[Música] Boa noite bem-vindos mais uma vez ao dois em um podcast que já sabe trazemos figuras da atualidade ser modesta trazemos pessoas que fazem a diferença no nosso país desporto sociedade fazem toda a diferença e Vêm cá para falar de da sua vida da sua história contar-nos a sua história falar-nos dos seus projetos e demonstrar que realmente existem angolanos com qualidade angolanos que que fazem toda a diferença no nosso cenário e de vez em quando é uma lufada dar fresco conhecer essas pessoas não não são pessoas muito mediáticas mas são pessoas que têm muito a
dizer dois em um hoje num cenário completamente diferente eu estou aqui finalmente conhecem o espaço do meu cabeleireiro o Cláudio Arruda se deu-me gentilmente esse espaço para gravar hoje com o meu convidado que me é muito querido e que já há algum tempo que quero falar com ele infelizmente na lá que não consigo que tem um programa que só fala de mulheres é para mulheres e sobre mulheres mas hoje aqui no dois em um eu consigo trazer o meu querido onj o dalo da Almeida mais conhecido por onj onj bem-vindo ao dois em um e
muito obrigada por teres acedido ao convite Muito obrigado Cá estamos o onj para além de escritor é um romancista eh também faz alguma poesia também já já andou nesta Aventura de de ser poeta também Na realidade todo o artista é um poeta é pintor e também é sasta portanto é um homem do CH Ofício uhum tá mesmo bem focado aqui no nosso no do em um estás mesmo bem inserito sim cada um de nós é mais do que uma pessoa né Nós transfiguram dependendo das situações nós vamos evoluindo também e vamos fazendo aquilo que que
é necessário para continuarmos a evoluir acreditas nisso eu acho que sim Acho que é sobretudo aqui em Luanda não é onde os artistas qualquer arte normalmente as pessoas têm mais do que uma ocupação Creio que não é fácil as pessoas aqui sobreviverem haverá um ou outro músico um ou outro ator Mas mesmo os atores normalmente as pessoas têm duas ou três funções ou Têm dois carros no processo e e conseguem sobreviver portanto tem que ser três em um sete em um o que for necessário mas no teu caso é preciso ter talento tu és uma
pessoa de multitalentos porque não não és taxista não tens nenhum carro no processo até onde mas devia ter mas devia ter seria de uma casa alugada Portanto tem mesmo a ver com aquilo que é o teu talento mas começando no início quando quando tu te conheceste como digamos on Jaque saindo dalo da Almeida não deixas de ser mas on ja foi na escrita como é que começa essa foi na escrita foi na escrita eh eu fico às vezes a pensar no quando não é porque o quando o quando é mais difícil de identificar quando as
pessoas dizem eh o momento de publicar um livro Tu Podes ver quando é que o primeiro livro saiu foi no ano 2000 mas quando é que se começa a escrever ou quando é que se começa a pensar como um escritor é mais difícil de precisar não é H claro que há muitas histórias né Luanda é uma cidade de histórias de modo geral viv onde a pessoa viver mais periférico menos periférico é uma cidade de histórias Eu também venho de uma família muito carregada de histórias não só a nível dos Pais os avós também dos dois
lados é uma loucura e então junta-se a isso um bocadinho de imaginação Hã eu lembro na escola eu gostava disso gostava da disciplina de língua portuguesa Aliás era a única que eu gostava depois gostava também de inglês as outras nem por isso mas eu creio que isso é uma coisa que vem meio de dentro meio de fora eu acho isso em qualquer em qualquer disciplina por exemplo Vamos pensar o caso do Jean Jaques no no no basquet né ah o Jean Jaques não o Jean Jaques tem muito trabalho muito treino todo uma vida de de
de de treinos mas há qualquer coisa que ele tem que outro jovem não tem e é isso o artista também é um bocadinho daquilo que se esforça por fazer mas é também a descoberta de coisas que estão dentro de nós só não acho é que isso tenha que ser algo de especial isso não é especial é é bom a gente encontrar uma coisa em que é bom e que consegue trabalhar nisso um primeiro momento a seguir quando ficas mesmo bom ou confirmasse a tua posição é logo tentar ver como é que reproduz isso às vezes
nós não reproduzimos aquilo que nós fazemos mas reproduzimos o que nós fazemos de modo a que outros também o façam da sua maneira não tem nenhum problema eu não tenho nenhum problema em tentar passar para outras pessoas quando isso acontece não é qual é o caminho não há um caminho esr S sobretudo ligado à leitura e as pessoas não conseguem às vezes pensar que isso é verdade e cada um tem a sua o seu próprio estilo tu por exemplo tens um estilo que é um estilo muito de contar histórias é aquele estilo que tu vais
lendo as histórias e Vais te embaralhando porque parece um eu pelo menos quando leio os teus livros Parece que eu estou dentro da da história porque é um correr de e fazes muito a tua maneira de de escrever faz muito lembrar o Jorge Amado principalmente num um dos meus dias favoritos que é os Capitães da Areia que aquela Aventura tu sentes est ali a tua maneira de escrever é essa e depois tu usas muito o as gírias do dia a dia e tornas as tuas histórias mais próximas de de quem as lê achas que foi
esse teu estilo diferente na altura em que tu começaste a a a a apresentar-te como um escritor né porque eu acredito que já Tenhas nascido com esta forma de de estar no mundo que te fez essa diferença que te fez ser o que Tu conseguiste alcançar até hoje acho acho que h coisas que se vão há coisas que se vão apresentando por exemplo o primeiríssimo foi um livro de poesia que até é bem difícil chama-se ato sanguíneo e não tem esse género é um género um bocadinho mais não quero dizer mais fechado mais até clássico
É no sentido de que são aborda coisas que não têm a ver propriamente Com estes relatos loucos da cidade de Luanda o segundo não o segundo é um pequeno romance chamado Bom dia camaradas e Claro aí já se nota a vivência de Luanda dos anos Tent a presença dos professores cubanos ainda aquela questão de dos comícios aquele aquela situação que nós tivos em Luanda de monopartidarismo com os comícios o camarada Presidente José Eduardo etc o caixão vazio não é então esse e outro livro relacionado com esse falam muito a essa geração que é a nossa
não é talvez não falem muito aos meus sobrinhos que nasceram agora nos anos 2000 sim mas nós localizamos aquilo de uma outra de uma outra maneira depois quando começaste então a publicar os teus livros as pessoas obviamente houve Quem gostou quem quem não gostasse Mas tu continuase persisti na na nessa arte e depois começaste a ser reconhecido pelos teus pares né quando tu ganhas prêmios literários significa dizer que as pessoas que também fazem parte da do teu ciclo percebem aquilo que tu queres transmitir qual foi o primeiro prémio que tu ganhaste e como é que
tu tu recebeste essa essa notícia de que sim o primeiro prémio foi foi esse Prémio Literário António Jacinto que era um prémio para quem estava a publicar pela primeira vez eu nunca tinha publicado eu tinha no ano 2000 acho que tinha 22 ainda não tinha feito ainda não tinha feito 23 ya era um livro de poemas era esse o ato sanguíneo e ganhei com um senhor ao mesmo tempo um livro chamado a canoa agora falha o nome do senhor o primeiro mas o segundo eu sei que é Ferraz era o senhor de Benguela ele ganhou
o primeiro prémio que consistia em dinheiro em publicação e eu ganhei uma menção HR que é uma espécie de segundo prémio onde não tinha o dinheiro mas tinha a publicação da obra que eu que eu gostei e tive a felicidade de ter essa esse livro apresentado pelo Dario Dario de Melo que já faleceu mas é um escritor e nosso e era um senhor muito curioso às vezes um bocadinho mal disposto não comigo mas muito atencioso e eu fui bem recebido por essas pessoas todos eles falaram bem comigo à medida que foram se percebendo dund duma
João Melo PEP tela Ana Paula Tavares então eu eu eu fui bem recebido por essas pessoas h não furei não apresentei nome de ninguém isso é uma coisa que me deixa descansada até hoje eu não apareci como sendo sobrinho ou filho de fulano em lado nenhum mas nessa área também não e quando as pessoas se aperceberam tanto que há pessoas que depois é que vão-se a perceber quem é o teu pai quem é a tua mãe que é uma coisa muito angolana mas com a qual eu não concordo as pessoas têm que fazer a sua
via a gente é filho de quem for filho para bom ou para menos bom mas isso não tem que afetar ou ajudar a nossa a carreira e depois é isso Que dizes devagarinho os prêmios servem mais no fundo no fundo os prêmios servem mais eu acho que é para quem não é muito do meio então tu ficas muito impressionada se Vês o músico tal ou o escritor tal a dizer ah Fulano ganhou o Prémio tal sim é bom e é bom para divulgação não é Ou da arte ou do próprio autor mas os prémios o
que que fazem prometem e passado uns anos a pessoa vai perguntar onde é que anda aquele Fulano que ganhou sim lum é uma pipoca efémera não é outros vão ficando vão trabalhando e esse o nosso trabalho o nosso trabalho não é publicar é escrever exatamente é imaginar e escrever boas histórias o publicar é uma conquista consegue-se aqui às vezes não se consegue Tu conseguiste conquistar com o teu nome fizeste o teu nome sozinho e em relação aos prêmios o que estavas a dizer é muito interessante porque realmente quem está por fora acredita que vencer um
prémio ou ser nomeado para um prémio é só só são são rosas muito pelo contrário é uma pressão tremenda seja para quem recebe o prémio para quem é nomeado ao prémio sim sim todos os olhos holofotes são voltados para ti tu tens que Obrigatoriamente digamos assim apresentar alguma coisa nova ou alguma coisa que justifique um jovem de 22 anos ter sido ter tido uma menção rosa no prémio António Jacinto que é um prémio importantíssimo eh em Angola mas depois tu recebeste o prémio Saramago também enfim prémio Saramago É acho que a consolidação daquilo que que
foi a tua carreira aí tu sentiste consolidado sentiste que estavas não é é diferente porque é um prémio que é dado em Portugal e é um prémio Grande hoje já mudou um bocado a natureza do prémio na altura era um prémio para livros que já tinham sido publicados os autores Tinham que ter menos que 35 anos as editoras é que mandam e depois tem um júri e que escolheu naquele an no livro ainda não tinha ganho nenhum autor eh africano n só angolano africano nesse sentido então foi diferente não é mas os prémios também T
essa coisa não é sorte mas é um um acasalamento entre aquilo que tu estás a fazer e aquilo que o prémio procura exatamente tinha a idade certa era um livro que já estava a ser muito falado foi os transparentes já estava a ser comentado aqui e também lá fora e o júri achou por bem pelas razões que achou de dar esse prémio eh não acho que a diferença eu para dizer a verdade alguns prémios lá fora são mais importantes porque que tem mais visibilidade isso é normal sim sim mas para mim é mais importante quando
o prémio é dado cá localmente não é a a eu sim é bom ter leitores em Portugal ou no Brasil mas o que era bonito é se nós tivéssemos leitores em Angola não é eh grande parte da nossa população agora atualmente é jovem Basta ver agora vão fazer senso novamente mas Basta ver o senso anterior e nós temos que nos preocupar com o que é que essas crianças estão a ler mas não só ler se é que estão a ler o que O que é que eles querem Para o Futuro deste país porque o futuro
tá na mão deles não tá na nossa nós estamos a fazer uma manutenção das coisas para lhes entregar nós artistas alguns sabem disso eu tenho pena que os políticos às vezes não se apercebam disso exatamente tê que se aperceber que estão a preparar o campo para outros virem não é o campo não é nosso nós somos temporários sempre seja do ponto de vista biológico do ponto de vista político e social Somos passageiros Somos passageiros não tem outra desde a raiz a Árvore até nós tudo como é que dizia o manr o o do o cemitério
né então quer dizer vamos todos lá parar de uma maneira ou de outra não há não há como escapar disso salal é que vai-te comer é que vai te comer antes que o salal te coma tu começaste depois da escrita quando é que tu achaste que devias começar a pintar pintaste em consequência de algum de algum texto que tenha escrito achaste que devias fazer a foi pintar Como é que se diz desenhar Aquilo sim sim não foi uma foi uma coisa Não durou muito tempo já não faço isso eventualmente alguns rabiscos alguns desenhos mas já
não eu cheguei a fazer eh uma uma duas Exposições minhas sozinho e participei nalgumas coletivas eram uns desenhos e uns quadros muito fracos e então eu acho que rapidamente me apercebi que não era bem aquilo Há uma grande diferença não mas não era nem era mesmo uma necessidade artística dispersar uma coisa mas é importante claro é importante a gente ver que uma coisa é experimentar outra coisa é levar a arte a sério e como eu não tinha capacidades internas para levar aquilo a sério eu acho que não é eu não creio que a pintura se
faça com esforço não se faz com esforço e eu tava a fazer com esforço não faz-se com talento e trabalho natural e há uma espécie de naturalidade das coisas É como se eu agora ah mas por que é que tu não te esforças para ser jogador de futebol bem se fos jogador de futebol era pior então eu nem já apanhar apanha bolas eu era só da claque só posso organizar a claque já não tá mal mas tá certo uns organizam a Class outros marcam o golo em todos podem ser estrelas né nem jogadores de futebol
mas mas pronto pintura tu já viste que não era isso mas conseguiste expressar o momento palav era a mesma coisa era contar histórias através do da imagem não é daí também depois chegar ao documentário ao cinema escrita para cinema A ideia é sempre para mim contar histórias mesmo no poema mesmo no poema às vezes eu noto que tá lá uma história escondida e depois rapidamente entendendo que a minha escrita não era só uma eram várias tinha a poesia tinha os livros infantis tinha Ah esses romances os o que eu gosto é de contos o que
eu gosto mesmo de fazer são contos Isso é o que eu gosto e às vezes o conto vira a poema Às vezes o conto vira um romance mais largo às vezes vira um livro infant ou Juvenil que é uma coisa que também precisamos não é E então algumas coisas são Porque precisamos mas acho que quando tu tocas na questão de que é preciso saber ou perceber o que é que a juventude ou as crianças agora querem eh nós temos muito pouca essa preocupação acho que as nossas crianças de agora estão mais ligadas aos eletrônicos têm
acesso a culturas que não são propriamente as nossas Mas mesmo isso é uma ilusão Maria porque nem todos têm acesso ao eletrónico quando nós estamos aqui nestes meios a discutir Como é o livro digital Como é o livro ebook etc sim senhor muito bonito mas quem é que tem acesso ainda ao computador a mesmo o próprio telefone não é então e quando tem acesso será que é esse acesso que tem acho que não acredito tempo não é não é percebes eu acho que é muito mais darmos oportunidade das pessoas escolherem tu tanto que tu vês
aqui se houver agora amanhã um anúncio para um emprego as filas são gigantescas não é a pessoa não tá à procura do ideal tá à procura de qualquer ocupação qualquer emprego exatamente qualquer emprego havemos de chegar lá um dia em que a sociedade oferece várias hipóteses e a pessoa então vai de acordo com aquilo que melhor com as suas capacidades com as sua formação exatamente ailo queou e não aquilo que gostar de fazer tanta gente não o meu sonho era ser não sei o qu mas o curso que eu tenho é este Esta é a
nossa realidade para a maioria das pessoas não estamos a falar só Cá estamos a falar do mundo inteiro Infelizmente hoje em dia com a globalização nós conseguimos perceber não é só cá que existem problemas Existem muitos cá mas também a nível Global Existem muitos problemas não o que chate às vezes cá e noutros lugares é tu dizeres Olha Há muitos problemas ok Aqui também temos muitos é quando Vês o dinheiro e as condições aparecerem para umas coisas e não para outras não é se fosse verdade que simplesmente não há dinheiro é uma coisa mas de
repente uma boa festa de misses aparece o dinheiro um centro cultural quer fazer não sei o quê não há dinheiro a gente fica sem saber nós queremos um país só com festa de misses só ou queremos festa de misses e outras festas também né culturais e agora falando nas crianças eu ten nós temos exemplos aliás nós temos sobrinhos filhos etc e sabemos percebemos que as crianças têm petências para determinadas coisas eu fico muito triste por exemplo que eu tenho duas sobrinhas que são tem uma potência para desenho eu para mim o desenhar uma pessoa é
uma bolinha de três cinco pozinhos e tá andar mas elas conseguem ir ao detalhe são crianças de 5 se anos mas essas crianças CC vão ser aproveitadas porque não existem escolas não existe essa abertura não existe essa possibilidade sim e realmente também cabe-nos a nós com esta idade que já não somos tão jovens mas ainda jovens também tentar mudar um bocadinho as coisas mas acredito que chega um ponto que estamos a dar sempre um é em ponta de faca eh depois tem que vir outros que estão menos cansados são duas coisas que há muitos anos
se vê aqui não é preciso estudar para saber isso há duas coisas que tu não precisas de impingir aos jovens todos em Angola cabind cunen que naturalmente eles querem e podem fazer música e desporto são duas coisas que tu podes chegar num Largo e dizer meninos se eu vos oferecer aqui ok basquet bará natação que é que vocês querem alguém vai querer alguma coisa não há ninguém que diga eu não não existe não é isso futebol pode ser qualquer pode ser pingpong pode ser ténis pode ser mas já reparaste que agora houve uma febre aí
que nós tínhamos depois do afrobasket tínhamos tabelas de basket e tínhamos jovens a jogar mas agora não eu vejo jovens nos cantos nas esquinas a beberem eu pronto eu já tenho esse olhar assim um bocadinho mais mais distante de tanto da Juventude mas consigo perceber isso que no nosso tempo não era bem assim mas há menos tabelas exato perce há menos tabelas as pessoas punham uma tabela em cada esquina Tom a lembrar assim tu decias Antônio Barroso em direção a maianga e vias para aí umas quatro ou cinco tabelas tá bem isso é ali na
maianga onde tem algum espaço que dá para essas esquinas com tabela não é hoje vz menos sim temos que repensar a cultura tem que ser repensada acho não acred muito nessas medidas de vez em quando tu vês uma coisa na televisão que é vamos refazer a moral e a ética isso não vem assim de cima para baixo com um livro Ó menino refaça quer dizer tu queres refazer a moral e a ética mas vej o tio o pai e o avô a andarem com meninas mais novas a chuparem etc e qual é o exemplo que
tu vês o chex e esse andamento como é que tu vais a base base base não existe mas o Papá eu vou jogar basket mas o Papá tá com a a barriga só beber cerveja cala-te quem manda saber mas eu acho que tu aí nesse ponto tu não és tu não és hipócrita porque tu Consegues tu pensas nisso dizes é preciso ter mais cultura é preciso incentivar mais e tu tens o projeto que ela sim sim como é que começou aqui ela é um é é um projeto de três pessoas são três sócios sou eu
e mais dois agora parece até que vai entrar mais gente e é a ela que é a livraria e a cacimbo que é uma editora é um projeto comum no fundo aela Claro é uma livraria que vem de livros Não vende só os livros da cacimbo vende livros que vê de fora com muito esforço com muitas taxas aduaneiras etc e temos a cacimbo que é uma editora começou a publicar H publica pessoas de cá e de fora já publicamos livros de um autor dois livros de um autor moçambicano já publicamos uma tradução feita por um
moçambicana e por uma angolana e esse livro aqui chama SAS Madames é de uma autora eh sul-africana zuk shua wonner ela é Nossa amiga sul-africana esteve cá para lançar o livro e é um livro feito como eu disse a tradução é do José Sá que é moçambicano e a revisão e adaptação é da Débora porque que Débora Ribas que é angolana por que é que nós chamamos adaptação porque aquele livro tá em português de Angola não tá no português de Moçambique não está no português de de Portugal nem do Brasil tá no nosso português daqui
seja exatamente se tiver que usar uma gíria ou um calão não porque é como deveria ser não é um livro publicado em Angola não existe existe angol existe português de Angola com as suas características etc etc tem a ver com a nossa maneira de estar e a nossa maneira de ser outro ritmo é ali um outro ritmo e a autora ficou muito contente a sul-africana quando eu lhe disse olha só eu sei que esse teu livro já tá traduzido nós temos alguns toques a dar E nós queremos dar um toque para o mercado angolano a
Débora fala inglês entrou em contao com ela e passaram a fazer uma adaptação que eu penso que foi muito feliz temos deixa só te falar de um projeto que é uma das coisas que nós temos mais orgulho não resulta como nós queríamos chama-se a editora chama-se cacimbo e nós temos esse programa chamado cacimbo nas escolas e o que que é nós preparamos um ou mais do que um livro infant ou juvenil normalmente pequeno curto para não ser caro com ilustrações bem acabado e procuramos um a gente não quer chamar de Patrocínio procuramos um colaborador que
pode ser entidades particulares um padrinho uma empresa etc e eles dizem nós queremos comprar 1000 livros ou queremos comprar dois livros e nós fazemos o livro ao preço mais baixo que conseguimos fazer mas para dar um exemplo de quão baixo para as pessoas não pensarem que estou aqui a inventar um livro que em média se vende por 5 ou 6.000 quas na livraria no projeto esse livro vai custar no máximo 2.500 ao patrocinador então ele manda fazer 1000 livros e que é que nós fazemos com esses 1000 livros temos já identificado as escolas públicas crianças
vamos lá e doamos o livro doamos não entregamos à criança Ah mas então o que é que isto tem de útil bom o que é que tem de útil essa empresa ou esse padrinho ou essa madrinha está a oferecer um livro não é escolar nós não estamos no universo de livre escol é um livro lúdico pode ter claro que está adaptado à idade escolar escola pública onde a criança não tá num colégio particular não tem dinheiro às vezes ou não tem possibilidades para e esse livro vai no namib uma vez o projeto ofereceu cerca de
2000 livros e no namib fomos a Várias escolas numa das escolas lembro-me do meu de me perguntar no fim eh mas onde já aqui no no fim do ano Temos que devolver o livro ele pensou que era o empréstimo da escola eu disse não não esse livro é para ti sim é para mim para ano letivo disse não não é para ti tá ver ele associou aquele livro à escola porque nós fomos oferecer no âmbito da escola claro que agora com o Plano Nacional de leitura eventualmente Isso muda mas esse projeto continua então quem quiser
que nos procure Porque nós não estamos a pedir 5 milhões 20 milhões não a pessoa pode dizer eu só posso oferecer 50 livros uma empresa poderá oferecer 1000 outra empresa poderá oferecer 5 com eu disse olha eu só tenho dinheiro para oferecer TR livros nós vamos juntando quando chega por exemplo 50 100 livros Vamos à escola e que toda a gente que participou recebe um relatório em que escola é que foi com fotos com vídeo etc né que é para as pessoas também se aperceberem que há uma tentativa num país como este onde as desigualdades
estão muito acentuadas cada um como puder deve fazer a sua parte às vezes há pessoas que ajudam só um miúdo no beco tudo bem outro ajuda dois outro ajuda uma família outro ajuda uma mochila uns sapatos outro ajuda mas temos que ter essa consciência que fazemos parte de uma sociedade e não podemos temos todos juntos para cima não vamos todos juntos para baixo temos que puxar é para cima não é bancos petrolíferas Claro tem capacidades para ajudar de outra maneira não é tua veia assim de muito muito guerreira de fazer as coisas também fez com
que muitas vezes fosses criticado de uma forma que talvez não tenhas gostado muito lembras-te alguma dessas porque eu sou esse tipo de pessoa que eu penso Ok eu falei a pessoa criticou mas depois no fundo no fundo a pessoa depois muda muda atitude aconteceu alguma vez não há pessoas que acho que vão mudando as atitudes mas eu eu creio também que muitas vezes temos que olhar para a nossa própria atitude mais do que olhar agora como tu perguntaste se eu me lembro de alguém que atacou eu pensei ao contrário e alguém que eu ataquei e
que eu tive que mudar de ideias porque passou a fazer um trabalho melhor quantas vezes nós somos não mas eu não tenho Assim muitos primeiro porque eh gosto de perguntar às pessoas e gosto de trabalhar em conjunto por exemplo uma pessoa diz ah eu quero ajudar a associação tal que fica em Viana há lá um grupo que é da irmã Domingas que tem mais miúdas não sei o quê tu a gente não pode ir lá achar que nós é que sabemos o que eles precisam exatamente vai lá e pergunta irmã Domingas estas miúdas O que
é que precisam se calhar não é de livros se calhar eu quero eu quero ir lá com aquela dar Livres Mas neste momento se calhar pode ser mais urgente um vestido Pens os higiénicos e alguma coisa Pass saúde não sei estou a lembrar agora né Isso é que é às vezes nós adaptarmos não é só irmos armados em que queremos ajudar temos que saber quer Di eu ajudo naquilo que eu posso que é com os livros mas às vezes a pessoa diz meu irmão aqui não precisamos de livros aí tem que ou nós vendermos livros
e irmos dar o dinheiro porque às vezes a pessoa não tá a precisar de livros tá precisar de dinheiro então o jogo é muito subjetivo é preciso estarmos muito atentos várias modalidades de necessidade não é sem armarse que vem aqui salvar ninguém ninguém vai salvar ninguém a gente vai ajudar com toda a naturalidade e com toda a calma de quem quer ser ajudado há pessoas que não querem e tá tudo bem sim tá tudo bem temos que aceitar as diferenças de cada um e a maneira de estar de cada um E às vezes nós estamos
ajudar de maneira equivocada é preciso ouvir as pessoas é mais isso com certeza tens algum projeto algum livro que esteja para sair alguma coisa que queres publicar sim tá quase deve sair agora uma coisa nova ainda é Infante ou juvenil é uma história sa Às vezes as pessoas perguntam da onde é que vem as histórias de onde né porque Claro há histórias que vê do que a gente vê todos os dias não é mas há histórias essa que é sobre mais ou menos tem a ver com uma coisa uma um episódio que é contado por
um dos Soldados que esteve com Che Guevara uma vez que eles estavam com um grupo de guerrilheiros no Congo e eles estavam lá e chega um senhor que é o Comandante e o x andava disfarçado o chevara naquela altura andava meio disfarçado chegou lá eles não sabiam sabiam que era um boss mas não sabiam que era o chevara como é que tu conheceste esse soldado esse soldado tá tá não eu não conheci esse soldado essa entrevista tá num filme que é um filme duplo de uma senhora egípcia que agora Me falha aqui o nome mas
vocês o filme chama-se Uma Odisseia em África e fala da presença dos cubanos no continente africano na primeira parte em vários pontos e é por isso que fala no Congo etc na segunda parte só em Angola entra muita gente aqui dos nossos né mas o que é bonito nessa história só para vos mostrar como é que uma história pode vir do nada esse soldado refere uma vez que estavam numa zona de combate e que tiveram que fugir com os bombardeamentos e eles tinham encontrado lá e adotado um cãozinho ali os guerrilheiros enquanto estavam ali numa
banda ficar lá dois ou três dias e pá cão cheio de fome tinha um pouco leite Ninguém queria dar leite ao cão Xé deu ordens para dividir o leite com o cão no meio do ataque fogem e quando já conseguem reunir a tropa o Che pergunta e o cão um diz e o cão outro diz e o sei lá não quer saber x mandou voltarem lá no bombardeamento para ir buscar o cão então estas coisas que a gente Claro x uma figura muito controversa não estou a discutir isso mas a história não pode abordar tudo
de uma vez e esta história que estamos a tentar fazer eu e um ilustrador é mais sobre o cão do que sobre o Che Então nós vamos inverter as coisas Aventura do cão do cão como é que o cão viu aquilo tudo como é que o cão vê a guerra como é que o cão viu se lhe dava ou não lhe davam leite como é que eles exp tinha sido abandonado mas depois vem buscar né isso e a literatura são essas pequenas coisas Ah mas não queres fazer uma história sobre chevara não se trata de
querer ou de não querer há muitas histórias sobre o chevara ainda não há nenhuma história sobre o cão do chevara nós vamos fazer às vezes é isso não é é uma pequena por isso é que digo que às vezes a literatura é feita ou de intensidades que a intensidade que tu pões numa história ou de pequenas emoções tu não precisas de contar a história de 35 milhões de angul tu podes contar a história de uma aldeia e estares a falar de 35 milhões de angolanos tu podes estar a falar de um cão e estares a
falar de uma pessoa e viva est a falar da pessoa não é aquela história de confundir quando os homens são chamados de canos de merda não não é essa esse é outro departamento é o departamento dá muitas histórias Néo exatamente mas é o departamento Cada história tem várias versões cada um tem a sua versão da história vocês aí estão a ver obviamente a versão vamos pegar sei como é que foi temos que imaginar né sabemos algumas coisas que esse senhor contou e é bonito pensar isso não é o homem estava aí longe de casa eles
todos ess Esse é um grupo de guerrilheiros cubanos adotaram aquele cãozinho e tal e depois quando eles vazaram isso vai est no livro Será que o cão estava a falar espanhola Ou começou a falar o cão ladr primeiro em lingala depois começou a ladrar em espanhol em cubano e depois já não sei depois já não sabe né Vamos ter que imaginar onque muito obg Obrigada por ter vindo nada dois em um parabéns pelo programa muito obrigada eh São Todas aquelas pessoas que aceitam o convite para cá estarem para partilharem ideias para desabafarem também a para
desmistificar também algumas ideias né que as pessoas têm preconceitos e ideias feitas P nós eu tinha uma uma entrevista pré-concebida que eu queria falar apenas teu trabalho mas contigo não é possível foi para outra direção exatamente e ainda bem que foi porque ficamos a saber de de de coisas que se calhar nunca nunca íamos falar sigam onde já aqui nas no Instagram no Facebook visitem os espaços culturais de exatamente nós vamos deixar no rodapé também todas essas informações e depois na descrição do vídeo também como é hábito Vamos deixar a biografia do do já fez
muito ainda vai continuar a fazer mais vai nos contar ainda muitas histórias ainda vai animar muitos cões aqui dos angolanos e não só muito obrigada por até PR bo Muito obrigado estamos juntos n