Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, o evangelho de hoje nos fala da oração, a oração por excelência: o Pai Nosso.
Você recorda que, na Quaresma, nós temos as três obras quaresmais, que são o jejum ou a penitência, a esmola ou a caridade e a oração. Aqui Jesus nos ensina a rezar com o Pai Nosso. O Pai Nosso é composto de sete pedidos, mas os três primeiros são os mais importantes.
A oração começa dizendo: "Pai nosso, que estáis nos céus". Isso é simplesmente uma profissão de fé; não é pedido nenhum. Que diz assim: "Santificado seja o vosso nome".
Santificar o nome de Deus quer dizer o seguinte: eu devo crer nele e querer que outros creiam no nome de Deus; ou seja, o nome é aquilo que Deus dá a conhecer. Nome é aquilo pelo que você conhece Deus. "Santificado seja o vosso nome" quer dizer que Jesus seja conhecido, seja glorificado.
Aqui trata-se de glorificar e reconhecer a presença de Deus em Cristo. Mas, no Pai Nosso, quando você for rezar, a primeira coisa é um ato de fé. Toda oração deve começar assim, com um ato de fé: a fé em reconhecer a presença de Deus em Cristo, reconhecer a presença de Cristo aqui diante de mim.
Então, "santificado seja o vosso nome" quer dizer isto: um ato de fé. O segundo pedido é "vem a nós o vosso reino". Vem a nós o vosso reino quer dizer um ato de esperança.
Nós queremos ir para o céu. Você começou fazendo um ato de fé, agora você faz um ato de esperança. Você diz: "Eu tenho uma esperança".
Mas a esperança não é a felicidade aqui nessa vida; a esperança não é que Deus vai fazer milagrinho para mim aqui. A esperança é que Ele um dia me receba no céu; ou seja, "vem a nós o vosso reino". O Reino que é dos céus, onde nós queremos entrar um dia, é pedir a salvação.
Quanto tempo faz que você não pede a sua salvação, a salvação das pessoas que você ama? Então, se você vai rezar, comece assim: um ato de fé, depois um ato de esperança. Então, o Pai Nosso diz: "Seja feita a vossa vontade".
E aqui nós estamos com um ato de caridade, sim, porque amor é fazer a vontade de Deus. Então, você faz um ato de caridade: diz "Senhor, eu vos amo, eu quero dobrar minha vontade diante de vós, eu quero vos amar, Senhor, e corresponder assim ao amor de Deus que se entregou por nós e morreu na cruz". Se você fizer esses atos de fé, esperança e caridade em toda oração que você faz, você já está no bom caminho.
Por quê? Porque a vida de santidade, a vida de perfeição, consiste exatamente no crescimento da fé, da esperança e da caridade, que são as virtudes teologais que Deus dá para nós. Pois bem, mas você precisa de mais ajuda, você precisa de mais do que somente isto.
Jesus nos ensina a pedir: "O pão nosso de cada dia nos dai hoje". O pão de cada dia aqui, na realidade, são as graças necessárias para crescer na fé, na esperança e na caridade; ou seja, as graças, em primeiro lugar, graças espirituais. Ou seja, o pão de cada dia é, antes de tudo, o pão espiritual: o pão espiritual da Eucaristia, o pão espiritual da palavra de Deus, do conhecimento das coisas de Deus, para que eu possa crescer.
Não somente isso: o pão espiritual das graças necessárias para corresponder às virtudes infusas, os dons do Espírito Santo. Tudo isso é pão espiritual; tudo isso é o pão de cada dia que nós precisamos pedir. Precisamos pedir que nós tenhamos sempre os sacramentos, que tenhamos na Igreja fiel, que tenhamos ministros de Deus, vocações cada vez mais.
Então, esse é o pão de cada dia, espiritualmente falando. Mas nós temos também um pão material, porque, afinal das contas, nós não somos anjos. Nós temos também o nosso corpo e o pão material é aquilo que nós precisamos para a nossa sobrevivência.
Santo Tomás de Aquino pergunta: "Será que é lícito pedir para Deus bens temporais? ", ou seja, esses bens materiais do mundo aqui. E ele responde: "Sim, é lícito se nós pedirmos coisas necessárias para nossa salvação eterna".
Então, os bens materiais devem servir para um propósito maior que a nossa salvação eterna. E aí, os três últimos pedidos, que na realidade são pedidos negativos, porque pedem que Deus tire os empecilhos. O maior empecilho de todos é o pecado: "Perdoai-nos as nossas ofensas, como nós perdoamos a quem nos tem ofendido".
Mas, depois disso, do pecado, vem a tentação: "Não nos deixeis cair em tentação". E, finalmente: "Livrai-nos do mal". Livrai-nos do mal!
Aí nós temos todos os males, desde uma dor de dente até a morte: "Livrai-nos, Senhor, do mal". E, sobretudo, neste tempo de Quaresma e sempre em nossa vida: "Livrai-nos do maligno", porque é ele quem está focado em perder a nossa alma. Somos nós que nos distraímos, e a oração deve focar o nosso coração no Pai que está no céu.
Deus abençoe você. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.