[Música] meus amigos e minhas amigas bem-vindos a todos e a todas ao canal do Instituto de Economia da UFRJ eu sou Ronaldo Bicalho e esse é o Curto Circuito no programa do grupo de economia da energia que discute as grandes questões do setor elétrico aqui e no mundo nesse curto circuito 41 eu gostaria de conversar com vocês sobre o processo de formação do setor elétrico brasileiro um processo complexo um Processo sofisticado que diz muito sobre o que é o nosso setor elétrico mas também diz muito sobre nós sobre a nossa engenhosidade sobre a nossa capacidade
de construir Grand projetos complexos e sofisticados então o programa de hoje é sobre o setor elétrico mas também é sobre nós sobre aquilo que nós temos de melhor o setor elétrico brasileiro ele apresenta um conjunto de atributos técnicos econômicos e institucionais muito peculiares na hora de se definir Políticas públicas para esse setor é necessário levar em conta essas particular idades é necessário reconhecer que nós temos um setor diferente dos outros e que paraa gente tirar o melhor proveito dos nossos ativos elétricos a gente deve ter muito claro as nossas especificidades essas especificidades elas não são
fruto do acaso elas resultam de escolhas estratégicas realizadas ao longo da trajetória de Construção do nosso seor o sistema elétrico brasileiro ele é resultado de um processo de estruturação que seguiu uma determinada lógica que seguiu uma determinada concepção nós temos o setor elétrico que nós temos por decisão Nossa por vontade própria por escolha própria fruto de uma concepção construtiva muito forte e muito consistente por isso quando a gente identifica por exemplo um conjunto de políticas setoriais e movimentos Empresariais que justamente rompe com toda a construção lógica que presidiu a formação do setor elétrico brasileiro a
gente se sente na obrigação de apontar claramente os riscos de fragmentação de desestruturação de desmancho que essas políticas carregam e representam liberalizar completamente o mercado elétrico via chamada modernização setorial desmanchar intencionalmente BRS via a descontinuação a desconstituição completa de Furnas da chesf essas coisas põe em risco a segurança energética do país para você ter clareza da desestruturação que esse conjunto ele acarreta é essencial saber o que realmente nós somos como setor elétrico e como a gente chegou até aqui a verdade é a seguinte se você vai mexer na estrutura do Prédio meu amigo Você tem
que saber como esse prédio foi projetado como esse prédio ele foi construído caso contrário o desastre ele já tá contratado e ele já tá encomendado Então nesse curto circuito 41 eu gostaria de conversar com vocês exatamente sobre um período essencial da formação do setor elétrico brasileiro da construção desse prédio foi justamente no qual a gente definiu o que que a gente queria ser como setor é justamente Aquele período que vai dos anos 40 até os anos 70 e é justamente o período no qual o país Ele vai em busca do desenvolvimento e da implantação daquele
boço de setor que foi desenhado lá nos anos 30 a partir do código de os é um projeto moderno é um projeto extremamente contemporâneo paraa época nos 40 anos seguintes o grande esforço foi justamente reunir recursos né técnicos Gerenciais econômicos financeiros institucionais e principalmente os recursos políticos para você colocar em pé aquele setor que você havia ali esboçado nos anos 30 Então a nossa conversa de hoje é exatamente sobre o processo de mobilização desses recursos e sobre como a partir dele desse processo você foi desenhando o complexo e sofisticado setor elétrico brasileiro programa de hoje
é um curto circuito Evolução o curto circuito evolução é uma série de vídeos do curto circuito que debate os grandes acontecimentos as grandes decisões e os grandes embates que marcaram a evolução do setor no mundo e no Brasil no último curto circuito 34 que é um curto circuito evolução a gente falou justamente sobre o nascimento do setor elétrico no Brasil e a gente terminou justamente ali discutindo o código de águas Então hoje a gente vai retomar esse curo circuito 34 a partir do código de águas Antes desse desse curto circuito 34 a gente já tinha
feito o cur circuito 10 o curto circuito 20 o curto circuito 26 justamente conversando sobre o surgimento do setor elétrico agora no mundo né em particular nos Estados Unidos cobrindo um período de tempo que vai da lâmpada do Edson queel lá 1879 até as grandes intervenções estatais regulatórias e produtivas né dos anos 30 lá com o Frank delan bú é Quando você estabelece qual vai ser o padrão da indústria do setor da indústria né do elétrico que tá nascendo então se você tem interesse nessa evolução histórica você dá uma olhada nesses curtos circos então lembrando
para vocês que as informações sobre esses vídeos os links para esses vídeos e sobre alguns textos que a gente pode citar ao longo desse programa essas informações estão na na na descrição do vídeo aqui embaixo né E lembrando sempre Que vocês podem ouvir esse Curto Circuito no formato de Podcast basta para você basta vocês eh procurarem pelo podcast canal e e traço o frj ali em qualquer dos tocadores dos players de Podcast que você tem aí bom vamos começar pelo princípio né mas Ronaldo por que que essa construção é tão sofisticada como você diz o
que que tá por trás disso vamos começar discutindo isso a construção é sofisticada o processo é sofisticado porque Nós partimos da ideia de configurar um sistema bastante sofisticado muito mais do que os outros vamos dar uma olhada nisso o padrão técnico econômico institucional o modelo padrão do setor elétrico ele é estabelecido ali nos anos 30 e ele é fortemente implementado justamente no pós-guerra esse modelo ele tem um motor muito poderoso Esse motor é justamente o binome escala e coordenação o que é escala e Coordenação a grande fonte de de redução dos custos no setor elétrico
são as economias de escala operar com escalas maiores plantas maiores sistemas maiores significa ter custos menores significa ter tarifas menores E com isso você aumenta o acesso da sociedade e da economia à energia elétrica então a grande fonte de redução de custo no setor elétrico nesse modelo tradicional E padrão é justamente a escala Porém você ter escala maior você ter plantas maiores sistemas maiores implica que você vai ter uma complexidade maior esses sistemas essas plantas são mais complexos são mais incertos são mais imprevisíveis e muitas vezes incompreensíveis então você precisa reduzir a complexidade para trazer
a complexidade a um nível que os agentes possam tomar as decisões tanto as decisões de curto Prazo as operacionais quanto as decisões de longo prazo que são as decisões de investimento então é preciso reduzir a complexidade como é que a gente faz isso através da Coordenação então se você vai operar com escalas maiores você vai ter que ter capacidades de coordenação maiores Então essa é a questão básica do setor elétrico no seu modelo tradicional no seu modelo padrão justamente naquele modelo que explode no pós-guerra e nós Olha bem nós fizemos uma opção Hidráulica quando a
gente faz uma opção por geração hidráulica por por construir hidrelétricas significa que a gente vai operar com plantas maiores nós vamos operar um escalas maiores logo depois quando a gente faz a são pela operação conjunta dos reservatórios interligar todo esse sistema interligar todos esses reservatórios de forma a a a realizar uma otimização centralizada do uso desses reservatórios Evidentemente que nós estamos operando com plantas maiores e com sistemas maiores Então a nossa opção hidráulica a opção de desenvolvimento do setor que nós tivemos fez concretamente que no caso brasileiro o sistema elétrico brasileiro operasse com escalas maiores
o que demanda capacidade de coordenação maior criar espaços de coordenação mais robustos mais sofisticados mais complexos Então a gente vai Ver que essa sofisticação essa complexidade que nós tivemos que enfrentar na construção na formação do setor elétrico brasileiro foi natural em função das escolhas da Opção hidráulica da otimização centralizada que trazia muita mas muitas vantagens de redução de custo mas que colocava grandes desafios para coordenação por aí você já vai vendo o tamanho do nosso desafio Quais são os setores Similares ao ao nosso minuto Engraçado eu não acho que é o sistema norueguês ou o
sistema canadense que são Hidráulicos como nós eu acho que o grande sistema similar ao nosso em termos dessa complexidade dessa demanda de coordenação é o sistema nuclear francês o sistema nuclear francês ele também opera com escala e opera Uma demanda de coordenação e de centralização muito elevada muito elevada e essa demanda de Coordenação ela coloca o quê ela coloca o estado tendo um papel chave dentro da construção do setor elétrico dentro da operação e dentro da expansão do setor tanto no caso francês como no nosso caso tanto é que a partir das reformas liberais de
fragmentação do setor O que que acontece as resistências maiores as dificuldades maiores vão ser nesses dois setores no setor elétrico brasileiro e no setor elé financeiro por Quê Porque esses setores eles apresentam complexidades muito elevadas exige a presença muito grande do Estado então o processo de de de de de de de privatização o processo de introdução de competição de concorrência esse processo vai encontrar muito mais dificuldade nesses dois nesses dois sistemas né que nesse momento estão em posições completamente diferentes né setor elétrico Frances acabou de reestatizaram Sobre isso e ao passo que nós acabamos privatizar
a nossa estatal ou seja os franceses reafirmaram as suas escolhas e nós abandonamos as nossas Mas isso é uma outra discussão você encontra em outros eh curtos circuitos aqui no nosso canal Mas enfim nosso processo complexo sofisticado É isso mesmo em função das nossas escolhas e como é que a gente enfrentou isso não foi nada fácil a criação dessa capacidade de coordenação Foi uma construção difícil complexa penosa e exatamente a gente vai conversar sobre isso como é que a gente superou todos esses desafios e construiu um baita e sofisticado setor elétrico único no mundo vamos
ver como a gente usou a nossa capacidade a nossa engenhosidade Para justamente construir esse setor como a gente viu no corto circuito 34 o código de Atos ele representou a primeira intervenção do Governo federal no domínio da eletricidade Qual foi o objetivo dessa intervenção foi justamente regular controlar fiscalizar as concessionárias nacionais e estrangeiras Então a primeira intervenção do estado brasileiro no setor elétri é como o estado regulador fiscalizador essa intervenção ela é uma intervenção que Ela é referenciada texto internacional em particular na experiência americana é justamente isso que tá acontecendo no setor elétrico americano no
setor elétrico americano o estado americano está intervindo no setor elétrico como regulador através da publicação em 35 do ato Federal que vai regular as companhas holdings de eletricidade né o Public utility Hold Company act o Puca de 1935 mas essa intervenção do estado americano ela não é apenas uma intervenção como regulador ela também é uma intervenção como produtor através da da criação da TVA né que é a autoridade do do Vale do tenci que é justamente aquela autarquia Federal que vai ser encarregada de implementar as grandes hidroelétricas do Vale do TS como também a implantação
da autoridade de eletrificação Rural que vai cuidar de toda a eletrificação Rural Americana então a intervenção americana ela tem as duas patas tem a pata do regulador e tem a pata do Empreendedor do Estado empresário no nosso caso em 34 com código de águas nós temos apenas a pata do regulador apenas a face do Estado regulador e como a gente viu essa intervenção Ela acabou gerando um grande impasse e qual foi o impasse o impasse foi foi que houve uma enorme resistência das concessionárias à regulamentação e ao Controle as concessionárias elas não aceitaram o fim
da cláusula ouro elas não aceitaram o emprego do custo histórico para definir o seu capital investido elas não aceitaram a taxa de remuneração do capital de 10% Que Elas acharam que era insuficiente E acima de tudo elas nunca aceitaram ser fiscalizadas elas eram contra a abertura das suas contas para vocês terem uma ideia a light que só vai sair do Brasil em 1979 nunca nunca abriu as suas contas nunca abriu as suas portas Então você teve uma grande resistência das empresas concessionárias e pelo lado do Poder concedente O que que você tinha o poder concedente
o estado brasileiro ele não tinha nem mecanismos e nem instituições para intervir de fato na indústria elétrica qual foi a consequência desse impasse foi a interrupção do investimento no setor elétrico brasileiro foi a deterioração Do serviço E além disso você veio com uma forte crise nos anos 40 primeiro você tinha dificuldades de importação de equipamentos de peças de manutenção para o serviço elétrico em função da da Guerra em segundo lugar você tinha uma inflação crônica por um lado você tinha uma inflação crônica e por outro lado você já não tinha mais o mecanismo de ajuste
tarifário que era a cláusula uro Qual foi a consequência de tudo isso a consequência de tudo isso foi uma grave crise de suprimento de eletricidade que atingiu o interior de São Paulo Rio de Janeiro e vários Estados da Federação Rio Grande do Sul Minas Então a partir dessa crise A partir dessa situação o tema estado produtor começa a ser colocado na mesa como uma resposta justamente ao agravamento da crise de suprimento de Energia elétrica e principalmente em função das novas demandas colocadas pela perspectiva de desenvolvimento econômico do país ou seja a perspectiva da industrialização a
industrialização colocava Uma demanda de energia uma necessidade de expansão da oferta em um outro patamar e se reconhece também a incapacidade das concessionárias principalmente das concessionárias estrangeiras que eram as concessionárias Importantes de desempenhar esse papel de expandir a oferta no ritmo e no nível que a gente precisava em função da industrialização Então você começa a colocar essa questão do Estado produtor Mas isso também é referenciado no contexto internacional é isso que é interessante no contexto internacional é muito forte o reconhecimento da importância da eletricidade pro desenvolvimento econômico e pro bem Estar Social isso você observa
nos Estados Unidos observa na Europa e também tem uma coisa muito importante que é o deslocamento do Capital privado da infraestrutura para aqueles setores econômicos mais dinâmicos bens de consumo duráveis bens de Capital isso você observa na Inglaterra na França Espanha na Itália ou seja por outro lado além disso a internacionalização do capal ela deixa de ser baseada na Infraestrutura passa a se basear em outros setores mais deos então não existe simplesmente a questão do impasse das dificuldades criadas pelo código de águas para as concessionárias estrangeiras e para o investimento das concessionárias estrangeiras tem também
uma outra dimensão que é o capital estrangeiro saindo justamente do seu processo de internacionalização da infraestrutura Então essa Situação de crise essa situação do contexto internacional recoloca a questão da intervenção estatal então a intervenção estatal nesse momento no Brasil acima de tudo é um projeto é um projeto que tem uma Face de estado regulador fiscalizador controlador que tem toda a dimensão do Marco legal Que você iniciou com o código de águas mas que era um projeto que tava trasado tava atrasado e mais do Que tudo travado travado você não avançava as resistências eram muito grandes
e no que dis respeito ao estado produtor aí então era um esboço ainda era um esboço se você tinha avançado um pouco no estado regulador nesse estado produtor você não tinha praticamente nada e aí você começa o processo justamente de implantação desse estado produtor de energia e o que é interessante que a implantação desse projeto da intervenção Do Estado tanto na dimensão regulatória quando na dimensão Empresarial é uma implantação muito fragmentada coexistem vários projetos várias dimensões tem uma dimensão que é uma dimensão legal regulatória do Marco Legal tem uma dimensão Empresarial tem uma dimensão centralizada
que é aquela do Governo Federal tem uma dimensão local que é fruto das experiências dos Estados principalmente Rio Grande do Sul Minas Gerais são São Paulo o que é interessante é que esse projeto de intervenção do estado ali nos anos 40 quando ele começa ele é um projeto descentralizado ele é um projeto fragmentado ele é heterogêneo ele tem uma forte dimensão local Olha o tamanho do desafio que é a centralização a integração a homogeneização da descentralização da fragmentação da Heterogeneidade Ou seja a centralização a integração a homogeneização é uma construção uma construção técnica Econômica financeira
institucional e principalmente política Ou seja a convergência ela vai ser Constru e ela vai ser construída através de um processo extremamente risco e sofisticado rico e sofisticado e isso vai ser incorporado no setor elétrico brasileiro por qu porque é a experiência do setor elétrico Brasileiro da sua construção Então esse é o tamanho do nosso Desafio ou seja nós partimos diferente dos países europeus nós partimos das experiências regionais nós partimos da descentralização da fragmentação da heterogeneidade do âmbito local para construir um setor elétrico nacional para construir uma empresa Nacional Essa é a característica da experiência do
setor elétrico Extremamente complexo extremamente sofisticado mas muito rico muito engenhoso tem as experiências regionais tem experiência do governo federal e é justamente que a gente vai começar a discutir agora vamos vamos começar para uma dimensão fundamental para entender o setor elétrico brasileiro que são as experiências regionais é fundamental Não se entende o que é o setor elétrico brasileiro se você não entende essa dimensão Regional Federativa do processo De construção do nosso setor vamos lá vamos ver as experiências reg mais vamos começar com aquela experiência seminal com a experiência fundadora que é a experiência Gaúcha a
experiência da formação do setor elétrico do Rio Grande do Sul em termos de datas que que a gente tem paraa gente se localizar tempo né em 1928 você desembarca no Rio Grande do Sul a Anfor que era aquela empresa americana que havia chegado ao Brasil Em 1927 em 28 A anfor chega no Rio Grande do Sul em 1928 em 1943 a gente tem o fato fundador da intervenção do estado Gaúcho no setor elétrico que é a criação da comissão Estadual de Energia Elétrica A c3e é de 1943 em 1945 a gente tem o primeiro plano
de Eletrificação no Brasil que é justamente o plano de eletrificação do Estado do Rio Grande do Sul Então os gaúchos eles são responsáveis pela primeira experiência em termos de planejamento do setor elétrico no Brasil então o plano de eletrificação gaú é de 1945 em 1950 é criada a taxa de eletrificação que era a forma como você subsidiavam a a a a expansão do setor elétrico estatal em 1959 você tem um fato marcante que é justamente a Encampação da subsidiária danf pelo delel Brisola em 1963 você tem a Companhia Estadual de energia elétrica Então você consolida
esse processo que havia começado em 43 com a criação da comissão Estadual de energia elétrica com a criação da Companhia Estadual de energia elétrica do Rio Grande do Sul em 1963 vamos dar uma olhada no que que era o plano de eletrificação do Rio Grande do Sul nota bem em 1945 Qual era o objetivo do plano bom primeiro essa intervenção estatal no setor elétrico Gaúcho o objetivo é promover o desenvolvimento industrialização minuto promover o desenvolvimento industrial dentro daquela linha que a gente chamou a atenção o qu daquela industrialização que estava Além disso o plano Gaúcho
ele tem uma coisa interessante que é o objetivo de Fixar o homem no campo é usar a energia elétrica como mais um fator de desenvolvimento do campo Gaúcho isso é muito particular do Rio Grande outra coisa é a ideia de você combinar recursos Hidráulicos com recursos carboníferos por qu Você tem o o o carvão no no Rio Grande do Sul então é você obter energia elétrica a partir dos seus dos seus recursos um outro ponto importante no plano de eletrificação do Rio Grande do Sul é a Clara intenção de Quê de transferir as concessões para
a esfera nota bem a ideia da estatização ela tá presente desde o início no Rio Grande do Sul desde o plano de eletrificação ela vai culminar com com Brisola lá em 59 mas já em 45 essa ideia da estatização já tá presente no plano Gaúcho outra coisa muito importante é o uso de recursos orçamentários é o uso dos recursos do Estado isso é um aspecto muito importante do plano Gaúcho o plano Gaúcho ele tem como perspectiva principal a ideia de que o papel do estado na produção e na distribuição de energia elétrica esse papel ele
é crucial pro desenvolvimento econômico e o bem-estar social Então os gaúchos colocam o estado no centro outra coisa muito importante a energia elétrica é um bem público cujo acesso deve ser garantido pelo Estado a todos os cidadãos nota bem um bem público um direito do cão assim como ele Tem direito à saúde assim como ele tem direito à educação assim como ele tem direito à moradia a transporte ele também tem direito à energia elétrica um bem público tem dois aspectos que Torn o desafio Gaúcho muito grande o primeiro deles é a ideia do projeto de
desenvolvimento econômico descentralizado também voltado pro campo então isso faz O quê que a demanda de energia elétrica ela é uma demanda R feita ela é descentralizada e Ela implica em escalas pequenas e custos maiores de geração que é uma caracterização da uma característica da eletrificação Rural então isso torna o projeto mais Custoso mais oneroso e outra coisa importante é que é a desconsideração dos Gaúcho sobre a economicidade da atividade elétrica porque eles acreditam que é uma atividade pública come é saúde Como educação qual é o problema que isso cria primeiro óbvio que é o conflito
com o capital privado que é muito forte mas um outro problema também que isso cria é a inexistência de financiamento que não fosse público assim como você financia a educação eu financi a saúde o setor público você financiaria também energia elétrica então isso stringe a sua expansão aos seus recursos orçamentários então sem dúvida isso coloca uma uma uma limitação no projeto Gaúcho O que que Tem de importante nessa nossa discussão do projeto Gaúcho o primeiro que ele é um projeto de eletrificação que ele é plenamente inserido dentro de um projeto de desenvolvimento Regional é justamente
energia elétrica alavancando o desenvolvimento Regional e fazendo isso através do quê do Estado outra questão importante do do projeto Gaúcho que ele é concebido ele é implementado no próprio estado e é feito isso com Recursos disponíveis no próprio estado e muito marcado pela redução da desigualdade e pelo acesso democrático às oportunidades criadas a partir da disponibilidade da energia elétrica então a disponibilidade da energia elétrica ela é colocada como instrumento muito poderoso para você reduzir desigualdades e para você alavancar o desenvolvimento econômico o bem-estar e o conforto da sociedade então essa dimensão de serviço público de
bem Público é muito forte no processo Gaúcho no plano ou seja esse setor elétrico Gaúcho que tá se formando ele é fortemente marcado por esses aspectos se você olha a experiência mineira ela já é uma experiência distinta completamente distinta em termos de de datas a anfor ela desembarca em Minas um ano depois de ter desembarcado lá no Rio Grande Rio Grande é 28 anfor desembarca Em Minas em 1929 a autarquia Estadual que vai cuidar que vai representar a intervenção do estado Mineiro no setor elétrico de Minas Ela é criada em 1946 é o departamento de
águas e energia elétrica de Minas ou seja TR anos ali depois da criação da comissão de energia elétrica lá a C30 no Rio Grande do Sul os mineiros também vão ter um fundo de eletrificação que era o grande mecanismo de financiamento Daquele setor elétrico estatal que você tá construindo e o plano de eletrificação de Minas é de 1950 5 anos depois do plano de eletrificação dos Gaúchos e a né que coroa esse processo de intervenção do estado em Minas do Estado Mineiro no setor elétrico Mineiro é a criação da semig é de 1952 1952 Qual
é a característica desse Estado produtor Mineiro né desse estado produtor de energia elétrica Qual é o objetivo do Estado Mineiro quando entra da energia elétrica primeiro expandir a oferta de energia elétrica para sustentar o processo de industrialização do estado e um processo de industrialização pesado industrialização pesado a introdução de setores intensivos no uso de energia metalurgia né sidia a intervenção do estado no setor Elétrico em Minas vai se dar mediante a construção de grandes hidroelétricas ou seja uma opção Clara pela geração hidráulica isso se diferencia do Rio Grande porque o Rio Grande do Sul tinha
a parte de carvão o foco dos mineiros é na industrialização o foco dos Gaúchos é industrialização E também o campo é diferente outra coisa interessante dos mineiros que Diferencia dos Gaúchos é a criação de um fundo Estadual de eletrificação e a captação de recursos privados ou seja Minas tenta sair da questão de ficar restrita simplesmente aos recursos orçamentários e também importante em Minas que é a Constituição de empresas de Economia MMA onde a semig vai ser um símbolo disso é diferente do Rio Grande o Rio Grande a primeira fase é muita é feita pela c3e
que ainda não é uma compania é Uma autarquia Estadual os mineiros não colocam olha vamos fazer uma empresa de economia mista e aí você vai pro plano de eletrificação E aí você tem aspectos que são bastante interessante primeiro a ideia de realizar o processo de eletrificação que esteja em consonância com o Plano Nacional de eletrificação a ser elaborado pelo Governo Federal nota bem que aqui no caso dos mineiros você Aponta já pra questão da centralização pra questão da Coordenação pra questão da Coordenação pra questão da construção de um setor elétrico nacional isso tá presente nos
piros isso já tá no plano de eletrificação nota de 1950 basear os projetos energéticos na demanda potencial e não no patamar de consumo existente Olha só que coisa interessante é a industrialização que vai chegar e essa industrialização que Vai chegar vai trazer o quê uma grande demanda de energia um crescimento significativo da demanda de energia elétrica e a gente tem que fazer o quê A gente tem que justamente garantir essa a oferta que vai atender essa essa demanda Esse é o grande desafio é necessário definir claramente os objetivos do programa de eletrificação para dimensionar os
investimentos do setor privado isso tá no plano de eletrificação deas e aqui que tá a coisa Bastante interessante né você tem que ter um plano de eletrificação para dimensionar os investimentos do setor privado porque os investimentos do setor privado esses investimentos que vão ser feitos justamente nesses setores intensivos em energia precisa Justamente que você entre com esses com com com com a oferta de energia elétrica porque é justamente a expansão da da da da oferta de energia elétrica através da construção das grandes centrais é que Vai viabilizar esse investimento do setor privado ou seja o
investimento em energia alavancando o investimento do setor privado Então como é que vai ser a geração de milas vai ser escala vai ser em grandes blocos grandes Blocos para atender grandes blocos de demanda então o setor elétrico Mineiro ele opera em grandes escalas são grandes blocos grandes escalas Precisa de quê elas precisam do Quê elas precisam de grandes mercados e os meneos constroem esses grandes mercados através o quê através de grandes consumidores Ou seja você centraliza a oferta por um lado centraliza a geração por um lado mas também centraliza a demanda por outro por exemplo
quando você vai construir gafanhoto gafanhoto vai ser uma ucina que vai atender o que vai atender a nova cidade industrial de contágio que é onde você vai instalar a man ou seja os Mineiros operam escal outra coisa importante dos mineiros é que desde sair eles definem uma complementaridade com as concessionárias privadas Como assim eles dividem a geração a gente faz a distribuição você deixa que o setor privado faz foge do conflito foge do conflito às vezes até de uma maneira e Marota como é o caso de gafanhoto gafanhoto vai gerar energia Elétrica para Contagem contagem
é um o bairro de Belo Horizonte junto com Betim e esses bairros estão em Belo Horizonte então fazem parte do quê da concessão lá da empresa da anfor que que os mineiros fazem separam separam Betim separam contagem de Belo Horizonte e pega essas conceções para quê Pro governo Mineiro tudo bem a distribuição é feita pelos estrangeiros eles têm a concessão de Belo Horizonte só que Contagem detin Deixa de ser Belo Horizonte Então não Fica com você fica comigo esses são os dribles mineiros outra coisa important que é o financiamento público mas um financio público e
privado através da Constituição de empresas de economia mista e uma coisa muito marcante no projeto milheiro que essa coisa de se abrir pro pro finan iamento privado para outras fontes que não são simplesmente o orçamento do estado é a Questão da economicidade do projetos então esses projetos T que eles têm que ser viáveis economicamente e isso aqui é muito importante no caso milheiro e se avançou muito a partir de uma relação que se estabelece entre essa burocracia estatal mineira e o Banco Mundial uma coisa muito singas muito inesperados né Muito inesperado imagina só cara Os
caras estão lá lá nas montanhas de Minas e no entanto estabelece uma relação muito Interessante com o Banco Mundial que fortalece muito essa capacidade dos mineiros na elaboração dos projetos na avaliação dos projetos na definição de tarifas que viabilizam economicamente esses projetos então o projeto Mineiro tem essa essa essa essas características e o projeto de eletrificação milheiro ele tem uma forte articulação entre a política energética e a política de industrialização pesada é isso que é o Projeto de eletrificação mineiro tem a Exploração do potencial hidráulico tem a complementaridade funcional e financeira com capital privado e
tem uma qualificação técnica e gerencial muito forte que vai ser um traço que os mineiros vão levar para essa formação da burocracia estatal brasileira via fur principalmente via Fas Então essa ideia de que você tem que formar uma burocracia você tem que formar quadros dentro do estad que sejam altamente Qualificados Tecnicamente gerencialmente isso a gente deve aos menos e tem uma coisa muito importante que é a convergência com a política do governo federal através do plano de metas do Jocelino Jucelino leva muito dos mineiros pro governo federal Então essa ideia de você começar a centralizar
a integrar a homogeneizar os mineiros já T isso muito forte através do juel agora nota bem é um sistema Elétrico diferente do sistema elétrico que os gaúchos estão fazendo e que por sua vez Tanto o sistema Gaúcho quanto o sistema Mineiro vai ser completamente diferente do sistema Paulista porque a grande questão do sistema Paulista é que o sistema Paulista tem Light a light que havia desembarcado lá em São Paulo em 1899 a light que tinha feito grandes investimentos em grandes hidroelétricas Culminando com Henry borden que é lá de 1926 e 27 a autarquia estatal Paulista
ela vai ser criada em 1951 que é o departamento de águas e energia elétrica lá de São Paulo 51 muito depois dos mineiros e depois dos Gaúchos o plano de eletrificação de de São Paulo é de 1956 1956 ele é 11 anos depois do plano de Identificação dos Gaúchos e a Cesp é criada em 1966 a seming é criada em 1952 Então o que acontece de interessante na experiência Paulista sem dúvida que é a presença da Light acontece que graças a essa presença da Light primeiro lugar a crise das décadas de 30 e 40 se
manifesta de forma mais atenuada em São Paulo fruto justamente dos investimentos da da da late nas décadas anteriores Então a crise dos anos 40 que nós falamos ela não bate em São Paulo principalmente na capital ela não bate como bateu nos outros lugares é claro que a partir da década de 40 você tem um racionamento contínuo que é administrado pela concessionária os consumidores industriais e de serviços em São Paulo começam a utilizar autogeração Mas isso Não tem a dramaticidade o impacto que você teve nos outros estados então concretamente o setor elétrico Paulista a desenvolvimento do
setor elétrico Paulista é marcado pela presença econômica e política consolidada da Light no Estado de São Paulo então o Estado produtor Paulista a premência é muito menor para instalação desse estado do que nos outros lugares o poder político da concessionária no caso da Light é muito maior do que por Exemplo no caso da anfor em Minas e no Rio Grande do Sul então o que que acontece acontece que a intervenção do estado no setor elista vai ter um alcance menor vai ter um alcance menor e vai ter um tempo de implantação muito maior então tem
uma natureza totalmente distinta daquela observada nos estados do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais então o projeto de eletrificação Paulista é caracterizado por quê Por uma compatibilização da Oferta de energia e acrescente demanda industrial no Marco de uma empresa privada estrangeira a light a princípio entrega a princípio a light é é claro que a partir de um momento não vai entregar mais mas pelo menos ali nos anos 40 anos 50 a ltin v entrega até os anos 40 Sem dúvida que entrega Então tem um atraso relativo na formação da burocracia né da burocracia
estatal Paulista que vai atuar na margem porque No centro você tem a light e isso faz com que tem uma coisa muito importante em São Paulo que sempre tem uma forte oposição de São Paulo às medidas centralizadoras do governo federal desde o código de águas a maior resistência à centralização ela vem sempre de São Paulo é um fato é uma característica fruto do quê fruto do processo de formação do setor elétrico Paulista também não é à toa não é Gratuito que no processo de privatização os paulistas partem na frente lá nos anos 90 eles não
TM problema com isso é fruto de esse processo de formação Então você olha bem nós temos três cetros elétricos completamente diferentes sendo formados a partir dos anos 40 dos anos 50 Você tem o setor elétrico Gaúcho Você tem o setor elétrico Mineiro Você tem o setor elétrico Paulista é Diferente e dentro desse contexto que também é um contexto Regional é interessante ver isso você tem a primeira invenção do Governo Federal como estado produtor que a criação da chesf que a construção de de Paulo Afonso a XF ela é criada por um decreto lei Getúlio em
1945 nota bem Estamos nos anos 40 Você tem o projeto Gaúcho Você tem o projeto migiro e você tem o projeto do governo federal o que que eu acho mais Interessante no processo da ses é que o processo da chesf a chesf é uma intervenção do governo federal mas ela se dá no âmbito Regional fortemente marcada essa intervenção por essa dimensão Regional o projeto de Paulo Afonso é um belo projeto um custo de geração muito baixo Então você tem uma energia barata para uma região pobre e aqui eu acho que tem uma coisa fundamental fundamental
nessa formação Do setor elétrico brasileiro qu que a ideia das empresas federais a ideia da intervenção Federal como agente do desenvolvimento Regional uma intervenção marcada pela superação da pobreza do atraso que é algo muito forte nessa intervenção a chesf a chesf esse movimento é muito similar ao do Tess vale o que que é o que que é o Tess vale o que que é a TVA é você construir grandes hidrelétricas é você dar um Choque né de oferta de energia elétrica numa região extremamente pobre dos Estados Unidos então a experiência da chesf ela é muito
similar Ela Tá amarrada na experiência da tvr do tênis V Então essa dimensão é uma dimensão muito importante que é a superação do atraso que é a superação do pobreza e aí energia elétrica fazendo o quê alavancando esse resgate da pobreza do atraso do país Então a primeira intervenção do governo federal que eu Acho ch ela também se insere nesse quadro onde você tem a experiência Gaúcha onde você tem experiência mineira onde você tem experiência Paulista E você tem a experiência nordestina via o governo federal via ch então nota bem qual é o quadro que
nós temos nesse exato momento projetos distintos projetos heterogêneos são diferentes setores elétricos que vão ali que estão sendo Construídos nos anos 40 nos anos 50 como é que se dá a convergência é aí que tá o grande desafio como é que a gente com esses projetos divergente a gente constrói essa convergência que é exatamente o que a gente vai discutir agora como é que você construiu a convergência como é que a gente sai de experiências tão díspares e constrói o setor que a gente construiu como é que a gente vai reunindo essa né Vai juntando
essas Garrafas é justamente o que a gente vai discutir no próximo bloco essa convergência ela começa a ser feita em torno do Marco legal já na constitução de 1946 é Estendida a do imposto únic que é o imposto de competência privativa da União criado em 1940 para carvão e para combustíveis líquidos esse imposto é el estendido para energia Elétrica então é preciso financiar a expansão do setor elétrico brasileiro e essa expansão ela vai ter um financiamento público então a criação do Imposto único a extensão do Imposto único para energia elétrica vai nessa direção do financiamento
dessa intervenção do estado depois a gente tem nesse Campo institucional nesse Campo legal nesse campo né nesse nesse jogo jogado essencialmente pelo Executivo e pelo legislativo Você tem os projetos de lei do Getúlio Vargas de 53 e de 54 que são muito importantes esses projetos de lei eles são propostos Mas nenhum deles vai ser aprovado pelo Vargas o primeiro deles é a instituição do fundo Federal de eletrificação e a criação agora do Imposto único sobre energia elétrica Então você avança no sentido da reunião dos recursos necessários para sustentar a Expansão do setor elétrico brasileiro para
sustentar essa intervenção estatal no setor elétrico brasileiro esse projeto de lei ele vai virar lei no governo Café Filho poucos dias depois da morte do Vargas do suicídio de varnas depois você tem um outro projeto de lei projeto de lei do varnas que cuida da distribuição e aplicação do Imposto único de energia elétrica né entre estado Distrito Federal e município Então você tem um Fundo bom como é que a gente vai distribuir esse fundo esse projeto de lei cuida disso mas esse projeto de lei só vai para ser aprovado lá em 56 pelo jelina tem
um outro projeto do Vargas que cri o Plano Nacional de eletrificação que esse não foi aprovado e tem o quarto projeto que é justamente aquele que cria as centrais elé elcas brasileiras que é Eletrobras que no entanto vai ser aprovado lá em abril de 61 no governo do Jânio Quadros então Você nota que nesse âmbito institucional legal você vai avançando vai construindo aquelas condições necessárias para a intervenção do estado no setor elétrico e principalmente desse estado produtor aqui muito cuidando o qu das fontes de financiamento das fontes de recursos para essa intervenção outro momento importante
nesse fron legal é a regulamentação do código de águas a regulamentação do código de águas ela é feita pelo Jucelino através de um Decreto em 1957 Olha só código de águas tinha saído em 1934 você só vai conseguir regulamentar ele em 97 20 anos depois 23 anos depois mas o que que caracteriza essa regulamentação e aqui eu acho que tá o ponto importante não houve reações jurídicas significativas dessa leite ou seja você conseguiu avançar avançar no Fronte do Estado regulador fiscalizador 20 e tantos anos 20 e Poucos Anos depois Né do código de águas Mas
você conseguiu avançar e isso é prova o quê olha existe uma convergência nós estamos avançando nessa convergência essas regulamentações estão saindo esses Fundos estão saindo e aí vem um momento que é chave que é a criação de Furnas a criação de Furnas ela é simbólica ela é simbólica Ela é criada em 57 através de um decreto executivo um decreto não é um decreto lei como foi schf é um decreto do executivo esse furnes Quem é que tá em Furnes semig Light anfor divisão de águas e energia elétrica de São Paulo todo mundo tá em Fes
E por que que tá em Fes Por que que tá na Por que que a construção dessa Usina se tornou tanto tão tão importante porque as condições de suprimentos de energia elétrica inclusive em São Paulo que já eram difíceis e se agravar iam ficar mais difíceis ou seja o bicho tava pegando e tinha que se fazer alguma Coisa era preciso encontrar soluções que garantissem o quê a expansão da oferta de energia de acordo com o crescimento acelerado da demanda do país tem que resolver esse negócio e a gente só vamos resolver de que maneira através
da intervenção do estado Então se constrói a convergência a partir da Necessidade Porque aqui no setor elétrico brasileiro aprendam bem meus amigos o sapo pula por necessidade não é por Gusto é por necessidade Furna sai por necessidade Furnas sai por necessidade e Furnas em 57 ela é antala da criação da Eletrobras o fruto desse processo de convergência que você tá construindo no Marco legal você tá construindo na dimensão Empresarial o fruto desse processo todo que havia começado se você quiser lá com o código de águas que é a intervenção do estado no setor elétrico brasileiro
vai Desembocar em 61 na criação da Eletrobras é uma lei aprovada pelo congresso durante o governo do Jan em 1961 e o Decreto que cria a Eletrobras é de 62 e com uma particularidade durante o período do parlamentarismo tendo como primeiro ministro como chefe de gabinete o Tancredo Neves e tendo como presidente o João G Aí eu acho que de uma certa maneira isso bastante simbólico da criação da Eletrobrás o Decreto que cria Eletrobrás é durante o governo nosso curto período parlamentarista e aqui você tem a centralização você tem justamente aquela centralização dos recursos técnicos
os recursos econômicos os recursos financeiros e políticos institucionais no governo federal a centralização mas nota bem ela é uma centralização negociada ela é fruto de Negociação e ela se dá pela premência pela necessidade urgente das da da expansão da oferta nisso for sintetiza muito bem essa premência essa urgência tem que resolver o bicho tá pegando bom então vamos vamos nessa Proposta o estado entra e aí você cria eletrop cria Furnas 57 4 anos depois você cria Eletrobras em 61 a Eletrobras ela já nasce como uma empresa de âmbito nacional você tem Furnas né no sudeste
você tem chesf você Tem a chevap o que que era chevap a chevap era a companhia hidroelétrica do Vale do Paraíba e tava construindo a hidroelétrica de fungin então Furnas chevap aqui no sudeste sesf no Nordeste e você tinha também a termochar o que que era termochar era uma era era a a termoelétrica de Charqueadas Então você também tá no Sul então a Eletrobras nasce no sul Sudeste no Nordeste e ela nasce com uma Sustentação financeira com recursos que justamente são aqueles recursos do Fundo de eletrificação que tão no bmds e são transferidos para Eletrobrás
Além do mais você cria o empréstimo comç você transforma o imposto único de eletricidade você passa a adotar o regime AD valorem ou seja de percentagem antes antes o imposto era valor x x cruzeiros e não com porcentagem Então você transforma no regime AD valore você cria um p Compulsório Ou seja você tá reunindo recursos e muito marcado pela pela criação de Furnas pela necessidade de construir Furnas para salvar São Paulo Rio de Janeiro Minas do racionamento então entra a operação aina de Furnas quanto em 63 63 já sobre a Ed da Eletrobras então a
criação da Eletrobras ela é negociável e aqui é muito importante entender isso a Eletrobras ela é criada num contexto no Qual você já tem uma indústria elétrica estabelecida você já tem interesses econômicos e políticos consolidados em torno dessa indústria você já tem um setor elétrico você já tem uma indústria elétrica e a criação da Eletrobras ela é fruto de um longo complexo penoso processo de negociação entre interesses que são conflitantes que são heterogêneos que se defrontam que se alinham ao longo do tempo e isso é que marca o setor Elétrico brasileiro e marca a Eletrobras
a evolução da Eletrobrás vai se dar sempre num contexto de negociação é diferente da edf é diferente da cesbo é diferente das empresas nacionais as grandes estatais europeias a Eletrobras é um contínuo processo de negociação Então a partir do momento em que você fecha converge o estado vai entrar e primeiro movimento é o movimento de centralização que a Eletrobras representa a Eletrobras representa esse primeiro movimento de de centralização depois você começa a ter outros movimentos por exemplo os movimentos relacionados ao quê à interligação a integração a construção o quê de um sistema elétrico Nacional o
planejamento Centralizado Olha só você partiu de um planejamento descentralizado Rio Grande do Sul Minas São Paulo experiência lá da chest E você começa a construir o quê um planejamento Centralizado é interessante isso no setor elétrico brasileiro planejamento Central ele é construído a partir de experiências regionais é diferente do processo por exemplo de setor de petróleo com a Petrobras completamente diferente e aí você tem uma coisa importante que foi a canambi um consórcio ele é um consórcio que reúne empresas canadenses empresas dos Estados Unidos reúne Banco Mundial reúne Nações Unidas reúne Furnas reúne Do Estado da
Guanabara Minas Gerais São Paulo Rio de Janeiro reúne empresas de consultoria né Nacional empresas nacionais de consultoria como ecotecnica Essa é a Caná a Caná é o primeiro esforço Integrado de planejamento do setor de energia elétrica no primeiro no Brasil então porela primeira vez você tem um planejamento integrado você tá planejando o setor elétrico brasileiro O que que tem de importante Na canra alguns traços importantes especialização de função do setor gente olha só de um lado a geração de outra distribuição a geração se faz cada vez mais distante do centro aqui de carga centro de
consumo então geração vai ser uma coisa isso é uma função distribuição é outra Vamos separar esse negócio olha só tem que fazer o planejamento integrado das bacias hidrográficas é integrado e já prestando atenção no quê na interligação dos Sistemas elétricos olha como é que você vai expandindo você não tá mais no na exploração de de um de um de um potencial n de uma queda d'água no Rio Você tá em todas a bacia toda né na bacia inteira e depois você começa a pensar o quê na integração entre bacias essa experiência americana do tenes vale
essa experiência canadense a canra é uma oportunidade Olha só cara de trazer a experiência desses caras que tavam bastante avançado nesse padrão nesse Modelo então a gente vai buscar experiência a canra foi muito boa pra gente olha só é preciso unificar a frequência Ah mas como unificar a frequência gente Rio de jiro Rio Grande do Sul Espírito Santo operam com uma frequência de 50 hz o resto do Brasil em 60 como é que a gente vai construir um sistema como é que a gente vai interligar esses sistemas como é que a gente vai fazer essa
integração Rio Grande do Sul Espírito Santo e Rio de Janeiro tem que ser convertido tem que sair de 50 e para 60 para homogeneizar outra coisa importante Olha gente tem que elaborar estudo de mercado esses estudos tem que ser mais completos a gente tem que definir a demanda esperada e definir o quê um programa de obras prioritárias de obras né que tem que ser feitas justamente para quê para expandir a oferta para quando essa demanda chegar a gente ter a oferta é planejamento na Veia então a canambi é a centralização a canambi é a interligação
é a integração do sistema E aí a questão da unificação da frequência né do país em 60 hz que é realizada a partir de 64 e é realizado ali entre 64 até o final da década de 70 1978 e você converte né Rio Grande do Sul Rio de Janeiro e Espírito Santo converte para 60 sai de 60 num projeto no processo que não é Bolinho Poucos países fizeram isso Mas você unifica a frequência quando você unifica a frequência você abre o quê a homogenização homogeniza a gente pode se integrar Então você centralizou no Eletrobras você
forçou o planejamento né via Cambra e agora você homogeniza via a conversão de frequência unificação de frequência Então isso é muito legal e depois você começa a definir as funções da Eletrobras e aqui que eu acho que tá o CNE a Eletrobras e você faz isso principalmente a partir da lei de Itaipu a partir da lei de Taipu porque a entrada de Taipu gente representa o qu se o caso da usina de folas você tem a integração do sudeste então a gente não tá falando mais no setor elétrico de Minas do Rio de Janeiro São
Paulo não a gente tá falando do setor elétrico do sistema elétrico o qu do sudeste Olha o salto que a gente dá é outra coisa quando a gente vem para Itaipu a gente vai fazer o quê interligação entre o Sudeste e o sul Então coloca grandes desafios no âmbito institucional a resposta é a lei de Taipu ali você define Qual é a função da Eletrobras Olha bem a Eletrobras é a coordenação técnica financeira e administrativa e a geração né e é orientação Geral do programa de expansão do serviço de energia elétrica nota bem a Eletrobras
é o espaço da Coordenação Esse é a grande função e o grande papel da Eletrobras é o espaço de coordenação isso é chave porque aquilo que a gente falou a gente tá indo para escalas nós estamos indo para níveis de complexidade onde você precisa criar grandes mecanismos de coordenação Essa é a função chave da Eletrobras ela coordena ela é o grande espaço de coordenação a concessão a fiscalização técnica financeira aprovação das tarifas isso você dá para pro dinai o Departamento Nacional de águas e energia elétrica é outro espaço é outro espaço e uma coisa importante
também que se dá que é a definição do âmbito das quatro subsidiárias regionais da Eletrobras você tinha Furnas você tinha che e depois você passa at a Eletrosul e a Eletronorte e aqui você define Passos aqui a dimensão Regional dessa construção complexa e sofisticada ela tá presente com muita força é claro que isso cria problemas de gestão de Coordenação mas isso insere a dimensão Regional a dimensão do desenvolvimento Regional de um país do tamanho do nosso complexo como o nosso dentro do planejamento no coração da intervenção do setor elétrico brasileiro Então se o fato de
você ter subsidiárias muito fortes com intervenção Regional né Muito forte como é o caso da chesf como no caso de Furnas Eletrosul Eletro Norte traz uma dimensão muito rica paraa dinâmica do setor elétrico brasileiro a Ideia de que mais do que uma empresa Federal xes é uma empresa nordestina e isso é muito importante é muito forte num país com grau de de desigualdade que a gente tem de complexidade de tudo mais o setor elétrico reflete isso de uma forma vigorosa Então essas questões ligadas às subsidiárias regionais demonstr a força do setor elétrico brasileiro a força
do nosso processo de construção um processo negociado que saiu do regional que foi Subindo e foi Centralizado isso dá uma dimensão pro setor elétri Brasil Complet ente diferente muito mais rico muito mais poderoso e depois você tem dois movimentos que eu acho chave para você entender que é a criação em 73 do grupo coordenador da operação interligada da região sudeste da região Sul que é o gco que é justamente a coordenação da operação que é onde você explora todas As possibilidades em termos de escala em termos de escopo em termos de diversidade hidrológica toda a
diversidade daiza centralizada dos nosos reservatórios toda essa riqueza você só consegue explorar porque você tem um espaço de coordenção que é o g e as vantagens da interligação já com Furnas a gente tinha visto olha cara isso é bom e o que a gente teve foi muito mais do Que a gente esperava eu me lembro de conversando com o Antônio Dias Leite que é uma figura gigantesca dentro do setor elétrico brasileiro foi ministro tava na Ecotec na Cambra está presente em todos os momentos importantes do setor elétrico brasileiro e professor é mérito do Instituto de
Economia dias me falando isso achei muito interessante ele falando assim ral quando a gente interligou sul-sudeste né com Taipu a gente não tinha a dimensão do tamanho que era a interligação e das vantagens que a interligação ela nos deu isso é razoável gente porque nós estamos operando lembra em escalas muito maiores do que os outros então nós estamos explorando o universo nós estamos explorando o universo que os outros não tinham explorado então a gente foi descobrindo essas coisas na medida em que foi interligando na medida que foi Construindo e foi gerando espaço de coordenação o
gcu é a prova forte dessa dessa questão da nossa osidade da nossa capacidade de construir esses espaços porque o gci você tem a coordenação da Eletrobras sempre tinha mas ali estão presente todos os Agentes do setor Então você tem um processo de negociação você tem um processo de concertação de construção de convergências que é tremendamente sofisticado e ao gco você vem somar O gcps que é Criado em 1982 que é o grupo coordenador de planejamento dos sistemas elétricos que é criado 1982 para coordenar o quê a expansão E aí é muito mais complexo né Muito
mais complexo porque aí os interesses regionais eles vão bater muito forte mas olha é um espaço de coordenação onde a expansão é negociada é difícil é é complexo é mas reflete o processo de construção do nosso setor Nós não somos setor elétrico francês Nós não somos Issos então o setor elétri brasileiro nesse sentido é uma construção extremamente complexa e sofisticada Olha só nós saímos lá do do dos Pampas gaúcho lá nos anos 40 das montanhas de Minas lá nos anos 40 da experiência alheira da Pauliceia desvairado do do Nordeste com a experiência da che gente
nós saímos dessa experiência para chegar a um espaço de coordenação como era o gco como era o ccps a Fazer unificação de frequência Olha o tamanho disso Olha o tamanho disso O que foi construir Itaipu me lembro também do Dias Leite falando que se encontrou com o ministro do Paraguai de energia na época que ele era o ministro né de Minas energia do Brasil e o outro era Ministro do Paraguai e eles construíram Itaipu E numa dessas comemorações de 50 anos de 6 anos de de Itaipu os dois se encontraram E os dois velhinhos Falam
assim rapaz como a gente conseguiu construir isso mas gente como é que a gente conseguiu construir isso então é esse tamanho de gente de pessoas e né de instituições então o setor elétrico brasileiro ele é fruto desse longo processo nesse longo processo de construção sofisticado complexo e essa complexidade essa sofisticação ela se reflete no setor el Nós temos é complexo é sofisticado opera como se fosse uma única máquina meu deus o que que significa isso não é retórica operar como se fosse uma única máquina como se fosse um sistema só nós fazemos isso isso é
um atributo nosso um atributo que nós fomos construindo com uma enorme dificuldade enorme dificuldade Então a gente tem que reconhecer somos assimos respeitar isso e principalmente respeitar todos aqueles que construíram Esse setor que são referências então é uma coisa que a gente deve se orgulhar o que nós devemos nos orgulhar é do setor elétrico brasileiro ele é um baita setor sofisticado complexo terno tem gente que não entende isso por ignorância por estupidez também por má fé aí não entendem aí propõe questões que simplesmente implodem toda essa construção Então Nesse exato momento a gente se encontra
no momento do setor elétrico brasileiro no qual todo esse sistema ele está sendo simplesmente implodido Então eu acho que nesse momento é importante você resgatar de onde que a gente veio como é que a gente chegou até aqui todo o esforço que foi feito para estar aqui como esse setor é fruto de escolhas de concepções sofisticadas complexas não é Bolinho e tem que respeitar nesses momentos como nós estamos vivendo hoje é importante isso Ó nós somos aqui a Corínthians né aquela brincadeira aqui é o setor elétrico brasileiro é um setor que nos anos 70 nos
anos 80 70 e 80 era uma referência Mundial Então acho importante salientar nesse momento onde a gente tem propostas de falsas modernizações a gente tem a Eletrobras que é um pilar ela é ainda hoje um pilar da segurança do Abastecimento elétrico do país sendo destruída a machadadas sendo implodida simplesmente com um projeto de curto prazo de apropriação de recursos e de dividendos de rendimentos no curto prazo e que se ferre a longo prazo no momento como a gente vive um setor elétrico completamente desvairado relembrar de um projeto com uma visão muito clara de futuro e
um esforço gigantesco de ações e gerações De brasileiros para construir esse projeto Esse é um momento importante e foi isso que a gente quis trazer para vocês nesse curto circuito 41 espero que isso seja útil para vocês e a gente se encontra mais uma vez aqui no canal do Instituto de Economia da uj no seu curto circuito nos vemos vida que segue [Música] sequ