[Música] Pessoal, no vídeo de hoje a gente vai comparar um pouquinho para tentar entender o que tem de similar e de diferente entre duas abordagens para a gestão de processos: a Reengenharia de Processos, que em inglês é Business Process Reengineering (BPR) grave essa sigla. E a Melhoria Contínua de Processos, que em inglês é Business Process Improvement (BPI). O que tem de similar e diferente entre o BPR e BPI?
BPR (Reengenharia de Processos) foi uma abordagem muito famosa na década de 90. Tinham alguns autores que escreveram livros sobre isso. Os mais famosos foram o Hammer e Champy.
Eles trabalharam muito esse conceito. Hoje em dia no mercado essa palavra (Reengenharia) é quase uma palavra proibida, é mal vista. Esse termo ficou queimado no mercado.
Já não se fala mais em Reengenharia de Processos. Por que? A Reengenharia de Processos é uma abordagem de Gestão de Processos radical, transformadora.
Então, ela parte do seguinte princípio: esquece os processos que existem hoje. Você não precisa conhecer os seus processos atuais. Você não precisa conhecer o seu AS-IS, ignora tudo sobre a forma que a empresa faz hoje e vamos propor um processo totalmente novo.
Totalmente do zero. Vamos partir para alguma coisa totalmente diferente. E aí o que vocês imaginam que acontece?
Algumas coisas boas e algumas coisas ruins. Qual foi a principal dificuldade? Quando você ignora tudo que existe hoje, você ignora muito do conhecimento e do aprendizado que aquela empresa já teve sobre aquele processo.
Ignora também muita coisa boa sobre aquele processo que a empresa aprendeu e introduziu ao longo do tempo. Pior ainda, você ignora tudo que tem a ver com a cultura daquela empresa, daquele local, cidade e país. Quando você vem com uma proposição nova, principalmente quando você vem com um benchmarking internacional, de mercado, qualquer coisa desse tipo, nem sempre quando você coloca isso aqui, isso encaixa tão bem assim.
Porque existem as especificidades de contexto. Então a gente tem na literatura vários relatos de abordagens muito bem sucedidas de Reengenharia de Processos e vários relatos de abordagens mal sucedidas sobre Reengenharia de Processos. Porque nem sempre dava um fit, nem sempre a coisa encaixava também da forma como a gente gostaria.
Assim, ao longo do tempo surgiu o conceito de Melhoria Contínua de Processos. Qual é a diferença? Na Melhoria Contínua de Processos eu tento entender onde eu estou hoje, como eu trabalho hoje, por isso a gente mapeia o AS-IS, a situação atual dos processos, não importa se esse processo está bom ou ruim, eu vou entender como esse processo funciona hoje para eu entender o que ele tem de pontos fortes e pontos fracos.
A partir daí, sim, eu penso como eu quero melhorar aquele processo, mas tentando preservar o que o processo tem de positivo. Normalmente, a melhoria faz mudanças incrementais. É um ciclo de melhoria contínua.
A gente repete isso "N" vezes. Então, eu não faço mudanças totalmente radicais de uma única vez. Eu vou introduzindo as melhorias aos poucos, medindo, analisando, vendo os resultados e fazendo isso de pouquinho em pouquinho.
Essa é a principal diferença entre elas. "Ah, Andréa, então a melhoria continua é muito melhor? " Depende.
Têm situações onde você realmente precisa de uma abordagem totalmente transformadora. Se você quer fazer uma coisa totalmente nova, se você quer inovação, muitas vezes ficar presa à forma como a empresa trabalha hoje pode acabar te limitando, te viciando em um raciocínio, em uma forma de pensar quando você precisaria quebrar os paradigmas, sair um pouco da caixinha para conseguir propor alguma coisa totalmente nova. Então, às vezes, uma abordagem mais inovadora, mais transformadora pode ser necessária, pode ser importante.
E, às vezes, também alguns autores defendem que dá para você conciliar as duas coisas. Na verdade, a gente imagina que você pode ter momentos dos processos da sua empresa que você precisa de alguma coisa mais radical e mais transformadora e depois você vai fazendo algumas coisas incrementais, pequenininhas, em vários momentos seguidos até que você chega numa outra fase que precisa de outra mudança transformadora de novo. Então, talvez você possa combinar essas duas coisas sem necessariamente jogar fora tudo o que tem de positivo, tudo que a empresa já aprendeu, tudo que os profissionais da empresa já conhecem para evitar esse tipo de problema.
Repare que de qualquer forma, nas duas abordagens, eu tenho sempre que me lembrar qual é o foco que eu quero da minha Gestão de Processos. Porque se eu estou pensando, lembra quando a gente falou naquele outro vídeo sobre as aplicações de BPM? Se eu estou pensando em alinhamento estratégico, eu tenho alguns focos.
Se eu estou pensando em automação de processos, em tecnologia, eu tenho outros focos. Então, eu vou escolher também um pouco do quanto eu quero implementar de melhoria ou não, do quanto eu quero interferir nos meus processo ou não pesando um pouco no foco que eu tinha antes. Então, isso é uma coisa que eu também não posso perder de vista, que me ajuda a pensar nisso.
Tá bom? E aí, gostaram? Deu para entender?
Qual abordagem vocês têm usado? O que vocês estão fazendo na empresa de vocês? Incremental, transformadora e radical?
Com mais inovação, com menos inovação? Devagar e sempre? Como é que vocês têm feito?
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