[Música] Olá senhoras e senhores professoras e professores de Educação Infantil Fundamental um fundamental do ensino médio história sociologia matemática física sejam muito bem-vindas e bem-vindos professoras e professores de todos os componentes eu sou a professora Maria Fernanda professora da rede eu sou uma mulher de pele olhos castanhos cabelos ruivos tem uma estatura aí mediana e hoje Eu visto uma blusa de manga longa de cor laranja e não estou sozinha porque tenho aqui a meu lado a presença brilhante do professor Eliel seja bem-vindo Obrigado maf bem-vindos pessoal tô feliz em ter recebido esse convite para falar de um tema tão bacana aqui participar de uma conversa tão legal sobre um tema muito legal e pra gente utilizar inclus in em salas de aula né lá no final eu sou o professor Eliel sou professor de história da rede formador aqui na efap sou um homem negro de pele um tom um pouquinho mais claro barba fechada cabeça raspada tô com óculos preto de de H grossa e com a camisa do Martin Luther King hoje aqui com a gente né seja bem-vindo Opa eu que agradeço o convite quer contar pros professores e professoras Qual é o tema da nossa atpc eu recebi o convite aqui para conversar sobre a Lei Áurea sobre osam caminhos que a a o processo abolicionista tomou no Brasil e outras Vertentes que foram acontecendo que não receberam tanto espaço da historiografia e da mídia mas que mostram que o processo inteiro acontecia de uma maneira que a gente até hoje desconhece é isso porque não é que a gente dormiu abolicionista e acordou eh dormiu com escravidão e acordou sem escravidão houve um processo né no no no nesse caminho todo um processo muito duro um processo muito difícil e e até Estávamos conversando antes tem um censo de 19 desculpa 1872 que pode ser consultado no site do governo né og goov. com que mostra o Brasil com 10 milhões de habitantes e desses 10 milhões 15% eram pessoas eh eh diretamente ligada ligadas à à escravidão tanto africanos que já tinham chegado quanto descendentes E você tem aí na época da Lei Áurea 700. 000 eh 700.
000 pessoas escravizadas que foram libertadas efetivamente então é impossível pegar esses dados mesmo arredondando eles você eh eh evitar de pensar como é que essas pessoas estavam no seu dia a dia participando da sociedade civil participando de movimentos eh eh influenciando as coisas eh para acontecer como é que esse processo não aparece nos livros de história né Isso é que é É uma coisa impressionante é isso mas eh tá nas nossas possibilidades dentro de sala de aula também entregar voz e visibilidade a um processo mais historicamente eh perceptível do que esse que a gente aprendeu quando a gente tava aí na na escola né então vejam o título do nosso encontro de hoje é lei áurea alternativas e o debate no 19 a gente vai então hoje abordar a construção histórica da Lei Aurea por meio do debate sobre a Lei Aurea e sobre outras possibilidades de leis no Parlamento e na sociedade e a gente vai propor estratégias pedagógicas para uma educação antiracista sendo sempre tendo como Horizonte então o nosso material digital dito isto vamos assistirão saiba mais e a gente já se [Música] reencontra Olá professores sejam bem-vindos a mais um mais eu sou formador de océlio E hoje nós vamos falar da prática de gestão de sala de aula equilíbrio emocional e não estou sozinho estou com a nossa formadora Daniel seja bem-vinda Dani Obrigada vamos direto entender né o conceito dessa prática de gestão de sala de aula chamada equilíbrio emocional ai vamos falar sobre ela é uma competência emocional ela é uma habilidade comportamental que possibilita a percepção da influência das emoções em consequência a prática do autocontrole Diante delas esta prática traz para nós essa questão de manter o equilíbrio emocional muito bem então a gente pensa qual seria o objetivo a ideia a intencionalidade por trás dessa prática Dani é uma função simples é manter o equilíbrio emocional diminuindo a intensidade das emoções especialmente a frustração e o desapontamento pois fortes emoções aquelas que são negativas de repente até por parte do professor podem por exemplo desencadear intensificar as emoções no estudante a gente sabe professor que é uma tarefa né que a gente vai desenvolvendo com o tempo com a nossa Sabedoria com os nossos eh saberes já prévios e que é com sempre a gente consegue ali tornar isso um pouco mais assertivo tá certo e a gente tem também aquele momento de sempre perceber que existem pontos de atenção em todas as práticas por exemplo nessa prática equilíbrio emocional Dani quais seriam os pontos de atenção que a gente pode apresentar para os professores Ah então vamos dar um exemplo um aluno se comporta mal tem uma certa atitude que não é legal o professor se irrita o aluno reage a essa emoção isso vai crescendo ele responde com mais força e um pequeno erro se torna muito maior e nesse momento a gente deve entrar nessa prática equilíbrio emocional pois essa divergência não vai levar a lugar nenhum é preciso manter o equilíbrio parar por um segundo para se recuperar tentar desacelerar porque quando a gente mantém aqui o nosso pensamento Mais Positivo mais tranquilo a gente toma melhores decisões muito bem então quando a gente para ali naquele aqueles segundos de pausa para refletir um pouquinho a gente consegue ali tomar ações né decisões mais assertivas e que trazem ali um resultado mais eh realmente gratificante e satisfatório Estamos chegando ao final do nosso primeiro bloco desse saiba mais daqui a pouquinho a gente vai realmente desenvolver mostrar em Ação esta prática até mais [Música] professores então vejam é possível abordar o processo abolicionista brasileiro numa multiplicidade de componentes diferentes só para ilustrar um pouquinho de como a gente pode abordar isso dentro do nosso material digital eu trouxe alguns exemplos para vocês vejam aí na tela então do oitavo ano né material digital 26 de história vai falar especificamente sobre a Lei Áurea vai falar de abolicionismo também lá no 5to ano né no ensino fundamental a gente tem na aula memórias do Brasil parte dois a Lei Áurea e o dia 13 de Maio que vai falar também sobre o processo abolicionista em sociologia por exemplo o diálogo é importante a gente tem o material seis da segunda série que vai falar sobre diferenças relações étnico-raciais e racismo né então dá para falar lá em matemática O Eliel por exemplo tem um dado importante que foi compartilhado com vocês no começo do do nosso encontro dá para pensar por exemplo em matemática a partir de dados né do goov. br qu quais eram as diferentes etnias que compunham né esses 700. 000 escravizados que foram libertos ali no 3 de Maio de 1888 quantos deles eh estavam em cada província brasileira então um pouco pensar em termos de estatística enfim a educação antirracista é passível de ser abordada trabalhada e discutida em todos os componentes da nossa Educação Básica né E aí pra gente falar um pouquinho sobre lei áurea Antes de conversar sobre outras possibilidades que havia né de leis abolicionistas ali naquele final do 19 é importante a gente trazer a lei Áurea per S enquanto lei porque ela efetivamente foi que se sagrou vencedora nessa nesse debate nesse embate político entre escravagistas e abolicionistas que percorreu todo o x não é a Princesa Isabel com essa lei se sagrou como A Redentora que que você acha e já a gente já pode começar inclusive por um um um tema interessantíssimo né A questão de de usar essa expressão A Redentora eh eh Ela traz um protagonismo a um elemento importante do processo mas que não deve ser isolado no sobre os holofotes né a gente não pode diminuir em de maneira alguma a importância da Princesa Isabel no em todo o processo abolicionista Mas a gente não pode trazer para uma pessoa só e atribuir a uma figura apenas um um os frutos de um processo imenso que teve a participação de uma série de pessoas que cabe a nós reconhecer agora e entender a trajetória né exato porque se a gente faz isso é quase como se a gente acreditasse ingenuamente que até o dia na noite do dia 12 de maio nós dormimos enquanto uma sociedade escravagista e no 3 de Maio Acordamos enquanto uma sociedade abolicionista E isso não é lá historicamente muito muito válido né então mas vamos lá vamos conversar um pouquinho sobre a Lei Áurea Vejam a carinha da Lei Áurea aí na no slide né a Lei Aurea é a 3353 de 13 de Maio de 1888 o que que ela faz ela declara extinta a escravidão no Brasil e vamos entendê-la Nas suas especificidades nas suas características mais marcantes porque sabe aliel quando eu olho pra Lei Aurea eu penso o seguinte como é possível que uma lei que se refere a uma um uma questão de uma magnitude como é a escravatura no Brasil como é possível que ela seja composta só por dois artigos né Quais são os artigos que compan a lei aur Olha só gente a a a lei é interessantíssimo sempre trazer esses documentos porque quando você mostra eles em aula é isso brilha o olho da molecada né você tá vendo um documento histórico mas é como a maf colocou olha a complexidade da questão e nesses dois artigos eh eh eh ele ele quer ela quer causar uma revolução completa na sociedade brasileira artigo número um é declarada extinta Desde da data desta lei a escravidão no Brasil e o segundo artigo revogam-se as disposições em contrário não se aborda de maneira nenhuma nenhum tipo de compensação a essas pessoas que acabaram sofrendo com a escravidão durante muito tempo seus Desc entes não se fala em absorção dessas pessoas na sociedade não é você tem uma série de questões que inclusive refletem hoje em dia na nas disparidades sociais que nós temos tem aí um uma uma raiz muito forte nesse momento é por isso que muitos sociólogos a Vilma Reis Por exemplo fala em Abolição inconclusa né mas a despeito de que a lei Áurea não tenha acedido completamente aos desejos dos escravagistas porque no fundo o que eles queriam era tudo bem Lei Áurea vamos aceitar né porque agora o leite já tá derramado Mas então paguem indenização o estado brasileiro tem que pagar indenização por nós que teremos uma perda ali da nossa propriedade humana né então a lei Áurea não cedeu a esse desejo escravagista por outro lado tampouco previu aí na Pena da lei a existência de Reparações políticas públicas né de absorção eh dessa população S de uma forma assalariada por meio de reforma agrária por meio de quaisquer outros mecanismos que eh provierem a essa população uma forma digna de de subsistência né de sustento Então tá aí a Princesa Isabel é a que assina a lei Áurea né ela assina como princesa regente porque na data da assinatura da Lei Áurea estava né o seu pai tratando eh uma enfermidade eh na Europa né E aí a gente tem um jornal do Senado que é uma reconstituição histórica É uma elaboração que foi feita aí por diversos historiadores lá eh uma edição digamos assim de celebração né da Lei Áurea e é como se fosse um jornal ali impresso naquela hora né Então essa é a graça dessa edição do jornal do Senado então ele diz lá Rio de Janeiro segunda-feira 14 de Maio de 1888 é como se fosse um jornal publicado no Alvorecer do dia seguinte né da Lei Áurea e veja só eh a manchete é assinada a Lei Áurea e logo abaixo dessa Manchete a gente vê alguns nomes como o do Senador Souza Dantas né que fala que havia aí no país mais ou menos 600 o aliel trouxe pra gente o dado de 700.
000 escravizados pra gente também entender como esses dados não são assim eh eh ao pé da lei então temas depois não sei se vocês sabem mas olha que interessante a lei Áurea na verdade ela se chamava lei João Alfredo né Foi aprovado em tempo recorde né na Câmara e no senado depois a gente tem o deputado Joaquim Nabuco grande abolicionista citado aqui e a própria Dona Isabel Quem eram essas figuras que digamos assim eh foram passaram pra História como as responsáveis aí pela lei áurea né a gente tem então o Souza Dantas que era um senador Baiano ele foi presidente do conselho de ministros e o Souza tantas ele estava tão implicado no debate do processo abolicionista no Brasil que ele próprio foi propositor de uma lei alternativa à Lei Áurea como a gente vai ver daqui a pouquinho aí o João Alfred né na verdade é o que nomeia aí a lei áurea áurea né significa de ouro né mas na verdade o o a proposição digamos assim da Lei aura Em tais termos foi feita pelo João Alfredo que era Deputado né Pernambucano o Joaquim Nabuco também era Pernambucano também Deputado Historiador jornalista participou ativamente do processo abolicionista no Brasil e aí a gente chega a tal figura Redentora né conhecida como Redentora que é a Princesa Isabel e Eliel você notou que na imagem da Princesa Isabel tem uma coisa diferente tem tem uma tem uma flor né Qual será o significado dessa flor uma flor então é uma Camélia né E por que que a Camélia Aparece aí na imagem da Isabel porque Isabel eh Hoje os registros históricos mostram pra gente que ela era uma abolicionista né mas de maneira mais geral na sociedade brasileira surgiu um código secreto não tão secreto assim para que os abolicionistas quando tivessem andando na rua assim no Rio de Janeiro na Rua do Ouvidor aquele aquele monte de gente né eles pudessem assim se identificar uns com os outros então questão de representatividade para poder enxergar o tamanho do movimento ex exatamente então se você tivesse andando ali na Rua do Ouvidor e você portasse uma Camélia na sua lapela isso mostrava pros outros que você partilhava dos ideais abolicionistas sabe porque a Camélia e não outra flor Ela tinha me contar el vai você porque Vejam Só eh um autor negro que não gozou da devida do devido reconhecimento né pelo brilhantismo literário em vida que foi o Alexandre doar ele era um homem negro francês né H autor de várias obras você diz que gosta de uma né a mais famosa que eu conhecia dele era os Três Mosqueteiros né que ele é conhecido pela literatura Mundial por ela mas ele também escreveu Então vamos pensar a segunda mais famosa vai a mas aí que é interessante Será que né Por conta dele porque foi um foi uma coisa muito especial para mim gente quando eu eu já tinha lido os Três Mosqueteiros e depois li alguns anos depois a Dama das camelas e você perceber pela primeira vez puxa é um autor negro um sucesso incrível você tem adaptações de filmes e tudo das obras dele mas é fora da biografia direta dele você não tem essa informação de que ele era negro para você perceber o impacto que isso causava nos pares dele né né É quase como se fosse uma situação a ser contornada isso exatamente na obra A Dama das Camélias eh Ele conta a história né de uma cortesã que trajava uma Camélia Branca né no vestido e aí pelo fato de que ele era um autor negro que eh sofreu com as agruras do racismo na França então a Camélia né que simboliza essa obra eh do Alexandre do Mar foi adotada pelos abolicionistas qu en como como símbolo de luta né e o quilombo do Leblon que foi um dos maiores Quilombos do país Ele se consagrou também e no cultivo e na venda de camélias o que por se só já é um dado importantíssimo porque a gente ouve bastante e deve ouvir falar do Quilombo dos Palmares pela sua importância mas a gente percebe também que ele não estava sozinho nessa nessa existência nessa forma de resistência contra a escravidão Então você tem também um quilombo que é economicamente poderoso né conhecido depois por isso e que poderia ajudar muito bem a fazer pressão no pelo viés político né Essas pessoas que travavam a batalha física ali às vezes com armas mesmo mas você tem esse apoio ao as pessoas que batalhavam no viés político perfeito muito bem lembrado Eliel o quilombismo então enquanto estratégia de resistência escravizada eh o uso da da da da Camélia enquanto estratégia simbólica de resistência né e pensar em quilombismo é pensar em uma estratégia de resistência que data remonta lá pro século X e pra gente entender a magnitude do que era essa estratégia hoje censo de 2022 olha só o que a gente tem 1.