A pecuária brasileira está no centro do debate global sobre mudanças climáticas, principalmente pelas emissões de metano no sistemas de produção de ruminantes, como bovinos de corte e de leite. O grande desafio do setor é reduzir o impacto ambiental sem perder eficiência produtiva. Para falar sobre esses cenários e as alternativas em discussão, eu converso agora com o especialista em nutrição, produção e produção de ruminantes da Universidade de Brasília, o professor Cássio Silva.
Professor Cásio, obrigado. Desculpa aí um pouco da nossa confusão. Estamos aí de volta com o senhor para poder falar sobre nutrição e produção de ruminantes.
Para poder entender, primeiro, bem-vindo, bom dia. Vamos explicar para o telespectador que ruminante é um animal que tem um um mais de um intestino. É isso mesmo.
>> Bom dia a todos. Bom dia. Obrigado pelo convite.
A satisfação estar aqui com vocês para para essa conversa. É, ruminantes são animais que têm um estômago eh eh bastante desenvolvido, dividido em algumas cavidades, onde ele eh depende de um processo fermentativo com a participação de vários microrganismos para digerir justamente a fibra dos alimentos, né, as a fibra do capim, a fibra dos alimentos eh que contém celulose, né, já que os vertebrados não possuem enzimas que digerem e essa fibra. ele realiza essa simbiose, digamos assim, com esses microorganismos e dá ele a capacidade de aproveitar muito bem os nutrientes da pastagem.
Eh, como consequência a isso, existem algumas alguns pontos que estão bastante em discussão no momento, que é justamente a produção de gases oriundos desse processo de fermentação, né? Então, esses são os ruminantes, estão aí espécies importantes como bovinos, caprinos, eh, ovinos, né? Aí temos também milhões de animais e selvagens, silvestres, né, como os milhões de gnus, girafas eh eh cervos aí pelo mundo afora, né?
Então, esses são os ruminantes desempenham um papel importante na sociedade, tanto eh como eh integrantes aí do meio ambiente, como animais de produção na nossa eh condição econômica, né, no agronegócio. Então tem uma importância significativa para nós, esses animais. Pois é, no caso do agronegócio, que é aqui o nosso lema, nosso carro chefe, a gente tem o Brasil como principal produtor exportador de proteína animal, de animais ruminantes, como é o caso da carne bovina.
Tem compromissos do país em reduzirem até 60% emissão de gases, até zerar mais na frente do metano. O que que é o metano? esse gás que é produzido boa parte, né, da a gente fala eh pum do boi da vaca, mas não é bem isso, né?
É do arroto. É até bom pro senhor poder explicar melhor para quem tá assistindo o que que é a diferença entre o arroto e o pum, >> certo? Eh, eh, a maior parte do gás liberado pelo ruminante é justamente pela erução, né, que a gente pode vulgarmente chamar aí de de arroto do animal.
Então, nesse processo fermentativo, ocorre e uma ineficiência natural desse processo com produção de CO2 e metano. Eh, aí existem diversas técnicas. Esse já é um compromisso da pesquisa científica brasileira há muitos anos com a redução de eh de CO2 e metano, porque além de eh serem chamados aí os ditos gases de efeito estufa, representam uma ineficiência do sistema, porque o CO2 e metano, eh, que são estão sendo perdidos, poderiam estar sendo convertidos ali em carne, em leite, né?
Então, além desse potencial aí eh que é dito como eh responsáveis por alterações ambientais, eh são perdas de energia do sistema. E a pesquisa científica ela tem se comprometido com isso. A gente já vê claramente resultados importantes, como eh eu posso citar aqui, eh vocês estão vendo na imagem sistemas de integração lavoura pecuária, né, que são sistemas onde eh você combina ali eh eh floresta, no caso, né, árvores de grande porte com sistemas de pastagem.
a gente tem aí uma captação eh de gases CO2 e metano da atmosfera, né? Principalmente o CO2 sendo incorporado aí pro crescimento dessas plantas. Então é importante que toda vez que falemos aí de emissão de gases por ruminantes, temos que est ciente que é preciso que seja feita uma conta honesta, um equilíbrio entre aquilo que o animal produz e que o sistema tá captando.
Nós temos algumas fazendas no Brasil que possuem balanço zero de carbono, ou seja, tudo aquilo que os animais produzem é captado em em termos de eh pastagem, né? O o pasto ele ele capta o CO2 da atmosfera e realiza ali os seus processos de fotossíntese para que ele consiga crescer, assim também como essas plantas, essas árvores que estão sendo utilizadas aí nesses sistemas de integração lavoura pecuária. Então eh primeiro é necessário que seja feita uma conta honesta, né?
E e a outros dados importantes é que ao longo dos últimos anos nós temos uma significativa redução na área de pastagem. cultivada e um aumento da produtividade, dados do IBGE, né? A gente pode ver isso claramente aí com os últimos dados publicados no IBGE, uma redução da área de pastagem e um aumento da produtividade, ou seja, estamos nos tornando mais eficientes nisso.
Afinal de contas, o Brasil tem essa vocação natural, esse potencial grande, tá? Então são vários pontos que precisam ser eh questionados, né? Os ruminantes, eles produzem CO2 e metano, mas existem também eh outras fontes aí antrópicas ou não, que também produzem, como por exemplo, os campos de arroz inundado, que geram grande quantidade de gases e nem sempre são eh eh colocados, né, nessa nesse eh nessa nessa balança.
Então, eh eh essa é a situação que a gente tem. De que forma que a nutrição ela pode ajudar, professor, nessa redução de de metano? Imagino que os senhores devem ter, juntamente combpa e outras escolas aí, eh, pesquisas que mostram que tipo de pastagem, que tipo de manejo é mais adequado paraa redução das emissões de de metano?
>> Sim. Eh, temos aqui alguns eixos importantes, né? Sem dúvida.
Eh, o primeiro deles seria o a melhoria no manejo das pastagens. As pastagens, quanto mais degradadas, quanto mais velhas, eh, quanto, eh, quando entram naquele processo de senescência, a digestão dentro do rumen, aquele espaço, aquele dentro do animal que a gente falava no início, quanto mais velhas as pastagens, mais favorável é a produção de gases ditos de efeito estufa. Então, o primeiro ponto seria melhoria do manejo das pastagens, né?
Eu acho que eh a pastagem ela precisa ser enxergada como uma cultura e a gente precisa dar um manejo adequado eh e explorar bem essas pastagens. Afinal de contas, as pastagens elas conseguem fixar até 40 45% eh dados publicados já de carbono que captam da atmosfera no solo. Se você comparar com a árvore, por exemplo, a árvore fixa em torno de 20%, né?
o restante vai para eh constituição de caulas e de folhas, mas as pastagens elas têm raízes que penetram bastante no solo, elas conseguem fixar maior quantidade de eh gases de efeito estufo. Então, melhoria do manejo de pastagens. Segundo o uso de aditivos, nós temos aditivos importantes aí, é uma pesquisa constante, inclusive aqui na nossa Universidade de Brasília, pesquisas com aditivos eh melhoradores do desempenho e da digestão que reduzem a emissão de gases de efeito estufa.
E sem dúvida nenhuma, o advento aí, o grande avanço que nós tivemos foi a implantação dos sistemas de pecuária floresta, lavoura pecuária, que integram diversas culturas. Aí dependendo do manejo, eh, é possível conseguir até um balanço zero de carbono. O que que é isso?
balanço zero. A quantidade produzida de gases ditos de efeito estufa pelo ruminante é a mesma captada eh pelas pastagens, pela floresta que tá implantada junto nesse sistema de produção. Então, eh eu diria que esses são eh aí os os meios, né, mais utilizáveis que a gente tem no momento.
Eh, a ciência ela tá buscando cada vez mais e melhorar a eficiência dos animais e reduzir essa essa emissão de gás defeito estufa, que além do maisão, como eu disse, são eh representam ineficiência do sistema, né? Então, é isso que a gente tem de mais importante. O Brasil é muito bom nisso, tá?
a gente tem eh eh unidades de pesquisa especializadas em sistemas de pecuária floresta, em sistemas de eh pastagens e e esse assunto ele tá sempre em evidência no meio produtivo e no meio científico. >> Professor Carlos, >> mostrando que é mostrando mais só complementando, desculpa, mostrando mais uma vez que esse é um compromisso, né, do Brasil com essa pauta. >> É verdade.
É do setor produtivo. A gente tá falando de de acordos de mercados que estão passando uma boa parte do jornal hoje falando de Mercosul, União Europeia. Eles não vão aliviar nesse sentido, vão vão cobrar e é bom que cobrem mesmo.
É bom que a gente tenha certificação, rastreabilidade, que a gente reduza o tempo desses animais dentro dos confinamentos e dentro das pastagens mesmo. a genética animal tá tão evoluída que a gente consegue ter essa possibilidade sim de de de tudo isso que o senhor falou e mais a redução desse animal eh no no dentro desses processos de de cria, recria, engorda, principalmente de engorda, que é onde me parece que há um maior eh uma maior eh vamos dizer assim, gasto carbônico. Professor, algo mais acrescentar?
É, não é só reafirmando realmente, né, essa pressão internacional, ela ela nós temos que analisar e e sempre defender o nosso agronegócio, nossa pecuária nacional, que que ela tem feito o seu dever de casa, enquanto eh eh esse esse essa pauta é colocada como uma pressão eh muito grande em cima dos nossos sistemas produtivos. cabe a nós eh respondermos com produtividade, com pesquisa científica de qualidade. Eh eh eh é certo que eh países que colocam essa pressão não tiveram ao longo do seu histórico esse cuidado que o Brasil tem.
Então eu acho que estamos no caminho certo e é preciso que façamos sempre essa defesa, né, daquilo que é mais importante aí para nós, para nossa economia, que é, sem dúvida o agronegócio, a nossa produção pecuária. É isso. Agradeço aí a o convite, a participação.
>> Professor Cásio Silva, que é especialista em nutrição e produção de ruminantes da Universidade de Brasília, tão pertinho aqui da gente. Muito obrigado. Uma boa semana para o senhor.
>> Boa semana. Obrigado.