ah ah o problema é essa família desestruturada Olá eu sou o Ana Maria pincolini e esse as suas conversas Olá pessoal das suas conversas tudo bem com vocês hoje a gente vai desconstruir a expressão família desestruturada quem já foi meu aluno na graduação em psicologia ou em Direito deve ter um pouquinho de trauma com isso porque vai lembrar que cada vez que a pessoa escrevia isso na prova perdeu um ponto e às vezes a pessoa não escrevessem família desestruturada mas ela escreve algo do tipo nosso trabalho é no sentido de reestruturar a família hora você
só reestrutura aquilo que está desestruturado não é mesmo então às vezes a pessoa até se cuidava para não escrever o dito família desestruturada mas escrever lá reestruturação familiar reestruturar a família perdiam pontos também logicamente né mas não se aprofundar um pouquinho esse a e a política nacional de assistência social a pena é se reconhece como legítimos todos os arranjos familiares Aliás a gente já falou sobre isso aqui nas suas conversas eu vou deixar um vídeo aqui no card sobre matricialidade sócio-familiar e foi me livro claro que Nem tudo são flores as famílias elas são ao
mesmo tempo espaço de proteção espaço de afeto espaço de construção da identidade Mas elas também são cenários de conflitos cenários de vulnerabilidades existem famílias que por uma série de fatores vivenciou uma realidade que compromete a sua capacidade de proteger os seus membros e muitas vezes elas não tem o suporte necessário por parte do Estado Mas isso é bem diferente de taxar as famílias de desestruturar as Então vamos ver como essa ideia da família desestruturada foi sendo utilizado ao longo da história recente do nosso país mas antes disso eu convido você curtir esse vídeo porque isso
faz com que o YouTube o vídeo para mais pessoas e também se inscrever aqui no nosso canal e ativar o sininho que são as notificações para quando tem vídeo novo você será informado nos anos 1930 em plena Era Vargas e ainda sobre as influências das teorias e genes estas do século 19 foram colocadas em prática duas grandes campanhas pelo estado brasileiro a primeira campanha era a construção do conceito de trabalhadores do Brasil isso foi feito através da legislação trabalhista da consolidação das leis do trabalho a CLT EA gente já tem vídeo que trata desse assunto
que eu vou deixar aqui no card para você conferir também nesse vídeo a gente vai se de ter Justamente na segunda dessas campanhas que a construção da família brasileira essa família brasileira vai ser pensada nos moldes da família tradicional burguesa ou família nuclear burguesa que é aquela família Doriana o pai a mãe e os filhos e esse casal preferencialmente e no religioso isso afetou inclusive o presidente EA sua esposa Darcy Vargas e Getúlio Vargas eram casados somente no civil em 1934 casaram-se também no religioso o casamento de Darci e de Getúlio Vargas teve grande representação
política tendo em vista o modelo de família que se queria construir no Imaginário social a exposição da esposa pelo governante da entender aquilo que ele é no espaço privado bom pai e bom marido a família tradicional burguesa tem papéis bem rígidos em relação ao que é função do homem e o que é função da mulher claro que esse modelo de família já existia antes vamos pensar nas elites agrárias no modelo da família patriarcal o modelo de família patriarcal Rural que vem desde o período colonial o Senhor ele era o chefe Supremo daquela propriedade e todos
deviam obediência a ele a esposa os filhos dos escravos na época da bom então as famílias das oligarquias Rurais do início do século 20 Elas têm essa herança das famílias patriarcais própria família Darcy Vargas conta-se que o pai de Darcy Vargas se preocupou porque a filha gostava muito de estudar e para que tanto estudar se afinal de contas para uma mulher era suficiente saber bordar saber cozinhar a missão de vida da mulher era ser boa esposa e boa mãe cuidar dos filhos e cuidar do marido e da casa só que nas camadas populares nas mesmas
décadas do início do século 20 existiam outros arranjos familiares existia muitas famílias monoparentais compostas enfim de trabalhadoras urbanas lavadeiras faxineiras e seus filhos então havia uma diversidade maior de núcleos familiares nas camadas populares esse tentou incutir o imprimir esse modelo de família tradicional burguesa para as camadas populares como o homem no papel de provar é o chefe da família EA mulher no papel de mãe serosa de esposa a rainha do laço para o homem o espaço público para mulher o espaço de dentro de casa os discursos governamentais deixam Claro o desejo de infundir esse modelo
de família e por falar em discursos eu vou ler um trecho do discurso do Ministro da Educação do governo Vargas de 1937 esse discurso é de Gustavo Capanema a família constituída pelo casamento indissolúvel é a base da nossa organização social e por isso colocada sob proteção especial do Estado hora é a mulher que funda e conserva a família como é também por suas mãos que a família se destrói ao estado pois compete na educação que ele é ministra prepará-la conscientemente para essa grave emissão vejam no modelo da família tradicional burguesa que se quer com é
um controle sobre o feminino sobre a mulher se do seu corpo sobre a sua educação Então as famílias que fogem a esse modelo tradicional Unido Pelo Casamento do homem da mulher e dos filhos elas são as famílias desestruturadas as a imposição desse modelo aos pobres teve um enfoque moralizante e disciplinador como a gente vê nos artigos de fundação do Conselho Nacional de serviço social cnss em 1938 artigo 1º o serviço social tem por objetivo a utilização das obras mantidas Pelos poderes públicos quer pelas entidades privadas para o fim de diminuir ou suprimir as deficiências ou
Sofrimentos causados pela pobreza ou pela miséria oriundas de qualquer outra forma de desajustamento social e de reconduzir tanto o indivíduo como a família da medida do possível a um nível satisfatório a assistência no meio em que habitam Vejam o artigo 4º compete ao Conselho Nacional de serviço social a promover inquéritos e pesquisas relativamente ao gênero de vida de todas as categorias de pessoas e famílias em situação de pobreza ou miséria ou por outra qualquer forma socialmente desajustado nota em nessa linguagem a patologização da pobreza EA tentativa de normalizar famílias tidas como socialmente desajustados à redação
desse Decreto que criou o Conselho Nacional de serviço social reflete perfeitamente o pensamento das elites enfim e dos governos do Governo da época de infundir esse modelo da família tradicional burguesa a culpa pela pobreza e pela vulnerabilidade era imputada as famílias e os seus desajustes sociais isso mostra o grande esforço das autoridades da época de conduzir a família das classes populares para esse modelo e todas as a milhas que não eram Unidas pelo casamento que eram amasiados entre "ou que era composta de mãe solteira enfim elas eram consideradas desestruturadas as a Silvia Harém na sua
maravilhosa a tese de doutorado de 2005 cujo link eu vou deixar aqui embaixo na descrição desse vídeo traça um paralelo muito interessante dos anos 1930 é onde a gente consegue ver essa questão das famílias desestruturadas a tese é sobre os filhos de criação os autos de abandono de menor entre aspas na época estava vigente o código de menores que a gente consegue ver o quanto muito desses projetos não se conseguiram colocar em prática por exemplo a dificuldade que os homens tinham os homens pobres para ocupar esse lugar de provedor esse lugar de sustentar a família
nem sempre esse homem conseguia por uma série de questões ocupar esse lugar ainda mais em uma época e estimulados pela própria igreja enfim a ter mais filhos e que não haviam acesso que existe hoje a métodos contraceptivos e nem um a compreensão o entendimento disso então na época era comum os homens fugirem do casamento alguns deles principalmente homens pobres como o diabo foge da Cruz da mesma forma as mulheres que não conseguiam sozinhas dar conta dos seus filhos e eram mães solteiras Muitas delas recorriam ao Juizado de Menores pedindo que o juiz declarará Se os
seus filhos como abandonados como elas eram julgadas por serem mães solteiras que Muitas delas contavam que eram viúvas ou seu marido foi embora e desapareceu o que elas foram iludidas por um galanteador em foram Don Juan E essas mulheres elas então pediram para que o juiz declarar-se os seus filhos enquanto abandonados esses filhos passavam a ser criados por Guardiões ou em abrigos é interessante que boa parte dos abandonar as crianças e adolescentes tidas como abandonadas ali nos anos 1930 ou como órfãos entre aspas não são nem órfãos e nem abandonados são crianças oriundas das camadas
populares cujas famílias não tinham condições e precisavam recorrer a esse expediente outras vezes não eram as mulheres que iam até os juizados de menores Pedir para que o seu filho fosse declarado abandonado muitas vezes eram os Comissários de vigilância que eram funcionários enfim do juizado e que recebiam denúncias de que naquela rua havia uma criança um adolescente que tava na rua circulando ou que a família não era um bom exemplo em termos de moral e de bons costumes reparem que ninguém perguntava para essa mãe para essa família porque ela precisava para dar conta das necessidades
dos seus filhos ou quando ela chegava até o Juizado pedindo para declarar o seu filho como abandonado porque ela não tinha condições de criá-lo não se tinha ideia é bom então vamos dar um suporte vamos ver o que que é e não simplesmente a condição de pobreza é imputada como culpa daquela pessoa ou daquela família e o que se tinha para fazer afastar essa criança da sua família e colocar essa criança sob a guarda ou de um abrigo ou para permanecer com O Guardião Em 1941 Presidente Vargas assinou o Decreto Lei 3200/41 o estatuto da
família ali também estavam se tratando as bases para o que viria a ser o primeiro da mesmo com a criação da legião Brasileira de assistência à RBA em 1942 com a primeira-dama Darcy Vargas à frente da instituição a gente tem um vídeo aqui no suas conversas aliás sobre o primeiro damismo vou deixar aqui no card a história social das famílias revela obstáculos secularmente enfrentados por esse grupo para assegurar a proteção aos seus membros como resposta a esses obstáculos o estado teve duas posturas ou infunde modelos paternalistas moralizadores e normativos para as famílias com e como
incapazes ou e pela via do familismo e considerar que tudo é culpa da família o grupo familiar pode ou não ser capaz de desempenhar algumas funções básicas em especial as funções protetivas Mas isso não tem a ver com o modelo ideal de família ou com a sua composição e sem da relação que essa família estabelece com a sociedade com o mercado com o estado o quanto que é essa família tem ou não tem direitos de cidadania acesso a políticas públicas acesso a direitos sociais nas diversidades que as famílias vivenciam não podem ser utilizados para desqualificar
o importante papel que elas têm na vida dos seus membros ao contrário a gente precisa compreender que as famílias vivenciam as consequências do contexto sócio-econômico que elas enfrentam e que elas refletem o quadro de desigualdade social e de violência que existem nos territórios em resumo eu consiga cuidar ela precisa primeiro ser cuidado quando a gente utiliza o termo família desestruturada a gente tá dizendo que essa família não se encaixa em um dado padrão considerado o ideal de família como se houvesse famílias cujo cuja composição cujo modelo fosse melhor do que os outros o que a
gente sabe hoje que não importa muito a família pode assumir muitas formas todas elas são reconhecidas todas elas são família há muitos jeitos de ser uma família se você gostou desse vídeo se você gosta do nosso conteúdo aqui no suas conversas comente curta compartilhe esse vídeo e não se esqueça de inscrever-se aqui no canal e de ativar o Sininho para receber as notificações esse avisado toda vez que a gente tem vídeo novo por aqui a gente se vê na próxima conversa e não esqueça essas conversas também são suas tchau