Quando se fala em mitologia árabe, muita gente pensa no gênio da lâmpada, mas essa imagem mistura literatura, traduções europeias e adaptações modernas. O mundo árabe não possui um catálogo único de criaturas. Algumas figuras aparecem no Alcorão e em Radites.
Outras pertencem ao folclore local, às histórias de As 100 noites ou a livros medievais de cosmografia e astrologia. Por isso, nem tudo que está nesse iceberg representa uma crença seguida por todos os muçulmanos ou por todos os povos árabes. Nas primeiras camadas estão os nomes mais conhecidos e, no fundo, estão figuras relacionadas ao fim dos tempos e a antigas tentativas de explicar a própria estrutura do universo.
Então, coloque seus fones de ouvido, pegue sua bebida e bora começar esse iceberg sinistro. A palavra je está relacionada à ideia de algo escondido. E essa é a primeira diferença entre essas entidades e os gênios das histórias infantis.
Na tradição islâmica, eles não vivem necessariamente presos em lâmpadas e não existem apenas para realizar desejos. Eles vivem em um mundo paralelo à humanidade, normalmente invisível, mas capaz de agir no nosso mundo. O Alcorão afirma que os seres humanos foram criados do barro, enquanto os Jin teriam sido criados antes deles, a partir de uma chama de fogo sem fumaça.
Isso não significa, porém, que todos sejam demônios. Assim como os humanos, eles teriam consciência, vontade e responsabilidade por suas escolhas. A surata chamada Aldin descreve um grupo dessas criaturas ouvindo a recitação do Alcorão e decidindo acreditar nela.
O próprio texto distingue de incorretos daqueles que escolheram outros caminhos. Portanto, dentro da religião islâmica, um din pode ser bom, indiferente ou hostil. Essa informação muda completamente a imagem popular da criatura.
O Jean não seria apenas um monstro, seria uma inteligência invisível, com suas próprias regras, crenças e intenções. Intenções que um ser humano talvez só descubra quando já estiver próximo demais. No folclore de diferentes regiões, eles passaram a ser associados a desertos, cavernas, ruínas, cemitérios e casas abandonadas.
Algumas tradições dizem que podem assumir formas humanas ou animais, especialmente serpentes, cães, cabras, pombos e gatos. Outras histórias afirmam que uma aparência quase perfeita poderia ser denunciada por pés deformados, olhos incomuns ou movimentos que não combinam com o corpo humano. Essas descrições, porém, não formam uma regra universal.
O folclore árabe, persa e de outras comunidades muçulmanas produziu versões diferentes. Em algumas, os gin ajudam pessoas, em outras enganam viajantes, provocam doenças ou castigam quem os fere sem perceber. O Alcorão conta que alguns Jin trabalhavam para o rei Salomão, realizando construções e outras tarefas.
Quando Salomão morreu, seu corpo permaneceu apoiado em um cajado. Os Jin continuaram trabalhando. Eles não haviam percebido que Salomão estava morto.
Somente quando uma criatura da Terra roeu o cajado e o corpo dele caiu, os Jin compreenderam que havia acontecido. Ao longo dos séculos, relatos de possessão, vozes, aparições e ataques noturnos foram interpretados como encontros com Jean. Uma pessoa que acorda sem conseguir se mover e sente uma presença no quarto pode interpretar o episódio como uma simples paralisia do sono.
Mas em outra tradição, a mesma experiência pode ser considerada a obra de um Jean. A figura do gênio, preso em uma lâmpada é uma transformação literária muito posterior. Contos populares, traduções europeias e adaptações de histórias, como as 100 Noites, simplificaram criaturas complexas como os jeans em seres mágicos que concedem desejos.
Muito antes do Islã, povos árabes já falavam sobre seres invisíveis que habitavam desertos e lugares afastados. Com a tradição islâmica, essas criaturas passaram a ser conhecidas como Jein, seres que vivem ocultos ao lado do mundo humano. Mas então surge a palavra Jan.
Ele aparece no Alcorão em passagens sobre a criação dessas entidades. Em uma delas, o texto afirma que Ajan foi criado antes do ser humano a partir de um fogo abrasador. Um radite também diferencia sua origem.
Os anjos teriam sido criados da luz enquanto Jan do fogo e Adão do Barro. Durante séculos, estudiosos tentaram entender quem era esse Jan. Para alguns intérpretes, o termo significa simplesmente a raça dos Jin.
Para outros, Jan seria o primeiro deles, uma espécie de ancestral primordial. Assim como Adão é apresentado como ancestral da humanidade, há ainda tradições que relacionam esse primeiro ser a Iblis, que falaremos sobre mais à frente. Oifrit é um nome transformado por filmes, jogos e histórias de fantasia em sinônimo de demônio de fogo, mas cuja origem é muito mais antiga e também muito menos simples.
Na história conhecida como o pescador e o Udin, preservada em diferentes versões de as 1001 noites, o pescador encontra no mar um jarro de cobre fechado com o selo de Salomão. Quando ele rompe o lacre, uma coluna de fumaça cobre o céu e assume a forma de uma criatura colossal. Essa criatura era o Efrit.
O ser contou que havia desobedecido ao rei Salomão e como punição fora aprisionado dentro daquele recipiente. Nos primeiros séculos de confinamento, prometeu recompensar quem o libertasse. [música] Como ninguém apareceu, a promessa se transformou em ressentimento.
Quando finalmente encontrou o pescador, decidiu que seu salvador receberia apenas um privilégio, escolher a própria forma de morrer. Nada poderia salvar o pescador. Então ele decidiu desafiar o Ifrit, dizendo que não acreditava que uma criatura tão grande tivesse cabido em um jarro tão pequeno.
Ofendido, o Ifrit decidiu provar. Seu corpo voltou a se desfazer em fumaça, que foi absorvida pelo recipiente. Assim que a última parte desapareceu, o pescador recolocou a tampa.
A criatura que ameaçava matá-lo estava novamente presa, derrotada não por magia, mas pela inteligência de um homem comum. Essa história ajudou a popularizar a imagem do espírito aprisionado em um recipiente, mas ela pertence à literatura e ao folclore. Para encontrar a referência religiosa mais conhecida sobre o ifrit, é preciso voltar ao Alcorão.
Na Surataã, Salomão pergunta quem poderia trazer até ele o trono da rainha de Sabá antes que ela chegasse à sua corte. Um infrite dentre o Jin responde que conseguiria trazer o trono antes que Salomão se levantasse de seu lugar. Ele se descreve como forte e confiável para realizar aquela tarefa.
A passagem não descreve chifres, asas, pele em chamas ou uma aparência demoníaca. O que define aquela entidade é sua força e a capacidade de transportar em pouco tempo um objeto enorme por uma grande distância. Mas Salomão não aceita sua oferta.
Outra figura descrita como alguém que possuía conhecimento das escrituras traz o trono em um piscar de olhos. O ifrit era poderoso, mas não era invencível. O termo ifrit aparece apenas uma vez diretamente no Alcorão, acompanhado da expressão dentre os gin.
Por isso, alguns estudiosos interpretam a palavra não como o nome de uma espécie separada, mas como uma designação para um jealmente forte, astuto ou rebelde. Foi principalmente no folclore que os ifrits passaram a ser tratados como uma categoria definida de espíritos perigosos. Diferentes tradições os associaram a lugares abandonados, vingança, ruínas, morte e ao mundo subterrâneo.
A imagem do demônio musculoso cercado por chamas é, portanto, uma construção formada por séculos de literatura, traduções e adaptações. A ligação com o fogo vem da origem atribuída aos gin, mas não existe uma aparência única e universal para o ifrit nas fontes antigas. O ifrit não é simplesmente um gênio que concede desejos, nem necessariamente um demônio de fogo, como aparece nos jogos.
Nas fontes religiosas, ele surge como uma presença poderosa dentre os Jin. Nas lendas, torna-se uma criatura vingativa que pode ser aprisionada, enganada ou enfrentada. E foi justamente essa mistura entre religião, tradição e literatura que transformou seu nome em uma das figuras mais temidas da mitologia árabe.
Ogul, também conhecido no ocidente como Gol, não era originalmente apenas um cadáver ambulante como aqueles popularizados por filmes e jogos. No folclore árabe, ele era uma criatura semelhante a um di maligno, associado a desertos. matas e lugares abandonados.
Sua principal arma não era apenas a força, era a transformação. Os relatos discordam sobre sua aparência. Alguns falam em cabeça felina, pelos e língua bifurcada.
Outros dizem que o Gueria copiar quase qualquer forma, mas não conseguia esconder os pés frequentemente descritos como cascos ou patas de camelo. Também existiam manifestações masculinas e femininas. Nas tradições árabes, a criatura não costumava atacar, exibindo imediatamente sua verdadeira aparência.
Ela assumia formas humanas ou animais, confundia viajantes e os conduzia para longe das rotas conhecidas. Algumas versões dizem que aparecia como uma mulher atraente. Outras descrevem uma velha, um conhecido ou até um animal aparentemente inofensivo.
Em algumas histórias, a criatura atraía viajantes para um local isolado antes de devorá-los. Em outras, alimentava-se de pessoas recém mortas ou desenterrava cadáveres. No O, essa última característica acabou se tornando dominante, transformando o Gol principalmente em um monstro de cemitérios.
Mas a criatura das narrativas árabes era mais complexa. Ela podia conversar, enganar, assumir o rosto de alguém conhecido e usar a compaixão da própria vítima para conduzi-la até a morte. Existe também uma atenção religiosa importante.
O Alcorão não descreve o Gul como uma criatura. Em um radite atribuído ao profeta Maomé aparece a afirmação de que não há Gul acompanhada da rejeição de presságios e outras superstições. Outra versão identifica o Gol como aquilo que matava viajantes.
Essa passagem pode ser entendida como uma negação de que monstros possuíssem poder independente para controlar o destino das pessoas. Ainda assim, a crença popular não desapareceu. O Gol continuou habitando histórias, poemas e estradas desertas.
No Alcorão, a palavra marid surge associada à ideia de rebeldia. O texto menciona um demônio rebelde usando marid como característica de um ser insubmisso. Os marides são descritos como gênios das águas ou do mar.
São considerados os mais antigos, sábios e poderosos entre todos os gins, tendo controle absoluto sobre a água e o clima. Costumam ser orgulhosos, mas são menos propensos ao mal do que os ifrites. Em algumas versões da história do pescador contada quando falamos sobre o ifrit, a criatura que sai do jarro é o marid.
O marid não é apenas um din aquático capaz de conceder desejos. Sua característica central é ser indomável. Conhecida como Hook ou Rock, ela foi descrita no folclore e na literatura do Oriente Médio como um pássaro de proporções impossíveis, forte o bastante para capturar elefantes e carregá-los até o próprio ninho.
Sua aparição mais famosa acontece nas viagens de Simbá em às 100 noites. O marinheiro encontra uma estrutura branca e arredondada, grande demais para ser um objeto comum. Depois, ele percebe que está diante do ovo do rock.
Quando a ave retorna, sua sombra cobre o local. Simbá amarra o turbante à perna do animal e é carregado para fora da ilha. Em outra história, marinheiros quebram um ovo e matam o filhote para comê-lo.
As aves adultas se vingam, levando pedras enormes para o [música] alto e soltando-as sobre a embarcação. Marco Polo registrou histórias de navegadores sobre uma ave gigantesca associada à região de Madagascar. Ele não afirmou ter visto o animal, apenas relatou informações recebidas de outras pessoas, incluindo descrições de penas descomunais e de uma criatura capaz de erguer elefantes.
Esses relatos ajudaram a manter a ideia de que o pássaro poderia ter existido em alguma ilha pouco conhecida pelos viajantes medievais. Uma das hipóteses liga o mito aoep Epiornis, a extinta ave elefante de Madagascar. Esse animal podia atingir aproximadamente 3 m de altura e produzia ovos enormes.
Marinheiros que encontrassem suas cascas poderiam imaginar uma criatura muito maior do que qualquer ave conhecida. Mas existe um problema. Ave elefante não voava.
Ela também não possuía garras capazes de capturar presas e jamais poderia carregar um elefante. Seus ovos ou histórias sobre seu tamanho podem ter alimentado a lenda, mas não comprovam a existência do rock. A origem exata da criatura também é discutida.
Alguns pesquisadores observam semelhanças entre o rock e aves gigantes presentes em tradições persas, indianas e chinesas. Entre elas estão criaturas capazes de cobrir o céu, transportar animais enormes ou viver em regiões inacessíveis. Isso sugere que o rock talvez não tenha nascido de uma única história, mas da mistura de relatos de marinheiros, animais reais e mitos transmitidos entre diferentes culturas.
Na tradição islâmica, o Karim é um companheiro espiritual atribuído a cada ser humano. É um tipo específico de shaitã ou de rebelde. A palavra significa companheiro, associado ou alguém que permanece próximo.
No Alcorão, o termo aparece em contextos diferentes e nem sempre representa uma criatura específica. Em uma passagem, porém, aquele que se afasta de Deus recebe o espírito como companheiro, alguém que o acompanha e o desvia enquanto ele acredita estar seguindo o caminho correto. É aí que o Karim se torna tão assustador.
Ele não precisaria mover objetos ou assumir uma forma monstruosa. Sua atuação seria muito mais discreta, como um impulso cruel durante uma discussão ou uma justificativa para contar uma mentira. No começo, tudo pode ser considerado como raiva, inveja, ansiedade, desejo ou apenas egoísmo.
E essas explicações não estão necessariamente erradas. O Karim não controla uma pessoa como uma marionete. Ele tenta, explora suas fraquezas e insiste, mas a decisão continua sendo humana.
O profeta Maomé afirma que cada pessoa possui um companheiro espiritual, inclusive ele, mas que recebeu auxílio divino contra a influência do Karim. Nas interpretações religiosas, o Karim não funciona como desculpa para crimes, crueldades ou decisões erradas. [música] Sua presença representa tentação, não controle absoluto.
Com o passar dos séculos, o folclore ampliou essa figura. Em algumas versões populares, o Karim virou uma espécie de duplo espiritual capaz de copiar a aparência, a voz ou as lembranças de uma pessoa. [música] Outras histórias afirmam que ele pode ser invocado, capturado ou visto depois da morte.
Esses detalhes são populares em narrativas sobrenaturais, mas não aparecem dessa forma nas principais referências religiosas. A imagem do gêmeo demoníaco pertence principalmente ao folclore. Uma interpretação cética entende o carim como uma personificação dos impulsos destrutivos que o ser humano prefere enxergar como algo externo.
Já para quem aceita a tradição, ele é um dia real, invisível e persistente. Na tradição islâmica, o shayatim refere-se a uma classe geral de espíritos malignos. ou demônios, semelhante ao conceito comum de Satanás ou diabo.
Eles têm a função de incitar os humanos e os d ao pecado através de sussurros. A palavra shaatim é o plural árabe de shitã, normalmente traduzido como demônio ou satanás, mas ela não indica exatamente uma espécie separada com determinada aparência e poderes. No contexto islâmico, os gin formam uma categoria de seres invisíveis dotados de escolha moral.
Alguns seriam justos enquanto outros descrentes. Jáaitã é uma designação associada à rebelião, ao engano e a condução para o mal. Por isso, nem todo é um sheaitã.
Mas um shitaitã pode ser um din e, segundo o próprio Alcorão, também pode ser humano. A origem dessa ameaça está ligada a Iblis. Quando Deus ordena que os seres presentes se prostem diante de Adão, Iblis se recusa.
Embora algumas representações posteriores o tratem como um anjo caído, o Alcorão afirma que ele pertencia aos Jein. Movido pelo orgulho, Iblis desobedece e se torna o grande adversário da humanidade. Os Saiyatin aparecem ligados a essa rebelião, mas eles não precisam assumir uma aparência monstruosa.
Seu principal método é muito mais discreto, o sussurro. Na teologia islâmica, osayatim não possuem poder absoluto sobre os seres humanos. Em uma passagem do Alcorão, Satanás admite que não tinha autoridade para obrigar ninguém.
Ele apenas chamou e as pessoas responderam: "O shitã monstro que retira a responsabilidade de sua vítima. Ele oferece uma mentira, mas depende de uma decisão humana para completá-la. Os chayatin seriam, portanto, agentes de rebelião ligados a Iblis.
Alguns pertencem ao mundo do gin, outros podem ser pessoas que assumem a mesma função ao manipular e conduzir os demais para o erro. O rim é uma das figuras mais obscuras das tradições árabes. Seu nome aparece ao lado do Zin em antigas referências poéticas e séculos depois foi absorvido por histórias religiosas e classificações de criaturas sobrenaturais.
Mas quanto mais tentamos descobrir o que ele era, mais a descrição se fragmenta. Em algumas versões, o rim parece um cão, em outras é uma raça anterior à humanidade. E em certos textos, ele seria ainda mais antigo que os próprios Jein.
Em algumas versões, Hin teriam habitado a Terra antes do Jin. Eles teriam entrado em conflito, espalhado destruição e, por fim, sido derrotados ou exterminados quando uma nova raça sobrenatural tomou seu lugar. Alguns autores antigos classificaram os rim como seres fracos inferiores ao Jin.
Eles chegaram a ser chamado de cães do Jin, enquanto outras tradições os tratavam como uma categoria sobrenatural diferente. O rim ocupa essa camada nesse iceberg por não existir uma descrição clara do que ele é. Nas antigas lendas do deserto árabe, um viajante podia ouvir uma voz transmitir um aviso.
A voz parecia bem próxima, mas não havia ninguém por perto. Entre antigos povos árabes, especialmente comunidades beduínas, circulavam relatos sobre o Ratif, uma voz perfeitamente audível, cuja origem jamais podia ser encontrada. Não era necessariamente uma criatura.
O ratif era a própria voz. Nas histórias sobre o Ratife, essas vozes podiam transmitir avisos, conselhos, instruções ou mensagens proféticas aos humanos. Algumas tradições anteriores ao islã atribuíram o fenômeno aos Jein.
Em versões mais sombrias, eles usariam as vozes para atormentar [música] alguém ou vingar a morte de outro jein, perseguindo o responsável até levá-lo à loucura. [música] A voz poderia surgir em regiões desertas, lugares abandonados ou perto de sepulturas. Algumas narrativas associam esses chamados aos espíritos dos mortos, que retornariam para lembrar os vivos de sua mortalidade ou anunciar que alguém estava prestes a morrer.
Curiosamente, no árabe moderno, Ratif também significa telefone. Os textos descrevem o Chique como uma entidade semelhante a meio ser humano. Ele possui uma única mão, uma única perna e apenas um olho.
Apesar disso, consegue se mover e enfrentar quem cruzasse o caminho. Algumas fontes o colocam entre seres demoníacos ou semelhantes ao Jin, afirmando que ele aparecia principalmente para pessoas durante viagens. A palavra chique está ligada à ideia de divisão ou metade, uma referência direta à sua aparência incompleta.
Uma lenda conhecida menciona o confronto entre um chique e um homem. E apesar das várias versões da lenda, elas terminam com a morte tanto do homem quanto da criatura. O Chic aparece principalmente como uma criatura do folclore e da literatura árabe, não como uma categoria sobrenatural no Alcorão.
Com o tempo, ele foi aproximado dos gin, dos demônios e até dos gols. Embora essas criaturas nunca tenham formado uma hierarquia, ele também costuma ser confundido com o Nasnas. Algumas tradições afirmam que o Nasnas seria descendente da união entre um chique e um ser humano.
Os dois compartilham a aparência de um corpo dividido, mas não são necessariamente a mesma criatura. O Nas é frequentemente apresentado como um tipo de jean, mas sua origem é muito mais confusa. O Nasnas atravessa relatos de viajantes, enciclopédias medievais e histórias folclóricas nas quais ninguém parece concordar completamente sobre o que ele era.
Aluini descreveu nasnas como um povo encontrado nas matas do Yemen. eram seres com meia cabeça, meio corpo, uma mão e uma perna, capazes de falar e saltar intensamente. Outro autor registrou a crença de que o Nas seria resultado da união entre um chique e um humano.
Conforme dito anteriormente, o Nasnas não aparece no Alcorão como uma criatura. Sua presença em algumas interpretações islâmicas surgiu posteriormente, especialmente em textos xítas relacionados à existência de seres anteriores à humanidade. A própria ligação com chique pode ter surgido porque as duas criaturas são descritas como metade humanas.
Com o tempo, uma passou a ser apresentada como ancestral da outra. Nas histórias do mundo árabe e medieval, viajantes evitavam passar por certos cemitérios durante a noite, não por medo dos mortos, mas porque alguma coisa curvada sobre uma sepultura aberta podia estar devorando o corpo enterrado ali. Quando aquela criatura se levantava, não parecia completamente humana, nem totalmente animal.
Essa criatura era chamada de Kutrube. Em algumas versões, o Kutrube seria uma criatura semelhante ao gol. Em outras, uma pessoa capaz de assumir durante a noite a forma de uma fera parecida com um lobo.
Durante a noite, esse homem ou mulher assumiria uma aparência semelhante a de um lobo, embora não se transformasse exatamente nesse animal. Depois vagaria entre os túmulos em busca da carne dos mortos. Essa ligação com os mortos fez com que ele fosse confundido com o gol.
Eduard William Lan, tradutor de As 100 Noites, registrou que Kutrube também poderia ser o nome dado ao gol masculino. Outras tradições, porém, transformaram a criatura em algo semelhante a um lobisomem árabe. Anibian significa algo próximo de mãe dos meninos ou mãe das crianças.
Mas esse nome não descreve uma única criatura com uma história fixa. Em diferentes regiões, ele foi associado a uma criatura que persegue homens, sequestra crianças, causa loucura e seria responsável até pela morte de recém-nascidos. Na tradição popular do Yemen, ela costuma aparecer em montanhas, ruínas e lugares abandonados.
Primeiro pode assumir a aparência de uma mulher conhecida, uma esposa, uma mãe ou outra parente. As descrições físicas da criatura variam. Uma versão diz que ela tem uma perna de camelo e outra de cabra.
Algumas versões descrevem ainda um seio normal e outro tão comprido que é jogado sobre o ombro. A criatura obriga o homem a escolher de qual deles beber. Se escolher o normal, ela o trata como um filho.
Mas se ele escolher o maior, passa a considerá-lo seu companheiro, acompanhando, ajudando e punindo a vítima sempre que é contrariada. Em manuscritos de magia e proteção, Anibian aparece como uma entidade que ataca gestantes e crianças. Ela poderia provocar abortos, doenças, morte ou insanidade.
Com o tempo, o nome Ancibian também passou a ser usado para explicar problemas reais, como cólicas infantis, epilepsia e escarlatina. Plantas, fórmulas e amuletos ofereciam às famílias uma sensação de controle diante de doenças que ainda não eram compreendidas. An Aldo Ais pertence a lendas dos Emirados Árabes Unidos e também aparece com outros nomes e detalhes em diferentes regiões do Golfo.
Ela era descrita como Madin que surgia em caminhos isolados e lugares abandonados, quase sempre quando não havia testemunhas por perto. A lenda costuma começar com um homem voltando para casa à noite. Ele sente um aroma agradável e vê a alguns metros adiante uma mulher alta.
elegante, de cabelos longos. Ela não precisa chamá-lo, apenas caminha devagar, permitindo que ele a siga. Mas a mulher continua entrando por passagens cada vez mais vazias, afastando [música] o homem das residências e das pessoas.
Em algumas versões, os pés dela não são humanos, mais semelhantes aos de uma cabra. [música] Em outras, a transformação começa pelas mãos que se alongam até assumirem a forma de foices ou lâminas curvas. A mulher [música] que antes atraía pela beleza, de repente revela um rosto envelhecido e deformado.
Quando o homem percebe o que está diante dele, já é tarde demais. An Aldo se volta completamente contra ele. As mãos em forma de lâminas aparecem e a sedução se transforma em ataque.
Algumas versões da lenda dizem que ela mata e devora suas vítimas. Outras afirmam que ela pune principalmente homens infiéis ou mal intencionados. Há ainda versões nas quais ela se afasta do homem considerado virtuoso.
Antes do século VI, atravessar o deserto significava depender de trilhas frágeis, estrelas e histórias transmitidas entre viajantes. E perder a direção podia ser fatal. Foi nesse cenário que surgiu a figura da Silá, também chamada conforme a grafia e a região de Silá, Salá ou Salawá.
Uma entidade associada aos gin, capaz de mudar de aparência e enganar viajantes que atravessavam lugares isolados. Diferentemente de criaturas que revelam rapidamente sua monstruosidade, ela podia se aproximar usando confiança, beleza, inteligência ou familiaridade. [música] Algumas tradições chegam a descrevê-la seduzindo homens, casando-se com humanos e até gerando descendentes.
Porém, em certas versões, sua transformação nunca era perfeita. Alguma característica animal permanecia visível, como pés de camelo ou outro detalhe incompatível com o corpo humano. Nas histórias, um viajante encontra uma mulher sozinha no deserto.
Silá pede ajuda para tentar encontrar seu grupo e começa a conduzir o homem por um caminho desconhecido. O viajante esquece o caminho de volta e quando percebe os erros no corpo de Silá, ela se torna agressiva e passa a persegui-lo. Essas histórias podiam ensinar viajantes a não abandonar rotas conhecidas, não confiar imediatamente em desconhecidos e evitar andar sozinho durante a noite.
A Silá costuma ser confundida com o Gol. Isso acontece porque fontes antigas aproximavam os dois termos ou os utilizavam como sinônimos. Com o passar do tempo, a Silá passou a ser apresentada com mais frequência como uma entidade feminina, inteligente e metamórfica, enquanto o Gol ganhou características próprias.
Também é importante destacar que a Silá não aparece diretamente no Alcorão como uma espécie oficial de jean. El Nadarra é uma figura feminina que, segundo a tradição, atrai homens até o Nilo ou outros rios, onde eles desaparecem ou morrem afogados. Em algumas versões, a vítima consegue escapar naquela noite, mas passa os dias seguintes distraída, silenciosa e tentando retornar ao local.
El Nadarra não pertence ao Alcorão, nem aos radites e não é uma divindade do Egito antigo. Ela faz parte do folclore popular egípcio, embora algumas versões a chamem de Jean. A lenda de Alnadarra se tornou especialmente conhecida durante o século XX, quando vilarejos, plantações e moradias ainda mantinham uma relação muito próxima com o Nilo e seus canais.
El Nadarra significa aquela que chama. Sua origem exata, porém, nunca foi identificada. Na versão mais repetida da lenda, dois homens caminham à noite perto da água.
Primeiro, eles escutam uma voz feminina, baixa e clara. Um deles imagina que seja alguma moradora pedindo ajuda, mas a voz começa a chamá-lo pelo nome. Na margem do canal, surge a silhueta de uma mulher alta de cabelos longos.
Ela não se aproxima, apenas o chama pelo nome. O homem para de responder ao companheiro e começa a avançar em direção à água. O amigo segura, tenta fazê-lo reagir e percebe que ele está em trans.
Quando o companheiro finalmente consegue arrastá-lo para longe, a voz continua o chamando pelo nome, cada vez mais distante. Algumas histórias terminam com o desaparecimento ou afogamento. Outras dizem que a pessoa consegue voltar para casa, mas permanece inquieta, perde o sono e retorna ao rio dias depois.
A bufanusa é uma expressão que pode ser entendida como pai da lanterna. Para alguns é apenas uma luz distante. Para outros é um dia que caça viajantes perdidos no deserto.
Nas versões mais contadas da lenda, um viajante dirige à noite quando as estradas ficam vazias na escuridão. Então ele vê um ponto luminoso à frente. A primeira explicação parece óbvia, é outro veículo, mas a distância nunca diminui.
Quando o motorista acelera, a luz se afasta. Quando reduz a velocidade, ela parece esperar. E se ele abandona a estrada para alcançá-la, a buúfanus recua ainda mais para dentro do deserto.
Sem perceber, o viajante perde a direção e consequentemente combustível. Então, a luz desaparece misteriosamente. Segundo folclore, a bufanus pode reaparecer em outro ponto, como se cercasse o viajante.
Algumas versões dizem que a luz se aproxima quando a pessoa tenta retornar. Outras afirmam que ela limita faróis ou lanternas. A buúfanus é frequentemente relacionado aos gin e em algumas interpretações aos guila, entidades associadas ao deserto que enganam viajantes.
Antes do petróleo transformar as cidades do Golfo, famílias do Qatar, Barém e dos atuais Emirados Árabes dependiam da pesca e do mergulho de pérolas. Homens passavam meses em embarcações, trabalhando até a exaustão e dormindo cercados pelo mar. Foi nesse mundo que surgiu Bária, também chamado Babadária, conhecido como pai ou senhor do mar, um dia aquático temido por marinheiros e mergulhadores.
Segundo a lenda, durante a noite a criatura imitaria um homem se afogando. O marinheiro ouvia pedidos de socorro e se aproximava da borda do navio. Se pulasse na água, seria puxado para baixo pela criatura.
Outras versões também dizem que Budária subia no barco enquanto a tripulação dormia. Roubava pérolas e mantimentos, arrastava tripulantes para a água e, nas versões mais violentas, devorava suas vítimas. O detalhe mais inquietante era que quase ninguém conseguia descrever a criatura com precisão por causa da escuridão da noite.
No folclore do Qatar existe uma criatura chamada de An Romar, também conhecida como a senhora Burro, ou Romarat Alguila. A jumenta do meio-dia. Descrita como uma mulher metade humana e metade burro, ela é uma figura folclórica usada para assustar crianças que desobedecem aos pais e saem de casa durante o dia.
Vestida de preto, ela pode ser identificada pelo som característico de seus cascos, que causa medo e faz as crianças correrem. As origens da senhora Burro são envoltas em mistérios, mas ela é infame por suas habilidades em enganar crianças. Ela aparece na porta de casa durante o dia, quando os pais estão descansando após uma manhã de trabalho.
As crianças são orientadas a permanecerem dentro de casa por conta do calor excessivo nas ruas. [música] É nesse momento que An Romar sai de porta em porta à procura de uma vítima. Ela bate na porta pedindo água ou comida.
Se as crianças obedecerem aos avisos dos pais e não abrirem a porta, An Romar se torna agressiva e bate na porta violentamente para assustá-las. Em algumas versões, quando ignorada, Anromar podia assumir a forma de um lagarto e subir pelas paredes. Em outras, era acompanhada por três cães negros.
Anromar não aparecia apenas para assustar. Segundo a lenda, ela procurava crianças que desobedeciam aos pais e saíam durante as horas mais quentes do dia. Algumas versões afirmam que ela devorava as crianças.
A burraju masca pode ser traduzido como o homem da perna esfolada. Embora apareça na mitologia árabe ou islâmica, ele é registrado principalmente como uma figura do folclore egípcio. Seria o equivalente ao bicho papão para nós.
De acordo com a lenda, sua perna esquerda seria completamente esfolada ou queimada, enquanto parte da perna direita também teria a pele arrancada. Mas existe uma versão onde a criatura tem uma aparência ainda mais perturbadora. Ela seria metade homem, metade jumento, com calda e feridas abertas nas coxas, deixando a carne exposta.
A lenda dizia que ele procurava crianças desobedientes. Algumas versões afirmavam que a Burraju mais louca as arrastava para um quarto escuro ou as castigava. Uma versão mais violenta conta que ele teria sido queimado quando criança por não obedecer aos próprios pais.
[música] e depois disso passou a capturar outras crianças para cozinhá-las. Para sobreviver ao aburrail mais louca, a criança deve permanecer imóvel, esconder-se debaixo das cobertas e fingir que já estava dormindo antes que a criatura chegue ao quarto. No século XI, manuscritos do mundo islâmico mostravam a Terra apoiada sobre um anjo, uma pedra preciosa e um touro colossal.
Mas na base de tudo existia algo ainda maior, um peixe tão imenso que os oceanos do mundo seriam insignificantes diante dele. Seu nome era Barramut. Barramut não surgiu originalmente como o dragão conhecido nos jogos e nas histórias modernas.
Nas cosmografias árabes medievais, ele era descrito como um peixe ou uma baleia cósmica escondida abaixo do mundo conhecido. Na obra As Maravilhas da Criação, a Terra precisava ser estabilizada. Um anjo sustentava o mundo.
Sob seus pés havia uma pedra que repousava sobre um touro gigantesco. E o touro permanecia de pé sobre o Barramut. A verdadeira dimensão da criatura aparece em uma história ligada às aventuras de Bulúquia em as 1001 noites.
Segundo essa história, Jesus pediu para contemplar o peixe que existia sob a criação. Um anjo o conduziu até o oceano cósmico. Durante alguns instantes não havia nada além de água.
Então, algo passou diante dele com a velocidade de um relâmpago. Jesus acreditou ter visto um touro tão comprido que levou três dias para atravessar seu campo de visão. Mas a resposta foi pior.
Aquilo não era um touro, era apenas a cabeça do peixe. Barramut não carregava somente um animal. Acima dele estavam o touro, a pedra, o anjo, as camadas da terra e tudo que os seres humanos conheciam.
Abaixo de Barramut existia um oceano e sob esse oceano um abismo de ar. Depois fogo e sob o fogo vivia Falac, uma serpente [música] tão vasta que segundo a história, poderia engolir tudo que estava acima dela sem sequer perceber. [música] E nós vamos falar dela nessa camada do iceberg.
cujata aparece em cosmografias medievais do mundo islâmico, especialmente na obra maravilhas da criação escrita no século XI. Segundo a história, a Terra inicialmente não permanecia imóvel. Ela oscilava sem encontrar apoio.
Então, Deus criou um anjo gigantesco para segurá-la entre as mãos e sustentá-la sobre os ombros. O problema parecia resolvido. Até surgiu uma nova questão, onde o anjo pisaria?
Então, sob seus pés colocada uma enorme rocha descrita em algumas versões como uma pedra preciosa verde, mas a rocha também não tinha sustentação. Foi então que surgiu cujata. O touro recebeu a tarefa de carregar aquela enorme pedra sobre o próprio dorso.
Só que sua aparência ultrapassava qualquer escala [música] conhecida. Ele tinha 40. 000 olhos, orelhas, narizes, bocas, línguas e pernas.
Outras versões reduziram esse número para 4. 000, enquanto algumas mencionaram 40. 000 chifres.
A distância entre suas pernas seria tão grande que uma viagem de um lado ao outro levaria 500 anos, cujata parecia ser a base final, mas não era. Ele estava em pé sobre uma criatura ainda maior, o Barramut, o peixe cósmico mencionado anteriormente. Em algumas narrativas, a respiração de cujata fazia o oceano avançar e recuar.
Em outras, qualquer movimento do touro poderia ser sentido na superfície como um terremoto. A estabilidade do mundo dependia do touro permanecer imóvel. Na mitologia árabe fala que é uma serpente cósmica colossal e resistente ao fogo que habita o abismo mais profundo do universo.
Na cosmologia tradicional influenciada pelo Islã, o universo é descrito como uma pilha vertical de reinos. fala que reside no nível mais baixo, especificamente no sétimo inferno, nadando em fogo perpétuo. A história aparece em as 1001 noites dentro das aventuras de Bulia.
Ele era um viajante em busca do profeta Maomé, atravessando mares e territórios impossíveis enquanto tentava compreender os segredos da criação. Em determinado momento, Bulukia encontrou um anjo ligado à estrutura que sustentava o mundo. Acima do anjo estavam a terra e os céus.
E abaixo o jata e Barramute. Luluia perguntou ao anjo o que existia debaixo do mar. O anjo respondeu que primeiro havia um imenso abismo de ar.
Embaixo do ar havia fogo e abaixo do fogo havia o Fá. Falac permanecia no ponto mais baixo daquela cosmologia, abaixo de todas as camadas que mantinham o universo em ordem. Segundo a história, a serpente poderia engolir o ar, o fogo, o anjo e tudo que ele carregava.
Mas [música] Fala que não devorava a criação, não porque estivesse acorrentada, adormecida ou ferida. A única coisa que a impedia era seu temor diante do poder de Deus. Na história, Deus ordenou [música] que fala que abrisse a boca e colocou o próprio inferno dentro dela.
A serpente deveria guardá-lo até o dia da ressurreição, quando suas portas seriam abertas e faíscas maiores que montanhas, seriam libertadas. Dabat o lard ou a besta da terra é uma criatura escatológica do islã. Mencionada no capítulo 27 do Alcorão, é considerada um dos principais sinais do fim dos tempos.
A tradição islâmica dita que ela surgirá na Terra para falar com a humanidade, marcando os crentes e lembrando os descrentes de seus atos. O Alcorão não detalha a forma ou a origem exata da criatura. Deixando suas características sujeitas a interpretações na literatura de Raditz.
Seu propósito principal é confrontar as pessoas e lembrá-las da sua falta de fé nos sinais divinos. Nos relatos islâmicos sobre o fim dos tempos, ela integra um conjunto de 10 grandes sinais junto do Dajal, da fumaça, de Gog Magog, do retorno de Jesus e do sol nascendo no oeste. Um relato encontrado no livro Saruslin afirma que o surgimento da criatura e o nascer do sol no oeste acontecerão muito próximos.
Qualquer um dos dois que apareça primeiro será seguido rapidamente pelo outro. Ou seja, quando da Bate o Larde for vista, não haverá tempo para capturá-la. Seu aparecimento indicará que outro acontecimento apocalíptico já está a caminho.
Outras tradições acrescentaram que a criatura carregaria o cajado de Moisés e o anel de Salomão, e com eles ela separaria os fiéis dos descrentes. Depois de um mês a deriva, 30 marinheiros desembarcaram numa ilha desconhecida ao pôr do sol. Ali encontraram uma criatura tão coberta de pelos que não conseguiam distinguir seu rosto das costas.
Ela se apresentou como Aljaassa e os conduziu até um homem gigantesco acorrentado dentro de um mosteiro. O relato teria acontecido no século VI e foi contado por Tamin Aldari, um homem que havia sido cristão antes de aceitar o islamismo. Segundo o livro Sarah Muslim, ele viajava pelo mar com 30 homens das tribos de Lakhan e Judã.
Quando uma tempestade desviou a embarcação durante o mês inteiro, sem referências e sem saber aonde estavam, eles finalmente encontraram uma ilha. Os homens entraram em pequenos barcos e seguiram até a costa. Foi então que a criatura apareceu.
Ajassasa possuía uma quantidade tão grande de pelos que seu corpo parecia não ter frente nem costas. Ela falava, mas não explicou o que era. Apenas ordenou que os viajantes procurassem um homem que os aguardava em um edifício parecido com um mosteiro.
Talvez fosse uma pessoa deformada ou um animal desconhecido, mas a própria tripulação suspeitou que pudesse estar diante de algo demoníaco. Mesmo assim, isolados e precisando entender onde haviam chegado, seguiram as instruções da criatura. Dentro do mosteiro encontraram o maior homem que já tinham visto.
Suas mãos estavam presas ao pescoço. Correntes de ferro ligavam suas pernas dos joelhos aos tornozelos. E, em vez de pedir ajuda, o gigante começou a interrogá-los.
Queria saber se as palmeiras de Baisã ainda davam frutos, [música] se o lago de Tiberiades ainda possuía água, se a fonte de Zugar ainda irrigava plantações. Depois perguntou sobre um profeta que havia deixado Meca e se estabelecido em Medina. Quando os viajantes responderam, finalmente o prisioneiro revelou sua identidade.
Ele afirmou ser o Dajal, o falso Messias da escatologia islâmica. disse que aguardava permissão para sair e que quando isso acontecesse, atravessaria todas as cidades durante 40 noites, exceto Meca e Medina, protegida por anjos. A criatura peluda não era o verdadeiro prisioneiro naquela ilha.
Ela parecia ser a mensageira de Dajal, aquela que encontrava visitantes e os levava até ele. Tamim conseguiu retornar e contou sobre um encontro ao profeta Maomé. A Aljassa não aparece no Alcorão.
Ela pertence ao chamado Radit de Aljassasa, [música] registrado no Sarrimuslin. Seu nome está ligado a ideia de investigar ou espionar, o que combina com o seu papel de conduzir informações e visitantes ao Dajau. O Dajal não é apenas uma criatura monstruosa.
Ele é descrito como um homem cego de um olho com a palavra incrédulo marcada entre os olhos. Seu verdadeiro poder seria a mentira. O Daja é a figura do falso Messias ou anticristo na escatologia islâmica.
Considerado o maior enganador da história, sua chegada é um dos grandes sinais do fim dos tempos, período em que ele se passará pelo Messias para desviar a humanidade. Ele apresentaria algo semelhante ao paraíso e ao inferno, mas aquilo que chamasse de paraíso seria, na verdade destruição. Sua provação duraria 40 dias.
Ele produziria chuva, colheitas [música] e acontecimentos interpretados como milagres, convencendo multidões de que controlava a própria realidade. [música] Apenas Meca e Medina permaneceriam protegidas de sua entrada. O Dajal não aparece pelo nome no Alcorão.
Sua história vem principalmente dos radites e ocupa um papel central na escatologia islâmica. Para muitos muçulmanos, ele será um indivíduo real que surgirá antes do juízo final. Outras interpretações enxergam sua imagem como um símbolo do engano, da corrupção espiritual e do poder usado para enganar.
O desfecho da história afirma que Jesus, chamado Isa no Islã, retornará, perseguirá o Dajal e o matará no portão de Lud. Iju e Maju, conhecidos no ocidente como Gog e Magog, são duas tribos citadas na escatologia islâmica, no Alcorão e na Bíblia, descritas como um povo destrutivo e numeroso. A tradição islâmica relata que eles foram isolados por uma barreira intransponível erguida por Du Carnai.
E sua libertação é um dos grandes sinais do fim dos tempos. Nos últimos dias do mundo, depois da derrota do Dajal, sobreviventes estarão refugiados no Monte Thor, quando uma multidão impossível de combater descerá por todas as encostas. Eles serão tão numerosos que beberão todos os lagos e rios.
Vão aterrorizar a humanidade e disparar flechas para o céu em um ato de extrema arrogância. Nem mesmo Isa e seus seguidores conseguirão combatê-los. Eles buscarão refúgio nas montanhas, enquanto Iju e Maju dominarão a terra.
A morte do exército inteiro ocorrerá por intervenção divina, quando uma praga de vermes atacará o pescoço das criaturas, matando todas ao mesmo tempo. O perigo terminará, mas a terra ficará tomada pelos corpos e pelo odor da decomposição. A tradição diz que aves os carregarão para longe e uma chuva intensa limpará o solo.
Segundo Alcorão, no instante em que Adão foi criado, todos receberam uma ordem: prostrar-se diante dele. Todos obedeceram, exceto Iblis. E aquela única recusa não terminou apenas com uma expulsão.
Ela teria iniciado uma guerra silenciosa contra toda a humanidade. Quando foi questionado, ele revelou o motivo. Iblis se considerava superior.
Ele havia sido criado do fogo e Adão do barro. Para Iblis, curvar-se diante de uma criatura feita de matéria aparentemente inferior era inaceitável. Sua queda não teria começado por ignorância, mas por orgulho.
Como consequência, Iblis foi afastado e condenado. Porém, em vez de pedir perdão, ele fez um pedido diferente. Ele queria tempo.
Pediu que sua punição fosse adiada até o dia da ressurreição e o pedido foi concedido. Foi então que sua verdadeira intenção apareceu. Iblis prometeu perseguir os descendentes de Adão, tornando o erro atraente e desviando todos aqueles que conseguissem alcançar.
Ele não pretendia destruir a humanidade com força física. Pretendia fazê-la escolher a própria queda através de decisões erradas. Mas haviam, porém, os virtuosos não estariam sob seu domínio.
Iblis poderia sugerir, provocar e enganar, não obrigar. Iblis costuma ser comparado ao diabo cristão, mas as tradições não são idênticas. A confusão sobre ele ser um anjo caído surge porque a ordem foi dirigida aos anjos e Iblis aparece entre eles.
[música] Porém, o próprio Alcorão afirma que ele pertencia aos Jein. Na surata Enas, o mal aparece como um sussurrador que atua no interior humano. Isso transforma Iblis em algo mais assustador do que um monstro visível.
Ele representa a sugestão que se esconde atrás do orgulho, da inveja e da mentira. Em antigos manuscritos ocultistas, um praticante não tentava chamar apenas um di. Diante dele existiam sete nomes, sete dias e sete forças invisíveis.
E escolher o nome errado significava pedir algo a outro soberano. Os Sete Reis Dois jeans são entidades poderosas do folclore e da demonologia islâmica, associados aos dias da semana, planetas e elementos. Eles governam grandes hostes de espíritos e frequentemente aparecem em textos mágicos e grimórios, como Shamz Almarif e o Kitabe Albuhan.
Nesses textos, o mundo invisível era organizado como uma corte. Cada rei estaria ligado a um dia da semana e consequentemente a um dos sete astros conhecidos [música] pela astrologia antiga. A versão mais conhecida dessa lista de reis começa com Almud Ribado ao domingo e ao sol.
Depois vem Murá ligado à segunda-feira e a lua. Ao amar governa a terça e Marte. Barcan aparece na quarta sobúrio.
Chamuriz é associado à quinta e a Júpiter. Na sexta surge a abbiad, embora algumas versões coloquem aunu em seu lugar ligado a Vênus. Por fim, Maimum governa o sábado e Saturno.
Muitos dos reis Jeans e seus generais foram aprisionados pelo rei Salomão, que usou um anel mágico para aprisionar os espíritos rebeldes e malignos em lâmpadas, cavernas e no fundo do oceano. De acordo com textos de magia, nos dias que antecedem o fim do mundo, essas prisões místicas serão quebradas. Os grandes exércitos invisíveis governados por reis como Maimum e Alamar emergirão para espalhar [música] o caos, enganar a humanidade e testar a fé dos vivos antes do apocalipse.
O dajal usará ativamente o poder dos jeins para enganar a humanidade. Os reis e tribos de jeans que escolheram o caminho da rebeldia e da magia negra se colocarão sob comando do dau. Eles usarão suas habilidades de metamorfose para assumir a forma de parentes mortos das pessoas, persuadindo os humanos de que o Dajal é realmente Deus e acelerando a corrupção total da Terra.
Quando o anjo Rafael tocar a primeira trombeta do apocalipse, toda a vida sensiente no universo morrerá instantaneamente. E embora os reis Din vivam por milhares de anos, eles são mortais. Almudibe, Abiad, [música] Aamar, Barcã, Chamures, Zaahrá e Maimu [música] cairão mortos no mesmo segundo e seus reinos invisíveis serão completamente desintegrados junto com as estrelas e planetas que eles governam.
Ao som da segunda trombeta, toda a criação é ressuscitada para o dia do julgamento. Os sete reis jeans e seus bilhões de súditos serão arrancados de suas cinzas espirituais e forçados a se apresentar diante do trono divino, sem poder usar magias ou disfarces. Os reis gens benevolentes, como chamurés e aabiad serão absolvidos.
Eles e seus súditos fiéis entrarão no paraíso, vivendo a paz eterna. Já os reis associados à destruição, corrupção e alta feitiçaria, especialmente Maimum e Aamar, serão condenados por liderar a humanidade ao erro. Suas coroas serão destruídas e eles se tornarão literalmente o combustível do fogo do inferno, queimando eternamente junto com os demônios, o Shayatim.
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Muito obrigada por assistir e até o próximo caso sinistro. M.