael hoje tá aqui Conosco, né? né? Fez uma expulão muito boa sobre Cant e nosso amigo Nabal aqui que a gente conseguiu resgatar algumas coisas do Ragradecer a todos aqui e até à noite então no segundo momento lá do nosso evento, tá? Então boa tarde a todos. Muito obrigado.