Meu primeiro contato com Tarô foi em 1999, numa viagem que eu fiz ao sul de Minas, e foi a primeira vez que alguém abriu as cartas para mim. Já foi com o tarô mitológico, que é o que eu uso até hoje. O tarô mitológico tem essa conexão com as histórias também.
Como eu sou contadora de histórias, foi o baralho com que eu mais me identifiquei. Até agora, já tive outros, já estudei outros ao longo desses quase 20 anos, mas é com esse gosto de trabalhar que eu fiquei encantada com essa pessoa que tinha lido e com as cartas. Nessa mesma viagem, eu conheci um astrólogo ecólogo que veio a ser um grande amigo depois, que ficou como um orientador.
Então, quando eu voltei para casa, comecei a estudar, a estudar, a querer entender o que aquilo era, por conta própria. Ele ia me indicando livros, quando eu tinha alguma dúvida, eu perguntava, ele me ajudava a esclarecer. Enfim, dali eu comecei a estudar, e o tarot veio como uma conexão muito fácil, muito natural para mim.
Minha identificação com as cartas foi muito forte. Comecei a atender primeiro pessoas próximas, amigos, enfim. Só que, no começo, começou a me incomodar muito porque a maioria das pessoas que chegavam estavam muito focadas na previsão.
O que vai acontecer? Quando? Como?
Eu nunca me senti à vontade para trabalhar com previsão. Na verdade, não tenho nada contra quem trabalha com previsões. Eu, como cliente, já fui me consultar também com pessoas que trabalham.
Mas não é o meu estilo, não é a minha proposta, não é a minha busca. Então, qual é a minha busca? A minha busca sempre foi voltada para o autoconhecimento e para uma postura, uma visão de consciência terapêutica.
Então, todas as formações que eu fiz até hoje foram para essa linha da terapia. O que eu percebia é que as pessoas muitas vezes chegavam como se os eventos da vida fossem determinados externamente. Querem saber o que vai acontecer, quando, como, mas não se perguntavam: "Caramba, por que é que ainda não tá acontecendo?
". Se há algo que eu quero tanto, que eu tento tanto, por que que eu ainda não consegui? O que tá travando?
Que parte minha de repente não quer tanto assim que aquilo aconteça, por medo, por uma crença, ou mesmo diante de uma previsão? Como é que eu posso me trabalhar para quando aquilo acontecer, aquela oportunidade acontecer, eu poder recebê-la plenamente, viver plenamente aquilo? Então, o meu foco estava mais voltado para a pessoa, para que a pessoa possa se apropriar da sua própria vida, possa se apropriar das suas questões, e também resgatar o poder de saber que ela é capaz de construir e mudar a sua história.
E se alguma coisa ainda tá demorando a acontecer, ou ainda não tá acontecendo plenamente, é importante ver qual é a nossa participação nisso. Porque a nossa participação é a única coisa que a gente pode realmente mudar. E aí eu continuei.
Na verdade, eu parei um tempinho de mexer com Tarô. Comecei a mexer só para mim, porque não tava plena a minha forma de atender para mim. E aí, em 2000, 2001, eu entrei em contato com alquimia e com a arterapia, e ali foi quando pela primeira vez eu vi uma visão que se assemelhava mais com o que eu acreditava.
Então, vou falar muito resumidamente porque falar sobre UnG daria dias de vídeo, mas só para tentar organizar sobre o Tarot Yung. Ele pesquisou vários sistemas simbólicos, pesquisou mitologia de vários povos, histórias. Pesquisou astrologia, estudou o Tarot, estudou os símbolos da alquimia, estudou vários sistemas simbólicos, e ele começou a perceber algumas coisas muito interessantes.
Por exemplo, em todas as mitologias que ele estudava, via que algumas imagens se repetiam sempre nos povos, mesmo em povos que não tinham nenhum contato. É claro que essas imagens se repetiam com roupagens diferentes, vestidas por cada cultura. Por exemplo, numa determinada cultura, havia uma deusa que representava a grande mãe.
Em outra cultura, havia outra deusa com outras características, mas que também representava a grande mãe e tinha características muito básicas, muito parecidas com a deusa da outra cultura. Ele começou a perceber que às vezes não era uma pessoa, mas de repente, em outro povo, a grande mãe era representada pelo mar, por um rio, pela própria terra, mas sempre havia uma imagem para a grande mãe, uma representação, e ele começou a ver que isso acontecia com a grande mãe, com o herói, com várias outras imagens que fazem parte da psique humana. São imagens com as quais, durante a nossa jornada toda, a pessoa entra em contato de alguma forma, e ele começou a chamar essas imagens primordiais, essas matrizes simbólicas que davam origem às grandes mães, aos heróis, etc.
, em cada cultura, de arquétipos. E começou a ver que, provavelmente, por essas imagens fazerem parte do processo humano, da jornada da gente, da psique humana na Terra ao longo de tantas e tantas gerações, elas ficaram gravadas no que ele resolveu chamar de inconsciente coletivo. Assim como Freud falava que a gente tem um inconsciente pessoal, toda gente, UnG trouxe essa noção de um inconsciente de toda a humanidade, onde estariam esses arquétipos, onde estariam as etapas, as vivências fundamentais, as imagens fundamentais com as quais a gente entra em contato durante a nossa jornada.
Além disso, ele começou a falar sobre outro conceito que ele chamou de sincronicidade. E começou a perceber que o que a gente chama De coincidência nem sempre eram tão coincidências assim, né? Ele começou a perceber que eventos internos às vezes aconteciam ou eram representados fora.
Por exemplo, uma pessoa tem um sonho sobre determinado assunto, e no dia seguinte ela abre o jornal quando acorda e tá lá uma notícia sobre esse assunto, né? Ou alguém pensa numa pessoa, sua liga, e ele começou a explicar que nem sempre isso é coincidência. Na verdade, não existe tanto essa questão de casualidade, né?
E que nem todos os eventos também estão ligados por causa e consequência, mas porque o nosso interior e o exterior eles estão conectados, eles têm uma ligação. Então, o que eu tenho dentro atrai também, símbolos fora. Bom, por que que eu tô explicando isso de uma forma muito resumida?
Porque o tarot e todos os oráculos trabalham com essa visão, principalmente se a gente vai para uma linha mais terapêutica da sincronicidade. Então, quando uma pessoa corta o baralho ou tira uma carta, por sincronicidade, essa carta, esse símbolo que tá ali, vai trazer como se fosse um espelhamento, né? As cartas são como um espelho do que tá dentro da pessoa, do que ela tá passando, de que etapa da jornada humana ela tá.
Qual é o drama que tá acontecendo ali? Bom, eu vou falar um pouquinho agora sobre como é o tarô, né? O tarô, ele é um baralho.
Não vou falar muito sobre as origens porque demandaria mais tempo. Ele é um baralho com 78 cartas: 22 cartas que a gente chama de arcanos maiores que são aquelas cartas com nome, né, que a maioria das pessoas já ouviu: o diabo, a torre, o sol, a imperatriz, o imperador, carro, diabo, enfim, a morte e as outras cartas correspondem ao que a gente tem no baralho, né, os quatro naipes, copas, paus, espadas e ouros de asis a 10, e as cartas da corte que são o Pajé, o Cavaleiro, a Rainha e o Rei. Então, essas 22 cartas principais dos arcanos maiores, e eles falam da jornada do homem na terra, eles trazem esses arquétipos pra gente usar os termos de do que passa cada pessoa na sua jornada, no seu processo de individuação, né, de se tornar um indivíduo, uma pessoa.
E os naipes, os arcanos menores, eles falam de uma forma mais prática, mais próxima do cotidiano, dessa jornada, mas mais esmiuçado e mais dividida por áreas da vida. Então, o naipe de copas vai falar da parte afetiva, emocional, o outro vai falar de relacionamentos, o outro vai falar da parte mais mental, intelectual, o outro da parte prática, material, financeira, e outro vai falar sobre essa parte do espírito, do desejo, da vocação, da energia de ação, né. Então, a partir dessa configuração e das tiragens de cartas, o tarot ele acaba servindo como esse oráculo sincrônico, né, que traz esse espelhamento do ente e do que tá havendo, né, no universo nesse momento, né?
Quais são as possibilidades que estão no campo da pessoa nesse momento, as dificuldades, os caminhos. Então, esse é o formato do tarot e como ele atua quando alguém chega para abrir o tarot e tira uma carta, esse tarô, essa carta ela espelha o que tá dentro, qual é a função disso num processo terapêutico, é como se a gente tirasse o que tá no inconsciente, o que tá confuso, o que não tá sendo entendido e colocasse literalmente sobre a mesa, né, de uma forma que aí eu vou poder ler o que tá acontecendo e ajudar a pessoa a enxergar. Quais são os mecanismos inconscientes que estão atrapalhando algo a acontecer, atrapalhando, entre aspas, o que pode ser mudado, o que precisa ser trabalhado para conseguir o que se quer para viver de uma forma mais plena.
Por que que eu tô presa a um padrão e eu não sei sair dele com a cabeça? Eu já entendi o que é para fazer, mas eu não consigo agir. Então, tudo isso vai sendo clareado à medida que vem pras cartas e que a leitura é feita.
Além disso, ao longo desses quase 20 anos, eu fui estudando outras técnicas, né, cheguei a fazer 4 anos de Psicologia porque eu queria ter uma base maior, né, dessa área também, e fiz a formação e alinhamento energético que ajudou a direcionar melhor minha sensibilidade, também como professora em 2010, 2010 se eu não me engano, na primeira turma que teve no Brasil, e essas coisas foram me dando outros instrumentos, fui trabalhar com contação de histórias, fui estudar um pouco de constelação familiar, enfim, e esses recursos que eu tenho Hoje Eu Acabo usando durante as consultas. Então, quando tar mostra algumas questões e como elas podem ser trabalhadas, se eu sinto que para aquela pessoa seria importante fazer um exercício de constelação familiar, a gente faz, se eu sinto que seria importante fazer outra técnica, a gente faz, se eu sinto que tem algo que ela pode fazer sozinha em casa para melhorar aquilo, eu vou indicar também, se eu sinto que seria interessante um floral naquele momento, eu também posso entrar com floral. Então, o tarot terapêutico, ele tem tanto essa parte de poder trazer quanto os recursos que o próprio terapeuta tem na sua bagagem para o cliente, bom, e a diferença fundamental então do tarô divinatório pro tarot terapêutico é o foco, é o foco na pessoa, no que ela pode fazer e como trabalhar essas questões, é tentar dar mecanismos para que a pessoa possa entender o que tá acontecendo e saiba onde buscar formas de ter uma vida mais plena, de agir de uma forma mais livre e consciente.