Olá, moçada! Bom dia! Tudo bem?
Sejam bem-vindos de volta a mais uma meditação histórica, mais uma reflexão histórica. Hoje, dia 27 de março, com uma passagem da obra de Diógenes Laércio, que não foi um histórico, como eu já disse aqui. O Diógenes Laércio foi uma espécie de historiador da filosofia.
Ele tem um livro chamado "Vida e Obra dos Filósofos Ilustres". Esse título varia dependendo da edição; aqui, tem "Vida e Doutrina de Filósofos Ilustres". Enfim, mas é um livro muito interessante porque traz diversas informações da história da filosofia, ah, informações do cotidiano de alguns filósofos, de alguns pensadores.
Nem sempre informações absolutamente fidedignas, né? Porque foram repassadas de segunda ou terceira mão, mas é um documento que, na filosofia, nós consideramos muito importante, pois nos oferece informações extraordinárias para pensar o mundo antigo. Hoje, os nossos autores optaram por citar Diógenes Laércio, comentando uma passagem de Diógenes de Sinope, que, na verdade, nem é um estoico propriamente dito, né?
O Diógenes de Sinope, que é um outro Diógenes, é o Diógenes cínico. Esse outro Diógenes é aquele famoso que andava de dia com uma lanterna, procurando o verdadeiro homem. E esse Diógenes tem alguns pontos de contato com a filosofia histórica, motivo pelo qual os nossos autores optaram pela citação de hoje, 27 de março, intitulada: "Pague o que as coisas valem".
Pague pelas coisas o que as coisas valem. Hoje, especialmente, já naquele tempo, mas hoje especialmente, nós nos perdemos muito nesse sentido. A passagem do Diógenes diz o seguinte: agora, Diógenes Laércio citando Diógenes de Sinope.
Diógenes de Sinope disse que vendemos coisas de grande valor por coisas de pouco valor e vice-versa. Nós temos uma capacidade de julgar que é, às vezes, ou frequentemente, subutilizada no momento em que nós tomamos coisas de pouco valor ou de nenhum valor por coisas de altíssimo valor. E nós fazemos isso por um uso inadequado daquilo que nós comentamos ontem, né?
Do nosso princípio orientador. Nós tomamos como elemento hegemônico, na tomada de decisão, outra coisa que não a razão, que deveria ser esse instrumento hegemônico de tomada de decisão. Diógenes fundou a escola cínica e enfatizava o verdadeiro valor das coisas, um tema que persistiu no estoicismo e se refletiu fortemente tanto em Epicteto quanto em Marco Aurélio.
É fácil perder a noção quando as pessoas à sua volta despejam uma fortuna em quinquilharias que elas não poderão levar quando morrerem. Pode parecer que esse seria um bom investimento para você também fazer. Eu adoro essa ideia de pessoas acumulando uma série de quinquilharias, de lixo de marca; pode não ser de marca, mas de lixo de marca.
Gastando uma vida com isso, com coisas que elas não poderão levar daqui a o quê? Uma semana, meia hora, 10 anos, 20 anos? Não interessa!
Então, parece haver em alguns momentos uma completa inversão do que é realmente importante na vida. As coisas boas da vida custam o que custam; as desnecessárias não valem a pena. Não importa o preço, não importa o preço!
O essencial é ter consciência da diferença entre elas, diferença que se perde com muita frequência no nosso dia a dia. Pois às vezes a gente se mata por umas coisas que, simplesmente, nem deveriam merecer a nossa atenção. Eu não falo isso para vocês, não; eu falo para mim, eu falo para todo mundo, né?
Às vezes eu me coloco um objetivo: nossa, eu quero comprar aquela coisa! E isso atrapalha o meu sono, isso atrapalha o meu cotidiano, isso me joga de um lado para o outro. Aí eu falo: "Mas por que isso?
Para onde é que eu vou levar isso necessariamente depois? Isso é realmente tão importante assim? " E de repente você vê que coisas que têm um preço bem mais baixo têm um valor bem superior.
Eu não consegui não me lembrar de uma passagem da "Apologia de Sócrates". Me perdoem, eu só tenho a versão italiana aqui em casa e a outra é a grega dos diálogos de Platão, então eu vou tentar fazer uma tradução aqui, uma tradução improvisada da passagem final. Ah, não, mas eu tenho uma edição em português!
Não, mas agora já foi; eu vou nessa de italiano mesmo. Nesse livro especificamente, eu tenho em português. Enfim, a passagem final da "Apologia de Sócrates" é um texto escrito por Platão que conta o final, o julgamento de Sócrates propriamente dito, no qual ele vai ser condenado à morte.
E Sócrates faz um comentário final muito bonito a respeito dos filhos. Quando vem a condenação à morte, ele diz o seguinte: "Porém, eu peço a vocês exatamente isto". Ele está falando, ele está no tribunal, né?
O tribunal estava lotado; Sócrates era um homem muito conhecido, muito polêmico dentro de Atenas. "Quando meus filhos vierem a ser adultos, punam, ó cidadãos, punam os meus filhos, oferecendo a eles os mesmos desconfortos que eu ofereci a vocês. Se eles parecerem cuidar das riquezas ou de qualquer outra coisa antes da virtude, eu peço isso a vocês, meus cidadãos.
Eu peço isso a vocês, cidadãos atenienses: que vocês punam os meus filhos se, quando adultos, eles buscarem qualquer coisa na vida antes de terem buscado a virtude, a areté, a excelência e, naturalmente, a compreensão daquilo que realmente conta na vida". Olha que coisa mais linda! "E se assumirão áreas de valer alguma coisa enquanto não valem nada, censurem os meus filhos, assim como eu os censurei a respeito disso.
Se os meus filhos parecerem ou desejarem parecer ser algo que não são, ou que sejam coisas de pequeno valor, de pequena monta, porque não cuidam do que deveriam cuidar e porque acreditam valer alguma coisa enquanto, na realidade, não valem nada. Se vocês fizerem isso, receberei de vocês, cidadãos atenienses, o que é justo: eu e os meus filhos". Mas agora, afinal.
. . É chegada a hora.
É chegada a hora de eu ir para morrer e vocês para viver. Mas quem de nós ruma para o que é melhor, isso ninguém sabe; é obscuro para todos, a não ser para um Deus. Nossa Senhora, essa cena da final da Apologia é uma das coisas mais lindas que alguém pode ler na vida.
É só o que eu peço a vocês: para os meus filhos, olhem a dramaticidade dessa cena. Não é que o Sócrates está falando da boca para fora, não é que ele está tentando dar uma liçãozinha. Não, não.
Apenas se lembrem de cuidar dos meus filhos, e cuidar dos meus filhos significa censurar os meus filhos quando eles acharem que são uma coisa que não são; quando eles portarem uma posição ou assumirem algo, um certo modo de ser que não se sustenta pela realidade e, pior, não se sustenta pelo que é realmente mais importante. Censurai os meus filhos quando eles tomarem conta daquilo que importa menos, que tem menos valor, que são as coisas não relacionadas a uma vida virtuosa. Se vocês não souberem o que fazer com a meditação dessa, vocês não sabem fazer nada com nenhuma meditação.
Beijão para vocês! Tenham um excelente dia!