Muito bem, boa noite. Eh, nós hoje vamos nos dedicar a segunda grande teoria moral da modernidade, [Música] que é aquela proposta pelo filósofo alemão Emanuel Kant. Bem, eh, Emanuel Kant e o seu pensamento vão Tomar nossas duas próximas aulas e isso vai, evidentemente, nos permitir chegar em novembro, mais ou menos dentro do nosso programa, eh, podendo consagrar ao mês de novembro, o século XIX. Eu já antecipo pelo nosso calendário que a nossa segunda prova vai acontecer no dia 28 de novembro, porque se eu deixar para 5 de dezembro Eu não consigo colocar as notas no
Júpiter. Muito bem. Eh, o que que é fundamental saber a título preliminar? Na aula passada nós falamos sobre o utilitarismo de John Stuart Mill. E o que que eu penso? Eu penso que os pensamentos de Mil e de Kant são pensamentos Opostos, né? Opostos. Essa é a ideia. Eu talvez pudesse até considerá-los invertidos, né? Então, o que isso significa? Significa que o que é certo para um é errado pro outro. O que importa para um não importa pro outro. O que vale para um não vale pro outro. E, portanto, um pensa o contrário do outro.
Ora, Isso nos poderia nos levar a pensar que esses pensamentos eh utilitarismo e o cantismo são pensamentos que cada um tem a metade da verdade. Se juntarmos as duas, vamos ter um bom, uma boa combinação. Isso não é possível, né? Eh, isso não é possível porque não são pensamentos opostos complementares, né? São pensamentos opostos excludentes. Ou seja, se você aceita as premissas de um, não tem como aceitar as premissas do outro. Não é possível encaixá-los. não é possível combiná-los. OK? Muito bem. Eh, em relação ao utilitarismo da aula passada, o pensamento de Kant é infinitamente
mais difícil e, portanto, começar com utilitarismo é uma escolha estratégica. pelo menos temos agora com o que eh o Que usar como referência. Eu penso que eh o pensamento moral de Kant, e eu já disse isso outras vezes, é mais ou menos o que representa o Monte Evereste para o Inista. o que tem de mais difícil de conseguir e, portanto, o que tem de mais fascinante também, né? Ora, Kant é um pensador De uma biografia sem graça. Não viajou, viveu sempre na mesma cidade, não consta que tenha tido muitos amores. Levou uma vida absolutamente regrada
e uma vida muito coerente com a sua filosofia. O curioso, a única coisa que realmente chama atenção é que a grande obra de Kant, ela surge na maturidade, né? As grandes obras de Kant surgem quando ele já tinha mais de 60 anos. E isso não é muito comum, né? Então, nesse sentido, muita gente tenta explicar por o que que ele tava fazendo antes, porque o que ele escreveu antes não teve tanto impacto e porque só aquilo que ele produziu depois eh se transformou, né, fez dele o mais Importante pensador moral de toda a modernidade e
para muitos de toda a história do pensamento. A verdade é que Kant, além daquilo que nos interessa, o pensamento moral, Kant também produziu em outras áreas da filosofia. Você sabe que a filosofia hoje conserva três preocupações. Houve um tempo que a filosofia se confundia com todo tipo de conhecimento, mas hoje a filosofia conserva apenas três preocupações. A primeira delas, o que significa conhecer? Quais são os limites do conhecimento, não é? O que que tem que acontecer na minha mente para que eu possa afirmar que conheço alguma coisa? A segunda preocupação é sobre o belo. O
que é o belo? O que é a beleza? O que que o mundo tem que ter para ser belo? Será que diante de alguma coisa bela, todos têm que identificar ali beleza? A beleza é um dado inerente das coisas ou É um atributo atribuído por quem contempla? Eh, todas essas perguntas elas estão por detrás de uma teoria do belo, que é a segunda a segunda grande preocupação da filosofia. E a terceira grande preocupação da filosofia é aonde nós nos encontramos, como devemos agir. É uma preocupação sobre o comportamento humano. Mas que fique claro, não é
uma preocupação científica que investiga porque o homem age como Ele age. Isso tá a cargo da psicologia, da economia, da antropologia, etc. A preocupação que continua filosófica, ela é de índole moral. Ou seja, como deveríamos agir, né? O objeto da investigação não é o comportamento efetivo do homem, mas é como o homem deveria agir. Muito bem. Kant, ele consagra a cada uma das preocupações uma grande obra, né? Eh, para o conhecimento, para a investigação do conhecimento, Kant eh publicou uma Obra, talvez uma das mais conhecidas de toda a história do pensamento, que cujo título é
Crítica da Razão pura, uma obra dificíima e que tem por objetivo estudar os limites da razão, né? os limites da razão, até onde podemos conhecer o mundo, certo? Então, felizmente esse não é o nosso problema, né? Mas esse é o problema eh eh de quem se interessa pela investigação filosófica a respeito do conhecimento. E essa investigação filosófica a respeito do conhecimento tem um nome que é epistemologia, né? O que conhecer quer dizer? O que eu tenho que fazer para conhecer? Quais são os limites do meu conhecimento? A segunda preocupação de canta é sobre o belo,
o que é a beleza. E a obra consagrada a esse tema é a crítica do juízo. E a terceira preocupação é como devemos agir. E essa obra tem como título a Crítica da razão prática. Portanto, eis aí aonde nos encontramos na crítica da razão prática. Muito bem. Eh, Kant eh eh admitiu que suas reflexões sobre moral são reflexões eh difíceis. Então, Kant escreveu uma espécie de guia facilitador ele mesmo, né? Então isso é muito comum. Uma pessoa tem uma obra densa e alguém escreve uma obra do tipo para entender fulano de tal. normalmente é outra
pessoa. No caso de Kant, foi ele mesmo Que escreveu. Então, dizer, para entender a minha filosofia moral, ele propôs um livrinho facilitador. E esse livrinho facilitador tem um título. E esse título é Fundamentos da Metafísica dos costumes. Bom, espero que você tenha percebido pelo título que quem quer mesmo facilitar não põe esse título numa obra, certo? Então, quer dizer, cante quando facilita. Eh, eh, mais ou menos, né? E é mais ou menos assim, não pensa você que vem com história em quadrinho, Vem com coisa, não é? Continua complicado. Só que como ele acha que por
aí é mais fácil, é o que nós seguiremos. e eh iremos atrás da sua sugestão. Então, no final da aula, eu vou pedir para você ler duas ou três coisinhas. E essas duas ou três coisinhas são textos tirados exatamente desta obra, fundamentos da metafísica dos costumes. OK? Então, só para você saber, três grandios obras, crítica da razão pura, crítica do juízo, crítica da razão Prática, são obras de maturidade, obras tardias, não é? E no caso da moral tem até um guia facilitador, fundamentos da metafísica dos costumes. Então, ah, professor, nós temos mesmo que encarar esse
autor? Naturalmente que sim, né? Não tem como entender aonde chegamos no pensamento moral sem passar pelo pensamento de Cante. É parada obrigatória. Parada obrigatória e parada indigesta. OK. Muito bem. Eh, Eh, ainda a título introdutório, valeria a pena eh eh recorrer ao que a gente já aprendeu para procurar situar o pensamento de Kante na história do pensamento moral. Então, eu vou propor eh duas comparações, né? duas comparações. Uma primeira comparação é da do pensamento de Kant com o pensamento grego. E uma segunda comparação é do pensamento de Kant com o pensamento Cristã. E com isso
nós vamos começar a nos situar. Muito bem, comecemos então Kant versus Aristóteles, né? E pode ter certeza, eis aí os dois maiores pensadores sobre moral da história da humanidade, né? Kant versus Aristóteles. Muito bem. Eh, você haverá de se lembrar que Aristóteles ele parte de algumas premissas e claro, as premissas das quais Aristóteles parte não são as mesmas de Kant, porque Kant sabia coisas que Aristóteles não poderia saber. Muito bem. Eh, vamos retomar o que sempre soubemos. Um, a ética de Aristóteles é o quê? É uma reflexão sobre o pacote da vida. É uma reflexão
sobre o pacote da vida. Então, Aristóteles presta muito menos atenção às condutas individuais e muito mais atenção à vida como um todo, como um pacote. Ótimo. Ora, nesse ponto já podemos estabelecer uma diferença interessante. Por quê? Porque no caso de Kant é o contrário. Em outras palavras, Kant se interessa sobre, digamos, a direção geral da vida. Sim, ele se interessa. Mas a sua filosofia moral não tem por objeto o pacote da vida. A sua filosofia moral tem por objeto as condutas singularmente consideradas, tá? OK. Então, eis aí eh, uma primeira uma primeira abordagem Possível. Ora,
eh, segunda ponderação, o que que a vida tem que ser boa? Quem tem que ter para ser considerada bem-sucedida e bem vivida no caso de Aristóteles? Resposta. Eh, é preciso que a vida permita o pleno desabrochar dos talentos eh de cada um. E esse pleno desabrochar dos talentos implica um respeito absoluto àquilo que a natureza de cada um tem de melhor, tá certo? Então, quer dizer, eh eh a ética aristotélica é a construção de condições De vida que permitam a exuberância natural de cada um atingir o seu pleno florescer. Ficou claro isso? Tá certo, né?
Eu acho que isso já ficou definitivamente claro. Ora, que que eu diria de canto? Que é rigorosamente o contrário. É rigorosamente o contrário. E por que é o contrário? Porque na hora que você pergunta para Kant o que que uma conduta tem que ter para ser boa, o que tá por trás de tudo é uma desconfiança profunda Da natureza de cada um. E essa natureza de cada um, ela se manifesta onde? Nos desejos, nos apetites, nos interesses, nas inclinações, nos tesões, nas pulsões, etc. Então, a moral cantiana é um descolamento da natureza. é a possibilidade
soberana de se opor a tudo que é pulsão, desejo e inclinação. É a possibilidade de deliberar na contramão do tesão, na contramão do do desejo, na contramão da inclinação. Então você percebe que Existe entre Aristóteles e Kante uma uma um descompasso evidente. Evidente. Isso me faz rir. Por quê? Porque não não eu eu eu eu eu tenho acompanhado cada vez mais ali as sessões do Supremo e eu já citei isso outras vezes e de novo eu peguei o ministro do Supremo e na mesma página ele põe Aristóteles e Kant. os dois fundamentando o mesmo ponto
de vista que é o dele. Ora, pois eu posso lhes garantir que nem um nem outro tavam querendo dizer o que ele queria dizer. Não serviam para fundamentar nenhuma, nem um nem outro. Agora, sobretudo, um suporte ao outro, né? Por quê? Por quê? Porque o pensamento grego é um pensamento em que a vida é boa quando ela é um altar para o desabrochar da tua natureza. Pois a conduta moral de canta é boa quando você consegue deliberar contra os teus apetites, se isso for dever. Em outras palavras, eh, a moral de Kant é o triunfo
da razão em relação às pulsões e os apetites. Ou Seja, é o é o triunfo da razão em relação à natureza desejante, pulsional e libidinosa. Então, por portanto fica evidente que eles não falam a mesma língua e tem uma concepção completamente diferente de de entender a vida e a conduta do homem. Tá perfeito isso aqui. Tá bom. Muito bem. Terceiro aspecto que me parece absolutamente fundamental, qual é? Eh, Aristóteles parte de uma premissa cósmica. Em outras palavras, qual é o terreno de Jogo? Qual é o lugar aonde vivemos? Porque isso é importante. Então, para Aristóteles,
o lugar aonde nós vivemos é finito e organizado. Portanto, a nossa vida tem a ver com essa ordem. E viver bem é alinhar-se nessa ordem. Ora, isso é muito simples. Cante é 1700 e bolinha a 1700 e muita bolinha. Então, é claro, K já sabia de Copérnico, Galileu e Newton. O universo não é nem finito e nem ordenado. Portanto, a nossa vida não Pode ter a ver com esse avinhamento. O vento venta, maré mareia, o sapo sapeia e eu dou aula. Não, não funciona assim, não é assim. Então essa não pode ser a referência, tá
certo? Então eh qual é, digamos, o paradigma aristotélico? O paradigma que tem como ponto de partida um universo ordenado e finito. Qual é o paradigma cantiano? um paradigma que tem como ponto de partida um universo infinito e caótico. Então, claro, é normal que eles não cheguem às mesmas Conclusões. Continuando, na perspectiva aristotélica, as pessoas e as coisas e os animais e as plantas já nascem para alguma coisa, como numa máquina. Então, o que que você deduz? A vida será boa quando você ajuda a máquina a funcionar bem. Então você faz o teu papel bem e
já tem um papel, você nasce para esse papel. Então, claro, se você resolver com o papel, você com a tua vida e com o universo. Mas o normal é que você Descubra o teu papel e busque a excelência no teu papel. Ótimo. Eh, eh, qual é a graça disso? A graça disso é que você eh na busca da vida boa eh não te não te é dado muito o direito de escolher muita coisa, né? É o que diria Aristóteles para mim? Você nasceu para dar aula. Diz: "O máximo que você pode fazer para viver bem
é é dar aula do melhor jeito possível. Ah, mas e se eu quiser montar uma pousada em búzios, você vai com a Sua vida e com o universo. Ah, e se eu quiser trabalhar no Senado Federal, vai com a sua vida e com o universo. E se eu quiser montar um bordel eh em Bangkok, vai com a sua vida e com o universo. Quer dizer, então, ou é isso ou é isso, tá certo? Não tem muito o que escolher. Ora, o que Kante já sabia? que o universo não tem nada disso, né? Eh, eu não
nasci para dar aula. O intestino também não, né? Não, não tá inscrito em ordem nenhuma. Tudo é uma zona, tem Intestino que não peristalta, tem, né? É tudo uma coisa de louco. Tem tem aquilo que você achava que era para reproduzir, o nego usa para ter prazer. Aquilo que você achava que era de para defecar, o nego usa para ter prazer. É uma zona, é uma confusão, não dá certo, tá tudo errado. Então Kant, ele já partia de uma concepção muito diferente. E aí, é claro, na hora de discutir a conduta, ele não vai amarrar
numa ordem cósmica, porque não é isso o mais Importante. Consequência imediata disso. No caso do pensamento grego, tem gente que cumpre melhor a sua tarefa do que outros. São superiores, são mais talentosos. Tem gente que cumpre pior a sua tarefa do que outro, são menos talentosos. Exemplo de Aristóteles, tem olho que enxerga melhor do que outro. Então, é um olho virtuoso, é um olho talentoso. O que faz do olho? Um olho talentoso. Ele enxerga bem. O que faz do professor? Um Professor talentoso. Ele ensina bem. O que faz de uma vaca, uma vaca talentosa ou
virtuosa, ela dá bastante leite. O que faz não sei quê, ele cumpre bem a sua função. Ótimo. Então, uns são superiores aos outros. Então, você tem superiores e inferiores entre nós. E por isso, senhores e escravos. Pois muito bem. Essa perspectiva também não é adicante. Então eu eu tô tentando traçar aqui um panorama comparativo, né, para você Depois ir desfrutando daquilo que Kant vai propor. Ora, o que é que Kante vai propor? Cant vai propor que o mais importante na vida do homem não é o pleno desabrochar das suas potências, das suas virtudes, como propõem
os gregos. Se existe alguma coisa que nos caracteriza a todos, É justamente a possibilidade de pensar para decidir sobre a vida, sobretudo na contramão das inclinações, dos desejos e das pulsões. Em outras palavras, o que caracteriza o homem é esta possibilidade de, através da razão, saber o que ele deve fazer, independentemente Do quê? Do que ele deseja fazer. Ora, então, se eu perguntar no dia da prova, estabeleça um panorama comparativo entre o papel da natureza no pensamento grego e no pensamento cantiano moderno? Então, claro, é uma pergunta sofisticada. Mas é uma pergunta que você tem
condições de responder. Para o pensamento grego, a ética é um trampolim Para a natureza. A ética é fazer a natureza atingir a sua a sua a sua o seu apogeu. O que pensará eh o que proporá o pensamento moderno? A ética é o controle da natureza. A ética é a razão definindo a vida independentemente do que o corpo deseja. Então, perceba, enquanto para os gregos há um alinhamento entre ética e Natureza, para os modernos há uma oposição, um contraste, ou pelo menos um descolamento entre o que eu penso para viver e o que eu sinto
ou desejo na hora de viver. Ficou claro isso? Tá perfeito. Muito bem. Continuando um pouquinho mais, tante vai propor um bom martelo é um martelo que martela bem. Ou seja, Kante vai propor que nós partamos de uma de um ponto de vista muito fácil de entender, que é um certo alinhamento entre os atributos de uma coisa e a sua finalidade. Ficou claro isso? Então, é claro, um martelo, ele a sua, a sua forma, né, existe Por conta da sua finalidade, que é martelar. Ora, naturalmente, isso você pode aplicar ao intestino para excretar nada melhor do
que um tubo. Aonde Kante quer chegar? Cante quer chegar no seguinte ponto. Se tudo é adequado Para a sua finalidade, pois então eu tenho que descobrir para onde o homem deve ir a partir dos seus atributos mais destacados. Para eu descobrir a razão da vida, o que há de mais valioso na vida, eu tenho que descobrir o que há de mais específico naquilo que caracteriza o ser humano. Se você preferir, é a partir da análise da natureza humana que eu vou descobrir qual é o seu maior valor. Se nós traçarmos um paralelo com o utilitarismo,
o que é que vai dizer John Stuart Mill na aula passada? O que que tem valor em si mesmo? O que que tem o maior valor? O que que é o mais valioso de tudo? Você se lembra? O que que é o mais valioso de tudo? O bom é que eu treino com balde em casa, né? Então estou preparado para qualquer tipo de auditório e eu coloco dentro dos baldes um telefone celular porque assim eu não me surpreendo com mais nada, né? Ora, o que que tem de mais valioso para John Stuart 1? Qual é
a única coisa que tem valor em si mesma? O que que tem valor independente de qualquer outra coisa? Enquanto você não Responder, eu não vou par de perguntar. A gente combina assim: "O que que é a felicidade?" Ótimo. O bom da USP é essa participação entusiasta dos alunos na aula. Uma beleza. Ora, o que dirá cante? tá errado. E por que tá errado? Porque dizer que o que tem de mais importante pro homem é a felicidade é a mesma coisa que dizer que o que tem De mais importante para um martelo é pintar uma parede.
Cante disse isso? Não sou eu que estou dizendo. Dá para pintar uma parede com o martelo. Se bobear até dá. Você passa tinta no no na ponta do martelo e você passa o martelo na parede. É esquisito, mas dá para fazer. Agora, claro, se for com pincel é muito melhor. Então, dizer que o homem é feito para a felicidade é o mesmo que dizer Que o o martelo é feito para pintar. E por quê? de o que caracteriza o homem, aquilo que só ele tem, é a capacidade de pensar, argumentar, ponderar e deliberar sobre a
própria conduta. E isso não é o mais adequado para buscar a felicidade. O que existe de mais adequado para buscar a felicidade? E a felicidade aqui, Kant, vai fazer igualzinho a Stewart. Prazer e dor, mais prazer e menos dor. Quem é competente para aumentar o prazer e diminuir a dor? Um animal. Um animal. Um animal. O animal, sim. É o instinto que é competente para buscar a felicidade. No instinto você aumenta o prazer e diminui a dor, né? Deixa no instinto que você maximizará o prazer. Tanto é assim, discant que quando você quer prazer, a
primeira coisa que você faz é diminuir a tua capacidade de pensamento, Tipo bebedeira, né? Vamos buscar o prazer. Você já toma um porre. Por quê? Porque tomando um porre você diminui a ponderação. E diminuindo a ponderação, você deixa a coisa conduzida. pelo seu instinto. Então, quem é que é competente para buscar a felicidade? Animais. No instinto. O instinto é que é do Se você for, não tem a menor condição nesse contexto de estudar esse cara. Tô sendo sincero, vou continuar, Mas assim, entra um, o cara e tal, entra o Não funciona. Se tivessem prestando atenção,
já não entenderiam. Mas desse jeito não há o que fazer, porque eu fico aqui me matando para tornar a coisa didática e a a pouca atenção. É, é o que é. Tô reclamando, não é o que é. Eu só tô dizendo que não tá adiantando nada, mas tudo bem, né? Cada um finge do seu lado, tá tudo certo. Então, retomando. Por que Kante não concorda com 1000? Porque para Cante, a felicidade não é o que existe de mais importante. AC a felicidade não é o bem maior. Para cante a felicidade não é aquilo que devemos
buscar de qualquer jeito. E por que não? Porque isso significaria usar um martelo para pintar uma parede. Estamos com instrumento errado. O homem não está naturalmente vocacionado para a Felicidade. Ele não é construído para isso. Ele não é feito para isso. Por quê? Porque ele é, antes de mais nada, um ser de reflexão, de pensamento. E o pensamento, segundo o Kante, atrapalha a busca da felicidade. É um obstáculo para maximizar o prazer e diminuir a dor. E, portanto, é muito mais competente para buscar o prazer e diminuir a dor quem não pensa. E quem não
pensa e pode sentir prazer e dor são animais. Portanto, a teoria de 1000 funciona para Uma girafa, funciona para um macaco, funciona para um um um animal qualquer, mas não funciona para nós. Por quê? Porque o que existe de mais importante em nós é a capacidade de pensamento. E a capacidade de pensamento não é o que existe de mais adequado para buscar a felicidade. Por isso, você julgar a conduta das pessoas em nome da felicidade é julgar pelo critério errado. Funciona para animais. Quando é que um Animal viveu bem? quando maximizou o prazer e diminuiu
a dor, mas para você não funciona. O seu critério é outro, né? Você tá julgando a vida pelo critério errado, tá certo? Então essa é, portanto, uma ideia central desse pensamento, certo? Quer dizer, eh, Kante não é um filósofo da felicidade. Por quê? Porque ele é o primeiro a dizer: "A felicidade é referência para a vida de animais. E para nós não funciona por quê? Porque para nós eh o que existe de Mais importante, né? Eh, digamos, nós temos um arsenal, nós temos uma tecnologia de vida que não tem na na na felicidade o seu
alvo adequado, certo? Um indivíduo humano que busca a felicidade é uma ferramenta usada no lugar errado para uma atividade equivocada. Então, claro, aí aí a pergunta é: bom, então se não é a felicidade, é o quê? É esse o problema? Então Isso tudo é de uma potência de argumentação né, cara? Porque o que que Kant tá dizendo? Kant tá dizendo que você pode agir mal e produzir felicidade e agir bem e produzir tristeza, coisa que no utilitarismo é absurdo. Então, claro, nesse sentido, você se lembrará dos exemplos, né? Você vai numa escola particular, quando é
que o professor dá uma boa aula? Quando os alunos fazem teste de satisfação, ótimo, Bom, regular ou péssimo, e aprovam a aula do aluno, se for um estábulo, a aula será uma aula para equinos. Não tem importância. Por quê? Porque o que importa é a felicidade de todo mundo. O que Cant tá dizendo, tá vendo? Não pode tá certo. Não pode tá certo. Por quê? Porque se a boa conduta é aquela que enseja a felicidade sempre, veja a primeira consequência disso, fica inviabilizado o crescimento do homem. Por quê? Porque o processo educativo não É um
processo de busca de felicidade na hora ali, né? Eh, a educação pressupõe dor, pressupõe desconforto, pressupõe correção de rota, pressupõe advertência, pressupõe, né? Tá errado, né? O professor que é julgado pelo pela satisfação do Playboy, ele tá Ele tem que fazer o Playboy sorrir o tempo inteiro. E isso é tudo menos educar. Educar é pegar e dizer: "Você é um bosta, então você vai sofrer agora para você aprender a ser gente". E esse Professor não continua no emprego. Ele será demitido porque ele entristeceu o Playboy. Ele mandou o Playboy ler, né? Imagina eu ler, velho,
ler livro. Esse cara tá zoado, cara. Imagina ler livro no papel com quem que esse cara pensa que ele tá falando. Entendeu? É conversa que a gente ouve em escola de Playboy. Então, é claro, o que Kant dirá: "Não é a felicidade o que importa mais." Não é a felicidade o que importa mais. E e vou te dizer, quer dizer, eh eh isso levará Outros filósofos a dizer exatamente o contrário, né? O que tem de importante na vida é sofrimento, né? É, é a felicidade é frívola. A felicidade ela é poeril. A felicidade é é
coisa de gente superficial. A felicidade é coisa de pires, é coisa de gente idiota, né? Por quê? Porque se existe alguma coisa de realmente valioso na vida, é a lucidez diante do sofrimento e da dor. Isso você encontrará mais paraa frente, sobretudo no século XX, como forma de filosofia. Então você dizer: "Ah, age bem aquele que alegra todo mundo". É querer fazer do mundo um show do Ari Toledo, tá certo? Um show do Tom Cavalcante. É uma estupidez sem precedente. Não fomos feitos para isso. A nossa, nós temos uma bala de canhão e a felicidade
é para matar a rolinha. É, é, é tiro de chumbinho. Nós temos uma bala de canhão. O nosso critério é muito diferente disso. Isso vale pro gato. Qual é? Quando é que o gato viveu bem? Quando Ele comeu, ele comeu, ele trepou, ele dormiu, acabou. Máximo de prazer, mínimo de dor. Vida boa pro gato. Para mim não funciona assim. Prazer e dor. Você sabe que ele tá, você sabe que não é assim. Eu preciso mais do que prazer e dor. Dou uma trepada, dou a como, dou uma cheirada, dou uma coisa, durmo, diminuo a dor,
tomo uma morfina e pronto. De morfina em morfina, eu morri. E e aí? E aí? Não sei, nunca pensei nada de muito, mas Também não tive nem dor e e e e tive prazer, trepei, fiz, coisei tal coisa. Não pode ser, velho. Não pode ser. Por quê? Porque na natureza não tem nada inútil. E se você tem uma capacidade de pensamento, porque tem gente que pensa, eu sei que não não é muito comum, mas é eh as pessoas atrofiam, mas tem gente que tem uma capacidade de pensamento que é um negócio assombroso. Então você vai
dizer que essa capacidade assombrosa de Pensamento que manda o homem pra lua, que que que filosofa com um poder infinito, é para produzir, é para aumentar o prazer e diminuir a dor. deixa de ser palhaço. É óbvio que isso tá errado. Então, então pronto, já destruímos o que tinha antes. É preciso agora plantar os alicerces de uma nova filosofia moral. E essa não vai se preocupar muito se você tá legalzinho ou se você tá sofrendinho, porque isso é uma babaquice. Obrigado pela sua atenção. Eh, então você vai pegar a primeira página do livro Fundamentos da
Metafísica dos Costumes. Então não preciso nem te dizer que que fora da USP, se você sugerir a leitura de Kant para alunos de graduação, isso poderia despertar gargalhada, velho. Como é o nome mesmo do livro que eu vou ler? O cara já pergunta tirando o sarro, né? Não. E aqui você pelo menos não ri De mim. Você vai ler ou não, eu não sei. Mas eh eu sugiro que leia. Sabe por quê? Porque essa é a tua última chance, né? Se você não encarar eh, vamos assim dizer, o que tem de pensamento mais sofisticado e
mais fino nesse momento, não vai ser depois que você for trabalhar na Unilever que você vai fazer, né? Certo? Porque aí você não vai ter tempo, você vai entrar, você vai est, digamos, amputado das melhores Condições de pensamento, vai est obnubilado por um paradigma de reflexão obtuso, você vai não não vai dar, é agora ou nunca. Então você entra na internet, põe lá cant a n t, fundamentos da metafísica dos costumes. Vai aparecer o texto e você imprime a primeira página, só a primeira página. E na primeira página você vai encontrar a seguinte pergunta: o
que que há de mais valioso no homem? O que que tem de valor em si mesmo? A mesma pergunta de John Stewart 1. O que que tem que ter uma conduta para ser boa? Qual é a bondade da conduta boa? Generosidade da conduta generosa, honestidade da conduta honesta? Onde tá o fundamento da boa conduta, né? A mesma pergunta do 1000. A pergunta do 1000 é: quando gera felicidade? Porque a felicidade é o bem e tal. Ora, qual é a teoria do valor de Cant? O que que é mais fundamental? O que que é mais fundamental?
O que que é absolutamente bom? O que que é bom em si mesmo? E claro, Kante dirá: "Só um atributo do homem é bom em si mesmo". Todos os outros atributos do homem não são bons em si mesmo. Então, vamos começar pelo negativo, a beleza. Show de bola. A beleza é um atributo. Agora, ela é boa nela mesma? Claro que não. E por que não? Porque você pode pegar a beleza que você tem e fazer um monte de merda com ela. A força física é um atributo. É. É boa em si mesma? Não. Porque você
pode pegar a força física e salvar ou matar, fazer um monte de merda com ela. O dinheiro é bom em si mesmo? Não, você pode pegar o dinheiro que você tem e fazer um monte de merda com ele. A coragem é boa em si mesma? Não, né? Se você for um general nazista, o que se espera de um general nazista é que ele seja covarde. Porque se além de general nazista e ele ainda for corajoso, nós estamos Então É melhor que ele seja covarde, né? A a coragem num general nazista é uma merda, é ruim,
né? A beleza numa mulher cruel é ruim. Como assim? A beleza numa mulher cruel. Ui. É quase um pleonasmo. Uma mulher bela é quase que necessariamente uma mulher cruel. Ela seduz você e depois se afasta. Aí você desesperado vai atrás, aí então, nossa, haverá dor e sofrimento. Tá e tal. Isso pode acontecer? Lógico que pode acontecer. Então, as pessoas podem usar os atributos para o bem ou para o mal. Portanto, portanto, nada disso é bom em si mesmo. Tudo vai depender do quê? Tudo vai depender daquilo que é bom em si mesmo. E é o
único atributo bom em si mesmo é o que Kante vai chamar de boa vontade. Então, boa vontade é o que é felicidade para 1000, boa vontade para Kant. Felicidade é o bem supremo para 1000. Boa vontade é o bem supremo para Kant. Felicidade é o valor máximo em 1.000. Boa vontade é o valor máximo em Kant. Você percebeu? Um é lá, o outro é cá. Para 1000, o o que você tem que fazer é produzir o efeito da felicidade. Para cant, o que você tem que fazer é agir a partir de uma boa vontade. Isto
significa o quê? que a coragem só será boa se tiver por trás uma boa vontade. A beleza só será boa se tiver por trás uma boa vontade. A força física só será boa se tiver por trás uma boa vontade. A inteligência só será boa se tiver por Trás uma boa vontade. A a a a o o dinheiro só será bom se tiver por trás uma boa vontade. Em outras palavras, todo o resto só será bom se tiver por trás uma boa vontade. A boa vontade é do é o que importa. é a única coisa que
importa, que tem valor em si mesma. E é isto que definirá se uma conduta é boa ou não é boa. E perceba o que existe de mais fundamental na vida do homem. Agora, comparando Aristóteles com Kante, definitivamente, enquanto Para Aristóteles é desabrochar a potência da natureza que cada um tem em si para Cant é é aperfeiçoar aperfeiçoar aquilo que existe de boa vontade em si mesmo, desde que você, claro, entenda perfeitamente o que boa vontade quer dizer, e isto você começará a entender a partir de agora. Então agora nós vamos invadir esse esse esse conceito
que é o conceito de boa vontade, que é, por que não Dizer, o mais importante conceito moral de toda a história. Eh, para entender definitivamente o que é boa vontade, talvez fosse interessante investigar eh da onde é que Kant chupinhou a ideia de vontade. E a vantagem é que ele mesmo conta. Ah, cante, lia os outros. Nossa, se ele só escreveu coisas importantes depois dos 60 anos, pode ter certeza, Não foi porque ele participava de escola de samba eh até então, tá certo? Vê o naipe do cara, né? Ele devia estudar 18 horas por dia.
Ele lia tudo, ele sabia tudo, ele conhecia tudo. E um dos autores que ele adorava é um fulano um pouquinho anterior a ele, quase contemporâneo dele, chamado Rousseau. Roussea você conhece, Rousseau, eh, faz parte do teu ensino médio, né? E eu agradeço muito a Faculdade de Direito da USP, porque eu me lembro que lá no Primeiro ano, são poucas coisas que eu aprendi. Eh, na faculdade de jornalismo eu aprendi, a única coisa que eu me lembro é que o primeiro acidente de trânsito no Rio de Janeiro foi protagonizado por Olavo Bilac. É a única coisa
que eu me lembro. E não, não está mal, né? É uma informação interessante, né? É. Então, da faculdade de direito, essa eu acho que é a única coisa que eu lembro. No Primeiro ano, o cara mandou ler Russo. O cara que mandou ler chamava Dalmo Dalari. Chama ainda porque tá vivo, aposentado, tá vivo. E como ele tinha problema de coluna, porque reza a lenda e quando veio o papa, ele andou tomando uns tapas dos militares, um negócio assim, uma coisa, mas assim, um um negócio meio estranho, porque os militares não quando pegavam alguém não era
para dar um tapa. Não sei se você entende, não é assim, o Cara aparece com roxo no olho, o militar não deixa roxo no olho, certo? O cara desaparece, não é roxo no olho. Roxo no olho é coisa, digamos, de acidente doméstico, né? Eh, um sujeito foi pego no armário, eh, na casa de alguém, e tal, roxo no Achei sempre aquilo muito esquisito. E o Dalmo da Lari tinha um problema nas costas, então tinha um cara que levava a mala dele. E quem é o cara que levava a mala dele? De manhã, um aluno deu
uma resposta que me deixou muito preocupado de manhã, quando eu perguntei quem levava a mala dele e o aluno disse: "Sério, russo?" Aqui, hein? Aqui de manhã a bom é que tem testemunha russou. Falei: "Não, Russô tem aí uns 200 anos de diferença. Não, Russult não. Quem levava a mala dele é o Assistente dele. E o assistente dele é um sujeito chamado eh Ricardo Henrique Lewandovski. Era o Lev, o cara que levava a mala do down da lá. Então era engraçado porque ele não podia carregar. Então vinha o cara mala. O cara que carregava a
mala é esse aí, né? Que fica brigando com outro lá, né? Que às vezes carregar a mala eh, não é ruim, mas governador de Santa Catarina, quem era? O cara que levava a mala do Ulíes Guimarães na constituinte, porque O Ulíes Guares também não podia carregar a mala. E quem é o nosso governador de São Paulo? O Geraldinho, é o cara que levava a mala do Mário Covas, que também não podia carregar. Levar a mala. Se alguém, se alguém não tiver podendo carregar a mala, carregue, porque isso tem um negócio eh eh estranho nessa história,
meu. Carrega a mala, às vezes dá certo, né? É bom. E o Dalmo Dalari mandou ler um texto de Rousseau, que é discurso sobre a origem da desigualdade Entre os homens. Eu lembro que vinha numa edição da Cultrix junto com o contrato social e ele falou: "Olha, o discurso sobre a origem da desigualdade entre os nomes é um texto, o contrato social é outro texto. Estão reunidos nessa mesma edição, mas são dois textos diferentes. Então você vai ler o menor discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens. Eu gostei tanto que eu acabei lendo
tudo. E o que que Rousseau explica? aquilo que Eu já contei milhões de vezes aqui, porque virou até bordão, eh, o o gato quando nasce já nasce gato, sabendo viver como gato. Então, o gato tem instinto de gato e o instinto do gato dá conta da vida do gato. Então, o gato com fome não come alpiste, o pombo com fome não come filé. Então, o que é que você aprende com Rousseau? Que a vida do gato é regida 100% pelo seu instinto. A vida do pombo é regida 100% pelo seu instinto. Gatos e pombos não
pensam para Viver. Gatos e pombos são puramente instintivos. Gatos e pombos têm na sua natureza todas as respostas para uma vida de gato e uma vida de pombo. Ora, o que é que Rousseau nos propõe? O homem não é assim. Raro? Você percebe, há aqui uma fronteira né? Animais para lá, o homem para lá. Animais, o que acontece? O instinto dá conta da vida. Homem, o que acontece? O instinto não dá conta da vida. Você percebe que Kante é leitor de Rousseau, né? Fica evidente, Né? Fica tão evidente que ele acaba dizendo, né? Leitor de
animais para lá, o homem para lá. O que acontece com o homem? Tem instinto, tem. Mas o instinto é o mais importante. Não é o mais importante. Por quê? Porque o homem vai além do seu instinto para viver. No instinto, o homem morre. No instinto. O homem não sobrevive. No instinto, um recém-nascido de 2 anos não sobrevive. Um recém-nascido de 2 meses dura 2 horas. Ele morre. No instinto. Ele Morre. Ele precisa de mais do que o instinto. Então, é claro, o homem pensa, delibera, decide, inova, empreende, pensa em soluções nunca pensadas, faz o que
nunca ninguém fez. O homem elabora, delibera, toma decisões e o E tudo isso que o homem faz, além do instinto, Rousseau, chama de vontade. Vontade. Vontade é tudo aquilo que o homem faz além do seu instinto e além da sua natureza para viver. Então, e qual é o jargão que Roussea usa? Rousseau usa o Jargão transcender, né? E que quer dizer o seguinte: o homem para sobreviver transcende a sua natureza. Quer dizer o quê? Vai além da sua natureza. Vai além do seu instinto. E ele vai além do seu instinto por quê? Porque ele faz,
ele inventa, ele pensa, ele ele projeta, ele calcula, ele avança, ele pensa lá na frente, ele vê as variáveis, tudo aquilo que é o uso da razão em nome de uma vida melhor. A isso chamamos vontade. Então, é claro, o homem é instinto mais Vontade. O gato é só instinto. Então, qual é a diferença entre o homem e o gato? A vontade, a vontade, a vontade. Di, e o que é a vontade? A vontade, desde que você entenda o que que ele tá chamando de vontade. Ele tá chamando de vontade o uso da razão para
viver melhor. Vontade, ah, eu tô com vontade de tomar Uma Coca. Não, não, tá com desejo. Tomar Coca. É, a vontade é outra coisa. A vontade é pensamento a serviço da vida. A vontade é saber prático materializado em deliberação de conduta na vida. A vontade é, portanto, tudo aquilo que você usa da cachola para ir além do seu instinto para poder viver melhor. Então você percebe, o nosso grande diferencial é a vontade, uso da razão, uso da inteligência, uso da do pensamento para a vida. Então dirá Kant, se o homem fosse como o gato, nossa,
John Stuart teria razão. Porque o que que você pode esperar do gato? A felicidade. Desde que você entenda a felicidade, é a moda de Johnny Stewart. Menos dor, mais prazer. Show de bola. Quem tem gato em sabe, é, quem tem, quem tem gato em casa sabe. É isso mesmo. Gato é mais prazer, menos dor. Cachorro também, hamster também e todo o resto também. É comer, dormir, bimbar, etc. Agora nós nós não. Então o que que acontece? É a vontade, o nosso diferencial. E quando é que a vida vai ser boa? quando ela for regida por
uma boa vontade, porque pode haver uma má vontade. Má vontade. E má vontade não é preguiça, é pensamento ruim sobre a vida. Boa vontade é pensamento bom sobre a vida. Então, é claro, nós temos ainda que avançar muito, mas pelo menos já identificamos da onde ele tirou a palavra vontade. Ficou claro até aqui? Tá bem. para eh O que é que você começa a entender? Você começa a entender o seguinte, você começa a entender que Kante não nega o instinto. Cante não nega o instinto. Cante não nega a pulsão. Cante não nega a inclinação. Cante
não nega o tesão. Não. O que Kante diz é que isto o animal também tem. Portanto, isto não é o nosso diferencial. Isto não é o mais importante. O que é mais importante para nós é o que não é isso. E o que é que não é isso? é a vontade. Pela vontade você vive e não vive necessariamente como viveria se fosse regido pelo seu instinto. As pessoas brincam comigo Porque eu sempre dou o exemplo dos glúteos das alunas. Professor, o senhor quer passar mão nos glúteos das alunas? Claro, é óbvio. É, quer dizer, é
óbvio. É óbvio em mim. Bem, faz 28 anos que eu quero isso. Desde que você entenda o verbo querer no bom sentido. E qual é o bom sentido do verbo querer? É o sentido do desejo, da inclinação do corpo, da pulsa um. Exatamente isso que Eu não controlo. Eu não controlo. Se eu controlasse, eu juro que eu já teria desligado isso. Por quê? Porque 28 anos assim na mais absoluta frustração é um desespero. Se eu pudesse, não desejaria, mas desejo. Então, claro, tem sempre um palhaço para fazer uma brincadeira. Ah, e as alunas como se
sentem, Né? Como se sentem as alunas? Não, claro, as alunas não têm por temer, porque eu não sou um chimpanzé. Se eu fosse um, já viu um macaquinho tipo saguezinho? Deu um tesão. Não importa se a sua vó tá na sala, ele pega e Você faz isso com a sua avó na sala? haverá sempre alguém que diga faço, né? Mas, mas digamos, pelo menos pode não fazer. Então, você Percebe o quê? Você percebe que existe uma questão de vontade que é fundamental e que não se confunde com o desejo. O desejo é o que o
corpo pede, a vontade é o que você delibera. Você se lembra de corpo e alma em Platão? Pois muito bem, agora nós mudamos um pouco a nomenclatura. Agora não é corpo e alma, mas agora é desejo e vontade. O corpo deseja, mas a razão não deixa. Faz 28 anos que o corpo deseja E 28 anos a razão determina o contrário. Então você percebe aqui que essa fronteira é o descolamento entre a moral e a natureza. É o descolamento entre a deliberação e a pulsão. É o descolamento entre a a razão prática e a pulsão desejante.
Se você deseja é fazer o quê? A moral não tem nada a ver com isso. Não existe Uma moral do desejo, porque o desejo é uma manifestação celular, é uma manifestação material, é uma manifestação hormonal, é uma manifestação química. Não posso fazer nada. Desejo quem eu desejo e não desejo quem eu não desejo. E isso não pode ser uma questão moral. Então, a moral ainda existe. Claro, claro, porque para além do desejo existe a vontade. E o que é a vontade? é você perceber que, apesar do desejo, você pode viver na contramão. Então, claro, aqui
é que você vai entender a verdadeira definição de liberdade que Kant vai propor, que é a mais importante de toda a história do pensamento. A liberdade é você fazer o que não quer, conforme eu já ensinei. E E o que significa isso? fazer o que não quer. Por que que você é livre quando faz o que não quer? Você é livre quando delibera pela razão agir na contramão do que clamam os teus desejos e as tuas Pulsões. Aí aí sim a liberdade. Aquele que age de acordo com o seu desejo é obviamente escravo do desejo.
E portanto nós poderíamos dizer que para Kant a liberdade o que é? Eh, é a soberania da competência deliberativa do homem sobre suas próprias inclinações. Então, quando é que você é livre? Quando você flagra o teu desejo, olha para o teu desejo em tom de desafio e você delibera no sentido contrário. É Exatamente aqui que você vai entender uma outra coisa que tá no texto, que você vai ler, que é difícil porque Kante escreve da pior maneira possível, que é a diferença entre agir por dever e agir de acordo com o dever ou segundo o
dever. Como é que é aí, professor? Então vamos aprender. Vamos aprender. Nós vamos ensinar a diferença entre agir por dever e agir Segundo o dever ou de acordo com o dever. E para você entender isso, vamos usar o mesmo exemplo de Kant. Você é dono de uma loja, chega alguém para comprar e esse alguém ignora completamente preços. Isso acontece muito quando você faz turismo. Você é um cara de coala lampur e chega no aeroporto do Galeão para Pegar um táxi amarelo. É um encontro. Sujeito tá entrando num moedor de carne, né? Camarada vai ser massacrado,
né? Bom, aí você tá na loja e você pensa, se eu cobrar 10 ou cobrar 20, esses zera, para ele é a mesma coisa. Então eu penso, cobro 10, que é o preço Certo, ou cobro 20. E aí você pensa e diz assim: "Se eu cobrar 20, vai que esse bosta sai por aí contando que eu comprei 20. E aí eu acabo mal falado, então eu vou cobrar 10. Ficou claro? Pergunto a você, ele cobrou o preço certo? Cobrou, Mas ele cobrou o preço certo, não pelo bom motivo. Qual foi o bom motivo? Quer dizer,
qual foi o motivo? real. O motivo real foi ele mesmo não se mais paraa frente. Então você percebe que neste caso Kant diz: "O fulano agiu segundo o dever, mas ele não agiu por dever. Ele não fez o que tinha que fazer Por fazer o que tinha que fazer. A sua verdadeira motivação não é respeitar o dever. A sua verdadeira motivação é não se lá na frente. Então, perceba que o fato de você ter respeitado o preço não tem o bom motivo. Tem um motivo que não é o motivo moralmente mais elevado. E qual é
o motivo moralmente mais Elevado? É respeitar o dever, porque o que é devido decorre do pleno uso da nossa vontade, isto é, das nossas faculdades deliberativas. Então, alguém poderá dizer, mas dá na mesma você cobrar o preço certo por dever ou cobrar o preço certo para não se depois. Dá na mesma. O fato é que nos dois casos você agiu da mesma maneira. Você cobrou o preço certo. Para Kant não dá. E por que não dá? Não dá, porque você acabou agindo para não se Isso significa que numa outra situação, se você tiver que roubar
para não se fará. Se tiver que matar para não se fará. E, portanto, só naquela situação você Agiu bem por esse motivo. Mas se você agir sempre para não se certamente numa outra situação agirá errado. Houve, portanto, uma coincidência. O certo coincidentemente era o mesmo do que aquilo que você faz para não se Porém, a verdadeira boa razão é você fazer o certo pelo certo, mesmo que fazendo o certo, você assuma o risco de se depois. Tá, Tá, tá me acompanhando problema, né? Quer dizer, troca-se o contexto. Se você age sempre para não se depois,
então fazer o certo ou fazer o errado não é o importante. O importante é não se depois. Ora, dirá, não. O importante é fazer o certo. Se ou não se depois. Isso é irrelevante. O importante é fazer. Então, perceba, meus amigos, que o núcleo duro da moral de Kant não é o que você faz, não é a conduta, não é ação, não é o Movimento. O que é importante, o núcleo duro é a razão da conduta, é por você fez o que você fez. É o fundamento que você dá a tua conduta. Esse é o
núcleo duro da moral, né? Não é exatamente o que você fez, é antes. É porque você fez o que você fez. E é claro, você só terá agido maneira moralmente digna se você fez o que você fez, porque o que você fez é o que você deveria fazer. se vai se depois, se não vai se depois, isso não tem A menor importância, porque devemos fazer o que devemos fazer. As consequências não fazem parte do cálculo da moral. Muito bem. Nesse momento da aula, você já aprendeu o seguinte. Você já aprendeu que cante não vê na
felicidade o fundamento da moral? Por quê? porque acha que eh não é o que É específico nosso. O que é específico nosso não é a felicidade. Por quê? Porque a felicidade ela é mais competentemente buscada por quem tem instinto. E, portanto, a felicidade é alguma coisa desalinhada com a nossa natureza. O que é mais específico nosso é o pensamento e é a razão. Portanto, o critério da boa conduta é a boa razão. O critério da boa conduta é o bom pensamento. O critério da boa Conduta é o bom fundamento. Ótimo. E que ele vai chamar
de boa vontade. Então, a boa vontade é a única coisa que é realmente boa em si. E todo o resto vai depender da boa vontade. Coragem mais boa vontade. Coragem boa, força física, mais boa vontade. Força física boa, eh, dinheiro, mais boa vontade, dinheiro bom e assim por diante. A boa vontade é o que dá o tom. Muito bem. A boa vontade que mais você aprendeu, a boa vontade não é o bom desejo, Porque a vontade não é desejo. Então, o que é o desejo? Alguma coisa que emerge você sem que você possa controlar. O
que é a vontade? É o contrário disso. É a razão a serviço da existência. E, portanto, eh, independentemente daquilo que você deseje, a tua vida será definida pelos critérios da pura racionalidade prática. E por isso, é claro, você eh eh estabelece uma fronteira importante entre desejo e vontade fundamental aqui. Então, claro, Aí você aprende que no final das contas essa boa vontade na hora de você agir, ela se materializa num dever como devemos agir. É um dever. E é claro, você finalmente aprende que o que importa na moral cantiana não é exatamente o que aconteceu
com o que você fez. Consequencialismo, não é propriamente o que você fez, mas é porque você fez o que você fez. É isso que importa. Quer dizer, a a moral cantiana é uma avaliação da razão da Conduta, do motivo da conduta, da intenção da conduta. E é exatamente por isso que se você pegar manuais de filosofia moral, você vai encontrar Kant como sendo um filósofo intencionalista. Então veja, você se lembra, John Stuart Mill era um consequencialista. Por quê? Porque o fundamento da moral tava na consequência que era a felicidade. Kant é um filósofo intencionalista. Por
quê? Porque o fundamento da moral está na razão pela Qual você fez o que fez ou se você preferir na sua intenção de fazer. Ficou claro isso? Nós estamos propondo, né? Por você fez o que você fez. Então, é claro, o que que você aprendeu até aqui. Existe uma ação que é consequência do respeito ao dever, como você deveria agir, e tem ações que são consequência do teu instinto, do teu desejo, da tua da do teu apetite, etc. e tal. E essas se te se te se te aproximam muito da animalidade e tem um valor
pífio. Muito Bem. Então, o que que agora nós temos que invadir? Que nós estamos nós estamos avançando, né? A filosofia de Kant tá recuando e nós estamos avançando. Já que a boa conduta é aquela por dever, o que caralhos é esse dever? ponto de interrogação. [Música] Ora, cante então proporar Que o dever, que é, digamos, uma etapa do pensamento moral que te ajuda a refletir sobre a boa conduta, E eu repito, duas coisas para cante. o teu desejo e a consequência da conduta, porque o que importa é por você age, como você age, certo? Muito
bem. Esse dever ele vai se aproximar da conduta, né? São etapas diferentes do pensamento moral na medida que ele se traduzir em imperativos. E o que é imperativo? Aquilo que você deve respeitar para agir moralmente bem. Então, o imperativo é uma tradução aplicada do dever, né? É uma aplicação do dever a uma situação concreta. Isto é Um imperativo, certo? Perceba e eh coisas que eu já disse aqui no passado e que agora vão ganhando todo o seu sentido. Eu já me lembro de ter dito que moral é aquilo que você não se autoriza a fazer.
Mesmo que você fosse invisível ou mesmo que você fosse invencível. Perceba que esse pensamento é tipicamente cantiano. Dizer sou eu comigo mesmo pensando como eu devo agir. o que vai acontecer. o que eu desejo. Tem certas Coisas que eu não me autorizo. No caso do glúteo das alunas. desejo manipulá-los, mas não manipulo porque não me autorizo. Questão tipicamente moral. Então você percebe que no final das contas o dever ele vai ele vai se tornar aplicável através de imperativos. Isto é, aquilo que você não se permite fazer. Pô, aqui eu pergunto para você, você sabe do
que eu tô falando, não sabe? Se você sai sozinha pela rua ou fica Sozinha em casa, pois muito bem, você sente os desejos borbulharem no seu corpo, mas tem um monte de coisas que você não se permite, não se autoriza. Pois muito bem, nós estamos no coração da moral. A moral, eu repito, não é a vigilância castradora do outro, mas é um olhar sobre si mesmo, um olhar que por dever nos faz agir de certa maneira e não de outra maneira. Portanto, esse dever se traduz em imperativos. imperativos no seu sentido Positivo e imperativos no
seu sentido negativo, que chamamos de proibições. Eu não me autorizo fazer isso. Eu isso eu não faço. Ah, mas você vai ganhar mais. Isto eu não faço. Se você fizer isso, você vai, né, sair com a ISIS Val Verde. Isso eu não faço, né? Isso eu não faço, né? É. Se você der um tiro no professor da sala ao lado, você vai ganhar o salário dele. Pois é, mas isso eu não faço, né? Seria bom ganhar dois salários, seria. Mas então mate o professor do lado. Não, eu não vou matar o professor do lado para
falar com dois lá. Percebeu isso? Você não faz. Seria bom, mas você não faz. Você não faz tanta coisa. Aliás, você não faz quase tudo. Não faz quase tudo. Não reflita. não faz quase tudo. Se você vê, se você pudesse colocar lado a lado numa tabela tudo que já passou pela tua cabeça como Desejo e tudo que você se autorizou a fazer, você verá que você não faz quase nada. Ponha lado a lado. Para que que serve a terapia? Sabe o que é terapia? espécie de tratamento para ricos, eh, que permite as pessoas falarem dos
seus desejos, das suas inclinações, etc, etc. Pois muito bem, eh, é uma beleza na terapia você fazer, prepara no PowerPoint. De um lado você põe tudo o que passou pela tua cabeça e de um lado você põe tudo que você materializou. É zero. Falo por mim. Sei que você vive em outra época mais tolerante, mas subiu meio degrau, velho. Meio degrau. Nossa, o que eu já pensei em fazer? Nossa, nessa vida que eu levo de avião em avião, de ficar 8, 10 horas sozinho, não Sei que nossa, você volta de Manaus para São Paulo, o
que te resta fazer? Tem turbulência, você lê te dá dor de cabeça, aí você, né, não consegue dormir e fica lá esperando o tempo passar. Ah, você come o mundo inteiro, mas né, é gozado que eu falo de mim, você ri como se como se com você não fosse assim. Isso é que eu acho bacana. É, é só que você na hora de fazer não faz Nada. Boa parte do que você não faz é porque não dá mesmo. O mundo não deixa. Mas boa parte do que você não faz é porque você não deixa. Pois
a moral é o que você mesmo não deixa você fazer. E não tem isso. Nossa, quando você diz melhor não, melhor não, vamos parar por aqui. Você tá As células com a bandeira mengo coisa segura. Melhor não você não vai voltar atrás agora. É. Melhor não. O melhor não. Então é claro, nós estamos no coração do pensamento de Kante. O dever se traduz em imperativos, coisa que você não se autoriza a fazer. Porque você tem que entender o que eu tô falando. E você só pode entender o que eu tô falando se você identificar na
tua Vida isso que eu tô falando. Vamos imaginar que eu reprove você. Hipótese completamente absurda. Mas sei lá, não fui com a tua cara, eu reprovo. Aí no semestre que vem você volta. E aí eu me dou conta que eu realmente não vou com a tua cara. Então eu reprovo de novo e já e digo para você, sabe o que que é? Troque de favor aqui. Você não vai Passar. Mesmo nessa situação desagradável, você pode até cogitar, pegar um revólver e me dar um tiro na cabeça, mas você não vai fazer. E se fizer, então
essa é a diferença, essa é a moral, não é certo? É o tal negócio. Quem é o estuprador? é aquele que não consegue descolar bem o desejo da vontade. Se a moral é o descolamento entre o desejo e a vontade, o estuprador é aquele que é regido pelo desejo. E o que que acontece com gente assim? P não tem como conviver. E bicho? Bicho sim. O bicho sim deu desejo e o desejo do bicho é instinto, ele vai. Tem conversa, velho. V uma pomba. A pomba tá no parapeito da janela. Aí o gato vai pegar
a pomba E ele vai, velho. Só que a pomba sai voando e o gato 18 andares aterriza a imagem. Funciona assim. O gato não, né? é regido pelo seu instinto. No lugar da pomba, você põe a a Ises Valverde e o cara vai, velho, em um determinado momento, ele tá 18 andares embaixo. Por quê? Porque é a mesma lógica. Eh, nós temos instinto, temos, mas a moral é o descolamento do instinto, é o descolamento da natureza, é a transcendência em relação à Natureza. Então, essa pergunta vai cair na prova, né? Porque isso aqui é uma
maravilha para você entender o quanto o pensamento grego e o pensamento moderno sobre ética, eles não têm nada a ver. Porque quando o Joaquim Barbosa no Supremo julga alguém, ele julga alguém assim: "Você tinha todo o direito de desejar o que você desejava, porque desejo é assim mesmo, coisa de natureza. E todo mundo deseja ganhar mais dinheiro Trabalhando menos e se dar bem, etc e tal." Ótimo. Agora, o que você não podia era ter agido nesse sentido. Tinha que ter havido uma vontade contra o desejo que segurasse a sua onda. Então, quem é o corrupto?
O corrupto é que nem o estuprador. O corrupto é que nem o pedófilo. O pedófilo tem tesão por criança. O estuprador tem tesão por adulto que não quer transar com ele. E o corrupto tem tesão por dinheiro que não é dele. Mas é a mesma coisa. E você pode Ter tesão por criança, mas não vai atrás da criança. Pode ter tesão por mulher que não quer dar para você, mas não vai comer a mulher a si mesmo. E pode ter tesão por dinheiro que você consegue sem trabalhar, mas nem por isso vai roubar o dinheiro
que não é seu. Então existe a possibilidade do descolamento em relação ao tesão. Tesão todo mundo tem e é normal. A moral é o descolamento. Ficou claro isso? Acho que tá claríssimo. Tá claríssimo. Muito bem. Existem então dois tipos de imperativo segundo Kant, o imperativo hipotético e o imperativo categórico. Isso aqui são expressões consagradas. Você definição de imperativo categórico você encontra em para-choque de caminhão. Eu já vi várias vezes. Tô exagerando um pouco, mas isso aqui é muito conhecido. São ideias filosóficas super presentes, né? imperativo hipotético e imperativo categórico. Muito bem. O que é o
imperativo hipotético? Por que ele chama assim? O imperativo hipotético é um imperativo condicionado por aquilo que você pretende, pelo teu interesse. Por que que ele chama hipotético? Eu vou usar a palavra hipótese para você entender porque que ele chama hipotético. Na hipótese de você desejar emagrecer, vírgula, preencha o espaço em branco. Vou fazer 10 desse na prova. Feel the blanks with the right phrase or verb. Hein? Na hipótese de você pretender Emagrecer, vírgula, vai? Hã? Não é? Faz exercício, é legal, mas tem um ainda melhor. Isso. Vamos dier coma menos. Então, como a menos é
um imperativo, é, mas é um imperativo que funciona para qualquer um, em qualquer lugar, sempre, não. Ele é um imperativo condicionado por uma hipótese. E qual é A hipótese? A hipótese de você pretender emagrecer, porque se a hipótese for a hipótese contrária, você deverá comer mais. E, portanto, o imperativo é o imperativo contrário. Entendeu? O imperativo hipotético? Então você percebeu o imperativo hipotético, ele é condicionado pelo que você quer. Na hipótese de você pretender pensar melhor, vírgula, Estude o quê? Porque é pensar melhor. Estude o quê? Na hipótese de você pretender pensar melhor, vírgula, leia
fundamentos da metafísica dos costumes. Na hipótese de você pretender, eh, vamos lá, né? É muito tarde para ser criativo. Vírgula, preencha. Então, espero que você tenha entendido porque Que isso chama imperativo hipotético. Por quê? Porque parte da tua vontade é uma vontade hipotética. Isto é, a tua vontade ela ela ela quer coisas para você e essas coisas para você pressupõe certos imperativos. Se a vontade fosse outra, os imperativos seriam outros. Então eles são hipotéticos. Ficou claro isso? Tá perfeito. Ora, dirá Kant, pois esses imperativos aí, Esses são de valor menor. Por quê? Porque Kant vai
pretender buscar um imperativo que funcione para qualquer um em qualquer lugar, independentemente do que você pretenda ou deixe de pretender. E aí você fica pensando para que isso? Para que isso? Por que que eu preciso de alguma coisa Que valha para qualquer um? Diz para mim. Por quê? Por que que eu não fico só com imperativos hipotéticos? Eu não fico só com imperativos hipotéticos. Por quê? Porque os imperativos hipotéticos não permitem resolver conflito. Vamos imaginar que eu pretenda o mesmo que você. Pronto, já estamos com um problema. Porque, né, se você pretende isso, Vírgula, faça
isso. Pois é. Então, se você pretende nadar melhor, vírgula, treine natação. Pois é, mas na hora que você pode, eh, tem treino de polo aquático, pronto, fodeu o seu esquema, não dá, tem outra pessoa no lugar, né? Na hipótese de querer ser um grande RP, vírgula, estude com a professora Margarida Cunge. Pois é, mas só tem 20 vagas. Quantas águas tem? Quantas? Sim. Mas isso manhã e noite? Quanto? 30. E quantos querem estudar com a professora Margarida? O mundo inteiro. Então esse é o problema, velho. O problema é que o imperativo hipotético ele resolve o
seu problema. Mas quem disse que o resto do mundo concorda? Então, eh, é aquela coisa do punk que compra vodica no caixa de supermercado. Na hipótese de querer se embebedar sem pagar, vírgula, furte a garrafa de voda, na hipótese de querer manter o emprego, Vírgula, não deixa o punk furtar a garrafa de voda, pronto, fodeu. Um precisa furtar, o outro não pode deixar que o outro furte. Aí, qual é o imperativo hipotético que vai prevalecer? Eu preciso que tenha um que funcione para todo mundo. Tá claro isso aqui? Então, é claro que Kant vai propor
um imperativo que não é hipotético. [Música] E esse imperativo que não é hipotético, Ele vai chamar de imperativo categórico. E por que categórico? Porque funciona categoricamente para qualquer um. Você percebe que esse cara no mínimo tinha culhão, velho. Porque isso de dizer, ã, se você quer nadar melhor, treine, quer comer menos, quer diz qualquer idiota coisa. Agora eu vou dizer a você o que todo mundo deve pensar para agir bem. Todo mundo quem? Paraguaios e chilenos. Na idade média e na pós-modernidade, qualquer um. Pois é, tipo 10 mandamentos não. Por quê? Porque essa ingenuidade, Kante,
não comete. Por que que ele não comete? Qual é o problema dos 10 mandamentos? dos 10 mandamentos é que ele dá conta de 10 condutas e o resto e se fosse 100 mandamentos também não. E se fosse 1000 mandamentos? Hum. Vamos imaginar que Moisés viesse com 1000 mandamentos. Daria certo? Não daria. Porque como é que você usa o Facebook? Poderia ter o Facebook nos mandamentos de Moisés? Não poderia, poderia ter o uso eh publicidade para público infantil. Poderia ter nos mandamentos de Moisés? Não poderia. Não poderia porque não tinha nem televisão, nem Facebook, nem nenhuma.
Então podia ser 1000, 10.000, 20.000 e no dia seguinte fodia a Lista. Então cante esperto, porque se tem uma coisa que esses caras não são, são bull, né? Ele pegou e falou: "Eu vou montar um esquema que funciona para qualquer situação já existente e as outras e qualquer uma". Então não é tabela porque tabela, tabela não dá conta, é um jeito de pensar. O imperativo categórico é um jeito de Pensar e esse jeito de pensar resolve qualquer parada. Qualquer parada. qualquer parada. [Música] E que jeito de pensar é esse? Então, o imperativo categórico é apresentado
da seguinte maneira. viva de tal maneira que a tua vontade pretenda que o princípio que rege o teu comportamento possa reger o comportamento de qualquer Um. Aí você ouve, me contempla com essa cara assim de nuvem. O que picas isso quer dizer? Mas para isso eu vou repetir. Viva de tal maneira a pretender pela vontade que o critério ou o princípio que rege o teu comportamento possa reger? Vamos dar 1000 exemplos, Que quem sabe com 1000 exemplos resolve a parada. Professor, vamos aplicar o imperativo categórico à tua aula para já. Então, veja, ele diz, vamos
aplicar o imperativo categórico. Viva de tal maneira a pretender que o princípio que rege a tua ação. Portanto, quem tem que pensar sou eu, não é você. Quem é que quem é que daria nota paraa minha aula? Utilitaristas idiotas, ingleses comedores de kidney pie, gente De quinta categoria que julga a conduta pela felicidade dos outros. Aqui não. Quem vai julgar a minha aula sou eu. Sou eu. Para começar, a moral é um verbo que se conjuga na primeira pessoa. Sou eu. E como é que eu vou julgar a minha aula? Para pensar. Eu devo dar
aula de tal maneira que os princípios que regem a minha aula, né, eu deva pretender pela vontade que Os princípios que regem a minha aula, vamos imaginar que sejam energia, exemplos e palavrão. Vamos imaginar os princípios que regem a minha aula possam ser aplicados por qualquer professor no meu lugar. Mais ou menos o seguinte, se você quiser, eu vou aproximar isso de você. A minha aula será boa quando eu achar que todo professor no meu lugar devesse dar aula como eu dou. E qual é o melhor jeito de eu achar Isso? é me colocar no
lugar do meu aluno. Então, será que eu como aluno gostaria de assistir a aula que eu mesmo dou? E se eu, como aluno, achar que se eu tivesse no seu lugar, eu ia gostar da aula como eu dou, então do E e e professor, e o que na verdade acontece? O que acontece é isso. Eu adoraria que todos os meus professores dessem aula como eu dou. Eu adoraria. E eles davam, davam nenhuma. Era um Mais mala que o outro, medonho. E olha, e na época eu ainda aguentava, mas hoje eu não aguento mais. Eu vou
assistir a uma coisa, eu durmo assim. Outro dia um amigo meu me convidou para uma aula de direito financeiro lá na São Francisco. Chatíssima situação, porque era 8 hor da manhã de segunda-feira. Lá fui eu, me sentei, aula sobre orçamento de um fulano que tinha sido o meu professor. Imagina lá na década de 80 e que depois, pelas coisas do destino, acabou sendo Meu aluno. E eu fui lá assistir uma aula do cara e aconteceu uma coisa horrível. Eu peguei no sono e eu enfiei a cabeça na maçaneta de uma de uma janela, um negócio.
Sabe quando aquela porque tem um buraquinho assim para você suspender a janela, sabe? Você enfia o dedo. Eu fiquei com aquilo como se fosse um cu na testa assim. Eu aí todo mundo olhou e o cara tinha me apresentado. Esse é o meu mestre, não sei o quê. E o mestre do cara não Aguentou ficar acordado, velho. Mas era insuportável a aula. Então, o que dirá cant? Não, você deve fazer de tal maneira que se você for o outro, você vai achar do o que você mesmo tá fazendo. Não é show de bola. Não entendi.
Não cria uma certa pode falar mais alto que o Não cria uma certa modernização das coisas. Daí você vai querer por exemplo com você, mas você não sabe que é para Todos. Eu eu não sei se eu entendi o que você falou, mas de qualquer maneira sou eu que tenho que pensar, porque na moral de Kante eu controlo o pensamento que vai levar à conduta, tá certo? Diferentemente dos ingleses comedores de torta de rim. Agora eu controlo, então eu vou dar aula. Então o valor da minha conduta depende De coisas que eu controlo. Imperativo categórico.
Como é que eu vou dar aula? Eu vou dar aula de um jeito, que é o jeito que eu gostaria que qualquer professor desse aula para mim. Ou se você preferir, é o jeito que se eu tivesse no seu lugar ia gostar de assistir a mim mesmo dando aula. Ficou claro? Agora não cria padronização nenhuma. Por quê? Porque você pode sentar ali e você pode dar aula em função daquilo que você acha que os Outros iam gostar da sua performance. Aí é você que vai fazer o raciocínio. Então, evidentemente que aquilo que eu suponho não
tem por coincidir necessariamente com o que você supõe. Não sei se você me entendeu. Por quê? Porque você pode perfeitamente não suportar professor que grita, professor que fala palavrão, professor que isso, professor que aquilo. No entanto, eu acho fundamental. Por quê? Se eu tô cansado, se eu tô com sono, o cara tem Que dar um grito, tem que dar uma chacoalhada, tem que dar um tranco, que é para a coisa andar. Então eu faço do jeito que eu eu trato os outros do jeito que eu gostaria de ser tratado. Eu não sei se você percebeu,
mas eu tô pouco a pouco chegando onde eu quero que você conclua. E o que que você tá concluindo? Que Cante é um cristão sem Deus, né? Não faça com os outros o que você não quer que faça com você. Ame o próximo como a ti mesmo. Olha, coloque-se no lugar do Outro. Se você gostar, estando no lugar do outro, do teu comportamento, é sinal que você está agindo bem. Nossa, isso é cristianismo sem Deus. Isso é laicização do pensamento cristão. Quer dizer, para você saber se você tá agindo bem, procure sair de você, sair
do seu umbigo e e vê se você gostaria de ser o receptor da tua própria mensagem para falar como um comunicólogo, né? Né? Até me causa uma certa oeriza esse tipo de jargão. Fazia tanto tempo que eu não Falava que me causa estranheza. Diga, querida. Você ia fazer uma pergunta. Você sabe disso, sabe a série tem cara? Eu eu tenho a impressão que eu realmente preciso usar aparelho para surdez. A sério, uma sé que éado, né? Não, não, enfim, é um cara que ele não sei química e ele começa a criar menos vitamina para ganhar
dinheiro e aí por exemplo, se ele achar que aquilo é Correto do outro, ele tá sendo de uma forma que ele tá sendo eh correto para você achar que aquilo tema, tipo, é uma subjetiva, certo? Se você acha que é certo e dentro do sem é para você. É, entendi. É, mas eu te pergunto, que outra poderia ser, né? Porque se Kant pretende que você controle as variáveis da tua ação e ele quer te dar um critério de conduta, Esse critério de conduta só pode ser um critério de conduta de você para você, de acordo
com o que você pensa, porque esse é o limite daquilo que você controla, tá certo? A própria ideia de visão, se você me permitir, eh visão subjetiva é um pleonasmo, eh, né? Se é visão, obviamente é a visão daquele que veio, que não se confunde com nenhuma outra visão, né? Seria esquisito se houvesse Uma visão objetiva, né? Tá certo isso? Tá bom. Diga, companheiro. O, por exemplo, eu entendo parado, um nazista tá lá, melhor nazista, ele realmente que ele tá acredita que ele tá fazendo aquilo pro bem da nação. Ele tá agindo pela intenção que
para ele é correta. E ele tá fazendo que aquilo que ele esperava que o povo dele fizesse por ele se tivesse no lugar dele. Porém, ele tá enfim, se você entra na lógica categórica também vai serudente. Por Isso que eu eu acho que daí tem um paradoxo como não sei se não é. Veja bem, esse negócio de bem da nação é é você errou de aula. Esse negócio de bem da nação é o pensamento da aula passada. Ninguém aqui falou em bem da nação, tá certo? O que que eu tô falando? Eu tô falando o
seguinte: faça de tal maneira que você ache que qualquer um no seu lugar deveria fazer o mesmo. Portanto, de certa maneira, se você mata Alguém, o que você tá dizendo é que no final das contas, se você tivesse no lugar do outro, o que você espera de você mesmo é que o mate, entendeu? Portanto, o imperativo categórico só seria possível no caso de suicídio, né? você mesmo querendo se matar. Então você mata o outro porque se colocar no lugar do outro é o que iria acabar acontecendo. Eh, mas eu entendi o que você quer dizer.
É que você Elaborou torto. Não, não. Mas você pensou o o que te incomodou muito pertinente. Porque quem foi que disse que cante tem razão? né? Eu tenho a nítida impressão que Kant elaborou toda essa teoria para justificar um problema concreto que o incomodava, entendeu? Não é que ele elaborou Abstratamente a teoria e depois ele coloca os casos. Não, não, não. Ele partiu de um problema e para resolver esse problema ele criou essa parafernália toda. E o problema que ele partiu, fica óbvio, porque ele dá esse exemplo toda hora, é a mentira. Então veja como
é teu nome. Devo mentir. Ponto de interrogação. E Kant escreve um texto que é: "Por que não devo mentir mesmo quando as Consequências da mentira me parecerem melhores do que as consequências da verdade? Ó, o título simpático comercial. Então, vamos aplicar a mentira ao imperativo categórico. Haja de tal maneira a pretender pela vontade que qualquer um possa no seu lugar usar o mesmo princípio que você tá usando para agir, tá certo? É mais ou menos isso. Show de bola. Muito bem. Nesse caso, Você teria que se perguntar o que aconteceria se a mentira virasse lei
universal. Tá certo? Porque no final das contas é isso. Quando o Kante diz: "Faça de tal maneira que qualquer um possa fazer". Ele tá dizendo: "Faça de tal maneira a pretender pela vontade que a tua conduta se converta em lei universal". É uma outra maneira de dizer a mesma coisa. Tem muitas maneiras de dizer a mesma coisa. Faça de tal maneira pretender que A tua conduta vire lei universal. ou se você preferir que todo professor dê aula como você, ou se você preferir que todo jogador jogue bola como eu jogo e assim por diante, faça
de tal maneira pretender que aquilo se torne lei universal. Ora, se você mente, vamos aplicar o imperativo categórico, faça de tal maneira pretender que todo mundo minta, inclusive para você, tá certo? Tá perfeito. Então, qual é a conclusão que qualquer um deve chegar? É que a mentira não é aceitável. Então agora ele vai explicar por a mentira não é aceitável. Isso é muito interessante. Vamos imaginar que eu chegue para você e peça um dinheiro emprestado. Então, nesse caso, você vira para mim e diz: "Você vai me devolver?" Bom, eu não vou te devolver, mas para
você me emprestar, eu minto. Isto é, eu digo, eu vou devolver. Ficou Claro o caso? Muito bom. Ora, veja o que acontece. Eu minto e por isso você me empresta. Isso significa o quê? Isso significa que, apesar de eu estar mentindo, você acredita que eu esteja dizendo a verdade, tá certo? Isso significa que normalmente para você as pessoas dizem a verdade, tá certo? Isso significa que para você existe uma espécie de lei universal que é dizer a verdade, tá certo? Então, a mentira só é eficaz porque as pessoas ainda acreditam que as outras dizem a
verdade, tá certo? Por quê? Porque se você acreditar que todo mundo mente, portanto, a lei universal é a mentira. Ora, quando eu for mentir, eu não vou conseguir o que eu quero. Portanto, não adiantará nada mentir. Percebeu? Então, a mentira só funciona Se a lei universal for a verdade. Portanto, a mentira não pode pretender tornar-se lei universal. Ficou claro? do Do Só que agora você fica com o na mão, porque agora chega aonde você queria chegar. Situação de guerra, general nazista. Você é judeu E seu filho se esconde na sua casa. Chega o general da
Guestapo, toca a campainha e pergunta em alemão, is Jacó Gorender dá ponto de interrogação. Aí você olha pro general com a suástica no braço e você diz: "Vou consultar cant e qual é o primeiro texto que você Encontra?" Porque não devo mentir mesmo quando dizer acho que as consequências da verdade vão sei que tal imperativo categóric tal então o que você faz? Is tá escondido no porão e portanto seu filho foi pro forno porque você foi atrás de um bosta desse alucinado, não? completamente lunático, que criou uma teoria que não funciona nenhuma. Ficou claro? Mas
professor, eu achei que nós tínhamos resolvido a parada, velho. Esse Imperativo categórico era do Eu já tava comemorando, velho. Eu ia chegar em casa e eu ia pegar todo mundo. Por exemplo, irmã, irmã deu para oito, deveria tal. Vamos aplicar o imperativo categórico. Imagine que a sua conduta vire lei universal, né? Todo mundo tem que dar para todo mundo, será, né? E aí você começa a, professor, quer dizer que no ponto que ele mais queria é um fracasso velho. É um fracasso impressionante. Porque se você for levar A sério o que ele fala, você patrocinará
as piores atrocidades. As piores atrocidades. Então, é claro, você nós chegamos aqui num ponto muito bacana do curso e o que que nós vamos fazer para que a próxima aula seja ainda mais fascinante? Você vai chegar em casa agora, ao invés de entrar no Facebook, você vai botar no Google K A n fundamentos da metafísica dos costumes. É domínio público, custo zero. Aí você pega e seleciona vai as três primeiras páginas, professor. E as outras páginas? Ele não Ele não se incomoda com o o 1000. Nós vamos dar para ele uma chance. Três páginas. Você
seleciona, imprime e lê. Professor, mais três páginas leva 1 minuto e meio. Não, não leva não. Porque você pega o primeiro parágrafo, lê, ele vai te produzir um certo desconforto. Isso com a aula. Com aula. Aí você pega o primeiro parágrafo, lê de novo. O senhor tá me chamando de burro? Não. Ou se eu tô chamando de burro, chame-me Também, porque é também é assim que eu leio. Leia a terceira vez o primeiro parágrafo. Aí vai pro segundo parágrafo. Uma vez, duas vezes, três vezes. Então gasta uma hora em três páginas. Pastor, desse jeito eu
nunca vou saber qual é o final da história. Então, não tem o final da história. O resto do livro é tão desinteressante quanto essas três primeiras páginas. Você não tá perdendo nada. Fique só nas Três primeiras páginas, tá certo? E e por quê? Porque se você não fizer a experiência da leitura de um texto difícil, agora, acredite, você terá perdido a chance. A chance. E você dirá: "Mas eu não me interesso por questões filosóficas. Não, é só uma questão de brio. Você tem brio? Sabe o que é brio? dizer, malandro, você É tosquinho, você não
entende. Nossa, nossa, eu volto para casa, eu vou, é a primeira coisa que eu faço, nem xixi, velho. Eu vou lá, vou falar, cante, vem o texto, eu vou ler e tal. Por como pode um cara escrever uma coisa que eu não entenda? Não tem como. Eu vou ler aquela merda até entender. Isso é bri. Senão o nego caga na sua cabeça e você não reage. Não vai pegar lá o cotler, tem um solzinho, né? Ó lá. É para você é o Máximo que dá, velho. Não, você tem o teto, não tem jeito, não, né?
É. O vento venta, a mar é mareia, o sapo sapeia e você é marqueteiro. Você dali para cima você não passa. Você tá dando razão pros gregos. Nasceu para para coió. Não, não é da da Não pode. Isso te fere a alma. Como assim? Eu não vou entender não. Eu comi na infância, né? Comi. Me deram leite materno, me deram leite ninho, me deram não sei quê. Cérebro tem o tamanho de um cérebro Normal. Neurônio tem neurônio à vontade. Então, então, se o cara escreveu, velho, você só vai entender o que ele escreveu. Você imagina
que ele teve que tirar do zero aquela merda toda. É que nem o teorema de Pitágoras, ele descobriu o teorema. Você só tem que aplicar no triângulo retângulo. A hipotenusa é tanto, o cateto é tanto quanto é o outro cateto. Você só tem que pegar hipotenusa, levar o quadrado, cateto ao cadeto, somar, diminuir e Chegar e você erra. Vai ser burro na cadeia, velho. porque o cara na Grécia, cco séculos antes de Cristo, descobriu o que você 5000 anos depois não consegue aplicar. Pô, você tem que comer alfafa, cara. Você vai ser burro no inferno.
Então, claro, isso é um tipo de cutucada. Você vai dizer: "Professor, mas a pedagogia, a pedagogia que se foda". Você precisa é sentar a bunda na cadeira e melhorar a Tua capacidade de pensamento, porque depois você aplica isso aonde for. Porque se você só ficar no show do Arioledo, coisas fáceis, solzinho, públicos e aqui tá empresa aí tem pelo amor de Deus, velho. Isso é, sabe, na quinta série primária já daria para entender essa merda. pega alguma coisa de gente, tenha colhão, mesmo que não, mesmo que não tenha nada a ver com você, tenha tenha
tenha sangue, reaja. Senhora, eu não faço questão nenhuma de Tudo bem, fiz o que eu pude. Hum. Porque porque é isso mesmo, né? O que que eu tô te dizendo? O que que todo mundo diz? Não, nem pega o texto, cara, né? Isso aí é para dois ou três. se o cara me diz isso aí é para dois ou três? Então, então é para mim. Cadê a do negócio, né? É, é que nem aquela coisa do Burd lá. Já contei essa história, né? Eu tô, você sabe que O Burro de foi meu orientador, eu tava
numa aula, ele vira e fala: "Eu já contei com certeza, mas eu conto de novo. Os circuitos de consagração social serão tanto mais eficazes quanto maior a distância social do objeto consagrado." Aí eu tô gravando a aula do cara. Aí eu chego em casa, né, na cozinha para não acordar o Joaquim, que é meu colega de de quarto clandestino e virou ministro do Supremo para não Acordar o Joaquim, eu vou pra cozinha. Les circuits de consécration sociaux seront d'autant plus efficaces selon la distance sociale des objet accomplis. Aí você lê a da frase circuit de
consegração social. Aí você lê a da frase l circuito e você começa a se sentir mal, cara. Porque você lê 30 vezes a da frase e você não entendeu o que o cara quis dizer. Isso é. Então você tem que se sentir incomodado. Por quê? Porque a tua inteligência é o que você tem de melhor. Se ela não dá conta de uma merda, de uma frase, então você é um ser defecante, né? Não, por outro lado, para cagar, todo dia eu cago é uma beleza. Não é aquilo que você tem que entender. Aí você vai
pro cara e diz: "Porra, eu não entendi a frase". E o cara ainda zoa da sua cara. Pô, mas é uma frase elementar. Nossa, é de moer o fígado, cara. Como assim é elementar? E eu não entendi. Então é esse brio que eu tô falando. Esse bri, é esse brio que levará você a progredir intelectualmente. Por quê? Porque estudar, aperfeiçoar a capacidade intelectiva, pensar com competência é tão esforçado quanto ter músculos, correr, nadar travessia. Exige, exige exige empenho, cara. Exige dedicação, exige bunda na cadeira, exige certo, tal. Então, é um pouco essa a ideia, né?
Quer dizer, o que eu fiz aqui, dei as chaves do castelo, fiz a Cama, facilitei. Agora pega o texto, deita e entende. Por quê? Porque não tem por não entender, cara. Entrou aqui, tem coisa, tem o professor, tem comida, tem tudo. O resto é só preguiça e covardia. Eh, então, na aula que vem a gente continua o cant eh, na certeza de que pois depois teremos uma aula sobre o livro Genealogia da Moral do Niet e na outra aula depois teremos uma aula sobre o livro A essência do cristianismo de Feuerbar, que já é o
pensamento marxista. E aí nós já estamos nos aproximando do fim do curso. Nós faremos uma única sobre o século XX. aonde eu procurarei falar um pouco sobre o pensamento existencialista. Então, nós temos, na verdade, contando uma por uma mais quatro aulas antes da prova. Depois, depois vocês seguem viagem para o próximo ano e eu fico aqui esperando os alunos que estão por vir. Então, eh, vem comigo, né? Porque esse é um momento Assim interessante para você descobrir coisas que depois provavelmente não vai ter muito contato e elas são muito legais de discutir, de problematizar, de,
né? Quando você põe John Stuart 1 de um lado dá impressão que ele tem super razão, aí você põe Kant do outro lado, dá impressão que ele tem super razão e no final você descobre que, bom, e tudo é cheio de problema, tudo é cheio de dúvida, etc. E se você sai da faculdade com essa impressão, com essa humildade, Com essa com essa, né, com esse com essa lucidez de que os pensamentos eles são todos cheios de problema, na hora que você encontrar alguém cheio de certezas e de verdades, você vai bater no ombro, dizer:
"Malandro, baixa a tua bola porque, né, sobre o certo e sobre o errado, o buraco é bem mais embaixo, né? E isso vai te dar uma autonomia intelectual, né? Você vai ouvir lá o o diretor da empresa falando e você vai pegando o que ele tá Falando e vai jogando. Olha, argumento utilitarista, olha argumento não sei que, olha, não sei, você bapeia o cara, né? Você percebe que você é intelectualmente superior a ele, né? e que se na na organização da empresa ele é superior a você, você vai virar a mesa rapidinho, porque não tem
outro jeito. No final das contas, quem pensa bem acaba tendo uma arma absolutamente incontida nas mãos. Não tem jeito. O teu bem pensar triunfará mais cedo ou mais Tarde. Vai ter um dia que vão te deixar falar e nesse dia vão perceber que você pensa com articulação. Você conhece os limites do teu discurso, você conhece as dificuldades do pensamento, você conhece os limites da razão. E aí, é claro, isso vai fazer uma diferença imensa diante da inocência e da ingenuidade das verdades que estão instituídas. Obrigado pela sua atenção e até a semana que vem.