[Música] Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, queridos amigos do apostolado Glórias de Maria. Hoje vou gravar a segunda parte da nossa análise sobre o filme "Osado". Na parte anterior, eu dei uma ênfase maior nas questões que envolvem diretamente o antissemitismo ou antijudaísmo por trás das histórias de vampiros.
E que fique claro que eu não sou antissemita e nem compactuo com esse tipo de coisa; apenas comentei aquilo que alguns autores, eles mesmos, escreveram acerca desse tema, que é o de fundo das histórias de vampiros. Cito um deles: o autor Rob Silverman-Asher. Ele escreveu "A História Antissemita dos Vampiros" e também a autora Sara Lib Robinson, que escreveu "Antissemitismo and Vampires in British Popular Culture".
Recomendo a leitura desses dois autores; verão que eu simplesmente expus, naquela aula anterior, o que esses autores diziam. Pois bem, hoje a nossa análise será mais focada na questão do ocultismo por trás do filme "Nosferato". Na aula anterior, eu concluí dizendo que o que estava ocorrendo no filme de Eggers era esse conflito entre o vampiro e a bruxa, e que não era nada mais, nada menos, do que a representação da dialética infernal que vivemos hoje: entre uma direita que propugna as leis de Noé e uma esquerda que leva adiante uma agenda chamada de cultura.
Então, nessa exposição de hoje, eu vou focar mais nesta parte que dá origem à chamada Cultura W, que é o ocultismo, né? O pagão do qual o diretor Robert Eggers é partidário, sem dúvida nenhuma, assim como as elites que controlam o mundo hoje. E para reforçar isso, eu vou começar justamente com o livro "Drcula" de Bram Stoker.
Ali, há uma referência já ao ocultismo, né? Ao pagão, que é a chamada escola Choal. A escola Choal lendária teria existido na Transilvânia e Bram Stoker retirou esta referência de uma autora escocesa chamada Emily Gerard.
Ela escreveu "Superstições da Transilvânia" em 1885 e ali ela conta a história da Chan, que seria uma escola secreta ocultista presidida e dirigida pelo próprio demônio. No livro de Bram Stoker, o Conde Drcula teria sido um dos alunos desta escola. Ocorre que, dentre os 10 alunos ou 13 por turma, um deles era escolhido pelo demônio para ser o seu serviçal.
Esse teria sido o caso do Drcula de Bram Stoker. Agora, voltemos ao filme "Nosferatu" de FW Murnau. Um dos produtores, aliás, já começamos falando da própria produtora do filme, que foi feita pelo estúdio Prana.
Depois, eu vou colocar aí no vídeo a logomarca do estúdio Prana, que é o símbolo do que representa esse dualismo, o bem e o mal. Prana é uma palavra em sânscrito que significa "força vital" ou a força vital que existe e que liga todos os seres. É a velha ideia da gnose hindu.
Um dos produtores do filme "Nosferatu", que inclusive foi o responsável pelo visual do filme e do próprio vampiro, foi Albin Grau. Em 1926, ele ingressou na sociedade ocultista luciferina chamada Fraternidade de Saturno. A Fraternidade de Saturno era algo que misturava o ocultismo cabalístico de outras sociedades secretas anteriores a ela, como por exemplo, a Gend e a própria Maçonaria e os Illuminati.
Albin Grau recebeu o título de "mestre patitos" e ele e outros fundadores dessa sociedade secreta, a Fraternidade de Saturno, trocavam correspondências, por exemplo, com Aleister Crowley, conhecido como "a besta", que foi o ocultista preferido dos astros de rock da Inglaterra, notadamente o Led Zeppelin, por exemplo. Então, vejam que a Europa, a partir do momento em que passa a se secularizar, depois da Revolução Francesa, esse desejo de retornar às origens pagãs diabólicas cresce na Europa. É o ponto em que nós estamos vivendo hoje.
Bom, esse ocultismo que está presente no filme de 1922 "Nosferatu" é muito visível em uma determinada cena em que há a correspondência, a carta, que o Conde Orlok, o vampiro, envia para o seu servo. E nesta carta, se consegue ver, vou colocar depois aí no vídeo, se consegue ver vários símbolos esotéricos ligados à magia, alquimia e ao satanismo. Estes símbolos compõem uma espécie de código ou de linguagem que o alquimista e astrólogo, conselheiro da rainha Elizabeth I, chamava de "linguagem de Adão" ou de "Enoque", linguagem dos anjos, que teria sido perdida depois de Enoque, personagem bíblico do Antigo Testamento.
Então vejam vocês que o ocultismo está muito presente por trás desta literatura e que envolve os filmes de terror e os filmes de vampiros. É evidente que o diretor Robert Eggers conhecia estas coisas, e fica mais claro ainda porque o personagem ocultista do seu filme "Nosferatu" de 2024, que é representado por William Dafoe, tem este nome em homenagem a Albin Grau. Ele se chama Albin Everhard von France, o personagem vivido por William Dafoe.
Então veja que, de certa maneira, Robert Eggers está nos dizendo desde o princípio do filme que há uma espécie de relação mística, misteriosa, entre a atriz principal, Lily-Rose Depp, e o próprio Conde Orlok. Parece que é uma comunicação através dos sonhos, como se houvesse um passado em comum em que ela própria o tivesse evocado. Há no filme várias referências a homossexuais, por exemplo, mas eu gostaria de chamar atenção particularmente para o nome do vampiro, Nosferatu.
Muito provavelmente é o nome romeno "neato", que significa "impuro", "imundo", algo relacionado à vida no pecado mortal. Quem está em pecado mortal é como se estivesse morto, como um morto-vivo. Mas observem que o Nosferatu de Robert Eggers não tem aquela aparência de rato que tem o Nosferatu idealizado por Albin Grau.
O Nosferatu de Robert é mais um urubu, um corvo. Há em seu nariz, na sua base do nariz, uma estranha protuberância que marca. Bem, esse aspecto de urubu que se alimenta de carniça é ressaltado pelo casaco que ele usa: um casaco de peles sobre o pescoço, um casaco negro.
E também, o vampiro de Egers não suga o sangue pelo pescoço, e sim pelo peito; ele deita sobre a vítima como um urubu, se alimentando da carniça. Então, estes elementos, que estão bem evidentes no filme "Noato", estão cercados de símbolos satânicos, esotéricos e cabalistas, como se ele quisesse nos dizer que estamos exatamente nas mãos desta elite satanista, o que de fato é verdade. Para encerrar essa nossa análise, eu gostaria de acrescentar que, infelizmente, me parece que é inevitável que haja no mundo esse confronto entre essas duas vertentes, que possuem a mesma origem — repito, a mesma origem gnóstica e cabalística — mas que propõem visões de mundo diferentes e que vão levá-las inevitavelmente a um choque.
Por um lado, nós temos uma elite globalista, ocultista, franquista. Os franquistas, os seguidores de Jacob Frank, foram um cabalista do século XVI que seguiu o messianismo de Sabatéia, o falso messianismo judaico. Frank converteu-se falsamente ao catolicismo e ele e seus discípulos pregavam que os judeus deveriam converter-se à religião católica, ao catolicismo romano, mesmo para a partir daí destruir o catolicismo por dentro e conseguir conquistar o mundo.
Mas, para isso, seria necessário a abolição de todas as leis; todas as leis morais deixariam de existir. Jacob Frank foi um herege, mesmo dentro do judaísmo, mas ele foi, de certa maneira, um dos pais da ideia liberal que mais tarde dominaria tanto a Europa quanto os Estados Unidos. Ele pregava que todo o pecado deveria ser praticado como que numa descida ao que ele chamava de “escada de Jacó invertida”, representada pela letra V, essa descida ao pecado e, a partir daí, ter a redenção, né?
Infelizmente, é justamente esta tendência franquista que teve influência nas demais sociedades secretas satanistas, que vemos hoje triunfando nesta Europa, que nega a fé católica e quer buscar a imersão completa no paganismo anticristão e cabalístico. Fiquem com Deus e até o nosso próximo encontro. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.