Olá, assombrados. Eu sou Ana Paula e vou contar um relato para vocês neste tipo ao vivo de hoje. Tudo bem?
Espero que sim, que esteja tudo bem. Já vou pedindo para você deixar o like no vídeo e não se esqueça da loja assombrada. E, é claro, se não é inscrito ainda, se inscreva no canal.
E vamos para o relato de hoje que conta algo sobre esta última quaresma que acabamos de passar aqui. Ã, bom, deixa eu só ver aqui, porque ele começa falando assim, ó. Eh, vivenciei no último final de semana, né, no caso lá, a experiência mais surreal e apavorante da minha vida.
Ainda tô em pânico, não consegui falar isso para ninguém, mas seria reconfortante ouvir o que aconteceu comigo na voz da Ana. Ainda estou anestesiado. Como fã do canal há anos, chegou a minha vez de mandar o meu relato que aconteceu agora na quaresma de 2025.
Agora é um pouco longo, mas espero de coração que seja lido. OK. Vamos lá, então.
Agora sim, vamos ao relato. Meu quase pacto na quaresma. Que será que aconteceu?
Vamos ver. Olá, Ana, tudo bem? Tudo joia.
Não vou me apresentar porque sei que vou ser chamado de fulano. O relato não terá nomes e se tiver serão nomes fictícios. Bom, antes de mais nada, gostaria de dizer que sou muito fã do canal.
Escuto os relatos desde 2016, eu acho, e jamais imaginei mandar um relato aqui, justamente por sequer imaginar que eu passaria pelo que estou prestes a contar. Tenho 29 anos, moro numa cidadezinha bem pequena no interior do Paraná. E tudo acontece no Paraná, né, gente?
Mor, é o que tem de relato aqui do Paraná falar para você. Ã, e essa história aconteceu comigo apenas 7 dias, na verdade, né? No caso, quando ele enviou o relato, foi há 7 dias.
Isso aconteceu no dia 8 de março de 2025. Eu sempre fui apaixonado por histórias de terror e coisas que envolvem mistério e o sobrenatural. Porém, até a data do ocorrido, eu nunca havia presenciado nada relevante, nem sequer cheguei perto do que eu vivi.
Para melhor entendimento do relato antes, eu preciso contextualizar você, vocês no caso de algumas coisas. Eu sou médico veterinário, formado há não muito tempo, mas tempo suficiente para saber que ter feito esse curso pode ter sido um dos maiores erros da minha vida. Nossa, por quê?
Eu sempre amei animais, sempre mesmo. E também amo a medicina veterinária em si, o ato de cuidar e salvar vidas e tal. Porém, o que ninguém conhece são os bastidores da profissão.
A veterinária está longe de ser uma profissão linda, como pintam por aí, pelo menos não na minha área, né, que é clínica médica de cães e gatos. Antes de eu me formar, eu não tinha ideia da desvalorização que o veterinário sofre no Brasil. Não é à toa que a veterinária é a profissão com a maior taxa de pessoas que tiram a própria vida do país.
Ah, é? Não sabia desse dado não. Nossa, trabalhei em vários lugares e o cenário sempre era o mesmo.
Muito, mas muito trabalho, acúmulo de funções, muita desvalorização, pouco reconhecimento e salários totalmente incompatíveis. Somando tudo isso, fui me frustrando a cada dia e precisei voltar paraa minha cidade natal, pois onde eu estava trabalhando, eu ganhava apenas para sobreviver. Então não tava compensando.
Eu estava ficando doente e não tive outra alternativa a não ser voltar para casa. Tudo isso foi entrando na minha mente e eu entrei numa profunda crise existencial. Comecei a lembrar de todo o esforço que eu tive até aqui, todos os anos estudando, me dedicando, tanto sofrimento para nada, porque afinal eu voltei pra casa dos meus pais, estou desempregado e frustrado com a minha profissão e sem perspectiva nenhuma.
Ou seja, uma sensação enorme de fracasso e sentimento de que eu regredi ao invés de ter evoluído, mesmo tendo me dedicado tanto durante anos. Desculpe se eu me alonguei nos detalhes, mas isso foi preciso para que todos possam compreender. Dito isso, vamos pra parte que mais importa, o horror sobrenatural que eu vivi.
Era um sábado à noite, umas 11 horas da noite. Eu estava em casa com aquela agonia de que eu preciso urgente estar fazendo algo da minha vida, algo útil. Decidi pegar o carro e dar uma volta porque eu estava me sentindo sufocado, ansioso.
Saí, apenas saí, sem destino algum. Eu só queria sair de casa. Parei numa sorveteria, comprei uma casquinha e fiquei sentado sozinho do lado de fora em uma mesa de plástico dessas de bar.
Mas eu não estava confortável ali. Não era o lugar em que eu queria estar. Tinha várias pessoas, conversa alta, som alto, não era isso que eu precisava naquele momento.
Então eu me levantei, comprei uma cerveja e saí de lá. Eu não fui para casa, ainda estava agoniado. Eu precisava de um ar.
Como mencionei no início, a minha cidade é bem pequena. E nessas cidades de interior, o que mais tem são propriedades rurais, locais desertos, de estrada de chão, com plantações ao redor, essas coisas. Quem mora em cidade pequena sabe do que eu tô falando.
Era de um lugar assim que eu precisava, um lugar calmo, com árvores ao redor, contato com a natureza. Bom, mentalizei um lugar que eu conhecia e em alguns poucos minutos eu já estava lá. Fazia tempo que eu não ia nesse lugar.
Estava um pouco diferente do que eu lembrava, mas ainda assim continuava calmo, como imaginei. Era o que eu precisava. Basicamente era uma estrada de chão com uma pequena floresta de eucaliptos de um lado e uma plantação de alguma coisa do outro.
Creio que era milho. Estava pequeno ainda, né, baixo. Mas eu não me atentei a esse detalhe.
Nessa plantação havia várias árvores aleatórias plantadas mais assim à beira da estrada, o que deixava o lugar meio fechado, já que tinha os eucaliptos do outro lado da estrada. Para mim tava perfeito. Eu estava sozinho e ainda tinha metade da lata de cerveja que eu vim bebendo no caminho.
Parei o carro num recu da estrada e mais adiante, em uma das árvores, à beira da plantação, tinha um balanço feito de pneu. Obviamente foi o lugar que eu escolhi para ficar. Sentei no balanço e voltei a bebericar a latinha de cerveja que já tava quente e choca.
Então, deixei a lata no chão e apenas relaxei no balanço, que por sinal era muito confortável. Fui relaxando e à medida em que o meu corpo e mente relaxavam, eu fui reparando no lugar ao meu redor e ficando mais presente no tempo e espaço. Ó, gente, falar para você que essas esses seus devaneios aí, eu acho que é uma coisa da atualidade.
Eu eu diria que tem muita gente nessa mesma situação que você relatou aí em relação à profissão, em relação à frustração, em relação ao meu Deus, o que que eu faço? em relação a não estar presente, a ansiedade, né? E eu acho que todo mundo precisa muito disso, de parar um pouco, acalmar, respirar, estar no aqui, no agora, entendeu?
Mas vamos continuar com com a história. Fazia muito calor, mas lá estava estranhamente fresco. A noite estava bem iluminada, apesar da lua não estar cheia, e eu via o seu reflexo por detrás dos eucaliptos.
Quando o vento empurrava as folhas das copas das árvores, eu escutava os grilos e o cantar dos sapos, provavelmente em algum brejo ou represa ao longe. Eu estava numa calmaria que há tempos não sentia. Estar naquele lugar me fez perceber o quão pequeno eu sou perto da imensidão do universo.
Mas como a mente sempre prega peças, essa sensação de calmaria logo foi substituída por pensamentos negativos, pensamentos que eu já estava acostumado e cansado de ter. Eu pensava coisas do tipo, ai gente, eu tenho quase 30 anos e não construí nada na vida até agora. Eu tô no meio do nada, sem saber o que eu vou fazer da vida.
Eu sou realmente uma porcaria. Eu falhei na minha profissão em todas as tentativas. Eu só perdi tempo até hoje.
Não vejo saída para mais nada. A atmosfera do lugar mudou tão rápido quanto os meus pensamentos. O lugar não parecia mais o mesmo.
Eu me sentia vulnerável e com medo. Foi como se o caos dos pensamentos estivesse se eh estivesse se projetando no externo. E no meio disso eu só pensava: "Eu tô cansado disso tudo.
Eu seria capaz de fazer um acordo até com o diabo para conseguir a vida que eu quero". Hum. Depois que eu pensei isso, a minha mente silenciou abruptamente, como quando alguém tira a TV da tomada.
Até os grilos, os sapos e o barulho do vento haviam cessado. Estava tão quieto que a única coisa que eu ouvia era o barulho da minha própria respiração, que logo foi quebrado por um som que vinha do outro lado da estrada nos eucaliptos. A princípio era um som abafado que eu não conseguia distinguir, mas foi ficando mais claro à medida em que se aproximava.
Era claramente um gato ronronando e o barulho que ele fazia era muito alto. Eu não sei se era pelo fato do lugar estar absurdamente quieto ou se o ronronado era de fato muito alto. Eu apenas ouvia o ronronado e não via o gato.
Chegou um momento em que o barulho não aumentava nem diminuía. Era como se ele estivesse me observando atrás de uma árvore próxima, mas com medo de vir até mim. E confesso que eu também estava com medo, porque apesar de amar gatos, eu não sabia o que mais poderia ter dentro daquela floresta.
Eu estava ficando com medo de estar ali e de repente, quando eu dei um leve impulso com as pernas para levantar do balanço e ir embora, o gato saiu do seu esconderijo e eu e eu voltei a sentar. Ainda tímido, ficou parado ali à frente das árvores, me olhando. Nesse momento, ele não ronronava mais.
Eu vi apenas o seu pescoço e a cabeça. O resto do corpo estava escondido por uma quisça. É isso?
Eu não sei o que é isso, gente. Estava escondido por uma quça na beira da estrada. É isso.
Estava escuro, mas dava para ver que era um gato muito grande, porque o mato era alto e mesmo assim ainda dava para ver a cabeça e parte do pescoço acima da vegetação. Ele não saía do lugar, olhava para mim e também olhava para trás como se estivesse com alguém. Eu comecei a chamá-lo com o clássico.
Então ele saiu calmamente de onde estava e veio até mim. eh, veio vindo, né? Tava vindo até mim.
E a medida com que ele se aproximava ia sendo iluminado pela luz da lua e os seus detalhes iam sendo revelados aos poucos. Eu fiquei simplesmente hipnotizado com o tamanho e a beleza daquele gato. Ele era gigantesco e absurdamente lindo.
Ele tinha pelagem longa e tigrada. Era meio marrom e cinza com o peito branco. Os pelos eram enormes.
Quando sentou na minha frente, eu vi que a pelagem chegava no chão. Tinha a cabeça redonda e imponente, o rabo parecia um espanador e os olhos eram de um laranja vivo que pareciam estar acesos. Em todos esses anos, como veterinário, eu nunca tive a oportunidade de ter visto um gato tão espetacular como aquele.
Claramente tinha dono, mas eu achei estranho um gato tão lindo e tão bem cuidado estar sozinho assim vagando na noite. Geralmente gatos assim não saem para dar voltinhas, porque os tutores são muito cuidadosos e os mantém dentro de casa. Não é aqueles aqueles gatinhos de rua que a gente vê zanzando por aí, telinho curto.
Ele já havia perdido toda a timidez e o receio. Estava todo desinibido, se esfregando entre as minhas pernas e eu fiquei acariciando ele por um bom tempo, até que o peguei no colo sentado no balanço. Eu acho que ele tinha facilmente uns 9 ou 10 kg.
Era muito grande e pesado. Sim, sim. Ai, ai.
É alergia do gato do relato. Eu tô com tanta alergia esses dias, gente, sério, assim, tendo que tomar antialérgico o tempo todo, porque assim, ó, corta, pá, pá, pá, espirra, espirra, espirra. Já tomei o antialérgico hoje, mas eu tô tão alérgica que eu acho que até falando do gato no relato já tá me dando alergia.
Mas vamos lá. E e eu nunca tive isso. Eu podia esfregar a cara no gato, na na poeira, dava um espirro.
Agora as coisas mudam, né? A gente vai assim, chega nos 40, as coisas mudam. Mas vamos continuar.
Ah, cadê, cadê, cadê? Onde estou? Que o gato tinha facilmente uns 9 ou 10 kg.
Ele era muito grande e pesado. Assim que eu peguei no colo, ele voltou a ronronar, mas logo parou quando o outro saiu de dentro da floresta de eucaliptos. Ai, o meu coração gelou de medo e eu paralisei.
E logo em seguida eu ouvi uma voz rouca e calma dizer: "Lila, vem aqui, menina". Olhei paraa frente e do meio dos eucaliptos estava saindo um senhor. Ele era baixo, tinha aproximadamente 1,60 m de altura, cabelos muito brancos, usava óculos e tinha o rosto bem amigável e acolhedor, até um tanto familiar, o que me fez sentir mais seguro.
Ele vestia uma camisa xadrez de botão azul escura, uma calça marrom clara e calçava aquelas sandálias típicas de vô. Aparentava ter uns 75 anos. Me tranquilizei, pois aquele senhor definitivamente não parecia um assassino prestes a me matar.
Ele veio até mim andando lentamente. Eu levantei do balanço, apertei sua mão meio desconfiado, né? apertei e perguntei se o gato era dele, ainda o segurando no colo.
O gato, né? Não o vem, o gato. Ele disse que sim e me corrigiu dizendo que era uma gata e que se chamava Lila.
Ele falou que ela havia sumido na noite passada e até então não tinha voltado para casa. Ele estava preocupado, pois disse que a gata estava com uma feridinha na barriga e que ele estava cuidando em casa. Eu achei estranho porque não é todo dia que a gente vê senhorzinhos procurando gatos perdidos de madrugada, porque naquele momento já passava das 2 horas da manhã.
Resolvi ignorar esse fato e ele me perguntou o que que eu fazia sozinho aquela hora naquele lugar. Eu meio sem jeito também, né? apenas disse que eu saí para esfriar a cabeça.
Então ele disse num tom de brincadeira: "Percebi mesmo, apontando pra lata de cerveja pela metade que eu deixei no chão. Eu retribuí o tom de brincadeira e disse: "Pois é, às vezes a vida pede". Ele sorriu e eu disse que eu ia embora.
Ele perguntou se eu tava a pé e eu disse que não, apontando o carro que eu deixei estacionado a uns 60 m de onde estávamos. Ele me disse que me acompanharia até o carro. Eu fiquei um pouco desconfortável, mas concordei.
Afinal, eu não tinha muita escolha, né? Apesar de parecer inofensivo, ele continuava sendo um desconhecido que saiu do meio de uma floresta em plena madrugada. Peguei o resto da cerveja e ele pegou a gata no colo, que estava visivelmente assustada desde que ele apareceu.
Fomos andando até o carro. A caminhada pareceu durar horas e parecia que o carro estava a quilômetros de distância. Começamos a conversar.
Ele me perguntou com o que eu trabalhava. Eu disse que era veterinário, mas que estava desempregado atualmente. Ele ficou pensativo e pareceu curioso.
Então perguntou: "Por isso que você tá sozinho aqui a essa hora? Do que você está querendo fugir? " Eu fiquei sem palavras e meio sem reação, pois eu não esperava uma pergunta tão profunda dessa.
Parecia que ele sabia o que eu estava passando e queria tocar na ferida. Nesse momento, paramos no meio da estrada e a pergunta dele foi como um estopim que me fez sentir uma estranha necessidade de desabafar. Eu nunca tinha visto aquele homem na vida, mas senti uma vontade quase incontrolável de falar tudo que eu tava sentindo.
E assim eu fiz. Quando parei de falar, ele pareceu não ter se importado com o que eu tinha falado. Na verdade, pareceu que sentiu um certo prazer em terme ouvido falar sobre os meus problemas.
Eu esperava qualquer coisa daquele senhor, menos a frieza que ele demonstrou. Ele simplesmente não disse nada. Me senti até um idiota por ter vomitado um monte de problemas para alguém que eu nem conhecia e que claramente não tinha empatia alguma.
Perguntei onde ele morava, porque se quisesse eu poderia dar uma carona. Então, segurando a gata que tentava pular de seu colo, ele disse: "Não precisa, eu moro por aqui mesmo. Na verdade, eu posso estar em qualquer lugar, desde que me chamem".
Oi. Oi. Como assim?
Nesse momento eu senti um arrepio gelado percorrer a minha espinha. Não estava gostando nada do que eu estava ouvindo e comecei a ficar nervoso, mas tentando manter a calma por fora. Eu fingi estar tudo bem e disse que, já que ele não queria carona, eu ia para casa.
Apertei sua mão novamente, dessa vez para me despedir, e quando virei as costas, ele disse: "Posso te pedir um favor? Já que você é veterinário, pode ver se a ferida da minha gata está cicatrizando bem? Eu tô preocupado, tá?
" Eu disse que sim, sem problemas. A gata me olhava com os olhos esbugalhados de medo enquanto tentava escapar dos braços dele. Por algum motivo, a presença dele a assustava.
Nesse momento notei algo que antes não estava acontecendo. Notei algo que antes não estava acontecendo, ou pelo menos eu não havia percebido. Enquanto ele falava, um mau hálito horrível saía da boca dele, um cheiro de carne podre.
Era sutil, mas bem perceptível, né? Era era sutil, mas perceptível. e ficava mais evidente quando o vento soprava mais forte.
A essa altura eu já tava suando e tremendo de nervoso e ele percebia isso. Quanto mais eu ficava nervoso, mais ele parecia gostar e sentir prazer nisso, a julgar pelo semblante que até agora tá na minha mente. Era a mesma pessoa, mas o semblante amistoso agora era algo maligno.
Foi quando eu percebi que o lugar em que a gente havia parado era exatamente uma encruzilhada. E para piorar, que foi o que fez a minha alma quase sair do corpo de medo, foi lembrar que a quaresma havia começado há três dias. Eu já não estava mais assimilando o que estava acontecendo de tanto medo que eu tava sentindo, mas sabia que o que estava diante de mim não era uma pessoa, era o próprio diabo.
Meu Deus, mas como assim você chegou a essa conclusão? Tipo, o o próprio diabo ali que o senhorzinha era o diabo? Não, eu não acho que eu não ia pensar nisso muito fácil, não.
É, sei lá, eu ia pensar que era uma entidade, que era um fantasma ou que era um cara que, né, mais que era o diabo. Talvez por ele ter falado possa estar em qualquer, eu não sei, ou veio, sabe quando vê aquela intuição, aquela coisa que você fala, gente. Da onde tá vindo isso tal, e vem aquela coisinha na tua mente, fala, é isso, deve ser isso.
Então, ele teve aí uma intuição, alguma coisa assim. Bom, eu, olha lá, eu não, não, não é. Eu não sei de onde eu tirei coragem para não sair correndo e entrar no carro.
Eu tentei fingir naturalidade, então eu decidi olhar a ferida da gata, como ele havia me pedido, né? Eu pedi para ele me dar a gata e na mesma hora eu pedi para ele segurar a lata de cerveja para que eu pudesse examinar melhor. Ele me deu a gata e eu dei a lata de cerveja.
Quando eu estiquei a mão para dar a cerveja, eu eu tremia tanto que a cerveja caía da lata no chão e nem tava cheia, hein? tinha menos da metade, então imagine o quanto eu tava tremendo. E ele abria um sorriso cada vez mais largo e perverso, à medida que eu ficava mais nervoso, mas não falava uma palavra sequer, apenas sorria.
Peguei a gata que me deu um arranhão no braço esquerdo, me fazendo sangrar. Ela tava muito agitada, muito nervosa. Sentei no chão de terra mesmo ali, com as pernas cruzadas, com aquela gata enorme deitada no meu colo.
Tentei procurar o ferimento, mas eu não conseguia achar porque ela era muito peluda, tava agitada. Eu não conseguia segurar e examinar ao mesmo tempo. Ele simplesmente não me ajudava a contê-la.
Para minha surpresa, ele me perguntou se poderia tomar um gole da cerveja. Eu disse que sim, né? Pode ficar com tudo.
Eu disse que sim, mas avisei que tava quente e choca. Eu tava sentado no chão tentando ver o tal ferimento e ele em pé com a cerveja na mão. Nessa hora eu nem olhava mais pra cara dele.
Eu só olhava pra gata sem saber o que eu tava procurando. Então ele matou o resto da cerveja ali numa gol só, jogou a lata no chão e, andando devagar, em volta de mim, disse: "Não está quente, está até gelada perto do lugar de onde eu venho". Eu senti meu coração pulsar na boca, comecei a chorar de desespero.
Eu não escondia mais nada. Então ele me disse, com uma voz que não era mais de do Senhor de minutos atrás, ele disse assim: "Eu te ouvi me chamando agora a pouco. Eu ouvi todos os seus pensamentos e posso te dar exatamente o que você quer.
Você só precisa permitir. " Eu estava de olhos fechados, sentado, de cabeça abaixada, com a gata nas mãos, chorando de desespero. Eu não consegui olhar para ele e nem sair correndo.
Eu tava travado de pavor. Nesse momento, passou um filme na minha cabeça de todas as dificuldades que eu passei, de todos os perrengues, da vida que eu poderia ter a partir daquela noite, né? E por uma fração de segundo, mesmo em meio ao pavor, uma parte de mim cogitava a possibilidade de aceitar a proposta, mas eu consegui ser mais forte que esse desejo.
Juntei uma coragem que eu não sei de onde veio. E em meio ao choro e ao medo, eu gritei: "Eu não quero nada vindo de você. Eu te chamei, mas foi em um momento de fraqueza.
Eu jamais aceitaria nada vindo de você. Desapareça agora. Jesus Cristo te ordena.
Ele gargalhava e o cheiro sutil de carne podre já não era mais sutil. Estava impregnado no lugar junto com um cheiro muito forte de enxofre. Finalmente consegui abrir os olhos, mas não levantei a cabeça.
Olhei para onde ele estava e as sandálias que ele usava antes agora eram eram um par de cascos enormes e pretos. Eu não conseguia subir o olhar para ver o resto da forma que ele se tornou. Então, gargalhando e com a voz mais grossa ainda, ele disse: "Você não vai examinar a minha gata, doutor".
Eu não conseguia sair do lugar, parecia que eu tava amarrado ali. Quando eu olhei pra gata, a barriga dela tava aberta, tipo assim, da forma mais horrível que você pode imaginar. E ela não estava viva.
Ele berrava gargalhando ainda mais. Você não conseguiu fazer o seu trabalho. Você acabou com a minha gata, doutor.
Mas se você me aceitar, isso nunca mais vai acontecer. e gargalhava histericamente. Nesse momento, eu consegui sair do estado de paralisia em que eu estava e saí correndo sem olhar para trás.
Felizmente, o que eu vi foi apenas os cascos daquilo. Eu não vi a sua forma inteira e agradeço por isso. Eu corri pro carro, entrei e acelerei o máximo que pude.
Eu não tava acreditando que aquilo era real. Eu tava assim em estado de choque, desesperado e chorando igual uma criança. A estrada de chão parecia não ter fim.
Parecia que eu nunca chegava na cidade. Eu olhei pelo retrovisor e não vi mais a criatura, mas à medida que eu percorri a estrada, gatos mortos apareciam pelo caminho, iluminados pelo farol, todos da mesma forma que aquela gata com a barriga aberta. Foi assim até eu ver as luzes da cidade.
Assim que eu entrei na cidade, eu não vi mais nada. Eu estava desesperado e só queria chegar em casa. Cheguei em casa em estado catatônico de tanto pavor.
Sentei em uma cadeira na cozinha, depois entrei no banheiro, olhei no espelho e eu tava mais branco que papel. Entrei debaixo d'água gelada do chuveiro e comecei a lembrar da cena de horror, das gargalhadas, do cheiro horrível da gata morta e tudo, tudo. Eu chorava sem parar.
Saí do banho, olhei no relógio 3:38 da manhã, ou seja, tudo aconteceu por volta das 3 horas da manhã. Horário mais temido por quem acredita no sobrenatural, né? 3 da manhã numa quaresma.
Quais são as chances de alguma coisa boa acontecer? Eu falando em gato, ó lá, o gato tá querendo entrar. Não consegui dormir.
Vi o dia clarear, então consegui me acalmar e adormecer. Depois que o dia clareou, acordei com a minha mãe me sacudindo, dizendo que já era tarde, que o almoço já estava pronto. Eu não contei nada para ela, nem para ninguém.
Achei que pudesse ter sido um sonho, talvez, né? Quem dera tivesse sido. Eu olhei pro meu braço e o arranhão tava lá.
A calça que eu estava usando na noite passada estava fedendo a carne podre e tão suja de terra que eu tive que jogar fora. Foi real. Eu nunca imaginei vivenciar isso na minha vida.
Eu tô até agora processando tudo que aconteceu. Eu tô traumatizado e com muito medo. Não sei se esse ser de fato o diabo, mas tenho certeza que passei por uma provação muito forte.
O fato dessa coisa ter usado um gato para conquistar a minha confiança e depois ter usado esse mesmo gato contra mim só mostra que esse ser conhecia o meu íntimo e sobretudo as minhas fraquezas. e com certeza se aproveitou dessa época, né, da quaresma e dos meus pensamentos negativos para me atormentar como fez e no horário mais propício possível, né? Pode parecer loucura ou até mentira, mas eu sei o que eu vivi e de certa forma aprendi a lição.
Estou tentando melhorar, não pensar tanta coisa ruim a meu respeito e a respeito da vida. E nunca mais, a partir de agora, eu boto os meus pés para fora de casa numa noite de quaresma. Nunca subestimem os seus pensamentos e o sobrenatural.
O mal existe tanto quanto bem. Eu fui prova disso. Eu sei que ficou muito longo o relato, mas eu não poderia resumir essa experiência, porque foi assim a coisa mais atormentadora que eu já vivi até hoje.
Obrigado, Ana, e parabéns pelo canal. Um beijo e que Deus abençoe você e sua família. Um beijo para você.
Muito obrigada por compartilhar a sua história com a gente de quaresma e de eh o pensamento, né? Ele só pensou que, ah, até faria e nisso apareceu. E não é o primeiro relato que a gente escuta aqui de pessoas dizendo que apenas pensou a respeito do pacto e de repente alguma coisa apareceu ali propondo.
Eh, mas é interessante ele dizer só e basta que você permita. Então, ainda assim ele precisa da nossa permissão, né? Então, as coisas acontecem na nossa vida desde que a gente permita, mesmo as ruins.
E de que forma a gente permite que essas coisas aconteçam, né? Será que a permissão é apenas é falar sim ou não, eu permito ou não permito? Ou existem outras atitudes, outras coisas que a gente faz que a gente nem percebe, mas que no fundo a gente tá permitindo que essas coisas aconteçam com a gente, né?
Aqui é que naquele caso, né, que ele ele tava sendo bem específico, ele falou assim, ó, praticamente ele falou assim, ó, a gente pode fazer um acordo aí, um pacto, as coisas, né, desde que você permita. Ou seja, aí nesse caso acho que ele teria que falar, ah, ok, né? Então, nesse caso, mas é que já veio outras coisas na minha cabeça.
Eh, meu quaresma, 3 horas da manhã. E dessa vez não apareceu como um lourão de sunga branca, não. Ele apareceu como um senhorzinho muito amigável.
Mas é isso, ele ele vem de uma forma, meu. Imagina se o negócio lá me aparece vermelhão lá de chifre, rabo. Ninguém vai parar para escutar o que ele tem para falar, né?
Ele teria que aparecer, te amarrar, né? Te caçar ali, botar você sentado, amarrado e falar: "Ó, é o seguinte, porque ninguém ia ficar, você viu o negócio fal sair correndo desmaiar, você eu não quero saber de mais nada". Então não seria inteligente da parte dele aparecer, né, de uma forma grotesca assim, de cara.
Então sempre vem de uma forma agradável, né, confiável. Um senhorzinho, o que um senhorzinho faria comigo no meio da madrugada com um gatinho tão fofo, né? Ou o que que um lourão desse de sunga branca, né?
os negócios assim sempre aparece de uma forma atrativa e depois que já eh falou, escutou, enfim, não sei. Aí aí ele ele tem que se mostrar, né? Não dá para segurar a forma um pouco mais, tem que tem gosto de fazer a gente sentir o medo também é outra coisa.
Eu acho que, né, ele não segura. Ele tem que mostrar os cascos, os os ah sei lá que jeito que tava lá em cima que ele nem olhou. Mas por talvez também no prazer de ver você sentindo medo, né?
Também eh gosta disso. Por isso sempre também acaba se mostrando ou ou muitas vezes se mostra de uma forma feia. Se era o próprio, não sei também.
de repente alguma entidade, alguma outra coisa ali que se que usou dessas formas, né, que enfim, não sei. Mas e aí? E ainda numa encruzilhada, esquecemos desse detalhe, quaresma, 3 da manhã numa encruzilhada.
Ia sair coisa boa, como ele disse, ia sair coisa boa, né? E ele com pensamentos ruins ali ainda e tal. Pois é, meu amigo.
O que que você acha? Deixe aqui o seu comentário sempre com respeito, por favor. E se já passou por uma situação parecida ou conhece alguém que passou por algo assim, conta a história pra gente.
Um beijo para vocês e a gente se vê no próximo relato. Fui. Tchau.
Tchau.