As narrativas compartilhadas têm o prazer de continuar ouvindo Silvana Gabaldo, que agora vai falar um pouco mais a respeito da experiência dela atual na educação. Fique à vontade, Silvana. Bom, então é essa vivência de um diverso, do curto, diversos públicos: os alunos, o que eles trazem de bagagem, de experiência de vida, é muito enriquecedor.
Eu percebo também que os alunos gostam de ser ouvidos, né? Isso aproxima muito a gente. Às vezes, a gente fica sabendo de um problema familiar, de problema lá no bairro.
A professora, eu moro lá na zona norte, quando eu pego é o tal tráfico, né? E eu gosto de ouvir muito as vitórias que eles têm, porque às vezes isso ajuda também a mudar a cultura da gente. Então, a minha formação em Letras, por exemplo, de texto interpretação, acaba colaborando muito.
Depois de cinco anos que eu estava usando as notícias superiores, eu resolvi entrar em um doutorado para continuar estudando extensão. Hoje, estou estudando extensão com viés comunitário, porque a Uniso é uma instituição comunitária. Agora eu quero saber como as outras instituições trabalham, como elas conceituam, como elas colocam em prática.
É válido ressaltar que a extensão faz parte desse tripé: ensino, pesquisa e extensão, e a extensão é a nossa via de mão dupla com a comunidade. Então, a gente tem o nosso saber acadêmico; o nosso aluno vai para a comunidade e troca experiências com o saber local, porque nós não somos os detentores do saber, e a comunidade vem com essa troca. A gente leva o saber acadêmico e vai aprender o saber popular e, nessa troca, muitas vezes a gente traz de volta esse saber da comunidade para virar pesquisa.
Por isso, que falamos muito desse tripé ensino-pesquisa-extensão, que é tão importante na universidade. Aqui, nós temos nossos projetos, as nossas atividades. É um trabalho de mão dupla, essa é a proximidade da comunidade, seja ela aqui ao redor ou em outra cidade.
Quero saber como as outras instituições fazem isso, quais projetos similares elas têm, como elas funcionam, como se aquecem. Então, é um assunto que eu gosto muito, porque é o trabalho que desenvolvo na Pró-Reitoria. Já faz uns 15 anos que trabalho com a escrita, fui mordida pelo bichinho da extensão universitária, que eu acredito muito.
Nesse período, estive junto com vários pró-reitores. Estive com o professor José Martin, que é o pró-reitor atual; tive o professor Fernando, que já foi nosso reitor e hoje é pró-reitor; e iniciei com o professor Flaviano Lima, que na época era o pró-reitor. Então, estou há 15 anos trabalhando no que realmente acredito, mas quero me aprofundar.
Gosto muito desse assunto e resolvi, então, fazer o doutorado. Minha pesquisa é sobre essa questão da extensão com viés comunitário; está em andamento, ainda estou lendo e escrevendo. Não sei a conclusão que vou chegar.
Gosto muito de estudar e, por estar já nesta área, quase oito anos na docência, falei: "não, acho legal, então eu complico cumprir mais esse ciclo da carreira docente". Paralelamente, desde 2017, estou desenvolvendo um projeto com a professora Ana Paula Germano, que é um projeto institucional, também chamado "Construindo o Futuro". Em que consiste?
Eu e mais um outro professor, temos duas professoras também de Língua Portuguesa, a professora Bianca e a professora Daniele. Nós ministramos aulas de português e um professor de matemática para alunos da escola pública. Formamos turmas durante a semana e aos sábados.
Qual é o nosso foco? Redação! Aí a gente percebe que vem ao longo de todo o tipo de escola, que o professor só falta, vem sem pagar, e a gente tem que fazer das tripas coração, como diz um ditado popular, para dar conta, porque às vezes eles chegam não sabendo que a palavra "menos" não existe!
É assim, uma rica experiência também. Eu sempre falo com a professora Ana Paula que a gente precisa escrever um artigo sobre isso, né? Porque temos uma visão de como usar nosso ensino.
É muito triste, na verdade, porque eu me remeto lá para o meu ensino médio e básico e vejo que nunca deveria ter sido assim. Eu tive professores comprometidos e tal, então a gente vai às vezes dedicando uma semana toda na graduação ao trabalho e vai lá dar um pouco de si, e o retorno é muito bom, é um retorno de gratidão, de interesse. É uma experiência muito rica.
Percebo que, hoje, tendo uma carreira docente, mas nunca deixando isso de lado, paralelamente a tudo isso, sempre tive meu cargo administrativo, que eu sempre gostei, tanto que saí para vir para aqui. Estou há 27 anos e 25 anos com carteira assinada, como dizia meu pai, que precisava ter carteira assinada quando éramos pequenos. Tudo isso foi importante pela vivência universitária.
Em sala de aula, né? Por algum motivo, seja ele pessoal ou não, o que me confortava, o que me alegrava, o que talvez me inspirava, era que eu estava no ambiente de escola, né? Um ambiente onde tem aluno e professor.
Então, por isso que eu sempre guardei lá. Não, eu ainda. .
. você gostou? Eu ainda.
. . ou ministrar a aula, né?
Então, assim, eu sempre quis ser professora, né? Então, a minha carreira é docente. Então, os meus alunos mesmo, de vez em quando, eles perguntam: "Professora, a senhora não advoga?
" Não, e até o momento eu não pensei nisso. Não digo que nunca vou; a gente não sabe, né? Mas eu falo: "Minha carreira é docente, né?
" Eu gosto de ser professora, eu gosto de corrigir. E isso, eu até falo: "Credo, que o terceiro faz, tem tanta coisa mais legal! " Falo: "Não, eu gosto de corrigir, eu adoro corrigir português, no texto, ver, né?
" Então, foi assim que fui me construindo, né? E ele sempre assim, cada atividade, cada momento, cada resposta positiva que eu tenho, ou um aluno que passa depois, na ordem, ou passo em algum lugar e pega, lembra: "Professora, eu passei, né? " Ou até mesmo construindo.
. . A gente está tendo a experiência de alunos passando em outras faculdades, inclusive federais, e eles dão um retorno que diverte para a gente, né?
Falam: "Nossa, eu marquei alguma coisa na vida. " Da mesma forma que eu tive os professores, né? Que marcaram a minha história, a minha vida, a decisão da minha profissão, né?
Eu também, de repente, estou fazendo parte de algumas, né? E isso para a vida acadêmica não tem preço, porque eu acho que esse papel é o papel de se envolver com a história. Porque eu acho que é fácil chegar, passar o conteúdo, fazer a sua chamada, aplicar essa prova.
Eu não consigo ser essa professora que não cria vínculos; eu gosto de criar vínculo, né? Então, eu tenho uma resposta assim positiva e satisfatória. Até o momento, assim, eu posso dizer que eu sou feliz com o que eu desenvolvo no momento.
É sim muito bom, a gente percebe, né? Você apaixonado pelo que faz, né? E bastante realizado, porque aquele sonho dos 10 anos de idade, né?
Você continua alimentando, né? Essa alegria, essa beleza e toda aquela fantasia das histórias que você lia e também a realidade que está presente, né? Com certeza.
Deixa eu te perguntar uma coisinha mais em relação aos cursos que você fez aqui dentro da universidade. Você falou que logo que você entrou já foi bolsa, né? Que você conseguiu.
. . Isso é quando eu entrei para fazer Letras, era a bolsa da instituição, então a gente trabalhava quatro horas e não recebia o boleto em casa.
É uma troca, né? Depois virou estágio do CIEE, né? Que até hoje é verdade, até hoje sou estagiária.
E aí, logo em seguida. . .
Então, em Letras, eu já tinha. . .
Vou dormir, sua fundação, a fundação e depois. . .
Você e a fundação. E aí, quando eu entrei para fazer Direito, por ser funcionária, eu tinha direito a bolsa, né? Para estudar e fazer mais um curso de graduação.
Aí, o que eu fiz? Eu fui fazer Direito, assim. Aí, o meu contrato, né?
Disponibilizavam também uma pós-graduação. Sim, mas eu não fiz lato sensu em nenhum momento porque eu nunca me identifiquei assim: "Ah, eu quero fazer esse. " Né?
Então, eu fui direto para o mestrado, com a bolsa também. Aí, depois, como eu virei docente, né? O que é o contrato, preparado.
Assim, aí o doutorado eu faço pela bolsa também. Então, alguns são, né? Aula, tudo que é Uniso, me funcionou.
Eu estou aproveitando. Até recentemente, um post meu no Facebook, né? Comemorando os meus 25 anos.
Eu até coloquei que o mês do mês me abriu as portas duas vezes, né? Me abriu para o técnico-administrativo e para vocês, né? E sempre, nenhum parou com tudo isso.
Você é um grande exemplo, né? Daquilo que a fundação de uma guia, de mantenedora da Universidade de Sorocaba e do Colégio Aguirre, né? Realiza, né?
Ele transforma, né? E possibilita. Então, é essa a extensão, né?
Ser uma universidade comunitária. E você é um grande exemplo, então, de estudo. Você foi sempre uma pessoa que até lógi.
. . funcionária e professora exemplar.
E isso tudo. . .
né? Eu e o chão, é muito bonito, né? Ver, né?
A nossa gratidão, né? Não até porque eu também sou muito grato à Fundação de uma Nivel, Universidade de Sorocaba. E você é um exemplo de que quem é, né?
Paz, né? Então, também realiza. E assim, é bem curioso que quando eu ia para o teu.
. . eu descia no circular, né?
No ônibus, toda manhã, e por volta de 5h45, sempre passando em frente ao colégio. Aí eu sabia que lá tinha faculdade. Uma hora, eu ia terminar uma gestão.
E eu sempre sentava: "Será que um dia eu vou poder estudar aqui? " Todas as manhãs eu estava, né? Porque a, as pessoas, né?
E sempre: "Será que um dia eu vou poder estudar aqui? " Aí, depois, né? Foi tão.
. . é tão surpreendente tudo que eu estou, né?
Olá, tudo bem? Aqui eu trabalho, meu filho estuda no colégio, né? Então, assim, é questão de sonho, é questão de ter fé, né?
Questão de traçar um objetivo e o que passar na sua frente, é você agarrar a oportunidade. E lembrando que se transforma em realidade, mas através de luta, né? Não é a casa do céu; ele não cai, né?
E assim, para mim, mesmo a palavra é gratidão. Às vezes a gente fala que o trabalho é a segunda família da gente, né? Eu acho, eu separo a família como sangue, né?
E formo uma primeiro família por outros laços. Então, eu acho que às vezes o trabalho, a vida que você constrói, principalmente a minha. .
. Que são quase três décadas, né? Eu acho que cada um tá no seu primeiro lugar ali, com características diferentes, né?
Eu passo mais tempo aqui porque na minha casa sempre passei, porque tem que estudar, né? Foram agora para finalizar, você fala o que você quiser. Dizer assim é a senhora que dá, bate uma coisinha de tristeza, porque fala: "Olha quantos anos se passaram, né?
" Eu já, eu já fiquei mais velha. Não vamos falar de experiência, mas dá uma saudade daquela época, é um tempo que não volta, né? Às vezes, que a gente pudesse voltar, mas a gente sabe que o tempo não volta para ninguém.
Só que quando o senhor pensa que eu vou ficar triste, né, por essa questão do envelhecimento e tal, mas eu falo assim: "Olha, mas eu tenho uma história para contar, né? Eu tenho uma história para contar para o meu filho". Preciso, né?
Eu tenho um agradecimento a fazer aos meus pais que saíram da cidade pequena para ver, foi uma cidade maior para os filhos estudarem. No entanto, eu com o meu irmão, a gente obedeceu, vamos dizer assim. Meu irmão também já é doutor, né?
Ele também é produtor aqui, bom. Então, os meus pais eu acredito também que ficam assim: "Você tem missão cumprida, né? " Os que saíram da cidade pequena, da cidade rural, praticamente.
E aí a gente veio para cá e todos aproveitaram as oportunidades, né? Batalhar e eu só agradeço a Deus por isso, a todas as pessoas que cruzaram o meu caminho, as pessoas, né? Em especial, por exemplo, em um momento, o senhor, né?
Que mostrou ali que com certeza despertou em mim esse desejo pela docência, é porque eu vi, eu tive bons professores que faziam com amor e, né, eu tive muitos bons exemplos para eu seguir essa carreira. Então, só tenho a agradecer e "Deus lhe pague", tá? Muito obrigado.
Obrigado por ter carregado material com 10 anos de idade, gostou? E para ter uma pagadora própria, apagado à lusa, esse fusquinha aí que você escreveu entregar? Meu netinho leu, né?
Seis anos, por sete anos, né? Nós lemos, aí nós fotografamos na sequência, duplas guardadinhos também, tá? Obrigado por todo esse carinho, tá?
Que sempre você fez e por toda a ajuda que você me deu, né? Desde que você entrou, sempre me ajudou em muitas coisas. Que Deus abençoe você.
Muito obrigado mesmo, tá? Deus te abençoe, nós todos. E eu que agradeço a oportunidade e, precisando, nós estamos aí para quem sabe iluminar outros caminhos, né?
Porque hoje em dia você tem uma carreira que ninguém fala muito de ter, é, mas precisa atender, né? Ah, tá? Chama, e a gente precisa mostrar que legal.
Às vezes tem esses. . .
vamos acreditar sempre na nossa profissão, é realmente maravilhosa. E sabemos da dificuldade, né? Principalmente no início, mas tem que acreditar e auxiliar no processo de ajudar um pouco mais a humanidade, né?
E são essas coisas que fazem acontecer. Coisas boas que ficam. Desenho, é legal você ter uma memória boa para guardar e contar, né?
Ontem, quando eu comecei a escrever, ainda que de forma bem sucinta, eu falei: "Nossa, o que vocês estão fazendo agora? ". Contar sua vida linda, multiplicar narrativas compartilhadas.
Agradece à Silvana, não é? E até a próxima entrevista. Muito obrigado.