Vamos conversar um pouco hoje sobre o liquen plano pilar. O liquen plano pilar é uma alopécia, ou seja, uma perda capilar do tipo cicatricial. Isso significa que ele pode destruir os folículos pilosos, que são a nossa fábrica de cabelo, e com isso instala-se uma perda capilar permanente.
Os fios que foram perdidos não são recuperados. é importante que a gente conheça um pouco sobre ele. E hoje eu vou fazer uma apresentação eh geral, né, sobre a sua clínica, sobre o seu reconhecimento, para que a gente tenha essas informações, saiba pelo menos desconfiar, poxa, isso pode ser um liquen plano pilar, porque é uma alopécia que vem aumentando muitos o número de casos nos últimos anos.
A gente não sabe exatamente porque isso está acontecendo, mas é importante que a gente saiba então reconhecer os sinais, estarmos atentos a eles para então procurar ajuda especializada caso essa alopécia esteja presente. Bom, o liquen planopilar ele acomete pessoas em idade mais avançada a partir dos 50, 60, 70 anos, mas também pode acontecer em pessoas mais jovens. Só não é esperado, não é nada comum encontrar em pacientes muito jovens, crianças, adolescentes.
É mais comum de acometer mulheres do que homens, mas a literatura científica não é muito clara quanto a isso. Não tem um dado assim do quão mais comum é acometer mulheres do que homens. Não sabemos exatamente o que é que causa o liquen plano pilar, mas tem alguns fatores predisponentes genéticos, fatores hormonais, fatores imunológicos, alguns gatilhos ambientais como estress, traumas no couro cabeludo, uso de determinadas substâncias com potencial mais alergênico.
Mas o liquen plano pilar, ele é considerado uma doença autoimune. Ou seja, as células do nosso sistema imunológico atacam as próprias células do organismo que pertencem ao folículo piloso, como se fossem células estranhas que precisam ser combatidas. Esse ataque gera uma inflamação tão intensa que pode destruir esses folículos pilosos e assim se instala a perda de cabelo naquela região que é permanente.
E falando sobre essa perda capilar, ela não tem um padrão único de apresentação. O mais comum, mais genérico, é falar: "Ah, o liquem plano pilar, ele acomete principalmente a região do vértice aqui da coroa. " De fato, isso é o mais comum, mas no entanto a gente vê também o liquen plano pilar acometer outras tantas regiões do couro cabeludo e também um acometimento difuso que pode se confundir inclusive com outras alopécias como a própria calvice que é a alopécia androgenética.
Mas realmente o principal local de acometimento é a região do vértice. Ele pode se manifestar com uma bolinha bem pequenininha que não tem cabelo ou então uma placa maior, várias placas pequenas, uma grande e uma pequena. Várias bem pequenininhas, várias grandes.
E esse acometimento difuso, como eu disse, o liquen plano pilar ele é geralmente sintomático. O paciente sente coceira. aquilo coça, coça que pode incomodar muito e a qualquer momento.
Você lava, mas não melhora. Paciente também pode ter muita sensibilidade no couro cabeludo, dor. Põe a mão e dói.
Vai pentear, dói. Vai lavar, dói. Alguém vai mexer, você não consegue que encoste.
Uma sensação de ardência, de queimação na pele. Esses sintomas são bem pertinentes ao liquen plano pilar. Claro que podem estar presentes em outras condições que não liquem plano pilar, mas ele geralmente é sintomático dessa forma.
No entanto, como eu disse, ele não tem um único padrão de apresentação e ele pode ser também assomático ou ter sintomas muito leves. O liquen planopilar é uma alopécia de curso progressivo, ou seja, ela vai piorando, vai evoluindo, mas essa evolução geralmente, na maioria das vezes, ela é lenta. Não é algo muito rápido e abrupto como uma alopécia.
É algo que vai aos poucos piorando. De modo geral, as alopécias cicatriciais são assim. Nenhuma delas tem um curso tão rápido, tão violento, mas em alguns casos elas podem sim evoluir rapidamente.
Rapidamente que eu digo é em poucos meses. O mais comum é que se note uma evolução ao longo de anos. Para reconhecer o liquen plano pilar, geralmente é necessária apenas a consulta tricológica, o exame clínico e físico do paciente.
Durante a consulta, o tricologista vai ouvindo os sintomas, toda a história, a progressão da doença. E ao analisar o paciente, ele vai encontrando essas características que eu fui contando e outras também que analisamos, como descamação perifolicular, eritema, o formato da placa, a ausência de fios velos, enfim, várias características nós vamos procurando e as pecinhas vão se encaixando ali no nosso quebra-cabeça e assim a gente pode, por fim, reconhecer e confirmar a presença do liquen planopilar na consulta mesmo. com a anamnese, o exame físico e a tricoscopia.
No entanto, se esse reconhecimento não estiver claro, o profissional ele pode solicitar uma biópsia para então confirmar na istopatologia a presença dessa alopécia. Agora, falando do tratamento do liquen planopilar, por vezes é simples e o paciente pode se dar bem na primeira tentativa, por vezes não. É um tratamento muito desafiador, que precisa da combinação de vários elementos, de várias estratégias terapêuticas que vai dar certo não na primeira, nem na segunda, nem na terceira, nem na quarta tentativa, mas depois de muito tempo é que o paciente começa a responder, estabiliza o quadro, o tratamento pode ser bem desafiador.
E para isso é importante que o paciente e o tricologista tenham em mente alguns conceitos. O primeiro é de que em toda alopécia cicatricial a gente não espera melhora. O que que é o resultado do tratamento?
O que que é um resultado positivo? que o paciente não piore, que o paciente estabilize, que essa coceira passe ou que ele pelo menos consiga conviver com elas ela estando bem mais leve, que ele não sinta dor, que ele não veja que a perda capilar continua acontecendo. Estabilizar o quadro.
Esse é o objetivo do tratamento de toda a lopécia cicatricial. Ah, mas o meu cabelo não vai voltar? Infelizmente não.
Em casos muito iniciais é possível haver algum grau de recuperação, mas a gente não espera que isso aconteça. O que nós lutamos, porque é o mais provável e tangível, é a estabilização. E por isso essa identificação precisa ser feita o quanto antes para evitar um dano muito extenso, que é irreversível.
Então, é preciso entender que o objetivo principal do tratamento é a estabilização do quadro. Depois disso, que que é importante entender? que o tratamento é contínuo.
Se é uma alopécia crônica da qual a gente não se livra, claro que ele pode se inativar, ir embora, desistir do paciente. Ótimo. Mas até que isso aconteça, a gente trata, vai avaliando, vai monitorando.
O monitoramento a longo prazo das alopécias cicatriciais é muito importante, é uma ação imprescindível. O paciente não começa o tratamento, dura um tempinho, vai embora, nunca mais volta, fica sem acompanhamento. Não.
É preciso um monitoramento rigoroso de perto, periódico. E o tratamento ele geralmente conta com ações anti-inflamatórias, imunomoduladoras e também estimulantes pra gente tentar reaver o que for possível. A parte principal do tratamento é feita em casa com alguns medicamentos, mas também podem ser combinados procedimentos em clínica, como laser, aplicações ingetáveis de medicamentos.
E como eu disse, geralmente a terapia ela é combinada, nunca de um elemento só. Pode acontecer de um paciente se dar muito bem já na primeira tentativa com uma pomada, mas isso não é o mais comum. E claro, cada terapia é sempre individualizada de acordo com as condições do paciente, o estágio da alopécia, os sintomas que ele tem, tratamentos prévios que ele já fez, contraindicações que ele possa ter, considerar interações medicamentosas de medicamentos que ele já pode fazer uso, enfim, tudo isso sempre é avaliado pelo tricologista para oferecer um tratamento eficiente que combine tanto a eficácia de um tratamento potente que funciona, mas também que seja seguro, que ele consiga fazer no dia a dia.
Por isso, os tratamentos são sempre individualizados. Espero que com esse vídeo vocês possam ter compreendido um pouco mais sobre esse tipo de perda capilar. Entendido?
O principal é que ela precisa ser reconhecida o quanto antes. Então, se você apresenta algum desses sintomas, não hesite. Procura ajuda especializada, procure um tricologista que é o profissional especialista para saber o que tá acontecendo com você e conduzir o caso da melhor forma possível.
M.