bom estamos aqui de volta para falar da pauta que é realmente relevante pra gente abordar hoje é a pauta com a qual eu não conseguiria ficar sem incluir na live então gente a gente tá em abril e abril não é só o mês do primeiro de abril abril é um mês muito importante para todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil que lutam pelo direito à terra caso vocês não saibam o MST celebra todo ano celebra no sentido de luta o abril vermelho e o abril vermelho é uma coisa que eu acho que eu falei todos os anos desde que eu comecei a fazer live e eu vou repetir uma das coisas que eu falo todos os anos que é a história do Abril Vermelho e eu acho que eu vou continuar repetindo essa história todos os anos porque eu acho que é uma história que todo brasileiro tem que conhecer que realmente é uma história de martírio muito importante e que marcou a história do nosso país para sempre e é uma infelicidade que a gente não aprenda isso com o mesmo peso que a gente aprende certos outros fatos históricos tá então vamos entender o porqu dessa data porque abril porque a luta pela reforma agrária no Brasil precisa da nossa atenção e do nosso apoio permanentes tá bom vamos lá pegar aqui o próprio site do MST para falar sobre a origem do Abril vermelho massacre de Eudorado dos Carajás 28 anos de impunidade isso aqui é do ano passado por isso tá 28 então a data não tá não tá certinha ano que vem faz 30 anos inclusive é um é um momento que a gente tem que lembrar muito do massacre porque foi o que eu falei é um evento histórico na história da luta pela Terra que é fundamental de se compreender e eu tô dizendo isso porque foi um dos episódios mais covardes mais sangrentos mais violentos do Estado brasileiro contra trabalhadores e trabalhadoras rurais aconteceu dia 17 de abril de 1996 vamos começar do começo em setembro de 95 3. 500 famílias montaram um acampamento nas margens da rodovia PA150 isso sim El Dourado dos Carajás sudeste do Pará a região que eles ocuparam ficava em torno de uma fazenda chamada fazenda macaeira o que que eles estavam fazendo também reivindicando a fazenda macaeira por ser terra improdutiva em março de 96 o MST decide ocupar a fazenda por conta da imobilidade do Estado e depois da ocupação eles começam a negociar com o INCRA que é o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária pela Terra por ela ser improdutiva que é uma coisa que está prevista na nossa Constituição o que acontece o Instituto de Terras do Estado do Pará começa a fazer as mediações entre os trabalhadores e o INCRA para acelerar o processo de assentamento o MST funciona assim primeiro ocupa depois assenta beleza se chegou num acordo para assegurar envio de alimento e medicação pros camponeses ficarem lá em boas condições spoiler para vocês esses acordos nunca foram cumpridos em favor do MST nunca o que aconteceu foi que o Incre apresentou um laudo dizendo que a Terra era sim produtiva e até hoje o MST diz que esse laudo foi forjado tá que a Terra era improdutiva e devia ir pra reforma agrária beleza por conta disso os alimentos e medicamentos nunca foram entregues à família dada essa luta travada o que acontece 100 famílias no dia 10 de abril começam a marchar em direção a Belém capital do Pará depois de 7 dias de manifestação isso lutando pela desapropriação dessa fazenda que eu falei os trabalhadores decidem bloquear um trecho da estrada esse trecho era conhecido como curva do S isso é para pressionar principalmente para para eles conseguirem alimentação e transporte para as manifestações e aí sem diálogo nenhum nenhum diálogo o governador do Pará simplesmente ordenou que a rodovia fosse desobstruída isso foi uma ordem e aí é que eu quero chamar a atenção de vocês por uma coisa quando o assunto é propriedade privada gente quando o assunto é contestação da propriedade privada quem é responsável por proteger a santidade a santidade da propriedade privada que que vocês acham bati no microfone o governador botou a PM para cima dos trabalhadores tá e é aqui que começa um dos episódios mais sangrentos da história do país principalmente no que diz respeito à luta pela Terra o governador acionou uma tropa com 155 policiais militares e esses policiais estavam a comando do Mário Colares Pantoja e do José Maria Pereira de Oliveira eu quero falar os nomes deles os policiais abriram fogo contra os agricultores e assassinaram na hora 19 pessoas além de deixar 60 feridos dois trabalhadores morreram depois então a gente chega na cifra de 21 mortos sabe quantas vítimas teve na polícia nenhuma nenhuma nem ferimento grave teve na polícia e aí para quem fala que o MST invade terra e é terrorista grande parte das pessoas atacadas eram mulheres idosos e crianças as pessoas estavam se protegendo com pau e pedra e a polícia abriu fogo de metralhadora oito dos assassinados não foram mortos com tiro foram mortos com golpe de foice e facão 11 receberam um total de 37 tiros tem gente com tiro na nuca e na testa claramente a execução e se você não tá conseguindo entender o nível da violência na edição eu vou pedir pro Robson colocar parte do vídeo porque tem vídeo tá só que o vídeo é muito sangrento então não vou colocar ao vivo porque pode cair a live o massacre aconteceu na curva do S da rodovia PA150 que havia sido bloqueada por trabalhadores sem terra que pediam a desapropriação de áreas na região 155 policiais militares foram chamados para liberar a estrada um deles atirou e os agricultores reagiram atirando pedaços de pau 19 trabalhadores rurais foram assassinados a repórter Marisa Romão da TV Liberal fazia a cobertura e teve que se proteger dentro de uma casa onde estavam mulheres e crianças para para só tem mulher e criança aí dentro quando abriu a porta que eu vi o deu para mim ver o policial ele estava com o fuzil apontado na direção da da porta da casa que eu vi o policial eu eu pedi para ele para para eu me identifiquei levantei logo me identifiquei e ele graças a Deus graças a Deus ele me ouviu você pensou por algum momento que iria morrer trabalhar hoje pensei porque as balas elas não tinham direção elas não não não tinham alvo eles atiravam em tudo em todo mundo o promotor Marco Aurélio Nascimento responsável pelo caso diz que os policiais tiraram os corpos do local e destruíram provas para dificultar as investigações e também o os mortos eles foram eh assassinados com armas eh particulares os policiais não utilizaram as armas oficiais apenas uma arma realmente pertenceu à Polícia Militar que pertencia que foi considerada eh ligada a um dos cadáveres quando chegamos aqui os sinais da tragédia ainda estavam muito vivos tensão e revolta havia por toda parte os sem terra procuravam por companheiros principalmente mulheres e crianças desaparecidas nos últimos 20 anos aconteceram 12 massacres no Pará um recorde nacional este de Aldorado de Carajás segundo denúncias feitas à comissão do Congresso que visitou a área foi articulado pelos fazendeiros da região uma semana antes do conflito eles fizeram uma reunião e mandaram um recado ao governo do estado ou resolvia o problema ou eles pegariam em armas para liberar a estrada bloqueada pelo sem terra e gente golpe de foice e de facão não é só para matar uma pessoa é para mandar uma mensagem tá matar um trabalhador rural com as próprias ferramentas de trabalho dele é uma coisa que é para matar é é para matar uma ideia a ideia era essa era para realmente avisar pros trabalhadores o que que o estado ia fazer caso eles lutassem por terra é isso esse coronel Pantja e esse Major Oliveira foram condenados a 228 e 154 anos de prisão respectivamente e antes de que você pense que pelo menos esses dois [ __ ] foram responsabilizados vocês não conhecem a justiça burguesa do Brasil tá condenados por massacre de Carajo cumprem pena em liberdade e t apoio de Bolsonaro dos 155 envolvidos no episódio apenas dois comandantes foram condenados com penas que somam 400 anos de prisão os outros policiais foram absolvidos e o governador não chegou nem a ser denunciado e fica pior vários policiais que atuaram estavam sem identificação e com arma retirada do quartel sem registro o que é crime o coordenador estadual do MST do Pará que é o Tito Moura falou pro Brasil de fato em 2020 que o massacre foi premeditado e é evidente gente se eles saem sem identificação com armas sem registro é para matar é para matar abre aspas ele relata que na época a Fazenda Rio Branco hoje assentamento Rio Branco estava ocupada outro pedaço da mesma fazenda se tornou assentamento Palmares e em seguida ocupou-se a fazenda macaeira com 3. 5.
000 famílias abre aspas pros fazendeiros aquele momento tinha que ser barrado fecha aspas ou seja o MSC tava ganhando visibilidade esse era o problema e aí em homenagem às pessoas assassinadas pela PM do Pará em homenagem aos familiares em homenagem aos companheiros de luta o mês de abril passou a ser um período do ano que o MST organiza jornadas de ocupação e luta pela reforma agrária no país inteiro o lugar onde o massacre aconteceu hoje é o assentamento 17 de abril e na época teve um monumento foi construído pelo pelo Oscar Neemer e esse monumento foi destruído por pessoas anônimas mas quem será que destruiu né gente quem será que destruiu também a data desse massacre foi escolhida pela Vila Campesina que é uma organização internacional de camponeses como dia internacional de luta pela terra por isso que é muito sintomático a gente não conhecer essa história bem eu tenho certeza que muita gente que tá aí no chat não conhecia essa história e foi que eu falei isso aqui é é de uma importância fundamental pra história do país isso aqui é um momento um marco da luta pela Terra fundamental isso aqui devia est em todo currículo escolar e aí a gente vai falar do abril vermelho das jornadas desse ano tá o MST estabeleceu novas ocupações nesse abril abril vermelho famílias do MST ocupam latifúndio em Pernambuco Paraíba e Rio Grande do Norte para exigir reforma agrária cerca de 100. 000 famílias ligadas ao MST vivem em acampamentos em 24 estados do país então na madrugada de 6 de abril o MST ocupou fazendas improdutivas no Rio Grande do Norte Paraíba e Pernambuco e exigem do governo federal o cumprimento da política de reforma agrária que é só constitucional 1000 famílias ocuparam uma fazenda da de uma empresa chamada Copa Fru que fica perto do Instituto Federal do Sertão de Pernambuco e Petrolina abre aspas é uma área que tem todas as características para ser colocada à disposição da reforma agrária porque não cumpre a sua função social disse ao Brasil de fato dirigente estadual do MST em Pernambuco Florisvaldo Araújo que acontece de acordo com o MST a empresa não paga direito trabalhista tem várias dívidas com banco privado e dívida com o Codevasf e o mais engraçado disso tudo gente os caras estão com a água e a energia suspensa por falta de pagamento e aí você quer uma evidência mais imbecil mais óbvia assim mais descancarada de que a terra é improdutiva a Terra tá sem água não tem nem o que falar tá gente a terra é improdutiva e ponto final abril vermelho MST ocupa a área do Vale do Rio Doce em Minas Gerais 600 famílias iniciaram movimento às margens da BR16 nessa madrugada ação reafirma a luta pela reforma agrária essas famílias estão reivindicando a desapropriação da fazenda Rancho Grande certo e aí qual que é a posição do governo a respeito disso isso aqui é uma coisa importante tá a gente falou do governo Lula duas vezes hoje já qual que é a postura do governo Lula ou pelo menos eu pergunto para vocês qual deveria ser a postura do Partido dos Trabalhadores que tem um vínculo histórico com o MST quando esse tipo de coisa acontece vamos analisar assentamentos anunciados por Lula atenderão 10% das famílias acampadas no país longo caminho paraa reforma agrária diz MST brasil tem 120. 000 famílias acampadas à espera de terra de acordo com dados do próprio MST que acontece no mês passado o governo anunciou a entrega de 12.
297 lotes de terra para famílias acampadas em 24 estados brasileiros os lotes estão organizados em 138 assentamentos e eu não tô dizendo aqui que a gente não deva celebrar a luta que é do MST tá eu não quero que ninguém aqui fale assim: "Nossa faz o Lula lá isso aqui é luta do MST" vocês estão vendo como essa luta encarneçada é a luta que os camaradas os companheiros fazem ocupando o espaço para pressionar o estado a fazer a função que ele deveria fazer sem pressão na teoria claro né o que a gente não pode fazer é perder a perspectiva do tamanho disso tá de quão pouco é isso e como a luta pela reforma agréria continua sendo muito importante no Brasil foi foi o que eu falei aí lendo essa manchete isso aí tá atendendo só 10% da demanda das 120. 000 famílias acampadas 72. 000 são vinculadas ao MST os outros são diferentes movimentos tá e para vocês terem uma noção ao longo do tempo a criação de assentamentos está diminuindo no primeiro governo Lula vamos aos dados né primeiro governo Lula 2003 a 2006 1705 assentamentos segundo mandato de 2007 a 2010 foram 979 então diminuiu no governo Dilma de 2011 a 2014 foram 555 de 2015 a 2016 até o impeachment foram 70 no governo Temer 2016 a 2018 66 governo Bolsonaro 19 até 22 18 18 tá e em 2023 o governo Lula fez só 10 fez só 10 em 2023 o governo não comprou nem uma área para assentamento gente lula repete Bolsonaro e governo não compra terra para reforma agrária pelo terceiro ano seguido e aí a gente já viu aqui eu não tô nem particularmente querendo criticar o governo eu tô querendo mostrar para vocês como os assentamentos estão diminuindo e como essa luta não vai parar tá é muito importante que a gente apoie essa luta o tempo todo o tempo todo vocês viram o nível da situação eu já vi petista dizendo isso não pode ser feito por conta do rombo que o Bolsonaro deixou pro governo eu só quero mostrar uma coisa para vocês ano safra 2023 2024 termina com desembolso recorde de 400,7 bilhões em crédito o total do desembolso corresponde a 92% do montante que foi programado pro Safra em 202324 para todos os produtores a coisa do rombo não cola tanto quando a gente analisa outras coisas tá e assim o Incra reconheceu mais assentamento a reforma agrária tá tendo mais investimento em dinheiro do que o governo Bolsonaro só que isso é muito pouco gente não dá nem para dizer que a gente tá avançando a gente pelo menos não tá retrocedendo que corrobora de novo com aquela nossa tese de que o governo Lula é um governo de contenção e é difícil até afirmar categoricamente que não tá retrocedendo é difícil sem reforma agrária violência no campo bate recorde com o governo Lula de CPT cpt é a Comissão Pastoral da Terra que tem um vínculo eh muito próximo com o MST tá então os conflitos armados no campo têm aumentado bastante a gente falou sobre isso principalmente falando da organização Invasão Zero tem uma live só sobre o Invasão Zero aqui quem que financia e quem que tá perpetrando tá isso sem falar da violência da PM e dos próprios fazendeiros sem o vínculo com a invasão zero então deixa eu trocar a câmera aqui lembrar de Carajaz é lembrar que essa luta continua tá lembrar de Carajás é lembrar que toda a conquista feita sobre o capitalismo não é permanente lembrar que tudo que os camponeses conseguiram foi na base do sangue e como vocês viram não foi pouco sangue e que depois de Eldorado dos Carajás todo o enfrentamento demanda muita coragem não que não demandasse antes tá porque a violência no campo não era não era eh desconhecida pelos trabalhadores mas vocês entendem o ato de coragem que é isso e o ato de coragem que os companheiros do MST fazem todas as vezes que eles pressionam esse estado assassino por uma reforma que é básica tá básica e já deveria ter sido garantida na Constituição de 88 mas como vocês sabem muito bem letra fria da lei não quer dizer absolutamente nada quando a luta é de classes e a luta entre grandes latifundiários e camponeses é uma luta de classes é uma luta no campo dos interesses materiais de classes beleza então pela última vez eh quinta-feira votar lá no Inteligência Limitada só para falar do governo Lula e do PT e da socialdemocracia como teoria né eu esqueci de falar aqui porque eu sou péssimo em min auto promover se você quiser contribuir com o canal temos o apoia-se aí apoia.