Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar. Vamos conversar! Gostar de perder ninguém gosta.
Mas é preciso saber perder e saber perder é algo que se aprende, ou melhor, se constrói. Ninguém vai gostar, mas também não precisa ficar destruído. Quando nós falamos em saber perder, nós podemos pensar em três pontos: não saber perder, não poder perder, ou o que vai um pouquinho mais além, quando o perder é inconcebível, porque o medo de perder supera a vontade de ganhar.
A criança, desde muito pequenininha, precisa construir esse saber perder. Porque para saber perder, a gente precisa entender que alguém é melhor que a gente, que nem sempre eu consigo fazer algo, que me faça ganhar, e eu preciso, de fato, construir esta frustração com repertório. Quando a gente pega uma criança bem pequenininha e o adulto vai apostar uma corrida com ela, e faz aquele passinho de formiguinha, a criança ganha, lá na frente, não muito lá na frente, ela vai entender que aquilo lá não era real.
E lembra daquela conversa? E vai sentir “se eles esconderam isso de mim, ou se eles forjaram isso, é porque eu não sou tão bom. ” Então, essa história do adulto deixar uma criança ganhar, sempre acaba mal.
Sempre! Um outro ponto muito importante é quando o adulto não permite que ninguém seja melhor do que seu filho. E aí entra aquele: “eu não posso perder!
” “Eu não posso perder”, passa pela expectativa que o outro tem dele. E aí a coisa fica muito complicada, porque ele “deve” para o outro. Ele “deve” isso ao adulto.
“É melhor que o meu pai fique feliz com a minha vitória, do que eu ser cobrado por isso. ” Muitas vezes, um adulto não percebe que faz isso. Então, quando um aluno fala “eu tive seis na prova”, ao invés de voltar-se para aquele momento, a primeira pergunta é: “e os seus amigos foram bem?
” “E o resto da sala, como é que foi todo mundo? ” Inevitavelmente, a criança ou o adolescente se veem comparados. Gente, é muito interessante, porque muitas crianças que praticam esportes, que pedem rendimento, eles ficam tão preocupados com a expectativa, com o adulto que entra, com adulto que reclama do outro.
. . que isso reflete, imediatamente, nesse “eu tenho que ganhar.
Eu não posso perder de forma alguma! ” E o que mais me preocupa é quando esse não sei perder, não posso perder, não quero perder, paralisa a criança ou o adolescente. É aí que entra aquilo que eu falei, que é uma máxima muito ligada a futebol, que é: “o medo de perder é maior do que a vontade de ganhar.
” O que eles fazem? Não entram, eles não começam, eles não jogam, eles paralisam na hora de fazer uma avaliação, eles desistem de processos seletivos e eles começam a se enganar com o “eu nem queria mesmo. ” Gostar de perder também não é bom.
Ninguém gosta de perder. Aí a gente inventa aquela coisa “o importante a competir”, é para a gente também se satisfazer um pouquinho. Mas prestem atenção.
Nós precisamos dar essa oportunidade, para as crianças e para os adolescentes. O adulto precisa ensinar que perder é muito diferente de fracassar. Vamos conversar!