[Música] Partiu partiu pensar partiu pensar por instantes de plenitude, potência e luz. [Música] Senhoras e senhores, estamos no ar. Esse é o nosso #partipensar, porque hoje é terça-feira, dia de darmos as mãos e pensarmos juntos.
Estamos dando a palavra aos gigantes do nosso pensamento para que eles nos ajudem vendo como eles pensam. A gente pode se inspirar e pensar junto. A palavra está com o grande Parmênedes.
Parmênides da escola de Heleia dos Eleatas. Parmênedes, o grande estudioso do ser, o ser que está por trás de todos os entes que nós encontramos por aí. Como a gente disse, a mesa é, a cadeira é, a cama é, é sinal que todos eles são formas diferentes, particulares de manifestação do mesmo ser.
Parmênedes não se interessa pelos entes. E por que não? Bem, nós tínhamos explicado que Parmênedes encontrou a deusa Dick e ela explicou que existem dois caminhos, o da verdade verdadeira, a aleteia, e o da outra verdade, que é a das opiniões, né?
E essa aí é baseada nos sentidos. A gente disse que para uns o café tá bom, para outros o café tá ruim, para outros tá quente, para outros tá frio, né? Para uns tal coisa é legal, para outras não é.
Para uns, né, a lasanha de tal lugar é a melhor do mundo, né? Para outros, o cheiro desse perfume é insuperável e enquanto que para outros nada disso procede. Então, existem verdades difíceis de compartilhar, verdades para mim e que, como dependem dos sentidos, são verdades que funcionam meio que só para mim.
Agora, as verdades provenientes da razão, as verdades que não têm nada a ver com os sentidos, essas todo mundo tem que aceitar como verdadeiras. Essas são verdades compartilháveis. Como a de que 2 + 2 são quatro, né?
A á do quadrado é o lado vezes o lado. A área do triângulo é a base vezes a altura dividido por 2, né? como também se todo homem mortal e eu sou homem, então sou mortal.
Dadas duas premissas verdadeiras, a conclusão é também necessariamente verdadeira. Então, muito bem, nós viemos até aí e vamos tentar agora ver de que modo todas essas coisas nos ajudarão a pensar a respeito do ser. Por que razão vamos atrás do ser e desprezar os entes?
Por que razão vamos atrás do ser subjacente a todas as coisas e com isso desprezar as coisas? Ora, porque os entes, as coisas, os corpos, esses nos chegam através dos sentidos e os sentidos são fonte de opinião. E o filósofo escolheu a via da verdade conv grande, da verdade aleteia.
E por isso o filósofo, pelo menos assim sugere Parmênedes, o filósofo vai atrás da verdade compartilhável e essa não chega através das coisas dos sentidos, mas chega através das constatações da razão, que são absolutamente inquestionáveis por qualquer um. Então, Parmes é o primeiro filósofo que não vai dar bola para para esse negócio do ar, da água, do fogo, das realidades particulares. Ele prefere investigar sobre o ser, isto é, o ser que é tudo aquilo que é, ou seja, o ser que tá por trás de todos os entes particulares, que pelo fato de serem entes, são.
Assim como os estudantes estudam e os viventes vivem. Quando eu falo de um ente em particular, eu falo do ente em particular porque vejo, porque percebo esse sentido que me permite perceber um ente particular. Ele, como a gente viu exaustivamente, ele não nos trará uma verdade necessariamente compartilhável.
Para mim parece uma coisa, para você pode parecer outra e cada um fica com a sua verdade. Eu não posso, portanto, construir um conhecimento seguro em cima dos sentidos, porque nunca eles me trarão uma verdade que não possa ser contrastada. Então, Parênes vai colocar a investigação sobre os entes da natureza, do homem, etc.
vai colocar isso de lado e vai se debruçar sobre o ser de um modo ou segundo uma metodologia que é a da razão, a da busca da verdade aleteia, a da busca da verdade com V grande. Então vamos junto me dê a sua mão tentar pensar sobre esse ser, mas me dê a sua mão firme. Me sinto com você como se conhecesse bem uma montanha russa, tivesse no ponto mais alto e você não soubesse o que vai acontecer.
Mas eu sei o que vai acontecer. É um despencar desagradável. Então, confia em mim.
Segura na minha mão. Se o tranco forte, eu tô aqui. O ser é aquilo que é.
O ser é tudo que é. E é claro que o ser tem o seu oposto. E o oposto do ser é o não ser.
Pois muito bem, o que será então esse não ser? Ora, esse não ser o que não é. E sobre o que não é, não há o que falar, não há o que pensar, não há o que imaginar.
Então, a fórmula que Parmenes vai usar, que se tornou conhecidíssima, é essa aqui. O ser é e não pode não ser. E o não ser não é e não pode ser.
nem mesmo imaginado, nem mesmo pensado, nem mesmo cogitado. O ser significa que o ser existe e não pode não ser. Isto é, não pode não existir.
Porque se ele não existisse, ele não seria ser. Se o ser pudesse não existir, não seria mais ser. Já o não ser, ao contrário, não é, não existe, não pode ser.
Se o não ser fosse ser, então deveria existir e não seria mais não ser. Então veja que nós estamos diante de uma fórmula que se chama princípio da identidade e que é uma fórmula que terá consequências devastadoras. Você não deve est me levando a sério, mas não tem problema, porque as consequências que nós vamos tirar disso, elas são estranhas.
Por enquanto, tudo parece de uma obviedade infantil e daqui 5 minutos parecerá de um estranhamento alucinante. A fórmula é: o ser é e não pode não ser. O não ser não é e não pode ser.
Veja que nós temos aqui além do princípio da identidade, né, nós temos o princípio da não contradição. Claro que Parmênides não os chamava assim. Parmênides não os conhecia como princípios.
Mas não importa. No tempo de Parmênides, esses princípios não eram ainda formulados como princípios da lógica. Aristóteles vai fazer isso muito tempo depois.
Princípio da identidade, princípio da não contradição. Deixemos isso para depois e fiquemos com o que Parmendes disse. Parmendes está convencido de ter encontrado uma primeira verdade sobre o ser, sobre tudo que é, sobre a realidade.
Uma verdade forte que, por enquanto, parece banal. Mas você verá já agora que partindo desta afirmação, o ser é e não pode não ser. O não ser não é e não pode ser, que chegaremos a consequências nada óbvias.
Observe que para Parmene diz, nós estamos lidando com questões de razão. Portanto, já não importa mais se você tá vendo uma mesa, uma cadeira, um quadro, não importa mais. Nós estamos nos debruçando sobre um problema que pode ser resolvido de olhos fechados.
Então, qual é o elemento que que parece estar por trás desse raciocínio? O elemento que tá por trás desse raciocínio é que existe uma correspondência entre o pensamento e o ser. Isso é alguma coisa fundamental para nós.
A estrutura do nosso pensamento corresponde à estrutura do ser, até porque o ser é o que está por trás de toda a natureza e é a nossa natureza que pensa. Por isso, não é de se admirar que a mesma natureza que é escorada no ser pense de um jeito análogo à estrutura do ser. O modo pelo qual eu raciocínio é o mesmo modo pelo qual a realidade funciona.
Então, eu usei regras da lógica, eu pensei sobre o ser, eu botei a mente para funcionar e eu estou convencido de que o jeito que a minha mente funciona é o mesmo jeito que a realidade funciona. E por isso eu posso entender a realidade. Realidade é compreensível, porque a realidade é natureza e é a mesma natureza que também pensa.
Por isso, para Parmendes, a realidade é racional tanto quanto é racional à minha mente. Existe, portanto, uma correspondência entre o pensamento e o ser, entre o meu modo de raciocinar e a estrutura da realidade. De tal maneira que eu posso pensar e eu posso estar seguro que esse meu raciocínio não tá em outro universo, não tá em outra galáxia, não tá completamente fora de sintonia, mas não.
Este meu pensamento também vale para o mundo. A matemática, por exemplo, resulta da minha atividade intelectiva. As regras matemáticas que funcionam na minha mente também são as regras do funcionamento da realidade.
Você quer ver? Ó, posso demonstrar para você. Eu pego três bananas, ponho duas maçãs do lado, são cinco frutas.
Então conto 1 2 3 4 5 Olhando pras frutas. Agora eu mando as frutas embora e eu trabalho com 3 + 2 = 5, independentemente das frutas. Então veja, com frutas ou sem frutas na minha frente, o meu modo de pensar corresponde ao que existe no mundo.
Eu tô falando de cinco porque eu posso contar cinco, mas vamos imaginar que fosse 5384 e 712. Eu não vou somar contando 5. 384 coisas com 7.
512 coisas para chegar num resultado que ia dar um trabalho enorme. Então eu faço a conta. É um modo de pensar.
Se eu fosse contar, dava o mesmíssimo resultado. Então, eu posso chegar no resultado contando as coisas da realidade ou eu posso chegar no resultado somando as coisas na minha mente e dar o mesmo resultado. Como você vê, existe um elo entre é um liame, um uma correspondência entre aquilo que eu penso e o modo como as coisas são.
A partir de agora, eu não preciso mais do caminho da opinião, do caminho dos sentidos. A partir de agora, eu posso lidar com a minha mente. Ela me basta.
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Feijão. Fechando os olhos, eu sei que o não ser não pode existir. Se ele existisse, ele não seria não ser.
Agora, se eu abrir os olhos, é possível que eu seja levado a erro. E por quê? Porque se eu abrir os olhos, eu posso ser levado a pensar em alguma coisa diferente.
O que que eu acabei de dizer? O não ser não pode ser. O não ser não pode existir.
Mas na hora que eu olho pro mundo, os nossos sentidos dizem que o não ser existe. Como assim? Porque as coisas que nós olhamos diante de nós, elas estão o tempo inteiro passando do que são para o que já não são mais.
estão passando do que eram para o que acabaram de passar a ser e já não são mais o que eram. Portanto, o não ser parece estar antes e depois do ser, mas ele está aí. As coisas que nós vemos diante de nós passam o tempo inteiro do ser ao não ser.
Passam do tempo inteiro do ser ao ser mais. A nossa experiência sensível é uma experiência onde o não ser tá o tempo inteiro participando. Bom, vamos pegar o caso mais aberrante, a morte.
A morte, o que é a morte? É a passagem do ser ao não ser. A morte é o não ser.
A morte é o não ser do vivente. A morte é o reino do não ser. Que loucura.
Ah, mas se você achou o exemplo meio tétrico, né? Você tem uma jarra de água cheia, bebe a água da jarra e percebe que pelo menos a jarra como ela era, ela já não é mais. Agora, se você quiser, joga a jarra no chão e quebra a jarra.
E aí você verá que agora ela não é mais, nem porque tá vazia, nem porque tem jarra. Aí, se você quiser, você fica sem comer um tempo e você percebe que perder peso, o que é perder peso? É uma parte do corpo que se torna não ser.
Eu, por exemplo, sou em relação ao que era 75%. Sei lá, acho que eu passei de 110 para 75, então mais, né? Mais.
Eu perdi praticamente 1/3. Eu sou 2/3 do que eu era. 1/3 virou não ser.
A morte é uma passagem do ser ao não ser. A perda de peso é uma passagem do ser ao não ser. A jarra quebrada é uma passagem do ser ao não ser.
O incêndio é uma passagem do ser ao não ser. O envelhecimento é uma passagem do ser ao não ser. Nossa, eu não sou mais o moleque dos 5 anos.
Eu não sou mais o estudante dos 12 anos. Eu não sou mais o vestibulando dos 15 anos. Eu não sou mais o formando dos 20 anos.
Eu não sou mais o doutor dos 24 anos. O doutorando, né? Doutor eu ainda sou, mas o doutorando dos 24 anos eu não sou mais.
Eu não sou. O ser tá o tempo inteiro aqui comigo, né? ter me tornado um adulto me fez passar do ser ao não ser, do ser criança a não ser mais criança.
Quando eu, se você quiser, eu posso te dar outro exemplo. Vamos imaginar que você pegue uma coisa X e uma coisa Y. Ah, que sejam duas frutas de novo, uma maçã e uma banana.
Pelo fato de estarem as duas ali, fica claro que a maçã não é a banana. A banana não é a maçã. Uma não é a outra.
A outra não é a uma. Como você pode perceber, o não ser faz parte da nossa vida percebida, sensível, da nossa vida observada pelos sentidos. Só que nós tínhamos dito que o não ser não é e não pode nem ser cogitado, nem ser imaginado.
Logo, se o não ser não é e a morte é o não ser, então a morte não é. Se o peso perdido é não ser e o não ser não é sequer cogitável, a perda de peso não é, o deixar de ser não é. E aí começa a ficar interessante.
Se o não ser não existe, então o tornar-se não existe. Não existe o devir, não existe o vir a ser e não existe o deixar de ser. Porque o deixar de ser exige considerar e o ser e o não ser.
O vir a ser exige considerar o não ser e o ser que acaba de advir. Ora, se o não ser não pode ser considerado, o devir não pode ser considerado. A transformação não pode ser considerada, a mudança não pode ser considerada.
Podemos então tirar daí consequências estarrecedoras, chocantes, avaçaladoras, apenas aplicando a lógica. E o que é que Parmênides vai nos ensinar? A primeira coisa que ele vai nos ensinar é a partir da pergunta: pode o ser ter surgido em algum momento, em algum lugar?
Ou poderíamos perguntar assim: "Pode o ser ter nascido? Pode o ser ter tido origem no tempo? Pode o ser ter sido gerado?
" A pergunta é de extraordinária atualidade. O que tinha antes do Big Bang, né? Porque para ter tido uma grande explosão, alguma coisa explodiu.
Da onde veio isso aí que explodiu? Então, a pergunta é totalmente pertinente. O universo foi criado?
O universo teve sua origem? pergunta que a humanidade sempre se fez e continua fazendo. A teoria do Big Bang, eu repito, nos dá alguma explicação, mas não explica tudo.
Então vamos pensar juntos. Se o ser tivesse sido gerado, o que isso significaria? Em que isso implicaria?
Implicaria que o ser antes não era e depois passou a ser. O ser antes não era e num certo momento passou a ser. Ora, mas se isso fosse assim, o que haveria antes do ser?
Se o ser não era, só poderia ser, só poderia estar o não ser. Mas o ser pode existir, não pode o ser existir? Não dissemos que não.
O ser é o não ser não é e não pode ser nem pensado. Logo, é impossível que o ser tenha sido gerado, porque ele teria sido gerado pelo não ser que não é. Portanto, temos que descartar completamente essa hipótese.
Temos que aceitar que o ser, se ele não surgiu, se ele não foi gerado, se ele não tem a sua origem num determinado momento do tempo, é sinal de que ele sempre foi, ele sempre existiu. Logo, o ser sempre existiu porque não pode ter sido gerado, sobretudo gerado pelo não ser, que não sendo, não poderia gerar nada. Como você deve perceber, o tal do Parmes Mendênes, ele raciocina pelo absurdo, como se faz na matemática de vez em quando.
Ele diz: "Vamos imaginar que o ser tenha sido gerado. " Ora, se o ser tivesse sido gerado, isso significaria que ele tenha começado a existir de um ponto, de um momento do tempo a partir daí. Ora, antes do ser tinha que existir alguma coisa de diferente do ser.
Ora, o que pode ser uma coisa diferente do ser? Ora, uma coisa diferente ser do ser só pode ser o não ser, mas o não ser não pode existir. Logo, chegamos a um absurdo.
Então, a tese de que o ser começou a partir de um certo momento do tempo é uma tese equivocada. A tese da qual nós partimos é absurda. Logo, a tese verdadeira é a tese contrária.
O ser é não gerado. Ou se você preferir, o ser sempre existiu. Você curtiu?
Loucura. Não, eu acho que você tem o direito de ouvir isso de novo, porque isso aqui, nossa, isso aqui com o vinhozinho do Porto te leva loucura. Essa é a primeira consequência da fórmula inicial de Parmênedes.
Se o ser é não ser, e o não ser não é e não pode ser, o ser sempre existiu. Ficamos por aqui. Eu, se fosse você, ouviria outra vez.
E se você gostou, convida alguém para ouvir conosco. Um beijo grande. [Música] Valeu.
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