Deixa eu ver a pergunta do Marcos Correia. Marcos, acho que a minha opinião, eu coloquei em outras lives aqui. Eu vou resgatar um pouquinho do que eu coloquei para responder diretamente à sua pergunta.
A minha visão é que, para a média das pessoas, sempre que estou falando em uma live aqui, eu estou em uma parceria com um banco de investimento, eu tenho que entender que as pessoas que chegam aqui são dos perfis mais variados possíveis, um público extremamente heterogêneo, então eu passo uma recomendação que serve para o público heterogêneo. Então minha recomendação é: invista de forma diversificada, normalmente, com uma carteira balanceada em que você tem uma parte da carteira em renda fixa, uma parte em renda variável. Alguns vão criticar: "Mas renda fixa não está rendendo pouco?
" Ela está rendendo pouco como sempre rendeu. A renda fixa tinha números interessantes, mas a inflação também era alta, a ineficiência era grande, então a gente continua tendo algum rendimento na renda fixa, mas é uma distribuição para que você tenha uma certa blindagem contra os excessos de volatilidade do mercado. Essa carteira balanceada vai te entregar, provavelmente, um ganho acima da renda fixa.
Quanto mais conservador o seu perfil, menor será essa diferença acima da renda fixa. Quanto mais agressivo o seu perfil, mais você começa a encontrar diferenciais, desde que aproveite as técnicas que são colocadas à disposição. Você tem uma carteira diversificada, você procura manter sua carteira dentro daquele patamar.
Se a renda variável valorizou demais, você colhe um certo excesso, coloca em renda fixa, para que no momento de queda você tira o excesso da renda fixa e compre a renda variável. Então você vai administrando um volume de dinheiro que, dentro de uma faixa te dá uma certa previsibilidade. A sua pergunta, Marcos, se eu acredito que o mercado de ações pode ser uma boa opção para uma carteira previdenciária.
Se você, já com alguma experiência em entender essas oscilações que o mercado tem ao longo do tempo, entender que há horas que ficam um pouco mais evidente que é melhor para comprar e há horas que fica mais evidente que você tem que avaliar a possibilidade de vender ou de não comprar. Se você se envolve com o mercado, acompanha as suas empresas de perto, ao perceber que uma empresa está valorizando muito, começa a entender alternativas para direcionar ou um excesso de ganhos, ou para travar eventuais perdas que uma correção pode trazer, você pode, sim, montar uma carteira previdenciária com base em ações. A gente vive um momento de um certo otimismo no mercado porque simplesmente passamos um longo período de pessimismo.
Não é nada a ver com governo, nada a ver com eu estar falando em parceria com banco de investimento, nada a ver com o número de influenciadores e o mercado ter crescido muito, influenciadores em educação financeira. O fato é que nós vivemos uma crise de 5 anos. Chega uma hora que não tem muito espaço para cair.
Fala-se muito dessa recessão internacional que, acredito eu, sim, pode afetar o Brasil, mas menos o Brasil do que países que passaram por otimismo muito maior nos últimos anos. A gente tem muito mais espaço para crescer do que para perder. Ou para ganhar do que para perder no mercado de renda variável.
E nesse momento, há uma tendência das pessoas entenderem que toda oportunidade está na renda variável e, de repente, começa a direcionar todo o seu capital para lá, mas sem o devido preparo de entender que você tem que diversificar, tem que ter uma proteção na sua carteira com correlações negativas, que tem que começar a entender de derivativos para começar a colocar algumas travas na sua carteira, com pequeno custo. É como ter um carro de luxo e pagar um seguro. Se eu tenho um carro que chama mais atenção, vou ter que pagar um seguro mais caro.
Se eu tenho uma carteira mais concentrada em ativos de risco, eu vou ter que gastar um pouco mais com seguro, acionando algumas proteções, seja comprando papéis nos quais não acredito tanto, mas que me dão alguma proteção caso meus principais papéis percam, seja eu mantendo só a carteira de papéis que eu acredito, mas tendo também um conjunto de derivativos, de opções de compra e venda que me deem proteção no caso de uma correção de preço. Isso é necessário. Então, Marcos, se você está montando uma carteira de ações diversificada, com técnicas de proteção, com seu envolvimento no mercado e cultivando com força, com vontade, uma tranquilidade que você tem que ter para investir no mercado, se você não fica nervoso, não tem palpitações no dia que a Bolsa cai 7%, 8%, você, sim, terá uma ótima carteira previdenciária, acredito eu, melhor do que a que você teria em um fundo de previdência arrojado, somente investindo em fundos de ações, enfim.
Como fruto do seu trabalho você terá resultados mais interessantes. Perceba, Marcos, quando você fala de carteira previdenciária, você está pensando em renda futura. Renda futura, você quer comprar ativos que talvez gere uma renda automática para você.
Uma boa sugestão: uma carteira de ativos que paguem bons dividendos. Uma outra sugestão: uma combinação de ativos que paguem bons dividendos com ativos que você vá vender no futuro, com, talvez, fundos imobiliários. E pensando em carteira previdenciária, todo cenário de crise, todo cenário de perda, tem que ser comemorado por você.
Você pagou um certo valor pelos seus ativos lá atrás, em um cenário de crise há uma tendência dos preços dos ativos perderem mais do que o desempenho que esses ativos tendem a ter. Se uma empresa gera lucros, os lucros caem da ordem de quanto? Enfim, no longo prazo, podem cair 5%, 8%, 10%, e às vezes você tem um papel caindo mais do que isso no curto prazo por efeito manada.
Então, aquele que pensa em uma carteira previdenciária, fica mais animado, alvoroçado, quando vê a oportunidade de comprar mais por um preço inferior. É por isso até que uma carteira sempre tem que ter um pouco de renda variável para você estar preparado para uma próxima crise, para uma próxima compra. Se você não tem renda variável, você tem que saber qual parcela dos seus ativos será vendida para aproveitar a oportunidade de ganho que um outro ativo possa trazer.
Mas, sim, hoje vive-se tranquilamente com uma carteira de imóveis, com uma carteira de ações, com uma carteira de ativos que paguem dividendos e que você tenha construído isso com consistência, legal?