Olá pessoal nesse vídeo nós vamos falar sobre o texto de Darcy Ribeiro para a UFPR ou melhor nessa sequência de vídeos né é um texto longo então eu vou dividir em alguns vídeos para que não fique tão cansativo para todos nós né não só para vocês se para mim também primeiro eu quero falar um pouco sobre a figura de Darcy Ribeiro o Darci Ribeiro ele contou toda a certeza está ao lado de Sérgio Buarque de Holanda e de Gilberto Freyre como um dos principais pensadores sobre o Brasil e sobre a sociedade brasileira um aspecto interessante
da vida do Darci é que ele não foi apenas um acadêmico ele foi um homem de ação também como assim um homem de ação ele participou politicamente da história brasileira ele foi ministro de Educação do governo João Goulart ele foi Senador pelo Rio de Janeiro e ele também foi vice-governador do Rio de Janeiro ao lado de Leonel Brizola isso lá nos anos 80 para 90 logo depois ali no processo de abertura política do Brasil pós ditadura militar Além disso dar bombeiro ele é um dos primeiros pensadores a realmente tentar de fato encaixar o indígena numa
sociologia brasileira e ele não faz de maneira Rasa Ele viveu bastante tempo entre diversos povos indígenas diferentes para tentar viver e compreender ainda melhor a dinâmica deles e a relação deles não só com a natureza aquela coisa antropologia mas com as próprias transformações que o homem branco impactou nesses povos na própria introdução da obra O povo brasileiro ele fala né olha eu sou um homem de ação e um homem de partido então ele já era do PTB antes da ditadura militar e depois a ditadura ele vai ser do PDT sempre muito alinhado a ideologia trabalhista
aquela que foi preconizada por Getúlio Vargas lá nos anos 30 40 e assim por diante essa obra de Darcy Ribeiro o povo brasileiro da qual a Universidade Federal do Paraná pegou o Capítulo três no processo sociocultural é uma obra que querendo ou não ela transforma a sociologia brasileira né e não é à toa que ela está aqui e não é à toa que Darcy Ribeiro também aparece em diversas outras provas de vestibular quando se fala em sociologia brasileira porque ela é uma obra Magna vamos dizer assim ela é a obra-prima do autor não é a
única né Darcy Ribeiro escreveu sobre várias outras coisas ele escreveu muito sobre a formação da identidade latino-americana também ele é um autor muito respeitado na América Latina quando pessoas dos Estados Unidos ou da Europa de qualquer outro lugar do mundo né querem estudar o Brasil elas também vão ler Darci Ribeiro então ele com certeza é um autor fundamental tanto que eu recomendo o seguinte pra vocês Olha eu sei né Vamos ser sinceros nem todos vocês nem todos os textos para a sociologia e filosofia se vocês precisarem escolher um dos textos para ler eu recomendo Leiam
o texto todo do Darci Ribeiro são cento e poucas páginas no resumo que eu preparei pra vocês o reduzir ali em algumas Acho que são 14 ou 15 páginas então é a redução né é um trecho bem pequeno em relação original Mas por que que eu digo para vocês que Leiam primeiro de tudo porque é um um trecho né nesse caso uma obra muito gostosa de ler Darci Ribeiro escreve de uma forma Quase literária Embora tenha ali alguns termos que até alguns até ele mesmo inventa e adapta para caber mas é um livro muito bom
de se ler é uma obra importante para compreensão de Brasil Então não é só importante para o vestibular ela é importante para a vida de vocês é isso também pra gente compreender melhor o Brasil em que nós vivemos essa versão que é a UFPR trouxe inclusive é a versão editada ali na década de 1990 Darci morre em 97 decorrente de um câncer e esse essa reedição do povo brasileiro é bem no fim da vida dele já quando ele está no auge da sua maturidade intelectual quando ele está ali no auge do seu conhecimento também então
ele vale muito a pena não só trecho que é o fps selecionou mas o livro como um todo então depois que vocês passaram no vestibular quando você disse Ah aquele alguma coisa para ler agora pra descansar vão ler o povo brasileiro de Darcy Ribeiro não garanto a vocês que vocês não vão perder assim ó nem um minuto da vida de vocês então gente o Darci Ribeiro Como falei para vocês ele divide né esse capítulo em sub-capitulos o primeiro ele chama de Aventura em rotina onde ele fala principalmente sobre as questões relacionadas aos conflitos que envolvem
a história brasileira né ele já começa dizendo assim olha o Brasil é geralmente associado a ideia de cordialidade gentileza mas ao mesmo tempo a gente tem que perceber que ao longo de toda a nossa história e quando eu coloco toda a nossa história é a partir dos 1.500 claro né Nós temos conflitos de diversas ordens né conflito de tudo que é tipo tá nós vamos ter conflitos étnicos conflitos sociais conflitos econômicos conflitos religiosos conflitos raciais então não dá para analisar a história brasileira somente sobre um prisma né não é só uma luta de classes tá
não é só o Oprimido e o opressor tem isso claro que tem mas tem outras subcamadas isso tudo né e é isso dar esse Ribeiro tá trazendo pra gente ele vai usar por exemplo já começa lá trazendo por exemplo A Cabanagem na cabanagem nós temos Claro questões interraciais de brancos contra os caboclos né questões econômicas também mas é no fundo no fundo um conflito internet ele vai dizer porque você tinha uma etnia que buscava o quê buscava impor a sua imagem étnica a sociedade assim como o Quilombo dos Palmares né a destruição do Quilombo dos
Palmares tem um componente racial muito forte nisso tudo Canudos né ele vai falar depois lá do Arraial de Canudos Olha encanudos nós temos problemas interraciais nós temos problemas de classe social mas ter o componente religioso muito forte também aí deve ser rebelle não diz o seguinte olha essas guerras Claro Elas têm vários componentes tem vários motivos mas de uma certa forma todas elas refletem o processo de formação do nosso povo e que foi um processo por si só também bastante conflituoso é nós vamos ver que lá mesmo na colônia nós temos indígenas negros e brancos
e que convivem entre si mas confiem de uma forma conflituosa né Nós não podemos ter em um momento algum a ideia de que houve paz né pacificação entre essas etnias não não as movimentações os contatos sempre foram na base da porrada sempre foram de uma forma muito violenta ele inclusive nos lembra né que até mesmo antes da chegada dos portugueses os próprios indígenas também viviam em conflitos né Elas não podemos construir que a ideia de que o Brasil ou o território que seria o Brasil era um paraíso com todos os indígenas Vivendo em paz que
havia uma unidade entre os indígenas não nós temos aqui diversos povos que também tinham conflitos entre si a grande diferença de quando chega o branco português é o que é que esse conflito ele vai se tornar o próprio Darci Ribeiro nos diz e reconciliável porque antes entre os indígenas Claro você tinha conflitos Mas você tinha paz também você podia ter momentos de paz alianças com o português não vai ter paz e Aliança ele vai ser um inimigo constante tanto que ele usa um termo muito interessante né que esses conflitos daí interneticos que envolve o branco
indígena o africano eles são conflitos que estão relacionados aquilo que ele chama ou anotem aí ó sucessão ecológica do território porque a sucessão ecológica porque ele usa esse termo porque ele vai dizer que população originária né os indígenas e Os Invasores lutam pela manutenção ou pela implantação de um outro tipo de economia e sociedade porque antes se os indígenas lutavam entre si Claro é uma luta territorial o que quer que seja mas não era para impor novas formas econômicas ou sociais o Português Vem para impor novas formas e quando ele vai impor novas formas indígenas
não tem mais espaço nelas isso que é importante a gente entender por isso que esses conflitos interneticos eles são tão complicados na questão da construção da história brasileira e ele pontua claro né que esses conflitos são extremamente desiguais porque de um lado nós temos Então as sociedades tribais indígenas Esse sistema é dele né a sociedades tribais do outro lado todo uma estrutura estatal né uma máquina de estado é o A coroa portuguesa que vem então para assentar o domínio sobre esses territórios e claro que os conflitos vão existir entre os próprios invasores também né Nós
não podemos esquecer que os colonos portugueses muitas vezes vão entrar em conflito direto com os Jesuítas para tentar aprisionar os indígenas que viviam nas missões ou até mesmo para pegar as propriedades jesuíticas que eram muitas e imensas aqui na região além dos conflitos e interneticos o Darci Ribeiro também nos lembra do que os conhecidos conflitos raciais né então onde as três raças aí as três matizes como ele coloca também vão se enfrentar inclusive indígenas africanos em português eles tinham muito preconceito em relação um ao outro não é nem mesmo uma coisa que a gente veja
assim uma unidade entre indígenas e negros contra os portugueses não não existia essa unidade depois né um pouco mais tarde ali das primeiras décadas de domínio a gente vai ver também que surge a figura do brasileiro como ele chama tá o brasileiro é quem para Darci Ribeiro o brasileiro ele já é fruto da relação entre os portugueses e os indígenas Então você vai formando ali um novo ser como ele mesmo diz né você forma uma nova etnia que não é portuguesa e que também não é indígena depois a partir de 1.530 1540 1550 com a
entrada do africano é fruto da relação também do português com africano do indígena africano e assim por diante Porque mesmo o africano que chega no Brasil ele também vai se transformar num novo ser porque como são trazidos africanos e diferentes regiões da África eles não necessariamente também tem uma unidade cultural a unidade cultural do negro brasileiro vai ser algo inédito também quando ele se organizam por exemplo nos quilombos quando ele se organizam com formas de resistência é muito interessante porque porque eles não vão fazer isso na língua da África eles vão fazer isso em português
aí gente tem um outro ponto importante que o Darcy Ribeiro traz como o processo formador do Brasil que são os quatro grandes Empreendimentos da história brasileira principalmente no período colonial né mas que se reflete nos dias de hoje são quatro Empreendimentos comum se sobrepondo a todos eles o primeiro empreendimento é a empresa escravista como ele chama seja a produção do açúcar seja a mineração do Ouro tudo isso vai ser baseado no trabalho escravo africano só que Vejam a questão do empreendimento escravista que ele tá falando é o que é a questão de trazer os escravos
né Esse empreendimento feito então pelos portugueses portanto a gente lembrar que a escravidão ela não acontece no Brasil a escravidão africana né ela não acontece no Brasil Somente Porque aqui não tinha mão de obra mão de obra tinha assim como os espanhóis por exemplo fizeram eles escravizaram os indígenas em seu território aqui não aqui eles vão trazer os africanos por quê Porque se abre uma nova possibilidade de comércio que inclusive vai ser um dos maiores comércios do mundo nos séculos 16 17 e 18 que é a captura né a compra de escravos na África e
a venda deles no continente americano Então esse é o primeiro grande empreendimento o segundo empreendimento vem das Missões jesuíticas Então as missões jesuíticas elas vão fazer o quê elas vão pegar o indígena não como escravo isso é importante lembrar né os indígenas eles não são escravizados mas vão produzir grandes riquezas os Jesuítas vão ser muito ricos né em cima da exploração da mão de obra indígena junto com o processo Claro de fazer o quê da proteção do indígena em relação aos colonos da aculturação indígena e assim por diante o terceiro empreendimento formador do Brasil que
claro tinha uma margem de lucro muito menor que não era uma fonte de enriquecimento mas era o quê tinha um alcance social muito maior era a produção de gêneros e subsistência então lá desde a produção de farinha de mandioca as pequenas rossas de comida a pecuária também entra aqui isso vai ser bastante importante só que assim ó dentro desse empreendimento existem diferentes formas da exploração da mão de obra desde a escravidão até a parceria a escravidão indígena às vezes disfarçadas às vezes direta só que Vejam o alcance social disso vai ser grande porque porque forma
uma grande massa de trabalhadores que não são escravos também não estão vamos dizer assim subordinados diretamente a ninguém mas que tem um impacto social muito profundo porque porque Vão formando Vilas cidades e interações sociais principalmente com quem com os mestiços desse Brasil tão você vai ter ali o que você vai ter esses novos brasileiros que não são nem indígenas nem africanos nem portugueses mas que encontram então uma forma de sobrevivência a partir de uma forma de exploração econômica e aí acima disso tudo dominando isso tudo né O que que nós temos nós temos o quarto
empreendimento que é o controle burocrático de tudo E aí tá o pessoal que ganha dinheiro de verdade são os responsáveis pela importação e exportação do açúcar do ouro de escravos os que controlam os portos São os grandes bispos são aos doutores advogados que cuidam da questão da Lei então isso tudo paira sobre essas outras três formas e quando eu digo paira eu digo econômica e socialmente e mesmo politicamente controlando essas outras três de forma direta ou indireta depende de cada caso e aí nesse topo né da pirâmide ali esses caras que controlavam tudo ali você
encontra majoritariamente brancos portugueses ou brasileiros mas eram aqueles que eram chamados de honrados dignatários que inclusive na visão deles eles que estavam realizando a grande missão do homem branco de ser civilizador e cristianizador dessa massa de trabalhadores que tem aqui que era essa massa indígena Negra e principalmente a massa mestiça Então essas grandes formas né de comércio cada uma vai ter sua particularidade então vejam que você tem o a escravidão desafringanizando os africanos você tem as missões describalizando os indígenas e você tem também a própria questão ali do latifúndio e assim por diante trazendo o
homem branco para conviver aqui e acaba como o próprio Darci Ribeiro diz né deseiropezando os brancos formando aquilo que nós entendemos como o Brasil então não são as relações culturais são também relações econômicas vejam né a gente tentou muito cuidado com isso nós não podemos enxergar de forma separada a questão cultural da questão Econômica É esse mesmo desafio que a professora não se Fraser vai trazer lá no texto de filosofia desse módulo com a redistribuição e reconhecimento hoje vejam quantos Paralelos que nós podemos traçar Entre esses dois textos hoje em dia também se faz cada
vez mais necessário olharmos conjuntamente economia e cultura porque se hoje nós queremos melhorar a vida de minorias excluídas socialmente nós precisamos desconstruir e reconstruir as estruturas econômicas que as insiram também economicamente e não apenas como forma de identidade então aquilo que a professora Crazy vê hoje como problema o Darci Ribeiro está mostrando no Brasil a origem disso então que por isso o Darci Ribeiro ele vai terminar essa primeira parte da dele é aí selecionada dizendo o seguinte como o povo massa brasileiro Ele sempre foi explorado ele sempre se formou como um povo para os outros
e não para si tanto que essa é uma das grandes características do Brasil uma das grandes características econômicas do Brasil até hoje o Brasil ele é sempre economia para os outros de fornecedor de matérias-primas de fornecedor de commodities mas ele não é uma economia para si e aí com isso gente eu também fecho a nossa primeira aula para não ficar muito comprida né aquilo que eu falei para vocês no começo e aí como o exercício o que que eu lanço de sugestão para vocês pensar hoje hoje em dia reflexos desses quatro grandes Empreendimentos que nós
observamos lá no Brasil colonial e o que foi trazido pelo Darcy Ribeiro beleza gente um grande abraço para vocês