[Música] até uns dias atrás eu era só mais um executivo estressado da cidade grande cansado daquela vida de maluco e resolvi realizar meu sonho de moleque comprar uma Fazendinha no interior e viver uma vida sossegada longe daquela loucura quem diria que essa decisão ia me levar a encarar um pesadelo que nem nos meus piores sonhos eu poderia imaginar tudo começou quando bati o olho num anúncio de uma fazenda à venda por um preço de banana ficava no interior em uma região conhecida pelas suas paisagens de tirar o fôlego e um ar puro que é uma
beleza nem pensei duas vezes antes de fazer a proposta e quando pus os pés na propriedade pela primeira vez fiquei maravilhada a casa principal era antiga mas era bem cuidada os campos se estendiam até perder de vista com um bosque Zinho no fundo parecia o paraíso na terra eu juro foi só depois de assinar os papéis que comecei a anotar as coisas esquisitas os poucos vizinhos que eu tinham parecia me evitar que nem diabo vita E foge da Cruz quando eu tentava puxar conversas Eles apenas me cumprimentavam e logo davam um jeito de sair fora
a coisa mudou quando eu conheci a dona Zumira uma senhora de 80 anos Bem vividos que morava na fazenda vizinha ela veio me visitar uma tarde trazendo um bolo de fubá de presente que tava uma delícia que diga-se de passagem o senhor é corajoso de comprar essa Fazenda ela disse enquanto a gente tomava um cafezinho na varanda o olhar dela parecia que queria me dizer alguma coisa como assim Dona Zumira eu perguntei a velha senhora suspirou fundo antes de continuar faz 30 anos que a pequena Maria sumiu aqui nunca acharam o corpo da menina Coitada
Mas todo mundo sabe que foi naquele poço velho lá atrás da propriedade na hora eu já senti um arrepio que que poço que poço Dona Zulmira Dona Zumira apontou pro bosque lá no fundo lá no meio das Árvores Ninguém chega faz anos dizem que dá para ouvir os gritos dela até hoje tentei argumentar para ela disse que isso era impossível E que provavelmente eram só lendas da região mas dona Zumira só Balançou a cabeça o senhor vai ver quando a lua tiver cheia você vai ouvir e que Deus proteja você se resolver investigar no dia
seguinte Tentei tirar aquela conversinha boba da minha cabeça me Centre em arrumar a casa e planejar é o que eu ia fazer na fazenda mas de noite deitado na minha cama não conseguia parar de pensar na história da menina foi numa quarta-feira quase duas semanas depois da visita da dona Zumira que tudo virou de ponta cabeça a lua cheia tava brilhando no céu quando fui acordado por um som distante no começo pensei que fosse o vento Mas aí o som ficou mais claro era um grito um grito agudo desesperado que parecia vir de muito longe
meu primeiro instinto foi chamar a polícia mas o que que eu ia falar como é que eu ia dizer que tava ouvindo um fantasma de uma menina gritar eles iam achar que eu sou maluco isso sim bom vesti minha roupa ex pressas e armado com uma lanterna fui em direção ao Bosque o caminho estava coberto de folhas secas que estalavam embaixo dos meus pés enquanto eu andava quanto mais eu me aproximava mais os gritos ficavam Foi então que eu vi o poço Era uma construção antiga de pedra parcialmente coberta por trepadeiras devia ter uns 3
m de diâmetro com uma abertura escura que lembrava uma boca cheguei perto e devagar o coração já tava acelerado os gritos tinham parado mas agora eu ouvi outra coisa um som de água se mexendo lá no fundo me debrucei na beira do poço iluminando o interior dele com a minha lanterna no começo não vi Nada Além da Escuridão mas aí alguma coisa se mexeu não era só água era uma forma pálida que por um instante me pareceu se o rosto de uma criança me encarando Nas Profundezas dei um passo para trás horrorizado e foi nessa
hora que eu senti uma força invisível me agarrou no tornozelo me puxando em direção ao poço caí no chão com as unhas se cravando na terra enquanto eu era arrastado não sei como mas consegui me agarrar numa raiz que estava exposta ali no chão a força continuava me puxando e eu podia jurar que euv uma risada de criança eando no fundo do poço no último esforço e desesperado consegui me soltar corri de volta para minha casa sem olhar para trás tropeçando e cindo várias vezes no caminho passei o resto daquela noite acordado tremendo que nem
vara verde com todas as luzes da minha casa Cesa e quando o sol nasceu tentei me convencer que tudo não passava de coisa da minha cabeça e que talvez só talvez eu tinha sonhado com aquilo mas aí eu vi marcas de arranhões no Meu tornozelo E pior pegadas pequenas como uma de uma criança marcas de Lama no chão da varanda e já faz uns três meses desde aquela noite nunca voltei ao poço e hoje em dia durmo abraçado e orando com a cruz toda a lua cheia ouço os gritos Às vezes acordo no meio da
noite e me vejo parado na beira do Bosque como se alguma força me guiasse para lá tentei cotar paraa Dona Zumira mas ela se recusa a falar comigo agora os outros vizinhos atravessam a rua quando eles me vem acho que sabem que fui marcado por uma coisa que seja o que estiver tava dentro daquele poço não sei quanto tempo mais eu vou aguentar antes de cender a tentação de lá parte de mim quer descobrir a verdade outra parte crê que algumas verdades são terríveis demais para serem reveladas bom coloquei a fazenda à venda mas por
enquanto não obtive nenhuma proposta e sou obrigado a ficar aqui sendo torturado todas as noites de lua cheia com aqueles gritos distantes meu nome é Carlos e num piscar de olhos me vi aqui com 45 anos nas costas as mãos estão calejadas de tanto trabalhar com a madeira e tentando contar uma história que eu juro por Deus que ninguém vai acreditar mas eu preciso botar para fora sabe preciso contar o que aconteceu naquela Fazenda amaldiçoada mesmo que as palavras tremam na minha boca igual de minhas mãos tremem agora bom tudo começou quando eu peguei aquele
trampo de carpinteiro na reforma da Fazenda pedra negra Era só mais um serviço sabe pelo menos foi o que eu pensei de começo a fazenda ficava longe para caramba uns 50 Km da cidade mais próxima escondida ao meio dos morros cheguei lá num dia quente de Março que parecia que ia derreter o asfalto éramos uma equipe tanto uns 20 cabeças contando todo mundo pedreiro eletricistas e encanadores e até mesmo uma cozinheira para não deixar a gente morrer de fome os novos donos da fazenda Ricardo e Márcia Estavam todos animados com a ideia de transformar aquele
lugar feio e abandonado num cantinho de descanso pros fins de semana mas olha desde o primeiro minuto que eu botei os pés naquela propriedade alguma coisa já começou a me incomodar no meio de tudo bem no centro tinha um Corral Vel que destoava de todo o resto do sítio as outras construções estavam caindo aos pedaços mas aquele Curral parecia que estava Resistindo ao tempo sabe as tábuas todas escuras tinham um ar sinistro como se guardasse os segredos que era melhor deixar quieto nos dias seguintes o trampo seguiu normal Antônio nosso Capataz era um homenzão de
uns 50 anos distribuí as tarefas com eficiência de um general o Joaquim um moleque de uns 20 anos sempre com uma piada na ponta da língua ajudava a manter o astral da equipe lá em cima e a Maria nossa cozinheira de meia idade fazia umas comidas que dava vontade de lamber o prato foi na primeira sexta que as coisas começaram a ficar um pouco esquisitas tava todo mundo reunido em volta da fogueira depois da janta contando causos e dando risada quando de repente Antônio ficou sério Ele contou que na noite anterior enquanto consertava uma cerca
perto do Corral ouviu umas vozes mas segundo ele não pareciam ser vozes normais era uma Voz Estranha numa língua que ele não entendia nenhuma palavra todo mundo riu e zoou Antônio falando que ele deveria ter enchido a cara todo mundo menos o Joaquim o moleque que ficou branco que nem papel quieto feito uma estátua Aquilo sim era estranho para quem não parava de falar e ficar fazendo gracinha no dia seguinte Joaquim veio me procurar com uma voz tremendo igual vara verde ele me contou que também tinha visto algo estranho acordou antes do sol raiar e
quando olhou pela janela do alojamento vi umas sombras se mexendo dentro do Curral mas não eram sombras normais ele disse eram formas que pareciam ter vida própria confesso que fiquei com uma Puga atrás da orelha mas tentei botar panos quentes provavelmente era o cansaço do trabalho pesado eu pensei mas aí as coisas começaram a piorar e como começaram ferramentas começaram a sumir e aparecer em lugares que não faziam sentido o gado dos pastos vizinhos ficava agitado sem motivo especialmente de noite e então apareceram as marcas foi a Maria que notou a primeira Numa manhã ela
entrou correndo no refeitório mais branca que farinha de pão nos levou até o Curral e mostrou nas paredes de dentro tinha aparecido umas manchas escuras formando uns símbolos esquisitos e o cheiro do ar não deixava dúvida era de Sangue Fresco a partir dali o medo se espalhou que nem fogo em palha seca alguns queriam cair fora mas o dinheiro era bom demais e largar isso era osso outros que nem ficavam por pura osia querendo entender o que diabos estava acontecendo comecei a fuçar a história dessa Fazenda nas horas vagas e foi difícil de achar qualquer
informação mas o que eu descobri me gelou o sangue Décadas atrás A Fazenda pedra negra pertencia a uma seita meio estranha eles faziam uns rituais sinistros no Corral sacrificando o bicho e pelos rumores eram pesados Quando contei isso pro pessoal o pânico virou festa alguns trabalhadores deram no pé naquela mesma noite os que ficavam estavam tensos olhando por cima do ombro todo o tempo então chegou aquela noite que eu nunca vou esquecer o céu estava coberto de nuvens pesadas Sem Lua e Sem estrela eu estava no alojamento me revirando na cama sem conseguir pregar o
olho quando eu ouvi o primeiro grito vinha lá do Curral corri para lá junto com os outros caras e o que vi meu Deus tem hora que eu queria poder arrancar aquela cena da minha cabeça O Curral estava iluminado por dentro com uma luz verde que piscava as sombras dançavam nas paredes mas não eram sombras normais tinham formas substância e pareciam tentáculos contorcendo no meio de tudo estava o Joaquim o corpo dele flutuava aos palmos do chão todo torto em um ângulo meio estranho os olhos dele estavam completamente branco e da boca saíam um palavras
de uma língua que eu não entendo até hoje o Antônio numa atitude de coragem ou loucura avançou para tentar ajudar o Joaquim e assim que encostou nele ele foi envolvido pela mesma energia sinistra os gritos dos dois se misturaram numa sintonia de agonia que eu nunca vou esquecer o que aconteceu nas horas seguintes é quase um borrão na memória eu lembro de gente correndo gritando as paredes do Corral começaram a sangrar formando os mesmos símbolos que a gente tinha visto antes e quando o sol nasceu o silêncio era eterno O Curral lá parecia normal como
se nada tivesse acontecido mas oito dos nossos tinham sumido incluindo o Joaquim e o Antônio Eu chamei a polícia Claro mas o que que a gente Ira dizer que sombras vivas tinham levado nossos amigos que as paredes tinham sangrado o caso foi arquivado como desaparecimento inexplicado o Ricardo e a Mara jogaram área Claro botaram tudo à venda para uma mixaria mas ninguém quis comprar o lugar ficou abandonado de novo já faz 5 anos desde aquela noite não consigo dormir direito e sempre acordo suando frio ouvindo aqueles gritos nos meos pesadelos às vezes penso em voltar
lá para tentar entender o que realmente aconteceu mas aí eu lembro da cena o velho Corral ainda tá lá guardando seus segredos e às vezes nas noites sem Luas Eu juro que posso ouvir vozes distantes me chamando me convidando a voltar parte de mim quer resistir mas a outra parte a outra parte que é que um dia eu possa entender esse chamado até se meses atrás eu era só mais um z ninguém de 35 anos tentando realizar meu sonho bobo de ter meu próprio pedaço de chão nunca passou pela minha cabeça que seess sonho é
virar um pesad delo que agora não me larga nem por um segundo Começou quando eu finalmente juntei uma graninha para comprar uma Fazendinha mixuruca no interior de Minas era um lugar bonito viu Campos Verdes Iam até onde o olho alcançava um Riachinho de água limpa até cortava minha propriedade parecia bom demais para ser verdade E como descobri depois realmente era no dia seguinte me mudei tava tão empolgado que nem prestei muita atenção quando o corretor falou alguma coisa sobre uma casa velha no alto do morro ali perto ele disse que fazia parte da minha propriedade
mas estava abandonada Fazia anos nem liguei tava mais preocupado com o pensamento de onde eu ia plantar minha safrinha foi só pela manhã seguinte enquanto eu tomava meu café na varanda que eu notei a casa lá estava ela no topo do morro no alto da propriedade meio escondida por umas árvores antiga mesmo de longe tinha algo esquisito nela as janelas eram escuras e pareciam olhos me encarando bom eu decidi que eu ia dar uma olhada mais de perto assim que eu tivesse tempo mas antes que eu pudesse fazer isso recebi a visita do meu vizinho
mais próximo seu Antônio um coroa de uns 70 anos pele toda castigada pelo sol e uns olhos que pareciam carregar um peso de 1 Segredos Então você é o dono da fazenda do Morro ele disse sem pedir de licença para entrar espero que você saiba Onde você tá se metendo rapaz confesso que fiquei intrigado com o jeito dele de falar como assim seu Antônio tem algo de errado na fazenda o velho olhou pros lados como se tivesse medo de alguém ouvir antes de me responder a fazenda não mas aquela casa lá em cima se eu
fosse você ficava longe dela eu tentei arrancar maisas informações dele mas o velho só Balançou a cabeça e resmungou sobre coisas que é melhor deixar quieto antes de ir embora ele me olhou de um jeito que misturava pena e aviso e saiu andando nos dias que vieram recebi visita de outros vizinhos todos pareciam fazer questão de me avisar sobre a casa alguns eram mais diretos falando de gritos ouvidos de noite e luzes estranhas vistas na janela outros eram mais vagos falando sobre ma agoro e um lugar amaldiçoado confesso que todas as histórias começaram a me
deixar com uma pulga atrás do Orelha mas ao mesmo tempo despertaram Minha Curiosidade Afinal era só uma casa velha né O que podia ter de tão terrível lá Foi num sábado à tarde umas duas semanas depois que eu cheguei decidi finalmente ir investigar aquela casa peguei uma lanterna e um canivete Nunca soube o que eu podia achar aquela casa abandonada e comecei a subir o morro o caminho era mais difícil do que parecia a trilha tava quase toda coberta por mato como se a natureza tivesse tentando esconder a casa do mundo quanto mais eu subia
mais pesado o ar ficava era como se uma névoa invisível tivesse se fechando ao meu redor quando eu finalmente cheguei no topo fiquei surpreso com que eu vi de perto a casa não parecia tão abandonado assim Claro a pintura estava assim de des cascada e tinham umas Trip madeiras cobrindo boa parte das paredes mas a estrutura parecia firme as janelas embora empoeiradas estavam inteiras cheguei perto da porta da frente meu coração batendo que nem tão boou de macumba foi aí que notei a primeira coisa estranha não tinha teia de aranha na casa numa casa supostamente
abandonada Fazia anos isso não fazia o menor sentido a porta não tava trancada abriu com um só rangido que pareceu ecar no morro inteiro dentro tava escuro e o cheiro de mofo chegava a sufocar liguei Minha Lanterna e dei os primeiros passos lá dentro a sala de estar parecia congelada no Tempo móveis cobertos de Lençóis empoeirados quadros nas paredes mostrando gente da época que já passou faz tempo mas algo não batia tinha marcas no chão emperado com como se alguém tivesse passado por ali há pouco tempo meu sangue gelou quando eu vi as paredes tinham
marcas nelas centenas delas não eram riscos ou pichação pareciam símbolos desenhados com algo estranho ouvi um barulho vindo do andar de cima passos lentos arrastados mas sem dúvidas eram Passos alguém ou alguma coisa tava lá em cima uma parte de mim queria sair com correndo dali o mais rápido possível mas a outra parte uma parte que eu não reconhecia queria subir aquelas escadas e descobrir quem tava lá foi nessa hora que eu vi no reflexo do espelho emperado no rol por um segundo jurei ter visto um rosto por um segundo jurei não ter visto meu
rosto mas o rosto de um velho com os olhos completamente pretos e um sorriso que mostrava os dentes afiados demais para serem deente não lembro direito como sair da casa mas a próxima lembrança é de estar correndo morro abaixo tropeçando caindo várias vezes e quando finalmente cheguei em casa tranquei as portas e as janelas passei a noite em claro os olhos pregados no morro certo de que a qualquer momento eu ia ver as luzes acesas naquela casa maldita pela manhã tentei me conveni que tudo não passava da minha imaginação alimentada pelas histórias dos vizinhos mas
aí notei as marcas de lama nos meus sapatos e pior um símbolo estranho marcado na palma da minha mão que eu tenho certeza que não tava lá no dia anterior já faz seis meses desde aquele dia não voltei à casa mas sei que ela me chama às vezes acordo no meio da noite e me vejo parado na varanda olhando pro morro e juro que eu posso ver uma luz fraca brilhando em uma das janelas como se alguém estivesse me esperando os vizinhos não falaram mais comigo eles atravessam a rua quando me vem chegando fazem o
sinal da cruz acho que sabem que aquela casa deixa uma marca em mim tô colocando a fazenda à venda eu preciso ir embora antes que seja tarde demais mas uma parte de mim sabe que não importa onde eu vá aquela casa vai est sempre me chamando de volta