muito muito obrigado cumprimento a mesa na pessoa da professora carlot que a coordena e meu professor querido orientador Paris que nos acompanha aqui e meu estimado contero Miguel de bares Miguel de bares para quem não sabe é dos melhores provavelmente dos mais proeminentes intelectuais públicos na gu biss Ele dirige uma ONG uma instituição de intervenção Comunitária que é a tinigua hã esta téa Nossa que faz um trabalho belíssimo com as comunidades na guineia Bissau eu quero eh Agradecer o convite que me foi formulado para estar cá hoje eh em comemoração de cin décadas das independências
dos países africanos da língua oficial Portuguesa e aqui reitero a a ênfase trazida pelo nosso Miguel de bares sobre a designação língua oficial Portuguesa que indica que nós não somos necessariamente lusofalantes e muito menos luz pensantes e há quem radicaliza isso e diz que também no sentido epistémico Hum mas para o Amil Car Cabral esta língua portuguesa serviria como instrumento uma ferramenta de conexão entre esses países africanos e não só que outra hora foram subjugados por uma lógica imperialista hã do regime eh fascista de Portugal h e ele dizia que no período PS Independência seria
uma ferramenta de aproximação hã de reconhecimento desse laço histórico e também de uma possibilidade da construção hã da unidade africana que era a visão pana africanista do Amilcar Cabral ele acreditava na unidade do continente dito isso enfatizo novamente a apresentação primorosa do Miguel de Barros uma apresentação que nos conduz a entender essa trajetória complexa com promessas inacabadas da inbi ah o meu comentário e em relação à sua exposição Miguel de bares é mais no sentido de já feito o diagnóstico muito bem elaborado por ti eh pensar um novo caminho Hã Porque na guineia Bissau e
fora da Guiné muitas vezes fala-se que esses descasos hum esses nossos desafios demonstram hã a a falança Ou seja que o estado guineense falou é um estado falado Hum E que seria necessário refundar o estado o meu problema com essa abordagem é que pressupõe que e os desígnios que levaram a fundação do estado eh eram desígnios falos e não é verdade é importante Recordar uma obra de tandan kandir intelectuais africanos em que ele dividiu esse processo em três estágios ele dizia que as independências africanas foram marcadas por um primeiro momento da Euforia que era um
projeto em construção das Nações africanas e depois num segundo momento que é o momento da falha que é o momento da desesperança segundo tand e um terceiro e o último momento seria esse momento de de uma nova esperança né aqui esperança no sentido freiriano H do verbo esperançar não de esperar então é justamente nesse sentido que eu queria propor hã uma reflexão a partir Claro de uma concepção metodológica da milil carar Cabral para pensarmos um um novo caminho nã que foi intitulado por Amilcar Cabral como um processo de reafricanização do espírito reafricanização do espírito é
uma dimensão metodológica que hilar Cabral primeiramente implementou para mobilizar aquilo que ele chamava da pequena burguesia para luta pela independência e no pós Independência esse método essa metodologia foi reduzida a esse processo identitário de uma reconexão dessa pequena burguesia com a realidade cultural da África eu compreendo e tenho refletido sobre isso ao longo dos últimos anos com a ajuda do professor Paris que foi o meu orientador de doutorado eu tenho refletido sobre isso como essa abordagem metodológica deil carab ultrapassa essa dimensão identitária a reafricanização do Espírito era um método de abordagem e também uma visão
estratégica do desenvolvimento que foi traí no pós Independência e eu volto aqui àquela análise em que eu dizia de que falar da refundação do estado da guin Bissau pressupõe de que os desígnios que nortearam a sua Fundação eram designos falhos e não é verdade hum portanto a reafricanização do Espírito pressupõe no meu entendimento Miguel e podemos conversar sobre isso hã uma rearticulação desses fundamentos que caracterizaram a luta pela independência na Guiné Bissau ou da Guiné Bissau e de Cabo Verde porque esses fundamentos foram traídos havia um projeto de nação em construção que como o Miguel
muito bem frisou logo que a independência chega esse processo foi traído começando inclusive com seu próprio partido e aesta do tiddo pelo menos para o núcleo da guinei Bissau o seu próprio irmão mais novo Hum que instala uma força coercitiva numa dimensão Como disse o Miguel de baros policial que controlava Então foi uma substituição da polícia internacional da defesa do Estado pide por uma outra polícia desta feita com guineenses e caboverde vigiando Um ao outro e pairava um clima de desconfiança Entre todos e no meio de todos também isso foi problemático Hum então aí que
começa a traição desse projeto da Independência e mais tarde como o Miguel também frisou e pontuou muito bem houve-se uma ruptura H dentro do pigc que é o partido africano para a independência da in e Cabo Verde em que o movimento dito reajustados então Eh comissário eh das Forças Armadas equivalente ao General o Nino Vieira hum houve-se 14 de novembro o primeiro golpe de estado com a promessa de uma rearticulação daquele projeto de nação outra hora fo pensado por Amil Car Cabral novamente não se implementou aqueles desígnios o pgc enquanto partido Libertador perdeu a ideologia
tornou-se um partido fisiológico e os antigos combatentes pelo menos Os oficiais aqueles que estavam à frente do processo entenderam que depois a independência deveriam ser ressarcidos apropriaram-se das riquezas ou seja das deixadas pelos colonizadores e começaram a exigir privilégios que Cabral out hora na sua própria concepção de reafricanização do Espírito havia dito nois Independência essa pequena burguesia que dirige a luta terá à sua frente Dois caminhos o primeiro caminho seria o caminho do suicídio de classe que é importante que essa peen burguesia se suicida para Renascer e se identificar com as aspirações não é nem
da classe trabalhadora da classe camponesa mais radical ainda porque Cabral entendia de que se essa pequena burguesia Não abdicasse de todo esse arcabouço cultural que adquiriu não no sentido da negação Hã mas no sentido de um processo de desenvolvimento endógeno de dentro de dentro para fora porque o Cabral lembremos ele era contra qualquer forma de essencialização ele dizia o nosso exercício aqui deve ser de um esforço de caminhar com os nossos próprios pés guiados pela nossa própria cabeça mas sem desconsiderar aquilo que a humanidade construiu em termos de conhecimento então ele dizia que essa pequena
burguesia precisava se suicidar nesse caminho um para que pudesse não somente substituir hã os portugueses ou a administração portuguesa por substituir mas para que pudesse também implementar um novo projeto de estado nação pensado a partir como Miguel muito bem pontuou dessa identidade binacional guinei Cabo Verde e ele dizia se vocês não seguirem esse caminho haverá só um outro e o único que é da traição desse processo E aí não terá valido a pena e foi exatamente isso que temos vivenciado e o Miguel já apontou isso com uma sabedoria que só ele poderia nos apresentar aqui
então a reafricanização do Espírito enquanto o método eu compreendo Miguel de bares que deve ser recuperado nesse sentido Cabral de observar o desenvolvimento enquanto um conceito a partir de três perspectivas perspectiva endógena que requer a desconstrução do conceito e uma reconstrução a partir dessa realidade endógena e das realidades comunitárias que o Miguel muito bem conhece um desenvolvimento de dentro para fora depois num processo dialógico quer dizer de dialogar com aquilo que a humanidade ou seja o resto da África tem feito Como um esforço para o ALC de desenvolvimento do continente mas isso deve ser feito
ainda nessa dimensão metodológica cabr apresentando sempre a nossa perspectiva aquilo que ele e os outros chamaram da perspectiva africana Não podemos perder isto de vista então a a reafricanização do Espírito para o alcance desse desenvolvimento que sequer na Guine biss e em África como tudo pressupõe que precisamos fundamentalmente nos conectar com as as bases mas não é uma conexão à crítica Hum Tem que ser uma conexão crítica no sentido de desconstrução para uma reconstrução ou seja uma análise daquilo que temos como nosso para reafirmar a potencialidade e também esquecer aquilo que deve ser esquecido inclusive
Cabral dava exemplo das gerontocracia que é um processo que muitos aqui conhecem que é respeitado em África ele dizia temos que tomar cuidado essa coisa de dizer que todo o velho é sábio não é bem assim tem pessoas que envelheceram esqueceram de ficar sábios ele dizia isso e isso é importante então é importante recuperar essas estruturas endógenas mas essa recuperação deve ser pautada numa dimensão crítica porque sen não será novamente uma substituição de modelos modelos esses que quando chegam à nossa realidade entram em choque e não produzem efetivamente nada como no nosso caso além da
instabilidade essa pequena burguesia não se suicidou virou um aliado desse sistema imperialista que está aí e quem sofre H efetivamente é a própria população então a reafricanização do Espírito seria esse processo de rearticulação dos designos da luta pela independência que Cabral chamava de construção de um socialismo africano porque ele acreditava muito nisso a partir de uma unidade do continente ele dizia se não nos unirmos agora estaremos fragmentados passíveis hã a uma eh destruição e é o que ocorre e é o que ocorre na no caso da Guiné Bissau Hã o país As instituições se encontram
disfuncionais o país Tem dificuldades em estabelecer um plano de desenvolvimento coeso viável tem vivido uma instabilidade política Desde da sua independência e muitos têm dito de que é um país que foi fundado a partir de uma ideia errada e não é Cabral dizia que temos que ter a consciência Clara daquilo que queremos e daquilo que faremos para atingir o que queremos ele dizia pensar para melhor agir e agir para melhor pensar como Miguel bem nos disse não temos feito nemum nem outro infelizmente então a reafricanização do Espírito para nós nesse sentido pelo menos que eu
entendo seria esse esforço de recuperação desse projeto deil Car Cabral como isso será feito eu acho que precisamos ainda debater debater bastante Miguel era isso obrigado