[Música] [Aplausos] é o Rocha de 35 anoso mototaxista em Atalaia do Norte no extremo oeste do Amazonas aada Dias el seforma no palhaço e organiz para as crias daidade peruano de nascimento erradicado em Atalaia desde 1998 o churo coleta doações de Comerciantes da cidade para promover a cada duas semanas uma apresentação aberta ao público em algum espaço cedido Atalaia tem o pior índice de desenvolvimento humano do Amazonas e o terceiro pior do país o tio se vê realizado no papel de distribuir alegria refrigerante e cachorro quente um luxo para muitas crianças pobres de Atalaia mas
você deve estar se perguntando por neste episódio em que vamos tratar da morte de Bruno Pereira e Don Philips começamos pela história do churo nós vamos chegar lá em um quarto de hotel em Atalaia o churo aceitou gravar um longo e impressionante depoimento sobre a sua vida passada segundo ele já deixada para trás no crime na região de atal Benjamim const e Tabatinga no entorno da terra indígena Vale do Javari chorou em diversos momentos o Tchuru quer passar uma mensagem de otimismo às crianças tentar mantê-las afastada da marginalidade e passar a sua mensagem de que
há vida depois do crime ele disse que começou a traficar drogas em Atalaia por estímulo do próprio pai quando ele tinha cerca de 14 anos de idade ganh do pai uma bicicleta o churo achou que era um presente para se divertir que nada era para ajudar o pai a entregar a droga Com 15 anos já comecei comprar 100 g então quando meu pai não tinha droga eu já abasteci a bocada eu já abasteci então eu comecei a ganhar dinheiro com isso 16 anos 17 anos foi indo então eu eu chegou um tempo que eu já
emprestava dinheiro pro meu pai então comecei a crescer nós não queria mais uma uma bicicleta comprei uma moto Quantos anos você tinha nessa época eu tin tava com 17 anos e já tinha tava com TR anos T baixinho e já comprei uma moto para mim porque eu comecei a ganhar dinheiro com tráfego e quanto você girava na semana no mês Quanto você lucrava na na época eu comprava 100 g em tabinha que na época a droga ela era barata na comprar R 100 g por r$ 50 porém eu distribuí nas bocada cada Gama r$ 50
então de r$ 50 de 100 g eu tirava R 500 isso eu deixava na vooc R 150 r g então deixava fiado nas pessoas assim 50 é 10 g aqui 10 g ali tudo a R 50 o churo acabou preso em 2008 e foi solto em 2009 a partir de então seus crimes ficaram ainda mais graves nessa época ele até ganhou um outro apelido no louco 2009 fiz uma viagem para berin do Pará justamente com esses todos os papéis que me deram eu fui fui para Belo Pará levando mais drogas ganhei 31.000 voltei para ativa
a doença me esqueci da doença aí fiquei lá e comecei fazer assalto comecei ter proposta de matar gente eu fui fiz fiz É como eu digo eu tive uma vida perversa tava ass mas tem gente por dinheiro mas eu era conheci de louco um exemplo alguém mexia com a sua esposa cara tem um conheço um moleque o moleque é atitude o moleque é louco tu falou para ele vai lá na hora quebra o cara da hora e as pessoas começaram a me ligar pessoas do Bem você chegou a batar quantas pessoas cara eu matei seis
pessoas que se lembra entendeu hoje o churo organiza as festas para criança segundo ele como uma forma de mostrar que mudou ele quer trazer alegria aos pequenos lembrando a criança pobre que ele foi hoje eu poder fazer isso representa muitas coisas coisas que eu não tive Então se hoje em dia eu posso dar e através de pedir através de doações que me dão poder fazer essa alegria com as crianças cara isso me me sinto realizado porque é como eu sempre digo para muita gente vida tudo é possível só você querer então se você pensa no
melhor você vai ser o melhor só é você se dedicar a isso é determinado porque Existe vida após o crime entendeu hoje em dia T aqui me divertindo divirto as crianças divirto os outros e não preciso ser Malu nem andado para ter respeito sim só minha solidariedade me jeito de ser porque o que prevalece pra gente é a humildade e o respeito a história do churo é o retrato de uma realidade cada vez mais frequente e assustadora em toda a região amazônica jovens pobres sem perspectivas de emprego e de futuro S cada vez mais cooptados
pelo crime organizado o narcotráfico avança a Passos largos principalmente nas regiões de Fronteira facções criminosas de São Paulo e do Rio de Janeiro ganham espaço e transportam aoga pelos Rios onde a ação da polícia e da Forças Armadas é falha ou inexistente o Vale do Javari na fronteira com a Colômbia e o peru está bem no centro desse imenso desafio para a segurança pública de acordo com as investigações da polícia o crime organizado financia ou se infiltra Nos esquemas de roubo de peixes e outros animais dentro da terra indígena [Música] Olá eu sou Jornalista Rubens
Valente Este é o podcast Morte e Vida Javari uma viagem que fazemos juntos a essa região que guarda histórias pouco conhecidas mas que tem muito a revelar sobre como o Brasil lidava ontem e lida ainda hoje com as crises de violência e segurança que ameaçam os povos originários chegamos ao o quinto e último episódio do Morte e Vida Javari começamos a série com uma viagem ao passado 150 anos atrás no episódio de hoje trataremos dos Desafios do presente em 2022 foram assassinados no Javari o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Don Philips em um caso
que chocou o país e ganhou as manchetes globais esse crime covarde se insere no contexto de uma série de problemas que assolavam e ainda assolam a região a série inteira Morte e Vida Javari está disponível gratuitamente aqui onde agora você me escuta Em todos os tocadores de Podcast e no YouTube da agência pública Episódio 5 cerco e resistência o caso Bruno [Música] Don fos atrás de raízes mais antigas que poderiam ajudar a entender o contexto social do assassinato de Bruno desob Vimos que cerca de 3 anos antes o inalao entre criminalidade comum e a exploração
de recursos do Javari já tinha sido detectado pelo Ibama o órgão da fiscalização Ambiental do governo federal o Ibama foi chamado a participar de um projeto de manejo de peixes pirarucu a ser executado por ribeirinhos no Vale do Javari ao iniciar as discussões sobre o projeto porém o órgão decidiu recuar lá nós não fomos porque no primeiro momento eu tive depois de tudo já como técnico sem sem estar mais como superintendente como técnico eu fui H cerca de uns 3 anos atrás lá 2 anos 3 anos 12,5 3 anos eu fui ver esse projeto lá
fui ver e e não recomendei porque o tráfico de droga estava inserido naquele projeto nas nas comunidades eh o tráfico tava inclusive eh eh espanando afastando a a a as pessoas boas das Comunidades né Este é o Hamilton casara um dos mais experientes servidores do Ibama no Amazonas que já foi deputado federal e presidente do órgão no governo Fernando Henrique Cardoso de que forma que o tráfego tava atrapalhando projeto o tráfego tava se utilizando já da da da o tráfico tava com pessoas e eh já tinha citado gente da comunidade já estava dentro do processo
e claro aproveitando todo o pescado para para para vender e para promover a agem de de divisas né então não é que ele usava o peixe para inserir droga é que já era na Lavagem do dinheiro não não era o uso do PC transporte com com certeza acredito não cheguei a ver isso mas acredito que pela lógica que a gente viu a gente conseguiu rastrear é para onde esse peixe ia que ia lá para Islândia naquela ilha no peru de lá esse peixe tomava uma Um Destino único pros frigoríficos ali de Letício bem mas ali
eles podem fazer tudo podem rechear aquele pescado principalmente o peixe inteiro viceral né que ele pode rechear e pode superestimar quantitativos para poder justificar outras outras operações né mas o certo é que foi visivelmente né que pessoas da comunidade e fora da comunidade pessoas da comunidade cooptada já para seguir a orientação como deveria ser um uma dessas pessoas seria o pelado que viria matar [Aplausos] broid eu não eu não não conseguiria te falar exatamente isso mas eh nitidamente foi o o motivo da não recomendação naquele ano para suspender para se começar direito aquilo foi esse
o motivo do tráfico envolvido com aquilo ou seja o problema ali o buraco é mais embaixo al é e ali outra coisa e e eles usavam de todas as as o o os meic crestin para pressionar a base da FUNAI já lá naquela base grande e utilizavam os furos do Rio do itaqualy para entrar na na na terra indígena para fazer a pesca legal também esse mesmo grupo agora eh tendo presença do estado Tem que fortalecer aquela base da FUNAI ali tem que ter um contingente ajudando a Funai colocando gente do Ibama colocando gente da
da da da força nacional ali da Polícia Federal para que a comunidade eh se sinta à vontade a praticar o manejo o interesse do Crime Organizado na região do Javari é como uma bomba relógio comunidades carentes de tudo são presas fáceis para as promessas de lucro rápido enquanto trabalhávamos neste podcast eu e o documentarista José Medeiros encontramos no asfalto de uma rua movimentada de Atalaia do Norte a estrada do boia uma que acabara de ser feita com spray Azul das iniciais do Comando Vermelho do Rio de Janeiro eu também encontrei pichações do gênero na cidade
vizinha de Benjamim constan esses sinais em uma região empobrecida não podem ser desconsiderados quando nós olhamos para as ameaças e os atos de violência cometidos contra Defensores da Terra indígena Vale do Javari [Música] são dois grandes projetos petrolíferos na região que impacta o Vale do javaí Então os Mat estão discutindo isso aqui é pelo menos 8 anos 7 8 anos que eles discutem petróleo na região do jairan de repente Eles foram surpreendidos com a notícia que a NP no território brasileiro na região sul da terra indígena não tão próximo aqui dos maior unas dos mats
mais próximo dos marubos também tinha um projeto da np para leiloar blocos petrolíferos Este foi o indigenista Bruno Pereira me concedendo uma entrevista na terra indígena Vale do javar em 2013 9 anos antes do seu assassinato ele havia me dado uma carona num avião contratado pela funa para participar de uma assembleia do povo indígena mai oruna lá no extremo oeste da terra indígena já na fronteira com o peru os mayoruna estavam indignados com os planos da Petrobras para pesquisa de óleo e gás na região os indígenas rejeitavam e o Bruno queria me mostrar essa manifestação
para que eu fizesse uma reportagem a respeito eu entendi que era uma maneira que ele encontrou de alertar a sociedade e o governo sobre os problemas que a Petrobras criaria na região ao mesmo tempo eu já fazia pesquisas para um livro que estava escrevendo que lançaria em 2017 sobre o impacto da ditadura civil militar nos povos indígenas as consequências da ditadura sobre os indígenas do Javari nós já contamos aqui no segundo episódio deste podcast na época da viagem de 2013 o BR tinha apenas 3 anos de trabalho na Funai mas não me parecia inexperiente de
jeito nenhum ele vivia em constante atividade com vários planos em andamento e muito bem informado sobre tudo que se passava dentro do Javari era capaz de citar cada liderança indígena de cada uma das 62 aldeias e explicar os problemas de cada região ficava Clara para mim a sua defesa Incondicional dos direitos indígenas o Bruno era extremamente comprometido com a profissão de indigenista com o passar dos anos nos falamos com mais frequência até o mês de junho de 2022 quando o inimaginável [Música] aconteceu indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Don Philips foram mortos a
tiros com munição de caça o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Don Philips provoca tristeza e volta no Brasil e em todo mundo nos primeiros quatro episódios deste podcast narramos diversos massacres e atos de violência contra os povos indígenas que viviam e defendiam o Vale do Javari no entanto durante o governo de Jair bolsonaro a partir de Janeiro de 2019 esse padrão de violência sofreu uma mudança brutal pela primeira vez um defensor não indígena foi assassinado Maxiel Pereira do s aos 35 anos em 6 de setembro de 2019 Maxiel estava andando de
moto com sua esposa em uma rua de Tabatinga cidade vizinha do Javari quando foi atingido por um tiro na cabeça e morreu Maxiel era um dos funcionários da FUNAI que mais se destacava nas ações de proteção à Terra indígena Vale do Javari liderando apreensões de pescado ilegal e participando de operações da polícia federal a morte de Maxiel Jamais foi esclarecida pela polícia as características do seu assassinato mostram uma ação planejada em detalhes com todos os indícios de um crime encomendado por exemplo a polícia federal apontou que ele foi seguido pelos motoqueiros desde que deixou a
casa da sua irmã na periferia de itabatinga a falta de punição para os assassinos de Maxiel deixou mais vulneráveis os indígenas indigenistas que lutavam pela preservação do Vale do Javari o governo de extrema direita de Jair bolsonaro fez pouco caso do assassinato os servidores públicos Foram deixados ao relento em meio ao aumento das invasões da terra indígena naquela época o Bruno Pereira morava e trabalhava em Brasília apenas um mês depois do assassinato de maxel o Bruno foi exonerado pela presidência da FUNAI da Coordenação dos povos indígenas isolados no órgão indigenista na capital federal ele tinha
acabado de conduzir uma operação contra garimpeiros na terra indígena Vale do jabari em um áudio que ele me mandou TR meses antes do seu assassinato o Bruno narrou a Perseguição que estava sofrendo dentro do governo bolsonaro saiu o parecer da CGU dizendo que tinha conflito de interesse né eles alegam isso que eu tava tendo conflito de interesse porque tava exercendo atividade de fiscalização ambiental junto com a univ atribuição do que eu tenho na Funai entende Eles estão alegando que de acordo com é tosco para velho é nío Da perseguição sabe Rubens depois que Luís Inácio
Lula da Silva tomou posse na presidência da república em janeiro de 2023 a Funai soltou uma nota na qual informou que Bruno Pereira sofreu perseguição dentro do órgão que deveria protegê-lo e foi exonerado de sua função de confiança por incomodar criminosos foi uma forma de restabelecer a [Música] verdade em 20199 após perder o cargo na Funai Bruno mudou-se com a família para Belém do Pará em 2021 ele recebeu um convite da univa a principal organização indígena do Javari para trabalhar na proteção da terra indígena que ele conhecia muito bem Bruno atuara na Funai na região
de 2010 a 2016 a nova contratação de Bruno se se deu por meio da niero uma organização não governamental sediada em Washington de volta ao trabalho no Javari Bruno entraria de novo no alvo de criminosos Segundo a polícia o indigenista recebia inúmeras ameaças antes de sua morte registradas inclusive em um bilhete ao investigar o assassinato de brunon a polícia federal levantou provas contra um grupo de pescadores da zona rural de Atalaia encabeçado por Amarildo Costa ol el depis admitiu o cri disse como matou Brun a lado de outro Pescador e mostrou onde os corpos foram
enterrados prender o cara deleg Caral bom bom bom prender cara na deleg os dois suspeitos presos pelo desaparecimento do indigenista brasileiro Bruno Pereira do jornalista PH Costa de Oliveira conhecido como pelado e o irmão dele oos Eném da Costa Oliveira o dos Santos admitiram o crime foram levados pela Polícia Federal para a área de buscas pela dupla o terceiro suspeito pelo envolvimento na morte de Dom Filipe e Bruno Araújo se entregou agora a pouco à polícia o nome dele é Jeferson da Silva Lima Ele é conhecido como pelado Dadinha e foi preso em Atalaia do
Norte no Amazonas nas pesquisas para este podcast Eu fui ouvir um amigo muito próximo de Bruno Pereira o Cristóvão Negreiros piango tataco filho de um madeireiro Ele nasceu há 50 anos em um trecho do rio Curuçá no que hoje é o território demarcado da terra indígena Vale do Javari há quase 30 anos ele trabalha no Apoio às organizações indígenas e AF Funai participando de expedições e atividades de fiscalização na defesa da terra indígena em 1996 o tataco participou da expedição feita pelo sertanista da FUNAI Sidney possuelo que realizou o primeiro contato com os indígenas isolados
corum essa história você acompanhou no terceiro episódio deste podcast a partir de 2010 o tataco conheceu e se tornou amigo de Bruno hoje Ele trabalha ao lado de Orlando possuelo o filho de sney possuelo que pela univa desenvolve um trabalho de proteção da terra indígena tataco contou que por muito pouco poderia ter morrido ao lado de Bruno Eid na manhã de 5 de junho de 2022 poderia ter acontecido comigo também né que era para mim que hoje Sei lá só Deus sabe que eu ia com eles né Felizmente eu não não entrei no barco e
fiquei saí tava com a mochila na costa e saí não qu mais participar de com ele domingo esperava eles por aqui aí infelizmente ele chamou para ir com dom Sim ele me chamou falei que eu ia com eles na hora eu tinha uma viagem para ir para Tabatinga eu falei domingo eu pegava ele nós ia para batinga todo mundo junto eu não fui mais fiquei Por que que aconteceu eu não quis mais ir na hora né que ele falou que ia voltar domingo eu digo então Domingo eu não vou ficar esperando aqui domingo a gente
vai com eu e Orlando a gente vai para Tabatinga aí esperamos até 10 horas não chegou ele foi atrás mas já tinham matado ele já você chegou a fazer mochila sim eu tava com a mochila na costa já tataco relatou que Bruno Pereira já havia sido ameaçado pessoalmente pelo hoje principal acusado do seu assassinato o pescador Amarildo pelado eu queria entender se o Bruno conversava com o tataco sobre possíveis ameaças que vinha recebendo e ele falava se estava sendo ameaçado para você é porque assim foi em Abril do ano passado eles atiraram em nós né
Men no Bruno né Como foi esse ó Nós vinha nós ia pra frente de proteção lá com o pessoal da Eva que tava lá trabalhando e na passada o Bruno parou para tirar uma foto da da comunidade o pelado deu um tiro nós tava meio chovendo São Gabriel ele atirou de onde lá da casa dele da casa dele da casa dele passando em frente do Rio Ele atirou em nós esse episódio que tataco contou teria ocorrido em abril de 2022 apenas do meses antes do assassinato de Bruno você chegaram a parar o barco eu parei
o barco PR para bater a foto ele falou e na hora que eu vi ele atirou em nós chumbo caiu bem perto da balira assim eu peguei acelerei o motor fui embora bateu na água bateu na água que que arma que era era uma 16 Como é que você sabe que era o pelado eu vi eu conheci ele né era perto né você falou pro Bruno Quem era falei eu falei pro Bruno que era o pelado tá atirando nós ele falou Calma que deixa ele para aí que vai chegar a hora dele que a polícia
vinha para pegar ele né Por que a polícia ia pegar ele ele nós tinha feito a primeira denúncia dele né que ele tava dentro né da malhadeira que pegaram o Bruno pegou a malhadeira dele no varador então na cabeça do Bruno a polícia iria prender e prender e depoimento dele né porque que ele atirou porque que ele fez isso o Bruno chegou a dar o depoimento não ele tinha domingo que nesse retorno que ele ia conversar com a polícia federal no domingo do crime do crime você prestou depoimento no processo já não ainda não por
que não te chamaram não sei porque não me chamaram mas ess aí não mas esse episódio do tiro tá tá no processo não ele não relatou também não ele não [Música] relatou eu não sei porque ele falou que ia fazer a denúncia esper ele fazer a denúncia dele né tataco vive hoje em constante estado de vigilância também porque ele já foi agredido em plena praça pública de Atalaia a maior e mais frequentada da cidade foi dia 19 de abril dia do índio né Nós estava aqui na Univag ajeitando dando apoio pessoal que est fazendo a
festa do Dia do Índio aí nós ia aí para Praça comer uma pizza né eu e meu filho a mulher do Orlando e o Valdir a mulher dele aí eu não sabia de nada o cara chegou falou ó você que é o que tá denunciando nós lá na terra indígen falei eu pensei que ele era brincadeira dele né que não falando nada para ninguém ele já foi eu se da moto ele já foi me dando um soco aí eu fui eu fui pra porrada com ele ainda ele me ameaçou de me dar um tiro na
minha cara e falou que ia morrer assim que nem o maxel morreu e hoje o processo tá rolando contra ele né ele tá se vendo agoniado aí tá já chorou bastante que não tinha nada a ver com isso tava bebido para mim T faz e ele também você encontra ele na rua encontra ele na rua ele não fala comigo não ele a sua situação é delicada também muito delicado você se cuida Eu me cuido sim demais né que sempre a gente tem que andar tem que é por isso que eu invito disir né Eu muito
raro olho pra praça um negócio ali eu não vou mais eu percebi que eu não te vejo mais porque há um ano você saa mais né saí eu não te vi mais noite sa não foi decisão mes é decisão minha mesmo o caso do tataco não é isolado diversas pessoas de Atala e região empenhadas na proteção da terra indígena Vale do Javari se encontram forçadas a conv no dia a da cidade com as próprias fontes das ameas como pescadores e Caçadores clandestinos a isso se soma a falta de perspectivas de uma Juventude Urbana inclusive indígena
que pode umaa fácil para o cri como agravante do cená indígenas que ajudam na proteção do território também a cidade e podem se tornar alvo das ameaças o processo tende a ficar mais sério porque é cada vez mais comum o Êxodo de indígenas das Aldeias para as zonas urbanas de Atalaia Benjamim e itabatinga nós temos que preservar e proteger a nossa o nosso território então o deslocamento para morar aqui na cidade Isso não é bom pra gente não é bom porque muit das vezes Assim como a gente tem eh outras pessoas já conhec mundo do
Branco vai se adaptar legal começar a estudar e querer ficar aqui na cidade isso para nós é uma perda na aldeia e nós não queremos que acontece isso Esta é a Feliciana canamari uma importante liderança indígena do Javari e tem outros alunos que pode cair no mundo das drogas PR nutrição esses tipo pode aptar isso é a nossa eh preocupação por isso sempre a gente orienta para permanecer na nossa aldeia preservar nossas cultura nossos jovem ensinar dar continuidade no nosso conhecimento da do mundo originário do nosso povo e até então é por isso que não
tem muito eh a gente não mora muito aqui só mais representante é filho de representante né que mora aqui na cidade então ali do barco Por que que eles ficam eh mais num Barquinho eles desloca da Aldeia para vir resolver algo aqui na cidade porque na aldeia a gente não tem cartório a gente não tem a gente tem um OBS básico dos básicos entendeu aqui é um hospital aqui é cartório aqui é bolsa família tudo e lá na Alde não tem isso e muit das vezes eles descem para resolver esse problema onde e eles não
têm uma casa de apoio quando el isso o estado podia fazer entendeu fazer uma casa de apoio ou senão uma balsa estruturado para receber essa família dar uma assistência adequada para eles resolverem o problema dele para retornarem a sua Aldeia de origem e isso não acontece e fima que eu já tenho um pouco de um pouco um pouco não um pouco muito de dificuldade de palavra técnico como vocês que eu já fui na porta de uma escola querer aprender coisa do branco com meus esforços e mesmo assim eu tenho dificuldade em palavras técnico aval um
aldeado que fala mais a sua língua eh vim querer resolver essas coisas tentar resolver tentar explicar para aquela pessoa o que ela veio fazer ela tem dificuldade fina que as pessoas não não entende direito finda que vai levando levando e fima que acontece muitas coisas aí na beira como doença né As crianças doece e fico à vez vão pro hospital vão isso vão vão sofrendo cada dia isso é muito preocupante pra gente enquanto do movimento aqui a gente já sem tema a gente já fizemos muita reunião com o prefeito mesmo hoje eu tenho a certeza
por tudo que vi ouv na região que o futuro da terra indígena Vale do Javari está intrinsecamente ligado ao futuro da população urbana de Atalaia do Norte e região os especialistas concordam que é necessário reduzir as pressões econômicas sobre a terra indígena o próprio Bruno Pereira pouco antes de ser assassinado estava empenhado em encontrar opções de geração de emprego e renda para a população do entorno da terra indígena mas hoje De que forma se dará esse processo quem conduz irá alguém está planejando isso há um ano houve uma reunião entre os presidentes do Brasil e
da Colômbia Lula e Gustavo Pietro e membros dos seus governos na cidade de Letícia há cerca de 2 horas de barco de Atalaia do Norte nós fomos até lá participamos de uma entrevista coletiva da ministra do meio ambiente Marina Silva e da ministra dos povos indígenas Sônia Guajajara ministra Sônia boa tarde Eh Rubens da agência pública ministra eh em junho completou-se um ano da morte de Bruno idon no Vale do Javari E no entanto continuam as denúncias de invasão no território e também denúncias de que as forças armadas não tem coibido o crime na região
de Fronteira nos pelotões Qual o plano do governo para o Vale do Javari ministra ó é um ano um ano do assassinato de donf Bruno Pereira e se meses desde governo né então nós podemos considerar aqui o plano que nós estamos agora elaborando e já em algumas áreas sendo efetuado né para combater a criminalidade na região de Fronteira e também nos territórios indígenas no V do Javari já há um monitoramento ali permanente dentro do planejamento da FUNAI né Com a presença já de de contratos temporários e servidores da FUNAI que estão ali né fazendo essa
pitação permanente foi realizada essa visita lá na região do Pr do Javari e a elaboração de um plano compartilhado com o Ministério do meio ambiente né por meio do ivama Ministério da Justiça com a polícia federal a Polícia Rodoviária Federal Ministério da Defesa né e com as organizações indígenas então nós estamos agora com várias operações em curso já atendendo né sete terras indígenas que é a terra indígena e a mamami né já iniciando também no ter Urucu Caiapó uruau né então eh o Vale do Javari está dentro desse plano macro né para que a gente
possa estar logo em seguida dando né esse início dessa cristalização e monitoramento para trazer a segurança para os povos indígenas servidores e servidoras da FUNAI nessa região me chamou a atenção que a ministra nada falou sobre um plano de desenvolvimento econômico aut sustentável para a região Nós também encontramos no hotel itabatinga o diretor de Proteção Ambiental do IBAM em Brasil o biólogo Jair schmit considerado número dois no órgão ambientalista ele fazia parte da comitiva do governo brasileiro e nesse cenário algum Qual é o plano para o Vale do Javari alguma estratégia do IBAMA para coibir
pesca madeira caça é a região do Vale do javal extremamente estratégica aí meio ambiente né por vários aspectos além de das terras da Terra indígen das terras indígenas e outras áreas sensíveis que temos brasileiro a gente não pode esquecer que é uma região de tips Fronteira né e um papel do IB também é atuar na fiscalização no Controle Ambiental na região fronteirista tá então os planos da instituição é reabrir a unidade técnica né o escritório do Ibama que já já tinha in Tabatinga aparelhar ele criar condições e sobretudo ali dispor de uma boa equipe de
trabalho para que tenha essa presença mais ativa mais efetiva vai combatendo todas essas esses crimes ambientais que aqui ocorrem porque hoje o o escritório do Ibama está a 1000 km do vho do jabari aqui o escritório mais próximo em Manaus né é o que aconteceu e o Maitá e o que aconteceu nessa nesse recuo por o recuo do Ibama na na região Amazônica em especial dessa região aqui é o Maitá também que é uma outra unidade estratégica ela foi ela foi destruída ela foi queimada inclusive por invasores lá em 2018 né e e agora nós
precisamos retomá-la também é uma unidade estratégica ali na frente de combate ao desmatamento que pega o Sul do Amazonas n Lembrando que o Amazonas também tem se destacado como um estado que tem aumentado muito desmatamento nos últimos anos então fazse necessário a instituição está preparada está equipada e atuante naquela região esse caso de uma Maitá e aqui Tabatinga na Faz fez parte do processo de desmonte da instituição né com a redução do quados de servidores e o fechamento de unidades estratégicas como essas duas então uma das medidas importantes que nós quemos fazer além de reabrir
a unidade de de itabatinga também devemos reabrir a unidade de uma Itá e e o nosso principal problema a ser superado nisso é esse dest de de servidores o Ibama já fez um pedido de concurso público né Tá aguardando a análise das do ministério de gestão e inovação E a expectativa é assim que tentão logo a gente já tem autorizado Esse concurso temos alguns servidores a mais na Instituição a gente Deva reabrir essas unidades do anos depois da morte de Bruno idon agora em junho de 2024 o Beto marubo uma liderança do movimento indígena no
Vale do Javari faz uma dura crítica sobre as respostas dadas até agora pelo governo Depois de dois anos infelizmente a gente não viu algo concreto em termos de providências do estado brasileiro do governo brasileiro né isso é um tremendo descaso né já que essa mesma esse essa mesma atitude esse mesmo eh constrangimento brasileiro podemos dizer assim era feito pelo governo bolsonaro então o que que o governo bolsonaro fez na época começou a mentir começou a enganar começou a tratar o caso né desdenhando que os eles er o irresponsável etc então mudou-se pouca coisa dessa retórica
não temos algo concreto com que eu possa eh dizer e comemorar não algo vem sendo feito na minha terra nesse novo contexto com um novo governo com novas perspectivas Infelizmente não temos nada a comemorar o que acontece no Vale de Javari é que com a ausência do Estado né esse vácuo da atuação estatal tem sido culpado pelos criminosos transnacionais que atuam na fronteira brasileira e que isso também não é novidade nenhuma paraas autoridades né E isso se transforma em violência né em perseguição e assassinatos né como aconteceu o caso do donho do Bruno a gente
precisa de uma atuação do Estado conjunta né interagências Polícia Federal do Ibama o fortalecimento da FUNAI na minha terra a Funai é um órgão Vital para os índios isolados hoje no Brasil e não é diferente para minha terra o Ibama é importante nesse processo também mas de uma atuação Inter agência uma atuação do Estado a gente esperava que todas as instituições o exército a Marinha né também atuasse de forma conjunta né num perspectiva de eh investigar essas quadrilhas que atuam no território brasileiro né sejam elas transnacionais locais ou regionais né para se voltar à normalidade
e combater né ativamente os crimes ambientais e correlatos nessa área hoje eu entendo que as respostas do estado brasileiro aos desafios sobre o futuro do Vale do Javari tem que passar por respostas para o futuro da Juventude de Atalaia Benjamim itabatinga se o país não cuidar do entorno do território os indígenas vão continuar sofrendo com invasões e ameaças em Atalaia eu conheci a professora Silvia Lima da Silva que lesiona em escolas públicas para crianças e jovens também atua como uma conselheira sobre a vida profissional de muitos jovens cujos pais vão à sua casa pedir apoio
ela vive há 35 anos em Atalaia e testemunha todos os dias a Dura realidade dos seus estudantes aqui no município do em Atalaia nós estamos numa situação difícil questão da droga muito adolescente cara tô perdendo aluno aí perdendo aluno meu jovem jovem saindo da de casa da da da escola por em questão de droga tem muito adolescente aqui te juro a gente fica preocupado e aí que que tá acontecendo eles estão roubando para manter o vício ent porque o pai não dá a mãe não dá então sente obrigado a roubar assim na cara de pau
mesmo não tem vergonha mais não para manter o vício eu Suponho que é o craque sim é tem tem tem tem tem o craque tem o outro lá o a cocaína tá entendendo e tem a maconha como é que tá chegando isso aqui Man aqui do outro lado nós temos uma do outro lado é peru Sim lá que é o foco Mas até então a gente tem a visão de que é um local de plantil aqui né mas pelo jeito não é só plantil estão fabricando Sim eles trazem para cá o cara pega tem várias
pessoas aqui que vende se trazem para cá então Tá passando já refinado pelo rio sim sim sim da infância até a juventude a professora Silvia sentiu na própria pele o preconceito e a discriminação por ser transexual Mas aos poucos foi conquistando seu espaço na sociedade de Atalaia diz que hoje se sente respeitada e querida pela população há poucos anos contudo ela era reprimida quando decidia ir ao trabalho trajando roupas femininas eu tive uma gestora que ela não deixava eu ir de mulher entendendo ela dizia não e eu disse não quero ir eu quero ir e
eu tinha uma coordenadora que ela era do interior que ela era maior irmã da Professora Antônia Ramos ela chegou e eu tive que conversar com ela sobre essa situação professora eu tô em plo século XXI e eu tenho direito de chegar do jeito que eu quero eu disse que que ela disse o que que tá acontecendo Professor eu disse a gestora não tá proibindo o meu vestimento na escola isso tá me deixando muito chateado Então tá me deixando constrangir na frente dos meus alunos ela foi dis negativo ele pode vir do jeito que ele quiser
o importante é ele dar a aula dele aqui e ser respeitado você como uma gestora você não pode fazer isso vem profess o jeito que você se sentir bem o jeito que se você quiser aí foi quando eu comecei né questão do meu vestimento quem eu sou o que eu sou o que eu faço então que nem eu disse para ele carac tem reputação ninguém dá você constrói e não tem vergonha do que você quer ser se você quer ser siga em frente não abai cabeça não tá entendendo porque são são vários fatores que que
a gente enfrenta na sociedade né ainda mais lá para fora você vê meu jornal eles matam porque é isso e aquilo não aceito os pais não querem porque não querem Professor gay não quero Professor trans lá para fora tiro da sala às vezes mato eles lá tem muita morte de mulher trans né ainda bem que aqui nós não temos isso graças a Deus E aqui o respeito são é muito grande por mim onde eu chego eu sou bem respeitado mas para isso eu vim lá de baixo conquistou conquistei meu [Música] espaço o depoimento da Silvia
mostra uma sociedade em constante transformação e simboliza a luta dos seus moradores pela conquista de direitos fundamentais eu percebi que uma parcela expressiva da população de jovens indígenas que vem vem para a cidade busca educação quem sabe até fora do Estado do [Música] Amazonas este que você ouve tocando tuba é o jovem Gabriel mauna de 16 anos no trompete está seu irmão mais novo Charles taquá Eles tocam uma música que aprenderam na Igreja Congregação Cristã do Brasil o hino religioso número 447 Gabriel nascido na terra indígena do Javari erradicado em Atalaia estava pedindo apoio da
univa ou da prefeitura para conseguir passagens aéreas e ajuda financeira a fim de começar os estudos Quem sabe no Paraná ou pode ser na Bolívia primeiro ele disse que buscaria medicina depois falou em educação f o Gabriel ontem você tava procurando o apoio né evoluiu de ontem para hoje questão da sua ainda não ainda não consegui mas ainda tô esperando o prefeito em uma manhã de julho de 2023 o prefeito de Atalaia marcou encontro com o Gabriel para discutir um possível apoio à sua viagem para fora do Amazonas na data combinada fomos acompanhar o Gabriel
na audiência mas o prefeito teve uma mudança na compareceu em definições e dúvidas como essas enfrentadas pelo Gabriel são comuns a outros jovens indígenas Mas isso não tem impedido que eles cada vez mais estejam Deixando as aldeias para conhecer outros lugares outra parcela dos jovens contudo tem ficado na terra indígena para tentar vencer outro desafio prover a vigilância e tomar medidas para proteção do vasto território do tamanho de Portugal [Música] Essas são motosserras usadas por uma turma de indígenas da Univag a principal organização indgena do Javari para chada aviventa dos limites da Terra [Música] indgena
isso na prática é o seguinte a equipe passa meses na floresta cortando o mato que encobriu as pilastras de concreto colocadas pela fun em 2001 e que demarcam o limite do território a limpeza serve para advertir novamente aos invasores de que a Terra é indígena as expedições também funcionam para mapear a partir das observações de campo as principais ameaças ao território depois dos assassinatos de Brun Don a univa não recuou nesse papel muito pelo contrário o intensificou ela continuou formando e treinando as evus equipes de vigilância da univa essas expedições têm sido lideradas por dois
indigenistas o Orlando possuelo há mais tempo desde 2021 e o Carlos Travassos que chegou ao Javari em 2022 exatamente com a tarefa de substituir o papel desempenhado pelo Bruno Pereira Filho do sertanista sney possuelo o Orlando conhece o Javari desde o início dos anos 2000 ele travos e dezenas de indígenas passam meses a fio dentro da terra indígena até julho de 2023 as turmas da evu já haviam limpado das divisas da terra indígena em quatro expedições com 24 indígenas Em Cada uma o Orlando diz que hoje uma das maiores preocupações sobre o futuro da terra
indígena se concentra ao sul do território em uma das recentes expedições ele encontrou vários caminhos abertos por caçadores clandestinos encontrei muito caminho aí eu peguei alguns caminhos fui para fora encontrei de caça lá no Jaquirana a cabeceira de Jaquirana que já é perto lá do Peru eu do lado de fora um tapiri com 900 Kg de carne salgada essas coisas encontram muito caminho de caça e ali acaba que é uma extremidade que tem os indígenas mas não é uma área muito de isolado mais pro limite eh Sudoeste né mas nessa região de quando vem de
pixuna pro lado leste por exemplo acima de igun pé a gente tem a gente vai fazer eh vai fazer um pedaço de picada lá e lá as fazendas que estão fora da terra indígena em linha reta elas estão a menos de 30 km das malocas dos isolados então é a região que e a região que mais concentra isolada aqui no Vale de Javari ou seja essa Fronteira Sul é um barril de pobra aqui uma hora pode explodir a Ah é Não já tá explodindo na verdade devagarzinho vai né as esses limites vão vão sendo ultrapassados
os fazendeiros vão chegando e aí como uma região ali por exemplo próximo deir ne pé que é habitada pelos isolados em si ali é muito difícil da gente o controle tem que ser feito né Eh ostensivamente ali nos limites para proibir a entrada de caçadores né pescadores e o garino também vai chegando pela aquela região já tá chegando é o porque ali para irun pé dentro da terra indígena o caminho de quem sai de eirunepé ele vai até um Igarapé que chama Jordão que faz um pedaço do limite Sul esse Garapé afluente já do Jutaí
e a gente sabe que é do Jutaí inho né jut taizinho que joga no Jutaí Juru ainho perdão o Juru ainho a gente teve denúncias ele faz limite da terra indígena lá da terr outro não e já no ano passado a gente teve a denúncia já de Balsas de garin por dentro do do Juru ainho juazinho né o Juru ainho já joga no Jutaí aí o Jutaí não o Jutaí já é cheio de balsa mas não perto da terra indígena agora eu fiz o sobrev lá encontrei duas a mais ou menos 20 km de distância
da entrada da terra indígena duas balsas de gar mas isso a gente tá falando agora que os garimpeiros estão todos [Música] recuados como pessoa muito próxima do Bruno Pereira o Orlando sentiu profundamente o impacto do assassinato na manhã do crime em 5 de junho de 2022 era o Orlando que estava no porto de Atalaia aguardando o barco do Bruno que nunca chegou e foram ele as equipes da univa que começaram de imediato as buscas ao indigenista e ao jornalista passados dois anos do assassinato as turmas da univa continuam fazendo o trabalho que o Bruno procurava
ajudar quando foi morto a morte de brunon deixou marcas profundas nos indígenas e nos não indígenas empenhados na proteção do território os indígenas lembram deles com emoção e admiração na semana após o crime a univa fez uma homenagem que nós acompanhamos em Atalaia [Música] [Aplausos] [Música] [Aplausos] nós temos que falar pro mundo o Bruno morreu nesta terra porque ele trabalhou aqui e gostou de trabalhar aqui então esse cando significa é da natureza Então esse cano faz bem ele entendeu a letra por isso que ele se apaixonou pela pel essa música dos canamari mas o Bruno
ele deu a vida para noss povo indígeno do Vale de Avari por isso que sempre a gente vai falar o nome [Música] dele em vez de diminuir após a morte de Bruno o trabalho dos indígenas da proteção do território aumentou é novamente um lembrete sobre os ciclos de fim e Recomeço no Vale do Javari em um dos seus livros o escritor salman rushdi disse que para Renascer é preciso morrer primeiro a frase é dita por um personagem da história que sobrevive a um acidente aéreo lendas egípcias e gregas tratam da figura de ouroboros uma serpente
ou um dragão um ser mítico representado durante o de devorar a própria cauda isso indica fim e Recomeço ao mesmo tempo no Javari a morte de Bruno Don foi um duro golpe contra os povos indígenas e indigenistas mas eles não parecem dispostos a ceder como no poema de João Cabral de Melo Neto Morte e Vida Severina ainda tem vida depois da morte ao longo deste podcast falamos várias vezes dos ciclos que marcaram o Vale do Javari ao longo de mais de 150 anos quando tudo parecia perdido o território e seus povos foram capazes de se
regenerar porém conforme eu caminhava nessa longa reportagem Mais e Mais as dúvidas me cercavam e se esse ciclo finalmente Se romper e se o Vale do Javari com todas as suas riquezas já estiver bem mais perto de um ponto de não retorno como tanto os cientistas têm alertado sobre o futuro de outras partes da Amazônia continuam as invasões o roubo de animais as ameaças aos indígenas e indigenistas o avanço do narcotráfico as pressões ao sul do território tendem a se agravar nos próximos anos a emergência climática mundial bate às nossas portas no Congresso Nacional uma
bancada anti-indígena e antiambiental pauta aprova projetos de destruição socioambiental até quando o Vale do Javari vai resistir o Brasil deixará o ciclo Se romper permitindo o domínio definitivo da morte sobre a vida se o ciclo se quebrar não haverá futuro para a Amazônia muito menos para o Javari na obra do Poeta João Cabral de Melo Neto a seca do Rio Capibaribe no verão deixa o protagonista desamparado e perdido as palavras do poeta me levaram de novo ao Vale do Javari pensei que seguindo o rio eu jamais me perderia ele é o caminho mais certo de
todos o melhor guia Mas como segui-lo agora que interrompeu a descida [Música] po [Música] [Música] [Música] [Música] ma amb [Música] Este foi o quinto e último episódio da minisérie morte vida Javari obrigado a você que nos acompanhou até aqui os Demais Episódios dessa série estão disponíveis em todos os tocadores de Podcast também no YouTube da agência pública se você puder compartilhe com um amigo uma amiga alguém que você acha que vai se interessar se esver nos ouvindo no Spotify ou na Apple de CCO estrelas ou deixe o seu comentário Vamos adorar saber o que você
achou dessa série na pesquisa concepção roteiros e apresentação temos os trabalhos de Rubens valente na captação de áudio em campo José Medeiros revisão de roteiro produção e arquivo por Clarissa Levi e Estela Diogo na edição de som mixagem e composição de trilha tema trabalho de Ricardo terto a ideia original e a coordenação Ger essa é uma produção da agência pública de jornalismo investigativo continue acompanhando os nossos trabalhos um abraço até a próxima [Música]