Eu, porém, endurecerei o coração de Faraó e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas. Se foi Deus quem endureceu o coração do Faraó, poxa, então Faraó é inocente? A praga foi só maldade?
Foi maldade de Deus, né? Não foi Faraó. Faraó não é responsável.
Coração de pedra no dia do juízo; a pedra não conta seus pecados. Então bota a pedra na balança: ela nunca vai pesar mais que a pena da deusa Ma'at, mesmo sendo de pedra. Então, na cultura egípcia, ter um coração de pedra era a segurança de que nada ia te acontecer no juízo final, independente dos crimes que você cometeu.
[Música] [Música] Então a gente vem, voltamos então aqui pro Egito. Ele foi até o Egito e aí chegou pro Faraó, né, e falou: "Deixa o meu povo ir". Ele não deixou.
E aí, lembra que Deus disse que estaria com ele? E então agora vêm as dez pragas, né? Então a gente tem aqui as águas transformadas em sangue.
Uhum, não foi suficiente. Infestação de rãs, não foi suficiente. Piolhos e mosquitos, não foi suficiente.
Mosca selvagem, não foi suficiente. Peste em todos os animais, não foi suficiente. Úlceras, não foi suficiente.
Cara resiliente esse Faraó, hein? Granizo, não foi suficiente. Gafanhoto, não foi suficiente.
Trevas, não foi suficiente. E aí a última praga: morte dos primogênitos. Antes da gente passar a bola pra você, R, eu queria que você me trouxesse uma reflexão sobre o seguinte: Car, criativo, né?
Não, Deus é criativíssimo, né? Tipo, certeza, negócio horrível. Tipo, R, tá ligado?
É que falar mais horrível. . .
você vai entender por quê agora. Rodrigo, sabe uma coisa que eu estava estudando essa passagem? E aí eu me deparei com uma coisa muito interessante, porque de repente, assim, uma coisa é: antes Faraó não queria, né, libertar os escravos e tal, mas, pro final, eu não lembro a parte de qual das pragas, aqui, eu lembro que eu li o seguinte: Deus quis que Faraó não aceitasse, uhum, alguma coisa assim.
Então, mas assim, primeiro Faraó não queria libertar os escravos, aí de repente, Deus quis que Faraó não libertasse. Eu entendo, na minha super leitura aqui na interpretação, eu entendo que é como se fosse o seguinte: chega uma hora que passou do ponto e agora eles precisavam quase que defender um argumento. Tipo, isso precisa acontecer pra história se cumprir, né?
O que que significa isso aqui? Vamos lá. O texto que o Tiago tá falando está no Capítulo 7, Versículo 3.
Eu vou ler na minha tradução aqui. Aliás, eu vou ler desde o verso 1. Então o Senhor disse a Moisés: "Veja, eu o constituí como Deus sobre Faraó, e o seu irmão Arão será o seu profeta".
Ou seja, você vai falar em meu nome, aham, e Arão vai traduzir pro Faraó. Fica tranquilo, fala em hebraico mesmo que Arão traduz. Arão tá melhor na gramática egípcia do que você.
Nossa, mas aí é duplamente difícil, né? Porque ele tá falando através de outro. Através de outro, exatamente.
Você falará tudo que eu lhe ordenar, e Arão, seu irmão, falará a Faraó para que deixe sair da sua terra os filhos de Israel. Aí vem um versículo que o Thiago mencionou: "Eu, porém, endurecerei o coração de Faraó e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas. Faraó não vai ouvir vocês e eu porei a mão sobre o Egito e farei sair os meus exércitos, o meu povo".
Então, o versículo que o Tiago mencionou é justamente esse, especialmente o verso 3: "Eu, porém, diz o Senhor, endurecerei o coração de Faraó". Hum, aí isso gera muita dúvida e muita gente. .
. pera aí. Em primeiro lugar, vamos raciocinar cruamente olhando o texto.
Assim: se foi Deus que endureceu o coração do Faraó, poxa, então Faraó é inocente? A praga foi só maldade, foi maldade de Deus, né? Não foi Faraó.
Faraó não é responsável por isso. É que é importante a arqueologia, a hermenêutica do texto. É tipo Deus criar o problema para vender a solução.
É exatamente, inclusive fazem isso na internet. É, deixa eu testar esse monte de kit aqui pra ver se não. .
. Inclusive, a gente tá bolando uma coisa que não vou dizer agora, tá, muito spoiler, mas que tem a ver com o primo e que a gente vai tornar essas coisas mais fáceis pras pessoas entenderem. Eu vou dar só uma amostrinha aqui, tá bom?
Você sabe que às vezes a maneira da gente expressar num idioma é diferente de outro, uhum, tá certo? Num idioma você fala de um jeito, no outro você fala de outro. Por exemplo, quando aqui no Brasil, vamos supor que o Lucão tá querendo tomar sorvete, mas você não deve porque tá com problema de peso.
Ah, do peso, vamos supor que seja isso. Vamos supor, supor. Aí você tá insistindo em tomar.
Na língua portuguesa, eu te dou uma ordem, o imperativo, eu falo assim: "Olha, não vou falar mais nada. Tá bom, quer tomar sorvete, vou falar: vai lá e toma. Vai lá, e toma, toma sorvete.
Vai lá, vai lá e toma". É assim que eu falaria em português. Uhum, mas se você olhar isso friamente na gramática, isso é muito esposais, né?
A esposa faz muito isso: "Vai lá, então pode ir, então vai lá". Aí você vai e fala: "Por que você foi? Vai no futebol, futebol.
Vai lá, vai lá, pode ir, pode ir". Se você olhar friamente na gramática. .
. entendi, é uma ordem, é um imperativo. Vai lá, pode ir.
Mas na psicologia isso pra frente. . .
é, na psicologia não é uma ordem, ela não quer que você vá. É apenas uma maneira, um eufemismo. Para dizer que ela respeita a sua teimosia em hebraico bíblico, sabe como é que eu falaria: eu farei você tomar sorvete.
Se fosse esse estilo de você não querer que a pessoa vai, isso, exatamente. Em português, eu falaria: "Não vou falar mais nada, vai lá, toma sorvete. " Em hebraico, eu dizia: "Eu vou te fazer tomar sorvete.
" Pegando o exemplo da esposa, em português ela diz: "Vai lá para o futebol, pode ir. " No hebraico, ela diria: "Eu farei você ir ao futebol. " Nossa, a melhor técnica sempre do nosso pastor Candonga, né?
Tipo: "Amor, eu quero tomar sorvete. " Então, pergunta: você tem que perguntar se você quer. Minha sabedoria é a melhor estratégia.
Eu quero jogar futebol, e aqui o tradutor fica num dilema às vezes com isso. Isso chama "caso jussivo" no hebraico, que é o imperativo. Ele fica num dilema.
Às vezes o tradutor, se ele traduz ao pé da letra uma expressão idiomática, cria essa dúvida que vocês levantaram aqui. Se ele parafraseia para fazer mais sentido, ele não está traduzindo; ele está parafraseando. É como se eu dissesse em inglês: "It's raining dogs and cats.
" Aí o cara traduz assim: "Está chovendo cães e gatos. " Como assim? Está chovendo cães e gatos, né?
Não, não, ele quis dizer que está chovendo canivetes. Mas em inglês você não falou canivete, você falou cães e gatos. Então aqui, essas Bíblias resolveram traduzir como está no hebraico e deixar para você compreender a expressão idiomática.
Ficou claro? Vou dar apenas mais um exemplo bíblico e tem uma chave muito interessante aqui. Quando fala que as parteiras fizeram viver os meninos, as parteiras não mataram os meninos.
No hebraico está assim: "As parteiras fizeram os meninos viver. " Só que na tradução, como é que eles colocaram? "As parteiras não mataram os meninos.
" Mas não foram elas que fizeram os meninos viver. Mas quando você impede alguma coisa de acontecer, é como se você fizesse a outra. Tem pessoal que fala também que os franceses não falam que uma coisa está boa; falam que a coisa não está ruim.
Tipo: "Essa água! " Não falam: "Que água gostosa! " Muito animados, essa água não está ruim.
Vocês entenderam? Então essa questão. .
. Quando Deus fala assim: "Eu endurecerei o coração de Faraó", quer dizer que eu vou deixar a teimosia dele. Entendi, é tipo ele tá com o coração duro.
Você fala: "Ah, é? Então vamos ver o seu coração duro agora. " Então é isso.
E por que coração? É isso mesmo. E por que coração duro?
Aqui tem o pulo do gato, deboche. É um deboche. Aqui tem um pulo do gato.
Os egípcios, quando mumificavam a pessoa, a mumificação demorava uns 45 dias para terminar. Eles abriam o corpo, tiravam as entranhas, ah, se tirava o cérebro pelo nariz aos pedaços. Eu estudei muito.
Eles pegavam as vísceras e colocavam em quatro vasos canopos. Assim, quatro vasos, que eram os pesos dos órgãos. É exatamente o único órgão que voltava para dentro do corpo.
Cara, eu. . .
Você estudou essas coisas? Você estudou mumificação? Escola?
Que escola você estudou? Estudou no Egito? Estudou no Cairo?
Estranho. Eu, no ensino médio, tinha que estudar o Egito e eu tinha que fazer um trabalho. Porque assim, eu não gostava de escrever e fazer prova, aí eu combinava com essa professora que eu tinha que fazer uma mega apresentação sobre algum tema.
Aí eu peguei o Egito. Eu fiquei, um coleguinha, eu estudei. Que tipo de menininho.
. . Cab!
Eles eram ricos em químicas. Eles colocavam um produto com uma pessoa meio inclinada para tirar os órgãos. Eu estudei isso mesmo.
Agora, olha que interessante: o único órgão. . .
É esse? O ponto é esse. O que está ali, citando.
O único órgão que voltava para dentro do corpo era o coração. Porque os egípcios acreditavam que, no dia do juízo final, colocavam num prato da balança a pena da deusa Maat, a deusa da justiça, e no outro prato, o coração da pessoa. Mas o coração não podia pesar mais do que a pena da deusa.
Mas o que faz o coração pesar não é o material do que ele é feito, é porque o coração denuncia todos os seus podres, todos os seus pecados. E a gente fala muito de jeitinho brasileiro, mas existe o jeitinho egípcio. Lá no museu do NASP, eu tenho original, alguns besouros ou escaravelhos de pedra.
O que eram esses besouros de pedra? O faraó ou o vizir, a pessoa que era rica, mandava um sacerdote confeccionar para ele um coração de pedra na forma de besouro, um coração de pedra com peso, né? Do coração, com peso.
Aí, quando o faraó morresse, na múmia, ao invés de colocar o coração de verdade, eles colocavam o coração de pedra. Inclusive eu tenho raio-X, posso mandar para você no Zap, aí para vocês verem. Eu tenho lá em casa raio-X, aham, de múmia, raio-X de múmia.
Fazem tomografia computadorizada para você conseguir olhar dentro da múmia sem tirar as bandagens. Aqui você vê o escaravelho de pedra bonitinho aqui no meio. Sério, por dentro!
Nossa! Então, por que que eles colocavam o coração de pedra? Porque eles acreditavam que aquele coração de pedra enganaria os deuses no dia do juízo.
Os caras não enganaram a gente, que enganam os deuses. Exatamente! No dia do juízo, ele pode ter feito o que quisesse, ter traído a mulher dele, podia ter desfalcado na empresa, roubado verbas públicas, ele pode ter matado o papa, não tem problema.
Por se ele tem na múmia dele um coração de pedra, no dia do juízo, a pedra não conta os seus pecados. Então, bota a. .
. Pedra na balança, ela nunca vai pesar mais do que a pena da deusa, mesmo sendo de pedra. Então, na cultura egípcia, ter uma ação de pedra era a segurança de que nada ia te acontecer no juízo final, independente dos crimes que você cometeu.
Cara, era doido! Os caras se enterravam até com ouro. Não, mas eu não entendi, pera aí!
Mas o coração de pedra pesa mais que a pena. Mas lembra o que eu falei: o que fazia no Juízo Final o coração pesar não era o material do que ele era feito; era um juízo místico. Entendi.
Como não? Tá com coração não tem peso. Deus.
. . era uma balança metafórica.
Tanto é que tem o Livro dos Mortos; você deve ter visto que tem o Deus Toth pesando a pena de um lado e o coração do outro. Sabe? Então, assim, o coração pode ser feito de chumbo.
O que o faz pesar é a carga de pecados dele. Exatamente! Ele é a caixa preta da sua vida.
Os egípcios acreditavam em pecado, sim. Sim, você tem muita. .
. tinha um código ético do Egito, exatamente, tem um código de ética enorme dos egípcios. Então, pelo código de ética egípcio, o faraó também sabia que tinha que responder diante dos deuses porque o povo dele estava sofrendo por causa da incompetência dele, por causa do orgulho dele.
Se não me engano, eles também viviam muito para a vida após a morte; a vida deles era dedicada para ter uma vida mais longa após a morte. Verdade! Por isso que a casa do egípcio.
. . se você for no Egito fazer arqueologia, você não vai encontrar nem a casa dos ricos.
Ah, você só vai encontrar a tumba. Caramba! Porque o rico fazia casa de tijolo.
Uhum, lembra que os hebreus eram obrigados a fazer tijolo? Porque aquela casa vai passar, agora a tumba não; a tumba é a vida eterna. Caramba!
Então, nesse. . .
teve muita gente que ficou rica achando essas tumbas aí, né? Com certeza! Por isso que Deus faz esse trocadilho: "Eu endurecerei o coração de Faraó".
Quer dizer, o faraó tá confiante que, por ter um coração de pedra, nada vai acontecer com ele. Nossa, não é possível! Cara, essa interpretação foi longe, hein?
Não, porque eu tô. . .
eu endureço o coração do faraó, eu olho e falo: meu Deus, Deus tá de sacanagem. É possível? Deus tá querendo que ele negue para poder se lascar e levar uma mensagem.
Mas não! Na verdade, é como se Deus quisesse entregar o que ele pediu, só que tá debochando disso. Percebeu?
Né, Rodrigo? Ele tá. .
. tá sendo impossível ler a Bíblia sem ele do lado. Rodrigo, aí não vai dar!
Não vai dar para sear sozinho mais! Mas calma que vem novidade. Vocês estão juntos!
Caramba! Rodrigo, ele cria o problema e aí depois ele vem e vende a solução. Como bom empreendedor, ele mostra para você que tudo que você achou que aprendeu nos últimos 10 anos não teve nenhum sentido.
Ele fala: "Não, não é assim, assim tão fácil comigo". Inclusive, quando eu tiver essas coisas, a gente vai explicar até com imagens e tudo, mas aguardem! O fato é que Deus estava não apenas zombando, mas falando assim, dando uma lição: "Faraó, não adianta você ficar com coração de pedra guardadinho lá".
Porque aí, isso é interessante! Eu esqueci de falar; isso é importante para vocês entenderem mais ainda. O coração de pedra era confeccionado enquanto o sujeito estava vivo.
Uhum! Quando ele morresse, fosse colocado dentro da múmia dele. Cara, como.
. . você tá entendendo?
Então, olha: você tá confiando que esse coração de pedra te livra? Eu vou te mostrar que não!