Contabilidade como instrumento de decisão Olá, sou o professor Marcelo Neves, autor do conteúdo da disciplina “Design de Cenários”. Dando prosseguimento aos conhecimentos já adquiridos nesta importante disciplina, vamos agora atentar para uma importantíssima ferramenta de tomada de decisão que é a contabilidade, mais especificamente conversaremos sobre os Demonstrativos Contábeis e também sobre um procedimento de avaliação de empresas que é o conjunto das Análises Vertical e Horizontal. Vamos começar?
Histórico e Evolução A contabilidade remonta ao início da raça humana e podemos desde um dos livros mais antigos, a Bíblia, ter informações a respeito da necessidade do ser humano de saber o seu patrimônio. Com o passar do tempo e a evolução dos sistemas produtivos e da quantidade produzida, veio a necessidade de melhorar a forma de contabilizar as operações. A contabilidade é uma ciência e, como tal, seu objeto de estudo é o patrimônio das entidades, que são, todos os tipos de organizações, desde as que objetivam lucro até as ONGs e os governos, e têm o adjetivo de Social, pois, impactam a sociedade e por ela são impactadas.
Cumpre seu papel social de auxiliar o governo na arrecadação de impostos e organizar as finanças públicas. O sistema contábil é a entrada das operações realizadas nas entidades, o processamento dessas entradas por meio dos conceitos contábeis e como saída os relatórios contábeis. Supre uma gama muito ampla de usuários que vai desde a própria empresa para planejamento e controle, passando pelos investidores, os fornecedores, os bancos, o governo e toda a comunidade.
Já os relatórios contábeis, que são as Demonstrações Contábeis ou Demonstrações Financeiras, resultam da utilização do sistema contábil, sendo eles: Balanço Patrimonial (BP), Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), Demonstração do Resultado Abrangente (DRA), Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), Demonstração do Valor Adicionado (DVA), Notas Explicativas, Relatório da Administração e Relatório dos Auditores Independentes Vamos nos concentrar em três destes: Balanço Patrimonial (BP), Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC). Balanço Patrimonial Quando pensamos em iniciar um negócio, nos deparamos com a necessidade de tomar duas decisões interconectadas que podem ser o fator do sucesso ou do insucesso. Mas, o que isso tem a ver com contabilidade?
Tudo! As decisões são: a primeira, a decisão de investimento. Em qual segmento atuarei – comércio, indústria ou prestação de serviços.
Para cada um desses há a necessidade de realizarmos investimentos, ou seja, termos o ponto de partida para o negócio. Se no comércio (ou qualquer outro segmento), precisamos do local (e neste caso tanto para o presencial ou eletrônico), de um estoque inicial, numerário para a fase inicial, em que normalmente as saídas de recursos são maiores que as entradas, etc. A segunda, a decisão de financiamento.
De onde virão os recursos que suportarão as decisões de investimento, que podem ter duas fontes, recursos de terceiros (fornecedores, bancos, etc. ) ou recursos próprios (capital social). O Balanço Patrimonial registra de forma ordenada, levando-se em conta o prazo, o tipo e o valor para as decisões de investimento e de financiamento, e sobretudo para a de financiamento, a origem desses recursos.
O Balanço é dividido em duas partes. De um lado temos as decisões de investimento, que p têm o nome de Ativo, e de outro, as decisões de financiamento, que têm o nome de Passivo. Tanto o ativo quanto o passivo têm dois grupos de contas que se definem pelo prazo.
Para valores que se realizarão em até um ano da data de elaboração do balanço, denominamos circulante, que para a contabilidade significa curto prazo. Para valores que se realizarão após um ano da data de elaboração do balanço, denominados não circulante, que para a contabilidade significa longo prazo. Em relação ao Ativo, podemos classificar de uma forma direta como bens de direitos da empresa e para o Passivo, as obrigações para com terceiros, ou capital de terceiros.
Como outro grupo do lado das decisões de financiamento temos o Patrimônio Líquido que informa a participação dos donos do negócio no financiamento do negócio iniciado, ou capital próprio. Demonstrativos de Resultados Após o início das operações, temos efetivamente o desenvolvimento do negócio, e a partir daí precisamos, de alguma forma, apurar seu resultado. Aí, de novo, a contabilidade entra em campo e nos dá o formato para essa apuração.
A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é utilizada para apurarmos o resultado. Na DRE temos acumuladas, num período escolhido, normalmente de um ano, podendo ser feita com base no mês, no trimestre, ou qualquer outro período, todas as receitas e despesas, inclusive os tributos sobre as vendas e sobre o lucro do período, que são confrontadas. Dessa forma, apuramos o resultado, que pode ser: lucro, quando as receitas forem maiores que as despesas, ou prejuízo, quando as receitas foram menores que as despesas.
Os valores constantes na DRE e na contabilidade, de modo geral, seguem o regime de competência. No regime de competência, as operações são registradas na contabilidade quando ocorre o que chamamos de fato gerador, o evento econômico tem primazia em relação ao evento financeiro. Por exemplo, é feita uma venda de R$ 1.
000,00 em janeiro à vista. O reconhecimento da receita ocorre em janeiro, registrando-se, então, o recebimento dos R$ 1. 000,00 no caixa; se por uma condição de mercado ou de relacionamento com o cliente a venda é a prazo e o pagamento fica acordado para setembro do mesmo ano, o registro da receita ocorre, também, em janeiro, constando o valor a receber como duplicatas, e em setembro quando o cliente pagar, baixamos o valor a receber e registramos o dinheiro recebido no caixa.
Da mesma forma ocorre com todas as despesas que a entidade realizar. A partir das receitas, subtraímos todas as despesas, inclusive uma despesa que tem o nome de custo, que são mercadorias vendidas para o comércio, dos produtos vendidos para indústria e dos serviços prestados para as prestadoras de serviços. Encontramos ao final o resultado líquido, passando pelo resultado bruto, resultado antes do Imposto de Renda (IR) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), resultado das operações continuadas, bem como as participações no resultado que porventura ocorreram.
Como participações podemos citar a participação no resultado pelos colaboradores da empresa, pelos administradores etc. Demonstrativos de Fluxos de Caixa O resultado que encontramos na DRE não necessariamente se converte em disponibilidade de recursos, pois, como vimos antes, a DRE é elaborada de acordo com o regime de competência. Como, então, podemos observar de que forma o caixa, o dinheiro da empresa, se comportou?
De onde vieram os recursos e para onde foram? Para obtermos essa informação, a contabilidade tem a Demonstração dos Fluxos de Caixa. Isso mesmo, fluxos, no plural.
A DFC traz na sua elaboração duas questões muito importantes. A primeira é que na DFC, o que se registra é a efetiva entrada ou saída de recursos, ou seja, o regime de caixa. A segunda é que as entradas e as saídas de recursos são separadas em três fluxos de atividades distintos.
1 – Atividades Operacionais – As entradas e saídas de recursos que se originam na atividade fim da empresa, ou seja, na operação e englobam, por exemplo, os recebimentos das vendas, os pagamentos aos fornecedores, aos colaboradores, dos tributos sobre as vendas, das despesas com água, luz, telefone, etc. 2 – Atividades de Investimento – As entradas e saídas de recursos que se originam na movimentação dos ativos de longo prazo, ou seja, o não circulante, como os pagamentos na aquisição de um veículo, uma máquina e os recebimentos correspondentes às vendas de ativos dessa categoria e, seguindo o mesmo exemplo, as vendas de veículos e máquinas usados. 3 – Atividades de Financiamento – As entradas e saídas de recursos que se originam de fontes de financiamento da entidade podem ter duas fontes: i) o capital de terceiros, que como exemplo de entrada de recursos temos a captação de um empréstimo ou de um financiamento, e como exemplo de saída de recursos, o respectivo pagamento do empréstimo ou financiamento; ii) o capital próprio, como exemplo de entrada de recursos temos o aporte inicial e subsequentes de capital pelos donos do negócio e como exemplo de saída de recursos temos o pagamento de distribuição de lucros ou juros sobre o capital próprio.
Na DFC temos uma visão adequada de como o caixa está se modificando ao longo do tempo e com a separação dos fluxos deste caixa podemos entender quais são as atividades que geram ou consomem caixa. O fluxo de caixa das atividades operacionais deve ser o maior gerador de caixa, pois, é na atividade operacional que se concentra a maioria das operações da entidade. A soma da variação dos três fluxos de caixa deve ser exatamente o valor da variação do caixa geral.
Análise Vertical e Horizontal Um novo mundo se abre no quesito de análise das demonstrações contábeis e temos uma infinidade de indicadores a serem calculados e analisados. Duas características importantes na análise de uma entidade são a comparação dos valores obtidos num determinado período em relação aos períodos anteriores e a estrutura dos demonstrativos contábeis. A análise vertical se concentra em obter a representatividade de cada conta do demonstrativo contábil em relação ao seu todo, ou seja, todas as contas do ativo em relação ao ativo total, as contas do passivo e do patrimônio líquido em relação ao passivo total e as contas da demonstração de resultado com a receita líquida.
A partir dos resultados dessa análise podemos observar a composição dos demonstrativos e saber quais contas são as mais importantes na estrutura das decisões de investimento e de financiamento. Quando analisamos o balanço e a demonstração do resultado, temos a clareza de quais contas influenciaram mais na formação do resultado, ou seja, lucro ou prejuízo do período. A análise horizontal se concentra em obter a variação de todas as contas dos demonstrativos contábeis do período atual, ou mais de um, normalmente dois, com um período base.
A partir das variações encontradas podemos avaliar o desempenho dos períodos e perceber uma tendência. Com base nos resultados das análises vertical e horizontal, podemos transformar os dados em informações, quando encontramos numa mesma conta uma alta representatividade, na análise vertical, e uma grande variação, na análise horizontal, pois, uma alta representatividade sem uma grande variação não é ponto de atenção, da mesma forma que uma grande variação sem uma alta representatividade da mesma forma não é ponto de atenção. Considerações Finais Nesta aula, tivemos contato com o mundo contábil e tratamos dos demonstrativos como ferramenta de gestão e tomada de decisão muito importante.
Aprofundamos nosso conhecimento com o detalhamento do balanço patrimonial, da demonstração do resultado e da demonstração do fluxo de caixa, que são os mais relevantes demonstrativos contábeis, pois nos dão uma visão patrimonialista da empresa, ou seja, o balanço patrimonial, uma visão econômica, a demonstração dos resultados e uma visão financeira que é o demonstrativo dos fluxos de caixa. Terminamos falando sobre análise da empresa. Tratamos de duas análises de suma importância, a análise vertical, que é a representatividade, e a horizontal, que é a variação.
O conhecimento da contabilidade é importante, uma vez que torna o profissional mais completo, mais apto a tomar decisões e com uma visão ampliada no mundo dos negócios. Bons estudos e até a próxima.