Seja bem-vindo e seja bem-vinda neste nosso afetuoso encontro de hoje com a querida Luciana Martinez Zaina. A Luciana, segundo ela mesma diz, né, é sorocabana, estudou o ensino fundamental no Instituto Educacional Mateus Maialasque e no ensino médio na Escola Municipal Dr Júlio Vargas. De 1987 a 1989, ela foi minha aluna exatamente nesse período de 88 e 89.
A sua relação com o teatro iniciou antes da entrada dela no Getúlio Vargas, fazendo pequenas peças na igreja onde ela participava quando tinha 13 anos de idade. Mas foi no Getúlio que, na verdade, ela teve mais oportunidades de estar atuando, né? Em 1987, ela atuou nos bastidores da peça "Oráculo", de Artur Azevedo, e essa peça participou do Festival de Teatro Getúlio Vargas, tendo como atores principais Ana Cristina Mina, que já contou aqui sobre a experiência dela no canal, Denis Sanday, Mário Mascarenhas, que também contou a sua experiência aqui no canal, e Flávio Miguel, que é padre e administrador da Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba.
A peça foi dirigida por Ivaldo de Carvalho e com direção de Mário Mascarenhas, que também atuou, né? Aí, em 1988 e 89, ela também participou das montagens de peças de teatro que faziam parte da disciplina de português ministradas pelo professor Roberto Samuel. Em seguida, ela cursou Ciência da Computação na Unesp, no campus de Bauru, e, depois de finalizar a graduação, passou a morar novamente na cidade de Sorocaba.
Além disso, fez mestrado e doutorado na Escola Politécnica da USP em São Paulo, na área de engenharia da computação, sempre trabalhando o tema de informática na educação. Também cursou especialização em gestão estratégica de negócios na Uniso e fez pós-doutorado na Inglaterra, quando já era docente da UFSCAR. Portanto, depois de 30 anos de magistério e 16 na UFSCar, apresentou seu belo memorial dessa brilhante carreira, foi aprovada e passou a ser professora titular em fevereiro deste ano.
Sendo essa profissional docente e pesquisadora feliz, ocupa um espaço que sonhou e sente que seu trabalho torna significativa a sua vida e de muitas pessoas que são beneficiadas por ele. A sua principal área de investigação como pesquisadora é a interação humano-computador, área que investiga o impacto da tecnologia na vida das pessoas e a construção de ferramentas centradas nas necessidades delas. A sua paixão pela sala de aula iniciou quando estava no final da graduação e ministrou cursos de informática.
Desde então, atuou em diferentes espaços como docente: no ensino técnico da OS, no Colégio Fernando Prestes e também no SENAI. Já no ensino superior, atuou na Facens durante 10 anos e na Uniso, onde tivemos o prazer de tê-la também durante 5 anos. Passou pelo IMAPS, pela academia do ensino superior, hoje Aton, e na Fatec de Indaiatuba.
Atualmente, é professora titular da UFSCar, campus Sorocaba, orientando alunos nas suas dissertações de mestrado e teses de doutorado, colaborando com a ciência e o crescimento das pessoas desta região de Sorocaba, deste país e, consequentemente, da humanidade, pois o seu trabalho vai além das fronteiras e muito além daquilo que ela imagina. E como não poderia deixar de ser, ela também continua sua relação com a arte, pois faz parte do coral chamado "Couro e Prosa Dacar", atuando como contralto. E um pouco disso tudo quem vai contar para nós agora é ela.
Seja muito bem-vinda! Que bom tê-la aqui conosco. Eu vou dizer seriamente: eu nem conversei muito com ela porque é muito mais emocionante ouvir a pessoa contando as coisas.
E nesses nossos encontros, de uma forma mais direta, nós realmente nos encontramos algumas vezes posteriormente em alguns locais, mas também na Uniso e, depois, em um encontro de um grupo do qual ela participa, né, de alunos; mas ela também participa de outros, né, desses ex-alunos nossos do Getúlio até hoje. Seja bem-vinda, Luciana! A fala é sua.
— Obrigada, Professor Roberto. Nossa, uma emoção! Fiquei emocionada com essa abertura, né?
Porque eu vi que o senhor colocou mais coisas aí, inclusive das informações que me pediu. É uma alegria estar aqui, tendo essa conversa com o senhor nesse momento da minha vida que estou, né, acabando de defender o meu memorial, onde voltei ao passado com todas as lembranças da minha vida. Então é uma emoção muito grande.
Agradeço muito o convite para estar aqui. — O prazer é nosso! Conta pra gente, então, como foi esse começo e essa sua.
. . o começo da sua formação escolar.
Como foram esses primeiros contatos, aos 13 anos, na igreja? Conta pra gente um pouco sobre sua vivência em Sorocaba e sua infância. — Bom, eu sou sorocabana, eu gosto de falar, né?
Eu sou daqui, sou sorocabana. Eu estudei em duas escolas públicas que considero que me deram uma excelente formação, não só em termos de conteúdo, mas também como pessoa, com o desenvolvimento de habilidades que vão além das habilidades que a gente desenvolve em sala de aula. Então, eu estudei no Instituto Mateus, que foi meu ensino fundamental.
E aí, quando foi para eu ir para o ensino médio, eu queria muito estudar no Getúlio Vargas, né? Que era uma escola muito renomada e que sabíamos que era uma escola muito boa, tinha vestibulinho, né? Então estudei para passar no vestibulinho para conseguir entrar.
E a minha infância foi uma infância assim: eu brincava na rua. Eu morei boa parte da minha infância no Jardim Brasilândia, que é ali perto da Vila Fiori, né? E eu brincava na rua, andava de bicicleta, pulava corda.
E aí, ali existia uma comunidade, começou a se montar uma comunidade católica. A minha família era católica e nós começamos a frequentar essa comunidade, e logo eu fazia parte do grupo de jovens da igreja. E foi ali que eu comecei com as primeiras iniciativas de teatro dentro da igreja, onde a gente fazia peças bastante simples: de Dia das Mães, Dia dos Pais, da Páscoa.
Não era nada muito complexo, mas era uma atuação já. Nós tínhamos os ensaios para participar dessas peças e apresentar essas peças na igreja, então começou aí. Eu sempre gostei, devo confessar que eu sempre gostei de um palco.
Nunca tive vergonha, não. Eu me sentia bem atuando e estando ali em contato com o teatro. Mas o melhor veio realmente quando eu fui para o Getúlio, que já existia essa característica.
Tinha um festival de teatro do Getúlio, né, e tive a oportunidade de aprender literatura fazendo teatro, que foi quando o Senhor deu aula pra gente lá no Getúlio. Sei que foi muito legal, muito bom. Mas conta como foi essa sua chegada lá.
As primeiras atividades que você fez foram com o quê? Primeiramente, sala de aula mesmo no Getúlio? Isso é.
. . não, no Getúlio, no primeiro ano eu participei como contrarregra, né, nos bastidores da montagem do Oráculo, certo?
Que eu já estudava com a Ana Cristina Mena, né? A Ana Cristina Mena fazia parte da minha turma. Na verdade, eu conheço a Ana Cristina desde o Mateus, nós nos conhecemos há mais de 40 anos, né?
E aí, ela também foi pro Getúlio e ficou na mesma sala que eu. Ela, junto com o Mário Mascarenhas, chamou ela para montar o Oráculo, e eu acabei participando. Comecei a participar dos ensaios e participei como contrarregra, ajudando nos bastidores da montagem, que foi uma montagem que participou do festival de teatro em 1987.
E, nesse ano, nós começamos a ensaiar essa peça, né? Os atores começaram a ensaiar no próprio teatro do Getúlio. Getúlio tinha o teatro ao lado da escola, mas foi justamente no ano que o teto caiu e as apresentações não puderam mais ser feitas lá.
E aí, naquele ano, nós fizemos a apresentação da peça no Teatro SESI. Então, as peças do festival foram feitas lá no Teatro SESI, nós apresentamos a peça e depois a gente até recebeu um convite para reapresentar essa peça no Teatro Municipal. Então teve, depois do festival, a reapresentação da peça lá no Teatro Municipal, e foi muito legal porque era uma peça mais complexa do que as que eu fazia.
Os textos eram mais trabalhados, a atuação, então foi uma experiência muito bacana, mesmo não atuando, mesmo estando só trabalhando na parte dos bastidores. E aí, no ano de 1988 e 1989, foi que nós fizemos as peças de teatro em sala de aula, que o professor Roberto Samuel chegou e falou: "Vocês vão fazer peças de teatro". Ele dividiu a sala em três momentos literários diferentes e vocês vão fazer a peça.
E nós, nesse primeiro momento em 1988, fizemos uma peça do Romantismo, que foi "O Terrível Capitão do Mato". Até a Fernanda Leal dirigiu a peça pra gente. Eu fazia uma donzela, o papel da donzela da história, que era raptada por um escravo, que me raptava.
O Capitão do Mato era filho do Capitão do Mato. O escravo me raptava e foi um momento que, olhando hoje, eu já valorizei, mas olhando hoje para ele eu falo assim: "De que momento foi fazer a peça". Porque você fazer uma peça de teatro existe aquilo que todo mundo fala, que desenvolve a fala, a dicção, a expressão corporal, mas eu acho que é muito mais do que isso.
Porque nós tínhamos que montar o cenário, nós tínhamos que ir atrás, nós não tínhamos dinheiro, nós tínhamos que arrumar todo o aparato do cenário. Eu me lembro que a mãe da Ana Cristina, que também atuava na peça do grupo, nos deu lençóis velhos pra gente fazer o nosso cenário. E como é que a gente vai fazer iluminação?
Então, quer dizer, são habilidades que vão além da comunicação, são habilidades de gerência de tempo, de gerência de conflito interno entre quem está participando, de gerência de recurso, porque a gente não tinha dinheiro. Criatividade, como é que nós vamos fazer o cenário para que ele se torne o mais próximo possível do que estava na peça? Então, quando eu estava escrevendo meu memorial e eu relatei isso, eu fiz as peças de teatro para aprender literatura.
Eu disse, eu falei: "Olha, as habilidades que hoje todo mundo fala que são soft skills, que todo mundo tem que desenvolver, as tais da skills que são habilidades além das técnicas, a gente desenvolvia lá fazendo essas peças de teatro". Que legal, você chegou a falar isso! Então, eu falo isso no texto, eu digo: "Olha, as famosas soft skills já eram desenvolvidas quando a gente montava essas peças de teatro".
Sei que eram habilidades que nós tínhamos que desenvolver ali enquanto montávamos as peças. Então, eu acho que esse momento, que foi essa primeira e a segunda peça, que foi. .
. a gente tinha pequenos contos do Luiz Fernando Veríssimo, né, que nós fizemos também a encenação, que até a Fernanda Luss dirigiu. Kavas que falou aí na apresentação dela que nós levamos uma cama para dentro da sala de aula para encenar.
Então, veja, né, a criatividade, a habilidade que a gente tinha de trabalhar com todos esses elementos que vão além da comunicação, que vão além da fala, sim, né? Então, foi tudo muito rico, muito prazeroso fazer. E vocês fizeram mais uma além dessa ou não?
Ah, não, porque você teve dois anos só comigo, né? Foram dois anos. Isso, no primeiro ano, eu tive aula com a professora Celina de Português, entendi.
E aí eu tive aula com o senhor no segundo e no terceiro ano, que foram os dois momentos que a gente aprendeu literatura através do teatro, né? Sei. E o que você.
. . como que você vê isso?
A aprender literatura com auxílio do teatro? Olha, que eu lembrei de uma coisa também que eu até conto no meu memorial: que, depois que nós terminávamos de encenar as peças, o senhor colocava a gente em roda, a sala inteira em roda, e nós tínhamos, eram duas perspectivas, né? Aqueles que não tinham participado da peça falavam o que tinham visto, o que tinham percebido, e nós que participamos da peça também falávamos das nossas experiências na encenação daquele texto.
Então, é uma outra coisa interessante, né? Porque a gente discutia características literárias sentindo as características literárias a partir da peça, né? Então, não era simplesmente uma leitura: "Olha, o Romantismo tem essas características; o Realismo tem essa.
. . " Não, a gente tinha isso na pele, sentindo na encenação e capturando essas nuances a partir dessa discussão em roda que a gente fazia depois das encenações das peças.
Muito bem, então, muito legal assim, é um ganho de conhecimento, né? Porque tudo que você aprende fazendo de uma forma mais ativa fica, né? Ele não sai de você nunca mais, tanto que estamos aqui falando sobre isso.
Sim, é, ele faz parte de você. Então, é muito além de alguém te explicar algo; você sente aquilo, né? E muito legal, muito, muito bom.
E esses momentos que vocês fizeram foram na sala de aula mesmo ou foi para o audiovisual? Foi na sala de aula. Nós fizemos na sala de aula porque nós estávamos sem o palco, né?
O auditório. Isso, isso. Então, ficamos sem essa possibilidade, né?
Foi e, tanto que, na primeira vez que a gente tinha um cenário até mais elaborado, que era os lençóis, tal, que a gente colocava lá, a gente montou na sala. Teve que montar na sala de aula, né? Todo o cenário.
Então, nós fizemos na sala de aula mesmo, as duas vezes. Sei. Muito bem.
Então, você sabe que vocês, com a apresentação do Oráculo no festival, no ano seguinte, um grupo na sala de aula, né? Na hora que foi dividido o grupo. E quando, né?
Cada. . .
eram três grupos, né? Normalmente. Aí um dos grupos decidiu, já na hora, eles tinham assistido à peça no festival, né?
Oráculo. Aí eles decidiram que iam apresentar Oráculo, né? Da forma deles, na sala de aula, né?
E aí, sabe o que aconteceu? Eles se viraram, tudo como você mesma falou agora, né? Se viraram, montaram tudo, resolveram todos os problemas, tal, e acabaram apresentando na Casa da Cultura, como não tinha outro espaço.
Mas eles conseguiram a Casa da Cultura, que era um dos espaços mais significativos, né? De apresentações na cidade de Sorocaba, né? É uma pena porque a Casa da Cultura é o antigo fórum, prédio belíssimo, e tá lá assim como aconteceu com o Getúlio, não é?
O auditório que caiu, né? Na verdade, caiu, tem toda uma história aí; os jornais. .
. tudo, foram anos e anos na briga para tentar recuperar. E agora o que está acontecendo com a Casa da Cultura, né?
Tá lá também parado, caindo, e ninguém toma uma atitude de assumir para resolver. E o povo pedindo, principalmente toda essa comunidade, né? Artística de Sorocaba, precisando daquele espaço que foi belíssimo, né?
Realizaram muitas coisas e tá parado, né? Tá parado. Olha, se possível, gostaria que você contasse um pouco, porque nem todos sabem o que é um memorial, né?
Então, você, depois do doutorado, para se tornar professora titular da disciplina dentro da instituição, você teve que defender o memorial. Conta para o pessoal, mais ou menos, o que é esse memorial e como ele aconteceu. Conta para nós.
Dentro da carreira docente, né, nas universidades, a gente entra como. . .
Cada universidade tem uma denominação, né? Então, as federais têm uma denominação diferente das estaduais. Mas você entra como um professor e aí vai trilhando a sua carreira dentro da universidade até que você chega num ponto em que pode fazer a defesa do seu memorial.
O que é um memorial? O memorial, às vezes, as pessoas acham que você vai defender o seu currículo, não. Mas o memorial é muito mais do que um currículo.
Quando a gente escreve o memorial, você escreve a sua história, e para que a sua história faça sentido, não adianta você começar a falar da sua carreira a partir da graduação, porque existe um antes da graduação, né? Existe de onde você veio. Quem é a sua família?
Qual foi sua formação? O que impactou? Então, você começa a contar a sua história de vida desde lá, e cada um tem uma história diferente para contar, né?
Então, você começa a contar desde onde você veio, até para mostrar as suas principais características, porque o titular defende uma. . .
linha sobre as características dele que são importantes para ele se tornar um professor titular. Então, o memorial não é simplesmente você falar de resultados que você teve; você fala dos resultados, mas precisa defender como esses resultados mostram que você é uma professora ou um professor digno de estar em um cargo de professor titular. Então, você começa lá de trás e vem contando quem é você, sua formação, como é sua família.
Então, eu venho contando desde a parte da minha família, que o meu pai foi metalúrgico, né? Trabalhou como metalúrgico durante 30 anos; a minha mãe era uma dona de casa. E aí eu tenho um irmão mais novo.
Aí eu conto da minha formação nas escolas, conto do teatro, né? Então, para ver como o teatro foi significativo para mim como formação. Esses momentos do teatro, ele se aprende a literatura em sala de aula, esse desenvolvimento de habilidades a partir da encenação do teatro.
E aí você vai entrar e contar; depois que você contextualiza, você vai contar sobre a sua formação. Qual foi a sua formação? Então, a graduação, especialização, mestrado, doutorado, pós-doutorado, né?
A sua experiência internacional. Você vai contar sobre publicações; você conta sobre as suas orientações, bancas, projetos, atividades de extensão. Eu trabalhei alguns anos com formação de professores e formação de crianças para pensamento computacional, que é a computação sendo olhada como algo do dia a dia, né?
Então, eu tive um projeto de extensão que foi até escolas fazer isso. Então, você vai contando essa história e defendendo a sua linha, o porquê você é uma titular. No meu caso, a linha que eu fui defendendo era de pesquisadora na área de experiência do usuário, na área de interação humana-computador, com forte intersecção na indústria, porque eu sempre fiz muita pesquisa aplicada à indústria; sempre tive projetos com a indústria.
Então, foi essa linha que eu venho defendendo. O memorial, ele mostra muito do seu sentimento. A cada etapa, cada parte que você vai descrevendo, existe o seu sentimento naquele momento.
Então, por exemplo, eu descrevo ali que, logo que eu entrei no doutorado, eu fiquei grávida do meu primeiro filho. E aí, isso tudo muda na vida, né? Porque você vai ter um filho e fazer o doutorado junto, com certeza.
E aí eu conto isso e, depois, eu conto que, quando fui defender o doutorado, eu estava grávida do segundo, né? E aí eu tenho um professor da minha banca que brincou na minha defesa. Eu lembro que ele brincou; ele falou que eu tive um doutorado muito produtivo, porque além da tese, eu tive dois filhos, né, no doutorado.
Então, assim, eu conto isso. Eu defendi grávida do segundo filho. Naquele mesmo ano, eu prestei o concurso da UFMG, né?
Passei, entrei na UFScar. E, aí, depois, veio o meu desejo de ter uma experiência internacional, que eu só consegui muito tempo depois, quando os meninos estavam maiores, que foi quando eu fui fazer meu pós-doutorado na Inglaterra, onde morei um ano. Então, eu venho contando a minha inserção na comunidade científica, todas as amizades que eu fiz na comunidade científica, que são pessoas que são meus parceiros hoje.
Então, veja, não é só número; você tem sentimento que você vai mostrando e a sua história, né? Como docente, como profissional, as coisas que impactaram e o que você quer a partir daquilo, né? O que você pensa que vai fazer a partir da sua defesa, a partir de se tornar titular.
E eu falo que sou uma pessoa inquieta com o meu conhecimento. Eu gosto de estudar, gosto de pesquisar, gosto de interagir com as pessoas, gosto de conhecer outras culturas. Então, eu falo que essa inquietude me faz querer ir além e sempre procurar ir além em tudo isso.
Então, o memorial é mais ou menos isso. Você escreve um texto; meu memorial ficou em torno de umas 120 páginas. Você tem uma banca que são cinco titulares que te avaliam, um da UFSCar que era o presidente da banca, e os demais são externos.
E eu tive, assim, o prazer de ter quatro professoras titulares na minha banca, mulheres que são exemplos para mim, né, de carreira, de tudo, com certeza. E aí, você. .
. Elas recebem, né? Os professores recebem esse texto, eles lêem e aí você vai para a defesa, que é o momento em que você defende, você apresenta.
E nós, nas nossas regras lá, temos uma hora para fazer uma apresentação. Então, também é um desafio fazer com que toda a sua vida seja contada, né, em uma hora ali. E, depois dessa uma hora, começa a arguição, que é onde a banca faz os comentários.
Teste os comentários quanto à sua carreira, porque que a gente é avaliado por quatro eixos, né? Ensino, pesquisa, extensão e gestão são os quatro eixos que a gente tem que ter feito durante a carreira. Então, eles avaliam isso e fazem perguntas.
E aí, assim, tem perguntas dificílimas de você responder, né? Do que você pensa como vai ser alguma coisa dali pra frente. Mas foi um momento que eu devo dizer que foi muito prazeroso: o escrever foi prazeroso, estar lá foi prazeroso.
Eu curti tanto esse momento que eu demorei seis meses para escrever meu memorial; tem gente que escreve em um mês. Não, porque eu primeiro montei toda uma estrutura; daí eu ia colocando na estrutura aquilo que eu achava que tinha que falar para depois começar a escrever. Eu li mais de uma vez, né?
E, então, assim, foi bem demorado. Na apresentação, uma outra coisa prazerosa de. .
. Falar, a gente coloca foto. É muito comum colocar fotos.
E aí eu fui atrás das fotos, né? Eh, fotos da minha formatura de graduação, fotos dos meus filhos, né? Eu mostro uma linha do tempo, então, quando eles nasceram, dentro dessa linha do tempo.
Então, assim, foi muito prazeroso esse momento. Foi um momento muito bom para mim e ele é de grande sensibilidade, né? O memorial, né?
Faz parte, é a história de vida, né? Não é e entra toda a parte profissional, mas não é só, né? É por isso que acaba sendo prazeroso e emocionante, né?
Eu assisti, né, o do Edgar Matielo Júnior, que você tá na Federal daqui, e ele tá na Federal de Santa Catarina. E aí ele me convidou, né, para assistir. Foi virtual, foi belíssimo!
Eu só não sei para você, né? Eu chorei do lado de cá, né, porque a história dele é muito bonita, né? Como a sua, né?
É muito bonita. E tem uma série de coisas que eu estava me metendo por perto quando aconteceram, né? Então é emocionante, é muito bonito.
E foi bastante demorado porque os outros, né, os examinadores que participaram também foram bem detalhistas, né? Então demorou praticamente perto de cinco horas, né? Foi muito, muito, muito, muito bom, muito interessante.
Eu gostaria até de ter assistido à sua. Com certeza! Agora, antes de nós.
. . eh, você tem as suas amigas, né, que estão participando direto desses encontros, essas interrelações, depoimentos.
E você, Gabriela, você falou que estudou bastante tempo com você, né? Gabriela Flores, né? A Gabriela, ela estudou com você também no Getúlio.
Isso, eu conheci a Gabriela no Getúlio. No Getúlio mesmo, quando eu entrei no Getúlio. E a Gabriela é uma grande amiga, né?
Porque a Gabriela foi minha madrinha de casamento. Ah, ela que foi minha madrinha de casamento! Então, assim, é uma grande amiga e uma pessoa iluminada, né?
Gabriela é uma estrela! Ela, sei lá, enche o palco quando ela está cantando. Delícia!
Uma voz maravilhosa! Então, assim, eu tenho amizade com ela, com a Iandra. Eu tenho amizade de mais de 40 anos, desde a época do Myas, né?
Então, assim, a Ana. . .
amizades que aquecem, né? E que fazem parte e que participaram dos diferentes momentos da vida. Exato!
Então o Getúlio também trouxe isso para mim, né? Essas amizades que ficaram para a minha vida e que continuam, e que eu quero que continuem até o final dela, né? Então, esses encontros que nós temos de amigas, juntas, uma vez por mês, para brindar a vida, para conversar, ele também é muito, muito importante, muito significativo para mim, como foi importante o Getúlio para todos nós, né?
A escola Júlio Vargas, muito importante. Quanta gente boa espalhada pelo mundo, né? Se espalharam pelo mundo, né?
Uma coisa incrível! E aí temos que glorificar, né? Então, agora, antes de encerrar, você vai falar o que você tiver vontade de falar, alguma coisa que você sinta vontade de falar que ainda não falou?
Então, nossa, deixa eu ver o que eu gostaria de falar. . .
Olha, eu acho que assim, eu venho de uma área de exatas, né? Eu gosto de números, na verdade. Mas mesmo vindo de uma área de exatas, é muito interessante, porque eu nunca me afastei, como você mesmo falou, né?
Das Artes. Porque eu sempre gostei muito de ler, sempre li, sempre gostei muito de escrever. E o escrever me ajudou na minha carreira como pesquisadora também, porque a gente escreve muito, né?
Enquanto pesquisador. Então, eu acho que mesmo para as pessoas que não. .
. não fazem. .
. né? Que as pessoas às vezes acham: "Ah, a arte é porque eu vou.
. . ah, eu vou fazer teatro, vou fazer cinema.
" Eu acho que não. Eu acho que a arte, seja você atuar num palco, seja você cantar num coral, seja você trabalhar com poesia, seja você cantar mesmo em algum espaço, o que for, seja você fazer trabalhos manuais, a arte traz um aquecimento diferente para o seu coração! Então, eu acho que ela tem que fazer parte da vida da gente para tornar as coisas, inclusive, prazerosas, mais leves, né?
Tanto que eu fui procurar participar do coral agora, né? Era uma coisa que eu morria de vontade de fazer, não tinha conseguido fazer, e agora eu participo do coral da ALF. Falo que não que a minha voz seja bonita, que as pessoas falam: "Ah, não vou cantar no coral porque minha voz é feia.
" Eu falei: "Mas a minha também não é bonita! " Cantar não é isso, né? É outro.
É o sentir a música, é você trabalhar com a voz, você trabalhar com a percepção, né? Você tem que ouvir o outro no coral! Então, a arte, seja qual for, qual for a iniciativa que você tenha, eu acho que você tem que levar para a sua vida.
E ela te ajuda a trazer essa coisa, né? Esse aquecimento para o coração. Ela te ajuda a trazer mais leveza para a vida e ela também trabalha habilidades importantes para você, né?
Se a gente for pensar para o lado profissional, também trabalha habilidades importantes. Então, eu acho que hoje as pessoas se preocupam muito com as habilidades técnicas, com o conhecimento, né? A internet, as redes sociais, elas fizeram com que as pessoas quisessem acelerar isso, né?
O conhecer, o saber o tempo todo. Mas a gente também precisa ter um momento de parar e ter esses outros contatos na vida. Então, eu aconselharia a fazer alguma coisa relacionada à arte na sua vida.
Acho que é meu recado, seria esse: Luciana, obrigado por toda essa leveza da sua fala, pela sua leveza da sua presença e a leveza de você nas nossas aulas, nas nossas interrelações. Com certeza, todos os seus colegas, seus amigos e amigas dizem isso constantemente, sem você saber, tá? Essa sua bondade, essa sua gentileza e o seu afeto, né?
A gente presenciou muitos momentos das suas atitudes afetuosas com muitos deles. Então, muito obrigado por você fazer parte desse nosso caminho, tá? E obrigado por esses belos depoimentos que você fez.
Parabéns pela sua profissão, pela sua carreira, por toda essa vida também familiar que você conseguiu construir com tanta beleza. Que você continue com muita saúde, alegria e paz para continuar contribuindo para todos nós nessa vida. Muito obrigado, viu?
Obrigada. Eu que agradeço, foi um prazer. Eu que digo!
E para vocês que estão nos acompanhando, muito obrigado pela presença, por este, mais este momento. Esses depoimentos são maravilhosos, estão significativos, construtivos, grandes exemplos para todos nós. Obrigado, obrigado, Luciana!