e hoje a ideia trazer algumas reflexões sobre a construção né da medicina biomedicina e seus impactos nas formas da gente enxergar questões como saúde doença o próprio corpo esse enquanto algo no estatuto diferenciado nessa cisão né que se configurou na modernidade entre o corpo e alma o corpo e mente e de que forma isso então foi de fato um processo histórico uma construção histórica social e que passa hoje a também ser questionada diante das novas novos elementos que surgem no espiritualidade temos espiritualidade contemporânea em termos de medicinas alternativas e tantos outros tratamentos que se colocam
se não dê para parar de igual para igual de uma maneira complementar as práticas médicas tradicionais é bom para começar é importante dizer que nem sempre a noção de saúde ela foi vista do jeito que ela é hoje a noção de saúde ela vem da ideia cristã de salvação isso porque na idade média no ocidente na eu sempre a gente tá falando a noção de saúde ocidental ou seja aquela visão que venceu aqui no ocidente na idade média a ideia de saúde estava literalmente intrinsecamente relacionada a ideia de salvação espiritual e até porque as doenças
não eram concebidas como o fator da doença não era um micróbio uma bactéria a falta de higiene a doença vinha porque era um castigo de deus eram questões mágicas atreladas esses processos então era preciso agir magicamente era preciso agir religiosamente para se curar para se salvar porém houve um momento de shift né esse momento de shift que deu a e a liberdade a construção que se deu então a construção do desenvolvimento da da biomedicina e aí essa noção de saúde ela perde esse sentido religioso e passa então a ganhar um significado de uma meta é
uma meta a ser perseguida pelo estado e queria ser os cidadãos saudáveis e prontos para o trabalho e também pelo indivíduo que ganha essa questão de ar eu quero estar bem eu quero me libertar de qualquer dor de algum mal-estar eu quero estar saudável é né mas o qual foi o ponto né chave permitiu que isso acontecesse na hora a gente tem que voltar nas discussões do de kart que ele inaugura né porque a partir daí que a gente vai perceber mais ou menos no século 17 18 esses encantamento do mundo atrelado a processos de
dissecação de corpos é importante dizer que dissecar um corpo na idade média era um tabu porque as pessoas tinham de fato medo que isso gerasse questões espirituais perigosas além de tudo cadáver não era visto como algo sujo ao que poderia contaminar né o cadáver era e como se alguém que tivesse de tu diz curativas né o morto ele poderia e tinha esse papel de estar presente na vida dos vivos né e não era então tratado como algo apodrecido o corpo depois da morte bom então até conseguir realizar essa dissecação foi um grande uma grande luta
é mas a partir do momento em que se começou acontecer vai dizer de kart que ele vai separar então né partir dessa das suas ideias separar o controle o domínio disse que a mente da noção de corpo que é algo descontrolado animalesco totalmente diferente da mente antes disso na idade média o corpo era visto como um receptáculo de poderes mágicos né havia até hoje existe isso nas medicinas mais orientais essa correspondência entre o microcosmo eo macrocosmo que se plasmaria no corpo a e na idade média isso não era diferente e daí tinha umas práticas mágicas
que se apoiavam então nessas concepções e o corpo era então um elemento do macrocosmo e que tava envolvido com todos os outros elementos e mais a partir de kart o corpo vira máquina o corpo vira máquina para força de trabalho ea mente ela atingisse estatuto de algo muito separado do corpo e na nesse momento a ideia de alma religiosa perde totalmente o seu sentido perde seu posto em detrimento da ideia de um homem racional de um homem máquina oi e o corpo servir então para fazer exercício ele precisava se nutritivo de alimentos de alimentos nutritivos
ele precisava ser usado da melhor maneira para que ele pudesse render da melhor maneira porque ele tinha forças específicas e era suscetível então a operações específicas é o que ficou vai dizer né quando o corpo se transforma em alvo dos mecanismos de poder que se oferece a novas formas de saber como então de fato está implicado nascimento da clínica né neste momento essa preocupação do estado com o corpo do seu cidadãos trata-se de uma forma de controle social sobre essa força de trabalho que precisava trabalhar e produzir para o estado não tinha um componente econômico
mas também tinha aí a controlar os corpos daqueles desobediente né e a preocupação então era manter essas pessoas saudáveis no corpo e na mente né os loucos eles precisavam ser de alguma forma enclausurados em instituições porque deixá-lo solto era muitas vezes infringir a potencialidade de uma ordem social de funcionar de uma maneira mais harmônica é né e nesse sentido ficou vai dizer que a saúde então se torna um objeto de consumo um objeto de consumo um produto de consumo que pode ser é produzido a partir de saberes médicos né hoje a gente tem laboratórios farmacêuticos
produzindo e vendendo a ideia de saúde a gente tem a ideia de tratamentos médicos mirabolantes a gente tem de fato a separação de tudo que é relacionado à saúde cura de doenças ea promoção de um bem-estar como algo a ser perseguido por todos ninguém quer envelhecer todo mundo quer ficar saudável e para isso tem uma indústria gigante de coisas a serem vendidas para serem consumidas para manter as pessoas nesse estado é mas se a gente for voltar no tempo o foco antes era de fato na pessoa enferma porque a partir da ideia de pessoa enferma
que a saúde pode então se colocar como esse componente econômico como uma preocupação do estado e o cocô ele vai escrever quatro processos né sobre o nascimento da doença a doença tal como a gente conhece hoje é o olhar do médico primeiro deles é um olhar que é o que ele chama de largado que é o olhar a forma como você o médico vai olhar para o paciente vai investigar para o paciente e vai tentar entender o que que ele tem e na nesse momento é um corpo que apesar de ser humano né e apesar
do humanismo ter surgidos erigido diante desse projeto que separou corpo e mente nesse momento em que é levado para o olhar do médico o médico muitas vezes não olha o corpo como humano ele vai olhar para mente talvez como humana mas o cortar um objeto ele é um objeto de estudo e esse objeto de estudo ele precisa então ser olhado observado analiticamente a partir daí esse de poder né forma aguda analítica e também a partir daí se configure se conformam discurso o que que o médico vai dizer sobre aquele corpo o segundo elemento que ficou
fala sobre o nascimento da doença é o surgimento do hospital tal como a gente conhece hoje uma instituição e um espaço especializado para esse olhar científico para esse olhar de poder antes hospital era tipo um lugar de caridade muitas vezes associada à igreja católica onde estavam órgão as pessoas abandonadas mas não espaço de ciência e o espaço para identificação de doenças de moléstias com a ajuda de altas tecnologias foram então uma construção desse momento de nascimento da doença é um terceiro elemento que ficou vai dizer a noção de lesão lesão é algo que o corpo
tem algo que simbolize a presença de uma enfermidade então vai haver e hoje a gente percebe uma busca frenética através de exames investigações dá para entender para ir atrás para buscar investigar qualquer lesão no corpo que possa simbolizar a presença de algo estranho que se relaciona uma enfermidade e o quarto é autópsia que eu já falei que era um tabu religioso mas a partir da dissecação de corpos é que foi possível entender o funcionamento do corpo foi possível enfim a medicina se construir modernamente na enquanto uma ciência e aí o de kate entra né para
apoiar esse processo no qual a gente percebe que a mente então fica de um lado e o corpo fica do outro embora ambos existam separadamente um afetaria o outro segundo de card e o corpo biomédico tal como a gente conhece hoje é portanto uma construção cultural histórico e social né e o que está por trás dessa visão de corpo como máquina a ideia de que é preciso focar nas peças por isso que a medicina e se transformou em um grande hall de especializações que cada uma vai olhar para uma parte do todo e que muitas
vezes é difícil você ter uma visão holística da partir de um médico a visão complementar integral todas as peças ou seja daquilo como mecanismo que funciona conjuntamente muitas vezes cada um só vai olhar para a sua especialidade e vai pedir para o paciente ir para um outro especialista para olhar outras questões é claro que o tratamento ele vai poder ser composto da ilha de adversas especialistas em e o corpo como máquina então ele é máquina porque a máquina ela permite o foco nas peças o corpo é máquina também porque a máquina não tem emoções então
a medicina abole a necessidade de perceber o paciente e suas emoções a maneira como ele relata o que ele tá sentindo a maneira como ele se coloca perante a enfermidade como ele classifica essa enfermidade e muitas vezes isso é para o médico tanto faz como tanto fez né embora hoje a gente questione isso muito esse questões também dentro da medicina é né e a e a outra questão de fato corpo como máquina era o corpo como aquele capaz de trabalhar trabalhar trabalhar produzir gerar valor tudo que a sociedade estava precisando nesse momento século 17 18
com o surgimento então das fábricas os operários estão tudo isso meio que contribuiu essa visão da ciência contribuiu para a criação deste estado cada vez mais preocupado e atrelado as questões econômicas bom então o que a gente percebe é que e o corpo a partir dessa visão ele não pensa o corpo ele só pode ser submetido sujeito utilidade social tem que ser maximizada ao máximo ou seja vai estar em jogo como desfocou esquemas de assujeitamento o corpo é capturado em um sistema de sujeição o e pensado investido de relações de poder totalmente diferente da noção
de corpo da idade média tudo isso era necessário para acabar com a essa ideia de corpo como receptáculos mágicos justamente para impor a ideia de racionalização capitalista do trabalho e de uma vida muito mais disciplinada oi e a mera existência de forças mágicas poderia então ser fonte de uma insubordinação social por isso que isso ganha tanto poder por isso que isso deram tanto apoio do estado essa é a primeira máquina então vai dizer se ofender it o corpo é a primeira máquina desenvolvida pelo capitalismo e se o corpo essa máquina mente por sua vez ela
precisa ser disciplinada porque a mente ela pode estar sujeita suscetível às emoções do corpo oi e aí que a mente precisa ser reprimida as emoções os desejos né e enfim toda essa questão de identidade individual ela surge também nesse momento e a grande disciplinarização da vida das pessoas porque se acreditava que se a gente deixasse simplesmente o corpo guiar a mente levarem a gente para um caminho que é o caminho do não trabalho é o caminho da que é o caminho da folga que é o caminho de digitar balbúrdia da preguiça então aí que entra
em cena a ideia do auto-controle como disciplina ah pois bem hoje a gente percebe então que esse corpo biomédico como uma construção cultural ele tá em crise né a gente percebe que se questionar muito a medicina a forma como ela não humanizem os pacientes a própria ideia de ciência medicina se colocou enquanto ciência como uma justificativa para ela não ser considerada enquanto uma instituição social só que a gente percebe como a biomedicina enquanto instituição social permite que a gente perceba relações de poder relações entre médicos e pacientes que precisam ser investigados o seu papel como
uma indústria de medicalização contemporânea da vida é ou seja uma instituição que permite e regula controla o que a gente chama de doença na atualidade então essa visão mais crítica a piscina é essencial para que a gente também possa desconstruir e reconstruir uma outra visão de corpo uma outra visão de saúde que esteja muito mais alinhada com as necessidades do nosso tempo