Olá eu sou Felipe recondo diretor de conteúdo do J e hoje vou fazer uma primeira entrevista de uma série que alguns amigos da academia já me sugeriram fazer um deles professora Vera é o Miguel Godói que me fez uma sugestão sobre isso diante de um artigo que nós todos Lemos do New York Times sobre a dificuldade de se dar aula de direito constitucional lá nos Estados unos Unos e a gente vendo esse artigo acho que passou pela cabeça de todo o professor brasileiro que leu aquele artigo acho que pode ter sido algo do gênero bom
eh aqui como lá porque algumas dificuldades que são traçadas por lá também a gente vê por aqui e nessa primeira entrevista já falei aqui professora Vera Caran da Universidade Federal do Paraná que vai abrir um pouco dessa série sobre essa dificuldade então professora queria começar com essa pergunta muito aberta como é que tá sendo da aula de direito constitucional no Brasil nesses últimos anos eh Boa tarde Felipe muito obrigada pelo convite eh o o Miguel que é o nosso nosso interlocutor comum nosso amigo comum eh já tinha tinha me mandado esse artigo eh Acho até
que o título específico é a crise né a crise em dar aula de contitucional nos Estados Unidos e a gente eh trocou algumas ideias e você também trocou algumas ideias com ele de forma que de alguma maneira o indiretamente o Miguel tá me tá tá atravessado aqui nessa conversa e assim eu diria que foi mais difícil durante o governo do ex-presidente porque o af pronta o descumprimento a o desdém com a constituição não só do ex-presidente mas de toda de toda a equipe dele direta ali ministros tal eh em relação à constituição quer dizer afronto
o desden o descumprimento era algo muito cotidiano e e a gente sempre assume posições muito normativas em sala de aula né Ou seja você vai você diz o como deve ser eh e às vezes não faz o talvez não não não pontua exatamente a diferença entre o que é e o que deve ser Então vai com essa dogmática do Direito Constitucional e com esse ponto de vista super normativo e e bom naquele momento tava muito difícil porque havia um uma lacuna muito grande entre essa forma de ensinar direito constitucional E o que e o que
se via e o que se Lia é e a prática e as posições do Supremo Tribunal Federal também que eh a despeito de terem sido importantes no enfrentamento eh daquele momento né de desrespeito cotidiano da Constituição mas também elas foram bastante heterodoxas né então foi um eh eh aquela história num momento de ion alidades eh você tem quase que um vale tudo então isso precariza muito né a nossa posição de dizer como deve ser se tudo que tá sendo feito até para defender a própria constituição não deveria ser daquela maneira então ali foi mais difícil
o que que eu sinto hoje em dia eh nesse digamos nessa nova Rodada em que a democracia constitucional eh eh recobra algum ânimo eu sinto uma certa apatia que antes não existia em relação aos aos temas aos assuntos eh eu sempre acho que é algo que vai entusiasmar que vai motivar motivar debates calorosos não a sensação que eu tenho é que eles não tão nem aí a ah é essa sensação que eu tenho eu tô sendo pô a hora que eles me ouvirem eles vão dizer pô a Vera Tá sendo uma professora ingrata porque Claro
tem exceções né e eu e e assim aqueles que eu tento eh eh eh aqueles que eu aqueles que eu que eu que eu busco aproximação e interlocução Na graduação são as exceções mas a grande maioria tá apática pelo pel menos não eu não sei se a forma eu sou uma professora que doa h mais de 30 anos então talvez a minha pegada não seja o que mais a forma como eu dou aula talvez não seja a mais interessante eu sou ainda daquele do do eu sou daquela aula clássica expositiva eh uso pouco recurso audiovisual
então isso também talvez provoque um cantamento a forma e talvez o conteúdo porque eu não vejo assim vibração às vezes eu eu movimento eu levo casos eh falo muito do Supremo Tribunal Federal que hoje tá na né no nosso cotidiano ou assim eu provoco dizendo puxa vocês acordaram e se deslocaram pra faculdade por vocês têm o direito de ir e vir isso isso nem sempre foi assim mas não adianta eu eu sinto uma uma passividade Mas mesmo Mesmo Diante do Supremo Tribunal Federal tão eh divisivo hoje na sociedade com temas que estão no dia a
dia mesmo assim isso não os não os acende olha não os asende eu levo os casos e aqui eu vou vou vou vou fazer o seguinte a seguinte o seguinte paralelismo né quando eu li a a lá a matéria do New York Times eh e e vi que alguns declararam que choraram né quando foram fazer os sílabos lá o programa da disciplina ementa o que dizer se assim sentiram muito né uma sensação de de tristeza em relação ao que se tornou o direito constitucional em Face da da tendência e das decisões das últimas decisões Ou
pelo menos das mais assim as mais chamativas da suprema Corte dos Estados Unidos mas é que tem uma questão que acho que é bem eh importante da gente levar em conta o direito constitucional estadunidense ele se constrói a partir das decisões então é diferente da gente que eh constrói uma uma teoria uma dogmática ou como falam aí os mais antigos uma doutrina do Direito Constitucional a partir da a partir da da da legislação da Constituição escrita eh alguma coisa de história do constitucionalismo para construir isso e e não tanto do impacto das decisões do supremo
Trial Federal isso ganha mais isso ganha mais espaço hoje dia as novas gerações de constitucionalistas T feito isso muito bem que é olhar paraas decisões eh eh eh levantar dados levantar perfil decisório eh fazer pesquisa empírica eh eh com critérios bem determinados para aferir eh de de de razão de decisão a comportamento eh né de de de de Ministro ou ministra enfim mas o fato que nos direcional não se constrói a partir das decisões do supremo embora o Supremo Tribunal Federal tem venha criando o direito constitucional como nunca exatamente inclusive um direito constitucional que em
alguns casos ele é um direito constitucional criado pela corte mais inconstitucional se a gente olhar com lupa né ontem eu conversava exatamente ontem eh eh terça-feira é o dia que eu e o Miguel damos aulas juntos no programa de pós--graduação aí é diferente aquilo que a gente não vê na graduação né a gente vê na pós-graduação ali sim há um entusiasmo al ali sim há um engajamento eh Nas questões mais eh difíceis e fronteiriças do direito e da da da política e do direito que tocam o direito constitucional ali a gente vê entusiasmo assim de
fato eh disputa de narrativas Então para mim eu ia te perguntar isso essa disputa essa divisão se ela não chegou também E aí pode ser tanto na graduação como na pós essa eh divisão de narrativas você falou né Vera da do governo passado em que por exemplo se falava de artigo 143 da Constituição Forças Armadas podem isso etc e havia eh mesmo que pontuais pessoas que defendiam essa interpretação do Artigo dizendo que sim a armados poderiam entrar mas eu fico imaginando que nós vimos também o eleitorado defendendo essas posições Eu imagino que isso Chegue na
sala de aula também S sim então eu fico imaginando seu desafio também para lidar com esse tipo de questionamento né então isso isso indiretamente tem a ver com a matéria do do New York Times Porque ele disse assim eu eu lembro do repórter dizendo assim eu entrevistei mais professores do campo Progressista e parece que só um que ele entrevista ali que não é do campo Progressista e todos esses vão justamente criticar acho que duas decisões que dizem respeito ao direito de de ter armas e e enfim de ter de usar etc e tal e E
aí eh invariavelmente todos os professores do campo Progressista dizem a suprema Corte dos Estados Unidos eh tá ah eh decidindo de maneira absolutamente voluntarista conservadora sem levar em conta e esses 200 anos de de aprendizado constitucional bom olhando para nós né Eh eh a disputa de a a disputa de de narrativas eh eh mas eh pelo menos da forma como eu vejo aqui na Universidade Federal do Paraná eu identifico um perfil na graduação que é mais apático que é mais passivo talvez pelo fato de que majoritariamente os professores de Direito Constitucional aqui da nossa Faculdade
de Direito São do campo Progressista e talvez eles não não se sintam confortáveis de explicitar a disputa de narrativas com o seu os professores e professoras nós somos majoritariamente professoras de Direito Constitucional aqui né Eh eh embora não eh não exclusivamente né como por exemplo tem o Miguel mas eh eh e também tem o Daniel as nós somos Salvo engano tem dois professores e todas as demais são professoras todos com suas muitas diferenças eh teóricas e enfim de formação e de agenda de pesquisa são do campo Progressista então talvez por isso na graduação a a
garotada porque é uma garotada né de eu dou aula pro segundo ano é a maior parte da gente de 19 anos então se sinta tão confortável de fazer explicitamente a a disputa de narrativa e na pós--graduação como como a a o nosso curso não é um curso obrigatório As pessoas escolhem fazê-lo então São pessoas que são mais alinhadas à nossa forma eh de pensar no campo Progressista do Direito Constitucional então também a disputa de narrativa não acontece de uma maneira tão eh radicalizada Há diferentes pontos de vista mas ainda dentro eh dentro da ideia de
que a constituição tem supremacia e essa supremacia da constituição tem que ser eh assim tem que orientar a a nossa reflexão e que a agora uma coisa que a gente insiste sempre é a supremacia é da Constituição não é do STF Então a gente tem que ver criticamente a postura e na pós é muito legal porque todos lá são muito críticos do STE todos de mas deixa eu dar um passo atrás que você menciona eh traz um pouco de preocupação também eu não sei se se tem razão isso que é se os estudantes mesmoos de
graduação ou os de pó possam ter visões mais mais radicais ou mais exad sobre determinados assuntos ou mais pra direita de determinados assuntos Eles não conseguem fazer esse debate na academia Eles não conseguem nem se convencer dos fundamentos inclusive para eles defenderem esse ponto que a gente via no governo bolsonaro ou pessoas hoje ainda no Congresso Nacional que fazem defesas do que seria a constituição que vai contra tudo que já foi escrito no Brasil e que o Supremo já decidiu sobre aqueles Assuntos Então essas pessoas não logam com a academia então não te traz também
uma preocupação que essa ideia possa estar na cabeça do seu estudante mas ele não abra contigo você tem eu eu eu tenho essa preocupação compartilho com você Eles não abrem eles eh e seria e seria interessante para que a gente também tivesse mais claro eh quem desses estudantes dos quais 50% entraram por políticas de ação afirmativa Ah esse é dado que acho que a gente tem que levar em conta quais deles que temm ah ah uma uma percepção ou ou pensam o direito constitucional de uma forma conservadora ou Ultra conservadora o que de fato não
é um problema o problema são eh O problema não é tanto mais ter uma disputa de narrativa sobre os sentidos da ição com os conservadores e ultra conservadores para mim o problema são aqueles alunos que não vou usar uma expressão bem vulgar que não saem do armário e que são profundamente eh eh eh anti constituição quer dizer eles eles precisamente não acreditam nas democracias constitucionais não acreditam no papel da Constituição eh não acreditam no papel do estado e aí vão detonando isso com aquele discurso que a gente viu autoritário e perigoso eh do governo muito
muito forte no governo bolsonaro porque o enfrentamento que ele faz naquele momento com com a o desenho constitucional democrático quer dizer eu tô me lascando para o que a constituição obriga eu vou fazer do jeito que eu quero aqueles slogans né o Supremo é o povo a constituição é o que osores da eleição dizem que é a constituição ele des constitucionaliza né des constitucionaliza também é Desc constitucionaliza e também eu imagino que para você seja um desconforto eu pelo menos se tivesse aqui comigo alguém que pensasse diferente eu ia falar afinal de contas eu não
sei o que pensa mas até porque existe claro né uma outra poss de mundo em relação a constituição mas ela não tá sendo bem construída aparentemente né Nós vimos durante o governo bson em outros momentos os próceres da direita em relação à constituição tinham ideias que às vezes não paravam de pé né então seria até bom que a direita se instrumentalize de vista né claro claro e o que eu acho assim grave também ó essa geração essa geração que tá na faculdade de direito hoje eh seria quase a geração dos meus netos se eu tivesse
netos quase então já é já é uma geração que tá muito distante de mim quando eu faço esse quando eu faço esse exercício retrospectivo de quando eu tava na faculdade e então é uma geração que cujos pais já são mais novos do que eu e e que portanto tiveram nos seus pais a experiência do final da ditadura militar então a gente esperava quer dizer eu se se espera né se espera que fossem gerações que mesmo conservadoras seriam conservadoras do ponto de vista econômico seriam conservadoras do ponto de vista dos costumes mas diriam não a gente
tem uma pedagogia constitucional que foi conquistada né a duras penas num processo que implicou em em desaparecimento em morte em tortura em ditadura etc e tal então Vamos disputar algumas coisas mas dentro dessa estrutura não ler do engano assim eu eu sinto que aqueles que não se colocam eh eles eles também eles também reproduzem eu acho alguma coisa que tá na num ambiente familiar que é um ambiente familiar que não tem memória não tem da ditadura essa e e e volto a te dizer né 50% dessas pessoas entraram pelas políticas de ação afirmativa ou seja
são oriundos da escola pública ou são pessoas negras e pardas eh Enfim então surpreende que quem pensa no campo mais à direita no campo mais conservador Fica quieto e quem pensa eh eh quem pensa fora do desenho das democracias constitucionais também fica quieto esse esse esse silêncio eu acho mais perigoso porque são essas pessoas que que provavelmente tão ã eh usam dessa dessas estratégias de fake News tal né Elas estão em Silêncio em sala elas não estão em silêncio na rua né na sociedade exatamente estão em silci em sala porque talvez seja estratégico porque sabe
que se naquele ambiente com aquela professora se posicionar vai ser constrangedor ou enfim talvez não ganhe o debate mas sai dali tenho certeza que nos Gadgets ali nos nos equipamentos vai tá produzindo um monte de conteúdo eh surdo aliás essa é uma outra questão né como ensinar hoje não é só direito fucional Mas qualquer outro qualquer outro Ramo do Direito com a interferência eh dos meios digitais dos meios dos dos des enfim das Ferramentas Eh que que viabilizam essa comunicação digital é é complicadíssimo também eh porque eh sempre tem um argumento a disposição para dizer
pô o que a professora tá falando não tem nada a ver olha aqui o que o sei lá o o Pablo Marçal disse sobre isso ou ou mesmo e para não ir no extremo também né mas mesmo alguém do direito possa estar falando seja um influêncer pois é sem ter o cuidado acadêmico que se tem em sala de aula então talvez o primeiro talvez desses estudantes né o primeiro locos argumentativo deles ou a formação deles vem possa vi das redes né eles estão interagindo mais com a rede para essas coisas do que infelizmente às vezes
na sala né sim agora agora voltando ao ponto Vera do supremo tá e você falou Especialmente na pós-graduação uma crítica muito forte né ao Supremo e as decisões do supremo e aqui você inclusive começou dizendo né que é difícil também explicar algumas decisões do supremo sim Com base no Direito Constitucional né Então queria que você trouxesse essa experiência de de como o Supremo também em parte é responsável por esse estranhamento e por esse momento né de de direito constitucional do Brasil eu acho que o o Supremo ele ele né passou por várias fases eh com
com tipo de protagonismo distinto eh eh e e hoje mais do que nunca eh seja ele ator político seja ele essa autoridade tenha ele essa institucionalidade ele dá sinais muito trocados né então na PCA aonde a gente tem um uma discussão mais refinada e mais atenta e onde as pessoas também estão mais Preparadas para para para um tipo de de discussão com lupa né sobre a jurisdição constitucional do Supremo Tribunal Federal as críticas são muito presentes recorrentes e assim gera uma certa incredulidade como o Supremo eh opera com sinais trocados quer dizer eh eh quando
de um lado ele com de certa maneira ele contém eh a ele contém uma política de brutalidade contra a constituição por outro lado ele também não respeita a constituição por outro lado ele inventa um rito eh jamais pensado para conter essa outra essa outra violência ou brutalidade contra a constituição isso gera alguma perplexidade né Eh então eu acho do supremo isso te dificulta a vida e nunca isso te dificulta a vida porque Ah dificultaria mais porque eu sou eu nunca fui uma vamos lá eu nunca postei todas as minhas fichas eh no papel da jurisdição
constitucional até porque eh eu acho que a que a os sentidos da Constituição eles eles são produzidos eh eh em os sentidos da Constituição são são são criados e recriados não só a partir da prática do Supremo Tribunal Federal e das decisões Suprema eu acho que a academia tem um papel importante nisso eu acho que a a população em geral as pessoas em geral também tem um papel um protagonismo importante nisso e eu sempre digo né quando as pessoas vão paraa Rua eh marchar reivindicar Eh vamos pegar uma pauta de costumes aí reivindicar eh o
direito a às uniões homoafetivas bom o Supremo decidiu mas antes disso ou a questão do aborto enfim eh elas estão atribuindo sentido à constituição a gente tem que levar isso em conta elas podem pautar de certa maneira até a própria a própria corpe mas gera dificuldades para mim porque eh a a a a decisão da corte ela tem uma autoridade e uma institucionalidade diferente ela nos vincula ela nos obriga ela ela gera um um um precedente enfim e aí como é que um dia vai num sentido no outro dia vai no outro sentido quer dizer
a gente constrói um argumento para justificar O que é razo O que é um avanço o que até justo porque nem todas as decisões do supremo são justas mas uma decisão que seja além de argumentativamente bem construída ofereça razões públicas tenha tido eh um um tipo de deliberação robusta além de tudo ela é justa pô tanto melhor essa é uma decisão que a gente vai escolher para dizer puxa Olha que olha que boa a decisão do supremo daí no dia seguinte vem outra que é exatamente o oposto disso não respeita o procedimento estrito de deliberação
eh inviabiliza isso que eu falava que eu e o Miguel conversávamos ontem inviabiliza a participação eh de mais pessoas via eh audiências públicas o amicos cure além de tudo uma decisão que no ento às vezes no conteúdo ela mesmo afronta a própria constituição pô como é que a gente vai justificar quer dizer a autoridade da corte fica muito prejudicada né mitigada então o o que é ruim né porque o Supremo nessa nesse nessa nesses últimos 10 anos eh ele tem sofre a a sua autoridade tem sofrido eh duros ataques sobretudo por parte da direita e
da Extrema direita então quando o campo Progressista faz a crítica eh eh e questiona a autoridade Supremo quando ela é é prejudicada ou mitigada por decisões que são assim uhum ruins puxa É duro né porque a gente viu aí no último perío quem vai defender o Supremo né É quem que vai defender o Supremo ninguém quer defender em última análise e outra e e se pense se passar essa parada do impeachment de Ministro do Supremo Pô assim eu sou eh eu eu eu claro que eu tenho um lado mas eu vou dizer para você desde
o primeiro momento do do do do processo de impeachment da presidente eu eu tinha muito firme para mim que se houve ilegalidade aquilo não constituia crime de responsabilidade Então se sem crime de responsabilidade se afastou a presidenta puxa para configurar o impeachment do ministro Supremo assim vão ser criações e estapafúrdias né para justificar um aquilo que não se consegue fazer que é talvez aumentar o número de ministros exato para né ou outros recursos para enfraquecer a autoridade da corte o mesmo o mesmo né Vera se basear nos próprios Vícios e erros da instituição quear justificar
o impit que temos problemas todo mundo sabe a gente tá cançado de discutir Mas pode se pegar um se basear numa decisão monocrática de um ministro vai dizer isso aqui justifica impeachment eu lembro o pedido do ministro de impeachment de um dos ministros do Supremo se baseava numa monocrática Pois é e por conta do tempo que demorou real isso é um perigo agora em em torno disso eu fico pensando também o seguinte Vera quando você tinha dentro de sala de aula uma questão divisiva né pode se avançar vamos falar sei lá União uma afetiva pode
avançar ou não pode a constituição foi clara ou não foi Clara ao prever que União era só entre o homem e a mulher enfim mas quando vinha uma decisão do supremo a gente tinha eu Imagino que você dentro de sala de aula falha tem esses dois lados mas a decisão do supremo foi nesse sentido o que Pacific um pouco a disputa né hoje não é não é sinal de pacificação isso né Não exatamente isso quando você dizia Ah mas o no voto eu eu eu singularizou Porque infelizmente a gente tem ainda um tipo de decisão
que é muito Personalista né Ela é uma decisão da corte mas fá é no voto do ministro ab você o da ministra XY Z A o Supremo decidiu x olha que interessante vamos ver os argumentos contrapostos então havia um interesse mais Genuíno nessa isso nessa contra na argumentação na contra-argumentação na disputa de não só de narrativas mas na disputa de boas razões uhum né bem articulado eh eh que manejam o o direito material direito processual de maneira eh coerente isso aí se perdeu muito porque hoje em dia quando a gente vai eh falar de uma
decisão às vezes que lá no resultado foi boa para conte o que seria muito pior algumas decisões aí no contexto desse inquérito das das fake News tal você vai dizer mas não tem coerência não tem coerência daí os alunos também eles eles eles se dão conta não precisa nem você dizer você vai falando do caso e vai falando das dos argumentos e das razões da decisão eles diz mas professora mas não não é tão coerente não é coerente com a própria posição do supremo é não é coerente e isso isso eh soma com a opinião
eh das pessoas leigas acerca de jurisdição constitucional e Suprema Trial Federal eh a sobre eh o quanto o Supremo Tribunal Federal precisa ser ele ele mesmo controlado né Não só controlado mas precisa ser controlado ou precisa ser eh eh eh eh precisa ter a sua autoridade mais contida ou precisa ser modificado ou sei lá precisa acabar com isso então com essa loucura do senso mais do senso comum né que que que ataca o Supremo então de fato tá nesse sentido é difícil fica bem difícil mas volto a dizer para você eh esse ess essas discussões
se eu não provocar elas não surgem eh por por provocações dos alunos e das alunas sei eles estão muito passivos muito passivos e mesmo e mesmo até para fazer uma correção do que eu falei eu falei 143 da Constituição 142 142 né mas mesmo mesmo em temas como esse ou mesmo em temas de costume sobre aborto por exemplo descriminalização ou não mesmo isso não aparece numa disputa no campo constitucional Veja só o ano passado eu tive uma turma em que em que excepcionalmente apareceu eh era uma turma mais era uma turma mais ativa apareceu mas
eu volto a dizer para você apareceu eh muito também porque eu provoquei eu trouxe os casos e disse vamos discutir esses casos selecionei lá eu com os monitores e os os os que fazem estágio de docência comigo da Posse fi vamos pegar aí esses casos mais mais mais complexos e essa questão do da Segurança Pública do 142 do papel das Forças Armadas a a própria questão do abor Eu sempre gosto de colocar porque assim até para ver o tipo de de reação mesmo do ponto de vista eh eh intelectual desses alunos o ano passado a
gente por provocação minha a gente teve esses debates mas os debates mesmo assim eh não pegar não pegam tanto não Peg que você acha hein Vera Por que da dessa apatia eu sim tem uma coisa tem uma coisa obviamente de estudante né normal de juventude tá aprendendo esse vocabulário todo mas pelo que você tá me descrevendo Não é só isso né Eu acho que não é só isso eu sou da imagina entrei na faculdade em 1983 Pô você eu não era eu era já politizada por por por questões familiares tal mas eh eh eu vivia
assim eu vivi as diretas a cons a as manifestações pela constituinte e a constituinte então a gente respirava isso cotidianamente e e tudo era motivo para para para pautar politicamente eh a a a enfim o cotidiano da faculdade de direito mesmo o ensino né Eu acho que hoje Putz acho que hoje não Ten o mínimo interesse por isso assim não não pega todo mundo o os alunos e as alunas o que eu acho tão muito mais preocupados eh no concurso que vai est aberto quando eles se formarem nos três anos que eles vão ter que
pagar de pedágio até que possam fazer inscrição na hord eh nos nas possibilidades de estágio eventualmente entrar no pós-graduação Então você tem uma ideia eh eu nunca fui de ficar fazendo assim a minha geração não é uma geração que era estratégica para pensar Ah para eu entrar no programa tal de pós-graduação eu tenho que publicar isso eu tenho que falar fazer aquilo eu tenho que ter uma performance tal não hoje em dia do primeiro ao quinto ano eles estão lá fazendo os cálculos de quanto eles têm que participar publicar fazer e acontecer para ter já
um currículo relativamente eh sim robusto para determinadas eh determinados concursos certames que eles vão participar Então é isso que interessa mais é isso que pega mais eu também não não acho que isso eu acho que não pode criticar mas volto a dizer com público de classe média e Médio a baixa pelo menos metade desse público que entra na escola pública hoje a gente a gente teria a eu tinha uma expectativa diferente de muito mais engajamento nas grandes questões eh constitucionais que afetam o nosso né o nosso desenho a nossa democracia não sinto muito mas não
é isso a gente teve eh a experiência da turma do pronera né da Daquele programa do Incra de eh ensino para os assentados da reforma agrária també tinha uma turma que tinha gente do MST de outros movimentos afetados por barragens quilombolas uma venezuelana e dois haitianos eh quando a turma começou em 2015 ela começou em 2015 então 15 16 17 18 19 se formou quando a turma começou ah ela mexeu Ela mexeu com os com as outras com as turmas regulares mexeu muito porque eles chegaram na facade direita feito e mexeu com os professores também
embora os professores que deram aula para para essa turma foram professores e professoras eles se eles Eles escolheram da aula não não houve uma imposição Mas eles já chegaram com aquela bandeirada toda de movimento social daqui da colá colocando isso no salão nobre colocando na sala a gente tinha que olha não precisa botar as bandeiras a gente já sabe a bandeira de vocês mas aquilo foi mexendo muito então eh naquele momento eu acho que foi o a última vez que eu vi a faculdade de direito os alunos muito mobilizados por questões eh constitucionais e questões
que afetam o nosso modo de de vida né na na na na Federação na república na democracia enfim eh todo dia tinha eles levantavam pela própria forma como eles eh encaravam o ensino vinam das escolas do MST tal eles levantavam eles provocavam mas hoje em dia poxa eu não sei também eu não sei não quero ser injusta mas talvez o mais importante para quem tá hoje numa na numa faculdade é eh garantir que vai ter vai se dar bem no futuro e aí esse debate se perde né esse de se pede ele é talvez ele
deixe lá alguma reflexão no inconsciente ou depois esse debate suja quando eles estiverem nas nas funções porque eu digo falo Caramba vocês amanhã depois vocês vão estar decidindo vocês vão tá advogando vocês vão ser advogados públicos vocês vão est no lugar do Ministério Público quanta coisa não ninguém ninguém mexe um fio de cabelo eu digo Putz pode ser pode ser também a minha comunicação né eu também posso então talvez o Virgílio tenha olhando por outro ângulo a resposta encarando por outro ângulo a resposta do do Virgílio quando ele diz o que mudou não mudou nada
Talvez para mim Eh mudou mudou em relação ao que foi há sei lá 20 anos atrás em relação às turmas 20 15 anos atrás mas agora não tem mudado muita coisa porque a exceção da turma do pronera nessa última década todas foram muito passivas todas e acho que nós tivemos um momento de desafio né Desafio na Constituição po pois é mas pelo jeito esse desafio vai ser travado fora da sala de aula pois é Vera queria te agradecer a que agradeço e a gente vai vir com outras entrevistas você já mencionou o virgilo Virgílio Afonso
da Silva lá da Usp eu conversei com ele e com uma outra perspectiva que eu espero também trazer nessa série obrigado eu que te agradeço Felipe foi muito legal muito obrigada tchau