nossas mães Jonatas Conceição nesse Horizonte de transcender a vida real o espaço da literatura considerado em geral como o lugar da fantasia pode ser o lugar da mais exigente verdade Alfredo B itinerários 1996 nossas mães começaram a aninhar suas crias ali por volta de 1930 um verger apressado chamaria de presépio o lugar ele estava AD sobre um grande barranco fazendo fronteira com as margens do Dick do Tororó e a parte mais alta do bairro um Engenho antigo e ali onde nossas mães vieram morar era mesmo bonito de se ver a grande Lagoa com seus pequenos
Saveiros suas lavanderias e suas margens com belas plantações de hortaliças a parte onde chegaram para ficar com suas crias tinha Avenida com casas construídas sobre o barranco e o lugar também era todo cheio de plantações Mangueiras jaqueiras Mamoeiros e muitas muitas Bananeiras árvores que sempre supriam suas mesas em horas mais precárias nós as crias frequentávamos assiduamente os dois lugares fronteiriços do bairro a margem direita da lagoa era a mais convidativa e mesmo com as proibições não deixávamos de jogar bola na grama alguns também se embrenharam na outra margem em busca de frutas e hortaliças das
roças a outra parte da Fronteira a parte alta do lugar era frequentada para compras e às vezes para um raro prazer de ir ao mágico cinema Amparo as padarias as carvoarias e a feirinha eram lugares de constantes visitas nas padarias o recurso mais usado por nossas mães era a caderneta para anotações diárias das compras feitas pelo sistema do fiado os donos dos estabelecimentos tinham plena confiança em nossas famílias mesmo sabendo que éramos da parte baixa do velho Engenho das nossas mães quem chegou primeiro a aquele lugar ninguém sabia precisar nossa mãe de verdade que saiu
de um Cortiço no centro histórico de Salvador para morar ali em barraco próprio jamais atinou para a certeza das chegadas também qual precisão teria isso onde todos conviviam numa familiaridade de séculos o certo é que dona Durvalina durv de todos exercia uma liderança maior como se fosse a mais antiga seus trajes cotidianos e inesquecíveis eram saias estampadas e sapatilhas de bico fino lembro-me bem quando ela descia à Avenida com a trouxa de roupa arrumadinha lavada engomada passada pronta para entregar nas Casas dos brancos tinha também frequentes saídas Para o Alto da Alegria dos lados do
bairro da Maralina onde seu irmão tinha um Candomblé e assim como dona Júlia Detinha santinha e outras mães não frequentava a igrejinha Católica do lugar tinha em sua casa grandes retratos de Santos dentre entre eles a estampa de São Lázaro era a mais destacada para ela naquela Avenida de poucas casas cada uma deveria ter a imagem do Santo milagreiro da Saúde acompanhado do seu cão fiel a liderança incontestável de durva sombreava a presença de seu Elias pedreiro de profissão seu marido vivia quase calado sofrendo com os calos e escalando com Arte as paredes em construção
foi a mão de seu Elias trabalhando tijolo com tijolo que transformou nossos barracos em casas até mesmo com platibanda e o acontecimento mais importante que durv de tolos comandou na Avenida foi empreitada para pegar um pobre ladão que apareceu nas redondezas algumas peças de roupa dos brancos e pequenos objetos dos casebres como serrote e o alicate de seu Elias sumiram do dia para noite foi o Estopim para durva a regimentar qual uma Maria Felipa da Independência os homens da Avenida para rendição do pequeno ladrão na nossa Avenida somos simples porém compostos de mulheres e homens
capacitados na arte da honestidade afirmou na reunião em casa de Seu Derval ele Próspero comerciante da Avenida com o seu Armazém que vendia de tudo e uma casa que tinha televisão para a gente assistir os seriados de dinin das selvas e muito mais não hesitou em perfilar no movimento para a captação do ladrão vamos precisar de todos os homens de bem para a nobre tarefa de limpar nosso bom lugar do Mau elemento disse cativamente todos os homens de bem do lugar significava também contar com com Edinho um habilidoso amigo do alheio se abrigava na casa
de Luciana dos Prazeres no final da avenida inserido socialmente em nosso meio jogava dominó e cartas com seu Raulino funcionário aposentado da Leste brasileira não hesitou em participar da Nobre campanha quando foi convidado se é para limpar a área Conte com este experiente soldado afirmou olhando convicto para seu Derval não sab amos até hoje ess estratégia para pegar aquele Como dizia durv deu certo até o sanitário da nossa mãe de verdade foi requisitado para o confronto decisivo a simples acomodação sanitária que ficava 2 met distantes da casa foi escolhida por estar sitiada em ponto estratégico
do Futuro embate os homens se esconderam à noite no local à espera que o pobre ladrão Subindo ou descendo a ladeira que margeava o rego aparecesse para seus maldosos serviços ele apareceu qual nada naquela noite dormimos o sono dos justos mas sem a emoção que esperávamos caso houvesse a captura como não ficou nada registrado na memória dos moradores sobre a rendição do pobre ladrão ladrão durva deixou sábias palavras para o fim dos sumisso dos pertences vejam que são Lázaro Não Falha C cão farejador expulsou o inimigo do bem vamos pra frente moçada com a gente
espertos ladinos não terão trégua vaticinou ela com Ares heróicos mas acontecimento mesmo maior que ocorreu em nossa Avenida foi a chegada de três negras para a casa número seis as três negras dos seis Era assim que a nossa mãe de verdade chamava Júlia Duca e miúda elas eram a festa da Avenida com seus modos peculiares mijava em pé em plena luz do dia lavando roupa em frente ao casebre além de terem trazido um pouco da África para o lugar demasiadamente santificado com AS Novenas para Santo Antônio e romarias para São Lázaro Dona Júlia era a
mais solerte das três certa feita era um final de dia ensolarado perto do carav do carnaval foi ao armazém de seu Durval comprar sabão para o ensab das roupas dos brancos e tomar um aperitivo para fechar o dia Nosa mãe de verdade não via com bons olhos a ida de mulheres ao Armazém ela dizia para nós no lugar onde tem homem Muler não vai isso porque lá era Ponto de Encontro de homens no final do dia para atualizações das notícias e para as últimas doses de saborosas cachaças no final ainda muitos desses hom eram levados
pelos braços por Don Júlia e entregues em domicílio seu virg intrépido V do armaz er um dosos mais costeiros cab de poua estatura possuidor de Umo de luas e sambas de roda quem lev os frequentadores doal mora no da aven com Trindade suas crias sempr cheg casa reclamando que dona Júlia não deixava sorver o último Gole e entoar suas LOAS favoritas quando o mar balança o barco eu tenho recordação do meu bem que está na terra prenda do meu coração mas naquele dia ela deu uma boa notícia para os assos frequentadores dali no carnaval meu
afoché vai descer a ladeira e desviar na nossa Avenida disse com toda a alegria do coração mas que afoché interrogou seu Derval o Império da África lá de cosm de Farias homem ele vem para nosso bairro saudar o afoché de Dodô o Congo da e depois vai descer pra gente brincar um pouco em nosso terreiro a senhora está com a bola toda dona Júlia precisando de segurança Conte com a minha experiência e honestidade pilheriou Edinho o Carnaval que ela anunciava aconteceu quatro semanas depois Avenida er num alvoroço só ela tinha uma fantasia muito bonita calça
e blusa com penas longas costuradas alguma coisa para brilhar Cacos de espelhos era uma caboclinha não parava de subir e descer a ladeira ansiosa para a hora do afoché se apresentar onde a gente morava alguns integrantes da Império da África já circulavam garbosos na Avenida estavam de Grand arte esquentavam o peito no armazém tagarelava aos poucos as pessoas começaram a vir para as portas das casas ver a novidade era um acontecimento diferente para todo mundo nossas mães sempre nos levavam para ver o carnaval em outros bairros principalmente o Tororó mas em nossa Avenida isso constituía
um fato muito novo foi por isso que quando des dezenas de homens e mulheres desceram a ladeira cantando dançando e mostrando suas belas e coloridas fantasias todo mundo se emocionou de uma só vez e logo aprendemos o cântico do afoché lá vem o afoché Império da África com muito amor louva as coisas de lá e com muito bom astral embeleza o nosso carnaval emori Morô emori Morô durv todos que estava em sua porta observando a movimentação logo se aproximou ensaiando algumas coreografias os os homens no armazém enalteciam as belezas naturais das moças e sorriam para
seus pares e copos e dona Júlia por onde andava estava com as irmãs Duca e miúda providenciando aperitivos e tira gosto para porta bandeira e os músculos do afoché no final da apresentação que não foi mais demorada porque o Império da África iria para o Carnaval do Tororó ela dançou com a porta bandeira beijou o standarte E assim se pronunciou trazer o Império da África para a nossa Avenida era um sonho que eu tinha agora vou fazer o carnaval no tororó Vamos lá minha gente cantando bem alto para o orixá ajudar e lá se foi
aquele bonito bolço e colorido cortejo pelas ruelas onde a gente morava rumo As Margens do Dick em direção ao tororó ninguém jamais esqueceu as imagens deste carnaval nem mesmo santinha que tudo observou de longe e não participou da festança ela era a nossa mãe mais estranha vinda do Sertão da Bahia possuía hábitos muito diferentes do estante dos moradores um deles era fumar cachimbo nós meninos ficávamos envolvidos com aquelas bolas de fumaça saindo da sua boca e Indo aos Ares era também nossa mãe mais ausente trabalhava em uma fábrica de tecidos no subúrbio Ferroviário tendo pouco
tempo para nos regular mas nos finais de semana Estava sempre a nos aconselhar Tinho vi você na beira do Dick quando cheguei da fábrica fala com a sua mãe se de novo avistá-lo Viu e além das preocupações com suas crias e com a gente também nos proporcionava passeios inesquecíveis ela tinha um irmão que vivia em um sítio nos arredores de Itapuã certa feita era festa de São João e fomos para lá chegamos no lugar durante o dia e aproveitamos muito o fato de estar num lugar grande cheio de árvores o chão com muita areia e
tudo muito Limpo nossa ida ao sítio naquela festa junina foi um acontecimento muito bonito para nós à noite a casa enchu de gente que vinha festejar todo mundo conversava comia bebia cantava e dançava Forró ao som de um trio bem nordestino quando a alegria quase foi estragada por uns rapazes que reclamaram para o arcedino irmão de santinha o que acontece é que as figuras não querem dançar com a gente Edino as figuras eram nossas irmãs que não queriam ser par de desconhecidos buia e buzinga fizeram as vezes de nossos embaixadores argumentaram que era por falta
de entrosamento que nossas meninas não dançavam com eles pouco depois de instalada a pequena confusão santinha e seu irmão não conseguiram apaziguar os reclamantes e o baile junino prosseguiu até o fechar dos olhos das últimas estrelas voltamos então para a nossa Avenida contentes e cansados do passeio por um lugar tão distante longe e distante tal como ficaram As Memórias dos pequenos mundos de nossas mães que do pranto criavam um consolo onde encontrá-las de novo nos desvãos da memória suas pequenas incontáveis histórias nos marcaram para sempre hoje caminhamos com passos que não são apenas no mas
sabemos Em que direção nos levam sim