Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, nós estamos celebrando o dia do grande Doutor da Igreja, São Francisco de Sales.
Deus, na sua infinita misericórdia, dá à sua Igreja os santos dos quais ela tem necessidade em cada época, em cada geração. No século XVI, a Igreja viveu uma das suas maiores crises espirituais. A Igreja estava saindo da Idade Média; depois da peste negra não havia quem ensinasse o caminho da santidade.
Grande crise no clero e essa crise de moralidade, de conhecimento e de santidade, deu origem depois à reforma protestante. Na primeira geração da reforma protestante, Deus nos abençoou com a presença de santos extraordinários como Santo Inácio de Loyola, Santa Teresa d'Ávila, São Filipe Neri, mas na segunda geração veio, então, São Francisco de Sales. São Francisco de Sales foi nomeado bispo no coração do calvinismo, em Genebra; conheceu o sucessor de Calvino, que, aliás, foi até admirado e respeitado por ele.
Por muitos tratados, muitos panfletos, sermões pregados, São Francisco de Sales conseguiu defender a fé católica e trazer de volta para a Igreja milhares de calvinistas, mas isso lhe custou muita perseguição e muito sofrimento. Mas não foi somente por isso que ele foi Doutor da Igreja. Ele foi Doutor da Igreja também porque soube conduzir as almas para uma verdadeira vida de santidade, para uma vida interior, mesmo vivendo no mundo.
Ele fundou uma congregação, a congregação das Visitandinas, cuja finalidade era viver uma vida de oração, mas ele não somente cuidou da vida espiritual dessas monjas, mas também foi e verdadeiramente indicou o caminho de santidade para os leigos. É mundialmente conhecido o seu livro “Filoteia - Introdução à vida devota”, em que ele verdadeiramente conduz uma mulher leiga, casada, no caminho da vida espiritual. O livro foi escrito inicialmente como um tratado pessoal a uma parenta sua que lhe pedia conselhos espirituais, mas a realidade é que o conteúdo que estava ali era tão maravilhoso que muitas pessoas pediram que ele publicasse.
O livro foi um sucesso ainda durante o tempo de vida de São Francisco de Sales e ele, então, pôde aprofundar esse livro que era de introdução à vida devota para os leigos seculares, num livro ainda mais sistemático e profundo, que era o “Tratado do amor de Deus”. Esse “Tratado do amor de Deus”, talvez menos conhecido, é, no entanto, bem mais profundo e escreveu exatamente para as monjas visitandinas. Nós vemos então esse grande Doutor da Igreja que soube conduzir as pessoas para a vida espiritual e soube conduzi-las verdadeiramente nos seus vários estados de vida, seja como monjas, seja como leigos no mundo.
E qual é o caminho, qual é a escola de espiritualidade que nós poderíamos dizer que é a característica, o toque especial de São Francisco de Sales? É exatamente o amor a Deus, que, claro, é típico de toda espiritualidade cristã, mas numa época em que as pessoas tendem a viver simplesmente a obediência aos Mandamentos, São Francisco de Sales faz com que as pessoas se voltem verdadeiramente para um amor sem medidas. “A medida do amor é o amor sem medidas”.
Essa generosidade, esta grandeza que significa exatamente a ação do Espírito Santo em nossos corações. Movidos pelo Espírito Santo, nós então temos essa possibilidade de amar a Deus aqui na terra. Quando São Francisco de Sales tinha dezoito anos, ele viveu uma grande crise espiritual pensando que ele seria condenado ao Inferno, e ele pediu então a Deus a graça: “Senhor, se eu não vou vos amar no Céu, dai-me pelo menos a graça de vos amar aqui na terra”, e assim ele foi curado dessa sua crise espiritual.
Peçamos a Deus igualmente essa graça: “Senhor, dai-me a graça de vos amar aqui nesta terra”. Deus abençoe você. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Amém.