Olá, meus queridos irmãos, minhas queridas irmãs, aqui é o Padre Paulo Ricardo, quero acolher você mais uma vez para esta nossa série de reflexões a respeito da Paixão de Cristo, são momentos muito importantes da nossa vida espiritual quando nós paramos para refletir o amor com o qual nós fomos amados. Essa é em substância a realidade que nós refletimos quando pensamos a respeito da Paixão de Jesus e não somente isso, ao refletir sobre a Paixão de Jesus, nós damos a Deus aquela abertura de coração necessária para que Ele nos ilumine com a Sua graça e assim tenhamos força, estejamos preparados para amar Jesus de volta. Jesus sofreu por nós e nos amou, mas para nós sermos capazes de sofrer por Ele e amá-Lo, nós precisamos do auxílio da Sua graça, então, é isso que nós gostaríamos de fazer ao refletir sobre a Paixão de Cristo.
Na nossa meditação passada falamos sobre Judas e Pedro, por quê? Porque Jesus foi ao Horto das Oliveiras, ali iniciou todo o seu sofrimento espiritual, moral e lá foi preso, entregue aos Sumos Sacerdotes por Judas, que era Seu apóstolo e depois foi julgado na casa de Caifás. Naquele julgamento religioso, Jesus foi acusado de blasfêmia porque o sacerdote perguntou se Jesus era o Messias, o Filho de Deus Vivo e Jesus disse: "Eu Sou", afirmando assim a Sua divindade, "Eu Sou", esse é o nome com o qual Deus se revelou no Antigo Testamento, depois afirmou também a Sua humanidade gloriosa, dizendo que "vereis o Filho do Homem vindo sobre as nuvens".
O Sumo Sacerdote rasgou suas vestes e ali se rasgou o sacerdócio do Antigo Testamento, enquanto isso, no pátio, Pedro negava Jesus e fizemos, então, a comparação entre São Pedro e Judas. Pois bem, o fato é que Jesus, no Seu julgamento religioso pelos Sumos Sacerdotes, foi condenado à morte por blasfêmia, por ser divino demais, ali Jesus, condenado, precisava que agora esta condenação fosse executada, mas o problema é que nós estamos aqui diante de uma ocupação romana, ou seja, a terra de Jesus, a Terra Santa, ou seja, a província onde Jesus nasceu, depois cresceu, etc. , tudo isso estava sendo ocupada pelo Império Romano e os judeus não tinham o poder de condenar ninguém à morte, por isso precisavam pedir licença para os romanos para matarem alguém.
Então, lá vão os Sumos Sacerdotes e levam Jesus para Pilatos, Pilatos era o procurador romano, era ele quem cuidava daquela região ali da Judéia, onde fica Jerusalém, então os Sumos Sacerdotes levaram Jesus até a presença de Pilatos, no pátio da casa de Pilatos porque não queriam entrar para não se contaminar e poder assim celebrar a Páscoa, vejam só, estes sacerdotes ali mostram que são aquilo que Jesus os acusava, de sepulcros caiados, eles não têm o mínimo escrúpulo de condenar à morte um inocente, mas têm a delicadeza ritual de não entrar na casa de um gentio, de um pagão, Pilatos, para não se contaminar como se eles já não estivessem contaminados pela sua maldade, pela sua crueldade de condenar o inocente e condenar o próprio Deus. Pois bem, ao entregar Jesus a Pilatos para que Pilatos O condenasse, os Sumos Sacerdotes estavam cumprindo a profecia que o próprio Jesus tinha pronunciado, Nosso Senhor tinha dito que "o Filho do Homem será entregue aos gentios, será escarnecido, açoitado e cuspido, depois de O açoitarem, tirar-lhe-ão a vida, mas ressuscitará ao terceiro dia", Jesus previu que Ele seria entregue aos pagãos, condenado pelo seu povo judeu, agora Jesus precisava ser entregue aos pagãos. Pois bem, qual era a coisa mais óbvia do mundo, que uma vez que Jesus foi condenado numa corte inferior, por blasfêmia, uma vez que se apela agora a um tribunal superior, qual é a regra do direito?
A acusação tem que ser a mesma, não é isso? Você não pode ser condenado em primeira instância por uma coisa e depois ser condenado em segunda instância por outra, não tem cabimento, mas o fato é que os judeus não podiam apresentar para Pilatos a verdadeira razão de terem condenado Jesus. Eles estão condenando Jesus porque, aqui é a mentalidade dos judeus, sendo homem, Ele se fez Deus, aqui a falta de fé dos judeus não enxerga que, na verdade, sendo Deus Ele se fez homem,, mas os judeus não podiam apresentar isso para Pilatos, porque se fizessem isso, Pilatos ia rir na cara deles: "Nós, romanos, temos tantos deuses, deixa Jesus ser deus, qual é o problema?
Quem quiser seguir Jesus e adorá-Lo como Deus que O siga". Então, é aí que os Sumos Sacerdotes precisam mentir, eles vão diante de Pilatos e acusam Jesus de três coisas, três coisas e as três são absolutamente mentirosas e eles sabem disso, ou seja, aqueles Sumos Sacerdotes, aqueles homens religiosos não têm o pudor de mentir e de inventar a mais pérfida mentira como verdadeiras serpentes com a língua bifurcada. Vejam a gravidade do que é mentir, pensar uma coisa e dizer outra completamente inventada fora da realidade, qual é a acusação que os Sumos Sacerdotes apresentam a Pilatos, são três: "Achamos que este homem estava pervertendo a nossa nação proibindo dar tributo a César, dizendo que Ele é o Cristo Rei", essas são as três acusações, qual é a primeira acusação?
Está pervertendo a nação, ou seja, estão acusando Jesus de revolucionário, segundo, que proíbe cobrar impostos, e terceiro, que Ele está se fazendo de rei. Vejam que as três acusações são acusações políticas, enquanto Jesus foi condenado pelos Sumos Sacerdotes por razões religiosas, agora os Sumos Sacerdotes apresentam Jesus a Pilatos e querem condená-lo por razões políticas, ou seja, no primeiro julgamento, Jesus era divino demais, agora, no segundo julgamento Jesus é humano demais. Antes era muito religioso, sem nenhuma aderência política, agora é totalmente político, sem nenhum significado religioso.
Pois bem, é evidente que Pilatos ouve aquelas acusações e não acredita em nada daquilo, Pilatos não era bobo, ele sabia perfeitamente que aqueles Sumos Sacerdotes odiavam o Império Romano, que eles era dissimulados, que eles faziam de conta que eram obedientes ao Imperador Romano, a César, Tibério era o nome do Imperador daquela época e, no entanto, agora se apresentavam, as pessoas dissimuladas que eram, fingidos e falsos, vassalos do Império Romano, agora se apresentavam com os mais sinceros súditos e zelosos, preocupados que no meio do seu povo surja uma rebelião contra o Império Romano, Pilatos não é besta, Pilatos não é bobo e não acreditou em nada disso. Então, para tentar descobrir o que estava acontecendo, Pilatos quis interrogar o prisioneiro e chamou Jesus para dentro do seu palácio. Os Sumos Sacerdotes ficaram lá fora, para não se contaminar, Jesus entra para conversar com gentio, com o pagão.
Interessante nós notarmos este diálogo, em primeiríssimo lugar, Pilatos pergunta a Jesus, aquilo que é a acusação mais preocupante, a acusação política: "Tu és rei? Tu és o rei dos judeus? " e Jesus então responde para Pilatos, querendo que Pilatos examine a sua própria consciência, Jesus diz para Pilatos: "Você está dizendo isso por você mesmo ou por que te disseram?
" e Jesus então responde: "O Meu reino não é deste mundo, se o Meu reino fosse desse mundo, os Meus servidores haviam de lutar para impedir que que fosse entregue aos judeus, mas o Meu reino não está fundado aqui", ou seja, Jesus, aceita o título de rei, mas Ele faz Pilatos compreender que Ele não é um rei que está tentando competir com César Augusto, com Tibério César, nem com ele, Pilatos. Mas que tipo de reino seria esse, o reino de Jesus? Pilatos, ouvindo aquela resposta, diz: "Tu és rei?
", Jesus responde: "Tu mesmo o dizes, Eu Sou rei, foi para isso que Eu nasci e foi para isso que Eu vim ao mundo, para dar testemunho da Verdade e todo o que é da Verdade ouve a Minha voz", aqui Jesus revela uma coisa extraordinária que ilumina não somente Pilatos respondendo à sua pergunta se Ele era rei, mas também ilumina a nós para entendermos qual é o tipo de reinado de Jesus, o reinado que está baseado na Verdade. Só aqui podemos fazer uma aplicação aos nossos dias, o reinado de Cristo e, portanto, a influência que a Igreja Católica tem sobre a sociedade, sobre a política, sobre Pilatos, sobre Tibério, o reinado de Cristo passa pela aceitação da Verdade, ou seja, é um reino espiritual, nós, adaptando a linguagem que o homem moderno possa entender, que diz algo, mas não diz tudo, mas diz algo, é um poder educacional, vejam só, Jesus veio a este mundo para dar testemunho da Verdade, quer dizer, Ele é a Verdade e Ele irá derramar o Seu Sangue para que nós não nos afastemos da Verdade, acontece que Pilatos não acredita na existência da Verdade, Pilatos é um cético, é um homem prático, é um homem político, a Verdade de agora não é a verdade de amanhã, nem a de ontem, é necessário que Ele vá adaptando as suas palavras à situação, ao momento, Pilatos é um homem pragmático, é um homem utilitarista, é um relativista, é um cético. E o problema do cético é o seguinte: não é que ele tenha dificuldade de enxergar a Verdade, o problema de quem não acredita que exista a Verdade é um problema moral, ou seja, é uma maldade de quem não quer ser perturbado pela Verdade.
Resumo: Pilatos, o Imperador Romano, Tibério, os políticos atuais, o homem moderno, se nós não nos convertermos à Verdade, se ficarmos simplesmente aproveitando situações, discursos, para o nosso interesse próprio, estamos no mesmo caminho de Pilatos, o caminho da condenação ao inferno, Pilatos tinha ali diante dele a própria Verdade que se fez carne, Jesus, mas Pilatos rejeita essa verdade, por quê? Porque a Verdade dói, porque a Verdade exige que eu mude de vida, porque a Verdade exige que eu saia da minha zona de conforto, dos meus interesses pragmáticos, de homem prático, de homem que pega a oportunidade dos discursos de poder, a Verdade exige que eu renuncie a mim mesmo para aceitar a Verdade. aqui está a coisa.
Nesses dias que nós estamos vivendo esta epidemia do coronavírus, algumas pessoas estão preocupadas com a situação da Igreja, essa preocupação é muito justa, estão preocupadas porque, vejam só, se a Igreja agora deixa de abrir as portas dos seus templos para o culto, existe já em alguns lugares do mundo, alguns países, o governo que está se aproveitando para colocar a Igreja de joelhos e tirar a liberdade religiosa, mandar a polícia para a porta das paróquias para impedir que a Igreja abra as portas, isto é mais uma vez a Igreja que perde, que perde a sua autonomia, a sua liberdade religiosa diante do poder político. Essa preocupação é muito justa, muito adequada, só que o que as pessoas não enxergam é que a solução é muito mais profunda do que simplesmente esta constatação, a solução está no fato de que, infelizmente, há séculos, há séculos, pelo menos quatro séculos, a Igreja, a Santa Igreja Católica, tem aos poucos, em vários de seus líderes, renunciado ao seu poder educacional, ou seja, ao seu poder de transmitir a Verdade. Quantos exércitos tem a Igreja?
Bom, exércitos de soldados de carne e osso nenhum, é isso que Jesus está dizendo a Pilatos, "O Meu reino não é deste mundo", no sentido de que "O Meu reino é um reino da Verdade, quem se submete à Verdade, quem ouve a Minha voz, este é da Verdade, Eu Sou a Verdade", este é o reinado de Jesus. Jesus reinará sobre os povos quando todos, líderes, políticos e religiosos, de qualquer outra classe se submeter ao Seu ensinamento e à Sua Verdade, ao poder educacional do Cristo, é o Cristo que vem para reinar com a sua Verdade. Ora, se Jesus reina na Verdade dos corações, os poderes políticos estarão submetidos a Ele e é esse o problema que nós temos atualmente, é que ao invés de a Igreja ensinar aquilo que ela deve ensinar, que é a Verdade sobre Cristo, a doutrina de Nosso Senhor, a Sua doutrina moral, a Sua doutrina salvadora, alguns membros da hierarquia estão preocupados em competir com o governo ensinando outras coisas, ensinando soluções econômicas, ensinando soluções sanitárias, ensinando soluções políticas, quando, na verdade, ao fazer isso, a Igreja se rebaixa porque as soluções que ela tem para oferecer são as soluções dos corações.
Seria um clericalismo intolerável que fosse a hierarquia da Igreja agora a dar soluções científicas para o tratamento, por exemplo, da doença COVID-19, não somos nós quem temos que inventar esse tratamento, mas, ao mesmo tempo, é o reinado de Cristo que a Igreja continue anunciando e denunciando o fato de que nossa sociedade, como Pilatos, é uma sociedade cada vez mais cínica, que lava as mãos diante da verdade religiosa, da Verdade única de Cristo, em nome de "o Estado é laico", vamos lavar as mãos e deixar que Cristo seja condenado à morte, que a verdade de Cristo seja cada vez mais aviltada, cada vez mais discriminada, deixada de lado, manipulada, porque agora o poder educacional é outro, ergue-se quando Jesus e a Igreja deixa de ser o poder espiritual de ensino da Verdade que Ele nasceu para Ser, quem se ergue é o poder da mentira, é o reino da mentira, é o reino de Satanás. Então, aqui está a realidade, os homens práticos do mundo moderno que ficam bradando aos quatro cantos que o Estado é laico e que a Igreja tire suas mãos de cima do mundo, da organização política do mundo, são simplesmente pessoas cínicas que não querem mesmo, não é que a Igreja não interfira na política, que a Igreja não interfira na Verdade, como disse Jesus a Nicodemos no capítulo 3 de São João: "Todo aquele que faz o mal odeia a luz, não se aproximam da luz para que não sejam descobertas as suas obras, mas aquele que realiza a Verdade, aproxima-se da luz para que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus". Então, Jesus agora está diante de Pilatos, quando Pilatos então vê que Jesus não é uma ameaça política, no sentido que ele esperava, que Jesus não tem exércitos, que Jesus não tem soldados com espada e com lança, então, Pilatos quer se livrar daquele incômodo, ele sai e declara para o Sumo Sacerdote que Jesus é inocente, eis aí uma tentativa de Pilatos de proferir uma segunda sentença sobre Jesus, os Sumos Sacerdotes disseram que Jesus é culpado, e O condenaram à morte, agora querem executar sua sentença, Pilatos diz: "Jesus é inocente".
Dali para a frente, vai acontecer uma série de confusões, uma série de brigas entre Pilatos e os Sumos Sacerdotes, onde Pilatos vai tentar se livrar do problema que é Jesus. A primeira tentativa foi essa, ele declarou Jesus inocente, aí os Sumos Sacerdotes vão e dizem: "Mas esse homem está provocando uma rebelião do povo com a sua doutrina por toda Judéia a começar da Galiléia". Quando Pilatos ouve que Jesus é galileu, então vem a segunda coisa, a segunda tentativa de Pilatos, opa, então vamos mudar de juiz, eu me livro dessa dificuldade, Pilatos, então, resolve despachar Jesus para Herodes, ou seja, Pilatos não quer julgar Jesus, não porque ele realmente queira salvar Jesus, mas é porque ele quer se livrar de um incômodo e deixar que Herodes, o seu antagonista, Herodes, fique com a batata quente, ou seja, fique com o problema de condenar este homem inocente.
Eis que agora, então, Jesus já não será mais julgado, pelo menos era isso que esperava Pilatos, não será mais julgado pelo poder cético e cínico do Império Romano, mas, agora, deve ser julgado pelo homem sensual, mundano e supersticioso que é Herodes. Deus abençoe você. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Amém.