e a sexta-feira que o Nilson havia começado como qualquer outra e no dia treze de Janeiro de 2017 ele saiu cedo de sua casa no extremo sul de São Paulo em direção ao cruzamento da Avenida Ibirapuera com a Rua Pedro de Toledo onde trabalhava vendendo balas e mais tarde o ambulante encontrar alguns amigos e praticar os passos de dança que planejava apresentar numa boate a gente a nossa lá no sambarylove lá aí os meus colegas a gente sai eu falei bom chegar vendas Barbacena acabar e encontramos colega para nós ir ensaiar lá no sabadão ir
lá e dançar se divertir o ok as coisas acabou acontecendo do contrário em algumas horas depois de chegar ao farol de trabalha Carlos Correia no policial civil deteve Wilson levou para sua unidade o centésimo dp no Jardim Herculano a cerca de 20 Km dali e lá ele foi reconhecido por uma mulher branca de 25 anos esposa do policial que havia feito a prisão ela afirmou que sem sombra de dúvida Wilson é o homem que havia saltado os seis meses antes na altura do número mil da Avenida Ibirapuera e Ele foi detido temporariamente e cinco dias
depois um mandado de prisão preventiva colocou ambulante no centro de detenção provisória 2 de Guarulhos é mas em quinze de Fevereiro depois de um mês atrás das grades Wilson saiu da prisão ele tinha sido preso por um crime que não cometeu E aí [Música] [Música] e por volta do meio-dia e dez de agosto de 2016 a vítima do roubo entrou no centésimo de Pedro Jardim Herculano para registrar um boletim de ocorrência e o Crime havia acontecido um dia antes um homem negro magro de cerca de 1,70 e cabelo raspado apertou o pescoço de sua filha
e mediante grave ameaça roubo seus pertences um notebook um tablet Samsung e um celular Motorola e os meses se passaram sem a polícia chegaram ao suspeito Até que em dezembro mais de 100 dias depois do assalto a vítima avisou seu marido policial que havia visto o criminoso vendendo balas na Avenida Ibirapuera com a pistola a gente resolveu iniciar uma investigação por conta própria ele passou a fotografar pessoas na região debatiam com a descrição feita pela esposa e no dia treze de fevereiro em uma das fotos enviadas ela reconheceu Wilson o afirmativa o policial agiu na
hora Senti até pensou que era brincadeira porque tava com uma normal assim um monte de gente passa lá no último muito espaço aí eu tô próxima um abraço para você tá preso Oi Oi princesa como você tá vendo meu tem dizer olha eu também tô trabalhando aqui não não trabalha não você tá preso Olha o seu aqui ó vendo o álbum mais bola que eu trabalho aqui pô não sem trabalham você finge que trabalha aqui para roubar o pessoal fala se quiser perguntar para todo mundo aqui pô que me conhece aqui todo mundo vai falar
ele falou não não adianta o pessoal vão falar nada você tá preso em vai lá no meu para trás aí aí não foi não que tirou a arma assim que eu vou fazer um negócio aí não é brincadeira um negócio é de verdade mesmo aí tava meio Assustado assim eu falei bom não vou ficar calma sei lá se ela não me diz para aí o Wilson tentou conectar disse que as câmeras de segurança da rua comprovaram que ele trabalha no local e que todos os dias chega a sete horas da manhã e vai embora a
5 horas da tarde seus colegas confirmaram e alguns motoristas que conheciam vendedor chegar na descer do carro para reforçar a defesa não vai adiantar você fala nada vou te levar de qualquer jeito aí eu falei ó e faz assim fica de joelho aí bons aí foi traumatizante hein e como crime ocorreu em Moema o vendedor deverá ser encaminhado para o 36º DP a pouco mais de 2 Km dali mas o policial quis levar ambulante para o seu posto de trabalho no Jardim Herculano lá ele foi colocado ao lado de outros presos para o reconhecimento da
vítima A falsa ilusão que impede que ele vai ser o reconhecimento aí tava eu e mais quatro cara branco tava procurando um negro Oi e o enfoque aqui lá e se a lei Processual Penal de que é isso a pessoa que vai reconhecer seja uma vítima de um crime seja uma testemunha ela tem que em primeiro lugar descrever a pessoa que ela viu depois que ela faz essa descrição Então ela é levada a um lugar especial de reconhecimento onde devem ser colocadas quatro pessoas com aquela mesma descrição adianta colocar um moreno loiro Negro Gordo Magro
um áudio de óculos Maceió tem que ter mais ou menos a mesma aparência física Então é isso que a lei diz assim que o reconhecimento deve ser feito né E que autoridade que vai conduzir não pode influenciar uma criatura do reconhecimento isso não é respeitado Hoje em dia a gente tem um problema gigante que é o reconhecimento por foto e todo mundo tem mas um celular uma foto no WhatsApp nas redes sociais para mostrar e o que que aconteceu os tribunais entendiam que esta Norma existe no código de processo penal era uma recomendação ela não
era obrigatória esqueci não tivesse sido cumprida a contento ela não geraria uma nulidade que era só uma recomendação e esse Sem dúvida nenhuma um dos grandes gargalos grandes caminhos para o erro judiciário no muitos casos né porque a polícia então tratava a questão reconhecimento com muito pouco cuidar 1/2020 o Superior Tribunal de Justiça mudou seu entendimento o artigo 226 que regula o reconhecimento deixou de ser uma recomendação e virou Norma Ah mas isso ainda não estava em vigor quando Wilson foi detido um base do apontamento da vítima o delegado Alfredo Pinto de Souza emitir um
pedido de prisão e no mesmo dia foi atendido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo menos de uma semana depois a prisão temporária se converteu em preventivo e o Wilson foi encaminhado para o CDP de Guarulhos chama Olá Wilson Robert Wagner até no chão foi meu Deus do céu seu graças a Deus meu Deus a voz assim o bonde foi bom te conhecer você vai lá para Guarulhos aí eu vou aí pronto falei Aí eu falei Aí eu chorei aí ou já perdeu um pouco a esperança eu e Amora Eu já peguei a esperança depois
de um mês na cadeia Wilson conseguiu uma audiência marcada para o dia Quatorze de fevereiro no Fórum Criminal da Barra Funda a acusação feita pela promotora Alexandra milaré Santos sustentou a maior parte dos seus argumentos no depoimento prestado pela vídeo de acordo com a promotora a esposa do policial apontou sem qualquer sombra de dúvida com certeza absoluta e com depoimentos firmes e o assaltante na Avenida Ibirapuera era Wilson Alberto Rosa a autoria do crime seria inquestionável e era inviável outra pena senão regime fechado e o advogado de defesa contra-argumentou ele apontou o vício em toda
a investigação feita de forma arbitrária pelo próprio marido da vítima que segundo ele buscava Vingança não Justiça mas Sobretudo o defensor elencou uma série de erros cometidos no procedimento de reconhecimento feito pela polícia em desacordo com o código de processo penal a gente não pode imaginar que a memória como uma câmera fotográfica que é algo que aconteceu não é o artigo 226 ele é de 1940 então ele não traz uma série de uma série de avanços e discussões acerca da psicologia do testemunho que faz uma discussão sobre a questão das memórias de um policial liga
para pessoa estará olha pegando o cara vem aqui na Delegacia para reconhecer a pessoa já vai para esse reconhecimento com a vontade de reconhecer então não Sinceramente ela está fazendo uma é mentindo deliberadamente o que a gente chama de erro né se ela acredita e ela reconhecer mas ela de alguma forma foi induzida também para aquele policial que fez esse convite a ela Então hoje o que a gente tem a gente tem um dispositivo legal que é obsoleto e mais mesmo sem obsoleto ele não é observado do veredito proferido pelo juiz Rafael Rocha que era
responsável pelo caso os argumentos da defesa os resultados na sua decisão ele cita Justamente a possível contaminação do reconhecimento pelas falsas memórias pouco estudadas ainda pela doutrina nacional E além disso os procedimentos adotados no período de investigação tinha uma sequência de um congresso Wilson mede 1 metro e 80 10 centímetros a mais do que o descrito pela vítima no boletim de ocorrência de 2016 ela contava que o assaltante Tinha a cabeça raspada mas as fotos nas redes sociais do vendedor mostram que usavam corte de cabelo moicano na época a abordagem policial também foi questionada Correia
além de ter levado o vendedor da delegacia errada fez a prisão sem mandado e nas palavras do juiz ao arrepio da lei o maior responsável pela nome ali no processo concluiu o magistrado foi o policial civil marido da vítima diante disso ele tirou sua conclusão a pretensão punitiva estatal fome procedente e o Wilson acabou absolvido tem tem que ser mais não que eu já dei para passar no corredor o que você fala 30 dias a 30 dias um negócio rápido mais lá na cadeia não é pô a liberdade mulher coisa que não tem coisa que
paga Liberdade você tá aqui agora você vai na infância eu te olhar assim um galho de árvore vamos acrescentar valor para um galho de árvore apesar da sequência de erros cometidos durante o processo o caso de Wilson não é exatamente uma anomalia na justiça brasileira no levantamento inédito feito pela folha e analisou 100 casos de inocentes que acabaram na prisão a falha no reconhecimento É de longe a maior responsável pelo erro judicial os mais afetados pelas decisões incorretas somos negros mas o percentual ficar ainda maior nas sentenças proferidas com base em reconhecimentos advogados tudo isso
está diretamente ligado também a construção do estereótipo não é uma construção histórica dos estereótipos como estratégia de marcadores das Diferenças atribuída a e da população negra da população indígena que foi né é algo histórico é algo que vem desde o Instituto da escravidão então isso não passou na mentalidade dos policiais né a produção racial do suspeito padrão tá na mentalidade da sociedade a sociedade também reproduz esse tipo de concepção o racismo é quem vai definir Quem deve ser capturada e que não deve ser capturado tem vai ser identificado a partir de um retrato falado a
partir da palavra da vítima a partir do Olhar do Juiz a partir do Olhar do policial né nesse dessas tecnologias todas você pegar o Android pessoa os caras então uma passei no sentimento porque vou te falar um negócio não querer te desanimar os nem nada mas você negão se você não acusar de 157 você acha que chegar lá no fórum lá a vítima vai ficar do lado de quem o juiz é o caso do lado de quem se acha seu ou da vítima Eu que sei não mano é bom você tem sabendo que você vai
falar lá mesmo se você quer assim às vezes é mais Só você faltou você mesmo que roubou mesmo sem cinco é uma só você falar que se você falar que foi você que roubou mesmo o juiz vou te dar lapenna lá que é de cinco anos e quatro meses lá você vai ficar um ano e meio Você vai sair hoje você vai construir a uma que essa história sua aí mande não sente aí eu não sei não o processo de Wilson correu com relativo agilidade na justiça o que não é a regra para a maioria
dos presos provisórios hoje quase metade da população carcerária do país mas isso não significa que ele se livrou da sombra da prisão mesmo absolvido a passagem ficou marcada na Sua Ficha final em abordagens policiais explicaram o caso nem sempre é uma tarefa fácil não porangala quando moral policial em bateu o mesmo sendo você um a gente aquele tempo que eu não tinha passado eu falo tá e aqui ó gente vai ter uma dança aí aí eu vou para a balada aí dependendo eu chegar aqui encontrar polícia aqui é de madrugada é povoado E aí e
a ser inocentes presos faz parte de uma sequência de reportagens especiais da folha sobre os principais erros da justiça brasileira que levam pessoas injustamente a prisão nas próximas semanas um novo episódio será publicado a cada 7 dias no site da folha e no YouTube no jornal para se manter atualizado e inscreva-se no canal e ative as notificações e para ler mais acesse o link na descrição do vídeo [Música]