[Música] tudo [Música] o nosso encontro e convidamos para sentar se à mesa e fazer uso da palavra o professor o piano bezerra de menezes que em seguida nos presenteará com a conferência intitulada o dever de memória direito ao esquecimento e dever de história no campo dos museus agradecemos também à regina angélica só será mesmo obrigado muito bom dia queria dividir a alegria deste dia com todos os presentes amigos colegas de museu e fora dele familiares dela diz a toda hora de vencer aqui presente isso começa claro por isso treinar melhor os meus agradecimentos como vivos
ao sistema estadual de museus ea secretaria de cultura do estado pela concessão da memória valdiza anúncio camargo guarnieri eu sempre tive receio de indagar meus méritos pois acredito que nunca se faz o que se poderia e mesmo o que deveria ser feito não ignoro meus espaços vazios que no entanto no currículo lattes que vocês acabaram de ouvir está estão preenchidos mas é bom lembrar que o currículo lattes um cartão de visita para garantir emprego mas é o mesmo reconheço um mérito a paixão pelo mundo dos museus quando a 61 a 58 anos o vírus se
instalou em mim ainda estudante e este vírus que hospedei definitivamente no meu organismo nunca me abandonou nas várias áreas do mt e como esta medalha tem nome sobrenome deusser duas palavrinhas sobre valdiza somos da mesma geração e fui testemunha de sua ampla e fecunda trajetória e da enorme e inovadora atividade que resultaram de que resultaram tantos benefícios inscritos docência administração e sobretudo uma militância onipresente onipresente em prol do museu e da museologia ela desabrochou profissionalmente no momento em que no brasil os museus estavam num processo de se repensar e buscar definir seu papel social no
que era deixou marcas profundas por isso se já receber uma de uma medalha é gratificante receber a medalha com o nome de valdivia e além do mais ser o primeiro receptor é uma honra especial mais do que eu poderia imaginar e que divido com todos aqueles que tiveram a alegria de conviver com valdiza muitos dos quais estão aqui presentes fica ainda muito muito mais obrigado por essa razão e termina esta parte introdutória dizer que o prazer de estar aqui no memorial é ainda maior porque se associa à minha memória de convivência com valdiza em 1990
ano da sua morte ela me convidou para abrir um seminário latino americano aqui mesmo como se vê aquilo que esteve junto permanece junto ainda que de maneira simbólicas e agora passo a discorrer sobre o tema que me propus o tema deste encontro é de grande relevância gestão e governança mas não vou discorrer sobre ele no entanto se entende como governança necessidade da abertura das instituições para uma gestão com participação da comunidade meu tema que envolve o tratamento de comunidades de memória no museu tem alguma proximidade e pertinência porém minha motivação maior para falar sobre memória
dever de memória direito ao esquecimento é que estes últimos tempos têm-se multiplicado de forma extraordinária entre nós principalmente na internet um texto sobre memória e museus de todos os tipos em forks destinatário se o nível de rigor oscilante alguns excelentes outros que pouco acrescenta o conhecimento do tema pela generalidade com que torna toma o conceito de memória suas derivações de sua presença no museu daí sem querer dar lições mas desejando partilhar reflexões que há tempos a memória vem de mim exigindo optei por falar de memória de problemas da memória traumática um espaço museal devo dizer
que como minha memória pessoal anda falhando nesses últimos tempos e resolvi me aprofundar no estudo da questão da memória mas não individual a memória social a memória tem passado e presente a memória tem história que não há como expor aqui mas o que pode ser previamente exposto é aquilo que julgo serem extratos na história da pesquisa sobre a memória que coincidem com o funcionamento dela no seio da sociedade grosso modo os primeiros estudos modernos da virada do século 19 com a filosofia psicologia cuidavam de entender os era humano na sua faculdade de rememorar depois transferida
para as dimensões sociais o foco é seguir orienta seus conteúdos da memória e seus significados no correr do século 20 a antropologia à sociologia a história assumir o comando no estudo das ideologias que a memória carnaval finalmente do último quartel do século passado em diante o caráter pragmático da memória e dominante de instrumento de conhecimento há critério ético e poderosa arma de reivindicação e ação política é agora submetida ao crivo multivariado de disciplinas nesse quadro é que se situa a memória traumática que nos interessa antes disso porém alguns temas chave baliza o nosso campo saliento
os mais pertinentes comecemos pela anésia fala se muito de memória mas pouco se conhece do esquecimento ora memória e esquecimento são faces de um mesmo processo não é nenhuma novidade dizer que a memória é o mecanismo de esquecimento controlado seletivo mas a amnésia social ainda é terreno a ser explorado normalmente no campo dos museus pouco no entorno da universidade de cambridge autor de um livro sobre como a morder modernidade esquece no estudo de tipos de esquecimento começa dizendo que muito do debate sobre a memória cultural foi moldado pela visão comum se não universal de que
lembrar e comemorar é considerado uma virtude e que esquecer é necessariamente uma falha mas esta afirmação não é alto evidente completa ele assim para demonstrar a complexidade do tema propõe ou menos sete tipos designados pelo mesmo verbo e esquecer o apagamento repressivo que é o poder que abafa a memória quando poderá barra memória como das ditaduras o esquecimento prescritivo por pressão da sociedade o esquecimento que é constitutivo da fama de uma nova identidade quando os ganhos submissão às perdas como ocorre com os imigrantes a amnésia estrutural submetidas hierarquias da sociedade o esquecimento como anulação o
saturação o esquecimento como obsolecência planejada típica do sistema capitalista de consumo o esquecimento como silêncio humilhado aquele acontecimentos vergonhosos ou constrangedores como se vê o cardápio é extremamente variado e ignorá lo leva as simplificações deformantes outro conceito chave muito famoso é o de memória coletiva furado com sucesso por morri salvar nos inícios do século 20 tem sido agora têm tido agora sua própria existência negada com certa freqüência assim um reputado historiador alemão ainda kozelek somente aceita capacidade individual neurofisiológica como memória propriamente dita no mais se ter apenas metáforas para encobrir interesses políticos e instrumentalização ideológica
ela a memória social seria um mito político memória coletiva seria um mito político então uma narrativa sobre o passado de uma comunidade composta de eventos altamente seletivos historicamente a curados ou não e dispondo da capacidade de mobilizar emoções e geraram modificar atitudes entre os membros dessa mesma comunidade penso que não precisamos ser tão radicalmente rigorosos como kozelek pois a motivação política e ideológica implícita ou explícita não torna ilegítimo compartilhamento de narrativas quando elas contam com elementos para resistir acredito que histórica e sociológica podemos sim aceitar a memória coletiva como realidade social mas é claro que
devemos sempre submetê-la a procedimentos críticos sempre seja como for as práticas da memória coletiva tornam mais complexa sua análise quando se observa os avanços da privatização da memória parece contraditório que se manifesta no campo dos monumentos mil reais por exemplo que é o que nos interessa o monumento memorial é um dos precursores do museu memorial o caso do memorial dos veteranos de guerra do vietnã em washington ilumina excelentemente tal situação o projeto original do governo as discussões no congresso americano deixaram claro objetivo de legitimar a aventura militar na ásia e fechar as feridas de uma
guerra e nokia e sangrenta fazendo instalar uma imagem escultórica com a tradicional linguagem eroica figurativa intervém contudo outros agentes as famílias e os próprios veteranos em busca de compensação compensação das perdas afetivas e de um sentido para seus sofrimentos a solução em 1983 longe de homologar a interpretação oficial dispensou qualquer figuração e fez construir dois paredões de mármore negro que se encontram em ver inscritos com o nome de cada soldado morto quase 60 mil naquela superfície perfeitamente espelhada capaz de refletir a imagem de cada observador que passa assim a integrar como indivíduo conjunto o momento
se propõe então como espaço de atração de manifestações subjetivas o trabalho de luta das pessoas envolvidas sem atender aos interesses do estado ainda que às custas de exibir uma nação não de heróis mas de vítimas a subjetivação do monumento ea privação da memória chegou a assumir uma dimensão performática como ocorre em alta escala na obra de honra e estes gadgets em rabo porque é um distrito de hamburgo na alemanha em 1986 mais uma vez o que solicitava era algo destinado a espiar publicamente desculpas do povo alemão em relação o nazismo os artistas construir uma placa
de alumínio recoberto de chumbo com 12 metros de altura numa praça em que é o centro um orifício de também 12 metros de profundidade servia de bainha para o obelisco em sua superfície os habitantes deixavam gravadas com estilete metálicos suas mensagens pessoais à medida que esta superfície era grafitada enterradas e obelisco na bainha até que ele desapareceu por completo em 1930 e 93 a seguir a abertura foi tamponada com uma placa de pedra como uma lápide funerária na aparência o monumento situado num espaço público desempenhado seu papel tradicional contudo sua verdadeira função era subjetiva vários
sentimentos que ele pudesse invocar sem lhes dar qualquer publicidade a eliminação física é o ácido ante o monumento que se realiza ao se tornar invisível mas a carga subjetiva que ele se agregou que a ele se agregou precisa seguir o mesmo destino instaura se assim certa ambigüidade ao mesmo tempo que a participação do sujeito é um fator de temor crat zação de politização é no nível individual que isto se dá expondo secretamente fraturas da sociedade introduzindo risco do individualismo no coletivo e outra vertente proliferam conceitos novos ou renovados exemplo a memória vicária vice designar um
substituto ficar yule galho é o substituto de cristo na terra e memória vicária é uma memória substituta de segunda categoria está analisada e objetivado como nos lugares de memória lugar de memória expressão criada pelo historiador francês pierre no rat e hoje vulgariza disse ma para designar uma memória vicária portanto inferior à do que ele mesmo chama ambientes de memória esta sim como experiência em curso vivida e compartilhada subjetiva agora sobrevivente apenas em bolsões culturais a memória protética é parte da vitória é produzida fora do sujeito em parte derivada da indústria cultural e das pressões midiáticas
não é fruto da experiência vivida mas de ofertas e escolhas pessoais e agora podemos passar memória traumática memória traumática é fácil de maior força em nossos tempos herança de conflitos e violências que assolaram século passado em visão não desapareceu neste é claro devemos contar também os desastres naturais o trama cultural é aqui tomado na linha de nylon a legenda como a memória aceita por uma comunidade e evocando eventual situação carregada de afeto negativo tida como indelével ou ameaçando os seus valores e à margem de uma compreensão mínima com a memória traumática surgiram novos agentes no
cenário memorial e também conceitos foram formulados ou reciclados como a memória transgéneras ional que assumo significados à medida que atravessa gerações a paz memória a memória de segunda mão não vivida mas absorvida como própria no âmbito familiar a memória ausente existentes mas é impedida de circular pelas convenções sociais a memória é silente a memória do corpo da testemunha em capaz de proferir palavras mas expressando na sua imobilização a escala do ocorrido a paisagem de mônica as famosas memories caps testemunho dos espaços configurando chamados sítios de consciência etc etc nesse quadro agitado é que se desenvolverá
um debate acirrado ainda hoje em aberto o conflito entre o dever de lembrar que o direito de esquecer a questão fundamental é colocada é colocada por frente é possível a memória justo o que quando e como é mais legítimo reabrir as feridas ou dar a volta por cima por certo não tem a menor pretensão de encerrar o debate dizendo a última palavra por isso se retomar argumentos de cada lado respeitáveis imagino que possa haver consenso ao menos nas seguintes proposições primeiro crimes contra a humanidade não são prescritíveis não podem ser esquecidos o esquecimento sem justiça
o esquecimento injustiça afeta não só o presente mais o futuro segundo o direito à memória não pode sofrer qualquer restrição inclui o acesso do interessado à documentação investigações 3º o trabalho da memória destinasse - a proferir sentenças do que providenciar um espaço convencional e de pleno conhecimento quarto deve conceder espaço a um direito a compaixão quinto finalmente a um direito a história ao conhecimento das raízes dos traumas e seus efeitos é preciso dizer algo sobre museus ea memória traumática que ele traça com boa informação verdadeiro boom dos museus memoriais após os anos 1980 precedidos pelos
museus de guerra apple o elenco não por acaso o holocausto forneceu paradigmas que podem ser observados nos museus mais importantes da espécie berlim jerusalém e o assunto o brasil não registrou uma explosão semelhante à de outros países embora contemos com alguns deles em muitos projetos para ser museu da escravidão da inquisição da delegacia da rua da relação no rio de janeiro também se você se mencionam várias exposições não tenciono absolutamente analisar nosso panorama no entanto gostaria de prestar minha homenagem ao memorial da resistência aqui em são paulo o primeiro a inaugurar no país em 2009
e por seus vários méritos faz jus ao reconhecimento e visitação janken ferraz em frutos de um estudo importante sobre o desafio da representação do holocausto em museus tendo como foco é seus têrmos seus três principais representantes o yad vashem em jerusalém o museu judaico de berlim eo museu memorial americano do holocausto em washington e sua análise possa inferir algumas marcas que esses museus deixaram em nosso campo antes de mais nada atender e inevitavelmente a interesses políticos nacionais específicos israel com uma ideologia sionista redentora a volta ao lar depois de um exílio de sofrimento na alemanha
o melhor depois de um dia de sofrimento já na alemanha a purgação pelo passado sombrio nos estados unidos a celebração da solidariedade como componente dos valores civis da democracia americana por exemplo naturalmente mas é louvável a força com que conseguiram responder não só às demandas de comunidades particulares mas anseia universais de justiça e paz a monografia por seu turno aciona o extremo potencial emotivo dos museus ea própria arquitetura se converte em peça introdutória do ethos de cada um deles esse caráter extrema é claro abre margem para infiltração infiltrações ideológicas hora e merz ãos em imersão
representa sempre um perigo no museu no entanto deve conceder um desconto ao caráter extremado do próprio tema no caso o holocausto mas para ilustrar as estratégias emocionais basta uma mostra em och tom a pilha de sapatos sapatos comuns velhos gastos desaparelhadas e amontoados trazidos das pilhas de roupas dos judeus sacrificados nos campos de concentração nazistas de cho free permite que o abstrato se torne concreto o evento e seu contexto são assimiladas intelectualmente tanto quanto absorvidos pelos sentidos empiricamente mente e corpo integrados o museu sempre se soube dentre suas principais aptidões a de articular o cognitivo
afetivo o que aumenta exponencialmente a eficácia de sua atuação afeto e emoção são palavras que participam do mesmo campo semântico associado a um movimento como viram eu fiz letras clássicas há de facto vende a de fazer e girar tocar e mostra se conecta a e motos do verbo governo em mover portanto museu tenho com deus não apenas de dar a conhecer informar educar e 777 mas demover os indivíduos tocá-los empurra luz o periódico muse - o site de 2016 decidiu dedicar um número inteiro especial as estratégias emocionais de exposições mundiais considerou tratar-se de um campo
novo de investigação desenvolvido pelo museu do holocausto agosto a imaginação a experiência ea empatia mas emoção que apenas gratificada rené guerra sua genealogia e tecnológica é preciso também fornecer combustível para atitudes e ações transformadoras resta dizer que com estas estratégias dos museu do holocausto permitiram superar o impasse que já produziu muita discussão o da figura habilidade ou não desse evento monstruoso fora de qualquer parâmetro acredita que o museu tem encontrado assim palavras expositivas para dizer o indizível exprimir outros eventos e processos marcados pelo sofrimento após este amplo horizonte que acaba de apresentar muito variado e
talvez excessivamente comprimido posso propor 5 reflexões sobre as questões que parecem cruciais relativas a um tratamento mais adequado da memória traumática no museu a primeira delas é a seguinte museu é tribunal em contexto absolutamente semelhante ao de museus a pergunta foi dirigida a história portuguesa eles em 2005 com a ascensão mundial do historiador é um espaço público se fala em história pública no final dos anos 1980 ele começa a ser chamado como perito e até mesmo como testemunha em comissões de verdade e reconciliação um processo de crimes contra a humanidade em comissões para parlamentares de
inquérito etc etc não me parece que entre as funções privilegiadas da história do museu esteja de proferir vereditos prefiro investir no seu extraordinário potencial de projetar luz que permita o entendimento tendimento no duplo sentido da palavra o sociólogo carlos mendes apresentando museu da resistência de colonialista de tarrafal cabo verde cita elizabeth reding socióloga argentina que estudou a memória da repressão política em seu país num belo texto sobre vítimas familiares de cidadãos quando ela fala da necessidade de um mecanismo de ampliação do compromisso social com memória como forma de trazer para a tela de reflexão o
processo de interpretação e de ressignificação do sentido das experiências transmitidas nessa linha antes que o tribunal creio que o museu deveria ser um espaço de reflexão crítica e formação da consciência histórica não se trata apenas de aprofundar informações ainda que precisa sobre o passado para traçar nossas heranças presentes mas é adquirir a capacidade de dizer naturalizar o passado para também desnaturalizar o presente claro que não exclui os desastres naturais pois nem as fatalidades são externas à agência humana nas reacções que provocam desnaturalizar significa que se convencer de que os processos e eventos históricos não são
fatalidades mas fruto dentro das circunstâncias dos interesses em causa a consciência histórica é a percepção por exemplo de que a dominação do homem pela mulher dos negros pelos brancos ou dos fracos pelos fortes não são um fato derivado da natureza mas de vantagens consciente ou inconscientemente jogo e que se legitima como se fossem naturais para resumir consciência histórica é o entendimento de nossa responsabilidade como sujeito da história a memória histórica no museu precisa ser múltipla abranger todas as direções que compõem os quadros conflituosos que há exemplos desse tratamento é sinal da extensão das possibilidades do
trabalho museal um desses casos que minha cara se refere à irlanda do norte do tempo da verdadeira guerra civil travada na segunda metade do século passado entre protestantes e católicos é postulando laços seja com a grã bretanha seja com a república da irlanda o museu da cidade de derby na irlanda do norte o calor museum compreendeu como relata deu magar que não era sua missão como instituição pública numa comunidade dividida tomar partido ou então ser simplesmente um museu da paz que enfatizasse as semelhanças e experiências comuns escamoteando usando ter ganho os antagonismos a decisão foi
sim fornecer as comunidades a de que aquilo de que elas não dispunham distância para considerar o quadro todo das experiências vividas mais precisamente o museu deveria produzir perspectivas e contexto global a exposição história dividida cidade dividida foi nesse iniciativa honesta e corajosa que permitiu expor expor quer no sentido de tornar visível quer do não disfarçar sua vulnerabilidade expor a história mitificada de ambos os adversários registrando versões alternativas e permitindo comparação e análise a mostra provocou muita discussão mas não foi rejeitada por nenhuma das comunidades em contenda o museu funcionaria assim como necessário espaço de confronto
sem dominação numa sociedade tão fragmentada como a nossa a acreditar que o museu tem vocação de espaços de contraponto leva uma outra preferência que não me canso de explicitar mas vai o museu como lugar de perguntas do que respostas um dos meus sonhos museais é que somos que possamos ter um dia o museu da guerra do paraguai no modelo de deve talvez em itaipu na tríplice fronteira sem excluir o uruguai com a participação do paraguai dos adversários na tríplice aliança brasil argentina e uruguai e por falar em sonning gamer cavalo escrever um livro intitulado espaço
de sonho memória e museu no qual sustenta que espaços de sonhos são o ponto em que nossas experiências interiores e exteriores se mescla a um tipo de história que vem se desenvolvendo nestes últimos tempos e que se adapta magnificamente essa intenção de explorar a dimensão da experiência vivida no museu e fora dele é a história fenomenológica da vicar numa obra dedicada à história como experiência propõe que não se pergunte o que a história quanto se questione a história como um fenômeno e se investigue a experiência do histórico como a história se apresenta diante de nós
como ela entra em nossas vidas e quais as formas de experiência em que ela assim age em suma para responder à pergunta inicial não vale a pena museu assumir-se como o tribunal mas vai aproximar-se das comissões de verdade e reconciliação cuja matriz de sucesso é a da áfrica do sul pós-apartheid instaurado em 1995 já missão de justiça em tribunal foi construir pelo conhecimento e pelas confissões de culpa uma ponte histórica entre passado de uma sociedade profundamente dividida e um futuro fundado sobre o reconhecimento dos direitos do homem e sobre a democracia não se trata porém
de uma panacéia universal é a segunda recomendação o museu deve problematiza a memória problematiza não é o contrário de simplificar nem quer dizer multiplicar obstáculos mas é responder às necessidades dir além da enganador aparência simples das coisas problematizar é respeitar a contingência do mundo real o museu problematiza sendo museu crítico se lembrarmos a raiz da palavra crítica e de sua família discernir discernimento concernir crise veremos que a matriz semântica em grego é peneiração filtragem de extinção de componentes quebra do que aparenta ser o monobloco crise por exemplo significa sim um momento crucial que está a
exigir escolhas formar a consciência crítica uma das extraordinárias possibilidades do museu é portanto formar para escolhas próprias daí a necessidade problematiza a memória problematiza a memória do trauma isto significa antes de mais nada que tanta memória como aliás a cultura quanto enfim as comunidades de vitórias não são fenômenos ou entidades homogêneas pré-definidas estáticas no seu próprio interior são complexos em processo de transformação permanente ao sabor dos interesses humanos e das forças atuantes nos contextos em conseqüência os maniqueístas as batalhas entre os bons e os maus não são um caminho aconselhável problematiza significa também forçosamente inserir
a memória em seus contextos um exemplo apenas para ilustrar na memória traumática temos um quadro variados de autores com centralidade nas vítimas tal centralidade se explica pela empatia e compaixão pela dor e sofrimento mas muitas vezes infantiliza as vítimas e lhes nega o plano da resistência o plano de sujeito da história aquele que haja ainda que só no plano da resistência além disso posso citar uma recomendação explícita do guia da rede europeia de memória solidariedade de tratar todas as figuras em cena como indivíduos a fim de evitar estereótipos que poderiam ser aplicados a comunidades inteiras
mas eu acrescentaria a necessidade de incluir no cenário os próprios estereótipos precisamente para tratá los como estereótipos parte do contexto isto realça a necessidade dos municípios em busca das raízes e das três vitórias dos traumas e seus efeitos e consequências então e agora afinal como falava brest do rio que tudo arrasta se diz que é violento mas ninguém desviou lentas as margens que o comprimem a preocupação com as margens no nosso caso o quadro complexo das articulações de força várias na construção social de regimes autoritários e ditatoriais fundaç relações entre estado e sociedade em geral
têm gerado revisões históricas na alemanha a frança é a américa latina no brasil é preciso realçar foi quando o esforço do programa de história e memória das ditaduras do século 20 da universidade federal fluminense que vem produzindo desde o começo de nosso século uma história menos maniqueísta mas critica melhor informada e por isso apto a levantar o véu sobre a participação consistente interessada de vários setores da nossa sociedade civil cuja apoiou pressão foi relevante concluiu contribuiu para sua duração por longos 21 anos o historiador daniel reis não hesita em falar de ditadura civil-militar a presença
de contextos também têm peso importante para inteligibilidade maior quando se consideram os começos dos eventos ou processos traumáticos freqüentemente nada ferozes mas sim mansos e pequeninos mas que vão se retroalimentando pouco a pouco se insuflando de ideologias e por sua vez fortalecendo-as até que pela repetição se chega no cotidiano aquele nível de indiferença que é a porta aberta para a consolidação da violência sem limites quarta sugestão a responsabilidade do museu não se limita às comunidades de memória se como já afirmamos o direito à memória moralmente imprescritível seria um disparate impedir seu exercício dos memoriais das
chamadas comunidades de memória mesmo nos museus museus públicos que trabalham com a memória das transgressões aos direitos humanos às comunidades da memória diretamente envolvidas devem merecer toda a atenção mas não podem ser consideradas com exclusividade a natureza específica das violações dos direitos humanos deve ter caráter universal já o próprio código de ética proposto por antónio debates que é o teórico de uma história responsável recomenda que o historiador e isto pode ser extensivo integralmente a seu parceiro de todas as horas museólogo que sua orientação seja universalista isto é que sua produção não seja limitada pela audiência
direta em causa mas tem alcance em aberto a propósito estudos da consciência sobre a consciência do holocausto nos estados unidos tal diálise está em relatam a trajetória que se concentrem inicialmente por muito tempo apenas nos sobreviventes e seus filhos o trauma é um assunto de memória privada e o trabalho de luto gerado em torno da dor pessoal quando a segunda geração da família atingir a idade adulta coincidindo com as políticas dos direitos civis dos anos 50 e seguintes luta assume tom e identitário que se projeta sobre o nível da nação mais tarde principalmente após o
julgamento do carrasco nazista a dor a china em 1961 os direitos humanos se torna referência principal e os crimes da espécie ganha status é ético de universalidade ea temporalidade isso me permite concluir que o desejável tratar cada caso com a dignidade que merece mas projetá lo num espaço sem hierarquias o da violência em qualquer escala penúltima recomendação não descartar o cotidiano no campo da memória insisto no cotidiano os lugares de tortura são lugares de refúgio santuários das fidelidades espontâneas e das peregrinações do silêncio é o coração vivo da memória lugares marcados pelo sofrimento podem transformar
se em lugares de peregrinação bafejados pelo sagrado quem escreve estas palavras é pior no rat e house angry 3d completa são lugares de peregrinação e ritos de passagem totalmente de acordo com efeito o sagrado sempre implica a noção de unidade coisa à outra radicalmente diversa do profano que por sua natureza e transcendência ultrapassa a capacidade de entendimento mas é preciso que a memória da dor não escape o universo dos homens no cotidiano porque a ele a ele que cabem a eles que cabem às responsabilidades por outro lado quando hannah arendt durante o mencionado julgamento de
acham se espantou com a banalidade do mal na identificação de um caráter quase burocrático de uma perversa atuação cotidiana nos campos de concentração nazistas recebeu muitas críticas mas ela não estava analisando o holocausto minimizando sua significação e sim detectando como a maldade extrema tinha fixado residência no dia-a-dia dos perpetradores a ponto dele sem botar qualquer sensibilidade moral qualquer resquício de sentimento humanitário transformando os zelosos funcionários públicos o mal se tornou um companheiro fiel da indiferença do cotidiano wilson também o heroísmo também deve ser tratado com moderação o herói por vocação destine meta é figurantes das
epopéias que da vida real o heroísmo é uma mistura de qualidades humanas e suas circunstâncias realizando-se nos atos heróicos certamente deve ser valorizado mas não como realidade extra humana fora do alcance responsabilidade dos homens como um comuns como nós mas sim como virtudes de força solidariedade firmeza senso humanitário que valeria a pena se povoá sem nosso cotidiano infelizmente numa sociedade como a nossa tão desigual em que o cotidiano se submete à lei de gerson aquela que diz que é preciso tirar proveito de tudo precisamos também valorizar o heroísmo na vida cotidiana como critério tratar o
heroísmo como apenas excepcionalidade tem seus riscos sobretudo e meio midiático uma notícia recente cima publicada na folha do dia 12 permite refletir sobre os desvios da memória e celebração do campo dos museus a tailândia anunciou que o complexo de cavernas onde 12 meninos e o treinador do time de futebol javali selvagem selvagens estiveram presos por 18 dias será transformado em um museu dedicado ao resgate claro que celebrará um resgate que pelas suas circunstâncias e esforço extraordinário exigido atraiu a atenção mundial eo voluntariado nacional internacional e merece ser comemorado mas além da musealização de cada feito
extraordinário trazer o risco da tribalização e da substituição do mundo concreto pelo simbólico é preciso questionar as motivações informa nada um saque ou sotana korn líder da operação de resgate em suas palavras essa área vai se tornar o museu vivo para mostrar como foi a operação uma base de dados e interativa será criada e essa será uma grande atração turística para a tailândia esse desvio midiático para atrair visitação externa como meta deixa de lado a comunidade local e nacional não turística cujo cotidiano poderia ser ligado pelos valores que o fato em serra é um exemplo
do idoso de memória imediata quase criadas simultaneamente pelo fato midiático última recomendação a memória não deve prevalecer sobre a justiça há três tipos principais de demandas correta correntemente associadas aos climas aos crimes de massa contra os direitos humanos justiça reparações memória entre nós as demandas de reparações materiais e morais identitárias de reconhecimento ou financeiras costumam ser atendidas em comissões de verdade em tribunais e outros órgãos governamentais nos casos que puderam ser investigados de notar que cada vez mais se reconhece que dizer a verdade pode ser em cima modalidade essencial de reparação como propõe rega o
oca já as demandas de justiça se defrontam com dois tipos de obstáculo maior de todos é quanto à punição de culpados destoando da norma em outros países o brasil no brasil porém a lei da anistia de 1979 a tradição da acomodação de bastidores trouxe garantias de impunidade ainda que desrespeitando convenções internacionais que o país assinou sobre a não prescrição de crimes contra a humanidade uma espessa cortina de hipocrisia vai até impedir condenações alvo temos possibilidades como ações declaratórias da condição de torturador a fragilidade do pato pacto político reduziu de muito a atuação da comissão nacional
da verdade criada em 2012 se o segundo obstáculo é o acesso à documentação à comissão nacional de verdade apesar de esforços valorosos pouco conseguiu dentro do contexto político em que agiu basta dizer que além da queima de arquivos governamentais nem mesmo mediante decisão do stf de 2006 determinando acesso aos arquivos da justiça militar fosse um fã foi cumprida até sua reiteração e 16 de abril do ano passado notícia alvissareira embora tardia vem do ministério do trabalho que recentemente abriu seus arquivos é um grupo criado para estudar os abusos do estado entre 1956 e 88 na
área trabalhista e sindical assim das demandas restou à memória o que traz o risco de trocarmos justiça por memória a memória está longe de ser pouca coisa mas fica a fermentação de mais um passado que não passa como tantos outros passados dolorosos nossos o luto que não se completa e que pode degenerar em ressentimento provocando melancolia que como foi a de explicar à deriva da dor sempre revisitada num colóquio de 1987 sobre uso do esquecimento realizado em roma na frança dizeres reporta uma pesquisa feita pelo jornal el mundo a propósito do julgamento do carrasco nazista
klaus pab o resultado perdeu decididamente para a justiça o que levou o historiador a se perguntar acaso o antônimo de esquecimento não seria justiça ao invés da memória se o museu quiser respeitar o dever de justiça no brasil precisamos ir além deles do dever de memória ou melhor inserir a memória específica de um trauma num quadro de violência endêmica que aqui agora vi seja no brasil mas que têm suas matrizes numa história mais profunda na sociedade brasileira tirando as ilhas de solidariedade geral nas camadas mais baixas é uma sociedade violenta na sua formação que mesclou
escravidão negra genocídio indígena e autoritarismo generalizado e no seu desenvolvimento até hoje somos um povo cordial apenas no sentido dado por sérgio buarque de holanda na preferência de agir pelo coração quando deveremos agir pelas obrigações isto é negamos a justiça a quem não faz parte de nossos afetos daí os preconceitos raciais religiosos de gênero contra minorias e assim por diante a tortura não foi exclusiva dos anos de chumbo das duas ditaduras do século passado ela é de rigor com as exceções de praxe nas delegacias e prisões na apropriação das terras indígenas no desmatamento nas guerras
de quadrilhas e nas crescentes manifestações da violência urbana e o que dizia da violência doméstica no trabalho infantil nas violações dos direitos trabalhistas hoje não há condições da política como o debate aqui a utopia do agir comunicativo de que fala árabe mas nem nas redes sociais onde o ódio venceu nenhum por isso além de denunciar as enormidades da violência no passado os museus comprometidos com os direitos humanos precisam assumir se como faróis que iluminam também a violência de hoje e também a violência cotidiana e também a violência em qualquer modalidade e escala não será necessário
para tanto transformação num panfleto encenado como uma enciclopédia de pequenos verbetes nenhum prolixo mercado de quinquilharias estou falando de uma atitude que deve presidir no que for pertinente ao tratamento específico de cada caso individual dado para que não pareça autônomo mas que possa ser direcionado para seu quadro mais amplo de referências o senegalês do diane presidente a coalizão nacional de sítios de consciência vinculada ao risco numa entrevista recente em são paulo se perguntou é suficiente envie e visitar os museus da ditadura construídos em homenagem às suas vítimas não é suficiente então nós promovemos o trabalho
criativo da memória que não trata do assunto apenas para ser lembrado mas a utiliza para transformação do presente não esquecendo que aconteceu mas conectando o passado ao presente eu apenas completo completaria lembrando que o défice que o que deve ser combatido a começar pela nossa vida cotidiana é a violência repito de qualquer tipo qualquer dose o museu com efeito não basta para eliminar a violência nem a o que tem esse poder no entanto ele tenha especial capacidade de tornar presente a violência seja violência maior escancarada seja a violência doméstica enrustida no museu a violência não
seria mais uma noção abstrata é coisa concreta sensível aprendida com os nossos sentidos pelo nosso corpo e pela nossa gente o museu pode ser sim um farol que mantém em circulação que pode nos passar despercebido do nosso cotidiano esse farol não faz o caminho nós mas o lumina aqueles caminhos que podemos percorrer obrigado [Aplausos] [Música] [Música]