Vamos falar de anaflaxia. Puxa vida, anaflaxia é um tema interessantíssimo, muitas vezes menosprezado. É literalmente aquele lobo com pele de cordeiro.
É aquela alergia que o que você olha, paciente chega, não se atenta pra reação alérgica, pr pra anafilaxia. Não, isso é só uma alergiazinha. Vamos aqui, vamos tratar com antihistamínico, vamos fazer corticoide que resolve.
Será mesmo? Será que anafilaxia é a mesma coisa que uma alergia? um pouquinho mais forte.
Qual que é o conceito de anaflaxia que a própria Organização Mundial da Saúde traz? É uma reação de hipersensibilidade generalizada e ameaçadora vida. Então, olha como que pelo próprio conceito que você vai entender exatamente o que que isso quer dizer, olha como que através desse conceito você já tem uma ideia assim, pera aí, generalizada, ameaçadora vida.
Poxa, não pode ser só uma simples uma simples alergia. Por qu se fosse uma alergia, poxa, falar que é generalizada, alergia geralmente pode ser disseminada até pela pele, às vezes quando você come alguma coisa, mas o que a gente mais vê assim, ah, uma alergia, uma picada aqui de abelha, um usou uma bijuteria, tem alergia atópica de contato, fez aquela reação ali no local, a gente pensa mais nisso. Então, a anafilaxia, pelo próprio termo, pelo próprio conceito, é algo muito maior.
é um algo, é algo que se espalha por, por todo o organismo e que tem uma resposta muito intensa do organismo. Essa que é a grande questão que você tem que pensar. De maneira simplista, que que é assim que a gente poderia definir o que é uma anafilaxia?
o organismo entra em contato com alguma coisa e esse alguma coisa pode ser alimento, pode ser cheiro de perfume, pode ser pólen, fumaça, enfim, qualquer coisa entra em contato e o organismo acha que aquilo, olha a loucura, ele acha que aquilo vai fazer um mal tremendo, que aquilo é uma bomba que tá entrando no organismo. Para isso, o que que ele vai fazer? Exagerar na resposta.
Porque se ele acha que é o fim do mundo ali pro seu organismo, com aquela substância que entrou, ele exagera, ele perde a noção, perde o controle da resposta diante desse antígeno. Então, todo o corpo estranho que entra no nosso organismo é chamado de antígeno. E aí essa resposta é que é exagerada.
Então, que que é o primeiro conceito que você tem que ter? Não depende diretamente o problema, não é a partícula que entrou, e sim o exagero de resposta do organismo. Essa que é a que é o ponto chave de você entender realmente a anaflaxia.
E aí a gente parte para entender a fisiopatologia de uma forma mais simplificada, mas de uma forma que você consiga raciocinar. O que que acontece na anafilaxia? Nas reações alérgicas, de maneira geral, nosso organismo tem quatro tipos de reações alérgicas.
E a da anafilaxia tá relacionado com o tipo um. Como assim? Existem anticorpos.
Nosso organismo, quando ele entra em contato com alguma algum antígeno, algum agente externo, vamos relembrar um pouquinho da imunologia, o organismo aprende com isso. Olha que interessante. Por quê?
Imagina o seguinte, você tem um exército, você entra em contato com um inimigo, poxa, até você entender o que que você vai precisar lançar a mão para combater esse inimigo, vai levar um tempo. Então, o organismo entra em contato a primeira vez com o antígeno, ele gera uma resposta, que é o que ele consegue ali na hora. Só que isso deixa memória, tem as células de memória, células, os linfócitos de memória.
Justamente para isso, o que que os linfócitos de memória fazem? produzem anticorpos. São cinco tipos principais, as imunoglobulinas no nosso organismo.
E esses anticorpos justamente servem para alertar o organismo se aquele exército inimigo entrar em contato de novo, se aquele antígeno, aquela substância entrar em contato de novo. Porque olha que interessante, olha que top esse raciocínio da imunologia. Se o organismo já sabe o que é, caramba, ele já tem uma resposta muito pronta, muito imediata.
Imagina assim, ó. Você tá lá com o seu exército, chega um exército inimigo, caramba, mas será que esse exército inimigo tem só soldado? Ou ele tem soldado, tem tanque, tem helicóptero, tem navio, tem avião?
Por quê? A forma de se defender vai mudar. Concorda?
E quando é a primeira vez que você entra em contato, o organismo precisa levar um tempo para entender, caramb. Caramba, tem avião também. Vamos preparar aqui artilharia antiavião.
Nossa, tem navio, meu Deus. Vão preparar torpedo. Ah, tem cavalo ali junto.
Vixe. Vamos preparar arma que mate ali específico. Agora imagina que esse mesmo exército entre em contato de novo, fala: "Puxa, lembra esse exército aqui?
A gente já brigou com esses daqui, ó. Eu já sei que ele tem navio, já sei que ele tem avião. Já prepara tudo o arsenal aqui.
Vamos recepcionar esse pessoal aí como eles merecem". É isso que o organismo pensa. A imunologia funciona dessa forma.
Ele entra a primeira vez em contato, ele: "Opa, pera aí, vai tentando se defender do jeito que dá, mas aí ele fala: "Danadinho esse antígeno aí malvado. Vou deixar uma imunoglobulina para ele, porque se eu entrar em contato, hora que as células apresentador, o macrófago vai lá, fagocita, apresenta o antígeno, a célula identifica, fala: "Meu Deus, é aquele um, lembra? " Pronto, já tem todo um arsenal contra aquele antígeno.
Então, de maneira geral, essa é a resposta imunológica. S. Esse é o nosso sistema de defesa.
Nos indivíduos que têm predisposição, a reação anafilática, alergia, isso é muito hereditário também. Esses indivíduos produzem um tipo específico de de imunoglobulina. Todos nós produzimos, mas esses indivíduos produzem excesso, que é a chamada imunoglobulina E GE.
Essa imunoglobulina, ela tem uma particularidade. Ela tem uma atração, um tropismo por duas células em especial, que são os basófilos, que estão na corrente sanguínea, e os mastócitos, que estão lá nos tecidos. Olha que interessante, que lindo, que lindo quando você entende esse raciocínio, os basófilos e os mastócitos são meio que aquelas células de retaguarda do nosso sistema de defesa que elas atuam em determinada situação, só que elas atuam fazendo um alarde muito grande, como se fosse uma bomba ali no local.
Então, quando um entra em contato com algum antígeno, essas células, principalmente dos tecidos, dos mastócitos, ela tá lá. A hora que entra em contato um antígeno que já teve contato prévio, já tem Igada, então reação alérgica tipo um, a hora que ela vê esse antígeno, o que que ela, o mastócito faz? Fala: "Caramba, esse exército aqui de novo não.
Ele se gruda e libera uma carreata ali, ó, uma única célula pode liberar muita quantidade de pró-inflamatórios e de uma substância especial que a gente vai falar sobre ela, que é chamada estamina. Ele ele tem essa característica de ativação por ele é primeiro contato. Então ele ativa de uma forma muito intensa para dar tempo de chegar neutrófilos, para dar tempo dos macrófagos ali teciduais também chegarem para agir.
Então essa que é a grande questão. É uma célula, tanto os mastócitos quanto os basófilos são células que têm uma pronta resposta, vamos assim dizer, e que atuam chamando, promovendo ali a festa na hora que entra em contato com com o antígeno. Esses indivíduos que tm prédisposição tem uma carga aumentada de GE com uma hiperresposta dessas duas células na corrente sanguínea os basófilos.
E esse basófilo, quando ele entra no tecido e fica alojado nos tecidos, são chamados de mastócitos. Então essa essa imunoglobulina em específico tem um tropismo, uma atração, uma ativação muito grande dessas duas classes de células. E aqui a gente já começa a entender uma substância que participa muito ativamente e que tá diretamente relacionado com as complicações da anafilaxia, que é a estamina.
Dentro dos mastócitos, dentro dos basófilos, existem grânulos, principalmente nos plasmócitos, que determinadas situações, se essa célula é estimulada, ela libera esse grânulo. E muitos, muita substância que tem dentro desses grânulos é a chamada estamina. Essa célula, olha um teste aqui que ninguém vai fazer, pelo amor de Deus, mas se você pegar seu olho e começar a cutucar o olho, coçar o olho, ele vai ficar inchado.
Olha que louco. Mesmo sem você ter nada, você começar a cutucar o olho, vai inchar o olho. Por quê?
Porque você estimula a degranulação dos mastócitos presentes na pálpebra. Aqui na pálpebra tem muito mastócito, então se você fica estimulando, ele libera a estamina. Que que a estamina faz?
vaso dilatação aqui no local vai ficar colher inchado. Então a estamina é uma é uma substância irmã parente das catecolaminas. Na verdade, quando a gente fala em aminas, tem as aminas vasoativas.
Dessas aminas, a gente tem as indolaminas, que é estamina e serotonina, e as catecolaminas, dopamina, noradrenalina e adrenalina. Então, olha que interessante, a estamina é uma irmãzinha ali da adrenalina, da noradrenalina, uma prima, vamos falar assim, mas também é uma chamada de amina. Uma é catecol amina, a outra é indolam amina.
Mas enfim, que que essa célula faz? Olha, olha, olha que incrível. Olha que interessante para você raciocinar, entender, pensar assim, ó, com usando o raciocínio clínico.
Olha que fantástico isso. Quando o nosso organismo pensa, quando a gente pensa assim, ó, caramba, paraa entrada de antígenos no nosso corpo, de maneira geral, são três vias de acesso. Você já parou para pensar nisso?
São três vias e o corpo sabe disso. Olha que lindo. Por qu?
Uma, vias respiratórias, dois via trato gastrointestinal e três, pele. Olha que interessante, então, quando você já pensa dessa forma, caramba, pera aí, é verdade, para entrar em contato com algum agente externo, com algum antígeno, tem esses três, essas três vias, ou pela pele, ou pela respiração, ou pelo trato gastrointestinal. E o organismo sabiamente sabe disso.
E na hora da reação anafilática, ele trabalha com isso. Olha como quando a gente pensa assim, ó, uma substância, quando eu tô falando de ah sistema nervoso simpático, vamos falar de sistema nervoso autônomo, porque tem a ver com as aminas. Quando a gente fala de sistema nervoso autônomo, tem o sistema nervoso simpático e o parassimpático.
Aí você tende a pensar assim: "Ah, eles são antagônicos? " Não, não necessariamente. Boa parte das vezes sim, para fazer aquele equilíbrio, para fazer o homeostase do organismo.
Mas não é obrigatório isso. Tem momentos, olha que interessante, tem momentos que, por exemplo, a adrenalina funciona como vaso constritor periférico. Legal.
Mas tem momentos que faz vaso dilatação. Ué, pera aí. Pode fazer as duas coisas?
Sim. Tem locais que ela pode fazer o músculo contrair e tem locais que ela pode fazer o músculo dilatar. Pera aí, mas aí já começa a dar um nó na sua cabeça, falar assim: "Não, não, mas ué, mas uma substância só tendo duas ações diferentes.
" Exatamente. Esse é um conceito, um contexto que você vai levar pra sua vida. Olha que que brilhante do organismo.
Imagina se o organismo tivesse que produzir para cada ação diferente uma substância diferente. Olha só, olha esse entendimento. Imagina se o organismo tivesse para cada uma das coisas que você precisa no corpo, se ele tivesse que gerar uma substância específica para isso.
Seria a mesma coisa que você chegasse na sua casa e várias portas lá na casa. E para cada cômodo que você fosse entrar, apesar que no geral é assim, mas só para você entender, imagina como é ruim você chega na sua casa, você tem que ter a chave da porta, depois você tem que ter a chave do escritório, a chave do seu quarto, a chave do do da lavanderia, a chave da puxa cozinha com tranca, poxa vida. Não, aquele assalto, aquela, sei lá, abordar a geladeira de noite, esquece, vai tá trancada ela.
Olha como é ruim. Você tem que andar com um bolo de chave, concorda? Se cada chave é diferente para cada porta, puxa vida, preciso de várias chaves.
O organismo é lindo, né? A fisiologia é fantástica. Olha o entendimento do organismo.
Caramba, eu vou usar, eu vou fazer o seguinte, eu vou usar uma chave só, vou simplificar. Não, não vamos esse negócio de ficar produzindo um monte de chave. Não usa uma chave só.
Que que vai mudar? a fechadura. Como assim?
Ao invés de eu ter que ter uma chave para cada coisa, negativo, eu mudo a fechadura. Então, tem uma porta que ela vai abrir para for para dentro, tem porta que vai abrir para fora, tem porta que é de correr. Olha que interessante, dependendo da fechadura, muda o jeito da porta abrir.
E olha que lindo, o organismo faz isso. Ele produz uma única substância que, dependendo do receptor, é que vai ter a resposta. E aí assim ele não precisa ficar produzindo várias coisas, é claro que tem várias substâncias do nosso organismo, sem dúvida, mas se não fosse nesse esquema, teria que ter o triplo 4, 5, 10 vezes mais substâncias.
Então é lindo demais a fisiologia, a sabedoria do nosso organismo. Ele produz uma única substância, a adrenalina, que dependendo do receptor que ela agir, vai ter um efeito. Por exemplo, quando age no receptor alfa 1, fecha a periferia.
Quando age no receptor beta 1, estimula o coração. Quando age no receptor beta2, faz broncodilatação. Relaxa o músculo liso lá do brônquio.
Olha que coisa mais linda. Então, uma única substância tendo efeitos diferentes, dependendo do quê? dos receptores.
E aqui quando a gente entra no contexto da anafilaxia, não é diferente. A estamina também atua de maneira geral em quatro receptores. Mas aqui quando a gente fala especificamente da anafilaxia, dois receptores são importantes.
Receptores H1 de estamina e receptores H2. E eles têm efeitos diferentes. E é isso que você começa a entender.
Olha que lindo, que lindo o pensamento do organismo. Então, a mesma substância age de maneira diferente, dependendo do receptor, porque assim, eu uso uma chave, só uso só uma, não preciso ficar produzindo um monte de substância, não. Vamos só com uma, mudo a chave, mudo a fechadura e aí a porta abre para um lado, pro outro, muda o efeito.
Então é isso que você vai entender. E aí, nessa situação específica da anafilaxia aqui, que é o organismo entrando em contato com um gente externo que possa causar mal, é esse o entendimento dele. Fala: "Puxa vida, não, que que a gente precisa fazer, meu Deus?
Vamos fechar, vamos fechar as barreiras de entrada dos antígenos". Puxa vida, quando entende isso de que forma? Lá no pulmão, lá no trato gastrointestinal, vamos deix deixar receptor H1.
Por quê? Porque esse receptor faz vasoconstrição, ele faz eh contração da musculatura lisa desses órgãos. Então, primeiro no pulmão, qual que é uma das reações na anflaxia?
O indivíduo com falta de arco, sibilância, creptação, insistência respiratória. Por quê? Porque lá no receptor H1 a estamina se liga e fala: "Meu Deus, fechea esse brôquio, pelo amor de Deus, não é para entrar antígeno e aqui é um dos locais que entra.
Eu não sei se tá vindo por aqui, eu não sei se é poli, não sei se é perfume, não sei se ele comeu, não quero nem saber. Fecha uma das vias de entrada, fecha então as vias respiratórias. Broncoconstrição, um dos efeitos da anafilaxia por ação dos receptores H1.
E lá no trato gastrointestinal, mesma coisa. Meu Deus, vamos fechar isso daí. Vamos fechar esse trato gastrointestinal, entre aspas, faz vasoconstrição, aumenta a produção de muco.
É que para isso também entra receptor H2. Eu não vou entrar em detalhes. Por exemplo, no estômago aumenta a secreção de ácido através dos receptores H2, mas pensa assim, ó, no H1 vai fechar o trato gastrointestinal.
Para quê? Para não ter entrada de antígeno por ali. E é lindo demais isso.
Daí você pensa assim, o organismo não sabe da onde que tá vindo, fecha os dois, fecha brônquio e fecha sistema respiratório e sistema digestivo. Mas esa aí, tá faltando um. Eu falei que são três que que possibilidades de entrada, não falei?
Qual que é o terceiro? a pele. Eh, mas pera aí, tem como fechar a pele?
Dá para contrair tudo a pele? Não tem como. Então, olha que lindo aqui na pele, através do receptor H2, que que o organismo pensa?
Caramba, não dá para fechar a pele, né? É, não dá. Então, nada de receptor H1 aí, não.
Vamos fazer o seguinte, bota receptor H2, muda a fechadura aqui. Vamos trabalhar o inverso, vamos abrir, vamos abrir tudo os vasos. Para quê?
para chegar mais anticorpos, para chegar complemento, para chegar células de defesa, pra gente preparar essa pele. Olha que que fantástico. Quando você raciocina dessa forma, fica muito mais fácil de entender a anafilaxia.
Então, na periferia, nos vasos, nos capilares, nas na parte das venas, ocorre uma vasodilatação para justamente para isso. Imagina assim, ó. Imagina que aqui tem a parede de um vaso sanguíneo.
O vaso tá apertadinho lá, ó, com endotélio todo fechado. De repente, por ação da estamina, receptores H2 faz o quê? Vasodilatação.
Então, ó, ó, esse é o vaso sanguíneo. Tô com ele todo fechado. Vamos dilatar esse vaso.
O que que acontece com o espaço entre meus dedos? Abre. É exatamente essa intenção.
Relaxa a musculatura, aumenta a permeabilidade capilar do endotélio. Para quê? para passagem de líquido, paraa passagem de complemento de imunoglobulina, de células de defesa para conseguir passar entre as células do endotélio.
Olha a perfeição da fisiologia. Fecha parte respiratória, fecha trato gastrointestinal e abre a periferia, abre a pele para ficar preparado para receber o antígeno. Puxa, quando entende isso fica fantástico para atuar, fica fantástico para identificar, fica fantástico realmente para est preparado para atender uma anafilaxia.
Então, olha só o que a gente poderia pensar no começo. Ah, uma reação alérgica um pouquinho mais grave. Não, olha a dimensão que tem isso.
Como não é só uma reação alérgica mais grave, é totalmente diferente. A fisiopatologia aqui da anafilaxia envolve uma liberação de proinflamatórios, uma liberação de estamina fazendo isso, fechando o pulmão, fechando o trato gastrointestinal e abrindo a pele. Dessa forma, olha como que fica muito fácil de você entender quais são os sinais e sintomas do paciente com anafilaxia.
Puxa vida. Primeiro vamos falar da parte respiratória. Que que o indivíduo vai ter?
Siilância, falta de ar, a queda da saturação, aumento da produção de muco, pronto, tudo relacionado com fechar para não deixar entrar antígeno. E no trato gastrointestinal, caramba, vai fazer contração da musculatura, vai dar cólica, vai dar dor abdominal, náusea, vômito, pode dar diarreia. Segundo ponto.
Terceiro, e na pele? Na pele a gente pensa nessa vasodilatação, liberação de estamina. Quando você toma, todos nós tomamos uma picada de inseto ou entra com algum processo inflamatório no local, que que acontece naquele momento?
Com a entrada de um antígeno por inoculação, por exemplo, de uma picada, o organismo identifica aquilo e já libera imediatamente através dos mastócitos, através de IGE, já chama macrófago, já chama neutrófilo, os próprios linfócitos participam daquela reação inflamatória no local. Por isso que tem aqui edema por causa da vasodilatação que a gente que eu já expliquei, mas chamada de células de defesa, aumento da temperatura, rubor, calor, que são todos os sinais de de inflamação. Então, quando isso tá localizado, legal, mas e na anafilaxia a gente acabou de ver que não tá localizado, que é um um alarme muito grande dos mastócos, dos basófilos.
Então, isso acontece na pele como um todo. Quais os sinais e sintomas da pele? Prurido, vermelhidão, placas eritematosas, tudo ficar colhão inchado, boca inchada, orelha inchada.
Vou dar um spoiler aqui. Quem não assistiu ao filme Hit, o conselheiro amoroso, tampa o ouvido aí um pouquinho. Que que acontece no Hit?
Ele tá lá na ele tá lá num marketplace no Nova York. Tem bastante desses marketplace, né? Que você vai lá, comidinha na hora.
É bem interessante, inclusive gostoso. Ele tá lá, estão lá fazendo, preparando uns quituts, tem lá o chefe que vai dando a coordenada e você vai lá para cozinhar e comer. Aí tá um um casal, ele com com a peguete, a namoradinha assim, a paquera dele.
Paquera peguete não, gente, paquera. Tá a paquera dele lá, tal. Se bem que paquera também é meio antigo, né?
Mas tudo bem. Tá lá e aí traz um canapé para ele. Aí ele comeé.
Aí ele comeé. Aí ele começa a fazer assim, aí todo mundo olha, que que foi ele? Não, nada.
Aí a mulher pega e fala, a mulher é psiquiatra que tava o casal de amigos e fala assim: "Ah, eu sei que que tá acontecendo". Aí ele pra defesa, o homem é assim, né? A gente não, eu já sei.
Você vai falar que eu tô aqui com isso porque eu tô inseguro e tal, não é nada disso, eu não tô inseguro. Ela não, você tá fazendo reação alérgica. E aí ele já começa a ficar com o olho inchado, a orelha inchada.
Quer dizer, é uma anafilaxia aquilo. A gente vai ver porque é. E aí ele começa a mexer na orelha, o olho vai ficando inchado aqui, a garganta vai ficando com falta de ar, ele com irritação na garganta, olho anjo edema.
Aquele filme é muito bacana. Quem não assistiu assiste, vê as artemanhas ali masculinas, tal, o cara lá na hora de conquistar, enfim. Mas é é uma reação anafilática ali e ele tratou errado.
Tratou errado. É claro, ele não é médico, ele não sabe. Foi lá e comprou estamin.
Tomou lá de canudinho estamin dex clorfeniramina. Mostra errado. Mas vamos lá, a gente vai ver porque tá errado.
Mas isso é uma reação anafilática. Então na pele vai dar todas as manifestações de uma alergia comum. E aí que entra o grande erro de achar que anflaxia é só essa alergia comum, não é?
Então, a gente viu que tem repercussão no pulmão, que tem repercussão no trato gastrointestinal e que tem repercussão na pele. Além disso, outra repercussão, sistema nervoso central, tanto por ação direta da estamina também no sistema nervoso central, quanto por alterações na permeabilidade vascular periférica. Como assim?
O sistema cardiovascular começa a sofrer um colapso? Você imagina assim, ó, coração tá aqui, ele bombeia 10 L de sangue e voltam 10 L. bombeia 10 L, voltam 10 L.
Aí você imagina o coração bombeando o sangue nesse circuito fechado, mas de repente, de uma hora para outra, em poucos segundos, imagina que o coração bombeasse o sangue numa piscina e aí volta o sangue dessa piscina, ou não, melhor, uma esponja. Então ele bombeia 10 L para uma esponja, volta essa esponja os 10 L. Imagina que de uma vez, ao invés de eu ter uma esponja, eu tenha 10.
Olha, olha esse entendimento. Para você entender que que é choque distributivo. Eu tô bombeando o coração, tô bombeando sangue para uma esponja.
Então, tá voltando. Eu enxarquei aquela esponja, tô bombeando o sangue lá, vai enxarcando. A hora que enxarca ela volta.
Então, volta 10 L, eu bombeio 10. Volta 10, eu bombeio 10. De repente aparecem outras 10 esponjas ali.
Que que vai acontecer com o sangue? Caramba, vai ficar tudo molhando aquelas esponjas. E o que tava voltando 10, de repente, de uma hora para outra volta cinco.
Puxa vida. Não, aí você já você já entendeu aqui o problema, né? Pera aí.
Se só volta cinco, eu vou conseguir bombear só cinco. Ué, é um circuito fechado. O coração depende da pré-carga para poder ter a pós-carga.
Mecanismo de Frank Starding. Se eu não dilato como um elástico, se eu puxo muito o elástico, ele volta com força. Se eu puxo menos, ele volta com menos força.
Então o coração fica fraco subitamente e recebendo um aporte, vindo menos sangue. Pareceu 10 esponjas lá. Meu Deus, vai enxarcar aquelas esponjas primeiro para depois retornar.
Até lá o coração já partiu já. Ó, não tô aguentando, não tá voltando nada, tô fraco, não tô conseguindo. E dessa forma os tecidos, de maneira geral começam a ficar mal perfundidos, porque abre toda a periferia naquele esquema que a gente viu do vaso dilatar.
A hora que ele dilata, ele abre espaço pra saída de líquido e aí isso acontece no corpo inteiro, faz um choque distributivo súbito, perda de líquido pro terceiro espaço. Com isso, o coração já sente ali e fala: "Meu Deus do céu". Então, qual que é um dos fenômenos que a gente vai observar na anflaxia?
Hipotensão. Paciente pode apresentar hipotensão no início, taquicardia para depois ele bradicardizar má perfusão tecidual, gerando o choque distributivo. E com isso, fazendo uma perfusão cerebral, o indivíduo apresenta alterações neurológicas, cefaleia, sonolência, agitação.
Então, olha que fantástico esse entendimento. Para você ver a dimensão que é uma anaflaxia e não é só uma alergia. Tá longe de ser só uma alergia.
E mas boa parte das vezes essa reação anafilática não chega a ponto de dar um choque distributivo importante. É aí que tá o perigo. Porque se você espera realmente para agir, para identificar, para achar que a anafilaxia é só quando o paciente tá hipotenso, já tá em franco choque distributivo, você tá atrás, você tá atrasado, perdeu, tá perdendo tempo, o paciente já tá indo, indo embora, o paciente já tá manifestando sinais de gravidade absurda.
Então é essa questão que você tem que ter a respeito de anaflaxia. Por isso que eu comecei falando, anaflaxia é o lobo na pele de cordeiro. Lobo na pele de cordeiro.
Ele dá um miguezinho. Não, eu sou uma alergiazinha só aqui, ó. De repente você vai ver aquele lobo já comeu o rebanho inteiro.
Quer dizer, o indivíduo já tá com choque distributivo imenso. E aí? E aí você vai correr atrás do prejuízo e a chance de dar ruim é enorme, vai tentar entubar, não consegue.
Tem, deveria ter feito expansão volêmica no início, não fez. Deveria ter começado droga vasoativa e não começou. Então, tá atrasado, tá tarde, aí que começa toda a cascata de problemas, problema na parte respiratória, levando a problema na parte na parte circulatória, levando problema na parte renal, enfim, todo vai, o paciente vai piorando.
Então, a partir de hoje, como que você vai identificar? Quais são os critérios para você identificar a reação anafilática? Ué, a gente acabou de ver cinco sistemas que são envolvidos.
sistema respiratório, sistema da eh digestivo, pele, sistema cardiovascular e neurológico. Então é através desses cinco sistemas principais na anafilaxia, que agora você entende a fisiopatologia aqui, que você vai identificar como que a gente define a anafilaxia para você nunca mais errar a hora que tiver de frente com o seu paciente, você brilhar no atendimento, tendo a certeza do que tá fazendo. A hora que você identifica queis desses sistemas estão comprometidos, dois ou mais, acabou, tá definido como anafilaxia.
Você já vai ter a tensão mais do que dobrada. Então, paciente que chega, por exemplo, no Hit, conselheiro amoroso, ele tava com sintomas respiratórios e pele acometida, acabou, definiu como anafilaxia. Ah, o paciente pode chegar com vômito, dor abdominal e reação de pele.
Aafilaxia pode chegar com cefaleia. irritabilidade e reação de pele, anaflaxia. Por que que eu tô falando todos com reação de pele?
Porque a grande maioria, 80% das vezes, chega com reação de pele junto. Então, boa parte das das vezes o paciente apresenta reação de pele. Mas olha que loucura, paciente pode fazer reação anfilática sem ter manifestação cutânea.
Sem ter manifestação cutânea. Teve uma situação numa cirurgia, tava operando, o anestesista falou: "Caramba, o paciente tá chocado, tá hipotenso, tá sangrando? Eu tinha acabado de começar.
Falei: "Não, nem nem tô começando aqui ainda, nem tem porquê. Paciente tá chocado. Paciente jovem falou: "Caramba, será que infartou?
" E a gente ficou olhando paraia cirurgia, ficou olhando o monitor, tava normal, tava um pouco mais taquicárdico, chocado e potente. Poxa, mas a anestesia que eu usei aqui não era pro paciente est chocado, não era para est já fiz aqui, vamos correr um volume. Correu, não respondeu muito bem.
E aí ele, o anestesista falou: "Caramba, será que tá fazendo uma reação anafilática? " Porque um dos critérios também de reação anfilática é hipotensão súbita após entrada em contato com algum alérgeno. E aí nessa situação é difícil de você conseguir deduzir isso.
Por quê? O paciente chega hipotenso só sem reação de pele e aí ele que certo falou: "Caramba". E a hora que ele falou, falei: "Puxa, pode ser, pode estar fazendo alguma reação ao ao bloqueador neuromuscular, pode estar fazendo".
E não deu outra. Ele fez a adrenalina e falou: "Vou fazer a adrenalina porque a gente vai discutir o tratamento". Entrou com a adrenalina, fez na coxa, fez a adrenalina, correu o volume, falou: "Vou fazer corticoide".
Fez corticoide, fez dali uma meia hora, pronto, paciente com um monte de hexantema na pele. Então era uma reação anafilática. Olha isso, olha que interessante.
Mas boa parte das vezes faz com reação de pele, mas às vezes não. E você tem que estar atento. Então às vezes o paciente pode chegar com alteração respiratória e, por exemplo, gastrointestinal.
Então tem que ter essa atenção. Mas então toda vez que você se deparar com dois sistemas acometidos, acabou, fechou o diagnóstico de reação nafilática. A partir daí, agora a gente pode falar do tratamento, agora a gente pode falar da conduta.
Por quê? Porque você já entende o que que acontece na anflaxia, você já sabe que não é uma simples reação alérgica, não. E a partir daí, você entendendo isso, caramba, não tem como não tá seguro para atender, não tem como ter não ter confiança.
Você sabe o que tá fazendo, sabe exatamente, o paciente pode evoluir mal, pode, mas você tá ali sob controle, você tá atento, você tá vendo e não vai ser pego de surpresa. Essa que é a grande questão. diferente do chega lá o paciente com dois sistemas acometidos, ah, isso é uma alergia, toma lá um corticoide, toma um estamínico e vai lá pro repouso.
E aí, boa parte das vezes isso vai funcionar, mas vai funcionar por causa dessas medicações? Não, porque o próprio organismo deu conta daquela reação e foi autolimitada. Olha que interessante isso.
Então, quando não faz o tratamento adequado, tudo bem, resolveu, resolveu, a maioria das vezes resolve. Por isso que a maioria das pessoas têm a impressão errada de anaflaxia. Ah, não é corticoide e corticoide antistamínico porque eu vejo que resolve na maioria das vezes resolve e resolveria do mesmo jeito se você não passasse o antialérgico.
E mesmo nas reações alérgicas simples, pura, que o tratamento sim é corticoide antistamínico, olha que interessante. Se você não fizer nada, aquela reação alérgica vai melhorar também do mesmo jeito. Mas por que que a gente faz?
Poxa, porque vai ficar se coçando o dia inteiro, não dá. Então a gente antecipa, melhora os sintomas até o organismo controlar aquela reação alérgica. E esse é o ponto principal da anafilaxia.
Maioria das vezes vai resolver só com corticoide e e antistamínico? Vai. Agora, aquele paciente que realmente evolui desfavorável, você vai estar para trás se você não se atentou.
Por isso que agora, a partir de hoje, você vai entender exatamente qual que é o tratamento, qual que é a base do tratamento da reação anfilática. Adrenalina. Adrenalina com reação anfilática.
Mas e o corticoide antistamínico? Adrenalina. Por quê?
Porque você já entende que tem atuação no receptor H1 e no receptor H2. H1 fechando o pulmão, fazendo broncoconstrição. H2 pele fazendo vaso dilatação.
Isso pode estar mais intenso ou menos, não interessa. É aí que entra brilhantemente a adrenalina. Adrenalina é aquele coice, aquela bomba de catecolamina que agem todos os receptores catecolinérgicos.
Então, age no alfa 1, age no alfa 2, beta1 e beta2. Nesse momento, quais são os interessantes pra gente? Alfa 1.
A adrenalina vai lá no receptor alfa1 e vence, faz o contrário do receptor H1 da do H2 da estamina. Estamina quer dilatar. Adrenalina chega lá fala: "Não, não, não, não, ninguém vai dilatar nada aqui, não.
Parou, parou, vamos fechar. Volta a fechar o vaso aqui. Parou e bloqueia, faz uma autolimitação daquela resposta.
Porque quando a gente pensa também que faz essa base dilatação, ativa outros pró-inflamatórios que vão chamar mais células e vira uma bola de neve. Agora a adrenalina entra lá e já fecha, fala: "Acabou, fechou, parou". "Doutor, meu paciente nem tá hipotenso, nem tá com choque povolâmico, distributivo.
" Ótimo. É aí que a gente tem que agir, nem vamos deixar. Você vai ficar esperando?
Você vai ficar esperando aquele lobo cometa dali o rebanho. Não, você vai lá e age antes, diminui a reação, porque a hora que você fecha tudo ali, não vai ficar tendo estímulo para gerar mais processo inflamatório, mais liberação de estamina, mais liberação de pró-inflamatórios. você bloqueia na raiz.
Esse é o entendimento que você tem que ter, fazer na coxa, meia ampola na coxa, vasto lateral da coxa. Você faz para agir no receptor alfa 1, fechando ali e receptor alfa eh beta2. Para quê?
Para abrir as vias respiratórias. Olha como que você atua. Mantendo uma boa oxigenação dos tecidos.
você melhora a ventilação do paciente, melhora a oxigenação, melhora a oxigenação lá do tecido, onde tava agindo o alfa 2, onde tava agindo, desculpa, a estamina, você fechou lá e mantém boa nutrição de sangue, não deixa o paciente entrar em choque, não deixa desencadear toda aquela cascata de reação. E quando entende, poxa, aí você tem certeza do que você tá fazendo. Ah, mas será que não é exagero?
Não, vou fazer adrenalina, não precisa, o paciente tá bem, a pressão tá boa. Tem dois sistemas acometidos. Tem, acabou, não tem conversa.
Essa é a conduta correta. E agora você já entende o porquê e vai ter segurança para fazer aí que tá. Você sabe, às vezes ouviu falar que a anflaxia faz adrenalina, tá?
Aí chega o paciente bem, você vai ficar com medo, você fica com medo de adrenalina. Você, ah, mas é exagero, será? Não precisa.
Eu vejo que resolve na maioria das vezes fazer antistamínico, fazer corticoide. Resolve fazendo errado e resolveria se não fizesse nada. Agora você não, você tá ali, ó, você vai ficar junto, vai fazer uma dosezinha assim de adrenalina.
A, o antistamínico e o corticoide é perfumaria. Perfumaria. Isso aí você até pode entrar depois de ter feito o adequado.
Então vamos pro passo a passo do atendimento do paciente. Chegou passo um, é você reconhecer a anafilaxia. Porque se você não reconhece, não sabe, não tem esse entendimento, não tem como você agir.
Passo um, reconhecer dois ou mais sistemas envolvidos. Passo dois, colocar o paciente na emergência, fazer o ABCD, abertura das vias aéreas, B, breh, breathing, respiração, C, circulação, ficar vendo a pressão, pegar para colocar um acesso, correr um pouquinho de volume, principalmente se tiver hipotenso. E D, disability, você ficar cuidando do sensório do paciente, vê se ele não tá rebaixando, se tá ficando agitado, você tem que estar junto, junto do paciente.
Fez essa sequência, passo três, aqui entra medicação. Passo três, você pode colocar o paciente deitado, pode, não deve. e elevação dos membros inferiores para ajudar o retorno venoso.
Passo quatro, adrenalina na coxa. Ponto. I, não é para fazer subcutâneo, não é para fazer na inalação, nada disso.
Não tem comprovação de eficácia suficiente. Tá errado fazer não, mas não tem o efeito desejado. Mal fazer, mas também não vai fazer bem naqueles casos de que o paciente realmente vai precisar da adrenalina, vai tá demorando para agir.
Então, todos os protocolos atuais, teve uma época que se falava muito de fazer subcutâneo nessa situação de fazer inalatório, hoje não, é fazer IM sem medo, sem medo de ser feliz e de oferecer o melhor tratamento pro paciente. Faz na coxa meia ampola. Nos Estados Unidos existe uma canetinha chamada epipen, que naqueles pacientes que t anafilaxia, ele anda com aquela canetinha, entrou em contato, percebeu, manda na coxa e injeta o próprio paciente.
Olha só, tamanha é a segurança de fazer isso. Se não fosse seguro, não colocaria na mão de um paciente para fazer esse procedimento. Enfim, na coxa, fez a medicação, fez lá elevação dos membros, tá cuidando do ABCD, tá fazendo volume, vendo agora você quer fazer uma perfumaria, quer fazer um negociar mais, faz.
Quer fazer anestamínico? Faz, faz lá de fazer de difenidramina, pode fazer 50 mg, pode fazer o dexclor feniramina, apesar que oral é bom evitar, pode fazer a prometazina, só cuidado porque essas medicações cedam o paciente. A gente precisa estar avaliando o sensório.
Então, mas você pode fazer aí, pode fazer hidrocortisona, 250 mg, pode fazer 10 mg de decadron, dexametazona, pode fazer, mas a base do tratamento é adrenalina. E você agora entende, sabe que exatamente isso que o que o paciente precisa, por você tem que fechar a periferia, diminuir o estímulo, acabar com aquela cascata de pró-inflamatório de mais estamina, de outros pró-inflamatórios, de triptase, que é liberado também. Enfim, você bloqueia isso.
Você fala lá pro pro mastósto: "Ô, mastósto, segura a onda aí, não vai chamar mais ninguém, não, para, chega, você tá exagerando, você tá exagerando. " Então, a adrenalina vai lá dar essa chacoalhada. E é isso que precisa no tratamento do seu paciente, é você ter essa consciência para poder agir da forma correta, para poder fazer o que o paciente precisa, ficar muito atento com a via respiratória.
O paciente começou a evoluir mal, tá em franca respiratória, entuba rápido, não demora não. Se você demorar para entubar, vai fechar a glote, você não vai conseguir, vai ter que partir para crico. Olha as complicações que podem surgir a partir disso.
Você tá preparado para fazer uma crico. Olha que ruim pro paciente fazer uma crico. Então tem que ter muita atenção, muita atenção na hora que atender esses pacientes.
Você tem que estar ali, ó, prontamente, em 2018, antes da pandemia, eu fui, não, 2019, ah, nem lembro mais se era 18, 19 com tudo isso. Eu fui num congresso em no, no Rio de Janeiro, na cidade do Rio de Janeiro, lá na na como é que chama? Depois do Leblon, esqueci o nome.
Alguém depois manda aqui. Tava num congresso lá. Ah, André, para criança você pode 03 por kg?
Não, não é 05. 05 mg, não é por quilo, é metade da ampola. Na criança você pode fazer 0,01 mg por kg, de 01 a 03.
E aí eu tava nesse congresso no Rio e eu vi a notícia de um de um rapaz que tinha ido para ver um jogo, foi bem na final do jogo, Grêmio, Grêmio e Flamengo, acho que era Libertadores, nem me lembro direito, lá no Maracanã. E aí um cara foi, eu lembro dessa história porque eu tava lá e o cara é daqui do meu estado, cara de Dourados, cara, 20 e poucos anos, estavam na praia antes de ver o jogo, comeu o camarão, não sabia que tinha reação alérgica, fez uma reação anafilática ali na hora, morreu antes de chegar ao hospital. Olha que tragédia, olha que coisa triste, olha como que pode uma reação anafilática ser algo muito brutal, muito.
Então, ó, a partir de hoje você não vai subestimar uma reação alérgica. Por quê? O lobo em pele de cordeira.
Yeah.