[Aplausos] [Música] [Aplausos] [Música] Boa tarde a todos senhores acadêmicos senhoras e senhores meus amigos hoje temos a satisfação de receber a professora Marlene de caro Correa na sequência de nosso ciclo vozes românticas na literatura brasileira Marlene de Casto Correia é professora emérita da UFRJ tem ensaios publicados em periódicos e livros nacionais e estrangeiros so temas diversos de literatura brasileira destacam-se Entre esses estudos os dedicados a Gonçalves Dias Álvares de Azevedo Manuel Bandeira Adélia Prado Machado de Assis literatura de cordel e em particular Mário de Andrade e Carlos drumon de Andrade autora de verbetes que integram
o dicionário enciclopédico dasas letras de América Latina tem ensaio publicado em história da literatura brasileira organizada por Silvio Castro ensaio sobre Mário de Andrade e modernidade entre as suas publicações Podemos destacar drumon a magia lúcida de 2002 com o qual ganhou o prêmio de ensaio da Biblioteca Nacional e da academia Mineira de letras poesia de dois Andrades de 2010 e aqui no âmbito da nossa ABL o volume da série essencial de dedicado a Álvares de Azevedo é também autora bxa de livros infantis história de nuvem em vento o leão filósofo Serafim e outros bichos este
que será reeditado pela pequena aar em 2013 atualmente está escrevendo outro livro sobre Carlos rumão de Andrade que é o seu tema mais constante ela não colocou no currículo dela mas eu coloco no meu que foi minha grande professora de poesia na Faculdade de Letras da UFRJ então eu passo agora a palavra para ouvirmos a palestra a poesia de Álvaro de Azevedo o drama na cena do cotidiano eu queria fazer um duplo agradecimento ao meu antigo Aluno antnio Carlos eust acadêmico antnio Carlos duplo agradecimento porque primeiro alguns anos atrás ele me convidou para escrever um
ensai sobre áv zevedo para publicar na revista poesia sempre eu fiquei muito feliz é um dos trabalhos meus de que eu mais gosto Espero que o público também e fiquei contente eu acho que o Antônio Carlos também gostou porque reiterou o convite para eu vir fazer essa conferência tenho esse agradecimento ao Antônio Carlos sequim e tenho um especialíssimo agradecimento a Ivan Junqueira Ivan Junqueira em 2002 quando era secretário da academia me convidou para vir fazer essa conferência eu tinha tanta vontade de fazer mas tanta que eu fiquei fora do ar porque eu estava na eminência
de uma cirurgia de coluna muito séria Eu estava de cadeira de rodas e mesmo assim eu disse que veria aí quando chegou nas vésperas uma amiga minha da área médica achou que eu estava inteiramente Pinel e me disse que era inadmissível isso eu fiquei envergonhadas telefonei pro Ivan contei o ama mas fiquei muito encabulada você me perdoe então conforme disse o Antônio Carlos o título da minha palestra é a poesia de ó de zevedo o drama na cena do cotidiano a aproximação da obra de áv zevedo levanta de imediato uma questão é possível um leitor
de hoje de sensibilidade e gosto literários decisivamente moldados pela poesia moderna e que sequer armado de Rigor crítico porém desarmado de preconceitos sintonizar com os escritos de um jovem poeta morto em 1852 mal saído da adolescência sem esboçar um sorriso indulgente Então essa é a ideia chave da minha palestra né o sorriso indulgente se nós somos capazes hoje de ler este poeta sem sorriso indulgente benevolente ou complacente tá a partir dessa pergunta proposta de releitura a reavaliação da poesia deas de zevedo começa por descartar versos ou poemas que nos s despersonalizados e artificiais em função
de estereótipos românticos de sentimentalismos exagerados e de inflexões flagrantemente literárias literárias entre aspas ou seja literárias no mau sentido que os tornam irremediavelmente datados ela termina no entanto por constatar o Acer de algumas de suas opções estéticas entre os múltiplos caminhos que o romantismo lhe descortinava o rapaz de 20 anos soube escolher no horizonte de possibilidades que lhe oferecia seu momento histórico cultural as inscrições que assegurariam a sua singularidade na poesia romântica e na poesia na poesia brasileira do temp do do tempo mas ainda na rica mimana do Romantismo sou explorar um filão menos esgotado
e de vida mais longa que lhe garantiria ultrapassar a sua época permitiria poetas posteriores com ele dialogar e autorizaria os críticos do Futuro aerem uma teia de afinidades entre a sua obra e a poesia do século XX muito da originalidade e vitalidade de Azevedo nos quadros do romantismo brasileiro deriva dos seguintes fatores valorização poética do cotidiano tematização do homem enquanto consciência dramatizada por dicotomias concepção e prática do discurso como lugar de embate de registros emotivo estéticos diferentes e o uso de matizado e refinado mur ainda que disseminadas por vários poemas essas qualidades encontram sua realização
mais concentrada em e plena no conjunto intitulado ideias íntimas o verso reina desordem pela sala antiga que inicia o fragmento três desta obra prima vale no sentido figurado como síntese da Face mais iconoclasta de lira dos 20 anos em relação aos padrões da po poesia brasileira da época ultrapassando a função denotativa sala funciona como metonimi e metáfora da interioridade do sujeito lírico A projeção do eu na realidade exterior ou assimilação do espaço objetivo ao subjetivo é um traço característico do romantismo mas enquanto a maioria dos autores de então recorrem a espaços e fenômenos considerados prestigiosos
e Magníficos tais como oceano o lago a montanha alv zevedo elege o espaço imediato e prosaico de seu quarto como o símile do eu desordenado e tumultuado por conta tradições e dualidades no contexto do poema que focaliza em termos Concretos e plásticos livros e retratos de escritores universo cultural e literário do autor este verso reina a desordem pela sala antiga alude não apenas a desarrumação dos aposentos do jovem poeta e estudante de direito e ao seu tumulto interior como também assume significações metap poéticas autoc caracterizando o discurso de ideias íntimas em particular e de lira
dos 20 anos em geral em geral subvertendo as categorias tradicionais e transgredindo o código dominante na poesia brasileira do tempo nele convivem referências absolutamente díspares como retratos dos Monstros sagrados vitorugo e laminé e garrafas de conhaque livros dos amados bairo imic e charutos cachimbos e cigarros fotografias do pai e da mãe idolatrados e candieiros teias de aranha e roupas espalhadas pelos móveis nivelando objetos heterogêneos rompendo com a hierarquia entre referentes poéticos e prosaicos nobres e vulgares por exemplo ele diz num verso marca a folha do faust um colarinho dessacralizada e sacralizando o corriqueiro Álvares levedo
instaura a desordem no espaço poético do romano brasileiro cumpre assim de forma exemplar a função que um século depois Carlos mon de Andrade atribu atribuirá ao poeta imagina uma ordem nova ainda que uma nova desordem não será bela em ABC da literatura diz zar P que o significado das palavras surge com raízes com associações e Depende de como em quando a palavra é como usada ou de quando ela tenha sido usada brilhante ou memoravel e assim completa exemplifica o seu raciocínio é difícil dizer encarnados nossos ouvintes pensem num verso particular aplicando esta observação ao romantismo
brasileiro diríamos que assim como Gonçalves Dias usou de forma particular mente expressiva Sabiá e palmeira levando o leitor forçosamente a lembrar-se de a canção do exílio quando reencontre Tais palavras em poemas posteriores Álvares deido de Azevedo impregnou de valores inusitados vocábulos relativos à ações e comportamentos do sujeito poético situados na Esfera do cotidiano é o que ocorre com os termos cigarro charuto cachimbo os quais no vasto elenco de referências ao âmbito do prosaico ressaltam com as mais reiteradas indiciando que o poeta os utilizou como Pontas de lança na sua estratégia para demolir preconceitos e construir
o inesperado a dissonância que viria a ser a categoria chave da poesia moderna é o princípio estruturador do título splin e charutos pois ele mistura o abstrato e o concreto o tido como poético o âmbito dos Sentimentos splin significa tédio estado de ânimo depressivo enfado hipocondria etc e o prosaico A aura de prestígio do termo inglês splin e a marca do corriqueiro de choto ela a dissonância se mantém nos seis fragmentos que compõem o poema considerado por Antônio Cândido um conjunto excepcional em nossa literatura pela alegria saudável Graciosa a dosagem exata de humor alguns deles
o crítico os classifica como pequenas obras primas no gênero no poema meu anjo da referida série a fumaça dos do charuto surge como um símile da leveza e delicadeza da figura feminina e cachimbo aparece associado ao devaneio amoroso do eulírico Formosa Vejo assim entre meus sonhos mais mais bela no vapor do meu cachimbo no poema vagabundo a palavra cigarro faz parte de um sistema de imagens de liberdade de poesia de menos preso a valores burgueses que individualizam a semelhança do Herói sem lenço sem documento de caitano o sujeito poético sem bolsos nem dinheiro que proclama
minha pátria é o vento que respiro o poema sugestivamente intitulado terza rima pequena joia de humor entou ma Ode ao cigarro ao cachimbo ao charuto louvados como Fontes não só de prazer para os sentidos e para a alma como também de satisfação de necessidades estéticas como se conclui e pelos versos citados álvar zevedo empregou polemicamente palavras referentes ao campo semântico de fumar extrapolando sua função designativa mais do que isso converteu as em índice do sujeito em em índices de uma atitude do sujeito lírico diante do real e de um modo específico de estar no mundo
articulou em regime de oposição com o termo febre que em seus versos é signo recorrente de urgência Vital de inspiração apressada e inflamada de ânsia de amor de exacerbação dos Sentidos e delírio erótico correlacionou portanto cigarro cachimbo e Charuto com as noções de distensão E recolhimento de devaneio E interiorização como diria P usou as de forma brilhante e memorável por isso minimizando as diferenças e enfatizando as convergências é possível ao leitor evocar ideias íntimas e splin e charutos quando depara com os versos finais de poema só para jaim ovale de Manuel Bandeira Então me levantei
bebi o café que eu mesmo preparei depois me Deitei novamente acendi um cigarro e fiquei pensando humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei não se esgota Porém na nas significações referidas a polivalência dos termos charuto cigarro e similares ão pouco apresentam eles valores harmoniosos entre si a ostensiva insistência dessas imagens revelam revela o empenho do poeta em usá-las como emblemas do sujeito lírico e do seu universo interior e como elementos integrantes da construção mitológica da Persona poética em ideias íntimas elas se organizam como signos externos de sensação de tédio e melancolia ânimo depressivo
transgressão de normas atitude superioridade e distanciamento humorístico diante do próprio eu e do real parece-me que vou perdendo o gosto vou ficando Blazer passei os dias pelo meu corredor sem companheiro sem ler nem poetar vivo fumando minha casa não tem menores nevas que as deste céu de inverno Solitário passo as noites aqui e os dias longos dei-me agora ao charuto em corpo e alma se assim me continuam por dois meses os diabos azuis nos fros membros dou na pré vermelha ou no parnasso para os mais jovens eu gostaria de dizer que a praia vermelha funciona
como metonímia do hospício porque o hospício era situado na praia vermelha onde depois funcionou a Reitoria da Universidade do Brasil bom e blue Devils é um termo inglês Vocês estão vendo que há um certo pernostico H um certo dandismo no álvar zevedo que volta em meia o faz usar de barbarismos ele poderia dizer antecipando Manuel Bandeira todos os barbarismos inclusivos universais mais ou menos assim esses versos pertencem a um primeiro fragmento de ideias íntimas no último ocorre o retorno dessas imagens iniciais amplificadas por sua colocação no fecho do poema parece que chorei sinto na face
uma perdida lágrima rolando Satan lev a tristeza Olá meu pagem derrama no meu copo as gotas últimas dessa garrafa Negra eia bebamos és o sangue do gênio o puro néctar que as almas de de poeta diviniza o condão que abre o mundo Das Magias vem fogoso Conhaque é só contigo que S viver inda palpito eu me esquecia faz-se noite traz fogo e dou charutos e na mesa do estudo acende a lâmpa bom para como o público é muito heterogêna eu me sinto obrigada a dar algumas dicas né esse Satã deve a tristeza ah a maioria
daqui eu estou convencida sabe que uma das Vertentes do Romantismo é a vertente chamada satanismo que faz de Satã né o arquétipo da rebeldia da rebeldia contra o criador outros outros mitos outros arquétipos do Romantismo são sempre encarnações de Rebeldes de revoltados de H seres que não aceitam a ordem das coisas nem sociais nem divinas nós temos por exemplo Caim que também é um mito na época O Dom Juan né E outros que não me ocorrem agora bom agora o que eu queria que vocês prestassem atenção é o seguinte é no movimento circular do texto
e queria que vocês reparasse sobretudo no emprego dinâmico dos signos que vão assumindo Novos Valores no decorrer do discurso no primeiro fragmento charuto vinha associado a tédio inércia transtorno psicoemocional que impede o sujeito lírico de ler e poetar agora no último fragmento somado a outros sinais Vale como signo de controle intelectual da desordem e de recuperação da claridade da Razão faz-se noite traz fogo e dou charutos e na mesa do estudo acende a lâmpada o leitor atento conclui que sob aparente espontaneidade de naturalidade ideias íntimas é um poema complexo e sofisticado da melhor sofisticação aquela
que se confunde com simplicidade e naturalidade ele vai articulando significações várias e funções diversas para cada enunciado para cada signo nada é singelo e se Em alguns momentos produz tal impressão esta se deve a fingir de ingenuidade do do humor e a simulada Inocência do poeta protagonista bom eu quero esclarecer o seguinte eu quero explicitar o seguinte eu não pretendo negar que parte da obra de al Azevedo peca por excesso de pretensão por excesso de literati que são formas em que se manifesta o ingênuo ou por espontaneidade demasiada sem a dose necessária de oração poética
da experiência Vital nos seus melhores poemas no entanto e entre eles ideias íntimas ocupa o primeiro plano surpreende a sua maturidade artística e eu tô muito bem acompanhada porque o artigo do Machado de Assis sobre o nosso alo de zevedo faz aquelas restrições muito jovem que maravilha seria se tivesse vivido mais tempo pá não tem teve tempo pá Mas já tem marcado uma individualidade e quando fala da poesia humorística diz que é ótima excelente e até o próprio satanismo que o machado criticava demais quantos contos o machado não tem contos meta literários né ridicularizando o
satanismo ridicularizando os poetas brasileiros ah adeptos do bairon ismo mas com al zevedo ele não não não reclama não ele fala que existe uma consanguinidade entre Álvares de zevedo e Ah e Byron como vocês vem eu tô muito bem acompanhada né Antônio Carlos Sem dúvida bom o que era nova desordem na poesia do século X a ura da hierarquia de temas motivos e palavras em poéticas e prosaicas posta em prática entre os grandes românticos brasileiros apenas ou sobretudo porv zevedo viria tornassem ordem nova no modernismo no qual era reivindicação básica de um programa coletivo agora
o fato de de a poetização do cotidiano empreendida pelos modernistas não ser tributária direta da obra de al zevedo e sim da Vanguarda europeia do século do início do século em nada obscurece o seu pioneirismo Solitário O prefácio a segunda parte de lía dos 20 anos adverte o leitor a unidade deste livro funda-se numa binomia duas almas que moram nas cavernas de um cérebro pouco mais ou menos de poeta escreveram este livro verdadeira medalha de Duas Faces a intuição Certeira do nosso jovem escritor sobre distinguir no manacial do Romantismo os temas que ainda não se
haviam esgotado ao fazer da divisão da consciência e das contradições do ser os fundamentos da sua poética ele como que apostou no futuro pois a literatura do século XX radicalizou a crise do sujeito e sua consequente dissociação interior o dilaceramento do eulírico que se debate continuamente entre antinomias irredutíveis ganha acentos de intensa dramaticidade em Sua obra Vejam as dicotomias que se inscrevem nas Duas Faces da medalha o o conflito entre o ideal e o Real a veemência do desejo e a pungência da frustração o desdobramento do sujeito em um eu que sonha e um eu
que zombra do próprio sonho a autoidentificação como libertino embreagado de satanismo e como adolescente ávido e temeroso de amar a oposição sonhos de ventura Esperança morte o sentimento de autopiedade e a corrosão da autoironia as visões e fantasias lúbrica e a realização do amor em virtude das tensões dramáticas que a dinamizam a poesia de alv de zevedo estrutura-se como discurso repleto de virtualidades teatrais Estas são mais integralmente atualizadas em ideias íntimas o poeta põe o palco imaginário no qual o sujeito lírico desnuda suas reflexões e desenvolve Suas Emoções como o meticuloso diretor de teatro que
vai dispondo num tablado objeto natureza heterogênea mas que cumprem todas a mesma função criar um cenário que fale do personagem excêntrico flaner que nele passei e medita indiciando sua classe EC e social sua formação cultural preferências literárias orientação estética perfil psicológico conflitos existenciais emocionais e aspirações amorosas cada uma das diversas referências que constróem a minuciosa cenografia do texto retratos de escritores exemplares de obras literárias livros de direito fotografia dos Pais o leito juvenil quadros gravuras e figuras uma estampa da Bela Adormecida a cômoda em que se misturam o copo de conhaque e o licor de
flores de laranja para os nervos o charuto o cigarro e o cachimbo a estante pulvera cheia de poeira roupa e livros misturados sobre as poucas cadeiras cada uma dessas referências dizíamos mais do que signo objeto constitui signo de signo processo de codificação que é mais peculiar ao teatro como vocês veem Álvares tem toda a razão quando exclama reina a desordem pela sala antiga vale a pena ouvirem os três versos que fecham o fragmento como outrora do mundo os elementos pela treva jogando cambalhotas meu quarto mundo em caos espera um Fiat os leitores os ouvintes se
deixam conquistar pela ousadia desses versos que comparam com irreverência o profano e o prosaico da o profano e prosaico da bagunça do quarto ao sagrado e mítico em sua mais Alta Dimensão que é a criação do mundo e ouvintes e leitores se entregam sem reservas ao Fascino que lhes provoca a intuição que tinha Álvares do potencial meta Literário de um discurso aparentemente Inocente no princípio no tempo do mito era o verbo Fiat Lux faça-se à luz disse Deus e criou o mundo no tempo da história na Província do Brasil o rapaz de 20 anos tem
a pré-ciência a pré-consciente ou talvez até a consciência plena e eu diria usando o termo drumon do drumon a ciência não ensinada é um um sintagma que aparece num P uma aliança de drumon em que ele fala da Aliança das faculdades de de urnas com as faculdades noturnas aliança da intuição do acaso do inconsciente com o trabalho lúcido reflexivo eu acho que o nosso Azevedo tinha essa ciência não ensinada o certo é que esse rapaz aqui nos confins do mundo percebe que a palavra o contar o dizer o poetar ordena o caos empírico ordena o
o quarto em desordem e o eu em tumulto e o transforma no cosmo do poema eu não sei se eu tô sendo muito clara eu quero quero chamar atenção para essa ciência não ensinada ou essa pré-ciência essa intuição que fez o Azevedo sacar que escrever é modelar o real é modelar a identidade é criar a sua individualidade enfim é uma forma de conhecimento do mundo e de autoconhecimento quer dizer Claro com intuição sem a reflexão sem o embasamento sem a consciência complexa disso ele faz intuitivamente o que o nosso Machado iria fazer depois atando unindo
as duas pontas da vida o que o Paulo Honório de Graciano Ramos faz ao contar a sua história não só a história como homem como latifundiário mas como também a história do casamento com Madalena e faz o que Raldo fará na sua narrativa oral bom ã o objeto mais frequentemente posto em Foco no poema espetáculo é o leito do sujeito lírico personagem em várias partes é ele o ponto de referência a partir do qual se dispõe outros importantes elementos da cenografia junto do leito meus poetas dormem o Dante a Bíblia Shakespeare e Byron na mesa
confundidos em suas adjacências situam-se a estampa da Bela Adormecida a pálida sombra da mulher formosa Retratos do pai e da mãe assim por contaminação metonímica vai se tecendo de forma tasta e Sutil a significação de leito no poema espaço de leitura de devaneio amoroso de afeto e saudade filiais alguns fragmentos põe em Foco o leito como centro da cena e reiteram e ampliam a sua significação lugar de evasão do real de refúgio na literatura no licor no fumo de ânsia de amor de fantasias e delírios eróticos de sonhos de realização poética mais do que tudo
no entanto ele é o lugar do desejo insatisfeito e da frustração erótico amorosa e é com o discurso particularmente ambíguo mxo de confissão sem censura nem pudor e de leve tonalidade aut irônica que o sujeito poético fecha o fragmento dizendo E eu acordava beijando o travesseiro outros procedimentos que convergem para teatralidade de ideias timas são o emprego frequente de linguagem gestual e alusões constantes à ações do sujeito poético delineado portant não apenas pelo que sente pensa também pelo que técnica esta de caracterização que é mais adequada ao teatro em decorrência emerge do poema uma psicologia
extrospectivo relativa à Esfera do comportamento que desenha dramaticamente o eu personagem transformando em Atos os seus estados de ânimo exteriorizando em movimentos e gestos as suas emoções psicologistas extr ah extrospectivo eu retirei do rosenfeld no estudo sobre a personagem no teatro bom vou pular um pouco o leitor acido da poesia brasileira certamente percebe a tia de afinidades entre a poesia de ov deev de Augusto dos Anjos a teatralidade de Álvares será intensificada por Augusto em cujos poemas a linguagem gestual desarticula em paroxismo e a psicologia extrospectivo aponta para a exasperação e o desvario os dois
autores imprime a isso é importante os dois autores imprimem ao sujeito lírico de seus poemas a marca do cabotinismo aqui entendido nos termos em que o Explicita Mário de Andrade como strion utilização de um desface de uma máscara é porque eu vou voltar depois ao cabotinismo bom as tensões e polaridades não se restringe ao plano da representação elas se projetam nas formas de expressão originando rica diversidade de registros emotivos estéticos O Confronto mais fragante é o que se trava entre acento lírico e diapasão humorístico que concretizam no nível da enção da enunciação a medalha de
Duas Faces medalha de Duas Faces efetivamente é a metáfora estrutural de Lila dos 20 anos o humor característica por excelência do discurso artístico do século XX confere Álvares de Azevedo uma feição Rara entre os grandes românticos brasileir e dele decorre parte de seu poder de sedução sobre a sensibilidade moderna além da função defensiva de defesa contra o sofrimento Álvares valorizava no humor a função ofensiva acentuando seus componentes de agressividade e dele fazendo instrumento de autopunição ao ridicularizar a tendência do Eu a excessiva idealização que por vezes assume conotações depreciativas assimilando se as noções de ingenuidade
e de alienação do Real ele se identifica como um trovador sem crença e cria uma correlação entre o seu ceticismo e a determinação quero rir-me de tudo que eu amava o que permite estender ao humor de lía dos 20 anos a definição feita por Macário em Noite na Taverna a descrença é a filha enjeitada do desespero nesse sentido Álvares referendar a natureza ambivalente traj cômica da linguagem humorística entre as múltiplas funções e Valores que o poeta atribui ao humor importa enfatizar a invariante que a todas engloba a de alemento decisivo de seu programa inovador que
visava desestabilizar a supremacia do sentimentalismo do elegíaco do lirismo de tões saudosos e graves vigentes na poesia romântica brasileira que a ele lhe Parecia um canto de Uma Nota Só uma aspas monodia amorosa para uma o leitor de hoje é uma aventura intelectual de raro prazer constatar que o mesmo jovem de 20 anos que exacerbou a a dramaticidade romântica levando-a ao máximo de tensão e desespero empenhou-se em desdramatizar o drama pelo exercício de dissolvente requintado humor bom é muito frequente a gente contrai lira dos 20 anos o mesmo motivo de desenvolvido em claves distintas a
lírica e a humorística ora o poeta idealiza e sacraliza a mulher que descreve com metáforas ascensionais e sublimadoras ora dessacralização prosaicas e vulgares a mesma coisa acontece com a sua ânsia de amar que ele modula nesses dois ah registros a lembrança de morrer e Se eu morresse amanhã exemplos do melhor lirismo romântico contrapõe-se o humor de o poeta moribundo contraposição que não nega o romantismo antes o afirma ao pô em Foco o tema da divisão da consciência e da duplicidade do eu bom eu queria dizer que eu tenho que andar mais depressa a vertente lírica
dele né também surpreende pela pluralidade de modulações a que mais afina com gosto moderno é a dicção Econômica despojada depurada que repre a emoção e que tem seus grandes momentos entre outros nos poemas Adeus meus sonhos o lenço dela saudade e particular M nos já citados Se eu morresse amanhã e lembrança de morrer de decantado lirismo que seduzem o leitor pela pelo efeito de naturalidade e pela emoção condensada e incontida intenção com a matriz de sobriedade e descrição irrompe o discurso que fala do desejo da frustração com a emoção transbordante e desabrida franqueza exemplarmente realizado
uns fragmentos de ideias íntimas amplificando extravazamento emotivo lembrança dos 15 anos chama a atenção pelo despudor da confissão e ousadia de não reter o ridículo ou talvez a imaturidade não perceber o ridículo e essa modalidade de dicção viria constituísse para o poeta no alvo Predileto da sua ironia bom volta e meia o leitor depara com versos marcados pela impostação impactante de efeito aqui e agora pelos síes do baixo pelo gosto do desmesurado que não admite meius tes pela ausência é do que seg mencionou chamar de bom senso e de bom gosto sorris eu sou um
louco as utopias os sonhos da ciência nada valem a vida é um escárnio sem sentido comédia Infame que ensanguenta lodo e que vida mulher que dor profunda faminta como um verme aqui no peito Augusto dos Anjos Sem dúvida assinaria com deleite esses versos né bom 10 em oposição esse a esse padrão discursivo a gente contra frequência o extremo oposto que é uma frase virtualmente desive qualquer falante deslocado de uma potencial terra de ninguém da linguagem para um livro de poesia esse tipo de discurso provoca um efeito de estranhamento e o que seria um lugar comum
vira expressivo lugar incomum por sua imprevisibilidade no contexto do poema são inúmeros exemplos desse procedimento do modernismo particularmente Drum e uma e bandeira de uma longa lista de ocorrências em Álvares Azevedo eu destaco como uma das mais modernas deito-me só e triste sem ter fome não me parece exagero dizer a propósito deste verso aquilo que em sua análise de poema só para Jaime ovale e de Manuel Bandeira diz David igut sobre o verso bebi o café que eu mesmo preparei este verso admiravelmente simples e extraordinariamente significativo da ressonância de do escritores brasileiros das últimas décadas
da Testemunha apropriação feita por Paulo César Coutinho do título lira dos 20 anos com o qual ele nomei excelente drama de sua autoria eu poderia falar mais sobre esse drama porque eu a ele assisti mas vamos em frente me referiria Aqui também Ana de linha da sua geração que incorpora a a poema seus pequenos segmentos dos poemas porque mentias e meu desejo com a ambiguidade da paródia lembre-se o verso de al zevedo queero rir-me de tudo que eu amava a apropriação de Ana Cristina é Um eloquente depoimento sobre o poder que tem a poesia de
ó de zevedo de falar a sensibilidade do nosso tempo mas há outros testemunhos mais recentes que reafirmam com igual eloquência a ressonância da voz poética do jovem romântico Manuel Antônio Maneco para os íntimos na obra de autores do Século XX e até mesmo do XX dois poemas do nosso acadmico e Poeta Antônio Carlos sequim com ele dialogam o título do primeiro é ele faz alusão ao poema de Álvares é ela é ela é ela é ela um dos mais transcritos em antologias que põe em Foco a lavadeira que ronca maviosa com ferro de engomar nas
mãos já o corpo do poema remete a namoro a cavalo os textos de Álvares se desenvolvem na Clave do humor sequim rompe portanto com procedimento mais usual que consiste em parodiar um discurso de Tom lírico sério elegíaco emotivo ele opta por fazer uma paródia da paródia e leva mais longe o empenho de marcar sua diferença ao apropriar-se de elementos da figura retórica de nominada pinóia O que é uma pinóia é a retratação que faz um autor de algo que disse em texto anterior a palino mais famosa é aquela do meu poeta mais amado mundo mundo
vasto mundo mais vasto é meu coração não meu coração não é maior que o mundo é muito menor Gonçalves Dias tem um poema chamado noia que modesta parte é muito ruim muito aquém da da categoria poética dele e também que depõe contra o ser humano né paródia palino é rima e é solução para Antônio Carlos polemizar com Alves de Azevedo desmentindo o seu é ela e retificando em eh ele ouo Antônio Carlos sequim vou ler para vocês é ele no Catumbi montado a cavalo lá vai o antigo poeta visitar o namorado não leva flores que
rapazes raro gostam de Tais mimos leva canções de amor e medo cachoeiras de metáforas oceanos de anáforas virgens aquilo a ao sair deixa o sono cego do passeiro dois poemas um cachimbo e um estilo leva canções de amor e medo é o verso chave do poema por sua riqueza de alusões remete em primeira instância ao poema Amor e medo de casimir de Abreu em que o sujeito lírico diz amada que ele está morrendo de paixão mas que não pode chegar perto dela porque não pode manchar a dela bom [Música] ã a pureza a pureza danjo
da Amada essa alusão eu acho que não tem nenhum interesse no poema de Antônio Carlos O importante mesmo é que esse verso leva canções de amor e medo evoca o célebre ensaio de máo de Andrade sobre Álvares levedo intitulado exatamente amor e medo no qual ele insinua o hom erotismo do autor de lira dos 20 anos eu sou fã ardorosa do Mário tenho paixão pelo Mário Mário hidromon são meus dois grandes autores mas esse estudo é um dos raros ensaios do Mário que eu não gosto porque eu acho uma psicanálise muito muito muito mal assimilada
agora não estou dizendo eu não estou dizendo que eu não tô dizendo que eu não tô dizendo que o álvar Azevedo não possa ter sido homossexual se foi muito bem eu acho meio complicado naquela época né agora queria que vocês vissem o seguinte reparem que o último verso do antnio Carlos ã Deixa ao somo cego do parceiro dois poemas um cachimbo e um estilo repare que o último verso confirma o valor de cachimbo como emblema do sujeito poético de lra dos 20 anos Observe ainda que o personagem do texto entrega ao parceiro dois poemas o
contexto no Catumbi montado a cavalo e o título é ele indiciam tratarse de namoro a cavalo e é ela é ela é Ela é portanto pela ação do personagem por sua opção sexual que se realiza pinóia a retratação do discurso dos dois poemas ficou Claro mais ou menos bom cachoeiras de metáforas ou anos de anáfase e virgens aquilos são versos que parodiam os defeitos os exageros de muitos muitíssimos poemas de alvid zevedo Mas eu vou pedir ao meu querido Antônio Carlos para fazer uma paródia do que o rapaz de 20 anos tem de melhor tá
Noite na Taverna Talvez o outro o outro mas é o outro eu não ia ler não porque refere a a prosa Não eu quero que você faça assim uma paródia de ideias íntimas de ideias íntimas não ideias íntimas não lembrança de morrer Adeus bom eu tenho certeza que você vai fazer muito bem obgado bom antnio Carlos O que é de anônio Carlos o inegável mérito de trazer Álvares de Azevedo para a ordem do dia para o centro de debates do Nossa Da nossa época debates que mobilizam corações e mentes no mundo de hoje haja visto
as passeatas na França e os comícios nos Estados Unidos quanto ao poeta em si é ele tem o método de reconhecer que Álvares levedo tem a sua individualidade a sua originalidade deixando com herança um estilo né bom agora se você me concede um pouquinho mais de tempo sim eu queria ler mais um poema só tô terminando um poema de Vinícius de Morais elegia quase uma ma Ode que eu desconfio certeza não tenho não eu desconfio que ele está dialogando com o nosso Álvares Ó quem me dera não sonhar mais nunca não nada ter de tristezas
nem saudades ser apenas Morais sem ser Vinícios que de fazer de mim que sofro tudo anjo e demônio angústias e alegrias que peco contra mim contra Deus às vezes me parece que me olhando ele dirá do seu Celeste abrigo fui Cruel Por demais com esse menino ó natureza humana que desgraça se soubesses que força que loucura são todos os teus gestos de Pureza contra uma carne tão alucinada se soubesses o impulso que te impele nestas quatro paredes de minha alma nem sei o que seria deste pobre que te arrasta sem dar um só gemido é
muito triste se sofrer tão moço sabendo que não há nenhum remédio e que Aventura é que governa a vida ó ideal misérrimo te quero sentir-me apenas homem e não poeta e escuto Poeta Triste poeta choro choro atrozmente como os homens chora choram Meu pai minha mãe socorre-me bom eu queria lembrar de um verso de Manuel Bandeira não sinto mais aquele gosto cabotino da tristeza ora vocês estão vendo que o gosto cabotino da tristeza irmana esse poema do Vinícius irmana esse poema de Vinícius com a poesia de zevedo e em parte irmana também o próprio Claro
o próprio Manuel Bandeira olha no poema Se eu morresse amanhã o Azevedo diz fala da sua ânsia de Glória que seria ótimo se ele morresse porque ele sofre porque isso porque aquilo porque aquilo outro mas que seria triste né e a ânsia de Na verdade o seguinte é que se morresse Se eu morresse amanhã fala da ansa de Glória mas o fato do poeta excepcional que é Manuel Bandeira intitular o seu livro de lira dos 5 anos com certeza satisfaria a ânsia de Glória do evedo porque o título Lira do c anos que dialoga com
lira dos 20 anos sugere não apenas a autoironia de bandeira na tácita alusão ao fato de sua tuberculose não haver vitimado na cara nos 20 como escreveu como ocorreu com Álvares e outros românticos mas também insinua com a ambiguidade característica da paródia a consciência de afinidades com a obra do jovem poeta o obsessivo da morte a valorização poética do prosaísmo cotidiano o humor e o gosto cabotino da tristeza [Aplausos] obrigada antes de comentar alguns tópicos aqui da palestra da Marlene eu gostaria já de anunciar os nossos próximos eventos dia 23 de Maio quinta-feira depois da
manhã no Seminário Brasil brasis a ABL e os acordos ortográficos com a coordenação do acadêmico Arnaldo nqu e tendo como palestrantes os acadêmicos Domício Proença Filho e Evanildo Bechara na sexta-feira dia 24 às 18:30 no âmbito do projeto cinema na ABL coordenado pelo acadêmico Nelson Pereira dos Santos e na série roteiro e literatura será exibido o filme Uma Aventura na Martinica uma adaptação de livro de Hemingway e na próxima terça-feira às 17:30 na sequência no epílogo deste ciclo haverá a conferência proferida por este que vos fala intitulada o adeus de Castro Alves bom ouvimos aqui
uma esplêndida palestra que eu não diria que foi extrospectivo para não mexer nessa palavra né mas foi Clara e Sutil transitando das considerações genéricas A análise tópica dos textos com ênfase na modernidade de alguns procedimentos de Álvares para Além de sua claramente referida aqui submissão aos lugares comuns da lírica romântica que até compõe a maioria de sua obra naquela vertente da do lirismo romântico que eu chamaria fazendo uma blag com aquela expressão do pret porté em que o vestido está pronto com a poesia preta a pleur né em que a quantidade de lágrimas já está
previamente embutida na expectativa eh do leitor e vou me permitir aqui alguns aditamentos enfatizando seis pontos cruciais rapidamente abordados por Marlene dialogando com esses pontos eh com muita sagacidade desenvolvidos por ela eh O primeiro é a ruptura com a hierarquização de temas de fato Esse é um traço presente em Álvares mas eu gostaria também de lembrar que ele se encontra em Fagundes Varela e em vários outros poetas que estão simplesmente alijados do nosso cânone romântico os poetas ditos menores porque eram autores de província autores que publicaram um único livro Nunca reeditado mas que compõe uma
faceta pouco explorada e pouco conhecida do nosso romantismo nomes como Bruno Seabra bitancourt Ezequiel Freire e observem como pelo menos a primeira dessas estrofes foge por completo das comparações Clichê que nós já nos saturamos de ler no romantismo com luas estrelas etc né então diz o Ezequiel Freire os lábios dela T cantigas tristes seus beijos o sabor da Gabiroba e El Bon como o pingo d'água na folha verde negra da Taioba e o epílogo desse poema Ó gente que Morais aí na corte sabei que vivo aqui como um lagarto ó vento que passa contai a
moça que há duas camas no meu pobre quarto então toda uma dicção também maliciosa irônica né que passa à margem digamos do nosso romântico é um segundo aspecto das virtualidades teatrais de ideias íntimas né Eh isso eh implica aquele reforço do apego romântico à noção de cena de ribalta de drama seja especificamente no teatro seja na visualidade de cenários montados no interior do poema Como tão bem assinalou Marlene inclusive Todos sabem que á de Azevedo é autor de dois textos para te atrás o Macário e a própria Noite na Taverna né que pessoa se reúnem
para falar para Digamos fazer a a elocução de suas aventuras um terceiro ponto eh o elogio da sofisticação simples né da maneira como O Verso do Álvares foi lido em contraponto também ou em conjunção melhor dizendo com o verso do Manuel Band tudo certo mas devemos nos lembrar que essa simplicidade é obtida às custas de um grande domínio técnico que consegue construir ou fabricar o espontâneo porque o espontâneo espontaneamente da má poesia né e o espontâneo elaborado é que vai dar o belo verso portanto se nós prestarmos atenção no despojamento de bebi o café que
eu mesmo preparei const trataremos que esse verso esconde a orquestração de um decassílabo heróico perfeito né que ele deixa passar dentro dessa forma da simplicidade mas Tecnicamente é um decassílabo heroico também e Curioso o episódio que Marlene ressalta de um poema que se que se fecha com o beijo no travesseiro por com certa frequência em Álvares de Azevedo o famoso triângulo amoroso não se apresenta entre três pessoas mas entre duas pessoas e um objeto e esse objeto atua como mediador entre os dois elementos do par aqui foi o travesseiro em outro poema nós tínhamos um
retrato que foi coberto de beijos então a pulsão ou esse movimento erótico incide nesse Tércio nesse terceiro elemento nesse objeto que evoca ou representa o ser desej e esse objeto tanto pode ter a representação idealizada de um retrato quanto uma versão caricata em é ela é ela né em que o poeta rouba do seio da mulher um suposto bilhete de amor e que se revela como um ris roll de roupa suja então ainda aí dessa maneira caricata humorística né haveria uma espécie de fetichização daquele objeto que dev ser uma confissão de amor mas que na
Clave do humor acaba sendo apenas esse rol de roupa suja eh Outro ponto importante ressaltado por malen foi a medalha de Duas Faces o assento lírico e o diapasão humorístico como a fala de Marlene apontou a modernidade não estaria nessas Duas Faces mas em algo que nós poderíamos chamar de interface numa Estreita convivência e tensão de um texto simultaneamente lá e cá ao mesmo tempo lírico e irônico como algumas vezes Álvares consegue realizar dizendo-se redizendo e deso-se no mesmo objeto verbal e não em sessões estanques essa primeira parte é para chorar e a segunda parte
é para rir né né Então essa tensão no mesmo texto a meu ver é que vai fazer aflorar eh a melhor poesia do Álvares eh finalmente o outro tópico foi a reverberação no presente devo dizer que eu fui surpreendido com a leitura né Generosa aqui da Marlene da paródia que eu fiz desse poema que de fato eu não aprecio tanto que é o é ela e que não estava aqui no Script né então no texto que ela me passou não constava a a presença desse meu poema eu sou grato por isso e nesse Eu apenas
acrescentaria além do diálogo com Ana Cristina César e possivelmente com Vinícius eh Há marcas explícitas da figura da ou do da mitologia em torno de Álvares num grande ficcionista contemporâneo que é Ruben Fonseca em o cobrador Ele publicou um conto HS cormoran em Paranaguá em que ele põe Álvares de Azevedo travestido de mulher a sua irmã uma prostituta oriunda de Noite na Taverna e o Fantasma de Lord Byron então esses quatro aí se reúnem imagino o que vai acontecer eu espero que vocês tenam curiosidade em ir esse livro do do Ruben Fonseca e descobrir que
solução ele dá para um mix tão variado quanto esse e em 1997 Ruben Fonseca ainda foi foi além porque Ele publicou uma novela cujo título é a reprodução literal de dois versos de Álvares aspas e do meio do mundo prostituto Só Amores guardei ao meu charuto Aliás o que Tem surgido de charuto e cachimbo aqui ainda bem que é proibido fumar aqui na sala né e eu encerro não apenas reiterando os parabéns merecidíssimo a Marlene mas com a sua devida concordância inserindo uma pequena nota autobiográfica quando Álvares publicou sua lira dos 20 anos ele próprio
teve de escrever a apresentação da segunda parte dos seus poemas eu tive uma sorte quando eu publiquei em 73 área de estação primeiro livro de poemas foi Marlene que escr lindamente o prefácio dessa minha lira dos 20 anos então de público e de coração Muito obrigado está encerrada a [Aplausos] sessão [Aplausos] [Música] [Aplausos] [Música] C [Aplausos] [Música] C