Eu quero convidar você a abrir sua Bíblia em Apocalipse, capítulo 2. Nós teremos do versículo 8 a 11. Deixe a sua Bíblia aberta nessa passagem, Apocalipse, capítulo 2, versículo de 8 a 11, que é o texto que nós iremos pregar nessa noite.
Carta à igreja em Esmirna, e nessa noite o tema dos irmãos é "Cristo e o sofrimento do cristão". Teste comigo: abra, que durante a exposição nós estaremos lendo os versículos, explicando, e ao final nós voltaremos com algumas aplicações e implicações desse texto para nós, como forma individual e também como igreja. Nesta semana, vários irmãos da nossa igreja foram diagnosticados com a COVID-19; outros se encontram em estado grave, não somente por conta da COVID-19, mas também por conta de outras enfermidades.
Confesso para você que, no grupo do conselho do WhatsApp, Presbítero, botar aqui a testemunha, e também no grupo dos pastores, foi uma semana bastante atípica, porque o tempo inteiro chegavam informações, atualizações médicas, nos informando sobre o quadro clínico de alguns irmãos. E eu digo para você que, de certa forma, essas informações nos assustam. Vou dizer para você algo além disso: ser cristão, de certa forma, parece que nos assusta ainda mais.
E parece contraditório falar isso, mas eu quero te explicar por quê. Porque, às vezes, nós, cristãos, caímos no erro de pensar que, ao nos convertermos, ou sermos convertidos à fé cristã, nós entramos para dentro de uma bolha chamada Cristo, e que, dentro dessa bolha chamada Cristo, parece que mal nenhum vai nos acontecer. E socorro, queridos, porque nós vivemos um cenário evangélico brasileiro em que muitas igrejas pregam um tipo de evangelho triunfalista, que está o tempo inteiro sendo ensinado de que, apartando-se, você se torna cristão, todos os seus problemas estarão resolvidos; que você não vai ficar doente, que as suas contas serão pagas, e que você terá uma prosperidade financeira sobrenatural; que seu carro não vai mais quebrar, ou seja, tudo na sua vida passará a dar certo, basta que você faça a oração correta, dizendo que aceita.
E eu digo para você que eu não gosto muito de filmes evangélicos, justamente por conta dessa temática, que muitas vezes é triunfalista. Geralmente, os filmes evangélicos mostram o evangelho de forma que tudo dá certo. Vou dar um exemplo para você aqui: aquele filme "Desafiando Gigantes".
Sei que muitos que estão aqui assistiram; eu também assisti. E, se você lembrar bem daquele filme, ele fez sucesso há uns 8 ou 10 anos atrás, ou mais. O enredo daquele filme mostra um protagonista, um treinador mal-sucedido, um marido extremamente pacato, cuja esposa não engravidava, o carro era velho e vivia quebrando.
De certa forma, ele era um cristão apenas de aparência, porque o filme nos mostra no início que ele apenas ia à igreja, mas não tinha qualquer envolvimento com a fé cristã. Só que o filme nos mostra que, um belo dia, aquele rapaz se converte, e, a partir do momento em que se converte, tudo começa a dar certo: ele se torna um treinador bem-sucedido, um marido extraordinário, sua esposa engravida, ele ganha um carro zero quilômetro. Ou seja, depois de Cristo, tudo na vida dele passa a dar certo.
Quero te falar que a ficção nos ensina que, no final, tudo vai dar certo; essa ideia hollywoodiana que impera hoje é que foram felizes para sempre, e que nunca sofreram. Só que a gente sabe que não é assim. E digo para você que, quando nós saímos da ficção e entramos na realidade, nós sabemos que nem sempre as coisas caminham bem e que, às vezes, nem sempre terminam bem.
Meus irmãos, nós vivemos em um mundo em que crentes morrem; vivemos em um mundo em que crentes são assassinados, em que crentes são roubados, que crentes perdem bebês, que crentes ficam enfermos, que crentes perdem empregos. Crentes também são acometidos por uma pandemia. Então, mesmo os cristãos mais piedosos e tementes a Deus também passam por dias de intensos sofrimentos.
E quem sabe da realidade de intenso sofrimento é uma realidade vivida justamente pelos crentes que residiam na igreja de Esmirna, que recebe essa carta direcionada pelo Senhor. Meus irmãos, o sofrimento é sempre presente na vida de cada cristão. A igreja de Esmirna não era diferente.
Uma das virtudes dessa igreja é que ela não recebe nenhuma censura da parte de Cristo. Contudo, ela recebe uma carta da parte de Cristo que tem um tom tão difícil, um tom de morte, um tom de sofrimento. Não tem um tom de dificuldades, um tom de provações, um tom de tribulações.
A carta mostra que, na cidade de Esmirna, ser cristão, identificar-se como cristão, viver como cristão, meus queridos, era algo dificílimo. O autor que estuda essa igreja a chama, por muitos estudiosos do Novo Testamento, de a "igreja sofredora". A cidade de Esmirna era rica financeiramente e se respeitava ao império romano greco-romano.
Era uma cidade extremamente fiel ao imperador, uma cidade totalmente pagã em relação ao culto que era prestado ao imperador. Tanto é que existiam apenas um templo, mas vários templos construídos naquela cidade com o objetivo de adorar o imperador. E era uma cidade que, ao mesmo tempo, idolatrava vários deuses.
Existiam também, naquela cidade, muitos judeus, que gozavam do privilégio de serem protegidos pelo império romano. E, ao mesmo tempo que eram protegidos pelo império, eles usavam essa influência e proteção para trazer sofrimento aos seguidores de Cristo. Então, devido à perseguição dos judeus e dos romanos, ser cristão em Esmirna era, literalmente, um chamado ao sofrimento.
Eu digo para. . .
Você, que pregadores triunfalistas em Esmirna, provavelmente não teria audiência porque, meus queridos, diante de tanto sofrimento, esses trens passavam a mensagem que eles recebem de Cristo, não a mensagem de que "olha, fique tranquilo, porque vocês não vão sofrer mais". Não era isso. Pelo contrário, essa carta, direcionada a esses cristãos no meio do sofrimento, era uma carta mostrando como Cristo reagiu diante do sofrimento dos cristãos.
Eu chamo a sua atenção para o versículo 8. O primeiro ponto que quero mostrar para você nesta noite é que Cristo é aquele que tem poder para cuidar do seu povo. Enquanto sofremos, Cristo não deixa de cuidar do seu povo.
No versículo 8, a um anjo da igreja em Esmirna, escreve: "Essas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver. " Essa carta, meus queridos, começa destacando aqui os atributos de Cristo. E aqui é interessante observar que os atributos escolhidos são escolhidos minuciosamente justamente para tratar da necessidade, ou das necessidades, que existiam na igreja de Esmirna.
Então, Cristo, que é descrito como o primeiro e o último, é até uma referência ao Apocalipse, capítulo 1, versículo 8, que descreve Deus e que descreve Cristo como o Alfa e o Ômega. Então, esse título aqui aponta, a ponta que Cristo é soberano sobre a história, que Cristo é o único que possui o atributo da eternidade, ou seja, o primeiro e último. Ele é aquele que controla não apenas o passado, como também controla o futuro e, ao mesmo tempo, o presente.
Um outro fato importante nessa designação de Cristo é que Esmirna, pelo seu grande poder financeiro que existia, ela se autointitulava como a primeira entre as cidades da Ásia. Todavia, Cristo aponta que somente Ele, incontestavelmente, pode ser chamado de um primeiro, e não no sentido cronológico, nem no sentido de que tem mais poder do que os outros, mas em um sentido muito mais profundo, que é no sentido cósmico. Então, essa mensagem, meus queridos, de que Cristo era o primeiro e o último, que continuava controlando a história, era especialmente relevante para uma igreja que experimentava terrível oposição e terrível sofrimento.
Esses crentes precisavam ouvir que Jesus quem era presenciante e que ainda continuava se importando e cuidando deles. Ainda no versículo 8, um segundo título que aponta para Cristo aqui diz que Ele esteve morto e tornou a viver. E aqui é importante você entender que esses tempos passados, os dois verbos "esteve" e "tornou", apontam para eventos históricos e descrevem a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.
E aqui novamente esse tributo de Cristo confronta um fato histórico que aconteceu na cidade de Esmirna. Essa cidade, no ano 600 a. C.
, foi completamente varrida, completamente destruída pelo rei Alyattes da Lídia, e ainda, 290 a. C. , por conta de ordem do imperador Alexandre, o Grande, essa cidade foi reconstruída.
Essa cidade reviveu no esplendor maior do que tinha antes de ser destruída no ano 600. Então, a ideia aqui é que, embora Esmirna, a cidade de Esmirna, pudesse tirar a vida presente de um daqueles crentes, Jesus Cristo garante a vida futura de cada um deles. Uma igreja sofredora como Esmirna precisava ter a certeza de que o seu futuro derradeiro já estava garantido, ainda que aqui na vida presente esses crentes enfrentassem terrível aflição.
Então, o domínio de Cristo sobre a história fornece aqui, logo de cara, para esses crentes, uma base de conforto para o sofrimento presente e o sofrimento futuro que esses crentes iriam enfrentar. E o texto segue. Versículo 9.
O segundo ponto que mostro pra você nesta noite é que Cristo é aquele que conhece a situação atual do seu povo. No versículo 9, Ele diz: "Desconheço a tribulação, a tua pobreza, mas tu és rico, e a blasfêmia dos que se declaram judeus, e não são, sendo antes sinagoga de Satanás. " Olha, repara como Cristo, aqui, o Cristo exaltado, que assim que Ele se define no versículo de número 8, demonstra empatia pela igreja sofredora, pelos crentes que estão sofrendo.
Ele diz: "Conheço a tua tribulação, a sua pobreza e a blasfêmia que levantam contra ti. " E essa palavra "tribulação", de certa forma, descreve aqui o problema, o problema básico, e as outras duas, tanto a ideia aqui de pobreza quanto a blasfêmia, apontam aspectos resultados advindos justamente desta perseguição. E essa palavra "tribulação", no grego, tem um significado diferente daquilo que nós estamos acostumados a ouvir, porque a tribulação do grego é literalmente a ideia de sufocamento, de esmagamento.
Então, a ideia aqui do texto é que os crentes estavam sendo, literalmente, espremidos por conta de tamanha angústia, tribulação e sofrimento que eles estavam enfrentando. E, por conta desta tribulação em forma de perseguição, a igreja experimentou aquilo que o texto fala: a pobreza. E a pobreza aqui, meu irmão, é no sentido literal, ou seja, eles perderam todos os seus recursos.
A cidade de Esmirna, meus queridos, por causa do testemunho da fé em Cristo, o cristão era literalmente boicotado em seus recursos e seus trabalhos. Então, o Império Romano, quando sabia que um cristão o que ele fazia era tomar medidas econômicas contra os cristãos, às vezes com proibições, e isso mesmo, com proibições da prática de negócios, ou às vezes partindo para o extremo, simplesmente confiscando todos os seus bens. E tais sanções econômicas por parte do Império Romano justificam o uso do termo "pobre", que em grego literalmente aponta para uma pobreza digna de um mendigo.
E a história de Esmirna revela algo ainda mais que aponta para agravar ainda mais a situação de perseguição por parte do Império Romano no que diz respeito aos crentes. A história de Esmirna revela que essa cidade tinha uma lealdade particular a Roma e especialmente por ter construído não apenas. .
. Um, mas vários templos, e como local de adoração ao deus imperador. Então, esse patriotismo religioso replicava justamente em pouca paciência com os cristãos.
Quando os cristãos não se curvavam e adoravam a divindade do imperador, então, de uma forma bem resumida, o culto imperial permeava, de certa forma, todos os aspectos da vida da cidade, de modo que os indivíduos só poderiam, queridos, ter acesso a recursos financeiros, ter certa forma de prosperidade material e econômica, se participassem da vida religiosa da cidade. Isso, claro, a vida religiosa era uma vida de culto e adoração ao imperador. Há um aspecto ainda mais importante nessa história da cidade: todos os cristãos, todos os cidadãos de Esmirna eram obrigados por lei a sacrificar ao imperador.
É mais do que isso, as autoridades eram tão dedicadas ao culto que era prestado ao imperador que até distribuíam dinheiro público aos cidadãos para que eles pudessem participar dos sacrifícios ao imperador. Então, assim, mesmo, era quase impossível ter uma participação na vida pública de Esmirna sem ter parte nesse culto pagão e nesse culto ao imperador. No entanto, a fidelidade desses crentes diante de tão grande aflição, e o texto aqui vai nos falar, demonstra a riqueza espiritual desses irmãos.
E no Apocalipse, queridos, a expressão "pobre" aqui no texto, no versículo 9 é descrita: "a tua pobreza, mas sei que tu és rico". Essa expressão "pobre" sempre aparece em Apocalipse, fazendo um contraste com a expressão "rico". E nessa passagem aqui, "rico" não é no sentido físico, "rico" aqui é no sentido espiritual, ou seja, essa perseguição, esse sofrimento acabou levando a igreja para mais perto de Deus, como geralmente acontece quando os crentes passam por tribulações.
Em outras palavras, apesar da punição que eles estavam passando, Deus estava derramando sobre esses crentes riquezas espirituais jamais sonhadas. Além disso, o segundo fato que descreve essa tribulação era a expressão "blasfêmia". E aqui, em todo o livro do Apocalipse, a palavra "blasfêmia" é usada sempre no sentido de blasfemar contra Deus.
E nessa passagem, pode ser entendido de duas formas: tanto blasfemar contra Deus como blasfemar contra o povo de Deus. Então, o fato interessante aqui é que a blasfêmia contra o povo de Deus é uma forma de blasfemar contra o próprio Deus. E o que é mais chocante nesse texto aqui, como Cristo escreve, é que esta blasfêmia partiria dos judeus.
Os judeus que geralmente acusavam os cristãos diante das autoridades romanas de terem supostamente violado alguma lei romana. E, de fato, os cristãos não violavam. Por isso que Cristo diz que a alegação dos judeus de serem o povo de Deus é anulada pelo fato de eles serem instrumentos de Satanás contra o verdadeiro povo de Deus.
As falsas acusações contra os crentes induziram a tribulação. O Senhor aqui identifica esses judeus como Satanás, como sinagoga de Satanás, o falso acusador. E aqui nós vamos ver que a descrição que o Senhor faz dos judeus aqui é algo característico da besta durante toda a caminhada em Apocalipse, que é justamente blasfemar contra Deus e perseguir o povo de Deus.
Então, em suma, segundo esse versículo de número nove, quem se coloca contra o povo de Deus, Apocalipse nos mostra isso como um todo, faz, de forma consciente ou inconsciente, uma aliança com Satanás. E aí o texto segue, nos versículos 10 a 11, quando então Cristo termina aquela carta direcionada a esta igreja. E o Senhor nos mostra um terceiro ponto: Cristo conhece a situação por vir sobre o seu povo.
Se no versículo 9 Cristo fala que já sabia que esse povo estava passando por dificuldades, no versículo 10 estão dizendo: "se preparem porque as coisas podem piorar. " No versículo 10 e 11, o Senhor diz: "não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias.
Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. " Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: "o vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte. " Então, aqui, nesses versículos, nós temos tanto uma profecia quanto uma palavra de encorajamento.
Então, Cristo disse: "não temas. " E essa expressão "não temas", lá, a forma como é construída no grego dá a ideia de "não tenha medo de ninguém", ou seja, eles não devem entender por que suas vidas estão na mão daquele que é o primeiro e o último, aquele que já experimentou a morte, mas que ressuscitou, vencendo a morte, aquele que está no pleno controle de cada situação e sabe o que está diante do seu povo. Ele está dizendo aqui para a sua igreja: "não tenha medo de ninguém, mas permaneçam firmes e fiéis.
" Então, em meio à terrível tribulação, o povo de Deus aqui é chamado ao testemunho destemido, acompanhados de perseverança e, ao mesmo tempo, de uma fé na palavra em Cristo. Eu e meus irmãos, o destino da igreja de Esmirna não era agradável, mas aqui Cristo estava assegurando àqueles crentes que Ele estaria com eles. Aqui, Cristo atesta então que o diabo lançará alguns de vocês na prisão, ou seja, o sofrimento inevitável que Escolar colocava na frente daqueles irmãos, daqueles crentes, era justamente a prisão.
Então, a prisão aqui, na verdade, era um prelúdio para o julgamento e a execução da sentença por parte do império romano. Só que, no final do versículo 10, deixa claro o que Cristo tinha em mente quando fala aqui de sentença *(continua)*. Mente, aqui é a pena de morte, e o que estava reservado para muitos desses cristãos não era simplesmente uma passagem pela prisão; era justamente a pena capital.
Era, era morte. Oi, e aí o texto, que é sublime, nesse texto aqui, no versículo de número 10, o Senhor coloca um motivo que está fazendo isso. Eu disse que o propósito em não permitir o lançamento daqueles homens na prisão, aqueles que crêem, a prisão era provar a fé deles; enquanto que o propósito de Satanás era justamente levá-los à apostasia.
Aqui, o número que é importante e que nós temos que te explicar é que esse tempo de tribulação será de 10 dias. E 10 dias aqui não é um número literal; aqui é um tempo significativo para um determinado período de prova. Então, a expressão "dez dias" é uma alusão literária a outra literatura apocalíptica que nós temos no Antigo Testamento, que é justamente o texto de Daniel 1.
Lembro que Daniel e seus 10 amigos foram provados e ficaram sem comer a comida do rei. E aqueles 10 dias, é fato que também os seus amigos foram pressionados, foram tentados a se comprometer com a religião pagã. E aí, nós lemos que, ao final dos 10 dias, esses irmãos não estavam dispostos a serem leais à religião pagã da Babilônia.
Então, os dez dias em Apocalipse apontam justamente para a realidade de que Deus está no controle e, ao mesmo tempo, afirmam que o tempo da tribulação é curto; ou seja, aquela tribulação poderia ser severa, mas ela teria um início, um meio e um fim. E aí, no final do versículo 10, é quando o Senhor termina o versículo 10 convocando os cristãos a permanecerem fiéis a Ele. E aqui nós temos um contraste, queridos, com a fidelidade a Roma.
A fidelidade é demonstrada por parte dos cidadãos de Esmirna. Jesus Cristo aqui, então, convoca os Seus seguidores a não prestarem reverência ao imperador, à religião pagã que era demonstrada pelo imperador, mas sim à Sua pessoa. E Cristo, aqui, então, exorta os cristãos de Esmirna a permanecerem fiéis, sabendo que o testemunho de fé deles viria acompanhado de sofrimento, viria acompanhado de morte.
É isso porque, se os cristãos de Esmirna perdessem sua vida por causa do testemunho que deram de Jesus Cristo, aqui é uma promessa: a promessa de que receberiam a coroa da vida. E aqui é uma ironia, queridos, que encontramos. A cultura de Esmirna era costume honrar os cadáveres com uma coroa póstuma.
Jesus usa a coroa para trazer vida a alguém que estava morto. Um dos temas mais emblemáticos na carta, no livro de Apocalipse, é que Cristo é aquele que faz surgir a vida da morte. E a coroa da vida, aqui, é o emblema da plenitude, da vida, a mais elevada alegria e felicidade, a glória da imortalidade que nós iremos desfrutar com Cristo.
Então, a aparente derrota dos cristãos na morte, pela autoridade da coroa, significava a vitória, a herança de uma coroa celestial. Meus irmãos, Cristo aqui está orientando os crentes de Esmirna, dizendo que nenhum tipo de sofrimento que eles a cometerem iria impedi-los de receber a recompensa graciosa de Deus destinada a eles. Então, por essa razão, diante do sofrimento por vir, aqui no versículo 12, Cristo consola novamente os crentes com a maior das promessas do versículo.
O Senhor diz: "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: o vencedor de modo nenhum sofrerá dano da segunda morte. " E aqui o verbo vencer aparece no futuro, na forma de promessa, e ao mesmo tempo essa expressão "nenhum" significa "nunca"; ou seja, a promessa é que o vencedor nunca será atingido pela segunda morte. Bom, então, aqui Cristo está prometendo que os santos vão sofrer e, ao mesmo tempo, está prometendo que, mesmo que sofram ao ponto de passarem pela morte física, nas mãos dos seus perseguidores, eles nunca jamais serão separados do amor de Deus.
O corpo físico daqueles homens e mulheres crentes poderia sofrer privações, dor, sofrimento, até mesmo a morte. Só que a promessa de Cristo aqui é que eles jamais seriam lançados no inferno; ou seja, jamais seriam alcançados pela segunda morte. Eu não sei você, mas eu me coloco no lugar desses crentes e fico pensando que conforto aqueles crentes devem ter experimentado ao ouvirem que Cristo venceu.
E ao mesmo tempo a promessa de que, porque Cristo venceu, e eles estavam em Cristo, eles também venceram. Mesmo diante do sofrimento, diante da derrota da morte, aqueles crentes recebem a promessa de que teriam uma vitória e a vida celestial garantidas por conta de Cristo Jesus. Eu digo para você, meus queridos, que nos dias que estamos vivendo, dias de dor, de sofrimento, uma carta como essa.
. . louvado seja o Senhor por isso!
Essa carta foi escrita apenas para a Igreja de Esmirna; essa carta foi escrita para todas as igrejas do Senhor Jesus Cristo, e essa carta tem implicações para nós hoje. A primeira que penso com você é que nós somos desafiados a ter compaixão por outros cristãos que sofrem. João, quando começa a escrever Apocalipse, se identifica como "irmão vosso e companheiro na tribulação".
E quem escreveu essa carta, nós lembramos aqui, foi João. Ele se identifica com o sofrimento daqueles crentes. Só que, mais do que isso, quando ele escreve a carta aos crentes de Esmirna, ele segue a ordem do Servo Sofredor que foi moído pelas nossas transgressões.
Então, aqui estamos lendo as palavras de conforto de Cristo através do Seu servo João para uma igreja sofredora. Então, digo para você: quando temos isso em mente, nós começamos a. .
. Enxergar uma compaixão existente no tom desta carta, e essa compaixão evidencia que os seus autores sabiam de fato o que era sofrer. O Sheik me dizia aqui: quem jamais foi ferido zomba das cicatrizes nas mãos.
Nossa, nem sempre nos compadecemos dos sofrimentos do próximo. É porque muitas vezes nós somos insensíveis ou porque, às vezes, não estamos passando pela mesma dor e sofrimento que o nosso próximo tem experimentado. Às vezes, a nossa insensibilidade é tamanha que nós até vamos diante do sofrimento de outros irmãos.
A febre da nossa sensibilidade, às vezes, nos leva a olhar para o sofrimento daqueles que estão diante de nós e pensamos: "O sofrimento é dele, o problema é dele. Eu já tenho tanto problema na minha vida, vou me envolver com mais um problema? Para quê?
" E a tendência, infelizmente, de muitos cristãos é se distanciar cada vez mais do mandamento recíproco: chorar com os que choram. E eu digo para você: eu percebo que nós hoje estamos insensíveis não apenas para sorrir com os que sorriem, mas também para chorar com os que choram. Porque nós estamos vivendo uma vida totalmente umbilical, uma vida centrada apenas em nós mesmos.
E às vezes nós temos a tendência de perguntar ao irmão: "Como é que você está? " E, às vezes, essa pergunta, queridos, é acompanhada de uma outra pergunta, aquela pergunta que você faz correndo, porque você tem medo da pessoa dizer: "Eu não estou bem. " E o fato dela dizer "não estou bem" coloca sobre você o ônus de se comprometer a perguntar o que está acontecendo, se pode te ajudar.
E eu posso te ajudar, aponta para uma ideia de que nós estamos dispostos a nos relacionar e estamos dispostos a sermos solidários. Só que digo para você que nem sempre pensamos dessa forma. É porque estamos tomados por um egoísmo, dúvidas, altos entraves, que não nos permite pensar no próximo.
E como pensamos em nós mesmos, nós não choramos com os que choram, porque estamos ocupados demais com as coisas e não com as pessoas. Nós optamos por não ter tempo para as pessoas e para os seus problemas. A paz, meu querido irmão, a imagem bíblica da igreja nos leva, nos confronta, faz com que o nosso rosto fique envergonhado, corado de vergonha, porque a imagem bíblica é diferente.
A Bíblia fala que nós somos um corpo e é um corpo em que todos choram juntos. Se um sofre, todos sofrem juntos; se um se alegra, todos se alegram juntos. E, portanto, se um membro está doente, está chorando, está sofrendo, meu querido, como servos do Senhor, como membros do Corpo de Cristo, nós temos que sentir e nós temos que ajudar.
Então, por conta disso, eu quero lembrar você de que, neste exato momento, pode ser que você esteja sofrendo, mas não é só você. Há muitos outros irmãos em nossa comunidade de fé ou em outras comunidades de fé que estão sofrendo. Alguns estão doentes, outros estão desenganados pelos médicos, outros estão sofrendo perseguição, outros estão sendo maltratados por conta da fé em Cristo.
O seu irmão está em dificuldade, queridos. Nós temos que fazer como João que disse: "Olha, somos companheiros na tribulação. " Nós podemos evitar, mas temos que sofrer com eles, ou só podemos ser indiferentes.
Mas nós temos que, sim, sofrer e chorar com os nossos irmãos na fé que estão sofrendo. E você pode perguntar: "Pastor, mas como é que eu me compadeço daqueles que estão sofrendo? " Meu querido, você pode orar e você pode visitar.
Eu sei que, nestes dias de pandemia, é mais difícil para você ir visitar. Meu irmão, estou indo na sua casa, e você fica do lado de dentro, eu vou no portão. Se liga, usa qualquer coisa, mas você pode se fazer presente.
O que nós não podemos fazer é permitir que esse distanciamento social por conta da pandemia se torne uma prática que nos leve a nos distanciarmos cada vez mais dos sofrimentos dos outros. Um irmãozinho, para você, a pandemia fez com que nós ficássemos enclausurados em nossas casas. O triste é que, às vezes, o contato físico nos leva a perceber quem está sofrendo e quem não está.
O fruto da oração, aqui, é que possamos, nesta semana, utilizar as formas de comunicação que nós temos e começar a entrar em contato com outros irmãos na fé. E você pode pensar que não existem irmãos à sua frente, mas existem, e nós temos que dedicar tempo para conversar com esses irmãos, para orar, para ajudar aqueles que estão à nossa volta, que estão sofrendo. Já parou para pensar que os irmãos da melhor idade da nossa igreja estão sofrendo porque não podem estar aqui?
E o quanto nós entramos em contato com eles durante esse tempo, para dizer: "Meus irmãos, estamos tristes porque vocês não estão congregando conosco, mas nós estamos orando por vocês, contem conosco. " E nós temos, sim, que dizer como João. Mas o que isso te diz?
Como servos sofredores, Jesus Cristo, nós nos compadecemos do sofrimento uns dos outros. É uma segunda implicação desse texto que é que nós somos desafiados a confiar na soberania de Deus em meio ao sofrimento. O Cristo deixou claro, nós vimos também isso no exemplo de Daniel e seus amigos.
Todos quantos se recusam a curvar-se lealdade aos ídolos e deuses sofrem. Todos aqueles que querem viver uma vida de piedade, eles sofreram. E aqui, no texto, aponta para uma ideia de perseguição.
É por isso que eu te digo que todos nós já tivemos e nós temos, nós teremos que passar por esses dias de provação. E eu não quero te desesperar. Para te falar que parece que, para alguns de nós, esses 10 dias parecem que eles são eternos.
Às vezes parece que se repetem. É, mas não se desespere, é porque esses 10 dias, esse tempo, está em harmonia com a soberania de Deus. Ele está no controle e esses 10 dias, da mesma forma que começam, vão passar.
Então, quem sabe você que me escuta nesta noite, está justamente passando por esses 10 dias? Quem sabe hoje o tempo que você tem vivido é um tempo de dor, um tempo de luta, um tempo de choro, um tempo de sofrimento, e pela sua ótica, esses 10 dias estão demorando muito para passar? Calma!
Calma, porque Deus sabe o quanto você pode suportar. Além disso, Cristo, na cruz, carregou sobre os seus ombros todo o peso de dor e sofrimento que nos era impossível carregar. Então hoje, qualquer peso de dor e sofrimento que temos que carregar, meus queridos, Ele nos alivia a carga, carregando conosco.
Então, esses 10 dias vão passar. Bom dia! Beleza?
E enquanto passamos por esses 10 dias aqui, nós saímos espiritualmente mais ricos do que quando começaram. Aproveite esses 10 dias de sofrimento para desfrutar mais da certeza de Deus, para se aprofundar na intimidade com Deus. Que em outros momentos, pode ser que nós escutamos e se viu falando sobre o sofrimento humano.
Atesto que, se o mundo é realmente um vale de lágrimas, estas lágrimas estão sendo muito bem proveitosas. As lágrimas são proveitosas porque nos levam para mais perto de Deus e, em tempos de sofrimento, geralmente aprendemos mais de Deus. Parece que, em tempos de sofrimento, o cuidado de Deus fica mais cristalino diante dos nossos olhos do que em outros momentos.
Então, digo para você que é fato que não existe poder nas lágrimas, mas em meio às dores da vida, as lágrimas são usadas por Deus para regar os frutos do conforto e do consolo divino em nossas vidas. Essas lágrimas que ainda são bem proveitosas porque podem ser consideradas o grande "ainda não" da eternidade. As lágrimas que derramamos aqui, por conta do sofrimento, nos levam a lembrar do lugar onde estamos e despertam em nós a sede do lugar que um dia estaremos.
Nós cantamos essa noite sobre isso: esperamos o dia da grande vitória, então o lugar em que todas as lágrimas dos nossos olhos serão enxugadas, onde o sofrimento não mais existirá. Thomas Adams, um puritano, dizia que a esperança conta à alma histórias doces sobre alegrias triunfantes, o conforto existente no céu, a paz, a alegria, os triunfos, os cânticos de casamento, as aleluias existentes do lugar aonde ela vai, com alegria distante do presente fardo. Olá, meus queridos!
Esses 10 dias, espere. Calma! É porque logo logo, o dia que nós anunciamos, o dia da vitória, em Cristo Jesus, há de chegar.
Só aqui é válido ressaltar ainda que confiar e esperar na soberania divina diante da dor, do sofrimento e da tribulação é também, meus queridos, confiar que Deus tem poder para mudar aquela situação. Uma das coisas que eu fico triste, às vezes, com o povo presbiteriano é que nós acreditamos muito pouco no poder de Deus. Quem disse que nós acreditamos que Deus cura?
E quem disse que nós acreditamos que Deus cura, que Ele tem poder para fazer isso? E às vezes, a nossa fé, as orações são tão desprovidas de fé que parece que nós nem conhecemos tão bem o Deus ao qual nos dirigimos nas orações. Bom, então eu quero te falar nesta noite que nós confiamos que Deus sabe de todas as coisas e nós oramos a Ele, criando a expectativa de que Deus tem poder para mudar qualquer quadro difícil.
E nossa resistência, quebrando Ronaldo Lidório, os seus artigos. Se tu um hino que era cantado na igreja, na igreja de Gana, enquanto Ele foi missionário naquele país, e a parte da letra dizia o seguinte: "Não cremos na dor sem Deus, o Deus do impossível. " O que os nossos irmãos africanos, queridos, queriam expressar com essa canção é descansar na soberania divina em dias de sofrimento, esperar contra a esperança e crer no Deus dos milagres.
No sofrimento, nós, crentes, descansamos na soberania divina que tem poder tanto para abrir os céus e agir, bem como também sabemos que toda a nossa vida está debaixo do controle soberano e amoroso do nosso Deus. Então espere, mas espere confiando que Ele tem poder para mudar a sua realidade hoje, agora. E que, se Ele não faz, Ele continua sendo Deus e continua sendo amoroso.
E a última aplicação que eu deixo para você, irmão, nesta noite é que nós somos desafiados a louvar a Cristo, que sofreu, que se compadece de nós. Aquele que teve morte, mas reviveu, nunca desampara o seu povo, principalmente em dias de intensa angústia, de dor e sofrimento. E o que Cristo fez em contraste de Esmirna é um retrato do que Ele sempre faz com seu povo.
Ele sempre se compadece da dor e sofrimento do seu povo porque Cristo sabe o que é sofrer. Meu irmão, nós precisamos sempre nos lembrar que o pecado afetou o mundo, não apenas no sentido espiritual, mas também no sentido físico. Por isso, enquanto vivemos neste mundo, é certo que nós sofremos em muitas ocasiões.
Sofremos ainda mais por causa da nossa fé em Cristo. Então, é normal os crentes serem, neste mundo de miséria, meu querido, viver a vontade nesse mundo caído levanta sérias suspeitas sobre a sacralidade da nossa fé. Então, dessa forma, as provações, as tribulações enviadas pelo Senhor, avivam a graça da esperança em nosso coração.
As dores do presente avisam a memória que Cristo não pergunta "como ele se sente", mas Ele mesmo, Cristo Jesus, se tornou. O ferido em nosso lugar, Cristo sofreu. Não foi para nos privar do sofrimento, mas foi para nos ensinar a suportar o sofrimento.
Vai Hebreus, capítulo 5, versículo 8, diz que, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu. Há um livro do Philip Yancey chamado "Do Teu". Sabe que sofremos.
Nesse livro, Philip Yancey conta a história de um cristão chamado Senhor Buckle, que em 1969 teve sua casa totalmente consumida pelo fogo. Ele conseguiu escapar vivo, mas, ao passar por aquele processo todo, tempos depois, esse mesmo Senhor Buckle relatou o seguinte sobre essa experiência: “Acho que sofremos muito. Mesmo perdi dois dos meus três filhos, perdi minha primeira esposa e quase morri queimado naquela noite.
Mas o Senhor disse que não nos prova mais do que podemos suportar. Se parece demais, Ele está bem ao nosso lado, dando-nos a força que não sabíamos possuir. ” A obra de Cristo me passa, principalmente, o seu estado de humilhação, encarnação, o que nos prepara para tomarmos a nossa cruz e vivermos a vida da cruz: uma vida de dor, uma vida de sofrimento, uma vida de autonegação.
E é fato que nós só conseguimos suportar o sofrimento neste mundo de miséria porque o nosso comparador, o nosso Salvador, não apenas se compadece de nós, mas é aquele que nos fortalece a passar por todo e qualquer sofrimento. Embora as tribulações e perseguições, o sofrimento esteja em nosso caminho, meus queridos, nós temos o conforto de saber que Jesus Cristo atravessou antes de nós. Nós, cristãos, temos a esperança de Cristo para nos animar, temos a sua graça para nos apoiar, temos o seu exemplo para nos ensinar a suportar as mazelas desta vida.
Muito digo para você que nós não vivemos em uma bolha protegidos do sofrimento, mas, em meio ao sofrimento, nós temos a presença doce e maravilhosa de Jesus Cristo. E a presença de Jesus Cristo traz alegria em meio à dor, esperança em meio à desesperança, refrigério em meio à angústia. Por isso, eu convido você, nessa noite, a louvar a Cristo, por quem sua soberania nos envia dias de dor, dias que aparentemente são ruins, mas que revelam mais da sua presença e mais da sua face.
Eu convido você, nessa noite, a louvar a Cristo porque, nele e através dele, no final, todas as perdas neste mundo significam ganho quando finalmente experimentarmos a vida eterna. E olhe o que diz um homem que se apega a Cristo como seu consolo nesta vida e na morte. Como diz o Catecismo de Heidelberg, veja como um crente expressa palavras de um homem puritano à beira da morte: “Isso é como refrigério.
” Esse homem, à beira da morte, diz: “Estou indo para o amor da minha vida, ou melhor, para quem me amou com um amor eterno, o único fundamento de todo o meu consolo. ” Por isso, viva, ore, espere, aguarde com paciência e não se desespere. A promessa permanece invencível de que Ele jamais o deixará nem te desamparará.
E assim, eu convido você que está enfrentando um dia de dor, de sofrimento, de angústia, a ficar em pé e cantarmos juntos o hino 108: "Sou feliz com Jesus.