A fachineira Gabi Alves achava que conhecia bem a mansão dos vasconcelos. Trabalhava ali havia semanas, mas naquela manhã algo aconteceu que nunca tinha acontecido antes. Um pequeno detalhe, um daqueles detalhes que quase ninguém percebe.
E foi justamente esse detalhe que fez Gabi descobrir que dentro daquela casa silenciosa existia um segredo escondido havia mais de 30 anos. Um segredo capaz de mudar o destino de toda a família. Nossas histórias têm viajado longe.
De onde você está assistindo hoje? Compartilhe com a gente nos comentários. O testamento estava rasgado em sete pedaços dentro do lixo.
Gabi juntou cada um deles com a mão trêmula, sem entender ainda o que segurava. Aquele papel ia mudar a vida de todo mundo, mas isso ela só descobriria depois. E para entender como aquele papel foi parar no lixo, precisamos voltar alguns dias no Capão Redondo, zona sul de São Paulo.
A manhã sempre chegava com cheiro de café coado e barulho de ônibus freando na esquina. A casa da dona Isabel e do seu Manuel era simples, com aquele portão de ferro que todo mundo no bairro conhecia pelo barulho do trinco. Gabi pulou da cama às 5 e pouco, olhou pro lado e viu a cama do irmão arrumadinha.
O Roberto nunca foi de dormir até tarde. Ah, Beto, já tá de pé? Ela chamou, ainda meio sonolenta.
Tô aqui na cozinha. A mãe deixou o café pronto. Gabi entrou na cozinha e encontrou Roberto sentado à mesa, segurando a caneca com as mãos sujas de terra.
Você nem lavou a mão, Beto. Gabi riu, puxando a cadeira. Lavei sim, Gabi.
É que essa terra aqui já faz parte de mim, não sai mais. Ela riu baixinho e serviu café na caneca de florzinha azul com a asa colada. Roberto tinha 30 anos, Gabi 28.
Os dois cresceram ali grudados. Gabi era a filha de sangue e o Roberto tinha chegado ainda bebê. Mas para dona Isabel não tinha essa de diferença.
Era tudo filho. A dona Marta ligou. Gabi disse soprando o café.
Tem vaga de faxineira lá na mansão.