O milionário ignorou a garota que lhe pediu ajuda para encontrar o caminho de casa dias depois ficou em choque ao vê-la chorando na lápide de sua falecida esposa Mariana vivia de um jeito simples mas cheio de carinho o apartamento onde morava com sua filha Ana Clara era pequeno e meio desgastado mas para elas Era um lar as paredes já precisavam de pintura o sofá tinha um rasgo coberto com uma manta colorida mas o riso da Menina deixava tudo mais bonito para Mariana o maior luxxo era ver a filha feliz apesar das dificuldades a vida não
era fácil Mariana fazia bicos como manicure faxineira e às vezes cuidava de crianças para ganhar o necessário para colocar comida na mesa mas naquela noite algo parecia estranho ela sentia um aperto no peito uma sensação que não sabia explicar Ana Clara com seus 8 anos já estava dormindo no colchão da sala Porque o calor no quarto era insuportável Mariana tinha acabado de lavar a louça do jantar arroz feijão e um ovo frito e estava pensando em como pagaria o aluguel atrasado de repente alguém bateu na porta não foi uma batidinha normal era uma batida forte
decidida Mariana congelou olhou pelo olho mágico mas não conseguiu ver quem era a rua estava silenciosa Só o barulho de um cachorro latindo ao Longe cortava o silêncio mais uma batida ainda mais alta seu coração disparou quem é perguntou tentando manter a voz firme abre a porta Mariana é a Verônica a voz fez os pelos de sua nuca se arrepiarem Verônica só de ouvir o nome Mariana sentiu o estômago embrulhar ela sabia o que aquilo significava Verônica não era uma visita era um problema era dona do dinheiro que Mariana tinha emprestado meses atrás Desesperada para
pagar contas acumuladas a mulher era conhecida pelo jeito frio e cruel e Mariana já tinha ouvido histórias terríveis sobre o que acontecia com quem atrasava os pagamentos Verônica eu eu não tenho nada para te dar hoje por favor volta amanhã Mariana gaguejou a voz tremendo Mariana se você não abrir essa porta Agora vai ser pior a resposta veio como uma faca cortando o ar sem escolha ela destrancou a porta devagar Verônica entrou como se Fosse dona do lugar acompanhada de dois homens grandes com caras fechadas eles não disseram nada só cruzaram os braços e ficaram
de pé como estátuas ameaçadoras Verônica tinha um sorriso no rosto mas era um sorriso que gelava a espinha ela olhou ao redor reparando em cada detalhe do apartamento e depois fixou os olhos em Mariana eu te avisei que não tolero atraso Você sabia disso a voz era calma mas cheia de veneno eu tô Tentando de verdade só que as coisas estão difíceis eu todo mundo tem desculpa Mariana Mas eu não trabalho com desculpas Eu trabalho com dinheiro Verônica interrompeu dando um passo para mais perto Mariana sentiu as lágrimas começarem a se formar mas Segurou o
choro não queria parecer fraca mesmo sabendo que estava ela tentou argumentar prometer que pagaria tudo implorar mas nada Adiantava Verônica apenas ouvia impassível como quem ouve o barulho de uma torneira pingando sem impaciência Foi então que Verônica olhou para o colchão na sala e viu Ana Clara dormindo Mariana percebeu o olhar da mulher e entrou em Pânico por favor ela não tem nada a ver com isso é só uma criança a voz de Mariana saiu mais alta do que ela queria exatamente e crianças são ótimas garantias Talvez isso te ensine a levar As coisas a
sério Verônica respondeu como se estivesse falando de algo insignificante Mariana tentou se colocar entre Verônica e a filha mas um dos homens segurou seu braço forte Ela gritou se debatendo mas era inútil Verônica se aproximou do colchão e pegou Ana Clara que começou a acordar assustada a menina não entendeu o que estava acontecendo mamãe disse Ana Clara a voz ainda sonolenta tá tudo bem Filha não vai com ela fica comigo Mariana chorava tentando se soltar Verônica olhou para trás antes de sair pela porta com a menina nos braços você tem uma semana Mariana se o
dinheiro não aparecer ela não volta a porta bateu com força e o apartamento mergulhou no silêncio Mariana caiu de joelhos sentindo o chão frio contra a pele a sensação de impotência esmagava sua filha sua razão de viver Tinha sido arrancada de seus braços e ela não fazia ideia de como ia trazê-la de volta a partir daquele momento tudo mudou Ana Clara estava assustada quando abriu os olhos o mundo que conhecia tinha desaparecido não estava mais em casa no colchão com cheiro de amaciante barato que a mãe sempre usava não ouvia mais o som da televisão
que ficava ali ligada até tarde ou o barulho da rua que entrava pela janela em vez disso tudo Parecia estranho e frio ela estava em um quarto pequeno com uma cama velha e uma cadeira de plástico no canto as paredes eram cinzas sem vida e o único som era o tic-tac de um relógio distante a luz fraca de uma lâmpada balançava no teto projetando sombras nas paredes ela tentou lembrar como tinha parado ali a última coisa que se lembrava era da voz da mãe gritando seu nome e dos braços fortes daquela mulher estranha que a
carregou para longe o pânico voltou Como Uma Onda fazendo seu coração bater rápido a porta do quarto estava trancada e a menina sentia a garganta seca estava sozinha sem sua mãe sem ninguém para dizer que tudo ficaria bem horas depois ou pelo menos parecia que horas tinham passado A Porta Se Abriu Verônica entrou acompanhada pelos dois homens que Ana Clara já tinha visto antes a mulher olhou para a menina com aquele sorriso frio o tipo de sorriso que fazia até o ar do quarto parecer mais pesado Então Você é a pequena Ana Clara Espero que
seja obediente crianças que não são tem problemas a voz dela era como uma faca cortante sem qualquer sinal de compaixão Ana Clara não disse nada queria gritar correr mas suas pernas estavam como pedras Verônica caminhou até a cama e sentou-se na beira olhando para a menina como quem avalia um objeto não precisa ter medo se sua mãe fizer o que deve Você vai voltar para casa rapidinho ela Disse mas o jeito como falava não tinha nada de tranquilizador Ana Clara sentiu as lágrimas escorrendo pelo rosto mas tentou engolir o choro não queria parecer fraca na
frente daquela mulher quero minha mãe disse baixinho quase sem força todos querem alguma coisa pequena eu quero dinheiro sua mãe Me deve e você é a forma dela lembrar que não pode fugir disso Verônica respondeu levantando-se como se fosse a coisa mais normal do mundo os dias seguintes foram Uma mistura de medo solidão e confusão Verônica não deixava Ana Clara sair do quarto por muito tempo quando saía era para a cozinha ou banheiro sempre sobe o olhar dos dois homens que a seguiam como sombras eles não falavam com ela mas Ana Clara sabia que estavam
ali para garantir que ela não tentasse fugir a casa era grande mas fria tanto no clima quanto na energia não tinha fotos não tinha enfeites não tinha nada que mostrasse que ali vivia Alguém de verdade era tudo impessoal como se fosse apenas um lugar de passagem na cozinha a geladeira tinha pouca comida nada que lembrasse os pratos simples mas cheios de amor que sua mãe fazia Ana Clara comia pouco mais por medo do que por falta de fome uma noite ela tentou falar com um dos homens estava no corredor a caminho do banheiro e olhou
para ele com coragem que nem sabia que tinha quando eu vou voltar Para casa perguntou sua voz tremendo ele não respondeu só olhou para ela com uma expressão dura e desviou o olhar era como se não a enxergasse como uma criança mas como algo que ele precisava vigiar como um objeto o tempo parecia passar devagar Ana Clara ficava no quarto tentando se distrair com qualquer coisa arranhava as paredes com a unha contava os riscos na madeira do chão ou olhava pela janela que dava para um quintal pequeno e cercado por muros Altos às vezes ouvia
o som de carros passando na rua e isso fazia seu peito apertar lá fora o mundo continuava girando mas para ela parecia que o tempo tinha parado as noites eram ainda piores o quarto ficava escuro e Ana Clara ouvia os barulhos da casa Passos pesados portas rangendo vozes abafadas sempre que fechava os olhos lembrava da mãe da voz dela dos braços qu que abraçavam quando tinha medo ela se perguntava se a mãe estava bem se Estava tentando encontrá-la essas lembranças eram a única coisa que a fazia segurar firme mesmo quando o medo parecia grande demais
uma vez Verônica entrou no quarto com uma sacola de roupas jogou a na cama sem cerimônia use isso não quero que fique parecendo uma mendiga por aqui disse com o mesmo tom seco de sempre as roupas eram velhas mas limpas Ana Clara olhou para elas e depois para Verônica Que continuava parada Observando-a como se estivesse esperando alguma reação mas a menina não disse nada aprendeu rápido que qualquer palavra errada poderia trazer mais problemas apesar de tudo Ana Clara Tentava ser forte lembrava das coisas que a mãe dizia Você é valente minha menina essas palav ecoavam
em sua cabeça toda vez que o desespero ameaçava tomar conta mesmo naquele lugar estranho cercada por pessoas que pareciam não se importar com ela a menina agarrava-se a Esperança de que sua mãe faria alguma coisa para trazê-la de volta mas enquanto os dias passavam e Verônica continuava fria e distante Ana Clara começou a entender que estava nas Garras de alguém que não sabia o que era amor e isso a assustava mais do que tudo Mariana acordou naquela manhã com o peso do mundo sobre os ombros era como se o coração dela não batesse mais no
peito mas tivesse sido arrancado junto com a filha a casa estava um caos não era só o Colchão vazio na sala ou as roupas de Ana Clara que ainda estavam espalhadas era o silêncio o silêncio da ausência de Ana Clara a menina costumava acordar antes dela correndo pela casa sempre cheia de energia agora aquele barulho que dava vida ao apartamento tinha sumido ela se sentou no chão da sala abraçando as pernas e encarou o relógio na parede cada minuto que passava Parecia um martelo batendo em sua cabeça Lembrando que o tempo estava correndo Contra ela
Verônica tinha dado uma semana sete dias para conseguir uma quantia absurda que Mariana nem sabia por onde começar a procurar com as mãos tremendo pegou o celular e começou a fazer ligações ligou para a irmã que vivia em outra cidade ligou para uma antiga colega de trabalho ligou até para vizinhos explicou implorou mas sempre recebia a mesma resposta desculpa Mariana eu não posso te ajudar Mariana Sabia que precisava fazer mais não podia simplesmente ficar esperando então saiu de casa sem rumo andou pelas ruas da cidade perguntando para si mesma onde conseguiria aquele dinheiro passou por
lojas restaurantes até igrejas sem saber ao certo o que procurava sentia o olhar das pessoas como se elas soubessem que algo estava errado mas ninguém dizia nada cada rosto que cruzava era só mais um lembrete de que ela estava sozinha foi então que Teve a ideia de ir à delegacia talvez a polícia pudesse ajudar chegando lá ela foi recebida por um se alcançado que parecia ter visto de tudo e mais um pouco Moça Vou ser sincero casos como esse são complicados sem provas sem o endereço certo fica difícil agir ele disse enquanto digitava algo no
computador mas é a minha filha ela foi levada vocês não podem simplesmente ignorar isso Mariana respondeu a voz trêmula mas cheia de Desespero o policial suspirou ele não queria ser insensível mas também sabia como aquele tipo de caso terminava na maioria das vezes vamos registrar o boletim Tá mas por enquanto a melhor coisa que você pode fazer é tentar resolver isso do seu jeito disse ele com um olhar que misturava pena e cansaço Mariana saiu dali com um nó na garganta resolver do meu jeito o que Isso quer dizer ela repetia essa pergunta na cabeça
enquanto Voltava para casa O sol estava se pondo e a luz alaranjada parecia zombar dela como se dissesse que mais um dia tinha passado sem nenhuma solução ao entrar no apartamento Sentiu o cheiro de Ana Clara no travesseiro jogado no chão isso foi suficiente para derrubá-la de vez sentou no chão e chorou como nunca tinha chorado antes não era um choro só de mas de impotência de raiva sentia ódio de Verônica de si mesma e até da vida que parecia estar sempre contra ela mas No meio das Lágrimas algo mudou Mariana começou a pensar que
ninguém faria isso por ela nem a polícia nem os amigos nem Vizinhos se alguém fosse salvar Ana Clara seria ela mesma limpou o rosto com as costas da mão se levantou e olhou para o espelho na parede estava com o rosto vermelho os olhos inchados Mas pela primeira vez desde aquela noite sentiu algo parecido com determinação na manhã seguinte Mariana começou a investigar por conta própria Foi atrás de qualquer pessoa que pudesse conhecer Verônica visitou lugares que achava que a mulher poderia frequentar perguntando discretamente sobre ela não foi fácil a maioria das pessoas não queria
se envolver só o nome de Verônica já fazia as pessoas baixarem o tom de voz e mudarem de assunto depois de horas andando pela cidade ela encontrou um velho conhecido que parecia saber algo Mariana você não devia mexer com essa mulher ela é Perigosa todo mundo sabe disso Disse ele olhando para os lados como se tivesse medo de que Verônica aparecesse do nada eu não tenho escolha ela está com a minha filha você tem filhos porque se tivesse saberia que eu vou até o inferno para trazê-la de volta respondeu com os olhos fixos no homem
como se isso pudesse convencê-lo ele suspirou e finalmente deu algumas pistas não era muito mas era um começo Mariana agora tinha o nome de uma rua onde Verônica Costumava fazer negócios era uma área perigosa cheia de gente que parecia viver a margem de tudo mas Mariana não se importava seu medo de Verônica era menor do que o medo de nunca mais ver Ana Clara Ela foi até lá no mesmo dia observando de longe tentando entender como poderia se aproximar não queria chamar atenção não sabia exatamente o que fazer mas sabia que tinha que tentar cada
segundo perdido era um segundo Longe de sua filha enquanto isso sua cabeça era uma tempestade de pensamento lembrava-se das Noites em que cantava para Ana Clara dormir das manhãs em que dividiam o pão porque não tinha dinheiro para mais nada tudo o que tinha feito na vida era pela filha e agora sentia que estava falhando como mãe mas essa sensação só fazia lutar com mais força Mariana não sabia como mas tinha tomado sua decisão não ia parar até trazer Ana Clara de volta mesmo que isso Significasse arriscar tudo mes se passaram e Verônica já estava
cansada da presença de Ana Clara naquele dia ela planejava algo Cruel para a menina disse que iriam dar uma volta mas o que aconteceu foi bem diferente do que havia prometido Ana Clara sentiu o carro parar de repente ela estava no banco de trás com o corpo todo encolhido e olhou pela janela não sabia onde estava mas não parecia um lugar amigável era uma estrada longa Cerada por Mato Alto que balança com o vento não havia luzes nem casas por perto só o silêncio quebrado pelo Bar do motor quetinha acabado dear verica virse para noan
doa e olou para Ana Clara com uma expressão deci como se a menina fosse um el não queria maisar não vou mais perder meu tempo com você disse Verônica a voz firme e cortante Ana Clara regalou os olhos Sem Entender direito o que estava acontecendo ficou imóvel o coração Batendo tão rápido que parecia que ia sair do peito desce agora Verônica ordenou sem nem levantar a voz mas com uma firmeza que fazia o ar do carro parecer mais pesado a menina hesitou olhando para os lados como se estivesse procurando alguma saída mas ela sabia que
não tinha escolha Verônica abriu a porta do carro e puxou Ana Clara pelo braço forçando-a a sair a menina tropeçou sentindo o chão de terra solta sob os pés e olhou ao redor tentando Entender onde estava você acha que pode me desafiar menina que pode continuar choramingando e me atrapalhando pois bem vou te ensinar uma lição Verônica disse enquanto ajeitava a alça da bolsa no ombro como se o que estava fazendo fosse uma qualquer Ana Clara tentou segurar o choro já sabia que Verônica não gostava quando ela chorava mas naquele momento era impossível as lágrimas
começaram a escorrer pelo rosto Enquanto Ela olhava Para o carro percebendo que não tinha para onde correr Verônica entrou no carro fechou a porta e ligou o motor antes de acelerar abaixou o vidro e lançou um último olhar para Ana Clara Boa sorte pequena Vamos ver quanto tempo você dura sozinha disse com um sorriso frio e Então ela foi embora o som do motor foi sumindo aos poucos até que tudo ficou em silêncio Ana Clara ficou parada sem saber o que fazer o vento fazia o mato Se mexer criando sombras estranhas ao seu redor ela
abraçou o próprio corpo tentando afastar o medo mas ele parecia crescer a cada segundo o sol já estava começando a se pôr e o céu ficava cada vez mais escuro Ana Clara olhou para a estrada que parecia infinita não havia carros não havia ninguém só ela sozinha no meio do nada sentiu o estômago embrulhar Mas não era só fome era o medo o pavor de não saber o que ia acontecer a seguir decidiu Começar a andar o chão era irregular e os pés doíam a passo estava descalça pois Verônica tinha tirado os seus sapatos dias
antes dizendo que ela não precisava deles onde estava cada pedrinha no caminho Parecia um obstáculo gigante o vento gelado cortava sua pele e o barulho do mato a fazia olhar para os lados o tempo todo Será que tinha animais por ali ou coisa pior a cada som Ana Clara se encolhia mais como se pudesse Desaparecer conforme a noite avançava o cansaço começou a pesar as pernas estavam fracas os olhos ardiam de tanto chorar a menina tropeçou e caiu ralando o joelho na terra dura sentiu a dor subir pela perna mas não gritou apenas Ficou ali
sentada no chão tentando recuperar o fôlego o céu estava cheio de estrelas mas elas não pareciam trazer conforto pelo contrário apenas mostravam o quão pequena e sozinha ela estava Ana Clara pensou na mãe tentou imaginar o Que Mariana faria se estivesse ali provavelmente a carregaria no colo como fazia quando ela era menor e se machucava a lembrança trouxe um aperto no peito tão forte que ela teve que fechar os olhos para segurar o choro mas as lágrimas vieram de novo não dava para evitar mamãe onde você tá ela sussurrou para oou a voz rouca e
baixa depois de um tempo decidiu que precisava continuar andando ficar parada não ia ajudar se levantou devagar limpando o rosto com as Mãos sujas de terra e deu mais alguns passos o mato alto ao lado da estrada parecia se fechar sobre ela e cada sombra era um monstro IMP potencial mas ela continuou mesmo com o medo mesmo com o corpo doendo Foi então que viu algo ao longe um ponto de luz Fraco mas suficiente para chamar sua atenção apertou os olhos tentando entender o que era um poste uma casa não sabia mas era o suficiente
para lhe dar uma pontinha de esperança Começou a andar mais rápido ignorando a dor nos pés e o frio que fazia seus dentes baterem conforme se aproximava percebeu que era uma luz de carro um veículo velho estava parado no Acostamento com os faróis ligados o motor não estava ligado e não parecia haver ninguém por perto Ana Clara hesitou mas sabia que não tinha muitas opções aproximou-se devagar com passos curtos e silenciosos pronta para correr se fosse necessário ao chegar mais perto Percebeu que o carro estava vazio as portas estavam fechadas mas não trancadas dentro havia
uma garrafa de ar e um pacote de bolachas aberto no banco do passageiro Ana Clara sentiu o estômago roncar só de olhar estava com fome com sede mas não sabia se podia pegar e se fosse uma armadilha mas seu corpo estava no limite não pensou muito antes de abrir a porta e pegar o pacote Comeu rápido engolindo quase sem mastigar enquanto bebia água direto da Garrafa sentada no banco do carro s um pouco de alívio era a primeira vez em horas que estava abrigada do vento Mas sabia que não podia ficar ali para sempre precisava
continuar não sabia onde mas precisava tentar o abandono na estrada Era só mais uma prova de que mesmo com medo ela precisava ser forte e mesmo que fosse pequena e sozinha no fundo Ana Clara sabia que não ia desistir Ana Clara nunca tinha se sentido tão Cansada depois de horas caminhando sem rumo com o corpo doendo e o estômago revirando de fome finalmente avistou um prédio iluminado era um hospital as letras apagadas de uma placa velha balançavam com o vento mas mesmo assim dava para ler pronto atendimento Municipal o lugar não parecia novo mas para
Ana Clara era um sinal de esperança talvez alguém ali pudesse ajudá-la com passos lentos atravessou o tão enferrujado e subiu os poucos degraus da Entrada cada movimento Parecia um esforço enorme como se suas pernas fossem feitas de chumbo ao entrar foi recebida pelo cheiro forte de desinfetante que fez seu nariz arder e pelo barulho baixo de uma televisão em uma das paredes a recepção estava quase vazia exceto por uma senhora cochilando em uma cadeira e uma infermeira que parecia muito ocupada atrás do balcão Ana Clara hesitou olhando para a enfermeira Não sabia o que dizer
nem como pedir ajuda seus lábios estavam rachados e as palavras pareciam presas na garganta finalmente decidiu dar um passo à frente parando em frente ao balcão Com licença disse a voz tão baixa que parecia sumir a enfermeira uma mulher de cabelo preso em um coque apressado levantou os olhos por cima dos óculos e olhou para Ana Clara ela não parecia impressionada suspirou como quem estava lidando com mais uma tarefa na lista interminável de Coisas para fazer o que foi menina tá machucada perguntou sem nem se levantar Ana Clara Balançou a cabeça tinha machucados nos pés
nos joelhos e até nos braços mas o que mais doía não era algo que ela conseguia mostrar eu não sei onde tá minha mãe respondeu com os olhos cheios de lágrimas sua voz saiu entrecortada um misto de cansaço e desespero a enfermeira franziu a testa parecendo incomodada ela olhou rapidamente para os Lados como se Esperasse que alguém aparecesse para resolver aquilo por ela quando percebeu que não havia ninguém soltou outro suspiro você é menor de idade tá sozinha perguntou de forma Quase automática como se não se importasse Ana Clara só conseguiu balançar a cabeça em
confirmação a enfermeira bufou e pegou o telefone vou chamar o assistente social mas ele só vem de manhã até lá Espera aí Disse sem olhar para a menina novamente Ana Clara não respondeu apenas se virou e foi até uma cadeira no canto da sala de espera sentou-se sentindo o corpo afundar no estofado rasgado ente estava gelado com o ar-condicionado barulhento que parecia mais velho do que o hospital inteiro ela abraçou os próprios braços para tentar se aquecer mas não adiantou sentia frio não só por fora mas por dentro também enquanto esperava olhava ao redor havia
Algumas pessoas na recepção mas ninguém parecia notar sua presença um homem tocia sem parar em um canto e uma mulher com uma criança no colo andava de um lado para o out como se o movimento pudesse resolver os problemas a televisão no alto da parede mostrava um programa qualquer mas o som estava baixo e ninguém prestava atenção Ana Clara estava acostumada a se sentir sozinha mas ali no meio de tantas pessoas a solidão parecia maior tentou Não chorar mas as lágrimas começaram a escorrer antes que ela pudesse segurá-las passou as mãos no rosto limpando o
máximo que conseguiu sem querer chamar atenção depois de algum tempo um médico finalmente apareceu Ele era alto e magro com um jaleco meio amassado e um crachá pendurado no pescoço parecia cansado como se estivesse ali há horas ele chamou Ana Clara com um gesto de cabeça e ela o seguiu até uma pequena sala de Atendimento o médico olhou para a ficha que a enfermeira tinha preenchido com pouca paciência Então qual é o problema perguntou sem nem olhar para ela seus olhos estavam fixos no computador Ana Clara abriu a boca para responder mas não sabia o
que dizer como explicar tudo o que tinha acontecido que tinha sido levada por uma mulher Cruel que tinha sido deixada sozinha no meio de uma estrada e que agora nem sabia se a mãe ainda estava viva as palavras se Enrolaram na garganta e ela apenas apontou para os machucados nos joelhos e nos pés só isso o médico perguntou finalmente levantando o olhar ele parecia confuso como se achasse que aquelas feridas não eram motivo para estar ali eu estou sozinha não tenho onde ir Ana Clara disse a voz quase sumindo de novo o médico suspirou ele
estava acostumado com casos complicados mas também estava acostumado a ser frio para ele Ana Clara Era só Mais uma entre tantas pessoas que passavam por ali todos os dias Olha vou limpar esses machucados e pedir paraa recepção cuidar do resto tá bom disse já se virando para pegar um kit de primeiros socorros enquanto ele limpava os cortes com algodão e antissético Ana Clara ficou em silêncio a dor era suportável mas a indiferença dele era difícil de ignorar ela queria que alguém dissesse algo Gentil que a olhasse nos olhos e dissesse que tudo ia ficar bem
Mas isso não aconteceu quando ele terminou a deixou sozinha na sala dizendo que a recepção cuidaria dela Ana Clara voltou para a cadeira na recepção sentindo-se ainda mais sozinha do que antes o hospital era frio não só por causa do ar-condicionado mas por causa das pessoas que pareciam tratar tudo como se não tivesse importância sentada ali abraçada aos próprios braços Ana Clara olhou para a porta de entrada Queria correr para fora mas não tinha para onde ir então ficou esperando que algo mudasse que alguém aparecesse e dissesse que ela não estava sozinha mas o hospital
continuava tão frio quanto antes o frio do lugar continuava incomodando mas o que mais doía era a indiferença de todos ao redor a cada minuto que passava ela sentia o peso da Solidão apertando mais o peito tentava segurar as lágrimas mas ela escapavam de vez em quando caindo Silenciosamente ninguém notava para todos ela era apenas mais uma criança perdida do lado de fora do hospital um carro estacionou de repente o motor parou Mas as luzes continuaram acesas uma mulher desceu apressada com uma bolsa no ombro e uma expressão preocupada no rosto era Rebeca ela não
era do tipo que ficava parada quando algo precis ser feito tinha vindo ao hospital porque uma amiga enfermeira tinha ligado pedindo ajuda disse que Havia uma menina sozinha precisando de alguém que cuidasse dela porque ninguém no hospital parecia estar interessado quando Rebeca entrou o ar frio atingiu como uma Rajada mas ela não deu muita atenção olhou ao redor seus olhos buscando a menina que a amiga tinha descrito E então viu Ana Clara encolhida em uma cadeira com os joelhos dobr e os braços ao redor do corpo Rebeca parou por um momento respirando fundo algo naquela
cena mexeu com ela A garota Parecia tão pequena tão perdida Mas acima de tudo Parecia ter desistido de esperar por alguém Rebeca caminhou até Ana Clara Sem pressa mas com passos firmes quando chegou perto se abaixou ficando na altura dos olhos da menina Ana Clara sentiu movimento e levantou o rosto devagar encontrando os olhos de Rebeca havia algo diferente neles não eram frios ou indiferentes como os de tantas outras pessoas que ela tinha visto nas últimas horas eram Calorosos cuidadosos Oi meu nome é Rebeca ela disse com um sorriso pequeno mas sincero você é a
Ana Clara certo Ana Clara ficou quieta por um instante não sabia se deveria responder mas algo na voz de Rebeca fez sentir um pouco menos assustada então Balançou a cabeça devagar Tudo bem Ana Clara eu vim aqui porque soube que você precisa de ajuda tá tudo bem Não precisa ter medo Rebeca Continuou mantendo o tom de voz calmo e Gentil a menina abriu a boca para falar mas as palavras não saíram um nó na garganta como se estivesse segurando o choro por tanto tempo que agora não conseguia soltar Rebeca percebeu isso e estendeu a mão
colocando a de leve sobre o ombro da menina tá tudo bem querida você não precisa falar nada agora só quero que saiba que não tá sozinha tá bom disse ela apertando de leve o ombro da menina essa simples Frase foi o suficiente para quebrar algo dentro de Ana Clara as lágrimas começaram a cair de novo mas dessa vez ela não tentou segurá-las elas vieram de uma vez como uma enchurrada e Rebeca puxou para um abraço foi um gesto instintivo mas exatamente o que Ana Clara precisava naquele momento pela primeira vez em dias ela se sentiu
segura como se alguém realmente se importasse Rebeca deixou que a menina chorasse o quanto Precisasse não disse nada apenas Manteve firme quando Ana Clara finalmente começou a se acalmar Rebeca afastou-se um pouco mas Manteve as mãos nos ombros da menina olhando diretamente para ela quer me contar o que aconteceu perguntou com cuidado Ana Clara hesitou ainda tinha medo de falar mas algo na expressão de Rebeca lhe deu confiança então começou a falar a voz baixa e entrecortada contou sobre Verônica sobre Como tinha sido levada sobre o abandono na estrada quando terminou Rebeca já estava com
o coração apertado não conseguia imaginar como uma criança tão pequena tinha sobrevivido a algo tão cruel você é muito corajosa sabia Rebeca disse com um sorriso encorajador passar por tudo isso e ainda estar aqui pedindo ajuda isso mostra que você é uma guerreira Ana Clara não respondeu mas o elogio fez seu coração ficar um pouco mais leve Rebeca percebeu Que a menina precisava de muito mais do que palavras naquele momento precisava de ação decidida se levantou e olhou ao redor procurando alguém que pudesse dar informações sobre o que fazer a seguir foi até a recepção
onde a enfermeira de antes estava foliando papéis Com licença disse Rebeca com firmeza eu quero saber o que vai ser feito pela menina que está ali ela não pode ficar sozinha desse jeito a enfermeira deu de ombros como se não fosse problema dela Estamos esperando o assistente social mas isso só vai ser resolvido amanhã respondeu sem muito interesse Rebeca respirou fundo tentando conter a frustração sabia que discutir não ia adiantar então tomou sua própria decisão Tá bom eu cuido disso não vou deixar ela aqui sozinha Voltando Para onde Ana Clara estava Rebeca pegou a mão
da menina com cuidado olha você quer vir comigo posso cuidar de você enquanto a gente descobre como resolver tudo isso Disse esperando não assustar a menina Ana Clara olhou para ela ainda insegura mas acabou a sentindo não tinha ideia de quem era aquela mulher mas sentia que podia confiar nela e pela primeira vez em muito tempo isso era suficiente Rebeca levou Ana Clara para fora do hospital segurando sua mão o tempo todo sabia que aquela jornada estava apenas começando mas também sabia que não ia deixar a menina sozinha não enquanto pudesse fazer algo por ela
Rebeca não conseguiu dormir naquela noite depois de levar Ana Clara para casa passou horas olhando para a menina que finalmente havia pegado no sono em um colchão improvisado na sala era difícil acreditar que uma criança tão pequena tinha passado por tudo aquilo Rebeca sentia uma mistura de revolta e determinação não fazia ideia de como Mas sabia que precisava encontrar Mariana a mãe de Ana Clara a menina não falava Muito sobre ela mas o pouco que dizia deixava claro que Mariana era tudo para ela quando o sol começou a nascer Rebeca já estava de pé Tomando
café e planejando os próximos passos decidiu começar pelo Hospital Talvez os funcionários tivessem mais informações sobre Ana Clara ou sobre como ela tinha ido parar ali colocou um bilhete ao lado da cama da menina avisando que voltaria logo e saiu no hospital a mesma enfermeira que parecia Indiferente No dia anterior estava de plantão você voltou disse olhando para Rebeca com o mesmo desinteresse de sempre Sim quero saber se vocês têm algum informação sobre a mãe da Ana Clara Ela precisa encontrar a família Rebeca respondeu cruzando os braços e tentando manter a paciência a enfermeira revirou
os olhos e foi até o computador nome da mãe perguntou Mariana respondeu Rebeca tentando Ignorar o tom da mulher depois de alguns cliques a enfermeira olhou para Rebeca com uma expressão diferente quase desconfortável HN parece que Mariana foi internada aqui há uns meses tá no sistema ela tinha uma doença grave mas não aparece nada depois disso talvez já tenha tido Alta ou não disse a enfermeira evitando contato visual o coração de Rebeca acelerou o que quer dizer com ou não perguntou inclinando-se sobre o balcão não sei Você vai ter que verificar nos arquivos aí já
é com você respondeu a mulher levantando-se e saindo do balcão sem opção Rebeca pediu ajuda para outra funcionária que a direcionou para uma sala cheia de pastas antigas e arquivos esquecidos passou horas procurando qualquer pista sobre Mariana até que encontrou o que temia uma ficha médica Mariana tinha dado entrada no Hospital meses antes com uma doença grave não tinha tinha saído Rebeca ficou parada Encarando aquele pedaço de papel a informação estava ali clara como o dia Mariana tinha falecido fechou os olhos tentando absorver o choque sentia um aperto no peito ao imaginar como Ana Clara
reagiria a menina ainda tinha esperança ainda achava que sua mãe estava em algum lugar esperando por ela Rebeca Sabia que aquela notícia destruiria a pequena como eu vou contar isso para ela murmurou para si mesma segurando a ficha com Força a verdade é que a saúde de Mariana já não era das melhores e após o desaparecimento de Clara piorou ainda mais Rebeca decidiu que precisava ter mais certeza foi até a administração do hospital e pediu para falar com alguém responsável depois de muito insistir conseguiu o número de um médico que havia tratado Mariana ele confirmou
a história explicando que Mariana tinha passado semanas internada antes de não resistir à doença com a confirmação Rebeca saiu do hospital sentindo o peso do mundo nas costas não era só a tristeza pela morte de Mariana mas também a responsabilidade de proteger Ana Clara que agora parecia ainda maior voltou para casa devagar sem saber como começar aquela conversa quando entrou encontrou Ana Clara sentada no colchão abraçando um travesseiro os olhos da menina brilharam ao ver Rebeca Você encontrou minha mãe perguntou cheia de Expectativa A pergunta foi como um soco no estômago Rebeca hesitou sem saber
o que responder sentou-se ao lado de Ana Clara e segurou suas mãos pequenas e frias Ana eu começou mas as palavras não saíam ela tá bem né ela vai vir me buscar insistiu a menina o sorriso começando a desaparecer Rebeca respirou fundo e decidiu que não podia mentir não seria justo com Ana Clara querida eu fui ao hospital e eles me disseram que sua mãe Ficou muito doente disse com cuidado o sorriso de Ana Clara sumiu completamente elou os olhos não disse n Rebeca ela Lou muito a acabou não conseguindo ela ela foi pro céu
Ana a menina ficou em silêncio por alguns segundos como se não tivesse entendido o que Rebeca tinha acabado de dizer mas então as lágrimas começaram a cair e ela soltou um grito de dor que parecia vir do fundo da alma não não você tá mentindo minha mãe não foi embora gritou Se afastando de Rebeca Rebeca tentou segurá-la mas Ana Clara se levantou e correu para a porta Ana espera Rebeca chamou mas a menina já estava na rua correndo sem direção Rebeca saiu atrás dela gritando seu nome mas Ana Clara parecia não ouvir a dor da
perda tinha tomado conta dela e tudo o que conseguia fazer era fugir Rebeca correu mais rápido que pode sem perder a menina de vista finalmente conseguiu sala em um parque próximo Ana Clara estava sentada No chão chorando sem parar Rebeca se ajoelhou ao lado dela e abraçou Com Força Dessa vez Ana Clara não resistiu apenas chorou nos braços de Rebeca deixando toda a dor sair eu sei que dói meu amor sei que parece que o mundo vai acabar mas eu tô aqui tá bom eu não vou sair do seu lado disse com lágrimas nos próprios
olhos Ana Clara não respondeu mas o abraço de Rebeca Foi o que ela precisava naquele momento elas ficaram ali por um longo Tempo até que a menina finalmente adormeceu nos braços de Rebeca Rebeca olhou para o céu tentando encontrar forças para o que vinha a seguir sabia que a Jornada seria difícil mas também sabia que não ia desistir de Ana Clara não agora e nunca Rebeca sabia é que não podia continuar sozinha cuidar de Ana Clara já era difícil mas agora tinha outra missão pela frente descobrir como desfazer o rastro de dor que Verônica havia
deixado ela precisava proteger a Menina garantir que aquela mulher nunca mais tivesse a chance de machucar ninguém e talvez até fazer justiça por Mariana só que o problema era grande demais para resolver sozinha e Rebeca sabia disso naquela manhã enquanto Ana Clara dormia Rebeca decidiu procurar ajuda ela pegou o celular e começou a pensar em quem poderia confiar Foi então que se lembrou de João Paulo ele era um conhecido de anos atrás alguém que já tinha cruzado seu caminho em situações Complicadas Não Era exatamente confiável mas tinha os contatos e a experiência que Rebeca precisava
Além disso sabia que ele tinha passado por coisas na vida que o faziam entender melhor a necessidade de agir rápido com o coração acelerado discou o número João Paulo atendeu Na terceira tentativa com a voz rouca e cheia de preguiça Alô quem é ele perguntou como se ainda estivesse tentando acordar João sou eu Rebeca preciso de ajuda ela foi direta Houve uma pausa do outro lado da linha Era óbvio que ele estava surpreso eles não se f avam há anos e a última vez que haviam se encontrado não tinha sido em boas circunstâncias mas no
fundo ele respeitava Rebeca mesmo que nunca tivesse admitido Rebeca Nossa faz tempo que tipo de ajuda respondeu com a curiosidade Evidente na voz é complicado tem uma menina envolvida ela tá em perigo e eu preciso De alguém que conheça os atalhos você entende o que quero dizer disse esperando que ele pegasse a indireta João Paulo soltou um suspiro do outro lado da linha Olha eu tô fora desse tipo de coisa há um tempo tentei largar essa vida sabe mas onde você tá Perguntou relutante mas curioso Rebeca sentiu um pequeno alívio vou te passar um endereço
só vem João é sério disse antes de desligar ela sabia que ele viria João Paulo era do tipo que Gostava de se fazer de difícil mas sempre aparecia quando realmente importava João Paulo mal havia saído da casa de Rebeca quando percebeu que aquele trabalho seria muito mais complicado do que pensava não era só sobre achar Verônica ou desmantelar os esquemas dela o peso que sentiu ao olhar para Ana Clara continuava lá cutucando ele por dentro algo naquela menina mexia com ele de um jeito que ele não entendia mas preferiu Ignorar Afinal estava ali para ajudar
Rebeca não para se envolver mais do que o necessário nos dias que se seguiram João Paulo Usou todos os seus contatos para rastrear Verônica cada telefonema cada visita a bares suspeitos ou galpões abandonados o aproximava mais da Verdade e ao mesmo tempo algo dentro dele parecia querer puxá-lo para outro ele não conseguia parar de pensar na ligação que Rebeca mencionou entre Mariana e Ana Clara quanto mais ouvia Sobre a menina e a mãe dela mas sentia uma conexão que não fazia sentido ou talvez fizesse mas ele ainda não estava pronto para admitir numa tarde quente
João Paulo estava em um bar da Periferia o lugar era sujo com cadeiras velhas e cheiro de cigarro no ar um antigo conhecido Roberto estava lá como Roberto era do tipo que sabia tudo o que acontecia Especialmente quando envolvia gente perigosa como Verônica E aí João faz tempo que não aparece disse Roberto Acendendo um cigarro preciso de uma informação respondeu João Paulo direto Roberto riu soprando a fumaça você sempre precisa de informação O que é agora João Paulo respirou fundo Verônica preciso saber onde ela tá Roberto franziu o senho Verônica cara você tá mexendo com
coisa pesada essa mulher não é brincadeira eu sei por isso tô aqui disse João Paulo firme depois de uma breve negociação Roberto cedeu ela tem Um esquema em um armazém perto da Rodovia mas cuidado João ela é pior do que você imagina João Paulo agradeceu e saiu do bar já tinha um novo destino de volta à casa de Rebeca as coisas também não estavam fáceis Ana Clara continuava tendo pesadelos e Rebeca fazia o possível para mantê-la distraída mas quando João Paulo voltou naquela noite Rebeca percebeu que ele estava diferente o que foi conseguiu alguma coisa
perguntou enquanto ele jogava as chaves Sobre a mesa João Paulo não respondeu de imediato ele parecia distante perdido em pensamentos finalmente olhou para Rebeca você disse que a mãe da menina era Mariana Rebeca franziu a testa confusa sim por quê ele suspirou passando a mão pelo rosto eu conheci uma Mariana a gente teve um um passado mas achei que nunca mais fosse ouvir falar dela Rebeca percebeu que havia algo mais ali mas esperou ele continuar você acha que pode ser a mesma pessoa Ela perguntou cuidadosa João Paulo olhou para Ana Clara que estava no sofá
Desenhando em silêncio não sei mas tem alguma coisa nessa menina ela me lembra alguém Rebeca mordeu o Lábio pensativa João você nunca pensou que talvez Ana Clara possa ser sua filha a pergunta ficou no ar como uma bomba prestes a explodir João Paulo ficou paralisado encarando Rebeca como se ela tivesse dito a coisa mais absurda do mundo minha Filha não não pode ser por que não você mesmo disse que teve um passado com Mariana se for verdade isso explicaria muito coisa Rebeca insistiu ele Balançou a cabeça tentando afastar a ideia mas algo dentro dele dizia
que ela estava certa na manhã seguinte João Paulo decidiu que precisava de respostas ele voltou ao apartamento onde Mariana morava antes de morrer o mesmo que Rebeca mencionou o lugar estava abandonado mas ainda tinha algumas Coisas que pareciam ter sido deixadas para trás entre caixas e papéis amarelados ele encontrou algo que fez seu coração disparar uma foto de Mariana com uma criança no colo ele encarou a foto por longos minutos a menina na foto era Ana Clara sem dúvidas mas o que realmente o atingiu Foi o olhar dela havia algo naquele olhar que ele reconhecia
algo que era inegavelmente dele Meu Deus murmurou com a voz falhando ele continuou mexendo nas Coisas até encontrar uma carta era umaa de Mariana escrita à mão mas nunca enviada ela falava sobre os motivos pelos quais nunca contou a verdade para João Paulo sobre o medo que tinha de ele rejeitá-la ou de não querer saber da filha João Paulo leu a carta várias vezes tentando absorver o que ela dizia cada palavra era como uma facada misturando culpa arrependimento e uma dor que ele não sabia Como processar ele saiu do apartamento com a foto e a
carta Decidido a fazer algo com aquilo de volta à casa de Rebeca Ele entrou sem bater a expressão no rosto tão séria que Rebeca percebeu na hora que algo tinha mudado João O que houve Ela perguntou preocupada ele colocou a foto e A Carta Sobre a Mesa Ana Clara é minha filha Rebeca regalou os olhos surpresa tem certeza ele assentiu a voz rouca tenho mar deixou uma carta ela sabia o tempo todo mas nunca me contou Rebeca olhou para a foto e depois para João Paulo O Que você vai fazer agora João Paulo respirou fundo
olhando para Ana Clara que brincava no canto da sala vou protegê-la vou fazer tudo o que não fiz antes naquele momento João Paulo percebeu que sua vida tinha mudado para sempre Ei pela primeira vez em anos ele sabia exatamente o que precisava fazer João Paulo não conseguiu dormir depois de descobrir que Ana Clara poderia ser sua filha a imagem da menina não saía da cabeça dele e a carta de Mariana só Fazia o Nó na Garganta aumentar ele sabia que precisava de provas algo concreto que confirmasse o que o coração já começava a aceitar na
manhã seguinte enquanto tomava um café amargo na mesa da cozinha de Rebeca ele decidiu que não podia mais adiar Rebeca eu preciso saber a verdade não dá para continuar assim disse com os olhos fixos na xícara Rebeca que cuida de Ana Clara no out cômodo sabia exatamente do que ele estava falando você quer fazer o teste De DNA não é perguntou sentando-se em frente a ele João Paulo assentiu embora pare nervoso quero eu preciso saber se ela é minha filha Rebeca suspirou olhando para a sala Onde Ana Clara estava distraída com seus desenhos e como
você vai explicar isso para ela ela já passou por tanta coisa João não sei se tá pronta para mais essa confusão João Paulo sabia que ela tinha razão mas não tinha escolha eu sei Rebeca mas eu tenho que fazer isso se Ela for minha filha eu preciso preciso assumir minha responsabilidade depis Depois de muita conversa os dois concordaram que o melhor seria tentar falar com Ana Clara de forma simples João Paulo nunca foi bom com crianças e isso ficava ainda mais claro quando ele tentava se aproximar dela a menina era desconfiada retraída era como se
ela carregasse o peso de tudo que passou sozinha sem deixar ninguém chegar perto Ana Clara Posso falar com você um minutinho ele perguntou tentando parecer calmo ela levantou os olhos do desenho segurando o lápis com firmeza não respondeu mas também não saiu correndo o que já era um avanço olha só ele começou sentando no sofá ao lado dela eu sei que você não me conhece muito bem na verdade a gente quase não conversou mas eu queria te fazer uma pergunta Ana Clara continuou encarando o papel mas deu um pequeno aceno com a cabeça indicando que
Ele podia continuar você sente falta da sua mãe né a pergunta pegou a menina de surpresa ela parou de desenhar e olhou diretamente para ele sinto todo dia João Paulo engoliu em seco ele não queria piorar a dor dela mas também precisava que ela entendesse Eu também perdi alguém muito importante sabia e agora tô descobrindo umas coisas sobre essa pessoa coisas que podem me ligar a você Ana Clara franziu o rosto confusa o que isso quer dizer João Paulo respirou Fundo quer dizer que a gente pode ser mais ligados do que você imagina talvez talvez
eu seja seu pai o silêncio que se seguiu foi desconfortável Ana Clara regalou os olhos mas não disse nada Rebeca que estava observando tudo de longe entrou na sala e se sentou ao lado da menina Ana Clara o João só quer ter certeza de uma coisa que ele descobriu isso não vai mudar nada entre a gente mas é importante para ele e para você também a menina olhou para os dois como Se estivesse tentando entender o que estava acontecendo e se você não for meu pai Ela perguntou com a voz baixa João Paulo sentiu o
peito apertar ele não sabia como responder mas tentou ser o mais honesto possível se eu não for vou continuar aqui para te ajudar prometo Ana Clara ficou em silêncio por alguns segundos depois assentiu tá bom no dia seguinte João Paulo levou Ana Clara a uma clínica para fazer o teste de DNA o ambiente era frio Com paredes brancas e um cheiro forte de álcool Ana Clara segurava a mão de Rebeca com força enquanto João Paulo tentava esconder o nervosismo vai doer Ana Clara perguntou olhando para a enfermeira que preparava o material só um pouquinho como
uma picada de mosquito respondeu a enfermeira com um sorriso a menina fechou os olhos e Estendeu o braço apertando ainda mais a mão de Rebeca João Paulo observava de perto sentindo o Coração apertado quando a coleta de sangue terminou Ana Clara suspirou aliviada Pronto foi mais fácil do que eu disse ela tentando parecer corajosa João Paulo sorriu de leve você foi muito bem garota o resultado do teste demoraria alguns dias para sair e aquele tempo parecia uma eternidade João Paulo mal conseguia se concentrar em qualquer outra coisa ele passava horas sentado na cozinha de Rebeca
olhando para a carta de Mariana e Tentando imaginar como seria se o teste confirmasse que Ana Clara era sua filha finalmente o dia do resultado chegou João Paulo foi buscar o envelope na clínica sozinho quando saiu de lá ficou parado no estacionamento por vários minutos segurando o envelope fechado ele estava com medo de abrir medo do que aquilo significava de volta à casa de Rebeca Todos estavam esperando por ele Ana Clara estava sentada no sofá com as Pernas balançando de leve enquanto Rebeca tentava disfarçar a ansiedade E aí perguntou Rebeca assim que ele entrou João
Paulo respirou fundo segurando o envelope com as mãos trêmulas vou abrir agora ele se sentou e rasgou o lacre com cuidado quando Leu as palavras no papel sentiu o chão sumir debaixo dos pés eu eu sou o pai dela disse quase sem acreditar Rebeca sorriu emocionada enquanto Ana Clara olhava para ele sem saber como reagir Então Você é mesmo meu pai perguntou a menina com a voz baixa João Paulo olhou para ela com os olhos marejados e assentiu sou Ana Clara Sou Seu Pai a menina ficou em silêncio por um momento processando a notícia depois
deu um pequeno sorriso tímido mas sincero isso é estranho mas acho que é bom João Paulo Rio emocionado e abriu os braços Ana Clara hesitou por um momento mas acabou correndo para o abraço dele naquele momento ele sabia que tinha encontrado Algo que nem sabia que procurava uma segunda chance de ser alguém melhor naquele mesmo dia Ana Clara pediu para ir ao cemitério onde sua mãe havia sido enterrada João Paulo a olhou e concordou mesmo sabendo que isso poderia doer ainda mais ele entendia que para an Clara esse era um direito que ela tinha o
sol estava começando a se pôr quando chegaram ao cemitério Ana Clara segurava firme a mão de Rebeca enquanto João Paulo caminhava um passo atrás Respeitando o espaço da menina o som das Folhas Sec sendo esmagadas sobre os pés era o único som que os acompanhava enquanto eles seguiam pelo caminho de pedras até o túmulo ao chegarem Ana Clara soltou a mão de Rebeca e ajoelhou-se diante da lápide com os dedos Os Pequenos tocou as letras gravadas na pedra Mariana Oliveira amada mãe e amiga ela respirou fundo tentando conter as lágrimas mas elas vieram de qualquer
forma João Paulo sentiu o Coração apertar al verador no rosto da menina ele se abaixou ao lado dela sem saber ao certo o que dizer depois de alguns segundos de silêncio falou com a voz baixa sua mãe ela era incrível foi uma das pessoas mais especiais que já conheci Ana Clara olhou para ele surpresa como se tentasse enxergar a verdade por trás daquelas palavras você aa que ela gostaria que você fosse meu pai perguntou com os olhos brilhando de curiosidade e Insegurança João Paulo engoliu em secoe olou para Rebeca que apenas ass sentiu dando-lhe forças
para continuar eu acho que ela ia querer que você fosse feliz Clara e se isso significar eu estar aqui para você então acho que ela provaria ele estendeu a mão hesitante mas não forçou nada para sua surpresa Ana Clara colocou a mão sobre a dele os três ficaram em silêncio por mais algum tempo até que Ana Clara ainda ajoelhada começou a falar como se a mãe pudesse Ouvi-la mamãe agora eu tenho um pai é estranho sabe mas acho que você ia gostar ele ele parece legal e prometeu que vai cuidar de mim a voz dela
tremia mas as palavras saíam Claras e honestas João Paulo sentiu as lágrimas escorrerem sem conseguir conter quando estavam saindo Ana Clara parou e olhou para João Paulo você vai prometer de novo que nunca vai me deixar ele se abaixou até ficar na altura dela olhou-a nos olhos e disse com toda sinceridade Prometo Ana Clara sempre a noite começou tranquila Rebeca estava na cozinha preparando um chá enquanto Ana Clara estava no sofá da sala rabiscando em seu caderno de desenhos desde que João Paulo apareceu com as revelações sobre ser seu pai a casa tinha ficado mais
cheia de Emoções mas a rotina ainda era calma João Paulo estava fora resolvendo algumas questões relacionadas ao teste de DNA e a um possível novo plano para proteger a menina Rebeca não sabia que Estava sendo observada do lado de fora um carro preto estava estacionado com os vidros fechados e motor desligado dentro dele Verônica olhava para a casa com uma expressão sombria enquanto um dos seus candas terminava de confirmar a informação no celular é aqui mesmo Dona Verônica a menina tá com essa tal de Rebeca ela apertou os dedos ao redor do volante o rosto
endurecendo achavam que podiam me enganar que podiam Esconder a menina de mim pois agora vão aprender que comigo ninguém brinca entrem lá e Tragam ela dois homens saíram do carro com armas em mãos o plano era rápido e brutal eles arrombaram a porta da frente sem hesitar o barulho do impacto ecoou pela casa fazendo Rebeca derrubar a xícara que segurava que Quem tá aí gritou ela já correndo para a sala antes que pudesse fazer algo foi segurada por um dos capangas ele a jogou contra a parede Enquanto o outro corria em direção a Ana Clara
a menina gritou desesperada mas estava em defesa o homem assegurou com força cobrindo sua boca com a mão para abafar os gritos não solt tem ela berrou Rebeca lutando contra o panga que assegurava Verônica entrou calmamente na casa seus saltos fazendo Eco no piso de madeira Olá Rebeca que pena que nosso primeiro encontro tenha que ser assim Rebeca olhou com ódio nos olhos você não vai levar ela Verônica deu um sorriso Frio já estou levando você achou que podia me enganar esconder essa menina de mim achou que eu não ia descobrir lamento te decepcionar Ana
Clara se debatia nos braços do capanga mas era inútil Rebeca tentou se soltar novamente mas Verônica fez um gesto e o homem Aumentou a pressão contra ela não me faça te machucar Rebeca não é com você que eu quero problemas fique fora disso e vai ser melhor para todo mundo em poucos minutos Verônica e seus capangas saíram da casa com Ana Clara a menina foi jogada no banco de trás do carro chorando em silêncio enquanto o veículo arrancava em alta velocidade Rebeca caiu no chão assim que o homem a soltou ela ficou ali por alguns
segundos tentando processar o que tinha acabado de acontecer mas então a determinação tomou conta dela ela pegou o telefone e ligou para João Paulo João é a Verônica Ela descobriu onde estamos E levou Ana Clara do outro lado da Linha João Paulo ficou em silêncio por um momento quando falou sua voz estava firme quase fria me diga tudo Onde você tá agora Rebeca contou o que aconteceu e João Paulo foi para casa dela imediatamente quando chegou encontrou a porta arrombada e Rebeca Ainda tentando limpar o sangue de um pequeno corte no rosto a gente precisa
trazê-la de volta disse ele Sem Rodeios Eu sei João mas como Verônica deve ter Levado ela para um lugar que conhece bem e você sabe como ela é perigosa João Paulo não perdeu tempo ele ligou para Zeca o amigo que sempre tinha contatos importantes pouco tempo depois os três estavam reunidos na casa de Rebeca traçando um plano vernica não é do tipo que esconde as coisas por muito tempo ela deve estar com Ana Clara em um doss esconderijos que usa para negócios disse Zeca estudando o mapa que João Paulo Havia trazido João Paulo assentiu provavelmente
No armazém é isolado e fácil de proteger Rebeca olhou para eles nervosa e o que a gente vai fazer não podemos simplesmente invadir João Paulo colocou a mão no ombro dela não vai ser assim a gente vai planejar cada passo não vou deixar Verônica machucar Ana Clara nas próximas horas o trio trabalhou sem parar usaram o que sabiam sobre Verônica para prever seus movimentos João Paulo fez ligações Zeca Conseguiu informações detalhadas sobre a segurança do local e Rebeca mesmo com medo se recusava a ficar de fora eu vou com vocês não vou deixar vocês resolverem
isso sozinhos disse ela f Não Rebeca é perigoso demais você já arriscou muito respondeu João Paulo não adianta tentar me impedir ela é minha responsabilidade tanto quanto sua João Paulo sabia que não ia conseguir convencê-la Então cedeu finalmente o plano estava pronto eles fariam o Resgate na madrugada quando o número de capangas no armazém provavelmente seria menor João Paulo e Zeca entrariam pelos fundos enquanto Rebeca ficaria do lado de fora pronta para ajudar no que fosse necessário João Paulo sabia que o risco era enorme mas não podia falhar ele prometeu a si mesmo que não
deixaria Ana Clara sofrer mais quando tudo estava pronto eles se olharam pela última vez Antes de Partir isso precisa dar certo disse Rebeca com os olhos cheios de Preocupação vai dar porque eu não outra opção respondeu João Paulo com uma determinação feroz e com isso eles seguiram para o armazém prontos para enfrentar o pior e trazer Ana Clara de volta a madrugada era silenciosa com o som distante de grilos e o vento balançando algumas Folhas ao redor do Armazém velho e mal iluminado João Paulo estacionou o carro a uma boa distância do local desligando os
faróis para não chamar atenção ao seu lado Zeca checava A arma com as mãos enquanto Rebeca no banco de trás respirava fundo tentando acalmar o nervosismo o lugar era Sombrio cercado por pilhas de entulho e mato alto não era difícil imaginar que Verônica escolheria um lugar como aquele para fazer seus negócios está todo mundo Pronto João Paulo perguntou em voz baixa olhando para o grupo seus olhos mostravam Firmeza mas o suor na testa denunciava Atenção Rebeca sentiu apertando a lanterna que segurava Zeca deu um último gole em sua garrafa de água e abriu a porta
do carro não temos tempo a perder ele disse saindo sem olhar para trás os três se aproximaram do Armazém seguindo pelo lado menos visível um corredor Estreito que dava acesso aos Fundos do prédio João Paulo liderava o caminho atento a cada som e movimento quando chegaram à porta traseira Zeca parou colocando o ouvido contra metal Enferrujado tem dois guardando a entrada principal mas não houvi nada daqui de trás parece que é a nossa melhor chance sussurrou ele tirando uma ferramenta do bolso para abrir a fechadura enquanto Zeca trabalhava na porta Rebeca se mantinha Alerta olhando
para os arredores seu coração parecia que ia sair pela boca mas a imagem de Ana Clara assustada e sozinha lhe dava coragem para continuar quando a porta finalmente abriu com um leve rangido João Paulo fez Um sinal para que os outros o seguissem eles entraram devagar quase sem respirar lá dentro o ar era pesado com cheiro de óleo e ferrugem o lugar era maior do que parecia por fora cheio de caixas empilhadas Barris e corredores mal iluminados a sala onde Verônica deve estar fica do outro lado disse Zeca apontando para a direção eles avançaram usando
as sombras para se esconder de repente o som de passos ecoou pelo lugar vindo de um corredor lateral João Paulo Ergueu a mão mandando todos pararem dois capangas apareceram conversando baixo e por sorte seguiram para a direção oposta isso está começando a parecer fácil demais sussurrou Rebeca tentando controlar o tremor na voz João Paulo não respondeu ele sabia que aquilo era apenas o começo finalmente chegaram à porta principal da sala onde Verônica estava Zeca espiou pela fresta e voltou com o rosto fechado ela está lá tem mais dois Com ela mas Ana Clara também está
Rebeca cobriu a boca com a mão para conter o choro João Paulo apertou os punhos fechando os olhos por um momento antes de encarar Zeca vamos entrar Zeca Preparou a arma enquanto João empurrou a porta com força fazendo-a bater contra a parede o barulho foi suficiente para chamar a atenção de todos na sala Verônica que estava sentada em uma cadeira de frente para Ana Clara se levantou devagar surpresa no rosto Ora Ora Olha quem veio brincar de herói disse ela cruzando os braços com um sorriso frio Ana Clara estava amarrada em uma cadeira com os
olhos arregalados e lágrimas escorrendo pelo rosto ao ver João Paulo e Rebeca tentou falar algo mas a mordaça abafou sua voz solta ela agora Verônica João Paulo gritou dando um passo à frente e por que eu faria isso respondeu Verônica andando calmamente até ficar de frente para ele você acha Que pode simplesmente invadir aqui e me dar ordens é exatamente isso que eu acho rebateu ele firme os dois capangas que estavam ao lado de Verônica sacaram as armas mas antes que pudessem fazer algo Zeca disparou um tiro que acertou o teto assustando mas o movimento
e eu não erro próximo ele avisou apontando a arma para eles O clima ficou tenso Verônica olhou para os homens depois para João Paulo e riu de forma sarcástica você realmente acha que pode Ganhar isso aqui que eu vou simplesmente entregar a menina e deixar vocês sair João Paulo não respondeu em vez disso deu mais um passo ficando cara a cara com ela essa história termina hoje Verônica e não vai ser você quem vai vencer de repente um dos capangas tentou pegar Zeca de surpresa mas ele foi mais rápido e deu uma coronhada no homem
que caiu no chão o outro assustado largou a arma e ergueu as mãos Verônica perdeu o controle ela correu até a cadeira Onde Ana Clara estava e puxou uma faca colocando-a contra o pescoço da menina não dê mais um passo ela gritou agora sem o Tom sarcástico Rebeca gritou de pavor mas João Paulo Manteve a calma você não precisa fazer isso Verônica solta ela e acaba com isso agora você acha que pode mandar em mim nunca gritou ela os olhos cheios de ódio foi nesse momento que Zeca com um movimento rápido atirou na mão de
Verônica ela gritou de dor soltando a faca e deixando Ana Clara livre João Paulo correu até a menina tirando as cordas e a mordaça enquanto Rebeca segurava Verônica no chão acabou Verônica acabou para você disse João Paulo segurando Ana Clara nos braços Zeca ainda disparou duas vezes contra os homens que estavam com Verônica isso deu tempo suficiente para que eles conseguissem entrar no carro e fugir a noite seguia densa e pesada com ar Carregado de tensão depois de conseguirem resgatar Ana Clara do Armazém João Paulo Rebeca e Zeca Estavam certos de que tudo tinha acabado
no entanto Verônica mesmo ferida e humilhada não desistiria tão fácil o carro que levava Ana Clara parou na estrada para que eles reorganizem seus Rebeca e Zeca discutiam no capô enquanto João Paulo tentava acalmar Ana Clara no banco de trás está tudo bem agora pequena você está segura ele disse Passando a mão nos cabelos da menina que ainda tremia de medo mas e se ela vier atrás de mim de novo perguntou Ana Clara com a voz embargada João Paulo olhou para ela com uma mistura de ternura e determinação eu não vou deixar acontecer prometo antes
que pudesse dizer mais Zeca voltou para o carro com o rosto preocupado acho que tem um carro nos seguindo está apagando os faróis para Não chamar atenção mas não é difícil perceber o coração de João Paulo acelerou Ele olhou pelo retrovisor e conseguiu ver um vulto ao longe não tinha dúvidas era Verônica ela não vai desistir tão fácil murmurou ele olhando para Rebeca e Zeca a gente precisa tirá-la de vez do nosso caminho Rebeca Balançou a cabeça em negação João não nós conseguimos salvar Ana Clara vamos pra delegacia agora é com a polícia mas João
Paulo sabia que Verônica era Esperta demais para ser pega pela polícia ela tinha contatos influência e não pensaria duas vezes antes de escapar e voltar para terminar o que começou ele apertou o volante com força como se estivesse segurando sua própria raiva Rebeca leva Ana Clara para um lugar seguro eu e o Zeca vamos resolver isso não você não vai fazer isso gritou Rebeca colocando a mão no braço dele ela é perigosa João não vale a pena não é uma questão de valer a pena é sobre Proteger Ana Clara Ela nunca vai estar segura enquanto
Verônica estivera solta Zeca que até então permanecia em silêncio soltou um suspiro pesado ele tem razão Rebeca Verônica não vai parar com relutância Rebeca concordou mas seus olhos estavam cheios de preocupação prometa que vai voltar Prometa João ele não respondeu apenas segurou a mão dela por um instante antes de virar o rosto para Ana Clara eu volto Ele disse com um sorriso pequeno que escondia A incerteza João Paulo e Zeca entraram no carro e deram meia volta seguindo em direção ao carro que vinha atrás Eles não sabiam o que encontrar mas estavam prontos para tudo
A Perseguição os levou a uma estrada Deserta onde Verônica irritada por ter sido descoberta tentou despistaos depois de alguns minutos de manobras arriscadas ela parou bruscamente em frente a é um velho Galpão e seus capangas saíram com armas em mãos É agora ou nunca disse João Paulo saindo do carro com a expressão séria Zeca sentiu sacando sua arma eles sabiam que não era um confronto Justo mas não podiam recuar Verônica desceu do carro com uma calma assustadora segurando uma pistola e olhando diretamente para João Paulo Então você resolveu bancar o herói de novo hein disse
ela com sorriso frio não é por mim é por Ana Clara você não vai Mais colocar as mãos nela respondeu João Paulo firme Verônica riu mas era um riso cheio de raiva você acha que pode me impedir você não sabe com quem está lidando antes que ela pudesse dizer mais Zeca disparou na direção de um dos capangas acertando sua perna e fazendo-o cair o som do Tiro ecoou pelo lugar e o caos começou João Paulo Correu para se proteger atrás de uma pilha de caixas enquanto Verônica atirava sem hesitar ele sabia que não tinha muito
tempo Zeca Do outro lado tentava cobrir o amigo mas Os capangas de Verônica estavam bem armados em meio à confusão João Paulo conseguiu se aproximar de Verônica ele a Pegou de surpresa derrubando a arma dela e a segurando pelo braço acabou Verônica mas ela não era do tipo que se rendia facilmente com um movimento rápido puxou uma faca que tinha escondida e acertou João Paulo no abdômen ele soltou um gemido de dor mas não ass soltou você nunca vai ganhar de mim disse ela Olhando diretamente nos olhos dele com o pouco de força que tinha
João Paulo a empurrou com violência fazendo-a cair e bater a cabeça a faca caiu de suas mãos e ela ficou atordoada no chão Zeca correu até João Paulo que agora estava ajoelhado segurando o ferimento que Sandra intensamente cara você está mal vamos sair daqui João Paulo Balançou a cabeça não Zeca leve ela pra Polícia é agora é a chance de acabar com isso e você João Paulo tentou sorrir mas a dor o impediu só faz o que estou pedindo Zeca hesitou Mas sabia que não adiantava discutir ele pegou Verônica que ainda estava desacordada e colocou-a
no carro junto com os candas neutralizados enquanto Zeca partia João Paulo Ficou ali sentado no chão frio olhando para o céu escuro ele sabia que não tinha muito tempo fechou os olhos pensando em Ana Clara ele fez tudo o que podia para protegê-la pouco tempo depois Rebeca chegou desesperada e correu até ele João o que você fez por que não veio com o Zeca ele abriu os olhos lentamente com um sorriso fraco eu prometi que protegeria a Ana Clara e foi isso que eu fiz a noite estava carregada de um silêncio estranho como se até
o vento soubesse que algo ruim estava prestes a acontecer João Paulo estava deitado no chão frio do galpão respirando com dificuldade seu corpo estava pesado e o sangue que escorria do ferimento em seu Abdômen Parecia um lembrete Cruel de que seu tempo estava acabando Rebeca estava ajoelhada ao lado dele com as mãos sujas de sangue enquanto tentava desesperadamente pressionar o ferimento para conter a hemorragia João você tem que aguentar a ambulância está chegando Ela disse mas sua voz tremia Ele abriu os olhos devagar e tentou dar um sorriso embora fosse Claro que a dor era
insuportável não não adianta Rebeca ele murmurou a Voz falhando Não fala isso você vai sair daqui vai ficar bem gritou ela sentindo as lágrimas escorrerem pelo rosto Ana Clara estava ao lado em pé paralisada pelo medo e pela tristeza Ela queria se aproximar mas não conseguia as pernas pareciam feitas de pedra e tudo que conseguia fazer era olhar para João Paulo o homem que tinha feito de tudo para protegê-la Ana chamou ele com a voz fraca a menina Finalmente deu um passo à frente Hesitante seus olhos estavam marejados e ela caiu de joelhos ao lado
dele segurando sua mão eu tô aqui respondeu chorando João Paulo olhou para ela com os olhos cheios de ternura mesmo em meio à dor ele levantou a mão Livre tocou o rosto dela limpando uma lágrima que escorria você é muito corajosa eu sempre soube que você era forte mas hoje hoje você foi incrível não fala como se fosse um adeus você vai ficar bem a ambulância já tá vindo Ana Clara respondeu a voz Embargada Rebeca tentou falar algo mas não conseguiu Sabia que não tinha como salvar João Paulo ele estava muito ferido e o tempo
estava Contra Eles tudo o que podia fazer era estar ali ao lado dele para que ele não se sentisse Sozinho João Paulo respirou fundo tentando encontrar forças para continuar Ana ele começou olhando fixamente para a menina eu sinto muito por não ter estado com você antes por ter demorado tanto para aparecer na sua vida não importa Ela disse com a voz fraca você tá aqui agora é isso que importa ele sorriu novamente dessa vez com os olhos brilhando de emoção promete que vai ser feliz promete que vai viver uma vida boa eu prometo respondeu ela
soluçando João Paulo apertou a mão dela uma última vez antes de olhar para Rebeca cuida dela como você sempre fez você é a melhor pessoa que ela poderia ter ao lado Rebeca Balançou a cabeça segurando o Choro eu prometo João com toda a minha alma a respiração dele começou a ficar mais fraca e seus olhos começaram a se fechar mas antes de partir ele disse uma última coisa olhando para Ana Clara eu sempre vou estar com você pequena sempre e então ele parou de respirar Rebeca desabou chorando alto enquanto abraçava o corpo de João Paulo
Ana Clara se jogou sobre ele agarrando com força como se não quisesse deixá-lo ir não por favor não vai embora gritou Ela mas não havia mais nada que pudesse ser feito as sirenes da ambulância chegaram tarde demais quando os paramédicos entraram no galpão Rebeca já sabia que era tarde eles tentaram afastá-la mas ela se recusava a soltar João Paulo ele fez isso por nós ele salvou a gente e disse com a voz quebrada enquanto olhava para Ana Clara A menina estava sentada no chão abraçando os joelhos seu olhar estava perdido como se A dor fosse
tão grande que nem pudesse ser compreendida o corpo de João Paulo foi levado e o silêncio voltou a tomar conta do lugar Rebeca se aproximou de Ana Clara se ajoelhando ao lado dela ele nos amava muito nunca esqueça disso Ana Clara olhou para ela e mesmo com a tristeza conseguiu balançar a cabeça eu sei eu nunca vou esquecer as duas ficaram ali abraçadas enquanto a noite se tornava ainda mais Fria o sacrifício de João Paulo Seria algo que elas levariam para sempre no coração mas naquele momento tudo o que podiam fazer era chorar e tentar
encontrar forças para seguir em frente algumas semanas haviam se passado desde aquela noite terrível no galpão a ausência de João Paulo era sentida em cada momento como uma sombra que pairava sobre Ana Clara e Rebeca as lembranas ainda estam frescas e a dorcia um visitante constante que nunca ia embora Ana Clara passa boa parte do tempo no quarto segurando o caderno de desenhos on costumava rabiscar quando tudo parcia pesado demais Rebeca fazia o possível para dar força mas também lutava com sua própria tristeza João Paulo não era apenas alguém que elas amavam e ele era
o motivo pelo qual ainda estavam vivas naquela manhã enquanto Ana Clara estava na sala olhando pela janela Rebeca recebeu uma ligação Inesperada do outro lado da linha um Advogado pediu que ambas comparecessem ao escritório dele para tratar de um assunto importante relacionado a João Paulo o que ele quer perguntou Ana Clara confusa quando Rebeca desligou o telefone Ele disse que é sobre João Paulo algo sobre um testamento respondeu Rebeca sem saber exatamente o que esperar Ana Clara franziu a testa Testamento mas ele nunca falou sobre isso é melhor a gente ir e descobrir disse Rebeca
tentando esconder a Ansiedade que começava a tomar conta dela o escritório do advogado era um lugar pequeno mas bem organizado livros de leis cobriam as estantes e havia uma mesa com pilhas de documentos cuidadosamente empilhados o advogado um homem de meia idade com óculos finos e expressão Gentil as recebeu com um aperto de mão e pediu que se sentassem eu sinto muito pela perda de vocês começou ele com um tom sincero João Paulo era um homem admirável ele Deixou instruções bem Claras para o que deveria ser feito após sua partida Ana Clara abaixou a cabeça
Mexendo nos próprios dedos Rebeca colocou a mão no ombro dela como se dissesse sem palavras que estava ali para qualquer coisa o que ele deixou perguntou Rebeca tentando quebrar o silêncio que começava a incomodar o advogado pegou um envelope grosso e o colocou sobre a mesa João Paulo deixou um testamento onde específica que todos Os bens dele incluindo a casa o carro e uma quantia significativa de dinheiro sejam transferidos para Ana Clara ele também deixou uma carta que pediu para ser entregue a ela pessoalmente Ana Clara regalou os olhos surpresa para para mim sim minha
querida disse o advogado abrindo o envelope e retirando um pedaço de papel dobrado ele o entregou para Ana Clara que o segurou com cuidado como se estivesse lidando com algo precioso Rebeca olhou para ela Incentivando a com um aceno de cabeça Leia Ana ele escreveu isso para você a menina respirou fundo e começou a abrir a carta suas mãos tremiam mas ela reuniu coragem e começou a ler em voz alta minha querida Ana Clara se você está lendo isso significa que não estou mais aí para te dar um abraço e dizer o quanto você é
importante para mim mas quero que saiba que você foi o melhor presente que a vida poderia ter me dado por muitos anos eu vivi sem saber que Tinha uma filha quando finalmente te encontrei percebi que tinha uma segunda chance não só de ser um pai mas de ser alguém melhor você me ensinou o verdadeiro significado de coragem amor e família e eu nunca vou esquecer isso tudo o que tenho agora é seu use isso para seguir seus sonhos para ser a pessoa incrível que eu sempre soube que você poderia ser mas mais importante que isso
use para ajudar os outros assim como você trouxe luz para minha vida Traga luz para o mundo e nunca se esqueça mesmo que eu não esteja aí fisicamente estarei com você em cada passo que você der eu te amo minha pequena e sempre vou te amar com todo o meu amor João Paulo Ana Clara terminou de ler a carta com lágrimas escorrendo pelo rosto Rebeca que estava ao lado dela também chorava mas tentou manter a calma Para apoiar a menina ele sabia o quanto você era especial Ana disse Rebeca Abraçando-a o advogado limpou a garganta
discretamente e continuou João Paulo também deixou um pedido especial ele queria que parte do dinheiro fosse usada para ajudar crianças que como Ana Clara passaram por momentos difíceis ele acreditava que essa era a melhor forma de Honrar o amor que sentia por vocês Rebeca olhou para Ana Clara e naquele momento as duas souberam o que precisavam fazer nós vamos fazer isso disse Rebeca com Determinação Vamos criar algo que ele Teria orgulho Ana Clara sentiu enxugando as lágrimas eu quero que o mundo saiba o quanto ele foi incrível na saída do escritório Ana Clara segurava A
Carta contra o peito a dor pela perda de João Paulo ainda era forte mas havia algo novo dentro dela agora uma Faísca de esperança de propósito ela sabia que ele não queria que ela vivesse presa ao passado mas sim Que transformasse sua dor em algo maior Rebeca colocou o braço ao redor da menina enquanto caminhavam até o carro vamos começar algo bonito Ana algo que vai mudar vidas como ele mudou a nossa Ana Clara olhou para o céu como se estivesse falando diretamente com João Paulo eu prometo que vou fazer você se orgulhar papai com
isso as duas partiram prontas para dar início ao próximo capítulo de suas vidas um capítulo que carregaria o legado de amor Coragem e sacrifício de João Paulo os dias depois da leitura do testamento de João Paulo trouxeram um turbilhão de emoções para Ana Clara e Rebeca a tristeza ainda as acompanhava mas havia algo novo uma sensação de dever como se a missão de continuar o legado dele tivesse sido colocada em suas mãos na pequena sala da casa de Rebeca um grande quadro branco estava cheio de rabiscos ideias planos e anotações ocupavam cada espaço disponível elas
Passavam horas ali discutindo O que fazer com a herança e mais importante como transformar aquela perda em algo que pudesse ajudar outras pessoas ele queria que ajudássemos crianças como eu disse Ana Clara sentada no chão com seu caderno de desenhos no colo e é isso que vamos fazer respondeu Rebeca determinada Mas precisamos pensar em como uma casa um lugar seguro onde ninguém nunca precise sentir o medo que eu senti sugeriu Ana Clara os olhos Brilhando com uma mistura de tristeza e esperança Rebeca sorriu é uma ideia incrível um abrigo mas não só isso vamos criar
algo que possa dar oportunidades educação uma chance de recomeçar elas passaram semanas planejando tudo com a ajuda do advogado Descobriram que a herança de João Paulo era maior do que imaginavam ele não só havia deixado dinheiro suficiente para começar o projeto mas também contatos que poderiam ajudar a expandir a ideia o primeiro Passo foi encontrar um lugar depois de visitar vários Imóveis Rebeca e Ana Clara finalmente encontraram uma casa grande com um quintal espaçoso e muitas árvores é aqui exclamou Ana Clara correndo pelo quintal Rebeca olhou ao redor sentindo uma paz que não sentia há
muito tempo sim é perfeito a reforma começou no mês seguinte o lugar estava desgastado mas com cada tijolo novo cada parede pintada parecia ganhar vida Ana Clara fazia questão de ajudar mesmo que Fosse apenas segurando as ferramentas ou servindo água para os trabalhadores Quando ficar pronto vai ser o lugar mais lindo do mundo disse ela com um sorriso tímido o projeto não parava de crescer Rebeca entrou em contato com ONGs psicólogos e educadores pessoas que também acreditavam em um futuro melhor para crianças vulneráveis começaram a se juntar à causa em pouco tempo o abrigo deixou
de ser apenas uma ideia no papel E se tornou realidade no dia da inauguração a casa estava cheia de pessoas crianças de várias idades corriam pelo quintal brincando e rindo Ana Clara As observava de longe encostada em uma das árvores ele estaria orgulhoso disse Rebeca aproximando-se dela eu espero que sim respondeu Ana Clara com os olhos cheios de Lágrimas Rebeca colocou a mão no Ombro da menina e Sorriu ele está tenho Certeza disso O Abrigo recebeu o nome de casa João Paulo e logo se se tornou um lugar conhecido pela comunidade era mais do que
um teto para as crianças gera um lar um espaço onde elas podiam se sentir amadas protegidas e valorizadas Ana Clara fazia questão de participar de tudo Apesar da pouca idade ela entendia a importância do trabalho que estavam fazendo se alguém tivesse feito isso por mim antes talvez eu não tivesse sofrido tanto disse ela certa vez para Rebeca e Agora você está fazendo isso por elas é isso que importa respondeu Rebeca com o tempo casa João Paulo começou a expandir doações chegaram de todos os lados e novos projetos foram criados oficinas de arte programas de reforço
escolar e até um pequeno espaço para ensino de música uma tarde enquanto Ana Clara estava pintando uma parede com as outras crianças uma menina mais nova se aproximou você também morava aqui antes perguntou ela curiosa Ana Clara sorriu Não mas eu sei como é precisar de um lugar assim eu gosto daqui disse a menina segurando um pincel colorido é o lugar mais bonito que eu já vi Ana Clara sentiu um calor no peito Eu também acho mesmo com todo sucesso Rebeca e Ana Clara nunca Esqueceram de onde vieram elas mantinham a memória de João Paulo
viva em cada decisão que tomavam em cada criança que ajudavam ele nos deu a chance de fazer algo maior Ana disse Rebeca uma noite enquanto olhavam para As luzes da casa e nós estamos fazendo isso porque ele acreditava na gente completou Ana Clara elas ficaram em silêncio por um momento apenas observando as crianças brincando no quintal as risadas ecoando pelo ar João Paulo não estava mais ali fisicamente Mas sua presença era sentida em cada canto daquele lugar e isso dava elas força para continuar os anos passaram Ana Clara agora uma jovem adulta cresceu com as
marcas do que viveu mas também Com o aprendizado de como transformar a dor em força a organização que ela e Rebeca criaram tinha se tornado algo muito maior do que elas imaginavam o que começou como uma pequena iniciativa para ajudar crianças vulneráveis agora era reconhecido por todo o país era um lugar que o oferecia abrigo educação e acima de tudo esperança para quem mais precisava no dia em que tudo mudou Ana clar ainda lembrava do rosto de João Paulo das palavras dele quando assegurou Pela última vez viva a sua vida com alegria você merece ele
tinha dito enquanto o sangue manchava sua camisa aquela lembrança não a deixava triste pelo contrário era o que a fazia seguir em frente ela sabia que todo aquele sacrifício tinha sido por ela pela sua chance de ter um futuro melhor Rebeca era como uma mãe para Ana Clara ela esteve presente em cada momento difícil em cada conquista sempre lembrando a jovem de quem ela era e do que podia Alcançar com o tempo Rebeca deixou claro que o amor não precisava ser de sangue para ser verdadeiro o vínculo entre elas era mais forte do que qualquer
coisa que Ana Clara tinha visto antes certa tarde Ana Clara estava em seu escritório alguns papéis sobre a expansão da organização as crianças que passavam pelas portas do projeto saíam transformadas algumas voltavam anos depois para trabalhar como voluntárias outras seguiam carreiras Brilhantes e nunca esqueciam o impacto que o abrigo tinha tido em suas vidas para Ana Clara esses momentos eram mais valiosos do que qualquer Fortuna no entanto havia um sentimento que ela ainda carregava a saudade de sua mãe Algumas Noites Ela sonhava com Mariana ouvindo a voz Suave que a confortava na infância você é
forte minha menina a voz dizia no sonho e Ana acordava com lágrimas nos olhos mas essas lembranças também eram um lembrete de que apesar de Tudo ela nunca esteve realmente sozinha a organização estava prestes a completar 10 anos Rebeca insistiu em fazer um grande evento para comemorar e Ana Clara aceitou embora embora Se sentisse um pouco desconfortável com tantas pessoas elogiando-a na noite da festa o salão estava lotado luzes penduradas no teto criavam uma atmosfera acolhedora e o som de Risadas e conversas eava por todo o espaço havia fotos espalhadas pelas paredes mostrando momentos importantes
Da história do projeto Ana Clara caminhava pelo salão cumprimentando as pessoas quando seus olhos se fixaram em uma foto específica era uma imagem dela e João Paulo tirada pouco antes do confronto final com Verônica ele abraçava com um sorriso tímido e ela tinha o olhar de uma menina que finalmente sentia que estava segura Ficou ali parada olhando para a foto até que Rebeca se aproximou e tocou seu ombro ele estaria tão orgulhoso de você Disse Rebeca com um sorriso caloroso Ana Clara olhou para ela e Sorriu de volta eu só espero estar orando o que
ele fez por mim Rebeca Pegou sua mão e apertou gentilmente você está todos os dias quando chegou a hora de fazer um discurso Ana Clara subiu ao pequeno palco montado no salão ela olhou para a plateia cheia de rostos conhecidos e desconhecidos e sentiu um misto de nervosismo e gratidão respirou fundo antes de começar a falar quando Tudo começou eu nunca imaginei que estaríamos aqui hoje na idade quando era criança nem acreditava que um dia seria possível ter um futuro mas pessoas incríveis apareceram na minha vida minha mãe mesmo enfrentando tantas dificuldades me ensinou o
que era amor verdadeiro e Rebeca que me mostrou que o amor também pode ser uma escolha e João Paulo ela fez uma pausa sentindo a emoção tomar conta João Paulo me deu mais do que eu poderia pedir ele me deu Uma chance de viver a plateia estava em silêncio absoluto algumas pessoas enxugava palavras dela o que construímos aqui não é só um abrigo é uma promessa uma promessa de que ninguém precisa enfrentar a vida sozinho que sempre haverá uma mão estendida pronta para ajudar e é por isso que essa organização vai continuar por muitos e
muitos anos não por mim não por Rebeca mas por cada criança que precisa de um lugar seguro Para chamar de lar Ana Clara terminou o discurso sobre uma salva de palmas descendo do palco ela sentiu algo dentro dela mudar não era tristeza nem alegria era uma sensação de completude ela sabia que apesar de todas as perdas a vida tinha encontrado uma maneira de Florescer depois do evento Ana Clara e Rebeca ficaram até tarde arrumando as coisas quando finalmente saíram do salão o céu estava cheio de estrelas Rebeca olhou Para Ana Clara e disse você está
pronta para o que vem a seguir Ana Clara sorriu olhando para o céu sempre estive h