[Música] Esta é a segunda vídeoaula da segunda semana do nosso curso e como eu já tinha antecipado na vídeoaula passada nós vamos continuar tratando dos gêneros literários na antiguidade mas agora a partir de algumas leituras posteriores às leituras do Sócrates do Platão e do Aristóteles como de costume eu vou começar com uma citação essa do Luc e a situação é a seguinte o romance é a epopeia de uma era para a qual a totalidade extensiva da vida não é mais dada de um modo Evidente para a qual a imanência do sentido à Vida tornou-se problemática
mas que ainda tem por intenção a solidariedade o que que o lucat tá fazendo nessa citação ele tá associando um gênero antigo a epopeia a um gênero moderno que é o romance né Nós vamos ver isso com calma quando a gente for falar sobre o romance então nas próximas três semanas nós vamos nos aprofundar no gênes vamos falar sobre romance vamos falar sobre conto vamos falar sobre poesia e eu vou trazer de novo o lucat porque não é a única leitura possível da criação do romance mas o que ele tá dizendo aqui é que o
romance nasce na epopeia na epopeia o mundo externo fazia sentido e portanto as relações dentro da epopeia todas fazem sentido no caso do romance é o que ele está dizendo a imanência do sentido a vida tornou-se problemática embora ainda haja solidariedade mas o romance seria uma espécie de epopeia em eh para um mundo que não cuja imanência está perdida né para o mundo que não faz tanto sentido quanto fazia ou ou ou as relações que eram estabelecidas entre a epopeia e o mundo grego não são as mesmas que se estabelecem entre o romance e o
mundo burguês como a gente tá vendo eh não só os modelos antigos de classificação literária vão ser comentados mas também também filósofos contemporâneos modernos e contemporâneos vão fazer associações entre gêneros modernos e gêneros antigos de modo a entender como foi esse desenvolvimento dos gêneros literários ao longo do tempo a primeira figura que eu vou trazer que tem uma leitura muito interessante sobre o Aristóteles é o Hegel que é um filósofo alemão do final do século XVII pro Hegel ele não trata os três gêneros estanques né épico lírico dramático que ele trata assim o gênero dramático
seria a reunião entre a objetividade Épica e a subjetividade lírica ou seja ele não entendem os três gêneros como separados mas ele entende o gênero dramático como uma síntese do gênero épico e do gênero lírico como se fosse uma equação assim dramático é igual a épico mais lírico ou seja o dramático tem eh a subjetividade do gênero lírico e a objetividade do gênero épico ao considerar o dramático dessa forma e para o Hegel a objetividade social que era possível do dramático era ela ia se construindo a partir das vontades particulares né Ou seja eu teria
também um vislumbre da objetividade social dentro daquele gênero a partir das vontades particulares que estavam sendo expressas ali ve que não é exatamente a mesma formulação do Aristóteles né ou seja ele não tá olhando os três gêneros em separado ele está ele está olhando para um gênero como síntese como combinação como fusão dos outros dois gêneros e a partir disso refletindo sobre sobre essas características né Outra leitura que nos interessa muito são as leituras do get e do Chile que são também escritores pensadores alemães eh do final do século XVI né eles eles fazem uma
reflexão que para nós vai servir Salv engando a até o restante do nosso curso nas próximas seis semanas nós continuaremos de alguma forma lidando com essa observação e aqui eu fiz questão de colocar entre aspas Qual é a observação do GATE e do Schiller as formas dos gêneros não são arbitrárias elas emanam ao contrário em cada caso da determinação concreta do respectivo estado social e histórico o que que o gate e o Schiller estão falando eh um gênero ele não nasce arbitrariamente e nem nasce da vontade do seu criador a forma com que um gênero
se dá tem a ver com a sociedade em que esse gênero nasce ou seja se um gênero nasceu em tal lugar nesse tempo ele vai ter essa forma essa forma em grande medida é determinada pela sociedade em que esse gênero nasce então quando a gente pensa o gênero dramático ou gênero épico ou gênero lírico tal como visto pelo Aristóteles tinha a ver com a maneira como esses gêneros se comportam dentro daquela sociedade em que o Aristóteles vivia e via os gêneros literários aparecendo se eu estou conseguindo me explicar até coloquei o memezinho da Nazaré aqui
porque é uma frase intrincada se eu tô conseguindo me explicar a questão é a seguinte o que nós chamamos de gênero dramático expressa aspectos importantes da sociedade em que esse gênero se desenvolveu Ou seja a Grécia antiga isso é eh quando Aristóteles estava olhando lá e dizendo o gênero dramático é assim assim assim assim o eu estou dizendo é ele era assim assim assim assim porque a sociedade era daquele jeito né ou seja as formas nascem como expressão de aspectos do mundo em que elas foram criadas né a partir da descrição do Aristóteles do que
seja um drama ou do que seja uma epopeia ou do que seja uma od etc etc ele estabelece um paradigma para esse para essa forma ou seja se eu digo um drama é assim um drama é assado um drama é é assim um drama é assado é a partir disso outros dramas serão medidos pelo paradigma estipulado pelo Aristóteles a nossa questão aqui e é por isso que o memezinho da Nazaré tá aqui que evidentemente o mundo se transforma mais rápido do que os gêneros literários lembra que eu fiz aquela aquela conversa lá na primeira semana
em que eu falei olha existe sempre uma espécie de delay entre a crítica literária e a teoria literária né ou seja o teórico nesse caso protot teórico né porque nem existia o campo de teoria literária mas o Aristóteles olha para os dramas e estabelece um paradigma do que seja O Drama O Drama é assim assim assim assado mas os dramas nascem da sociedade e a sociedade segue se transformando logo o paradigma que o Aristóteles estabeleceu não servirá para tratar os dramas que forem criados fora da sociedade em que ele está sempre há uma espécie de
tensão entre o paradigma crítico e a produção dos gêneros porque os gêneros nascem das sociedades em que de que eles derivam tá nascem da sociedade em que eles foram criados bom por conta disso em vez de se espantar com a longevidade das formulações do Aristóteles né Eh Ou seja Nossa desculpa em vez de a gente se espantar com o fim dos gêneros literários antigos com a maneira como nós concebemos gênero literário antigo A gente devia se espantar é com a longevidade do da formulação aristot Élica né eh não sei se vocês conhecem um podcast que
se chama agora agora e mais agora e ele é um podcast português muito interessante recomendo vivamente e ele começa eh com acompanhando um intelectual árabe que é o alfarabi né De onde veio a palavra alfarrábio eh o alfarabi eh que era um grande leitor do Aristóteles justamente trilhando um caminho de conhecimento para entender mais e para acumular a respeito dos teóricos que ele analisava ou seja quando a gente pensa no que nós chamamos de idade média os gêneros literários do Aristóteles ainda estavam valendo e isso que é espantoso porque é um gênero que é uma
formulação Desculpa um paradigma que resiste às transformações do gênero ou seja ele estabeleceu um paradigma para o gêneros antigos e mesmo com as transformações sociais e com as mudanças dos gêneros esses paradigmas continuaram a valer né O que é realmente espantoso e impressionante na aula anterior eu fiz um determinado comentário bem no desfecho da aula que era dizendo assim ah a a epopeia então deixou de ser poética e passou a ser prosaica e nós tivemos o romance e nós tivemos o conto ah e o teatro Também deixou de ser feito em linguagem poética e a
linguagem poética ficou só para poesia à luz do que nós vimos nessa semana esses meus próprios comentários da aula anterior Eles parecem um pouco superficiais por quê Porque se o get e o Schiller estão corretos a nossa pergun pergunta o nosso raciocínio como teórico precisa ser ainda mais radical né Por exemplo Qual é a influência da das grandes navegações e da prensa na literatura como que a ascensão da burguesia e e o decréscimo do Poder aristocrático eles acabam influenciando da literatura essa são essas as perguntas do teórico né ou seja vou dar um exemplo recente
né como que a internet e os smartphones modificaram a literatura Porque se os gêneros nascem das transformações sociais transformações sociais Profundas causam Profundas modificações nos gêneros literários por fim se se se o papo tá bom Por fim eu tenho mais um comentário antes de gente analisar Unos textos na vídeoaula seguinte é abordar algumas leituras que são muito interessantes do anatol rosenfeld nesse chamado Teatro Épico num texto chamado a teoria dos gêneros o en feld vai ler no detalhe A as formulações do Platão e do Aristóteles e vai fazer algumas observações que nos interessam muito a
primeira delas é a caracterização do gênero lírico e caracterização do gênero épico O rosenfeld diz que o gênero lírico é o mais subjetivo dos gêneros em que as emoções e as disposições psíquicas estão mais profundamente expressas e também por isso as experiências e visões de mundo são vividas com a maior intensidade elas são expressas ou elas parecem ter sido vividas na maior intensidade essa intensidade expressa na linguagem do gênero lírico ela acaba fazendo com que nós vejamos mais ã profundamente as disposições desse eu e menos profundamente as disposições do Mundo Em contrapartida o gênero épico
é o mais amplo o mais comunicativo o mais historiográfico e nesse caso o mundo se emancipa a subjetividade do eu do gênero lírico e nós passamos a enxergar tanto o mundo quanto o eu ou até mais o mundo do que o eu essa formulação já nos ajudaria muito mas eu vou trazer uma outra formulação que é ainda mais preciosa o anator rosenfeld ele distingue o uso substantivo dos gêneros liter de um uso adjetivo Isto é eu poderia tanto falar um ã um texto lírico um texto dramático e um texto épico ou falar o épico O
lírico e o dramático quando eu falo o épico O lírico e o dramático eu estou falando dos paradigmas formulados pelo Platão e reformulados pelo Aristóteles ou seja estou falando de uma um texto que responde pelas características que aqueles pensadores indicaram nesse caso o uso é substantivo o épico O lírico e o dramático mas eu também posso falar de um uso adjetivo segundo ros F eu posso falar assim é um texto de características épicas e dramáticas é um texto de características líricas e épicas no caso do uso adjetivo eu não estou falando que um texto é
a materialização daquele paradigma eu estou só indicando que há características épicas líricas e dramáticas presentes naquele texto ou seja ele tá distinguindo um uso adjetivo e um uso substantivo das formulações aristotélicas vamos dar uma olhadinha no que a gente viu na aula de hoje nós vimos a leitura do Hegel das das categorias aristotélicas vimos os estudos do GATE e do Schiller que vão nos influenciar muito até o restante do curso acho eu que a gente desenvolveu uma reflexão mais refinada para pensar as relações entre gêneros literários sociedade que é tarefa do teórico da literatura também
e conhecemos as reflexões do rosenfeld sobre os gêneros né Eh Ou seja a ideia de fazer tudo isso claro e tá na primeira conclusão é a gente pensar sobre a dificuldade do teórico da literatura hoje para tratar dos gêneros literários de hoje em razão das da velocidade de transformação dos nossos tempos né ou seja lembra daquelas perguntas lá da aula um né O que que é literatura o que não é literatura hoje é muito difícil de responder porque as transformações sociais de formato tecnológicas etc elas produzem novas manifestações que T características afins com o que
nós definimos como literário então é um a isso torna o jogo muito mais extensivo né ou seja alguém alguém dizendo um texto no tiktok é literatura ou não é alguém narrando um conto no tiktok é literatura ou não é um Story eu posso eu posso tratar o Story como forma literária tô sendo um pouco subversiva se eu posso tratar o histório como forma literária essa pergunta que parece completamente descabida ela tem cabimento paraas nossas reflexões aqui e para e e para o que seja gênero literário contemporâneo e é claro o dinamismo esse entre gênero e
sociedade ele também explica porque que a gente tá sempre perguntando eh O que é literatura e o que não é Literatura e também responde pela tendência conservadora que nós temos Isto é quando alguém diz assim um Story é um gênero literá a gente fala não um Story não CMA lá não venha com esse Story para dentro do meu campo do teoria literária e essa essa tendência conservadora tem a ver com a gente estar o tempo inteiro obrigado a liar com a tradição da literatura e com as transformações do mundo contemporâneo Muito obrigado pela atenção reveja
as aulas quantas vezes forem necessárias acesse os monitores ou Professor estamos sempre à disposição e até a próxima videoaula tchau [Música] tchau [Música] oh n [Música]