As narrativas compartilhadas têm o prazer de continuar com Raquel Bruna Enxugo, que agora vai contar um pouquinho a respeito da experiência dela com um nicho das atividades teatrais durante a 5ª a 8ª série. Não é isso que aconteceu? Essa professora me inspirou muito.
Nós chamávamos ela de Claudinha, e ela tinha uma visão da literatura que era apaixonante. Então, ela lia algum poema e dizia que alguém tinha que ver o final; era lindo. Eu achava maravilhoso, né?
E ela propôs uma atividade sobre Vinícius de Moraes, né? Que a gente pudesse apresentar para os alunos mais jovens algumas obras de Vinícius de Moraes, tanto as poesias quanto as coisas que foram musicadas. Então, reunimos um grupo de jovens que estavam interessados — não foram todos — e a gente apresentou.
Cada um se inscreveu numa poesia. Nós ensaiamos a música de uma forma que todo mundo pudesse cantar, e eu usei a poesia, né? E aí nós entrávamos nas salas já declamando, vestidos de uma maneira poética.
Entrávamos, reclamávamos, e os meninos que tocavam violão acompanhavam com violão e cantavam junto. Foi um momento muito mágico da minha trajetória escolar, com certeza. Inclusive, um momento que eu nunca vou esquecer da Claudinha.
Eu tinha uma perspectiva sobre a poesia e falei: "Quero declamar essa poesia por causa disso. " Ela disse: "Não, eu acho que é o oposto do que você acreditava. " Então, esses debates que aconteciam, né?
Batendo no sentido da poesia, o que ela representava para cada um de nós, foi muito mágico. Então, a construção vai. .
. Esse momento foi interessante, e o resultado final foi maravilhoso. Isso da 5ª à 8ª série e no ensino médio aconteceu também uma atividade no ensino médio, dentro da escola.
É um número um, tantas produções teatrais e artísticas muito significativas. Mas fora do ensino médio, na época ainda existia a Oficina Cultural Grande Otelo no Fórum Velho, em Sorocaba, e eu bati a carteirinha lá. Eu participava de todas as atividades que eu consegui, né?
Bati horário nas que me interessavam, mas atividades: cursos de fotografia, cursos de filosofia, de artes, cinema. . .
Eu frequentava muito aqueles espaços e, nele, desenvolvi uma paixão pela arte, pela filosofia, pela fotografia, que permeiam até hoje muitas questões. Eu acredito que hoje eu sei graças a esta formação que eu tive fora da sala de aula. Não precisa da Grande Otelo, da Casa da Cultura de Sorocaba, reta agora.
E vocês também não faziam uma atividade que ia entrar na sala, se não falavam um poema, mas também não realizamos nenhum tipo de atividade. O meu ensino médio foi muito voltado para passar no vestibular, né? E eu tinha a questão do intercâmbio, né?
Uma das exigências da minha mãe era que eu não ficasse em recuperação no Rio de Janeiro. Então, durante o ensino médio, fiquei um pouco mais centrada, mas acho que, como existe essa cultura do vestibular no Brasil, durante o ensino médio, infelizmente, algumas questões sensíveis artísticas talvez fiquem um pouco de lado. Mas você chegou a escrever bem.
Durante o ensino médio, eu tinha um caderninho, um Moleskine, né? Uma marca de caderninho, e eu andava com esse Moleskine para cima e para baixo. Muitas vezes, durante uma aula em que eu não estava conseguindo focar, eu abria meu Moleskine, escrevia, fazia colagens, pinturas, desenhos.
Ele me acompanhou durante todo o ensino médio, meu melhor amigo. Como você chegou em Letras? Eu cheguei em Letras durante o ensino médio.
Meu último ano, terceiro ano, fui morar nos Estados Unidos, terminei o terceiro ano lá e, quando voltei, não sabia muito o que fazer, estava perdida. Mas eu queria começar a trabalhar; eu queria começar a ganhar meu dinheiro, também, independência financeira. E eu não queria perder tudo aquilo que eu tinha adquirido, né?
Nesse um ano por causa de influência. Então, eu comecei a dar aula de inglês numa escola de idiomas e tinha essa questão de não querer seguir a profissão que a minha família tinha, né? Com uma vem cortado essa trajetória.
Mas eu me apaixonei! Minha primeira aula, cheguei em casa e falei: "Mãe, eu me apaixonei, que delícia! Meus alunos foram super bacanas!
" E aí eu fui seguindo, fiz um período de cursinho e continuei dando aula. E, na escolha do curso, Frei, não é? Coloquei na balança: "Bom, já que eu dou aula de inglês, estou me sentindo realizada nessa profissão, vou cursar Letras.
" Aí foi que eu entrei no curso e iniciei uma nova trajetória da minha vida. Acho que resgatei e tomei novas paixões, desenvolvi novas paixões, né? Foi uma trajetória.
. . Por exemplo, literatura, eu acho que é nesse tempo de dar aula de inglês.
Até então, eu acreditava que a minha trajetória seria dentro do ensino da língua inglesa, né? Eu comecei a fazer Letras por causa do inglês. Quando entrei na faculdade, eu resgatei essa coisa do meu passado, que era essa paixão pela literatura, através dos exercícios teatrais, né?
Através das leituras e da paixão também que os professores passavam, eu resgatei essa minha questão com a literatura e me apaixonei pela língua portuguesa também, que era algo que eu não tinha muito bem claro. Me apaixonei pelo processo da comunicação, da linguagem. Então, durante a faculdade, eu encontrei novos olhares e consegui voltar a me apaixonar por literatura.
Quando tirei. . .
segui como professor de inglês, mas cada vez mais integrando o pessoal. Você falou que tinha atividades que vocês faziam em alguns componentes. O que era?
Nos reunimos no seu ônibus em grupos e desenvolvemos, por exemplo, uma peça em prosa. Literária, essa inclina. Nós desenvolvemos um teatro, uma peça reunindo diversas poesias e contando uma narrativa através de seus versos.
Era a história de um casal em uma relação familiar conflituosa que ia sendo resolvida, e a gente ia contando essa narrativa através de trechos de poesias. Não te conheço como, e não era um terço pronto; vocês que criaram, ter-se eu colocar nos poemas. É isso que queríamos: texto, roteiro.
Fomos inserindo os poemas selecionados dentro desse contexto. Um exemplo durante um momento da peça: o casal estava questionando, um começou a reclamar dos filhos, a metê-los pelo não ter erros. Então, eram poesias que mudavam o tom, do início ao fim, arrependida.
Muito interessante também é a literatura inglesa, a literatura da língua inglesa. Nós desenvolvemos algumas apresentações de trabalho que acabavam sendo poéticas, trazendo um viés teatral. Tem problemas também; a peça de teatro de Shakespeare foi muito enriquecedora.
O trabalho teve mais alguma vantagem? Consigo contar com mais detalhes: foram essas, mas nos desenvolvemos várias narrativas. Eu recordo das que produzi, mas acho que uma que marcou bastante também foi aquela assistida na internet.
Você vai vir da pluralidade, do dom que cada um tem de dizer. Em determinado trabalho, dentro daquilo, né? Determinada função dentro da construção da peça, pessoas que desenvolveram cenários maravilhosos, que construíram textos maravilhosos.
Houve muito atrito e acho que a principal questão também nesses projetos foi a organização em grupo, né? A questão da liderança, porque nós professores somos livres dentro de uma sala de aula. Então foi muito importante.
Talvez, a partir de uma liderança que não foi tão boa, descobrimos quais foram as falhas; ou, se espalhar em uma liderança que foi maravilhosa. Olha, isso aconteceu sim! No primeiro grupo, eu ouvi um climão, né?
Porque as pessoas vão entrar em um acordo, e talvez as pessoas não tenham tanta voz do grupo. Já no segundo grupo teatral que a gente fez, em literatura infanto-juvenil, houve uma liderança maravilhosa de uma menina que dava voz aos participantes, questionava sempre, procurava saber se todos estavam de acordo. Então foi uma liderança maravilhosa e que gerou um resultado muito mais prazeroso de ser feito, né?
Mas o resultado final foi muito positivo. Eu acredito que é muito gostoso, né? Você ralar muito para algo e, no final, ver o resultado, que as pessoas gostaram.
Sempre foi muito. Você dá estilo de vida aos seus alunos, com certeza! E eu acho isso aquecedor, porque para que seja construída essa peça, é parte de uma perspectiva dos alunos, né?
Da leitura dos alunos, da interpretação dos alunos. Então, é muito mágico. E também porque eu acho que esse trabalho em grupo é extremamente importante, desenvolvido nesta faixa etária da criança e do adolescente, porque ele vai ser exigido durante a vida, para correr sozinho, né?
Você trabalha em conjunto, você vive em comunidade. Essas questões são trabalhadas dentro desse contexto do trabalho em grupos que a faculdade ou curso de Letras, por exemplo, com certeza tem a obrigação de nos fornecer, mas também precisa preparar para a vida, para o mercado de trabalho. Então isso foi uma questão que acredito que me desenvolveu como profissional e como ser humano, com certeza.
Certo, então, dentro disso, como você se sentiu ao terminar o curso de Letras? Olha, eu me senti muito realizada, muito emocionada com a minha formação. Acho que é uma sensação de dever cumprido, uma sensação de olhar para trás e ver que foi uma trajetória que conseguiu me apaixonar, trouxe o melhor de mim e, até hoje, faz com que eu acorde e vá trabalhar feliz.
Hoje, eu dou aula de inglês para a educação infantil e fundamental 1 e 2, além de português para o fundamental 2 e ensino médio. Durante todo o meu percurso da graduação, trabalhei como voluntária e ainda continuo trabalhando no cursinho pré-vestibular popular, chamado Liberdade, que acontece na escola Rafael Orsi. É um cursinho formado por professores da escola pública de bairros em Sorocaba.
Temos alunos mais velhos que já se formaram, mas que pretendem seguir carreira. Eu me sinto realizada de poder existir e é muito bom aqui! É muito bom a gente perceber que está gostando bastante do que se faz, né?
E sentindo-se muito feliz é muito importante. Então, agora, para finalizar, eu queria que você falasse alguma coisa que você sente que não falou e gostaria de falar. Olha, eu acho que eu tenho muito a agradecer à minha família por ter me incentivado, porque eu acho que ser professor não é uma profissão luxuosa, não é uma profissão de status social, né?
Mas a minha família nunca me transmitiu isso como uma coisa negativa; pelo contrário, como uma profissão que influencia a vida das pessoas, que muda a realidade. Acho que os verdadeiros influenciadores somos nós, que estamos ali na sala de aula dia após dia. Então, eu agradeço à minha família por ter me mostrado a importância da educação.
Agradeço também a alguns professores, tanto do ensino médio quanto da faculdade, agora do meu curso de pós-graduação no Instituto Federal, professores que percebo que são apaixonados pelo que fazem e que me dão esperança para continuar na minha profissão, ser feliz e continuar influenciando outras pessoas. Agradeço aos meus alunos também, que são grandes companheiros. Acho que eu aprendo diariamente com eles; eles não têm nem dimensão, talvez, do quanto eles me ensinam.
Então, fica aqui meu agradecimento. A você, Raquel, Deus abençoe você nessa profissão maravilhosa. Com certeza, está que você imagina é um prazer enorme.
Está muito a nossa gratidão, porque você foi brilhante já durante o curso, e nós temos certeza de que, se der certo, né? A gente percebia já que você lia bastante, você era amada pelo pessoal, né? Você era bastante comunicativa, então, temos certeza de que tudo ia correr muito bem.
Seja muito feliz! Muito obrigado e esteja com nós sempre, tá bem? Muito obrigado!
Então, nós agradecemos à Raquel por estar aqui conosco e a você também por estar conosco do outro lado, mas que com certeza estamos juntos da mesma maneira. Até breve! Obrigado!