E sem dúvida aquilo que é fruto do contexto da época ganha atualizações. Então nós vamos ver sempre os papas que vão escrevendo e e explicando aquilo que foi dito num outro contexto, numa outra época, trazendo pra realidade de hoje. Mas no caso do comunismo, a igreja nunca revogou o que foi dito por Pilce.
Nunca. Então, permanece a palavra de Pudores. Então, do ponto de vista institucional, a Igreja Católica seria uma organização intrinsecamente anticomunista.
Sim. E aí nosso amigo Pedro Ivo vai est vendo isso agora e vai est dizer, ele vai dizer: "Tá vendo, Jones? Eu sempre estive certo.
" Mas aí, veja, eu acho que isso me parece que existe um um um problema e a gente trazendo um debate, eu sempre gosto de focar na América Latina, né? Eh, historicamente todos os movimentos da classe trabalhadora que buscaram contestar e reverter, né, os elementos mais brutais de concentração de renda, riqueza, poder e propriedade. Eh, pelo menos o alto claro da Igreja Católica ficou lá dos poderosos, né?
Ainda que, como o senhor disse, a Igreja Católica não foi fundada por ricos, mas sim por operários. Mas historicamente, pelo menos no século XX, em particular, quando os operários se colocaram em movimento, a igreja ficou do lado dos ricos. Ainda que nas suas bases, muitos padres e por aí vai tenham feito uma escolha diferente, né?
E não só na teologia da libertação, diga-se de passagem, antes e depois, não necessariamente inspirados na teologia da libertação. Mas veja, a partir do momento que a igreja eh considera como incompatível com a fé católica, o comunismo mais considera compatível a concentração de renda, riqueza e propriedade que o Brasil tem. dado que, por mais que a gente conheça as campanhas da CNBB, a atuação, refletida inclusive vários aspectos das encíclicas, na prática, na prática o não é um problema, por exemplo, alguém ter eh 2 milhões de hectares de terra e ser católico, né?
é um problema você ser comunista e ser católico. Então isso mostra, me parece uma opção de classe da igreja. Como é que se compatibiliza isso?
Inclusive com a própria crítica do Papa Francisco, eh, a concentração de riqueza. De riqueza. Talvez, professor, a gente possa enxergar a sabedoria da igreja.
E aqui, enquanto o senhor foi falando, eu fui pensando, né? Eh, e o Senhor vai me corrigir, mas é porque talvez a igreja ela, por prudência, ela saiba que talvez a única revolução proletariada que deu certo foi a revolução dos apóstolos. Qual outra revolução que deu certo, que permanece?
Hum, seria muito dizer isso, professor? Eu acho que sim, né? Porque a revolução em que momento assim, qual a revolução que deu certo?
Porque é aquilo que eu volto na questão da anarquia, eu tenho medo dessa revolução e não estou falando em nome da Igreja Universal porque eu não tenho isso, documentos em mãos, né? Eu e e não não gosto, mas eu acho talvez que seja a prudência mesmo, né? Porque movimentos que estão muito no campo da das ideias, geralmente não conseguem trazer à tona o o o real significado.
E eu acredito que para responder a a a essa indagação do senhor seja talvez pensar isso, que a igreja fique ali com o pé atrás, porque talvez a única revolução proletariada que tenha dado certo tenha sido a dos apóstolos. Veja, eu entendo, a gente teria que fazer um debate sobre o que que é dar certo, né? Porque o que a gente vive é muito fruto de revoluções eh que deram certo e a gente vive seus ecos, que é, por exemplo, eh não existe mais escravidão porque teve a revolução francesa, a revolução haitiana e que começou a colocar um fim no regime escravagista da do mundo, né?
Então, a gente vive os ecos da Revolução Francesa e haitiana vitoriosa. Revolução francesa, principalmente seu período jacobino, que foi antiescravagista, né? As mulheres votam hoje no Brasil porque teve a revolução russa e que foi o primeiro país do mundo que garantiu o direito universal de volta às mulheres.
No Brasil, as mulheres só vêm são começaram a votar nos anos 30, na França só nos anos 50, né? Eh, então tem um elemento do impacto global que a revolução deixa, né? Eh, se hoje eu, como uma pessoa negra, não é mais aceitável um discurso de inferioridade racial do ponto de vista biológico, do racismo científico que existia durante todo o século XIX e começo do século XX, isso é graças, dentre outras coisas, à vitória da União Soviética na matéria de Stalingrado, que enterrou os nazistas.
Aí depois que os nazistas foram derrotados, cai em desuso mundialmente o racismo científico. Eu sofro racismo ainda hoje, beleza, mas não é mais na escola que negro é inferior geneticamente. Enfim, então tem várias conquistas civilizatórias que são frutos de revoluções, tanto revoluções da era burguesa, né, como revoluções proletárias ou revoluções nacionais, como a revolução mexicana, que foram meio que o meio termo.
Não era nemhuma revolução socialista, mas era uma revolução de base eh popular. A revolução mexicana, ela foi um paradigma de instituição que se chama de estado social, né? A República de Vaimar na Alemanha e a a Constituição Mexicana, fruto da revolução, antes inclusive das constituições socialdemocratas da Europa, foram exemplo de surgimento no começo do século XX de um constitucionalismo social preocupado com os direitos sociais e trabalhistas e por aí vai.
Isso por um lado. Por outro lado, eh veja, eu nem acho que é necessariamente as pessoas têm que aderir a uma proposta revolucionária. Eu, enfim, fiz essa escolha de vida, defendo a tal, mas, por exemplo, no caso brasileiro, eh, o apoio da igreja foi a derrubada de um governo democrático, né?
O presidente João Gulá, ele foi eleito, né? Ele era vice na época se votava em separar o presidente e o vice. O presidente era o Jâio Quadros que renunciou.
E aí teve um movimento de golpe de estado para fazer um processo de reforma agrária que era uma reforma agrária dentro dos trâmites constitucionais do país. Então seria o que se chama na linguagem corrente hoje de um processo 100% democrático. É por isso, inclusive que eu falei que os comunistas não defendem violência.
comunista não sente prazer nenhum em violência. a gente tava lutando, militando por um processo de reforma agrária que teria resolvido o problema da fome. Inclusive, na reforma agrária do do proposto pelo governo João Angular, eh um dos elementos era que toda a terra no Brasil tinha que ser obrigada a destinar uma parte da produção para o mercado interno para acabar com os problemas que a gente tem hoje.
E esse movimento foi golpeado com sangue e violência, com apoio fundamental da auto hierarquia da Igreja Católica, que inclusive acho que eh sempre vale destacar eh deixou vários padres serem perseguidos, né? Acusados de serem marxistas, serem esquerdas e tal. Então, veja, para além da revolução do proletariado, eu acho que tem um elemento aqui de se debater eh historicamente como a igreja ela defendeu em vários momentos os privilégios mais injustos eh que a gente tem na história brasileira e latino-americana, né?
O galeano ele lançou um clássico livro chamado As veias Abertas da América Latina. Acho que a igreja em vários momentos ajudou a deixar essas veias abertas e sangrando eh mais para além de ser a favor da revolução ou não, né? Porque a gente tá falando de um processo de reformas em que em vários contextos se dão eram para se terem se dado, né, no regime democrático e agora e não se deram porque teve um golpe de estado e violência.
M.