[Música] k [Música] [Música] Olá eu estarei aqui me dedicando a dois ou três vídeos eh a partir de pedidos que chegaram a mim e em relação ao conceito de gozo em jaac e para tal eh Neste vídeo especialmente eu vou me concentrar Mais especificamente sobre o que nós poderíamos chamar de os primórdios do conceito de gozo em lacam para tal né para vermos melhor esses primórdios é importante que antes de irmos diretamente a lacam estejamos aqui dialogando com Freud porque é exatamente em Freud que nós vemos os primeiros indícios os primeiros esboços portanto os primórdios
do conceito de gozo que mais adiante né Será bastante enfatizado e desenvolvido por por JAC Lacan eh o que me parece importante de ser ser ressaltado desde o início é que o gozo né gozo é um conceito fundamental para a psicanálise na atualidade eh a localização mais precisa desse conceito eh a demarcação de sua territorialidade acabam sendo importantes orientadores que nós possamos ter né podemos ter enquanto analistas para a condução para as intervenções Face aos pacientes que nos procuram porque exatamente o conceito de gozo ele tem uma íntima relação por exemplo com a maneira como
Cada um lida a maneira como Cada um apresenta o seu sintoma Então existe uma relação bastante eh próxima bastante íntima entre o sintoma e o gozo entre também né as modalidades de Sofrimento como cada um apresenta o seu sofrimento como cada um se posiciona diante não só do sofrimento mas também diante dos modos né os modos de amar e os modos de sofrer Eh esses modos eles têm uma relação como nós veremos mais adiante com o conceito de gozo eh a repetição algo tão presente tão existente na na clínica contemporânea não é mesmo algo tão
recorrente eh nas análises a repetição tem uma relação fundamental também com GO ou seja o conceito de gozo ele é ele é importante ele é crucial para nos orientar para né melhor dimensionar a a nossa escuta e o trabalho a ser feito Face à repetição e sobretudo isto que em uma análise se apresenta como algo muito denso aquelas perspectivas aquelas situações aqueles pontos bastante densos aquilo que em uma análise resiste a sair do lugar não é mesmo nós não nos deparamos frequentemente com situações e em nós mesmos né ou em nossos pacientes que quando nós
falamos dessas situações nós verificamos que tem alguma coisa ali que não sai do lugar com facilidade eh uma espécie de osso aquele osso duro de ruê em relação à subjetividade Então essa dimensão do osso aquilo que sempre volta ao mesmo lugar aquilo que não é tão plástico aquilo que é denso aquele que portanto insiste em se repetir insiste em se mostrar sempre do mesmo mesmo modo como se mudasse a paisagem mudasse os atores mudasse algo do cenário no entanto tem alguma coisa ali na história de cada um de nós que sempre acaba eh se insistindo
se recolocando se reapresentando por mais que aparentemente diversa possa ser a cena isso tudo tem relação com o conceito de gozo então É nesse sentido que eu buscaria aqui fazer com vocês um rastreamento do conceito de gozo para que nós possamos já no diálogo com Freud Verificar como que ele estava atento já a essas dimensões que eu aqui rapidamente elenquei e basicamente em Freud e nós podemos ver que ele nos indica que ao longo de uma análise nós nos deparamos com duas dimensões né como eu já estava inicialmente dizendo eh há algo por exemplo pensemos
no sintoma para ficar um pouco mais claro há uma Dimensão em relação ao sintoma que ela é muito plástica ela é muito moldável ela é deslocável por exemplo o sintoma histérico boa parte do do que sepresenta como sintoma na cena clássica da histeria boa parte do sintoma histérico ele é deslocável ele é moldável ele é plástico ele é afetado eh pela palavra de uma maneira bastante maleável então Eh em uma análise nós verificamos com bastante frequência situações eh trazidas pelos nossos pacientes por exemp exemp a relação de cada um com o sofrimento e algo desta
dimensão a gente percebe que assim que uma análise né vai avançando vai se desenvolvendo é algo dessa situação vai se transformando vai se diluindo vai saindo do lugar vai perdendo peso vai perdendo densidade perdendo importância alguma coisa muito ponte aguda ao início de uma análise ela vai sendo mais lapidada ela vai perdendo né este efeito de de incômodo Que ela possa possa vir a ter mas ao lado disto e Freud já percebia isto isso que é o ponto importante a ser salientado aqui ao lado disto nós temos dimensões que são muito densas que não saem
do lugar com a mesma facilidade eh eh em relação a esses outros exemplos que eu dei Então são circunstâncias em relação a cada um de nós que eh insistem em se manter ao longo da vida ao longo de um dado tempo tal como elas se apresentam inicial ente Então são ossos são cristais subjetivos por assim dizer é uma ossatura subjetiva que ela não é plástica ela não é macia ela não é moldável é por aí exatamente que Freud começa a verificar que estas dimensões elas comportam uma certa barreira Ou pelo menos um certo limite aos
efeitos terapêuticos da palavra então Eh por mais que o paciente fale sobre isso por mais também que o analista intervenha a gente Verifica que né o colocamento desta situação não é tão plástico quanto né em relação a outras situações e ao lado disto Freud também vai exatamente salientar aquilo que insiste em se repetir aquilo que insiste em voltar ao lugar eh em nossas vidas eh por meio da repetição esta dimensão tão fundamental que nos captura com tanta força né aquilo que se repete na vida de cada sujeito é por aí também também que Freud vai
exatamente problematizar algo muito interessante que vem a ser eh esta relação de investimento este embaraço este envolvimento que cada sujeito tem com o masoquismo com a posição masoquista o masoquismo aqui enquanto posição masoquista não só como um né uma performance um tipo de comportamento características catalogá-la e em que o sujeito se encontra difícil de sair dessa posição em que ele se entrega né e em relação a um sofrimento em relação a uma captura ele se apresenta como objeto para o outro eh o masoquismo tem a ver com esta situação essa captura em que o sujeito
se apresenta como objeto para em que essa situação em que essa dimensão a dimensão subjetiva ela perde brilho em relação à dimensão objetal Freud alienta essas circunstâncias e é por aí que nós podemos compreender o que que o que virá a ser o conceito de gozo que foi estritamente desenvolvido por jacqu Lacan Mas vejamos né percebamos a problemática do gozo ela já é introduzida por Freud por exemplo a partir desses elementos [Música] pois bem Freud então ele chama bastante a nossa atenção para a repetição e a ponto de nós podemos compreender Vamos pensar basicamente na
neurose né que é algo que o neurótico mais faz é repetir se tem alguma coisa que o neurótico insiste em fazer em sua vida é repetir né repetir posicionamentos repetir atitudes repetir posturas repetir capturas por exemplo onde isso é muito Evidente no campo amoroso né as relações amorosas né Elas compreendem né elementos que trazem frequentemente a marca da repetição é exatamente então né nessa trilha que Freud vai nos dizer que o que está em jogo na repetição não é meramente a repetição de um comportamento não é a repetição de uma dada situação mas Freud vai
salientar que o que está em jogo ali é uma compulsão a repetição Então existe um chamado existe uma compulsão à repetição mais do que alguma coisa eh se repetir ou mais do que fazer de novo algo né fazer de novo o mesmo o que está em jog jogo na repetição é uma insistência em manter a repetição uma compulsão a repetição que como eu disse especialmente no campo amoroso Isto é bem expressivo fora né Por exemplo eh a drogadição né os adictos né do que quer que seja não só de uma droga propriamente dita mas todo
ato todo comportamento que traz a marca né do do adicto da adição do encontro constante com alguma situação traz também essa marca da compulsão à repetição é por essa trilha que Freud vai introduzir um conceito fundamental eh muitas vezes mal compreendido sobretudo pelos pós freudianos ele foi tomado numa direção que não é depois Lacan vai se alentar e não é das mais interessantes não é das mais ricas que é o conceito de pulsão de morte né ou seja Freud exatamente reconhece na compulsão a repetição a pulsão de morte pulsão de morte não exatamente eh implicando
na busca estritamente da Morte né não se trata bem disto eh por meio do conceito de pulsão de morte Mas alguma coisa que insiste em um retorno a um dado estado um retorno a uma dada condição a pulão de morte tem muito a ver com isto eh Freud é interessante ele apresenta e esta situação tanta compulsão a repetição e que a porta né Por onde eh entrará o o conceito de expulsão de morte ele apresenta isto numa situação muito interessante ele estava num dado momento não é uma única não é a única situação mas essa
é muito exemplar Essa é muito salientada exatamente por Freud ele estava observando uma criança que na verdade é o seu netinho de aproximadamente 2 anos de idade brincando então algo muito banal né uma criança né de pequena idade brincando e essa criança havia passado por maus momentos exatamente Quando a mãe dela eh a deixava ela ela ficava Incomodada com o afastamento da mãe como usualmente se passa com várias crianças e aí no dado momento essa criança está brincando com carretel né ou seja um objeto amarrado numa linha né Isso seria um carretel pode ser qualquer
outra situação podemos adaptar essa brincadeira para os tempos atuais E aí o que que Freud observava é que essa criança julgava o carretel E empurrava o carretel julgava o carretel para longe dela e empurrava o carretel para perto jogava para longe e empurrava repetidamente então ficava um jogo de empurra e traz empurra e traz tira de cena e traz pra cena joga para longe e traz para perto e ao fazer isso essa criança na língua alemã ela balbuciava ela falava forda forda que basicamente significa né seria o significado de foi-se sumiu voltou apareceu muito semelhante
a essa brincadeira que costumamos fazer com as crianças Muito pequenas de esconder o rosto para a criança nós é que sumimos e aparecemos né colocar um travesseiro um papel na frente do rosto e tampar o rosto né sumiu apareceu sumiu apareceu né É mais ou menos isso que essa criança fazia né só que ela própria fazia isso com o seu brinquedo com o seu carretel Freud observa que ali na brincadeira está em jogo algo extremamente sério então o lúdico é uma maneira da criança segundo Freud de se posicionar de elaborar o afastamento do grande outro
né enquanto a mãe se afastar a criança estava posta numa posição de objeto né passiva diante desse afastamento e pela brincadeira a criança subverte essa posição e a criança faz com que alguma coisa desapareça e Apareça desapareça e Apareça Só que tem um detalhe O que Freud também observa é que o desaparecimento que é o que era mais sofrível para para essa criança curiosamente na brincadeira ele era mais enfatizado como se houvesse uma insistência por fazer com que isto se reapresentar uma insistência quanto a esse traço que era causador de mal-estar então Freud observa como
que pela brincadeira há uma tentativa de elaboração então o lúdico é algo extremamente sério e importante para a Constituição do sujeito mas ao mesmo tempo como que já tem alguma coisa ali que por essa linha amarra embaraça o sujeito por aí nós temos Então os primórdios do conceito né de gozo muito pela Perspectiva da compulsão repetição Freud nos mostrando que tem alguma coisa ali na repetição que é uma tentativa de elaboração mas ao mesmo tempo é também uma captura em alguma coisa que não se elabora inteiramente Ou pelo menos não se elabora integralmente por esse
fio Lacan irá exatamente propor trabalhar apresentar o conceito de gozo veremos isto em nosso próximo encontro para que possamos a partir desse cenário inicial em Freud compreender melhor o que vem a seu conceito de gozo em JAC Lacan e repito a sua extrema importância para a clínica psicanalítica na nossa atualidade É isso aí até o nosso próximo encontro [Música]