Narrativas compartilhadas tem o prazer de ouvir agora a história de Mario Luiz Mascarenhas. O Mário é ex-aluno da Escola Municipal de 1º e 2º graus do Getúlio Vargas, para o nosso aluno lá na época, no colegial, hoje ensino médio. E Romário vai contar um pouco pra nós sobre a experiência dele tanto na formação escolar em outras escolas que, daí, ele ia falar sobre o ensino médio.
No ensino médio, ele acaba dentro das aulas de literatura, começando a desenvolver algumas ações, e ele é um dos principais responsáveis, acaba sendo o diretor de "Morte e Vida Severina", que participa do Festival Interno de Teatro Getúlio Vargas e ganha o festival. Mário não tinha experiência nenhuma no teatro e, no ano seguinte, acaba escrevendo o texto "Neves Greve" mesmo para o principal impasse para o mundo e, além de lhe escrever, ele dirige também essa peça que participa do Facebook em Teatro do Nada. Mário, é um prazer a sua presença aqui!
Nós, felizmente, graças a Deus, conseguimos nos cruzar desde o tempo que você foi nosso aluno naquela escola brilhante, nossa querida Escola de Pragas. Você sempre contou uma série de coisas e, claro, também a sua colega maravilhosa, cuja mãe foi minha professora aqui. Temos histórias pra contar também, então fique à vontade de contar sua história, que depois a gente volta.
Bom, primeiramente, professor, muito obrigado. É uma satisfação e um orgulho participar desse projeto. Desde o primeiro momento que o senhor fez o convite, a gente relembra muita coisa.
Hoje, estou com 51 anos; olha só, nasci em 68 e tenho 70 com 18 anos. É muito interessante relembrar quando o senhor fez os convites pra gente. Já nos encontramos algumas vezes e é sempre bom relembrar aquela fase, aquele sonho que a gente sempre tinha, um sonho de fazer coisas novas, e o senhor apoiando a gente no teatro, né?
Mas, nada profissional; a gente sempre gostou de fazer as ações que o senhor pedia pra gente, mas de uma forma despojada, sem muito comprometimento, se vai valer para a nota ou não, porque a gente já começou a gostar, seja da literatura, seja dos textos, das poesias que o senhor dava pra gente. Quando veio o festival, pra gente, foi assim. .
. a gente não tinha experiência nenhuma. Na verdade, eu vim do projetores, porque onde eu fiz minha formação primária foi no Nuno Mateus, mas lá era Matheus Maylasky, onde a gente também tinha algumas atividades, a gente tocava muito na fanfarra, mas era alguma coisa voltada à parte de educação física, mas não na parte pessoal de fazer.
Eu não tenho dúvida de que, hoje, fazendo um paralelo entre o Maylasky, o Getúlio e a minha vida, que era muito uma coisa. . .
éramos muito meninos, e lá com 12, 13 anos, numa escola. . .
Depois, fiz toda a parte do primário e, depois, lá não tinha o primeiro colegial, então eu fiz a opção de vir pro Getúlio. Mas, naquela idade, entre 14, 15 e 18 anos, o senhor puxava muita gente pro lado pessoal, né? Aquela velha história de onde venho, pra quem digo, pra quem eu vou, quem sou eu.
O senhor sempre puxou isso da gente. Quando veio o festival, já tínhamos alguns amigos, o pessoal da classe, e a gente fez a opção. O senhor deu um texto pra gente e eu lembro como se fosse hoje a gente fazendo as leituras, mas a gente não tinha noção do que era o mote dessa peça de teatro.
Não tinha muito aquela coisa profissional que hoje a gente sabe. Ao longo do tempo que foi montando a peça, a gente foi fazendo algumas pesquisas. Não é como hoje; hoje, você entra num site, no YouTube da vida, você conhece.
Naquela época, a nossa comunicação era muito mais na parceria mesmo, tete a tete, nas leituras, as rodas de leitura, que talvez os grandes profissionais ainda sigam. Mas o senhor instigava muita gente, e isso começou a mexer comigo. Eu gostava muito, já sou uma pessoa que gosta muito de falar com as pessoas.
E aí tinha que alguém erguer a mão pra ser o comandante do negócio. Eu sou muito despojado, gosto de fazer bagunça. Fui levantar, mas, depois, teve gente.
. . tinha lá mais de 30, 40 pessoas.
Como é que eu, sem experiência nenhuma, não tinha nada, nenhum preparo; eu só gostava de arrebanhar o povo. Mas, com a sua ajuda, óbvio, a gente foi tentando aprender algumas coisas e conseguimos chegar nesse resultado na época, no "Morte e Vida Severina". Eu acho que, para as pessoas que participaram, não só do festival, mas do "Morte e Vida Severina", cada um tem uma história pra contar.
Acho que isso é algo muito legal, porque, como eu falei, isso mexeu com a gente. O texto ao longo aqui, primeiro, que eu falei que não tinha noção do que estava fazendo. A gente só foi no.
. . Aqui está o texto com a pontuação corrigida: "Embalo a hora que a gente mergulhou no texto que a gente foi buscar algumas referências, né?
Aí sim, a gente começou a olhar para aquilo como se fosse uma coisa que iria levar o resto da vida. Como nós levantamos, é claro que teve muitas dificuldades, na óbvia, a gente, desde a montagem do cenário, de uma série de coisas, né? Eu me lembro muito bem que, às vésperas, teve um fato que, inclusive, foi noticiado no jornal: teve uma chuva e caiu do telhado, caiu do telhado do salão, lá às vésperas da gente fazer a apresentação.
E eu lembro muito bem que o senhor falou assim: “Seja no palco que vocês ensaiaram ou em qualquer palco de rua, vocês estão preparados, é só vocês quererem. ” Então, essa. .
. se acredita. O senhor acredita muito mais na gente do que a gente mesmo; isso é uma coisa que eu tenho, né?
Eu tenho isso comigo. Então, a gente fazia as coisas porque o senhor Guerra acreditava na gente. E aí a gente, né, depois ensaiamos, fomos lá, o teto do Sesi, né?
E a gente conseguiu desenvolver toda a peça, mas acho que a história é bem por aí, né? Eu acho que, infelizmente, é essa questão da educação, né? É voltada para questões de teatro, música.
. . as nossas escolas não têm mais.
Eu acho que até é uma deficiência dos nossos governantes, com certeza, mas também é uma deficiência dos próprios alunos, de ter o interesse em algo a mais do que as próprias salas de aula e ficar só naquela. Então, o senhor tirou muita gente da sala de aula. Lembro muito bem a gente recitando as poesias embaixo da árvore, né?
Então, assim, isso pra gente é uma coisa, né? A gente não viu o dia. E acho que, terça ou quarta-feira, não vou me lembrar, que a gente tinha aula com o senhor, e o senhor sempre fazia alguma coisa diferente, né?
Esse algo diferente, seja na época do teatro ou seja nas próprias aulas, né? Eu pode haver, tinha muita dificuldade; fui sempre um bom aluno, mas na questão do português, da literatura, meu Deus, sabe? Me chamou a atenção essa simplicidade do senhor, nessa simplicidade de passar as informações pra gente, que eram textos pesados, eram textos, entre aspas, chatos, mas o senhor fazia de uma forma, né, de tática carinhosa que a gente ficava assim, esperando o outro dia, na outra aula pra gente poder ter outras experiências.
Então, pra gente foi assim. Eu, particularmente, hoje levo pra minha vida, né? Não só essa época, não só a época de eu atuar como diretor, porque realmente eu, com 17, 18 anos, liderar 40 e 50 pessoas.
. . então assim, eu não tinha experiência, né?
Eu tinha, sim, algumas pessoas que me ajudavam, mas as pessoas a gente conseguiu cativar. Eu lembro muito bem que, pra fazer todo o cenário, a gente ganhou, foi buscar patrocínio na época, batendo na porta das empresas. É uma coisa assim, né?
Hoje tudo é mais simples, mas na época não tinha experiência na modalidade que se destina. As blusas conseguiram algo assim, não tudo é Campanati; não, o tecido que nós fizemos foi do. .
. é o tecidos Campanati; existe hoje ainda, fabrica, né? Eu cheguei lá junto com.
. . eu não vou me lembrar com quem.
Eu simplesmente peguei o livro, peguei uma folha que eu diga lá anotado um monte de coisa e a gente mediu em m², assim, não foi medido com passos, né? E tecido? Não, tecido cru, porque a gente queria fazer uma coisa bem rústica, né?
Tanto é que a nossa roupa mesmo era bem rústica, é basicamente uma camiseta bem larga, assim, bem leve, é branca, brava, não, já tudo muito sujo, muito no lucro, e tecido cru. E aí, o aparte do tecido pra fazer ao oceanário, eu falei: "Então tem que ser cru também, tem que seguir a cara. " Na época ter sido clube, aí nós vamos lá, ter sido nos campeonatos.
Aí fiquei uma semana pra marcar, eu vou. . .
acho que é Paulo Henrique, o diretor. Paulo Henrique, o Paulo fez alguma coisa assim. Aí fui lá me apresentar, né?
Não, mas é que. . .
devem falar com a secretária, aquela coisa toda, né? Mas, enfim, ele doou a peça inteira, como é que a gente é. .
. cortar aquele negócio. Aí nós levamos uma costureira, aquela coisa maluca.
Mas é uma coisa assim que a gente curte muito. Acho que isso. .
. essa é o que eu levo hoje pros meus filhos. Eu tenho dois filhos: o Henrique, de 22, e o Mollo, de 18.
Sou casado há 28 anos com Ana Paula. Como o senhor falou, eu levo isso para os meus filhos, nessa simplicidade de fazer as coisas que queriam fazer, né? De impedir, não ter medo.
Podemos até. . .
aliás, acho que o ser humano, ele erra muito mais do que acerta, mas o gostoso é você errar, mas você realmente fazer alguma coisa que você gosta. E aí, naquela época, estava adorando fazer aquilo. Porque cada ensaio que a gente fazia.
. . e claro, naquela época nós não tínhamos as baladas de hoje, mas cada um tem seus compromissos.
Então, trocar as baladas pra mim ensaiar. . .
a gente sonhava de sábado, de domingo, de feriado, porque o texto era pesado. E aí as marcações a gente tinha que fazer, a gente fazia de forma isolada, mas a poesia ia juntando, e o quebra-cabeça. .
. aí pra juntar o quebra-cabeça a gente tinha que convocar todo mundo. Então, eu lembro muito bem que a gente estava quase que no finalzinho, mas aí um ataque.
. . ao viajar.
" Aí, como é que a gente vai fazer sem ele? Então, a gente foi adaptando. Acho que essa peça, essa química entre o querer fazer e saber que era um desafio, mas ainda não tinha noção, é que fez com que a gente tivesse.
. . nem sei se vou dizer sucesso, mas, aí, acho que foi bem.
A crítica foi bem legal com a gente; a gente ganhou o festival na época. Nós tivemos a X. Hélder, lembro muito bem como a mulher da janela ganhou como melhor atriz, né?
Eu não tinha nenhum dia muita participação nas falas, mas, por algum motivo, eles acharam o técnico melhor como melhor ator, né? Mas acho que muito mais. .
. não é nem pelo melhor ator; acho que é muito mais pelo que realmente foi. Foi uma coisa meio complicada montar uma equipe com a morte da menina naquela época para jovens.
Então, acho que foi essa química que fez a gente realmente levar a fazenda, e com que o teatro até hoje, a gente tem essas boas lembranças. Pausa. E daqui a pouco nós voltamos novamente, ouvindo Maio, contando um pouco mais sobre a morte de Severino, futebol, e depois a continuidade dele escrevendo e participando do Facebook antes do Vélez já.