[Música] desde criança aprendemos lá nas nossas aldeias o sentido de percepção ouvir olhar e assim exercitar o espírito de iniciativa e liderança sozinho ou como parte da coletividade eram momentos em que iniciávamos nossa capacidade de compartilhar interesses são ensinamentos falados e por isso nunca vamos esquecer vão estar sempre com a [Música] gente [Música] meu nome é Mariano Marcos terena nasci numa pequena Aldeia na região do Pantanal do Mato Grosso do Sul chamada posto indígena de taunai meu pai minha mãe nasceram lá também só que em Aldeia diferentes me explicando que os sonhos né As Visões
de Mundo da tradição dos terena a gente só consegue ter visibilidade quando a gente tem uma referência daquele bioma [Música] né [Música] na verdade o nome terena é o nome dado pelo homem branco para nós quando a gente se encontra e na nossa língua nós dizemos que nós somos copo a nossa língua é do tronco aruak Existem muitos povos indígenas o aruak é uma raiz né é um um guarda-chuva de várias línguas e nosso povo era uma grande nação no passado com a chegada de doenças novas da Aldeia e diante também da estrada de ferro
Noroeste do Brasil que faz aquele trecho São Paulo Bolívia o trem do Pantanal nosso povo também começou a a sofrer um esvaziamento tribal vamos falar assim né um aparente desaparecimento do Povo mas na verdade o povo tava como as plantas que vão se enraizando em vários lugares do Brasil Então a chegada na cidade de Campo Grande foi encontrar um lugar onde a gente pudesse desenvolver a nossa capacidade profissional para sobreviver e o preconceito era muito grande né das escolas dos professores né eu consegui entrar nessas escolas e uma das coisas que eu aprendi foi escutar
rádio Foi aí que eu aprendi a falar espanhol porque a região de fronteira e aprendi também a falar português eu entrei na base área de Campo Grande com o soldado porque lá eu ia ter roupa eu ia ter comida E eu ia ter instrução e militar instrução física né Foi o que aconteceu porque daí eu no vestibular paraa Academia da Força Aérea Eu Fui aprovado né Fiz o concurso eh fui fazer a as atividades aéreas quando eu saí da aeronáutica né eu podia ser piloto civil então vi com meu brevê aqui PR Brasília para eu
poder entrar na VG aí a Funai Funai na época coordenada por coronéis do exército da marinha da Aeronáutica eles disseram que eu não podia ser piloto de avião porque todo ío de acordo com a lei de acordo com o estatuto do ío é considerado incapaz relativamente incapaz e a Funai foi muito eh digamos assim foi muito oportunista porque quando tinha conflito eles me mandavam ir como copiloto né porque os indías eh me conheciam né me conheciam por causa da casa do Ceará porque aqui na casa do Ceará é que tudo acontecia que era um abrigo
para jovens indígenas e também era um hotel de trânsito dos chefes indígenas que vinham para cá reclamar os direitos os caci né e geralmente a gente sentava aqui né e ficamos conversando aqui até 2 horas da manhã trocando ideia sobre como era a vida deles e quem éramos Nós também né era muito rico esse tipo de conversa até o dia que nós descobrimos que se a gente não registrasse o nosso terr perante as regras dos cartórios as regras dos direitos territoriais e direitos humanos nós sempre teríamos invasores e quando então surgiu a ideia de afirmação
da identidade cultural por exemplo esse cocar que eu estou usando não é para enfeite ISO aqui tem um valor de autoridade valor sagrado estamos muito nisso e isso realmente tem força porque isso daqui é uma pena de Ema mas do ponto de vista da cosmovisão do terena isso daqui vem das Estrelas né que só durante o mês de maio o mês de junho é possível você olhar pro céu e ver a ema dançando no céu né atravessando o céu da Aldeia e sinalizando para nós a celebração da vida nós fizemos um trabalho também de conscientização
dos chefes quais eram os direitos né explicamos as regras as leis ouvia quais eram os códigos de resistência de luta deles né quem nos conduzia era o grande Espírito o nosso C covit assim que a gente acredita que vinham aqui muitos estudantes conversar com a gente vinha vizinhança trazer roupa usada até o dia que os militares então disseram vocês não pode mais ficar aqui porque Brasília é uma cidade atípica para o índio aí começou outra guerra a gente não bebia a gente não fumava a gente não enfim a gente tinha um padrão de vida de
luta né Para Lutar então na semana do do índio de 81 Aí sim 1981 havia um comando lá no Planalto que fazia as manobras eh para evitar o a evolução social das pessoas né dos Jornalistas dos Universitários e nós acabamos entrando nesse caldeirão imediatamente a imprensa que acompanhava a inauguração da semana do Wind focou esse caso dois dias depois nós fizemos um seminário e anunciamos que a partir daquele momento os estudantes indígenas estavam mobilizado com o nome de União das Nações indígenas essa transição abriu as portas para que nós começássemos a falar mais amplamente sobre
os direitos indígenas os direitos pela terra pela cultura pela educação né Eh foi o movimento histórico e que ninguém pode contestar e sempre afirmo que nós temos parte na Liberdade sempre somos parte seremos parte deste trabalho nós somos a raiz do povo brasileiro e fomos massacrados fomos destruídos e não nos deram oportunidade para falar para reivindicar esses direitos que agora queremos fazer valer perante a sociedade brasileira então naquele tempo a veja ela tinha uma página última página que todas as pessoas podiam convidado pela revista escrever o seu depoimento e eu já como Mariano Marcos terena
fui convidado a escrever uma página não tinha noção do impacto que é isso né Porque na segunda e terça-feira todo o Brasil tomou conhecimento da nossa resistência da nossa luta e da nossa resistência por dignidade essas grandes televisores começaram a me chamar para fazer programas e eu fui aprendendo a a a olhar a essa máquina a compreender a capacidade dela né muitas vezes as pessoas pensam que Brasília é só um Cerrado só tem corrupção aqui é o poder do povo que o povo tem que aprender exercitar isso assembleia nacional constituinte do Brasil de 86 era
como uma cadeira sem uma das pernas então lá tinha o movimento das mulheres das igrejas dos militares do Ministério Público o movimento dos negros né dos empresários mas não tinha não tínhamos nós e eu fui o responsável né de abrir uma conversa com presidente do da Assembleia constituinte que era íes Guimarães então o íes Guimarães abriu a porta não deu chá de cadeira na gente recebeu mas quando ele viu aqueles asiáticos cara de índio sem cocar sem nada ele ficou assustado e quando a gente pontuou para ele na linguagem política o que que nós queríamos
aí ele disse não eu você pode contar comigo que eu vou aprovar um capítulo de direitos para vocês então todos esses dois anos de articulação vai para cá vai para lá nós fizemos eh cerimônia espiritual dentro do dentro do Congo cono em cima do congresso sempre cercando espiritualmente a consciência dos deputados e senadores e quando Nós entramos dentro do do do congresso era uma festa principalmente paraa mídia porque entramos cantando alegre né E estávamos dentro no meio de um Assembleia que ia decidir o futuro do Brasil Mesmo não tendo elegido nenhum Deputado só que agora
nós estamos os grandes chefes então pessoas com com carar pintada né a imprensa chegou lá correndo o que que tá acontecendo né E foi assim que a gente conseguiu o Capítulo dos índios essa capacidade essa experiência que e oportunidade que a gente teve de fazer acontecer a coisa né Depois da constituí em 91 a gente continuou fazendo os trabalhos já já sobre o que a gente hoje chama de mudanças climáticas né territorialidade Uso Sustentável aí começou a criar o conceito do debate verde do planeta num determinado dia eu recebi uma ligação de de uma pessoa
da falando da Ono Genebra essa pessoa dizia olha vamos ter aqui um encontro sugeriram o seu nome para você vir aqui para poder nos ajudar a incluir o tema indígena na conferência da ONU sobre meio ambiente Será que o mundo moderno está preparado para escutar o que nós queremos dizer depois de 500 anos de um silêncio imposto pela colonização pela catequese nós temos valores que gostaríamos de influenciar na vida de quem mora na cidade a força espiritual que se transformou em força Religiosa e que se transforma em força política Não tenha medo de nós porque
o futuro do índio é o futuro de vocês também e é o futuro do planeta muito [Música] obrigado Nós criamos uma organização chamada comitê intertribal que é organização que até hoje faz os jogos indí tá fazendo 30 anos nós reunimos 750 indígenas e 92 organizações do mundo todo E fizemos a chamada eh conferência Mundial dos povos indígenas sobre território meio ambiente e desenvolvimento mostramos pro mundo todo a importância de preservar a natureza e não destruir a natureza mas utilizar a força da natureza para o Bem Viver aí nós sugerimos não fiz ISO sozinho com outros
indígenas que tinham mais experiência de Ono a importância de criar em 1993 a chamado Ano Internacional dos povos indígenas em 94 a ONU acatando outra sugestão Nossa criou o chamado década dos indías 94 e a declaração recomendava por exemplo que os povos indígenas do mundo tem direito a livre determinação na declaração diz a importância de fazer os jogos indí como mecanismo de paz e de União dos povos e por isso que a gente fez os jogos mundiais em 2015 aqui no Brasil histórico nenhum outro país conseguiu fazer de novo Nós criamos um outro mecanismo de
defesa dos direitos indígenas no sistema ONU chamado fórum permanente dos direitos indígenas aí nós nós temos um departamento que equivale ao número três na na hierarquia das Nações Unidas primeiro secretário geral depois ordem econômica social da ONU e depois o fórum permanentes dos direitos [Música] indígenas o índio brasileiro Inclusive eu vou usar esse termo de propósito a palavra Índio ele sempre foi considerado o último da fila nas relações da política pública e a sociedade brasileira também o sistema educacional deveria explicar melhor pros alunos pros futuros adultos cidadãos quem era o índio né nunca explicou isso
direito então por isso que o índio era um nome eh genérico para qualquer pessoa que que viesse da selva que morasse numa aldeia no interior do Brasil eles achavam que o índia chegar na cidade e iam se casar com o não índio e a geração daquela pessoa ia fazer desapare toda uma sociedade toda uma cultura e não aconteceu isso e creio também que nós contribuímos com o novo conceito de ser índio no Brasil o índio Doutor por exemplo o índio que conseguia entrar na universidade porque muitas vezes ele não gostava de ser chamado de Índio
ele tinha vergonha né eu passei por esse processo chorava por causa do preconceito por causa da discriminação era um preconceito muito forte né hoje o índio Doutor ele existe o índio advogado o índio antropólogo no nosso tempo não havia cotas então junto com o presidente sardi que era presidente do senado federal foi o responsável de assinar em nome dos íos brasileiros a inclusão dos povos indígenas como cotista de ingresso universidades por outro lado o grande risco da da relação intercultural como nós chamamos é que muitas pessoas querem ser índio agora e pegam os cocares e
colocam na cabeça sem saber o Real significado do cocar isso é perigoso porque isso também da mesma forma que a gente era e invisível no processo expor isso de qualquer maneira não garante o respeito da sociedade para com a cidadania indígena e para com os direitos indígenas também o prêmio me Pegou de surpresa né porque ao longo da minha vida nem eu eu lembro do meu irmão Sempre dele porque nós fazíamos tudo junto assim como aqueles jovens da casa do Ceará nós nunca ganhamos prêmios o meu irmão Carlos terena como ele era conhecido nós fomos
criados juntos eh pelos nossos avós né nunca procuramos eh aparecer e para dizer que nós éramos diferente dos demais apesar da da da mídia da Imprensa não Nacional estrangeiro está sempre procurando por nós para determinadas ações dos direitos indígenas por um objetivo que não termina aqui a luta vai continuar pela demarcação das terras porque a demarcação das terras tem que ser entendida como um processo de Bem Viver para toda uma sociedade para todo um país para toda uma região como sempre foi debater os assuntos indígenas requer conhecimento inclusive dos indígenas as regras as leis estabelecidas
e a possibilidade de construir essas regras com o olhar indígena eh também com mérito técnico mérito político né e também para que as sociedades indígenas aldeias elas compreendam o que que é por exemplo uma política indigenista nossas reuniões eram troca de ideias pela construção do bem e da Paz assim Fizemos lá nas nossas aldeias apenas reproduzimos agora na linguagem moderna o sentido de mobilizar mas também para paz e para o bem comum e então o que é ser no Brasil posso ser o que você é sem deixar de ser quem sou caminhamos em direção ao
futuro nos rastros dos nossos [Música] antepassados [Música] C [Música] C