Ele foi sobrevivente em um evento que mudou a história e três dias depois tudo aconteceu de novo. Hoje você vai conhecer Todos Yamagus, um homem que ninguém consegue definir se ele foi abençoado por ter sobrevivido ou amaldiçoado por ter vivido a mesma catástrofe duas vezes. A partir de agora, ele não é mais um número, não é alguém que rasgou a lógica das estatísticas.
Nossa missão aqui hoje é mergulhar fundo numa história inimaginável de um homem que atravessou o brilho dos mil sóis por duas vezes e viveu o suficiente para carregar o peso disso. Fala pessoal, Peter aqui. A cidade evaporando, corpos se desintegrando, o céu explodindo e transformando o cenário no inferno de fogo e cinzas.
Uma explosão maior que 20. 000 1000 toneladas de TNT detonadas ao mesmo tempo. Nosso personagem da vida real tava lá quando a primeira bomba atômica foi lançada sobre Hiroshima.
Mas essa seria só a primeira vez que ele veria aquilo tudo. Poucas pessoas no mundo vivem para contar história de sobrevivência depois de uma bomba atômica, mas esse cara passou por isso duas vezes em três dias. No intervalo de 75 horas, esse homem viu com os próprios olhos e sentiu na pele os efeitos das piores armas já inventadas pela humanidade.
E ele ficou para contar os detalhes. [música] Com vocês, uma das histórias mais inacreditáveis do mundo. Todos sumo e Amagus, o sobrevivente das duas bombas atômicas no Japão.
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Obrigado. Todos Amagust nasceu em Nagasak em 1916. Quando ele veio ao mundo, o Japão estava no meio de um confronto global nunca antes de visto, a Grande Guerra, que depois ia ficar conhecida como a Primeira Guerra Mundial.
Ele cresceu num país cheio de complicações por causa da guerra, mas isso não impediu ele de seguir uma vida normal. Ainda bem jovem, com 14 anos, ele arrumou um emprego na Mitsubich. No meio da produção gigantesca da fábrica de máquinas, carros, aviões e navios, o Totsumo se especializou no design de petroleiros.
Ele era um homem muito focado no trabalho, daqueles que simplesmente fazia tudo que deveria ser feito com muito zelo e obediência. [música] O trabalho não era um fardo para ele, mas sim uma parte da vida que ele levava muito a sério. Quando ele fez 29 anos, ele já tinha um cargo importante na empresa e por isso, de vez em quando, ele era enviado para trabalhar fora da cidade.
E foi nessa que, em 1945, ele foi mandado para realizar um grande projeto no estaleiro da cidade de Hiroshima. Foram muitas semanas longe da família e ele ficou fazendo somente uma coisa, trabalhando. Mas na manhã de 6 de agosto de 1945, ele acordou com aquela sensação de que ainda naquele dia tudo ia mudar e ele tava certo.
Ele só não conseguiu prever o que que ia mudar. Era o dia de voltar para casa finalmente depois de quase três meses fora. A saudade da mulher e do filho pequeno parecia ainda maior no último dia.
E mesmo ele sendo um homem calmo e organizado, tudo naquele dia exigia uma certa pressa que não era comum para ele. Naquela manhã de 6 de agosto de 1945, Totsumi Amagush caminhava pressado pelas ruas de Hiroshima. Ele preparava os últimos detalhes do projeto que precisava ser entregue ainda naquele dia.
O plano era simples: concluir, entregar, pegar o trem, voltar para casa. Mas aí um simples detalhe mudou tudo. Ele tinha esquecido um selo, uma espécie de moedinha que todo mundo tinha era usado como identificação.
O trajeto mudou. Ele foi rapidamente no escritório só para buscar o selo e voltar logo pra estação de trem. Ele não sabia, mas ele estava nas últimas horas de uma vida cotidiana normal.
Ele andava apressado naquela manhã, mas ele poôde reparar que o céu estava limpo, muito azul. Sem saber ele contemplava uma manhã que enganava. Enquanto ele caminhava entre o estaleiro e estação de trem, o Yamagos escutou o som distante de motores.
Ele olhou para cima e viu um avião solitário cruzando o céu. Essa não era uma visão em comum. Nessa época, o Japão tava envolvido até o pescoço na Segunda Guerra Mundial e ele sabia muito bem disso.
Nas últimas semanas, o Japão se recusava a se render pros Estados Unidos e a pressão tava grande. Aviam americanos sobrevoavam o céu de vez em quando e aquele parecia ser só mais um, mas não era. Aquele avião ia mudar a história da humanidade.
[música] Mas como se o destino tivesse dirigindo as ações do Emagus, ele continua observando o avião e de repente ele viu uma coisa diferente, como se fosse uma gota prateada saindo de dentro do avião e caindo no mar. A curiosidade tomou o lugar da pressa. Ele simplesmente paralisou, olhando atento o que acontecia no céu.
Um para-queda se abriu, sustentando aquela gota de metal. Foram 40 segundos entre a queda até o desastre. Às 8:15 daquela manhã, o dia se partiu.
O que o Emagush viu não foi uma explosão comum, foi um relâmpago absoluto, uma luz que pareceu fuscar o próprio sol. Foi um clarão tão intenso que o cérebro se recusou a registrar só como luz e a luz virou dor. Depois o impacto.
Um estrondo que não vinha só de fora, mas parecia atravessar o corpo por dentro. A onda de choque arremessou ele como se ele fosse um brinquedo e o calor devorou absolutamente tudo à volta dele. Nesse ponto da história, ele ainda não sabia, mas ele tinha acabado de assistir em primeira mão uma das maiores crueldades já vistas pela humanidade, a explosão nuclear da bomba Little B.
Ele tava muito próximo, cerca de 3 km do ponto de impacto e foi ali no meio da rua, em algum ponto do caminho entre o estaleiro e a estação de trem que Tutsumi e Amagusi perdeu a consciência. Quando ele despertou, o mundo não fazia mais sentido. O silêncio era errado.
Não era paz, era ausência. Um silêncio mórbido, pesado, como se a cidade tivesse sido sugada de fora para dentro. [música] Depois ele percebeu que o silêncio não era um silêncio real.
Aquele estrondo tinha deixado ele surdo. Os efeitos da onda de choque tinham deixado ele parcialmente cego também. Depois de um tempo, ele começou a enxergar aos poucos.
A explosão levantou poeira e cinzas que caíam por toda parte. E quando ele finalmente recuperou a visão, ele viu uma enorme nuvem em forma de cogumelo crescendo no céu. Ele demorou um pouco, mas tentou se levantar, mas o corpo não respondeu de imediato.
Ele tinha dores por toda parte. A pele parecia não ser mais pele, era outra coisa. Ainda desnorteado e com uma dor imensa no corpo inteiro, ele se arrastou.
E foi só aí que ele percebeu que Hiroshima tinha desaparecido. Onde antes tinham ruas, casas, lojas, pessoas indo pro trabalho, agora existiam um espaço fumegante. Tudo tava arrasado, estruturas retorcidas, restos de corpos que nem pareciam que eram pessoas.
O ar era carregado de um cheiro que ele nunca mais ia conseguir esquecer. Era uma mistura de metal, poeira, carne queimada e algo adocicado demais para suportar. E a Magus começou a caminhar sem saber para onde ir.
Pelo caminho ele ajudava como podia. Com as mãos queimadas, [música] ele ajudou a desenterrar corpos presos sob escombros. Alguns já não tinham forma humana e mesmo assim ele não chorava porque não tinha espaço para isso.
O corpo dele tinha entrado em modo de sobrevivência. Era impossível saber quanto tempo se passou até ali. Ele vagou pela Hiroshima devastada, pelo inferno quente, empoerado.
Até que como que por um milagre ele encontrou um abrigo lá. Ele recebeu ajuda e enfacha o corpo dele com bandagens improvisadas. Ele não conseguia conversar, né?
Na verdade, ele não tinha nem vontade de falar. E o zumbido no ouvido não ajudava. Ele tentou beber água e a dor foi tanta que ele achou melhor ficar com sede e só ficar lá imóvel tentando entender tudo que tinha acontecido.
Mas as respostas eram difíceis, só quer ele saber que aquilo não era uma bomba normal, não era um ataque comum, era algo completamente diferente. Por um momento ele sentiu como se fosse a pessoa errada na hora errada. Depois a história iria explicar o que era impossível para ele entender naquela hora.
Hiroshima era uma das cidades industriais mais importantes do Japão e justamente por isso ela foi escolhida como alvo estratégico. A contagem inicial de mortos ia chegar a cerca de 140. 000 pessoas, mas muitas outras iam nos anos e décadas seguintes vítimas da radiação invisível que passou a habitar aqueles corpos.
Mas o Yamagut não fez parte da estatística. Por algum motivo, sem lógica alguma, ele sobreviveu. A dor dos ferimentos não deixou ele dormir.
Mas assim que o dia amanheceu, ele saiu vagando em busca do trem que ele deveria ter pego de volta para casa. Ali nada mais importava. Ele só queria voltar pra família dele.
Se fosse para morrer ou para se curar, era lá que ele queria est ele foi no dia 7 de agosto e Amagos descobriu que algumas linhas de trem ainda funcionavam. Era quase inacreditável, né? A infraestrutura tava em ruínas, mas um caminho permanecia aberto até a cidade dele, na Gazak.
Provavelmente você agora nessa hora já ficou aflito pelo que vem no decorrer da história, mas por Yamagus o Tin não parecia que poderia ser mais cruel do que já foi. Ele partiu a pé até a estação e o rastro de morte e destruição que ele viu no caminho nunca mais iam sair da cabeça dele. No caminho ele viu que todas as pontes da cidade também tinham sido destruídas.
Ele teve que atravessar o rio a nada para chegar na estação de trem. Só que o rio estava repleto de corpos. corpos endurecidos e queimados de homens, mulheres e crianças.
Muitos deles ficaram grudados uns nos outros por causa do calor intenso da explosão. E foi assim, nesse cenário de filme de terror que a Magucha atravessou o rio anado em meio à massa de corpos flutuando para chegar na outra margem. Foi uma lembrança horrível que acompanhou ele pelo resto da vida.
Chegando na estação, ele conseguiu embarcar e nesse dia Nagasak parecia ainda mais longe do que era. O Yamaguchi olhou em volta e viu o trem danificado e pensou que até o trem parecia um sobrevivente de guerra. Tinha janelas quebradas, poltronas sujas de sangue, dentro dele pessoas machucadas e traumatizadas.
E todo mundo ali agia da mesma forma que a Maguch. Todos viajavam em total silêncio. Em momentos como esse, né, tanta coisa passa pela cabeça que as palavras simplesmente somem.
Bom, quando finalmente ele chegou a Nagasak, no dia 8 de agosto, a primeira coisa que ele fez foi procurar um hospital. O médico que atendeu ele foi um amigo de escola e a Maguius chegou lá tão machucado que o médico nem reconheceu ele. Lá no hospital eles trataram as queimaduras e recomendaram que ele ficasse em repouso absoluto.
Mas repousar significava pensar e pensar era voltar pro dia 6 em Hiroshima. Ele chegou em casa enfachado, com dores, mas ali só de atravessar a porta era como se um analgésico tomasse conta do corpo dele. Ver a esposa e o filho beber depois de três meses longe, depois de todo o trauma com explosão, era como se fosse um remédio que curava tudo, as dores do corpo e da mente.
Na manhã seguinte, no dia 9 de agosto, o Yamaguj fez uma coisa que hoje parece impossível. Ele foi trabalhar contra todas as possibilidades, contra todas as recomendações médicas. Ele simplesmente se levantou no horário, se arrumou e só foi.
Ele era conhecido por ser extremamente disciplinado, mas essa atitude ia além, né? Ele foi porque ele precisava de normalidade. Talvez ele precisasse exatamente disso, né?
Fingia que o mundo ainda obedecia alguma lógica. Depois de tudo. Ele chegou na fábrica da Mitsubishi Nagasak e contou pros colegas de trabalho tudo que ele tinha vivido há exatos três dias antes em Hiroshima.
Nessa época, as notícias corriam muito mais lentas e ali nenhum deles conseguia acreditar que uma única bomba teria o poder colossal que ele contou. Ele falava de uma bomba única, de uma cidade destruída num instante, pessoas desintegradas em menos de um segundo. Todos no Japão sabiam como aconteciam os bombardeiros americanos.
Eles mandavam dezenas, até centenas de aviões que lançavam centenas e até milhares de bombas sobre a cidade. Tudo naquela história parecia absurdo demais para ser verdade. O clarão de 1000 sóis era uma coisa até difícil de imaginar, mas os chefes dele na Mitsubich queriam relatório.
Eles marcaram uma reunião com Yamagost às 11 da manhã e ali tava ele no horário correto tentando explicar o que que tinha acontecido em Hiroshima. Mas foi aí que às 11:02 daquela manhã, de 9 de agosto de 1945, a Fatman, a segunda bomba atômica da história, explodiu bem ali em Nagasak. O Yamagut começou a contar o que aconteceu com a bomba em Hiroshima e no mesmo instante uma outra bomba igual explodiu ali em Nagasak bem na frente deles.
Quando ele viu o Clarão se formando, ele se jogou no chão para se proteger da onda de choque e dos estilhaços de vidro. A explosão foi tão forte que arrancou as bandagens dos curativos de Yamaguchi. O absurdo fica ainda maior quando a gente olha pra história e percebe que aquela bomba nem ia ser mandada para lá.
As forças militares americanas tinham escolhido a cidade de Kyoto para receber a bomba Fatman. Nagasc foi escolhida de última hora e a Magu estava de novo a cerca de 3 km do ponto de impacto. O mesmo clarão, a mesma onda de choque brutal e o mesmo silêncio depois.
A mesma nuvem imensa em forma de cogumelo no céu que ficou pairando no horizonte da cidade. A mesma sensação de que a realidade tinha sido rasgada. Dessa vez a posição da fábrica em relação às montanhas e uma escada do prédio fez toda a diferença para preservar a vida do Yamagush.
Mais uma vez, mas prédios em volta desapareceram retorcidos. Pessoas viraram sombras impressas nas paredes, mas Totsumagus, de alguma forma impossível sobreviveu de novo. Ele desmaiou e quando acordou, como que por um milagre ele ainda estava vivo, sem ferimentos graves.
A sorte ou ironia cruel do destino havia poupado ele uma segunda vez. No intervalo de 3 dias, exatas 75 horas, só 4500 minutos separaram uma bomba da outra e Yamagust viu de perto as duas. Cerca de 40.
000 pessoas morreram em Nagasak no impacto inicial. O Yamaguch acordou atordoado e como no impulso irracional de sobrevivência ele se arrastou pelos escombros, saiu da fábrica e pensou na única coisa que importava naquele momento. Não era sobre o destino de presenciar as duas bombas, não era sobre a sorte de sobreviver e nenhum trauma se repetindo.
A única coisa que ele pensou naquela hora foi na esposa e no filho. Ele saiu vagando por Nagasak e foi até a casa dele. E ele se deparou com escombros.
O sinal era claro, a mulher e o filho não teriam sobrevivido. Ele só ficou em paz quando ele viu que eles também [música] sobreviveram. No momento da explosão, por sorte, a esposa tinha saído com o bebê e foi buscar uma pomada pros ferimentos dele na farmácia.
A sorte foi que ela estava passando dentro de um túnel na hora da explosão. E foi isso. Essa consistência está no local certo na hora errada que manteve os dois seguros na hora da onda de choque.
Nagasak agora parecia Hiroshima incendiada, retorcida e arrasada por dentro. E a Maguchi também se sentiu meio assim, né? Então ele silenciou.
Tatsumi e a Maguchi, a esposa e o filho pequeno passaram a semana seguinte no abrigo antiaéreo. Todos ficaram aparentemente bem, mas o Yamaguj começou a apresentar sintomas graves de síndrome da radiação. O cabelo dele começou a cair, ele teve febre, enjoos muito fortes e as filhas nos braços gangrenaram, mas no fim ele sobreviveu.
Nos dias que seguiram, o Yamagus quase não falou. E esse len sobre as bombas e os traumas duraram meses. Os meses viraram anos e durante quase [música] 50 anos ele evitou falar.
O Japão se rendeu oficialmente no dia 15 de agosto de 1945. A guerra terminou ali seis dias depois da bomba de Nagasak. Mas pro Yamagus algo continuava.
Mas a vida deveria continuar também. Ele voltou a trabalhar primeiro como intérprete, depois como professor e depois voltou para Mitsubishi. Ele e a esposa tiveram mais duas filhas, mas ele nunca mais quis falar sobre as bombas.
Anos depois, o governo japonês criou o estatus de Ribaka, era o nome oficial paraos sobreviventes das bombas atômicas. O reconhecimento vinha acompanhado de assistência médica e alguns benefícios. O Yamagusto pediu status só como sobrevivente de Nagasak e o duplo reconhecimento só ia vir muitos anos depois.
Mas ser um ribaux não era só um direito, era um estigma. Durante décadas os sobreviventes das bombas foram tratados como se fossem doentes contagiosos e muitos perderam oportunidades de emprego. Muitos foram rejeitados para casamento.
Eles tinham um medo geral de que a radiação pudesse passar de uns pros outros. O Yamagot carregava um tipo de vergonha. Muito mais do que o preconceito da radiação.
Ele sentiu um tipo de culpa por ter sobrevivido inteiro enquanto tantos morreram de forma brutal. E ele sobreviveu duas vezes, mesmo estando próximo demais do epicentro. Para ele não tinha lógica em nada.
até que algo começou a se mover dentro dele. A poesia apareceu como alternativa, como tentativa de sobreviver ao passado. Muito antes de 1945, Totsum Amagus já escrevia tanca, que é uma forma tradicional de poesia japonesa com texto curto.
Depois das bombas, a poesia se tornou outra coisa. Não era mais só um hobby, era uma tábua de salvação. Escrevet tanca ajudava e guch a costurar as memórias quebradas.
Ele sabia que o trauma não ia simplesmente desaparecer, mas de alguma forma a poesia ajudava o trauma a [música] ser administrado. Um dos poemas dele descreve uma cena que assombrava ele por todos esses anos. Sempre que o Emmaust recitava esse poema, mesmo muitas décadas depois, a voz falhava, as lágrimas vinham e a emoção tomava conta.
>> [música] >> como se o passado rompesse a fronteira do presente. Ficava claro que nem a poesia era suficiente para curar o que ele viveu, mas pelo menos era o que ele tinha. Muitos anos se passaram em silêncio, tendo só o papel e a tinta para desabafar.
Até que em 1981, o Yamagust ouviu o João Paulo I, o papa daquela época, discursando sobre Hiroshima. Nesse discurso, o Papa dizia que a tragédia de Hiroshima era o resultado da mão humana e que esses locais deveriam virar um símbolo histórico de paz pra humanidade. Aquele discurso atingiu Yamaguch e naquele dia uma faísca sendeu dentro dele.
Algo precisava ser dito e [música] foi aí então que o silêncio deixou de fazer sentido. Nos 90 anos, todo sumagus pediu um passaporte pela primeira vez, mas ele ainda não se sentia pronto para falar. Ele só deu o primeiro passo.
O emporrão final veio em 2005, quando o filho dele, o bebê que sobreviveu à bomba de Nagasak, morreu de câncer. Três anos depois, a esposa do Eagute também faleceu vítima de câncer. O filho e a esposa foram vítimas da radiação lenta e silenciosa que eles absorveram a partir daquele dia 9 de agosto de 1945.
No ano seguinte, em 2006, ele viajou para Nova York e discursou na Organização das Nações Unidas. Ele falou também em museus, falou para estudante, falou pro mundo inteiro ouvir sobre os horrores dos programas atômicos. Só aí o mundo foi tomar consciência da história milagrosa e ao mesmo tempo terrível que ele viveu.
Ele também escreveu um livro, uma autobiografia, contando como foi sobreviver as duas bombas atômicas. Em 2009, o governo japonês reconheceu oficialmente o Tatsumi Agusti como o único duplo sobrevivente atômico oficialmente certificado. Mas enquanto o mundo olhava para ele maravilhado pela história de sobrevivência por Yamagush, o peso desse reconhecimento vinha com o preço do trauma, da dor e de todas as cenas horríveis que ele nunca conseguiu esquecer.
Ele também nunca sentiu que houve justiça no fato dele sobreviver duas vezes, sendo que a maioria das pessoas tinham perdido tudo e ele tava lá com mais de 90 anos e bem inteiro. O Yamaguch morreu logo depois do título de duplo sobrevivente em 2010 aos 93 anos de câncer no estômago. Todo ciúme Amagus foi chamado de sortudo, de azarado, de milagre estatístico, mas nenhuma dessas palavras dá conta do que ele realmente foi.
Ele foi um homem que viu o brilho dos mil sóis duas vezes. Ele foi um homem que voltou pra casa quando não tinha casa. Um homem que carregou o silêncio por meio século.
Um homem que entendeu que sobreviver não é o mesmo que escapar. A pergunta que fica não é como ele sobreviveu. A pergunta é que nós que não vimos o clarão fazemos com a história de quem viu?
Porque enquanto a gente lembrar do Totsum e Amagos o mundo ainda tem uma chance de não repetir o mesmo erro. Obrigado por esse vídeo. Espero muito a sua inscrição, o seu like, o seu comentário.
O comentário também ajuda muito. Que que você achou? Dá uma sugestão pra gente trazer também ah nesse canal alguma história bacana que a gente possa trazer na perspectiva sempre de alguma pessoa, né?
Esse é o propósito, esse é o diferencial desse canal, trazer histórias reais na perspectiva de pessoas que atravessaram essa história. Obrigado por esse vídeo. Espero vocês no próximo vídeo.
Até a próxima. Valeu, fui.