Bem boa noite mais uma vez nós estamos aqui eh nesse nosso curso como escrever a si mesmo como ocidente inventou o eu né queria mais uma vez agradecer a presença de todas as pessoas que estão aqui eh insisti também nessa nossa dinâmica que nós havíamos feito já na nossa na primeira terça-feira eu vou fazer uma primeira apresentação que deve durar mais ou menos 1 hora 20 alguma coisa assim até 1 Hora3 e depois a gente vai ter um tempo para perguntas né então pediria Nem todas as perguntas infelizmente puderam ter sido foram respondidas na na
última vez mas eu pediria que vocês mandassem ao final aquelas que eu não respondi eu me comprometo aí a responder eh de outra forma para que todo mundo possa ter eh a sua interação de uma maneira ou de outra né então assim no final do curso vou pegar todas as perguntas que Ficaram para trás ou depois escrever para todos E todos vão ter uma resposta podem ficar tranquilo em relação a isso né bem no nosso encontro de hoje nós vamos discutir os ensaios do mon né na nosso primeiro encontro como vocês viram vocês devem lembrar
o encontro no qual h o encontro dedicado a uma reflexão sobre As Confissões do Santo Agostinho e hoje então nós vamos falar sobre os ensaios de montanha Lembrando que eu havia indicado dois ensaios para leitura um ensaio chamado dos canibais e o outro Ensaio chamado Apologia de de remon ser bom né Eu pediria aqueles que porventura não tiveram a possibilidade de lê-lo pela pelas dificuldades da vida cotidiana que aproveitassem esse final de semana desse eh desse uma passada de fizesse uma primeira leitura porque é um texto são textos não só eh bem são clássicos texos
absolutamente centrais dentro da daquilo que se convencionou chamar a nossa experiência eh da modernidade mas também são texos que vão Ser importantes pro tipo debate que nós vamos desenvolver a ainda na semana que vem né então ok eu queria começar nosso encontro de hoje insistindo exatamente nesse tópico que vocês veem aqui certo a ideia de que como eu havia dito já do nosso primeiro encontro que nós temos a uma espécie de modernidade em conflito eh compreender a experiência da modernidade é compreender a natureza desses conflitos é lembrar que nós não temos um projeto da modernidade
não Temos um discurso da modernidade nós temos discursos em conflito esses discursos em conflito eles vão Claro eh eles vão vão se organizar a partir da hegemonia de um deles né então a hegemonia de um deles impõe aos demais eh uma posição subalterna uma posição secundária certo e também essa hegemonia ela vai se constituir não só dentro desse espaço de debates próprio aquilo que a gente poderia chamar da modernidade ocidental mas também vai se Constituir a partir do apagamento sistemático de outras matrizes epistêmicas dentro do processo de expansão do ocidente né dessa expansão econômica e
militar é sempre importante também insistir nesse aspecto porque é um processo violento né uma pão econômica e Militar do ocidente mas dentro eh dessa experiên desses conflitos internos da modernidade eu queria insistir que as matrizes de discurso têm sujeitos distintos nós não Temos algo como um sujeito ocidental e Seria um grande equívoco começar uma discussão A partir dessa dessa desse desta construção conceitual eu insistiria na verdade em outra coisa eu insistiria que bem nós temos aí uma pluralidade de concepções de sujeito nós devemos ter em mente até porque essa pluralidade nos habita também essa pluralidade
ela aparece como possibilidades ainda não realizadas ou como potencialidades almejadas no Interior da nossa experiência de nós mesmos Então esse é o primeiro ponto que eu queria insistir como vocês podem ler aqui atrás gostamos eh gostamos atualmente de criticar os limites estabelecidos a nós pelo sujeito moderno entre aspas no entanto o que nós entendemos por sujeito tem múltiplas e conflitantes genealogias E essas genealogias conflitantes elas produzirão possibilidades muito diferentes de experiência o conceito do sujeito é um Campo de batalha um espaço no interior do qual emergem disposições contraditórias E eu insistia nesse aspecto porque este
campo de batalha ele também tem como uma das suas máquinas de guerra modalidades distintas descrita de si mesmo como vocês lembram no nosso primeiro encontro nós vimos na terça-feira uma D um desses regimes descrita de si As Confissões com todas as consequências que esse modelo de escrita tem com toda a sua carga Teológico política que habita o seu projeto e também com toda a influência que esta forma de narrar essa forma de falar de si vai ter no interior da nossa experiência social só que agora a gente vai ver uma outra forma de escrita de
si porque se As Confissões como escrita de si produzem uma forma de sujeito os ensaios o que nós vamos ver agora produzem outra forma né E aí uma questão importante inicialmente o que que nós devemos entender por ensaio CTO este Modelo de escrita de si que nasce no final na meados do século 16 com Michel de montain né no final do século X c com Michel de mountain vejam eh Mountain ele vai desenvolver um tipo de escrita que ela já é muito clara a partir da sua própria do seu próprio nome essé né em francês
Lu essé ess significa principalmente tentativa né GC queos Ou seja eu tentei alguma coisa você tem então essa característica fundamental que ainda que que habita também o uso Português da palavra Eu ensaiei mas na verdade para nós ainda é um pouco mais forte até do ensaiar no sentido de você ter um modelo que você vai vai repetir você vai aprimorar né mas em francês eh eu diria que há algo muito muito mais forte talvez do que inicialmente em português a respeito da ideia de tateamento uma escrita do tateamento uma escrita da tentativa é uma escrita
que integra em si mesmo o a o reconhecimento dos seus limites integra em si mesmo o Reconhecimento de que nós estamos de uma certa maneira simplesmente procurando tatear alguma coisa que não está muito clara que não está muito delimitada que não está muito definida então tem algo do desimo né que é próprio essa escrita que não é escrita de quem se apresenta nas suas melhores roupas mas é escrita de quem é pego mais ou menos de surpresa né E aí tem toda uma questão muito importante sobre afinal de contas O que que significa por é
uma escrita dessa Natureza porque vejam esta forma ensaio ela vai ser uma forma extremamente influente no interior da nossa tradição vocês podem vocês sabem quer dizer até hoje essa forma é uma forma e ainda um um um um elemento que deveria ser realmente lembrado porque trata-se de alguma coisa extremamente significativa é uma forma de escrita que de uma certa maneira não perdeu só atualidade certo Quer dizer é uma forma é é difícil hoje por exemplo nós escrevermos meditações Certo tem digamos assim uma certa um certo toque de um tipo de arcaísmo mais ou menos estilizado
né No entanto e esse é um dado muito interessante a forma ensaio o uso do ensaio eh se permaneceu entre nós com uma potencialidade em larga medida inexplorada durante praticamente cinco séculos é algo bastante significativo a capacidade da Renovação interna a esta forma seja o fato dessa forma ela permanecer como uma forma que tem um potencial de renovação Da escrita e da linguagem né eu lembraria aqueles que se interessam por esse tipo de discussão que Leiam também um ensaio absolutamente Central sobre esse debate escrito pelo filósofo teodor Adorno que é o ensaio como forma esse
texto ele tá numa copilação chamado notas de literatura né que saiu pela Editora 34 e que esse Editora 34 ela publicou uma parte das notas de Literatura e nessa parte Vocês podem encontrar este belíssimo texto chamado o Ensaio como forma onde de uma certa maneira a dono vai advogar o fato do ensaio aparecer como uma forma literária da experiência da liberdade e da experiência da capacidade de se adaptar ao objeto e não simplesmente projetar nossas categorias nele né digo tudo isso então pra gente tentar entender Talvez seja uma boa maneira de começar a nossa discussão
tem como o ensaio conseguiu se preservar desta maneira né Por que que ele consegue se Colocar como uma modalidade descrita de si certo que de uma forma ou de outra parece ainda ter potencialidades inexploradas depois de cinco séculos né a gente conhece mais uma vez várias formas literárias que vão sendo abandonadas no interior desse processo vão sendo digamos vão perdendo a sua a sua força expressiva vão se transformando cada vez mais em estruturas de convenção vão se convencionalização um pouco a a brusca Como essa mas no entanto há algo na forma ensaio que evita a
convenção né e esse é um dado interessante que nós poderíamos levantar a partir de agora uma das características do ensaio o que o ensaio procura ser é exatamente isso que vocês podem ler aqui atrás uma escrita do movimento né e aqui eu queria eh trazer para vocês uma longa citação do Mont que nós vamos discutir agora bem desculpe por ter uma citação tão longa mas mas de fato ela é uma citação Necessária né ela tá logo nos primeiros ensaios eu cito então aqui outros porque é esse momento no qual mon vai falar sobre sua forma
de escrita por que que ele escreve desta maneira de onde veio para ele esta ideia de escrever tateando de escrever tentando de de deixar de de explicitar de ser obsceno nesse sentido obsceno por quê obsceno porque ele traz pra cena aquilo que deveria estar fora da cena né a fora da cena nós vemos o nós temos o processo de produção da Escrita é como se ele trouxesse os elementos desse processo de produção eh antes dele estarem totalmente bem preparados n então daí essa colocação que a gente vai eh estudar agora eu cito ent montain outros
autores tem como objetivo a educação do homem mas eu eu o descrevo e o que apresenta desculpa o que apresenta é bem mal conformado se eu tivesse que refazer o Homem o ser humano Eu faria bem diferente acontece que ele já está feito os traços desse seu retrato são fiéis embora eles variem eles se diversifiquem o mundo é movimento tudo nele muda continuamente a terra as montanhas Docas as pirâmides do Egito tudo participa do movimento geral e do seu próprio do seu próprio moviment e a imobilidade mesma não pass de um movimento menos Acentuado já
percebam aqui a gente vai continuar a cção como eu hav dito é uma cção longa queria já lembrar para vocês aqui alguns elementos bastante importantes né ou seja outos aores como objetivo educação moral do homem né eles esperam através da escrita a trazer algum tipo de experiência de Sabedoria relatar fatos exemplares definir de uma espécia de uma espécie de uma certa forma um Dever ser no entanto eu me recuso a fazer isso não é isto que eu Quero fazer eu simplesmente descrevo o que eu vejo o tipo eu descrevo o que eu vejo e o
que eu percebo do ser humano a partir de mim mesmo e o que eu vejo é algo muito mal conformado ou seja ele não parece seguir a um modelo geral se eu pudesse refazer eu faria de outra forma Só que já tá feito então não é mais questão né na verdade esse esse esse tipo de humildade ele eh esconde alguma coisa muito mais ativa do que simplesmente o simples processo de Descrição Porque a partir do momento que você abre mão de falar sobre os ideais do humano e fala do humano tal como ele efetivamente é
então você pode alcançar um Horizonte que no na verdade vai ser um Horizonte de transformação muito mais forte do que a simples descrição parece realizar uma descrição lembrem vocês nunca é simplesmente uma descrição a descrição é uma decisão é uma decisão é uma decisão a respeito de qual perspectiva tomar de como descrever a Par partir de que ordem a partir de que de digamos a partir de que de que regime de visibilidade né então vejam os traços Desses desse retrato ele tem uma característica fundamental eles têm variabilidade O que eu o que eu descubro quando
eu resolvo não mais falar dos ideais do humano mas eu descrevê-lo tal como ele efetivamente é eu descubro a variabilidade como um traço constituinte da natureza humana como elemento constituinte da natureza humana por quê Porque o mundo é movimento se o mundo é movimento o eu não poderia ser diferente né O mundo é movimento tudo nele muda continuamente nós temos um fluxo contínuo de mudança né e tudo participa de um certo movimento e a mobilidade mesma não passa de uma estratégia do movimento né eu não posso continua a citação né eu não posso fixar o
objeto que eu quero representar move-se e titubeia como Sob O Efeito de uma embriaguez natural eu pinto como aparece em dado instante eu apreendo em suas transformações sucessivas não de sete em sete anos como diz o povo que mudam as coisas mas dia por dia minuto por minuto é pois no momento mesmo que o contemplo que devo terminar a descrição um instante mais tarde não somente poderia encontrar-me diante de uma fisionomia mudada como também minhas Próprias ideias Possivelmente já não seriam as mesmas situção ainda continua mas vamos ver essa parte veja que coisa interessante eu
não posso fixar o objeto que eu quero representar o que é próprio então da descrição do humano é esta variabilidade que me impede a fixação em uma Norma em um padrão em um ideal e uma figura ideal e um Tipo ideal né ele se move como se tivesse como fosse próprio a uma espécie de embriaguez natural né então eu pinto isso qual o resultado a Escrita ela é uma escrita que precisa seguir este movimento ela precisa Se deixar afetar por este movimento se quiser descrever o seu objeto de maneira precisa veja esta imprecisão é própria
do objeto não é própria da escrita essa escrita ela quer ser uma escrita profundamente realista profundamente precisa mas eu não posso ter uma escrita precisa em um objeto impreciso eu não posso ter uma escrita fixa e um objeto que é que é que é Movimento e mutação contínua essa mutação vocês percebem ela ganha esse tom mais ou menos dramático fala olha a mutação não é uma mutação de sete em sete é uma mutação a todo momento né então isso significa o quê bem eh eu falo não só de um instante mas eu também participo desse
movimento Eu também faço parte desse movimento eu como aquele que escreve certo eu não eu não contemplo o objeto dentro de uma perspectiva fixa né esse é a perspectiva Da qual faço parte ela também muda os ensaios mudarão as formas do ensaio elas elas mudarão e o ensaio é composto de de três grandes livros do primeiro livro ao terceiro livro nós percebemos muito claramente do ponto de vista estilístico as suas mudanças muito claramente a inflexão muito claramente esse elemento é olha que engraçado tinha pensado isso né esse elemento que lembra já eh séculos antes o
que posteriormente nós vamos chamar de um estilo tardio os Últimos ensaios do mon tem essa natureza do estilo tardio ou seja essa natureza de quem ao invés de fornecer uma forma completamente acabada como o ápice do desenvolvimento do estilo né uma forma completamente orgânica não ele traz para dentro da forma a reflexão sobre a própria convencionalidade certo da da forma em questão ele mostra como Como um mágico que resolve na verdade ao invés de fazer as melhores mágicas ao final ele mostra Os seus fios ele mostra a suas ele mostra as suas estratégias né então
eu falo disso porque a ideia do estilo tá ela vem de uma reflexão com a dor não faz por exemplo sobre a sobre o último sobre as últimas sonatas e e os últimos quartetos do betove quando ele fala tem uma coisa muito impressionante aqui a porque você não não tem um desenvolvimento progressivo em relação ao carácter cada vez mais artesanal Mas cada vez mais acabado da forma não muito Pelo contrário é como se você exatamente no momento de mais maturidade você quisesse mostrar mais claramente a aparência como aparência mostrar mais claramente a lógica interna do
processo de funcionamento a partir da exposição de materiais que são mais ou menos convencionais fazer rupturas onde não se esperava ou seja eh você tem esse essa essa integração de uma espécie de negatividade no interior da própria forma como elemento fundamental da Maturidade né É É quase uma inversão percebe Não é não é o o o a essa figura daquele que vai ter a sua disposição de maneira cada vez mais precisa toda sua técnica é aquele que abre mão da precisão da técnica por porque ele respeita o objeto ele sabe que uma técnica completamente perfeita
não deixaria o objeto falar objeto tem que falar sobre as frestas da escrita Então você tem inclusive isso também o estilo a estilística do próprio De quem descreve também muda de acordo com o objeto então o fim da nossa citação obero e anoto os diversos acidentes que ocorrem dentro de mim e as concepções mais ou menos fugidias que minha imaginação engendra as quais são por vezes contraditórias ou porque eu tenho mudado eu ou porque o objeto da observação apareça dentro de um quadro e de uma luz diferente daí acontecer não raro cair em contradição embora
como diz demad eu não Deixe de ser autêntico se minha alma pudesse fixar-se eu não seria hesitante eu falaria claramente como um homem seguro de si mas ela não para ela caminha sempre à procura do caminho certo as colocações são absolutamente fundamentais que diz mon essa escrita de si ela não é a escrita do bom do Bom acabamento essa escrita então que vai tentar retirar as contradições retirar essas passagens contínuas no nos opostos esses esses Essas idas do Como di essa dialética do do do do do contra e do afavor né Que Habita eh uma
certa essa determinada forma de tentar acompanhar o objeto na verdade essa escrita é uma escrita da autenticidade é daí que vem a sua força essa força de uma espécie de falar Franco próprio a uma expectativa que é uma expectativa fundamental de autenticidade e quando isso aparece isso aparece dessa dessa seguinte maneira Ou seja eu Eh eu não sou exatamente eu não falo não falo exatamente como homem seguro de si mas eu falo como aquele que procura o caminho certo e o caminho certo tá aqui tá nessa experiência sobre si mesmo nessa experiência sobre si mesmo
que consiste nesta observação nesta anotação dos diversos acidentes essa é uma ideia muito interessante veja eu não não se trata então de falar da Necessidade humana mas T de falar como na verdade isto que é próprio a essa experiência da Condição humana é marcado pela pelo acidente pela abertura ao acidente a contingência ao acaso né E isso que ocorre eu não preciso observar o mundo inteiro eu posso percebo isso em mim mesmo nas concepções mais ou menos fugidias que a minha imaginação engendra eu Observo a minha imaginação eu observo minhas afecções Ok mas Vejam o
seguinte nós poderíamos nos contentar em fazer essa descrição como uma espécie de descrição ontológica sobre a condição Do humano tal como Monia descobre né E essa condição do humano que implica um certo modelo de escrita e esse modelo de escrita que por sua vez vai tentar dar resposta vai seguir o seu objeto vai ter uma uma uma perspectiva efetivamente realista certo na Procura então em seguir seu objeto só que há uma contextualização sociohistórica que é importante ser feita essa contextualização sociohistórica nos lembra que nós Estamos a falar de uma escrita da crise de uma escrita
em uma época de crise eu queria lembrar iso para vocês porque isso é absolutamente fundamental para nós entendermos afinal de contas do que o ensaio é a forma o ensaio também é a forma da consciência de uma sociedade profunda crise né E mais uma vez eu havia dito a vocês por que a experiência de crise ela leva em todos esses momentos há uma escrita de si é porque dentro de uma experiência de crise eu eu Me retrao eu me eu começo a cultivar a mim mesmo e a escrita é uma escrita desse cultivo de si
bem nós vimos como nas confissões Não Era exatamente isso que acontecia ao contrário é como se essa escrita resolvesse digamos eh eh eh aprofundar a crise aprofundar a crise levando a crise para dentro do si mesmo para dentro da ipseidade dentro dessa ipse dessa experiência de ser si mesmo seja mais uma vez não se trata de uma espécie de digamos de de Descolamento de uma escrita do descolamento muito pelo contrário é uma escrita que tem uma essas escritas de si São escritas que tem uma forte consciência de que a crise que afeta a linguagem a
crise que afeta a vida social ela não pode deixar em colum o si mesmo o si mesmo vai ter que ser reconstruído a partir dessa experiência e é claro quando eu falo em época de crise É sempre bom lembrar que essa época do Mountain n a partir de meados Do século X né é uma época de instabilidade Fundamental e mon é alguém que tem uma posição muito privilegiada né para observar esta instabilidade porque ele é um diplomata ele é uma um senhor né um grand Senor de de de de terras Mas ele tem uma tem
funções né funções eh administrativas e Essas funções também são funções diplomáticas dentro de uma de uma era de profunda instabilidade de profunda guerra então lembraria que essa instabilidade do Mundo a que eu montei aud ela tem raz raízes históricas Claras né ela não é simplesmente a descrição ontológica sobre o mundo como movimento né não ela é a afecção ela é o resultado ela é a resposta da consciência da situação atual do mundo né daí Porque é importante a gente se perguntar porque que tipo de mundo é esse que aparece em contínua mutação que aparece o
fugidio que aparece instável primeira a duas características fundamentais dessa Situação de crise né A primeira delas é a ideia de um mundo em descentramento a crise uma das características fundamentais dessa crise é a experiência profunda do descentramento vejam que descentramento é esse nós sabemos que esse século 16 é um século marcado pela invasão das Américas desde o final do século XV até desdobrando no século X e Claro esta invasão isso que durante tanto tempo sobre várias aspas Nós chamávamos da Descoberta da América Ela implica pros europeus um tipo de duplicação o mundo se duplica o
tamanho do mundo se duplica as pessoas que habitam no mundo se duplicam ou seja nesse mundo duplicado e existe então povos que eu nunca nunca nunca havia visto com construções institucionais sociais processos de produção absolutamente impressionantes modos de vida que colocam em questão a necessidade dos nossos próprios modos de vida isso é um dado Importante aqui porque a filosofia não vai ser EMC ela não vai ser insensível a esta é a consequência dessa invasão das Américas ela vai ter que dar respostas ao tipo de problema que isto produziu e qual o tipo de problema que
isto produziu isso produziu uma experiência de descentramento em relação às nossas instituições as nossas formas de vida esse descentramento que nos faz nos perguntar afinal de contas Qual é a Justificativa pras escolhas contingentes que nós fizemos Qual é a justificativa pro acordo pro regime institucional que nos é próprio porque vejam que interessante nós vimos por exemplo já com Santo Agostinho como essa ideia de si mesmo ela é uma ideia normativa ela não é só uma ideia descritível ao falar sobre uma escrita de si eu não tô só descrevendo nesse sentido que pode parecer tal como
a gente leu lá na citação anterior do mon Na verdade eu tô Valorando eu tô definindo em larga medida afinal de contas como deve ser o sujeito né no sentido mesmo de que afinal de contas que tipo de valores ele ele ele ele expressa que tipo de valores ele realiza E é claro que não há si mesmo dentro desse Horizonte próprio ocidente sem a ideia de autonomia sem a ideia de liberdade certo a gente viu como As Confissões são uma escrita da Liberdade a sua maneira né claro que a gente pode criticar em todos os
seus Aspectos a função da culpabilidade desse duro desse processo a distinção as dicotomias brutais entre corpo e espírito entre alma eh e matéria e todos esses tipos de coisas nós sabemos isso muito bem mas isso não não elimina o fato de que há uma aspiração de liberdade há uma A ação dessa liberdade no caso do Agostinho pensada como livre arbítrio que fundamenta a a escrita fundamenta a narrativa fundamenta todo o trajeto que a escrita ela coloca em Circulação só que vejam que coisa fundamental se esta é a questão bem o contato que os europeus vão
ter com os povos ameríndios vai produzir problemas profundos profundos naquilo que nós entendemos por liberdade poderia dar um exemplo a vocês né Esse é um exemplo que foi colocado eh de uma maneira muito interessante em um livro que acredito que boa parte de vocês conheçam O Despertar de tudo David greber né onde ele coloca uma ele vai Atrás de relatos dos Jesuítas século X e 1 sobre os povos ameríndios e esses Jesuítas dizem mais ou menos o seguinte Olha só então sua santidade né temos um problema aqui temos um problema porque nós estamos aqui em
comunidades de povos de chefia sem poder você tem chefe mas o chefe não tem uma força de lei imediata a sua a sua palavra não tem uma força imediata de lei só tem um jeito dele fazer a sua autoridade ser seguida ele Precisa argumentar ele precisa ter uma argumentação contínua diz nem os pais e os filhos t uma relação de autoridade devida né se se os pais não são capazes de convencer os filhos Então os filhos não seguem então vejam que interessante se este é o caso então nós descobrimos uma sociedade baseada na capacidade de
argumentação racional no sentido da capacidade de dar e receber razões no interior de um processo de argumentação por isso alguns desses Jesuítas falavam Olha o fato é o seguinte o nível de capacidade de argumentação de um ameríndio médio é infinitamente superior por exemplo ao nível da capacidade de argumentação de um francês médio porque ele não precisa eh eh a a digamos exercer a argumentação num uma situação na qual Na verdade o que se espera dele dentro das relações sociais é a obediência né não é o convencimento é uma obediência ligada ao fato de que a
autoridade ela tem uma tem uma Fundamentação teológico-políticas é o fato de que bem quando el quando essa fundamentação teológico política não é suficiente a força bruta fala também junto então vejam o que nós temos nesse caso é um problema pra mentalidade europeia porque se for assim como eu justifico a estrutura das minhas formas de vida como eu justifico as minhas escolhas vocês percebem isso que significa quando eu falo há uma operação de descentramento a filosofia em larga Medida vai responder isso de uma maneira ou de outra né se f Agostinho já dá uma resposta prévia
né que consiste basicamente em falar bem essa liberdade das qu da qual da qual Esses povos aminos que Esses povos aminos conhecem não é liberdade alguma porque lhe falta culpa lhe falta o sentimento de culpa lhe falta a consciência da queda né como o elemento constituinte do humano n que retira soberba do humano né então que me que que me faz organizar uma experiência Do livre arbítrio que não é simplesmente o seguir os meus impulsos certo mas é poder tomar distância de mim mesmo avaliar a partir da consciência de uma razão que tem sua ordem
de fundamentação Na Vontade Divina certo aquilo que eu devo desejar ou não devo desejar aquilo que a maneira com a qual devo agir ou não devo agir como devo julgar e não devo julgar mas agora você vai ter dentro da filosofia moderna outras estruturas justificativa que vão desde a Criação dos mitos do Estado de natureza vocês podem encontrar isso no Lock você podem encontrar isso no hobs vocês podem encontrar de outra forma isso no rousse né mas esses mitos que vão mobilizar de uma maneira ou de outra a ideia de que Esses povos eles expressam
algo da ordem de um arcaísmo de uma experiência arcaica então eles não têm presente eles só tem passado são povos que não TM presente algum e por não ter presente algum eles não podem Criar futuro eles estão eles estão presos no passado eles estão eles estão em sociedades estáticas né mas essa esse seu passado nos fornece a visão antropológica de De onde nós viemos então nós somos a sequência disso então se nós somos a sequência disso nós progredimos em relação a is né se nós progredimos então aquilo que nós inventamos tem mais valor do que
aquilo que ficou para trás você tem toda uma operação para impedir o descentramento Mon é praticamente o único caso da filosofia ocidental que assume o descentramento para si que fala não na verdade isso mostra outra coisa para nós n isso mostra não is eu vou voltar depois eu quero falar de outra coisa Ah não então não tá aqui a gente vai voltar isso mais para frente mas isso mostra eh mais um isso mostra na verdade o fato de que eh você vai Relativizar as nossas formas porque entre outras coisas as formas da alteridade isso Funda
toda uma política por isso que eu coloquei mais à frente agora que eu lembrei isso Funda toda uma política quero falar dessa dessa política da pluralidade quer dizer a relativização da nossa perspectiva há um relativismo no sentido que nós utilizamos esse termo hoje em dia como se fosse praticamente uma incapacidade de estabelecer valores capacidade de Estabelecer julgamentos na verdade esse essa relativização é uma espécie de explosão de de um perspectivismo que é próprio do pensamento do montanha né Eh um grande comentador do Mountain chamado joh starobinski num belíssimo livro chama Mountain movimento vai insistir nessa
nessa característica do pensamento do Mont por quê porque exatamente é uma resposta essa crise do da da invasão da América desse contato certo com outras Formas de instituições de formas de vida de processo de reprodução certo que esta invasão produziu e qual por esse relativismo porque trata de insistir dessa relativização porque a relatividade das nossas formas nos mostra entre outras coisas que a relação que nós temos Com estes povos não é uma rel relação de progresso e atraso uma relação de múltiplas formas possíveis no presente é outra coisa né uma relação de uma variabilidade possível
do presente Então essa variabilidade possível do presente ela vai exigir entre outras coisas um certo tipo de escrita que seja capaz de a todo momento colocar em questão aquilo que para nós aparece como absolutamente seguro certo e absolutamente legitimado daí as a dimensão digamos eu diria construtiva do ceticismo do Mont isso é um lado da crise Mas eu havia dito que a crise tinha tinha duas duas cabeças fundamentais uma é essa né essa Experiência do descentramento e a outra é o fato de que a Europa era um mundo em conflito Porque nessa mesma época a
Europa é atravessada por guerras religiosas que colocam em questão não é só uma guerra de poder é uma uma guerra que coloca em questão o sentido social o sentido do núcleo teológico político das sociedades ocidentais eu lembraria um um pouco lembrem por exemplo Max Weber falando do que significa esse modelo de esferas sociais De valores nas quais todas as esferas de valor a cultura as artes economia a moral a política todas elas elas estão interconectadas na sua produção de sentido por uma esfera Central são os mitos teológicos religiosos isso dentro de um Horizonte aparentemente pré-moderno
ou ou ou na Aurora até a Aurora da modernidade bem tem toda uma questão sobre Afinal de contas se esse núcleo teológico político realmente desapareceu ou não mas o Modelo é interessante porque ele insiste exatamente você tem uma espécie de de grande esfera de valor que vai que vai produzir que vai fundamentar o sentido de todas as demais né E é claro quando você tem as guerras religiosas É exatamente esse núcleo Central que é colocado em questão por quê Porque você tem uma uma uma um conflito de interpretação afinal de contas por exemplo a escritura
sagrada a Bíblia já não fornece mais um Horizonte Claro Sobre como o que eu devo fazer e como eu devo ser ao contrário ela é um campo de batalha também ele é um campo de de de dilaceramento profundo né a guerra entre os protestantes os católicos por exemplo vai ter na França um dos seus Campos mais dramáticos mais dramáticos né então e e este é o mundo do montanha Esse é o mundo em movimento né OK bem eh qual a resposta que os ensaios vão tentar Eh sistematizar para esse sistema de crises Qual é o
tipo de eu que vai aparecer que vai que não não é só eh no sentido mesmo negativo daquilo que ele não consegue realizar mas o que ele vai positivamente realizar o que esse si mesmo positivamente realiza com uma resposta a esse sistema de crises que afetam a nossa visão de mundo né A primeira delas é eu insistiria muito nesse aspecto os ensaios são uma típica escrita dos afetos isso é muito Importante os ensaios colocam em cena um eu aquilo gente podia chamar de um eu relacional Veja a relação é a estrutura fundamental do Eu a
ideia do solipsismo se mesmo seria própria um certa experiência moderna ela tem nos ensaios a sua a sua contradição mais forte né mostra como um dos projetos fundamentais da modernidade era constituir um eu relacional ou seja um eu que ele tem como característica fundamental ser um sistema de afecções ele é um sistema de Afecções do mundo no nosso corpo e na nossa imaginação um sistema de impressões do mundo na nossa imaginação e no nosso corpo se o mundo é movimento ou seja se nós somos continuamente afetado por mudanças e por instabilidades então não poderíamos ser
outra coisa do que instáveis e do que continuamente em mutação porque nós somos aberto a esse processo porque na verdade nós somos uma resposta a esse processo suess no Sentido mesmo de quem age a partir de afecções então é sempre bom lembrar estar ser afetado é estar em relação pensar estruturas do sujeito a partir de de dinâmicas de afetos pensar estruturas dos sujeitos a partir de circuitos da de afetos é pensar dinâmicas inter ou seja interrelaciona no seu sentido mais forte do termo né porque não é só a intersubjetividade da linguagem né como normalmente se
fazia é uma Intersubjetividade coloca em cena as afecções dos corpos os a a as estruturas dos Sentimentos certo as dinâmicas da Imaginação seja que coloca a totalidade da experiência subjetiva e os ensaios são a expressão máxima de deste modelo de afecção porque é uma escrita a partir da afecção o que eu vejo como eu vejo o que eu sinto o que eu sinto do mundo e o que eu sinto em mim mesmo como eu sinto mim mesmo como eu sinto como eu vejo minhas lembr Como eu vej como de em mim o impo daquilo que
eu li então vejam o que tendência de criar então é uma espécie de escrita que não vai mais apagar essas afecções E essas mutações mas que vai se colocar no nível da sua emergência não vai ver essa instabilidade como algo que Deva desaparecer da cena da escrita desen escrita que apresentada ao outro Quer dizer como se eu como se eu chegasse digamos ainda não completamente vestido no interior de um encontro não ele vai ele vai literalmente dar um passo atrás e querer mostrar exatamente esta maquinária esta engenharia das afecções e as suas mutações no interior
do eu né então os ensaios são escrita necessária de um eu apreendido em afecção E se o eu é um sistema de relações continuamente mutável então a sua Perspectiva Esse é um primeiro dado importante no fundo exatamente uma sabedoria essa sabedoria pensada como uma espécie de conjunto de situações exemplares que deveriam ser partilhadas na orientação da vida como havia dito a vocês um exemplo clássico dessa ideia de Sabedoria é fornecida por exemplo pelo pelo modelo antigo de meditações meditações do Marco Aurélio por exemplo né Marco Aurélio esse filósofo estoico que também era Vejam Só vocês
Imperador De Roma né então que tem uma perspectiva privilegiada de apreensão do que são as relações AF final de contas ele tá no se no ele tá no lugar máximo do que seria e a a a figura do Poder naquilo que nós entendemos por ocidente então aquele que pode pode trazer alguma coisa da Ordem da sabedoria porque ele viu que é o humano então e mais essa sabedoria é um relato exemplar é um pouco como a gente havia dito lá no nosso primeiro encontro essa ideia de que bem eu trago para Vocês alguma coisa que
tem uma invariabilidade é invariável só que no caso das escritas dos ensaios Não há nada parecido com isso por isso que os ensaios começam exatamente dessa forma me lembrar o começo um começo extremamente interessante ele diz muita coisa Eis Aqui leitor um livro de boa fé lembra da ideia da autenticidade adverte ele de início se ele é de boa fé então ele vai ter que falar o que ele vai falar agora adverte O ele de início que eu só o escrevi para mim mesmo e para alguns íntimos no caso não é você sem me preocupar
com o interesse que poderia ter para ti nem pensar na posteridade tão ambiciosos objetivos estão Acima das minhas forças assim leitor Sou eu mesmo a matéria desse livro O que será talvez razão suficiente para que não empregue seus lazeres em assunto tão fútil e de tão mínima Importância vejam que coisa fantástica isso né O que diz essa introdução os ensaios é um adeus ao leitor é alguma coisa de quem diz olha leitor é mhor você fechar esse Liv porque o que você vai encontrar aqui aio não é nada daquilo que você efetivamente esperaria o que
você vai encontrar éuma que foi feita como uma autoi relação mim mesmo só que essa escrita mais vez da humildade ela é a Condição fundamental para que apareça um outro tipo de relação entre o autor e o leitor é um tipo de relação de quem diz mais ou menos veja eu vou mostrar vou me mostrar a minha fragilidade a mais absoluta porque eu sei que isto vai induzir algo no leitor eu sei que essa aparente digamos falta de de expectativa em relação ao leitor vai permitirlo que ele também se Veja desta forma aquele que você
cria uma espécie de pao de autenticidade um pacto de verdade com o Leitor esse pacto de verdade ele pressupõe uma uma despossessão mútua o autor ele se despossuir do seu lugar privilegiado ele se despossuir da sua capacidade de construir uma figura através da escrita certo coerente unitária Idêntica a si mesma que seja efetivamente um modelo a ser seguido ele abre mão da sua da sua função de enunciador de modelo mas ele abre como quem como quem depõe as armas ele depõe as armas esperando que o leitor Faça o Mesmo ele convida o leitor a falar
Olha se você não abandonou o livro agora é porque efetivamente você tá disposto a fazer este gesto que eu fiz de depor a ideia a a relação entre a escrita e o então o que você vai ouvir ver agora é alo que normalmente não se vê não se mostra então vejam tá aí porque esse exercício de despedir o leitor não é um mero exercício retórico né uma falsa humildade não ele é a construção de um pacto ele é uma uma um modo um regime Muito específico de construção de um pacto esse pacto pressupõe um certo
tipo de circulação pressupõe um certo tipo de relação social que vai se construir agora nesta relação da Leitura nesta relação do autor e do e do leitor né E este e e eu diria esta forma de relação ela não é só uma moral né ele não tem só uma força moral essa força moral de quem abre mão dos modelos e dos ideais para ver o humano tal como ele efetivamente é né E com isso diminuir o peso sobre os Humanos certo diminuir o peso dos ideais sobre os humanos e conseguir efetivamente encontrar dentro do humano
aquilo que é a sua força produtiva real é sua força produtiva marcada então pela capacidade de se abrir e se lidar a todo momento com acaso a todo momento com a contingência a todo momento com a relatividade por isso a relatividade da perspectiva né É claro esta esta estratégia descrita ela tá baseada exatamente nisso que nós Pod chamar de uma recusa da transcendência os ensaios por isso que os ensaios não são uma confissão porque ele falta o momento da Revelação que descreve a transformação almejada lemem qu havia dito a vocês a confissão ela é um
movimento Di acese é um movimento deese que Visa reur uma ordem política quebrada Quem deve governar dentro do si mesmo quem deve legislar dentro de si mesmo confissão ela esse processo esse processo de Transformação de sitiv os ensaios também são mas é diferente diferente porque nesse processo havia dito a vocês o eu se deixa para trás a perspectiva do eu fica para trás porque ele vai acedendo a uma perspectiva transcendente que cima da Razão Divina só que a verdadeira transformação no caso dos ensaios vem de outra forma ela vem da decisão de se mostrar na
sua fraqueza ela vem na na instabilidade nessa sua instabilidade no ato de sustentar Este Lugar até o Fim essa decisão vejam vocês ela aparece já inclusive no estilo da escrita por exemplo essa é uma escrita que procura a oralidade Ah quem for aqui derdian né vai pensar bem oralidade então você tem a voz Ah mas a voz a voz é o elemento fundamental da presença elemento fundamental da presença do sentido da da da unidade do sentido né porque afinal de contas por trás o sentido há sempre a voz né a presença efetiva daquele que fala
daquele que Enuncia então a oralidade procuraria isso não mas no caso montan é diferente é diferente porque vejam bem Por que que est falando de oralidade porque a gente ler o ensaio como Quem segue uma conversa como que com as suas repetições com as suas vidas em vindas com as suas associações mais ou menos eh inesperadas suas suas rupturas um pouco bruscas as suas incertezas e essa por exemplo a todo momento o monten fala coisas Ah eu li isso em algum lugar ou Seja podem ver se eu tivesse que que se submeter aos processos de
citação da Caps El nunc Mais não conseguiria sobreviver né porque li isso em algum lugar se eu me lembro bem eu não sei onde eu ouvi isso mas eu guardei de memória então vejam que coisa interessante tudo isso são formas dessas expressões que abundam no texto nos textos do mon elas são formas que parecem Confissões de fraqueza de uma escrita sem precisão A não ser que a Gente queira fornecer a sensação de que o autor tá presente Só que essa presença do autor vejam que interessante nesse caso né ela ou seja essa proximidade com a
voz do autor essa capacidade de pela escrita ouvir a voz do autor né Ela é uma voz que não é garantia do sentido como unidade ela é a consciência do sentido como dispersão como dependente da irredutibilidade da perspectiva enquanto Perspectiva no sentido como disseminação no sentido então vocês percebam o regime da voz funciona de outra forma nesse caso né com certeza não como por exemplo vocês podem pensar no Rousseau certo e a voz você pensa no ensaio sobre origem das línguas né a voz como essa garantia da presença do sentido da expressão dessa expressão que
efetivamente ela procura impor contra a escrita a frieza da escrita um tipo tipo de de implicação Essa el produz a implicação com o outro a partir do sentimento fundamental da proximidade por caso monan é diferente a escrita ela se oraliza mas ela se oraliza por quê Porque efetivamente ela vai tentar mostrar como há uma dimensão fundamental da presença de si que não é garantia de unidade alguma que ela é dispersão do sentido né E essa é a maneira de poder analisar a condição humana como diz o mon em verdade o homem é de natureza muito
Pouco definida estranhamente desigual e diverso dificilmente julgamos de maneira decidida e de maneira uniforme partir de mim mesmo então observando e Anotando os diversos acidentes que ocorrem dentro de mim as concepções fugidias que nação em gendra é a única forma de pensar a condição humana então é necessário pensar a mim mesmo na sua pretensa futilidade porque só assim as aparências Caem só assim aparece um falar Franco que é a base de toda a filosofia moral possível e que vai ser um elemento constituinte por exemplo da experiência estética da experiência literária essa experiência literária que em
vários momentos da sua história vai fazer apelo a essa capacidade de voltar a si mesmo mas voltar a si mesmo exatamente nesse ponto esse ponto onde o si mesmo parece fugidio parece frágil parece frívolo parece instável né porque exatamente Esta era a condição fundamental de abrir um espaço para uma experiência de autenticidade transformadora que libera o sujeito que lê o peso dos ideais não realizados permite ao sujeito que lê desenvolver uma capacidade uma consciência fundamental de como lidar com as suas afecções Como lidar com a instabilidade das suas afecções como lidar com o circuito dos
seus afetos percebam essa escrita ela tem uma natureza terapêutica Também da mesma maneira como As Confissões tinha uma natureza terapêutica e se As Confissões Parece pelo menos para alguns fornecer a figura de um certo tipo de intervenção que vai ser próprio de uma certa Clínica temem é os ensaios também fornecem alguma coisa nesse sentido a gente vai ver daqui a pouco né por isso esse falar Franco eu havia dito ele mostra a força do acaso ele mostra a produtividade da contingência ele mostra a permanência do Eu só que a é o elemento é há uma
queria voltar nesse ponto que eu havia dito mais à frente esse elemento ele permite esse esse falar Franco Então essa experiência de si permite a emergência de uma política da pluralidade eu queria por exemplo citar um trecho desses ensaios que nós encontramos eh que eu havia pedido a leitura de vocês dos canibais onde a gente encontra uma afirmação como essa eu não vejo nada de Bárbaro ou de Selvagem o que dizem daqueles povos no caso a gente né os amerindios os povos ameros e na verdade cada qual considera Bárbaro o que não se pratica na
sua terra e é natural porque só podemos julgar da Verdade da razão de ser das coisas pelo exemplo e pela ideia dos usos e costumes do país em que vivemos você percebe perceba uma afirmação como essa afirmação como essa é absolutamente fora do que significaria Os eixos hegemônicos da modernidade filosófica tá dizendo olha bem Bárbaro eu não sei quem é e é m interessante por exemplo eu lembraria vocês nesse ensaio dos canibais é um ensaio onde ao final aparece Vejam só dois conterrâneos nossos dois brasileiros né dois Tupinambás dois Tupinambás que foram à França e
aí bem eles tem eles conhecem ah a o os Palácios reino eles andando nas Ruas então e ele o o bten tem uma interlocução porque ele era um diplomata E ele diz ao final uma coisa muito interessante fala olha Pois é rapaz assim el eu lembro de duas coisas que eles falaram que me intrigaram muito e por exemplo quando eles viram o nosso rei eles falaram olha quer dizer a gente não entende muito afinal de contas Por que esse sujeito é rei sabe por ele não é o mais forte ele não é o o mais
astuto ele não é o mais inteligente certo ele não é o o o mais o mais bem preparado afinal de contas por qual que é a razão Assim explica pra gente porque a gente não entendeu ainda né e a segunda coisa que os pinamba dizem né É eles andam nas Ruas das bordou das das ruas fala é uma coisa que no deixou muito impressionado é como é que é possível ter tanta desigualdade e não ter revolta e o Mont falando é e tudo que a gente falava é que eles andavam sem calças seja vejam que
dado interessante é como se eles dissessem mas ah efetivamente a Perspectiva Nossa a partir de Fora mostra muito claramente as limitações e a digamos a irracionalidade most mostram a contingência no sentido bem por que porque que ele é rei etim porque que ele nasceu numa família x y z essa família procura preservar as suas seus eh sua capacidade de organização da do Poder daquela região ou seja há uma contingência brutal que não que em última instância fica cada vez mais fica evidente a partir do momento que eu abro O meu contato a essa experiência de
descentramento então que produz veja entre outras coisas a compreensão do que que significa relatividade nesse caso relatividade significa não faz sentido nenhum chamar alguém de Bárbaro né porque nós julgamos só apenas a partir dos exemplos e a partir dos limites dos limites dos usos dos costumes Nos quais nós vivemos então nós Dev entender isso não significa elevar os nossos usos e costumes a a perspectiva Universal Significa ao contrário entender a sua radical particularidade a sua particularidade radical entender sua particularidade radical significa entre outras coisas entender que não faz sentido algum tentar impor nosso padrão de
costumes e de hábitos certo eh para além do que foi o horizonte do seu exercício mais ou menos natural e Mais é claro porque não é só isso porque significa também se você entende a contingência das suas modos de vida você Abre espaço pro questionamento você abre espaço certo para se perguntar mas então por que assim E por que não de outra forma então ou seja essa política da pluralidade não é só a política da tolerância não é só a política que fala não não olha só vamos tolerar todo mundo porque não tem Bárbaro nenhum
em lugar nenhum né na verdade ela tem uma outra característica essa política da pluralidade é uma política da instabilidade por mais que o b não Quisesse eu se lado conservador né mas é uma política que ao final produz isso mas isso seus conterrâneos entenderam muito bem por isso que o pulmon era visto como um autor a não ser lido né porque essa instabilidade esse desvelamento da nossa particularidade é um convite aos a crítica é um exercício da crítica né um exercício da compreensão nós POD emos ser outros do que nós somos né então vejam a
consciência da Variabilidade e da perspectiva ela permite ao mon ser praticamente o único filósofo na modernidade aceitar o descentramento do seu próprio saber produzido pelo contato com povo Então queria insistir nesse ponto ainda nesse nessa leitura do nosso ensaio aos canibais a violência por exemplo do canibalismo não vai funcionar como justificativa de um pretenso arcaísmo dos povos ameríndios deveriam ser subjulgar por povos pretensamente mais Avançados por estarem por entrarem na civilização que é veja lembra mais ou menos nessa época no interior eh do império espanhol você tem essas essa eh esse esses debates Val doí
entre o sepúlveda e o lascas exatamente sobre esse ponto né seja que o sepúlveda é aquele que vai falar vejam Esses povos são canibais Esses povos eh eh praticam atrocidades seria imoral da nossa parte perm que essas atrocidades continuem né a gente precisa hoje em dia ele diria Mais ou menos assim a gente precisa exportar a democracia precisa exportar democracia porque a gente não pode deixar certo que esse tipo de opressão continue no Iraque no qu qualquer lugar que seja precisa suportar nosso modo de vida então essa ideia já tá lá atrás né já antiga
bem antiga Di não a gente vai não pode deixar amerin Ness nessas circunstância seria um atentado à humanidade um atentado à ideia de humanidade então a Gente precisa ir lá civilizá-los certo Abrir eh abrir a possibilidade de que eles possam se transformar ficar cada vez mais parecido com com com comportamentos Racionais comportamentos Morais e todo esse tipo de coisa então claro que o que vai dizer o Mont falar olha que coisa engraçada eu lembro de uns casos de canibalismo aqui sabe do lado na cidade ao lado não faz muito tempo saiu nos jornais sabe se
for para falar sobre outra cidade eu posso passar A lista para vocês abr notícias populares entendeu vocês vão encontrar lá todas as cidades são cometidas dentro do Horizonte digamos do Nossa da nossa civilização então quer dizer eh primeiro esse essa ideia não não não ela não diz nada sobre o sobre o objeto inquirido segunda bem claro a gente sabe muito bem essas práticas de caliso elas são ritualizadas são dentro dentro de outro tipo de processo que não é exatamente o processo que a gente compreende na que a Gente gostaria de compreender por isso ele vai
sentir vai ele vai comparar isso com as práticas violentas e bárbaras que estão entre nós a descrição da surpresa dos amerin como eu dito a vocês que visam visitam cidades francesas descob desigualdade brutal né Ela é apresentada como expressão da irracionalidade das nossas próprias estruturas sociais isso é um lado dessa escrita só que agora eu queria também falar terminar falando de um outro lado dela um lado dessas crises Sociais de como el essas crises sociais elas vão produzir uma outra forma de si mesmo el elas vão produzir afirmativamente a vão abrir a produtividade com integrasse
a consciência da crise a crise ela aparece Então como uma condição para uma para um questionamento para uma crítica uma crítica da modernidade uma crítica das nossas formas né então só que aí tem um outro elemento absolutamente Central né que é essa escrita também é uma resposta A uma experiência subjetiva de melancolia ensaios são uma resposta melancolia queria trazer para vocês uma um trecho também de um dos ensaios diso fica muito claro mon vai dizer o seguinte quando os médicos não podem extinguir o catarro eles desviam para órgãos sobre os quais sua ação é menos
perigosa é igualmente essa receita a mais indicada também nas doenças da alma é último por vezes é o desviar o espírito Para outros Prazeres cuidados e tarefas convém que mude de lugar frequentemente como nós fazemos com os os doentes pois de outro modo não recupera a saúde raramente triunfamos do mal que atacamos de frente não os diminuímos nem extinguimos Mas é possível desviá-lo e transformá-lo is uma belíssima descrição digamos assim da economia libidinal dos ensaios Qual é a base da sua economia libidinal Por que que ela é uma escrita do Desvio escrita do desvio Porque
da mesma forma como eh nos na nos Sofrimentos orgânicos né se eu não consigo extinguir o mal eu desvio ele para outros órgãos uma forma do do do órgão não se fixar naquela condição né deer colocá-lo em movimento isso vale também pras doenças da Alma da qual melancolia é um elemento fundamental a fixação da melancolia na perda a fixação no objeto perdido a impossibilidade de descrever ou de falar qualquer outra coisa que não seja dessa Perda e de falar essa perda de falar dessa pedra né de de de de se preservar diante da pedra Ela
tem ela tem como uma possibilidade de resposta a criação de um certo tipo de escrita uma certo tipo de escrita de si que ela vai ser baseada na variabilidade na capacidade de se de desviar de falar ao lado de ir para o lado né E com isso de retirar de criar outras formas de síntese e retirar o sujeito de uma fixação que poderia pô-lo e destruí-lo né então daí Essa ideia da escrita de se como cura porque esse que vê como os médicos curam ele vai criar uma escrita do desvio vai criar uma escrita da
dispersão como modalidade de cura mas não apenas porque assim nós paramos de nos fixar em algo que nos causa dolo que nos causa mal antes isso acontece assim porque porque nós recriamos a partir desse desvio a nós mesmos nós abandonamos uma forma de síntese que nos paralisa e nós Produzimos uma outra forma de ser isso é um dado muito importante sobre o que a forma ensaio nos traz e talvez que explique algo dessa impressionante atualidade de uma forma que tem mais de 500 anos então tudo se passa como se o abandono de si fosse uma
condição paraa emergência de um outro eu capaz de lidar com as afecções do seu próprio corpo capaz de lidar com a Errância do seu próprio desejo e principalmente capaz de lidar com a instabilidade a transformação do mundo no qual ele vive por isso que eu hav insistido com vocês essa essa escrita de Sera tem uma dimensão clínica que parece no lugar da dimensão religiosa da escrita própria confissão é um outro modelo de si mesmo mostra uma coisa muito interessante e eu quis trazer esses dois eh logo de cara confissão de um lado ensaio do outro
Santo Agostinho De um lado Mont do outro para mostrar para vocês a incrível distinção diferença dessas duas formas de escrita de si e como essas duas formas habitam a mesma modernidade né vão constituir eixos fundamentais da mesma modernidade claro que uma de uma forma hegemônica a outra outra nem tanto né Mas é interessante porque é claro nós somos fruto disso dessas duas entre outras essas duas ressoam em nós elas ressoam como potencialidades da nossa Experiência e seria absolutamente importante recuperar esta pluralidade recuperar esse conflito para que nós possamos entender melhor afinal de contas de que
tempo nós viemos então eu terminaria dizendo o seguinte há uma diferença estrutural que agora fica Clara para nós entre se confessar e digamos se ensaiar entre confessar-se e ensaiar a confissão ela cria uma narrativa de si ela é capaz de garantir unidade garantir identidade garantir Síntese através do momento da de ascendência em direção a uma superação de todo e qualquer perspectiva como nós vimos a função da transcendência nas confissões ela é uma escrita religiosa por quê Porque ela é de uma escrita de religar religar ela religa o profano ao Sagrado porque ela me aproxima ela
me retira do profano me aproxima né aquilo que desde aquilo que desde sempre é a minha imagem semelhança ela me faz me reencontrar ela me permite um reencontro De mim comigo mesmo CTO com aquilo que é o fundamento da minha imagem e da minha semelhança né já o ensaio ele cria uma narrativa de si também verdade mas essa é marcada pela variabilidade ela é marcada pela multiplicidade ela é marcada pela reversibilidade nesse sentido ele é uma escrita Clínica por qu e não uma escrita religiosa porque ele tenta fazer o sujeito atravessar a melancolia através da
eliminação da Fixação na perda mas na perda do quê a perda dos Fantasmas de segurança e invulnerabilidade não é a perda do objeto Por que que ele pode conseguir fazer dessa variabilidade uma nova forma de síntese porque essa variabilidade mostra o seguinte Olha o que se perdeu não foi o objeto é claro a melancolia do do montain vem muito eh devido à perda de uma amizade amizade do Lab que tem é um um dos um dos ensaios mais belos do de todo o Livro ch exatamente da amizade vai falar o que significava isso que o
vinculava de maneira tão profunda certo a a um outro a olhar do outro ao respeito ao outro né tinb como vocês sabem é aquele que praticamente inaugura a filosofia política moderna com um texto que que é fundamental que eu discur da servidão voluntária que é aquele texto que vai que vai trazer a tese de que bem o poder da tirania o poder do um o poder do soberano ele é uma derivação do meu Poder ele tem um poder através do meu poder ele mesmo não tem poder nenhum suas tropas são são infinitamente inferiores aquilo que
a população poderia se contrapor a ele né então se dier é necessário que eu tenha uma parte só tem uma explicação certo do Poder dele ser extraído do meu poder Eu participo da minha própria Servidão Eu participo E aí tem toda uma questão que é que a questão fundamental da filosofia política eh moderna que nos Nos nos nos vem até hoje vem até até as reflexões contemporâneas sobre a psicologia do fascismo as concepções da Filosofia Contemporânea antip do guatarri quer dizer como é que eu participo da minha própria Servidão n então Então esta amizade é
uma amade muito interessante é que é perdida é aquilo que joga ont em profunda melancolia como se não tivesse mais interlocução eu não ten mais para quem falar né É porque havia uma uma Complementaridade profunda entre os dois e o que ele faz a partir disso ele começa a escrever sobre si mesmo ele escreve então sobre as suas afeções ele escreve sobre o seu corpo ele escreve sobre aquilo que ele lembra ele escreve sobre aquilo que ele leu ele escreve sobre aquilo que ele viu né ele escreve sobre aquilo que ele ouviu Então esse ele
vai essa vocês percebem o que acontece com essa variabilidade ela é Ela é um luto mas não não só o luto do Objeto perdido ela também é um luto do fato de que bem não há E se eu posso ser afetado de uma forma tão forte por alguma por alguma coisa que vem do exterior É porque eu não tenho condição de constituir nenhuma segurança ontológica nenhuma invulnerabilidade A não ser que eu não tenha relação com ninguém já estar em relação é estar em contínua despossessão em contínuo risco de despossessão né despossessão pelo outro pela afecção
do outro certo mas aí Vem uma questão interessante significa o quê eu preciso criar alguma forma de imunidade eu preciso constituir barreiras e fronteiras que vão me permitir ter uma imunidade suposta vão me garantir uma segurança ontológica uma invulnerabilidade ou eu tenho que saber abandonar esses Fantasmas abandonar o fantasma da segurança e da invulnerabilidade com a condição de uma criação efetiva né próprio de alguma coisa de um si mesmo Renovado bem era isso que eu tinha trazer para vocês hoje então vamos fazer um pequeno intervalo de 5 minutos vocês poderem tomar uma água descansar um
pouco e a gente volta então para as perguntas eu peço que vocês mandem suas perguntas eu vou respondê-las então nas nosso nosso próximo próximo momento nosso encontro de hoje então até daqui a 5 minutos Ok então Vamos retomar o nosso encontro de hoje com as perguntas que foram Enviadas eu vou ler algumas perguntas Vamos responder a eu vou começar pela pergunta do Rafael pancica Rafael pergunta o seguinte a diferença entre confessar-se e ensaiar se é também uma diferença entre perder a perspectiva enquant através do encontro com Deus e ganhar uma pluralidade de perspectivas sim Rafael
acho que você conseguiu sintetizar muito bem mesmo a ideia que me parece fundamental nessa comparação entre duas formas de escrita de si os Ensaios e As Confissões de fato os ensaios confissão ela tem essa essa essa acese que implica exatamente nesta perda da perspectiva do eu né quer dizer o eu ele emerge a primeira vez que ele emerge com uma perspectiva que coloca um um problema né porque como toda perspectiva ela tem um limite né ela não apreende a totalidade Então quer di pela primeira vez nós encontramos essa ideia de que você tem uma um
um Horizonte de experiência indexado pela primeira Pessoa do singular que coloca questões sobre a sua validade então Ou seja é a explosão de potencial de perspectivas de conflito então que tenha As Confissões essa ideia de que todo e qualquer perspectiva ela pode ser superada através dessa confissão que permite Então a nossa aproximação com aquilo que é da Ordem da totalidade que é própria a razão Divina já no caso da da dos ensaios essa perspectiva ela ela é submetida a um princípio de Variabilidade então é verdade você tem um dado extremamente significativo que é um jogo
através da essa ideia da perspectiva do jogo de perspectivas é que eh faz com que na verdade o eu não seja limitado por uma perspectiva ele seja uma circulação entre as perspectivas né ele vai circulando entre as perspectivas se por exemplo mon pode descrever um ensaio como aquele dos canibais onde ele vai então falar olha mas de fato veja Eh que que que que é Barbárie mesmo eh Por que que essa perspectiva é b é como se ele fizesse isso ele ele desculpa velor mas ele se coloca pelo outro lado né ele faz ele El
ele mostra que essa variabilidade ela te permite se ver de fora se ver se ver ver a partir da perspectiva de um outro é claro se ver a perspectiva de um outro toda uma questiona uma questão que a contemporanidade se coloca Não não é possível se ver a partir da perspectiva de um outro colocar através do lugar de Um outro essa ideia por exemplo que que é típica de uma certa forma de escrita literária por exemplo você vão encontrar no poema você vão encontrar em alguém como Rambo Rambo falando de suan outro né Eu sou
eu é um outro eu é outro né eu é um outro né ou seja esse sentido de que a todo momento eu vejo que bem aquilo que me parece próprio não me é próprio é fruto de um várias perspectivas que eu integrei né então que me foram trazidas de fora e mais do Que exatamente por isso eu já tenho uma pluralidade dentro de mim mesmo e é possível sempre através desse desconforto com essas perspectivas que me constituíram procurar me me recolocar em outro lugar né ess E isso isso abre uma dinâmica fundamental de perspectiva que
é um lado que é que de que que é um elemento desse tipo de escrita por isso a variabilidade é um elemento constituinte dessa escrita e a perda da variabilidade certo essa essa essa Maneira de um de de de se sustentar em cima de um de uma de um reconhecimento do seu próprio limite né isso talvez seja eu insistiria uma uma forma a meu ver bastante equivocada de compreender o que que significa pensar em situação né Todo pensamento é um pensamento de situação é um pensamento situado há duas maneiras de a gente entender o que
é um pensamento situado importante insistir nesse ponto uma delas é bem Ou seja que há duas maneiras de pensar o que que Significa pensar a partir de um lugar eh que o problema é esse uma delas é dizer bem eh eu só posso pensar a partir do lugar que eu ocupo então só posso pensar a partir da situação na qual me encontro Então se lugar que ocupo essa situação na qual me encontro ela define os limites da minha perspectiva Então nem não há nenhuma nenhuma possibilidade de transcender essa perspectiva transcender esse lugar o que traz
uma série de problemas porque a a afecção em relação Ao que acontece em outro lugar certo a a o a escrita a partir do que acontece em outro lugar ela me é interditada ela me é interditada então só o que me resta é Me Calar o que me resta é o silêncio certo agora há uma outra forma de pensar o que é um pensamento em situação porque pensar a partir de um lugar significa por exemplo dizer há lugares que são sintomas de situações globais Então não é possível pensar sem passar por este Lugar todo e
qualquer pensamento deve ser o exercício de procurar passar por este lugar mesmo que esse lugar seja ocupado ou neste lugar estejam pessoas que não parecem comigo que não são como eu que não pensam como eu mas Mas isso não elimina o fato de que qualquer pensamento que deva ter um conteúdo de verdade deve ser capaz de passar por esse lugar levar este lugar em conta né então eu existiria que est é uma outra forma de criar de pensar o que Significa pensar em situação pensamento situado e acho que essa experiência da da perspectiva como um
regime de variabilidade quer dizer a perspectiva não é só um um um aferrar-se a um lugar a perspectiva é um modo específico de variabilidade cada perspectiva tem um modo de variabilidade e esses modos de variabilidades percebam eles aos Ao serem expostos enquanto Tais eles expressam muito claramente a pluralidade que constitui uma perspectiva toda e Qualquer uma perspectiva né então o que recoloca uma série de questões eu acho interessantes afinal de contas sobre o que significa como meu dia dito vocês falar a partir de um lugar né então vamos para uma outra questão né Vamos aqui
para questão da Viviane garbelini Vladimir você coloca modernidades em conflito a partir de qual momento histórico e você entende que na nossa atualidade nós estamos no Ápice desse Processo veja vi eu insistiria o seguinte a ideia de modernidade ela eh ela tem ela só pode ser compreendida se nós levarmos em conta também o seu o aquilo que os os momentos históricos anteriores que permitiram ela emergir é claro a gente começou a falar sobre Agostinho gente Agostinho historicamente é o que a modernidade não é né gostinho ainda ainda é o período é o período da antiguidade
é o fim da antiguidade o começo da idade média né al começo da Alta Idade Média por aí vai né O fim o fim ainda a época da que cham chamaria antiguidade então Ou seja a modernidade tá lá tá na frente né Tá séculos e séculos depois mas por que que H alguma coisa que acontece nesse momento parece de uma certa maneira constituir os pressupostos daquilo que nós chamamos de modernidade e e compreendê-la exige que a gente faça esse retorno senão ela fica incompreensível senão falta um elemento significa o quê significa que a gente Vive
em um sistema histórico que ele articula continuidade e descontinuidade isso é um dado importante e é é necessário pensar as duas estruturas Esse é o verdadeiro desafio desafio não é só ficar olhando vendo descontinuidade a todo momento Ah não é mais o nosso tempo Ah não não nos diz mais respeito ah não mas isso aqui no está fora porque não é assim não é assim que o tempo realmente funciona o tempo tem vários estratos esses extratos Circulam ao mesmo tempo certo entender o tempo é conseguir operar nessa multiplicidade de extratos certo e uma e um
desses extratos é o extrato da longa continuidade quer dizer essa longa continuidade por exemplo nos faz esse exercício absolutamente singular certo em 2024 você abre As Confissões do Augostinho você você encontra algum elemento que te diz respeito e você compreende que você de uma certa maneira diz não mas isso isso constitui alguma Coisa da da minha experiência até hoje então ou seja significa o quê significa que nós estamos no temp par AD não mas existe um fluxo de continuidade esse fluxo de continuidade ele deve ser apreendido se nós quisermos fazer qualquer tipo de crítica ao
presente né no sentido mais estrutural do termo Então significa que a mesma ideia de modernidade ela exige operar com descontinuidades e com continuidade né e eu diria tem um tem um uma filosofia da História de larga dura tem um dimensão de larga duração na filosofia da história isso está presente em certas reflexões filosóficas por exemplo sei lá se a gente tivesse lendo aqui a dialética do da do esclarecimento vocês iam pegar os dois capítulos iniciais da dialética do esclarecimento e encontrar a Don horkeimer falando né do Homero né do ulices como a pré-história do sujeito
moderno mas como assim que diabo isso cara pra história do sujeito moderno ou Seja acham que na verdade o Homero tava ele ainda falta alguma coisa ele ainda tá sabe ele ainda tá de uma certa ele não não é nenuma realidade em si ele só sente um preâmbulo para aquilo que virá na modernidade séculos e séculos depois ou na verdade a ideia é outra é existe um fluxo de continuidade esse fluxo de continuidade ele deve ser também levado em conta se nós quisermos entender o que é um processo histórico você tem as rupturas tem a
continuidade Então esse Essa continuidade nos permite por exemplo entender como a modernidade como a sua ideia de autonomia como a sua ideia de liberdade ela não é só uma recusa da do religioso ela não é só uma recusa do teológico político não ela é uma realização do teológico político por outros meios não há ninguém fala eu impunemente e ninguém hoje ninguém fala eu sem fazer Ressoar toda essa experiência teológico política que constitui uma certa noção do que é eu do Que é esse eu que se que que que que tem uma constelação o seu entorno
onde as ideias de personalidade onde a ideia de identidade onde ideia de unid elas fazem então um elemento constituinte do que seria a forma das da nossa experiência de nós mesmos né então insistiria muito nesse aspecto porque Se isso for verdade nós poderemos dizer bem há há uma dimensão da modernidade que tá que que que que tá para além dela e tá também que tá para a quem dela e também Tá Para Além e também estará para além né de uma maneira ou de outra por outro lado é claro quer dizer eu eu quis pegar
essas modalidades de escrita de si Porque como havia dito para vocês essas escritas de si elas mobilizam uma experiência de consciência de crise né E essa consciência de crise ela tem como resposta uma das respostas fundamentais dessa crise é uma transformação de si mesmo da noção do que se mesmo significa não é só uma transformação de mim vou Transformar vou abrir uma pousada eh em juquei qualquer coisa parecida eu vou me vou abandonar meu aquilo que me é próprio vou procurar outras formas de interação com a natureza não é uma é uma é uma recup
é uma uma pração do que significa falar si mesmo ou seja porque mais uma vez os eu quando você tem uma crise de instituições tem que lembrar o seguinte o eu é uma instituição talvez a instituição mais Fundamental você tem a família você tem a escola você tem o estado e você tem um eu né e o eu ele é uma instituição social é um modo de organização e reprodução material da sociedade né o modo de organização da experiência de reprodução material da sociedade como qualquer outra instituição né então se você tem uma crise das
instituições é impossível que essa crise não toque a primeira pessoa do singular que ela não toque o o que eu significa então eu digo Isso porque de fato nós temos atualmente o horizonte de crise como a gente cada vez mais tem consciência como nós nunca vimos antes nunca viu algo como essa conjunção de de crise Que nós conhecemos atualmente a crise ecológica uma crise demográfica uma crise social uma crise econômica crise política uma crise psíquica e uma crise epistêmica né isso nunca aconteceu ao mesmo momento e mais com crises que se estabilizam como crise Seja
com crises que de uma certa maneira elas elas perpetuam-se como crise a crise econômica Que nós conhecemos é uma crise que vem desde 2008 Ou seja é uma crise que tem mais de 15 anos seja mais de 15 anos nós estamos Tecnicamente em crise e é claro essa crise não impediu Nenhuma forma de governo ela foi uma forma de governo ela se tornou uma forma a crise é uma forma de governo hoje em dia né então sendo assim a única maneira de você Efetivamente Superar Essa essas crises é aprofundá-la é efetivamente aprofundá-la é falar não
mas ela vai ela tem que tocar estruturas mais profundas nas suas estruturas mais profundas tá aquilo que a gente poderia chamar de uma crise epistêmica crise epistêmica ou seja crise Nas condições de possibilidade da experiência Desculpa otiso aqui mas mas ele foi ele foi inevitável né seja crise nas possibilidades Nas condições de possibilidade da experiência crise na Gramática social que organiza a experiência e essa gramática social ela estabelece certas dicotomias sujeito objeto natureza a liberdade certo elas ela organiza valores né Progresso crescimento desenvolvimento e ela preserva instituições e o eu é uma delas então aprofundar
essa crise significa levá-la a sua dimensão epistêmica que ela não é uma superestrutura ela é a sua base Sabe por que que ela é sua base porque na verdade Os nossos modos de reprodução social e por isso eu quis começar com com discussões teológico-políticas nossos modos de reprodução social são uma metafísica em ato então em bom português o sistema capitalista não é só um sistema de trocas econômicas são capitalista é uma metafísica em ato é uma organização das formas do pensamento se você não organizar as formas do pensamento ele não tem como limitar a experiência
se ele não limita a Experiência ele não tem como impor os seus valores não tem como por exemplo transformar a propriedade numa numa numa numa qualidade metafísica fundamental de todo e qualquer relação né ou seja sendo assim é só o aprofundamento dessa discussão desse debate que permite efetivamente uma transformação Estrutural para além desse sistema de crise por isso essa ideia que eu queria partilhar com vocês então vamos vamos pegar todos esses momentos de crise que Que nos antecederam Profundas também a gente viu uma agora uma delas c e como essas crises elas elas impulsionaram a
o aparecimento de formas até então nunca vistas de relações Aim aí nos perguntar se afinal de contas dentro dessa dimensão do presente não é isso que nos falta não é isso que nos é mais difícil estruturalmente quase impossível nos livrar de uma certa noção do que significa identidade do que significa unidade do que significa Personalidade do que significa eu CTO e como essas noções elas parecem de certa maneira preservar-se como como uma espécie de de de promessa de Integração Social no no horizonte de de decomposição de desintegração é como se ainda preservar isto ainda preservar
essa noção de consciência ainda preservar essa noção de fosse uma forma de procurar alguma maneira de integração uma escrita que permitisse a integração né Por mais que Ela possa parecer como como escritas que questionam lugares estabele el question atir da forma já estabelecida passag é um problema geral quo todas as formas de lutas contra uma questão importante gente levantar então isso nos coloca esse tipo de questão Ok então vamos lá outra pergunta escrita em primeira pessoa está relacionada com o caso da escrita da de epopeias e emergência do do romance na literatura veja Priscila uma
questão Muito importante Com certeza esse é um dos eixos fundamentais desse tipo de transformação eh naquilo que a gente poderia chamar gente o campo literário literatura ela aparece num dado momento histórico mas quando a gente entende né Vamos aceitar Mas de fato primeira coisa você tem tem eh muita razão em falar há há uma há um Abalo ainda há um Abalo né Há um Abalo da da não há um ocaso por completo mas há um Abalo estrutural daquilo que a gente entende pela pela Pela pela forma das epopeias né Ah dessa forma Épica né E
essa e esse Abalo ele vai produzir um certo tipo mas a gente ainda tá dentro do do relato da escrita filosófica né Eh essa escrita filosófica eh talvez tudo bem isso pode ser um um um tema de professor de Filosofia né a gente sempre achar que a gente vem primeiro né mas de qualquer maneira a escrita filosófica ela ela impõe ela permite ela abre um espaço ela abre um espaço de de articulação de indexação da Que vai permitir a o advento da forma romance se a gente aceitar por exemplo essa ideia clássica de que pel
ao menos no ocidente né Aí teria todo uma questão interessante a se desenvolver agora mas ao menos no ocidente a forma romance ela aparece com Dok shot né ela aparece exatamente com o colapso do romance da da da da escrita da cavalaria né com o colapso de de um da da da da poesia do amor corts né que aí tem toda uma questão interessante sobre Que tipo de De relação amorosa é essa poderia também desenvolver toda uma reflexão interessante nesse sentido mas então ela vem exatamente neste momento no qual é claro mais uma vez percebe
eh qual qual que e e donot é é um belíssimo exemplo mesmo né Eh mais uma vez você as limitações seria muito importante hoje dentro do Horizonte de literatura mundo a gente pudesse reconstituir um pouco melhor essas histórias mas levando em conta essa leitura hegemônica quer dizer D shot tem esse tem essa característica fundamental quer dizer que é é a errância é exatamente a uma errância que faz com que o Cavaleiro agora tá numa errância completa onde ele não é não é capaz mais de ler os signos do mundo não há mais porque não há
mais não há mais signo do mundo mundo não é um livro Roberto né onde no quais o signo se eles eles se oferece ao contrário se eu continuar tentando operar com o mesmo padrão de inteligibilidade de anterior Baseado por exemplo em relações de analogia na capacidade cognitiva de relações de analogia de similitude entre outros eu não encontro não não consigo mais me orientar na experiência então que você tem você tem esse descolamento né E é claro a questão do romance ela nasce daí ela nasce exatamente eu vou eu vou vou eu vou expor a partir
da sua crueza mais eh eh mais irônica né esse descolamento da perspectiva do eu né então mais ou men mais ou menos o mesmo Momento em que você tem eh o Mont escrevendo os ensaios Quer dizer falando bem eh ao invés de eu expor eh digamos o eu na sua limitação eu vou abrir o espaço para essa possibilidade de uma variabilidade estrutural da sua perspectiva dizer que você tem eh é a literatura nessa sua função mais crítica possível né Essa sua função de de uma de uma crítica mais Implacável certo que é uma crítica que
vai entre outras coisas insistir bem o Horizonte da representação da segurança da representação da consciência não é mais dado não está mais dado e a condição é um pouco como a gente vai ver isso por exemplo eh nas meditações de carta tem tem um caráter profundamente Barroco nesse sentido no sentido de da da da da consciência Clara desta perda de aderência a capacidade de leitura do mundo como condição da emergência do né então é claro a gente pode dizer de uma maneira ou de outra dizer a a forma Romance ela lida com isso quer dizer
eh eu até diria essa ideia de que é uma espécie de escrita do Desterro né Ela não é uma característica de um momento da literatura sei lá poderia dentro de uma certa leitura locatia existir não no século XIX que só parece não ela é a base da experiência do romance ela é a constituição estrutural do romance é o movimento que faz o romance emergir né essa experiência do Desterro né Essa escrita do Desterro e é mais uma vez ve Vejam vocês é como eu insistiria um pouco nesse aspecto para isso emergir foi necessário que essa
esse vínculo entre o eu e o exílio né porque é isso que tá acontecendo a gente viu desde do Agostin quer dizer o que que é o eu o eu é um exilado ela ele é expressão de um exilado ele é um exilado na dimensão de de um de um regime de de governo que tá completamente invertido de um mundo completamente invertido então ele tem consciência da fragilidade da sua Perspectiva né então por isso que ele precisa desse processo de transcendência né então vamos lá eh várias questões interessantes aqui pegar eh a questão da Aline
Aline da inz ortens da Costa Vladimir você fala do luto como uma crise da melancolia mas no momento em que há uma quebra Um descentramento Algo que podemos chamar de surto em que o sujeito não está mais no laço social uma escrita que pode ser Chamada delirante pode ser considerada uma escrita de si eu lembro de uma aula que você falava da experiência coletiva do spk o coletivo socialista de pacientes eu fiquei com uma dúvida que eu carrego comigo até hoje se essa experiência é uma experiência de laço social ou se há uma quebra disso
chamado laço social essa escrita produzida por exemplo por por grupos como esse consegue de alguma forma mobilizar isso isto por exemplo que os ensaios Mobilizaram que pelo que entendi é um luto e não uma melancolia então eh eh que eu acho difícil depois de um surto um sujeito cupar o lato social mesmo que o sujeito tente escrever sobre isso como se precisasse de um reconhecimento meio como o que o schreber tenta fazer quando escreve sobre isso em suas memórias memórias entram em que estilo tá muito bom al veja eu diria eu diria algumas coisas acho
importante essa colocação a primeira como é que é possível dentro de Um surto você começar o processo de escrita de si eu diria entre outras coisas o seguinte hã a melancolia ela não é exatamente um surto né talvez a gente temha uma situação porque acho que tem duas questões aqui né primeiro AOL não é exatamente um surto por quê Porque ela não não tem não tem a dinâmica certo própria daquilo que a gente poderia chamar desses desses momentos específicos que são são muito próprios Das Produções delirantes a gente poderia dizer não a melancolia ela é
um processo contínuo lento né e contínuo de uma espécie de autorre reprimenda de uma interjeição de um objeto perdido certo que começa a jogar uma sombra sobre o eu a gente pode falar ah mas esse esse vínculo ao objeto que tá perdido esse vínculo que não suporta a perda não seria uma forma de vínculo delirante certo eu diria bem a aí aí tem toda uma questão interessante né se a gente Pensar na estrutura como do Delírio como um um elemento que muda as as as relações do julgamento a gente poderia dizer bem eh o que
permite a saída da melancolia é a consciência entre outras coisas de Que hã a algo no sujeito que que foi junto com objeto algo no sujeito que também foi perdido junto com ao objeto Então essa perda eu digamos da melancolia não é só a perda do objeto é uma perda de si também nesse sentido Algo foi embora né então talvez a questão eh que permite a escrita é entender bem Este este esse si mesmo que foi embora junto com a experi do objeto perdido ele é ele era uma das potencialidades dentro de um processo de
construção né então é a possibilidade mesmo de de porque eu não tenho a explicação melhor sejaa eh o desejo ele não é só um desejo de um objeto eh ao vínculo a um objeto é um dos desejos que que habita o sujeito né Não há nenhum sujeito que que é V que tem a dispersividade do seu desejo é restringida radicalmente completamente inconscientemente inconsciente inclusive através do vínculo a um objeto né a ideia de que você tem uma unidade um ponto unitário certo ele eh pode ser superado exatamente por quê Porque o desejo opera na na
dimensão da multiplicidade dos seus vínculos ele opera na multiplicidade dos seus vínculos então Isso permite ao sujeito em certas circunstâncias retomar um outro processo mas um processo através do qual é exatamente esta eh esta ilusão da digamos da da da da da da da convergência é que é quebrado por outro lado também tem uma coisa importante se é uma experiência de luto é porque não há nenhuma experiência eh melancólica que seja efetivamente uma superação da perda do objeto ninguém supera a perda nenhuma nesse sentido a Não ser que a gente use uma noção dialética de
superação de de superação consiste em dizer na verdade a perda continua o objeto continua é que ele deixa de ser visto como perdido como é que ele deixa de ser visto como perdido a sua presença se modifica eu eu entro em um regime de multiplicidade múltiplas formas possíveis de presença ou seja não existe essa ideia por exemplo de dentro de uma de de uma dinâmica de superação da melanc de luto é uma dinâmica através Do qual eu produzo uma substituição do objeto perdido ninguém substi objeto perdido nenhum ninguém tá em supermercado você para fazer troca
de objeto não é não é disso que se trata né se trata de outra coisa uma transformação do regime de presença do objeto dier essa presença que serer a presença física ela ela some Verdade mas uma outra uma forma de presença ela se estabelece uma presença simbólica que estabelece é uma dispersão do objeto é Uma fragmentação do objeto ele se fragmenta em múltiplo em múltiplos traços e esses traços vão encarnando em outro em outros corpos isso não é uma substituição Isso é uma forma de presença se a gente pensar sobre a forma da substituição a
gente nunca vai entender o que de fato acontece na melan Ness nesses processos de luta que na verdade eh é não há nenhuma superação possível da fixação há uma modificação da fixação você modifica o Regime da fixação é outra coisa você joga o regime numa dimensão simbólica você fragmenta a fixação você multiplica as suas figuras certo você você permite que eles que eles que ela tenha outras formas de Encarnação Então esse é um é um é um dado que me que pode explicar entre outras coisas uma coisa interessante que é por os ensaios ele aparecem
nesse caso como um modelo interessante eh eu diria como modelo rico digamos de de elaboração Eh psíquica né de ou seja de de Constituição de uma outra forma de Economia libidinal que então permite por exemplo a a elabora ação desses desses modelos de experiência de Cristo do qual melancolia é uma figura clássica né e levando em conta levando em conta poderia lembrar já que a gente tá falando sobre melancolia dessa colocação muito interessante de uma autora como a judit butler num livro Como a vida psíquica do Poder on vai insistir não Mas a melancolia é
o efeito fundamental do Poder né poder ele ele ele ele se impõe não através da violência imediata porque nenhum poder funciona dessa forma a a mera violência em relação ao outro ela não ela não tem como se sustentar por muito tempo ela precisa se sustentar a violência tem que ser 24 horas sen não poder não funciona e como é que eu faço para elar 24 horas eu preciso interná-la preciso integrá-la eu preciso internaliza eu internalizou através da Melancolia a melancolia ela tem essa força de de de internalizar eh um tipo de vínculo a um objeto
que tem uma função Central me colocar numa posição de paralisia uma desconfiança contínua em relação à minha capacidade de ação uma decomposição profunda da minha capacidade de ação Então se isso é fato percebem eh esse modelo de escrita que permite um certo tipo de elaboração através da mudança do regime do objeto Certo e que permite entre outras coisas outras formas de de de de fixação mais uma vez a fragmentação eh do objeto é uma forma de uma ou forma edificação em outro regime certo ela tem uma mais uma vez uma força política muito interessante né
então diria bem isso é um é um as dimensões do problema a outra dimensão é quando a gente levanta uma questão por exemplo acho que que é a questão do coletivo socialista de pacientes apareceu um pouco nesse ponto Se vocês me permitiram merchand a gente acabou de lançar o livro A uma tradução do livro eh fazer da doença uma arma né Eh na coleção que eu dirijo coleção explos né Desse coletivo que é um coletivo muito interessante é um coletivo que aparece no começo dos anos 70 em Heidelberg né um coletivo de autogestão dos pacientes
né a Universidade de Heidelberg tinha uma policlínica e num dado momento o o diretor da Policlínica resolve Literalmente fo dar as chaves da clínica para os pacientes que se automedicava que eles que eles se auto organizavam que eles se autogestion avam né todo uma discussão muito muito rica esse respeito Aí veio uma questão central porque é claro e eu eu quis traduzir porque ao ler o livro eu eu fiquei muito impressionado pela qualidade eh eu diria especulativa do do do material né acho que eu recomendo então a leitura de todos mas o fato é que
veja né a gente a Gente acostumou uma ideia F cotiana é mais ou menos a seguinte que assim a loucura é ausência de obra né então Eh ela é Ela é uma implosão da possibilidade mesmo de ter uma obra e ser um ter um autor H agora você lembrou por exemplo da questão das memórias né E principalmente não não das memórias como a memória do diário a memória do diário íntimo né mas a memória como esse esse esse processo de tentativa de reconstituição de si a partir Efetivamente da experiência do surto Psicótico né e o
caso a memória de um doente dos nervos do Daniel po schreber é Talvez seja o exemplo mais bem acabado nesse sentido né então eu diria que nesse caso o que que a gente tem é mais uma vez talvez a ideia de que eh não se trata exatamente de uma ausência de obra experiência do loucura não é um regime específico de obra né a gente poderia lembrar bem poderia fazer toda uma quem mais sabe você toda uma História das obras da loucura né Eh que vão do nerval vão eh Russell que vai Rio derlin né Eh
à sua maneira passa pelo passar pelo schreber né Eh embora Claro toda uma questão B esse tipo de de memória não é exatamente literatura toda uma questão interessante né porque o que nós temos aqui é na verdade um tipo mais uma vez eu diria um tipo de relato que talvez seja a versão delirante das confissões né Eh a Confissão no seu ponto de Delírio né Eh Talvez seja interna por quê Porque é é é como na confissão o caso da memória do schreber na confissão é uma é uma expressão é é uma reconstituição de si
a a partir de Deus com perspectiva transcendente só que é claro Deus aqui funciona de outro dia talvez ele funciona da maneira verdadeira né se já mas é é é o o discurso tem a mesma dinâmica uma Mas é uma dinâmica na qual vou eu vou o se Agostinho faz a Descrição da sua conversão sheber faz descrição na sua transformação na sua transformação a partir da da experiência do Delírio certo eh naquilo por exemplo fant mulher de Deus que na mod de relação eh que vai permitir a ele reconstruir o mundo certo e por aí
vai eu diria talvez é uma questão interessante que nós temos esse tipo nesse tipo de relato é a permanência desse modelo da da confissão mas como elemento de Constituição do Delírio né Eu não diria que a confissão do agosti é um Delírio né é um outro regime porque pro Delírio ainda falta algumas coisas né Eh ainda ainda falta falta um certo tipo de literalidade eh faltam algumas coisas né Eh falta uma incapacidade Ah isso é uma boa questão coisa mais complicada do que do que ela aparenta né mas de toda forma eu vou pensar um
pouco mais sobre esse ponto mas de toda forma o que é interessante é que de fato Você tem nessas figuras Por que que essa figura desse tipo de memória tem essa relação com As Confissões porque ela tem esse Horizonte de transcendência só que ele não tem é uma maneira maneira de sair uma maneira de de achar uma resposta porque ó que engraçado tem um cantio que gente como uma saída possível para essa distinção porque é um pouco como c a distinção entre a razão e delírio é que a razão reconhece o seu limite né lá
Onde a experiência do Del vai procurar falar em nome D né Por exemplo Agostinho não fala ele reconhece o limite em relação à razão divina mas a razão Divina ela parece como como Horizonte eh como Horizonte eh uma espécie de de de ela é ela ela é um um Horizonte normativo né era uma espécie de de de Horizonte de expectativas ela não não ela ela ela não ele não fala fala em nome de Deus ele não realiza por isso como se fosse você chegar comão chega a Um ponto de limite e nesse ponto de limite
é que de uma maneira ou de outra a a a experiência em relação à proximidade de um de uma infinitude que nunca se termina né em relação ao Divino ela pode se colocar que não é o caso das memórias mas sim mas é só uma maneira interessante se se articular esse problema bem eh a gente então já chega ao nosso fim eh agradeço mais uma vez a presença de todos vocês então espero vocês Terça-feira leitura das meditações do descart e até lá