No dia 20 de maio, o presidente Donald Trump fez um anúncio ousado, digno de um filme de ficção. Ele planeja construir um domo dourado ao redor dos Estados Unidos de modo a proteger o país de qualquer tipo de ataque externo. Uma armadura impenetrável.
É um projeto ousado, visto por muitos especialistas como Irreal. E pior ainda, China, Rússia e Coreia do Norte já se declararam serem contras a essa ideia e que caso os Estados Unidos insistam, isso pode causar uma nova corrida armamentista. No vídeo de hoje, você vai entender melhor como funciona esse projeto digno de ficção, o qual até mesmo o próprio Elon Musk disse que prefere não se envolver.
Além disso, irá conferir também quais as implicações que essa nova corrida armamentista pode trazer para o mundo. Antes de focarmos nas declarações da China, precisamos partir do princípio e entender o que realmente é o Golden Dom. No dia 20 de maio, Trump disse que uma vez totalmente construído, o Golden Dom será capaz de interceptar mísseis, mesmo que sejam lançados de outros lados do mundo e mesmo que sejam lançados do espaço, e teremos o melhor sistema já construído.
Inicialmente, Trump projetou que seriam necessários 3 anos para a construção desse sistema, além do gasto de 175 bilhões de dólares. Contudo, o valor que já é elevado pode ser ainda maior. Especialistas afirmam que para um sistema do nível que Trump deseja, seriam necessários 20 anos, além de um investimento superior a 500 bilhões de dólares.
Mas como realmente funcionaria esse sistema? E de onde veio a ideia para ele? E por incrível que pareça, a ideia veio de Israel.
O princípio do Golden Dom é um só. Um sistema para abater mísseis antes que eles cheguem. até seus alvos.
Israel conta com um sistema parecido nomeado de Iron Dom, o domo de ferro. O Iron Dom em Israel vem protegendo o país de mísseis e foguetes durante as últimas guerras. E para funcionar, ele se baseia em uma poderosa rede de radares e computadores capazes de identificar os mísseis no ar e abatê-los no meio de sua trajetória.
E é exatamente isso que Trump deseja. No entanto, a escala entre os projetos é totalmente diferente. Jeffrey Leon, pesquisador em defesa antimíseis, afirma que comparar ambos os sistemas é o mesmo que comparar um caiaque com um navio de guerra.
Além disso, vale também lembrarmos que Israel é mais de 400 vezes menor do que os Estados Unidos. Ou seja, o desafio seria construir um sistema de defesas em uma escala totalmente diferente. O foco do Iron Dom é apenas em mísseis disparados da fronteira, os quais não são capazes de voar mais do que alguns quilômetros.
O Golden Dom, proposto por Trump deverá ser capaz de interceptar mísseis intercontinentais disparados pela Rússia e China, os quais são milhares de vezes mais potentes. Até o momento, não há uma tecnologia capaz de interceptá-los, sendo que a melhor chance é conseguir interceptar esses mísseis no momento em que são disparados, na chamada fase de lançamento. Essa fase dura de 3 a 5 minutos.
Ou seja, o Golden da teria apenas essa janela de tempo para tentar interceptar um míssil intercontinental quando lançado. E como é que seria possível fazer algo assim? Para isso, seria necessário uma tecnologia espacial.
A única maneira para o Golden Dom funcionar da maneira com a qual Trump deseja seria com satélites em órbita que possam detectar mísseis no momento em que eles saem do solo e então interceptá-los. O problema para isso é que não basta ter alguns satélites. Para conseguir um sistema impenetrável, seriam necessários dezenas de milhares de satélites.
Conforme dados da Sociedade Americana de Física, é preciso 16. 000 satélites no espaço para interceptar até 10 mísseis intercontinentais. Ter tantos satélites assim em órbita é um objetivo ousado.
E somente uma empresa chegou perto dessa quantia, a SpaceX de Elon Musk 7. 000 1élites. Quando Trump anunciou o seu plano para o Golden Dom, havia uma expectativa de que Elon Musk iria ajudá-lo.
No entanto, o próprio Musk negou isso. No ex, ele declarou que nossa forte preferência seria manter o foco em levar a humanidade à Marte. Se o presidente nos pedir ajuda nesse sentido, nós o faremos.
Mas espero que outras empresas que não a SpaceX possam fazer isso. Até o momento, ele não possui nenhum envolvimento com o projeto Golden Dom. Outras empresas como a Boss Allen Hamilton demonstraram interesse em participar do projeto, oferecendo 2000 satélites antimísseis para fornecer uma boa defesa inicial.
O número tá bem longe dos 16. 000 necessários, mas já seria um começo. Mas supondo que os Estados Unidos realmente conseguissem colocar os 16.
000 satélites em órbita, como é que o Golden Dome funcionaria? Existem basicamente duas possibilidades técnicas que estão sendo cogitadas. A primeira seria a intercepção cinética, ou seja, no momento em que o satélite detectasse o lançamento de um míssil intercontinental, o que, relembrando deverá acontecer nos primeiros 5 minutos, o próprio satélite se jogaria contra ele.
E nesse cenário não há explosivos. O impacto em alta velocidade seria o suficiente para destruir o alvo. Isso exigiria um rastreamento ultra rápido, além de um posicionamento orbital de extrema precisão.
Já outra alternativa seria no uso de armas direcionais. Os Estados Unidos poderiam utilizar lasers embarcados nos satélites, de modo que eles consigam disparar contra os mísseis, especialmente nessa fase de lançamento, quando eles estão mais lentos e vulneráveis. Essa alternativa seria muito mais eficaz contra mísseis hipersônicos.
No entanto, tal tecnologia ainda não está madura o suficiente, sendo necessárias mais pesquisas até que ela possa ser utilizada. Contudo, o maior problema não é com relação à tecnologia, e sim com a possibilidade dos Estados Unidos terem 16. 000 satélites em órbita, todos eles portando armas apontadas diretamente para a Terra.
E essa é a principal reclamação da China e de outros países. Zang Xiaugang, o porta-voz do Ministério da Defesa da China, vem acusando os Estados Unidos de desrespeitarem o tratado do espaço exterior. Esse tratado assinado por todos os países proíbe a colocação de armas de qualquer tipo na órbita da Terra, pois teoricamente o espaço deve ser utilizado apenas para pesquisas e não para disputas entre nações.
Ao comentar sobre o Golden Dom, o porta-voz chinês disse: "Isso aumentaria o risco de transformar o espaço em uma zona de guerra e desencadear uma corrida armamentista espacial. Suas ações abrirão mais uma vez a caixa de Pandora. Isso prova mais uma vez que nenhum país fez mais do que os Estados Unidos para militarizar o espaço e transformá-lo em um campo de batalha.
Recentemente, o presidente russo Vladimir Putin fez couro à voz do presidente chinês X Shjin Ping, pedindo para que os Estados Unidos não militarizassem o espaço. Do contrário, eles se verão obrigados a fazer o mesmo. E quem também se pronunciou foi a Coreia do Norte, dizendo: "Se os Estados Unidos concluírem seu novo programa de defesa antimíseis, a Coreia do Norte será forçada a desenvolver meios alternativos para combatê-lo ou penetrá-lo.
" Até o momento, o ousado projeto idealizado por Trump segue com um orçamento inicial liberado de 25 bilhões, muito longe dos 175 bilhões idealizados. E mais longe ainda dos 500 bilhões estimados. Os cientistas afirmam que as chances de que o Golden Dom fique pronto em apenas 3 anos, ainda no mandato de Trump são praticamente nulas.
E mais do que isso, os especialistas alertam que ao buscar desenvolver métodos militares mais avançados, os Estados Unidos apenas estão fazendo com que os demais países também busquem desenvolver ainda mais. No final, o ciclo de militarização será perpetuado e, conforme diz o porta-voz chinês, uma nova corrida armamentista será iniciada com a diferença de que desta vez ela ocorrerá no espaço. E se a próxima Grande Guerra começar com um feite de laser disparado do espaço, será que no futuro teremos uma verdadeira guerra nas estrelas?
Até a próxima. Yeah.