Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, com grande alegria, celebramos hoje a Memória de Santo Inácio de Antioquia.
Inácio é um desses grandes mártires da Igreja sub-apostólica que nós devemos venerar de forma especial, deixa eu explicar o que é Igreja sub-apostólica. Acontece que houve uma época da Igreja em que tínhamos os Apóstolos vivos, os Apóstolos que viram Jesus e testemunharam a Ressurreição de Jesus, muito bem, logo depois deles vem a segunda geração, a geração daqueles que conheceram os Apóstolos e receberam a transmissão da Revelação, essa é a chamada Igreja sub-apostólica, ou seja, a primeira geração de cristãos, logo depois dos Apóstolos, aquela geração que conheceu os Apóstolos. Inácio de Antioquia teria nascido mais ou menos por volta do ano 35 depois de Cristo e morreu como mártir em Roma mais ou menos no ano 110, alguns dizem 108, portanto, estamos falando aqui de um homem que conheceu os Apóstolos, foi nomeado bispo de Antioquia na Síria e foi aprisionado, é então depois que foi aprisionado, que ele nos deixou um legado extraordinário de sete Cartas fantásticas em que ele, indo para Roma, foi escrevendo para as Igrejas da Ásia e para o seu amigo, bispo São Policarpo de Esmirna, além daquelas Igrejas da Ásia e da Carta a São Policarpo, há uma outra carta que é destinada para os fiéis de Roma.
Inácio, prisioneiro, está indo para Roma e ouviu rumores de que os romanos estavam confabulando um jeito de libertá-lo para que ele não morresse mártir, então ele escreve uma carta a esta Igreja, a Igreja de Roma que preside na caridade as outras Igrejas e pede aos romanos que, encarecidamente, não façam nada, ele diz aos romanos: "Se vós me amais verdadeiramente, permiti que eu nasça para Deus porque em Deus serei homem", ou seja, ele quer morrer por amor a Cristo, sabe que o que lhe espera é o martírio, será entregue às feras, como de fato foi entregue às feras no Circo Máximo, em Roma e quer ser triturado pelos dentes das feras como o trigo é triturado para fazer o pão, é impressionante ver a fé do grande Santo Inácio, como ele quer amar Jesus, derramar o seu sangue até a última gota, e ele diz assim: "Agora que eu estou sendo movido pelo Espírito Santo, nesse momento que eu escrevo a vocês, acreditam em mim e se por alguma fraqueza humana quando eu chegar aí em Roma, pedir a vocês e suplicar: 'Por favor, arranjem um jeito, não me deixem morrer mártir", não acreditem em mim, não sigam o que estou dizendo, me deixem viver", ou seja, viver para Deus quer dizer morrer, derramar o sangue por Cristo. Santo Inácio nesta Carta extraordinária aos Romanos, diz que sente dentro de si uma fonte de água viva, que é o Espírito Santo, claro, que diz: "Vem para o Pai, vem para o Pai", é um testemunho extraordinário de como os santos são arrebatados pelo amor de Cristo, "caritas Christi urget nos", diz São Paulo, a caridade de Cristo nos impele, para mim, recorda São Paulo, viver é Cristo e morrer é lucro, eu anseio por estar com Nosso Senhor, assim são os santos, assim é Santo Inácio e celebrar hoje esse padre que viveu na, esse padre sub-apostólico que conheceu os próprios Apóstolos, nos coloca diante da nossa missão: "Senhor, dai-me também esta caridade abrasada de Inácio, para que eu também nasça para o Cristo derramando o meu sangue". Deus abençoe você.
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.